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O Brasil Novo silenciou a música do festival, por Carlos Motta

O Brasil Novo silenciou a música do festival

por Carlos Motta

O golpe, com tudo o que de ruim trouxe para o Brasil, segue fazendo as suas vítimas.

Dia a dia o país vai se tornando mais pobre, material e espiritualmente.

A inflação cai na mesma velocidade em que a paz dos cemitérios se amplia e domina todos os ambientes.

O medo toma conta daqueles que gostam de ser chamados de "empreendedores".

Poucos, aliás pouquíssimos, se arriscam em investir em seus negócios, preferem aguardar a intervenção do deus ex-machina - ou a mão invisível do mercado - que vai resolver todos os problemas.

Na área artística sobrevivem os "universitários" - sertanejos, sambistas, forrozistas, chorões, todos os ritmos reduzidos a um baticum nivelador da mediocridade.

Iniciativas consolidadas por anos de sucesso, de crítica, marketing e público, se evaporam ao contato dessa ventania pestilenta que arrasa com a nação.

Na página da internet, um comunicado lacônico informa a morte de um dos mais importantes eventos musicais do país, o Festival Etapa de Música de Arte, que se realizava anualmente desde 2007 na cidade de Valinhos, Estado de São Paulo, colada a Campinas.

Nele se apresentou a fina flor da música brasileira: Hélio Delmiro, Paulo Moura, Zimbo Trio, Duo Fel, Banda Mantiqueira, Hector Costita, Raul de Souza, Victor Biglione, Duo Carrasqueira, Badi Assad, Heraldo do Monte, Yamandu Costa, Bocato, Nelson Ayres, Renato Borghetti, Wagner Tiso, Ricardo Herz, Danilo Brito, Roberto Menescal, Ulisses Rocha, Arismar do Espírito Santo, Chico Pinheiro, Eumir Deodato, Laércio de Freitas, Mauro Senise, Rildo Hora, Proveta, Roberto Sion, João Carlos Martins, Romero Lubambo, Cristovão Bastos, Osmar Milito, Hermeto Paschoal, João Donato, Marco Pereira, Hamilton de Holanda, Marcel Powell, Naná Vasconcelos, Antonio Adolfo, Danilo Caymmi, Egberto Gismonti, Carlos Lyra, Carlos Malta, Robertinho Silva, João Bosco...

Tudo isso com ingressos baratos, um teatro confortável, cadeiras numeradas, sem atrasos, sem filas para entrar, coisa de Primeiro Mundo.

É dispensável dizer o que significa, para todos, público e artistas, um festival como esse.

E dói ler o comunicado reproduzido abaixo, que anuncia o seu fim.

Descanse em paz.

Comunicado – Festival Etapa de Música de Arte

Neste ano, como parte do replanejamento de nossas atividades culturais, estamos alterando a periodicidade do FEMA – Festival Etapa de Música de Arte –, que há 10 anos tem sido realizado anualmente sem interrupção.

Com isso, não haverá edição em 2017 do FEMA.

Até 2016 foram realizados cerca de 60 shows, com a presença de mais de 20 mil espectadores, sempre com grande sucesso. Foi uma importante contribuição para o panorama cultural da região, apresentando a beleza da grande música aos muitos que já a apreciavam e a tantos outros que passaram a apreciá-la em #Valinhos e na região de Campinas.

O projeto FEMA sempre foi produzido com investimentos próprios do Etapa, sem nunca contar com apoio de qualquer lei de incentivo. A arrecadação de todas as edições foi transferida para instituições voltadas à comunidade, como a ABEUNI – Aliança Beneficente Universitária de São Paulo, que realiza caravanas de saúde para atender regiões carentes, e mais recentemente a Orquestra Filarmônica de Valinhos, que realizou e segue realizando concertos didáticos gratuitos para a população e divulga a música erudita nas escolas públicas de Valinhos.

Seguiremos, em nossos canais oficiais nas redes sociais – Facebook, YouTube e Spotify – a mostrar tudo de bom que é realizado e também nos inspirando para o que virá no futuro.

Nesse trabalho, realizado a muitas mãos, agradecemos a todos que garantiram a longevidade do evento: aos colaboradores do Etapa Educacional que se dedicaram de forma excepcional – na área de Comunicação e na área Pedagógica –, aos fornecedores e parceiros. Mencionamos especialmente Luiz Amaro, que atuou como curador e produtor do Festival durante toda esta década.

Ao público, nossa gratidão por todo o carinho dispensado.

A todos, um sonoro e musical... até breve.

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maria rodrigues

Também curto essa tristeza

Também curto essa tristeza por falta de opção. Também sei, não por conhecimento de Economia, que não tenho, que essa queda de inflação não está dentro dos manuais, porque a história bem contada seria outra. 

Uma coisa é o povo da Escandinávia não ter inflação, ou uma inflação de o,2%, enquanto o povo tem todas as prestações de serviços dos governos em dia, e ainda com direitos de acompanhar os políticos e chiar quando lhe der na telha, eles, poíticos sabendo de suas responsabilidades para com o povo, pra quem baixará a cabeça, etc. 

Tá na cara que o que sucede ora ao Brasil é a contenção de despesas das famílias. Todas atentas aos preços dos mercados, consumindo o mínimo, entre tantas coisas criativas que precisam fazer para não entrarem em desgraça, precisando mudar de endereço do ruim pro pior; ou ver-se impossibilitado de comer o básico se não souberem conviver com a miséria a que lhe tem sido imposta. 

Muito bem colocada a extinção daquilo que faz a alegria do povo culto, ou carente de cultura, enquanto uma massa imensa aplaude uma cambada de representantes do que chamam de música, quando na verdade é tudo um lixo. E nada mais sobra pra se ver nos canais abertos senão a mesmice. É quando chega o sábado à noite e o domingo inteiro que a população só vê duas saídas: ou vai para os canais fechados, ou curte as maiores babaquices distribuídas entre todos os canais. Tudo, como diria Chacrinha, igual, porque nada se cria e tudo se copia. Tem domingo que o SBT apresenta o mesmo cantor, na mesma hora em que a Record apresenta, porque um deles é gravado. E se multiplicam as duplas horrorosas, com apalusos de fazer inveja a Michael Jakson, se vivo estivesse. 

Ninguém que me conheça pode dizer que não fiz um certo esforço pra ouvir essas duplas, ou cantores solos, ditos sertanejos, já milionários pelos shows diários espalhados no Brasil inteiro. Não consigo ouvir nem a primeira estrofe. 

É de lascar a gente saber o que fizeram com os grandes cantores e compositores; com o Teatro Municipal, do qual partem as grandes representações para outros países, ou permancem aqui sem salário porque os governantes não gostam senão do próprio bolso, muito cheio de gana roubada, estando um preso e outros, como Pezão, admitindo normalidade em poder ter uma aeronave paga pelo povo para ter mais conforto,etc.

Nada mais nos surpreende nesses dias difíceis. Resta-nos, por enquanto, chorar a morte do que um dia nos deu prazer e felicidade, e sofrer de saudade por perdas tão sigificativas.

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Serjão

Faustão

Não há de ser nada, teremos, como há décadas, grupo molejo, latino, vitor e léo, may e Karen, day e lara, banda calypso, e muito mais do melhor no Faustão e no Huck.

Com coveiros como esses, nem reza braba salva.

Um salve à famiglia marinho.

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