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O recall da Era Lula impede um novo Collor eleito de se sustentar no Poder, por Alexandre Tambelli

O recall da Era Lula impede um novo Collor eleito de se sustentar no Poder

por Alexandre Tambelli

Lendo a postagem do Viomundo baseada em pesquisa do Poder 360: notícia ruim para Lula não é ascensão de Bolsonaro, mas desejo de mudança - http://www.viomundo.com.br/…/noticia-ruim-para-lula-nao-e-a… - surgiu o contraponto abaixo. 

O recall da Era Lula impede um novo Collor eleito de se sustentar no Poder.

Pesquisas de opinião de cenários eleitorais sem horário eleitoral e debates não produzem efeito prático, senão, o PSDB venceria antecipadamente sempre que disputou com o PT, em 2002, 2006, 2010 e 2014.

Não deixemos de ponderar em cenários eleitorais antecipados que o brasileiro médio tem nos momentos do cotidiano que se informa sobre a economia, a política e a realidade brasileira o intermediário: velha mídia, em especial o JN misturado com um modelo “Datena de comunicação” ou Globonews dependendo da classe social, e enveredando pró ou contra Lula (atualmente nem o contraponto do Lula Presidente temos) através de uma voz única em direção de sua destruição.

E hoje, dentro das classes média e médio-alta tradicionais torna-se preciso crer que esse contingente social enveredará para uma candidatura outsider, afinal Moro & Cia. detonaram com a imagem de toda a classe política.

Voto branco, nulo e abstenções podem ser recordes com a detonação da classe política, mas não entram na contagem para nenhuma candidatura.

Uma volta à lucidez do voto virá somente no momento em que uma campanha eleitoral abrir o leque da diversidade Ideológica. Então, pode haver uma repovoada de votos do espectro mais à esquerda, sendo Lula um polo aglutinador de eleitores das classes C, D e E, que dispersos estão, em busca de uma (nova) mudança, que pode ser uma volta ao Lula ou a quem Lula indicar, e ainda, pode ser uma candidatura outra dentro das esquerdas, ou ainda, candidatura que se faça parecer a “mudança”, esta, arriscada a se trumbicar no pós-eleição, pois, vai ter de dizer que é a “mudança” e manter tudo na direção que estamos indo.

Fique claro. Não necessariamente Lula será candidato antecipada a eleição ou em outubro de 2018. Ele precisa estar candidato para não se esgotar o centralismo da velha mídia na sua derrocada; esgotado o centralismo (sem Lula candidato) abre-se a caça ao próximo que se apresentar como forte candidato progressista, da centro-esquerda ou da esquerda com votos, ele será o novo corrupto da vez, o novo "bolivariano de plantão" e o novo a ser caçado/ “cassado”.

As classes média e médio-alta tradicionais vão em direção do outsider de plantão, em sua grande maioria, pela tradição da busca por diferenciação social. As classes C, D e E não se pode prever. A radicalidade das reformas e do neoliberalismo do Golpe fortalece a memória coletiva do passado de inclusão e ascensão social com direito até de chegar à Universidade.

Temos um fator a mais na ponderação da mudança, ela pode ser “fabricada”, porém, um novo Collor não se sustenta por todo o mandato, viraremos uma eterna República dos presidentes que não terminam mandatos ou vivenciam alta impopularidade. O recall da Era Lua e Dilma não se estará apagado em eleição antecipada ou pós-outubro de 2018, ele estará, ainda, vivo e na memória do povo brasileiro, estará sendo cobrado com força.

Quando a população ascendida socialmente na era Lula e Dilma lembrar que comprou com o PT o seu Nike na loja do shopping e o I-Phone 8 no lançamento e que agora está comprando no calçadão das ruas Barão de Itapetininga ou Direita um Nike falsificado de um coreano ou um abrigo falsificado da Adidas de um boliviano não cabe o discurso evasivo de “mudança” sem mudança, mesmo que seja no voto (na eleição), apenas, que as classes C (hoje voltando a ser um gueto na senzala das periferias brasileiras), D e E desorganizadas se manifestem enquanto agentes sociais da “mudança”, dentro de padrões de comportamento não excludentes da lógica Capitalista do consumo de massas.

Abdico da ideia de que com a plataforma de “mudança”, de a “cara nova” - o outsider - aglutina votos em tamanho expressivo para vencer no Brasil em eleições sem filtro de candidatos. Lula e Dilma venceram 4 eleições seguidas sem mídia e apanhando 24 horas por dia da Globo e toda velha mídia, e com o Judiciário na retaguarda da defesa/blindagem da oposição (PSDB em especial) e em confronto com o PT, Lula e Dilma diariamente.

