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Fantástico som dos instrumentos de Pereira Filho, por Laura Macedo

Por Laura Macedo

João Pereira Filho - Instrumentista/Compositor.

* 22/09/1914 - Rio de Janeiro (RJ)
+ 12/12/1986 - Rio de Janeiro (RJ)

Pereira Filho começou a estudar, aos cinco anos de idade, violão, cavaquinho e bandolim com seu pai, que era autor de um método para o ensino de instrumentos de cordas. Ainda na infância, participou de pequenos conjuntos, e logo abraçou o violão. Não compôs muito e, praticamente, gravou suas composições instrumentais.

Na década 1930, ingressou na Orquestra de Napoleão Tavares. Depois se juntou à Orquestra de Ioiô da qual fez parte por oito anos. Ainda nessa década iniciou sua carreira discográfica com a gravação de duas faixas, de sua autoria, em violão solo.

 

Jongo africano” (Pereira Filho) # Pereira Filho (violão). Disco Victor (33.686-A) / Matriz (65744). Gravação (22/05/1933).

 

Áurea” (Pereira Filho) # Pereira Filho (violão). Disco Victor (33.686-B) / Matriz (65742). Gravação (22/05/1933) / Lançamento (agosto/1933).

 

Sua obra totaliza, aproximadamente, 20 composições, abrangendo vários estilos como, valsas, boleros, choros, sambas, dobrados, sambas canções, peças de cunho folclórico e africano, bem como algumas composições carnavalescas.

Vamos destacar, inicialmente, suas Composições e Interpretações Solos.

Variações sobre cateretê” (Pereira Filho) # Pereira Filho (violão). Disco Victor (34.049-B) / Matriz (65743). Gravação (22/05/1933) / Lançamento (abril/1936).

 

A Revista Cinearte publicou na Edição de 15 de abril de 1933:

Em 1941 formou seu próprio Conjunto, tocando especialmente em bailes e acompanhado os artistas nas Rádios da época.

Pereira Filho acompanhando ao violão a cantora Odete Amaral na Rádio Nacional

Edinho no choro” (Pereira Filho) # Pereira Filho (violão elétrico). Disco Continental (15.337-A) / Matriz (1106). Lançamento (maio/1945).

 

Conversa fiada” (Pereira Filho) # Pereira Filho (violão). Disco Continental (16.734-A) / Matriz (C- 3033). Gravação (14/01/1953) / Lançamento (maio).

 

Garoa” (Pereira Filho) # Pereira Filho (violão) e seu Conjunto. Disco Continental (16.870-A) / Matriz (C-3225). Gravação (23/09/1953) / Lançamento (novembro/1953).

 

 

Borba gato” (Pereira Filho) # Pereira Filho (violão). Disco Continental (16.870-B) / Matriz (C-3226). Gravação (23/09/1953) / Lançamento (novembro/1953).

 

 

Serenata havaiana” (Pereira Filho) # Pereira Filho (violão). Disco Continental (16.734-B) / Matriz (C-3039). Gravação (16/01/1953) / Lançamento (junho/1953).

 

 

 

Outras Composições com Parceiros e como Intérprete

 

Pra te amar” (Pereira Filho) # Isalinda Seramota. Disco Odeon (10.792-B) / Matriz (4173). Gravação (07/03/1931).

 

 

Orlando Silva e Pereira Filho

 

O cantor das multidões Orlando Silva escolheu para gravou, em 1935, duas pérolas do cancioneiro de Cândido das Neves [Índio] com um time de instrumentistas de primeira grandeza: Pereira Filho e Luis Bittencourt nos violões e Luperce Miranda no bandolim.

 

Última estrofe” (Cândido das Neves [Índio]) # Orlando Silva (voz) / Pereira Filho/Luiz Bittencourt (violões) / Luperce Miranda (bandolim). Disco Victor (33975-A) / Matriz (79931). Gravação (18/6/1935) / Lançamento (setembro/1935).

 

 

Lágrimas” (Cândido das Neves [Índio]) # Orlando Silva (voz) / Pereira Filho/Luiz Bittencourt (violões) / Luperce Miranda (bandolim). Disco Victor (33975-B) / Matriz (79932). Gravação (18/6/1935) / Lançamento (setembro/1935).

 

 

Murucututu” (Domínio Público/Adaptação de Olga Praguer Coelho/Gaspar Coelho) # Pereira Filho (violão) / Olga Praguer Coelho (voz). Disco Victor (34105-A) / Matriz (80130). Gravação (17/04/1936) / Lançamento (agosto/1936).

 

 

Tua partida” (Pereira Filho/Mário Moraes) # Francisco Alves. Disco Victor (34.182-A) / Matriz (80326). Gravação (11/03/1937) / Lançamento (julho/1937).

 

 

Sonho” (Valdemar de Abreu [Dunga]) # Pereira Filho (violão elétrico) / Luiz Americano (saxofone). Gravação (1951).

 

 

 

 

O LP intitulado - “Um Violão em Ritmo de Dança - Pereira Filho e seu Conjunto” - foi lançado, em 1959, nos primórdios da Bossa Nova. Vale ressaltar que suas harmonias inovadoras já eram ouvidas em suas gravações/apresentações.

 

Copacabana” (Alberto Ribeiro/João de Barro [Braguinha]) # Pereira Filho e Seu Conjunto. Disco Todamerica (LPP-TA-327), 1959.

 

 

Da cor do pecado” (Bororó [Alberto de Castro Simoens da Silva]) # Pereira Filho e Seu Conjunto. Disco Todamerica (LPP-TA-327), 1959.

