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Fábio de Oliveira Ribeiro
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O Brasil e a verdadeira saga Divergente, por Fábio de Oliveira Ribeiro

O Brasil e a verdadeira saga Divergente

por Fábio de Oliveira Ribeiro

Quem acompanha minha coluna sabe que adoro demolir e ridicularizar filmes norte-americanos. Hoje, porém, farei algo diferente. Para variar vou virar uma trilogia pelo avesso para mostrar que até os filmes "made in USA" podem ser úteis na disputa por corações e mentes.

Vivemos numa sociedade dividida em facções. Não, eu não estou falando da saga Divergente e sim do Brasil atual. E no entando, nossa triste realidade tropical se parece muito com a ficção pós-apocalíptica que rendeu três filmes razoáveis.
Os juízes ganham acima do teto e as vezes vendem sentenças. Os políticos alinhados ao mercadoroubam dinheiro público de diversas formas. Os pastores esfolam os fiéis para comprar carrões, mansões e até aviões. Os intelectuais, vulgarmente conhecidos como "canetas" dos mafiosos e barões da mídia, escrevem diariamente mentiras sobre os governos Lula e Dilma nas revistas e jornais. Os policiais militares fazem segurança nos casamentos dos ricos quando não estão matando pobres e pretos nas favelas e moradores de rua em frente a pizzarias.

Apesar de ter sido eleito presidente duas vezes, Lula não se encaixa em nenhuma destas facções. O "sapo barbudo" é um divergente perseguido há décadas por juízes, políticos alinhados ao mercado e por centenas de asnos diplomados (intelectuais). Os admiradores dele são hostilizados, agredidos, mutilados e até mortos por policiais.

Lula ousa querer representar os sem facção, sem emprego, sem renda e agora sem direito a educação e saude com direitos trabalhistas e previdenciários reduzidos. A ousadia dele não dividiu a sociedade brasileira, apenas ameaçou derrubar os muros sócio-econômicos que mantinham os "mais iguais" separados dos "menos iguais".

Os membros das facções usavam os aeroportos e aviões, os sem facção estavam confinados às rodoviárias. A crise começou quando uns e outros começaram a ser vistos nos aeroportos. E a sentar lado a lado nos aviões. Quando o privilégio de voar deixou de existir, o Brasil das facções entrou em colapso por causa do divergente Lula.

A crise piorou quando os sem facção começaram a frequentar as novas universidades públicas criadas por Lula. E se tornou insuportável muito quando Dilma mandou milhares deles estudar no exterior ao invés de ir cortar cana no interior do Brasil.

Em nosso país desde sempre um muro invisível separou os muito ricos dos outros. Eles são os brancos geneticamente puros, descendentes dos aristocratas coloniais. Todos os demais (incluindo membros das facções e todos os sem facção) são geneticamente danificados, mestiços.

Lula perturbou a estratificação social não porque é socialista, mas porque provou na prática que um divergente mestiço pode governar acima das facções promovendo o bem estar de todos, inclusive dos sem facção. Dilma, ela mesma branquinha como a neve européia, seguiu os passos de Lula e foi considerada uma traidora de sua pureza racial.

Pronto... Tris Prior já pode se tornar uma heroína brasileira. Ao invés de namorar o Quatro ela vai fazer propaganda do seu novo amor: o Treze. Mas creio que os membros das facções brasileiras deixarão de gostar da saga Divergente. Ela se tornou abrangente demais.

 

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Véio Zuza

Lula poderia dizer como Noel

Lula poderia dizer como Noel Guarany, compositor gaudério: "não vendi a tiranos, nem burrices diplomadas"...

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Andrea Pinho

Castas

As sociedades de castas são uma invenção antiga da humanidade. A Índia possui há milhares de anos uma sociedade. Assim,  os britânicos, quando invadiram a Índia, se sentiram muito à vontade, já que sua própria sociedade era também bastante hierarquizada.  O que aconteceu no Brasil no começo do século XXI, aconteceu no Reino Unido no começo do século XX.

Já que estamos falando de filmes, as transformações da sociedade britânica podem ser vistas na série Downton Abbey, na qual o exército de serviçais que serve a uma mansão inglesa no começo do século XX, começa a se interessar a estudar e abrir seus horizontes, buscando outras profissões e desafios e descobrindo que podem fazer muitas outras coisas além de ser mordomos, lacaios, valetes e cozinheiras. Uma estrutura social morria para o nascimento de outra, mais justa. Estamos no Brasil, uns cem anos atrasados. 

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