Brasileiro é pacífico, mas a campanha eleitoral é um fósforo que acende a luz e recoloca a chance de vitória da candidatura que expressar melhor os anseios do povo, que é repetição dos anseios da classe média tradicional, somente em escala de consumo menor. Lula é mestre neste entendimento, sabe da realidade que contém o povo trabalhador brasileiro e o indivíduo social que somos todos nós.

O brasileiro ou qualquer sujeito de qualquer país não é necessariamente revolucionário, a esta verdade e realidade não se pode fugir, o apelo ao consumo e a liberdade de construção dos seus desejos interiores não podem ser negligenciados. Somos Ser Social, Ser Individual e, ainda, Ser Espiritual (ou negação desta dimensão).

Não podemos negligenciar que a propaganda Capitalista do Ter (consumir) nos aproxima mais do sentido de sonhar em ser burguês do que ser proletário a vida toda. Um modelo outro de sociedade, que supere o desejo de ser burguês, requer algumas décadas de trabalho dedicado ao fortalecimento de Educação outra, coletivista, com dimensão solidária e guinada do desejo individual de se Ter para o de Ser, de se construir uma nova identidade coletiva baseada na Cultura e no Saber e não no consumo e no individualismo meritocrático.

Estamos longe da Revolução. Porém, não estamos longe de mais Capitalismo. Podemos acreditar que a Rede Globo & velha mídia, o mercado e as elites econômicas nacionais apontem para uma candidatura outsider se fingindo de “novo”, porém, será preciso externar o “novo”, porque o “velho” se desenha como melhor que o atual.

Então, se a bipolaridade Lula (ou candidatura progressista ou de esquerda ou indicada por Lula) X Bolsonaro/Dória/outsider vier com tudo há de se ponderar que o “novo” já não se desenha na ordem posta (Temer), mas, pode sim!, na ordem deposta (Lula, Dilma e PT) se reencontrar.

Por isto que a extrema-direita jurídico-empresarial-midiática sonha tirar o Lula do páreo, para não se discutir o “novo”, afinal, sem candidatura forte de centro-esquerda, ele, o “novo” vem sem contraponto na campanha de TV e rádio e nos debates eleitorais.

Sem a candidatura Lula e de centro-esquerda se pode passar incólume pelo período eleitoral sem discutir programa de Governo com a importância de termos um Estado forte, para distribuição de renda e ampliação/revigoramento de programas de inclusão social, para chances de ascensão social da classe trabalhadora e, também, sem discutir, modelo de desenvolvimento do País, para além do neoliberalismo radical de Temer & Meireles. Esta é a meta central do neoliberalismo: Eleição sem oposição ao modelo neoliberal radical com chances de vitória.

Porém, como disse antes, não se sustentará um “novo Collor”, ele se produz em um tempo muito adverso economicamente e socialmente para se manter na lógica do mercado, exclusivamente. Vence, mas não leva! Em três tempos sua aprovação pessoal cai em patamares negativos.

Voltando ao Lula.

Lula não precisa se candidatar, como disse, mas precisa ser o alvo por hora, para deixar a velha mídia em sua mira e focalizar o discurso da destruição, não do mito, que a História já lhe deu espaço central, mas do legado social do mito, o que pode ser o erro fatal da Globo & velha mídia e das oligarquias golpistas. Afinal, o que vocês propõem para nós? (nós - classes C, D e E). Ou como querem ao contrário de Lula tirar o pobre do orçamento.

Em 2018 as reformas trabalhista/ terceirização irrestrita e previdenciária e o congelamento do orçamento estarão com seus efeitos práticos em funcionamento, não nos esqueçamos disto. E, incerto será próximo da Eleição o estágio de degradação e de violência social, um ponto que dificulta vencer e ser mais do mesmo (Temer).

Penso eu, que mais a frente se decide concretamente candidatura (s) viável (eis) dos progressistas/ centro-esquerda/ esquerda, não chegou a hora para tanto; a Globo & Cia. não encontraram ainda o seu “Salvador da Pátria” para a gente se preocupar de antemão com os nossos candidatos, somente em se tendo mobilização social para uma Eleição Presidencial antecipada.