 

 

 

Pereira Filho estava sempre bem acompanhado. Na foto acima da esquerda para a direita: Pereira Filho, Luiz Americano (de costa com a sua clarineta), Cyro Monteiro, Carmen Miranda, Luperce Miranda e Laurindo Almeida.

Pereira Filho foi um dos músicos pioneiros no sentido de vincular a “origem da linha tradicional do violão brasileiro, baseada no violão clássico europeu e no choro - que ele nunca abandonou - e incorporar à sua linguagem novas técnicas, harmonias e estruturas nascidas com o jazz e o blues”.

Considerando que Pereira Filho viveu por 72 anos e tocou a vida inteira é no mínimo curioso que não tenha se tornado um músico conhecido do grande público.

Sua carreira esteve sempre vinculada às Orquestras, o que talvez explique, mais tarde, a adoção do violão elétrico e, depois, da guitarra. Até o final da vida foi músico solista, acompanhante de cantores e diretor de Orquestras e Conjuntos em diversas emissoras do Rio de Janeiro, a exemplo da Rádio Nacional, Mayrink Veiga e das emissoras de Tvs: Tupi, Excelsior e Globo.

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Agradecimentos especiais ao jornalista, pesquisador, escritor Miguel NIREZ Azevedo pela liberação dos fonogramas constantes neste post: “Jongo africano”, “Áurea”, “Variações sobre cateretê”, “Conversa afiada”, “Garoa”, “Borba Gato”, “Serenata havaiana”, “Pra te amar”, “Sonho”.

Agradecimentos ao amigo José Afonso Karibé, do Grupo Arquivo Confraria do Chiado (Facebook), pelo envio dos fonogramas: “Copacabana” e “Da cor do pecado”.

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Fontes:

- Áudios/Montagem: Laura Macedo.

- Banco de Dados do Arquivo Nirez (Fonogramas citados nos agradecimentos)

- Dicionário Cravo Albin da MPB - Verbete: Pereira Filho.

- Fotomontagens: Laura Macedo.

- Revista Carioca / Revista Cinearte (Algumas fotos).

- Site/Músicos do Brasil - Uma Enciclopédia Instrumental

- Site #Radinha (Áudio).

- Site YouTube / Canais: “Igor Tavile”, “SenhorDaVoz”, “CICLO CULTURAL”, “luciano hortencio”, “Yuri Ferreira”.

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7 comentários

Comentários

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Nosso consolo

Aqui, Orlando Silva conta como gravou Meu Consolo é Você, com Pereira Filho no violão, Hervê Clodovil no piano... Boas historias.

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Musica para os ouvidos ;)

Laura, que pérola nos trouxeste dessa vez. Que violão tinha o Pereira Filho. E estou rindo até agora da ""bonita"" capa de seu disco "Um violão em ritmo de dança". Você nos deixou com apetite, com vontade de ouvir mais ainda a boa musica. E esse disco, hein, que sortuda você de tê-lo.

E que foto bonita desse bando de musicos, com um Cyro Monteiro ainda jovem e tão sorridente e a nossa etena Carmem!

Um abraço.

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Estamos no mesmo time...

Querida amiga Maria Luisa,

Adoraria ter esse disco!! Estamos no mesmo time, ou seja, vamos nos contentar com as duas faixas que o amigo Karibé me enviou. Outro amigo enviou um link para baixar o disco todo. Quem disse que eu conseguir?! Sou fraquinha nessa parte mais tecnológica (rsrsrsrs). Se você quiser tentar, segue o link:

https://parallelrealitiesstudio.wordpress.com/2015/12/27/pereira-filho-e...

Adorei seus dois comentários. Achei super interessante o Orlando Silva citar, nominalmente, o Pereira Filho. Naquela época os músicos que acompanhavam os artistas nas gravações, geralmente, não tinham seus nomes impressos nos selos dos discos.

Como prêmio de consolação deixo:

“Oriental” (Pedro Raimundo) # Pedro Raimundo (acordeon) / Pereira Filho (violão). Disco Todamerica (TA-5054-B) / Matriz (TA-87). Gravação (16/02/1951) / Lançamento (abril/1951).

Super beijos.

 

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Presente

Obrigada, Laura. Vou tentar baixar o link aqui. Um beijão para você também.

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Laura,

que bonita postagem esta tua.
Sempre um cuidado com a pesquisa, sempre um encadeamento e unidade que conferem "corpo" ao post. Não se percebe o aleatório, pois que há sempre o intuito, claro, explícito, de proporcionar ao leitor uma experiência musical com significado e prazerosa.
Tem me chamado a atenção, e escreverei sobre isso, a constante que os leitores, se mais atentos, podem encontrar nos posts deste blog, os seus incluidíssimos: sempre muita dedicação e profundidade.
Parabéns pela peça e obrigada por compartilhá-la conosco.

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Anna Dutra

Querida Anna...

Sempre generosa nos comentários. Eternamente grata.

Há tempos que venho garimpando a vida e obra do nosso homenageado, mas infelizmente sem grande sucesso. Depois um grande período de garimpagem consegui reunir o que socializo agora com vocês. O escritor/pesquisador NIREZ foi fundamental, liberando os fonogramas solicitados.

Acabei esquecendo de incluir no post a foto abaixo publicada na Revista Cinearte, em 15 de junho de 1938.

Beijos

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Querida Laura,

Fora somente um fonograma e duas linhas, onde há amor não pode haver erro e nada é pouco.
Ricardo Reis em FP já nos lembrava: sê inteiro... És.
Obrigada.
Beijos.

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Anna Dutra

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