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Mestre Monarco simboliza todas as frentes do samba, por Augusto Diniz

Mestre Monarco simboliza todas as frentes do samba

por Augusto Diniz

Monarco completou 84 anos na última quinta-feira, 17 de agosto. O sambista representa todas as frentes do samba, desde as agremiações carnavalescas, passando pelos compositores do gênero até as rodas de samba que expressam a essência da matriz musical brasileira. Apesar da relevância, Monarco é pouco conhecido de quem vive fora do meio.

O fato é que a música brasileira, apesar de certo respeito conquistado no mundo, tem enorme barreira dentro do País de entronizar o que de fato contribuiu (e contribui) para sua identidade. Monarco não é um Pixinguinha, um Villa-Lobos, um Tom Jobim, mas um cidadão comum que virou o principal bastião do legado do samba no País.

De voz grave e aveludada, Monarco é autor de sambas curtos, de versos concisos, por vezes autobiográficos, de melodias atraídas pela palma da mão (sem correria como os sambas-enredo atuais), como se quisesse a participação de quem ouve na quadra, no terreiro, como nos velhos tempos. O cantor e compositor teve esse dom na música, com auxílio de seus parceiros que, na verdade, são seus predecessores do gênero, como: “Quitandeiro” (com Paulo da Portela), “Lenço” (com Chico Santana), “Enganadora” (com Alcides Malandro Histórico), “Fui condenado” (com Mijinha), “Vida de rainha” (com Alvaiade), “Conselho” (com Manacéia) e “Portela é uma família reunida” (com Candeia). Ou ainda “Passado de glória” (só dele), “Tudo menos amor” (com Walter Rosa), “Coração em desalinho” e “Vai vadiar” (ambas com Ratinho).

Nascido e criado na Zona Norte do Rio, frequentou blocos e participou muito de rodas de samba de quadra. A Portela, a mítica escola de Madureira, tornou-se seu lar. Na agremiação, teve contato com um dos universos mais criativos de composição de samba no País.

Ex-guardador de carros, feirante e contínuo, Monarco possui alguns discos solos lançados e relançados, inúmeras participações em gravações, livro sobre sua vida, prêmios. Suas composições têm intérpretes infindáveis, parte expressiva de artistas consagrados.

Mas canta até hoje em rodas de samba (algo atípico para sambistas de ponta) e somente fez (e faz) shows em grandes casas de espetáculo como convidado de artistas inseridos no mercado fonográfico. Tem profundo conhecimento do samba, da história do gênero e do desenvolvimento e da técnica do carnaval – além de integrar a velha guarda, tornou-se presidente de honra da Portela; e também dos percalços de se fazer a vida na música encarando rodas de samba para cantar, se fazer ouvir e defender um cachê.

Monarco, agora aos 84 anos, simboliza todas essas frentes do samba pelo largo conhecimento adquirido a ferro e fogo. Outro dia, num programa de televisão global, tive que ouvir chamarem o cantor e compositor como Seu Monarco. Foram educados, mas cabe-lhe mais o tratamento de Mestre Monarco, como assim o é Mestre Aleijadinho, Mestre Vitalino e alguns outros - gente que superou as dificuldades desse País para ajudar a moldar sua identidade cultural. 

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