Bolsonaro, Dória podem ser o “novo” midiático? Podem. Mas é incerto o resultado eleitoral. Vão ser o anti-Lula, o anti-PT e os moralistas de plantão, chamando a esquerda candidata de antro e/ou apoiadora dos corruptos petistas, de bolivariana, de abortista, de a favor de bandido, de defensora de maconheiro?

Este tipo de campanha, das bravatas, da violência comunicacional, da incansável conversa mole de “Gestor” pode se sustentar para a vitória, em fuga dos temas principais, que serão desemprego, volta do Brasil ao mapa da fome e crescimento pífio da economia sem respostas para o consumo de massas? Creio que será pouco. E, virá, apenas, como antídoto, para se garantir a manutenção de um Legislativo conservador, e se empatar o jogo mais uma vez.

Assim, se a centro-esquerda vencer o pleito Presidencial terá de compor o Executivo com o Legislativo conservador e se arrastar um pouco mais o que já está posto no cenário econômico e social neoliberal em terras brasileiras. Este um caminho desejado pelos golpistas, caso se confirme a derrota eleitoral em 2018.

É o de sempre, se perder que pouco se mude até uma nova guinada à direita.

Por isto a mudança, o “novo” para as esquerdas precisa ser a formação de um Parlamento mais progressista, estudemos caminhos e ações nesta direção. Só vencer no Executivo não adianta, precisamos vencer no Legislativo, também. A Política do toma lá dá cá precisa acabar junto da nossa vitória no Executivo, vitória de uma candidatura progressista, em defesa dos interesses nacionais, das nossas terras agricultáveis, biodiversidade e recursos naturais, de uma relação mais harmônica entre sociedade e meio-ambiente e do desenvolvimento com Justiça Social.

Vencer no Legislativo significa, também, poder anular os retrocessos sociais e econômicos do Governo Golpista.

Vitória justa para o Brasil precisa ser capaz de sepultar de vez a possibilidade de Golpe de Estado, senão, é vencer e vivermos na eterna corda bamba.

Enfim, em havendo Eleição e candidatura de centro-esquerda, esquerda e progressista a lucidez da maioria do eleitorado retorna, mesmo que parcela do eleitorado continue a acreditar na Globo & velha mídia cegamente ou seja já tragada pelo extremismo à direita de Bolsonaro e Dória.

O bolso cheio da era petista e o bolso vazio do pós-Golpe vai pesar lá na urna eleitoral, não duvido desta afirmação.

P.S. Não podemos fugir da possibilidade de o Golpe dentro do Golpe prosperar e de não haver Eleição antecipada nem em 2018. É mais remota a chance devido ao exagero das reformas promovidas por Temer, tucanos e os golpistas todos e pelo grau exagerado da corrupção (não de todos os membros) dos poderes constituídos - Executivo, Legislativo e Judiciário, que tramaram e apoiam o Golpe.

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O herdeiro de Lula

Lamento dizer, mas provavelmente não haverá 2018, pelo menos não na política. O Congresso caminha para criar uma " semi ditadura parlamentarista " , com um presidente apenas ornamental e que servirá para levar a culpa pelos desmandos do congresso.

O presidente, com quase todos os poderes cortados, entre eles, nomear ministros do supremo, decidir política do banco central, e ainda com a camisa de força da PEC dos gastos, será apenas um bode espiatório para levar a fama pelo que o congresso fizer de maligno a mais neste país.

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Se houvesse um herdeiro de Lula, seria Ciro Gomes, imagino. Seria ingenuidade demais lançar um outro candidato do PT e achar que a mídia, o judiciário não  não o prenderiam, antes ou depois de eleito.

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Ze Guimarães

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Rvizin

Existe uma MODALIDE DE GOLPE possível: o PARLAMENTARISMO...

Existe uma outra modalidade possível de golpe, além de não haver eleição em 2018 (acho difícil não haver eleição). Mas com o GOLPE DO PARLAMENTARISMO, que seguramente seria aprovado por esse judiciário também golpista e de extrema-direita, pode haver eleição para decidir o nada. Com o PARLAMENTARISMO, o PRESIDENTE viraria um zero à esquerda, sem poder nenhum, tudo na mão do legislativo corrupto e do judiciário da lumpen-subelite.....

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Giuseppe Junior

Finalmente alguém destaca a

Finalmente alguém destaca a importância de uma melhor composição legislativa em 2018, para mim, até mais importante q a eleição do presidente.

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Hildermes José Medeiros

Um reparo: Lula e Dilma, os

Um reparo: Lula e Dilma, os dois, ganharam oito eleições (primeiro e segundo turno). Ganharam os quatro pleitos. hjm.

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