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Gravações históricas de Pedro Galdino e Pessoal do Bloco

 

 

O compositor/flautista afro-descendente Pedro Galdino era oriundo de uma família de músicos. Conhecido, também, como Pedrinho de Vila Isabel, por conta da sua atuação como operário na Companhia Fiação Tecidos Confiança, localizada no bairro de Vila Isabel, onde residia e atuava como mestre da Banda de Música da referida fábrica. Integrou também a banda do trombonista/compositor Cândido Pereira da Silva – o Candinho Trombone.

 

 

Segundo Alexandre Gonçalves Pinto - Pedrinho, primoroso flautista, de uma educação sublime. Esse instrumento, nos seus lábios, as feras amansavam e os passarinhos inebriavam-se, tal era a suavidade do seu sopro.

 

 

Foi a partir de 1910 que Pedro Galdino gravou suas composições, acompanhado do seu conjunto Pessoal do Bloco, para a Casa Faulhaber, no Rio de Janeiro.

 

São algumas dessas composições que vamos socializar com vocês, num primeiro momento, e depois por outros interpretes, a exemplo de Pixinguinha e pela nova geração do Choro.

 

 

 

Meu casamento” (Pedro Galdino) # Pessoal do Bloco. Disco Favorite Record (1-454047) / Matriz (7162), 1910.

 

 

 

 

 

 

Cotinha” (Pedro Galdino) # Pedro Galdino. Disco Disco Favorite Record (1-454025) / Matriz (11491), 1910.

 

 

 

 

 

 

Saudades da Lapa” (Pedro Galdino) # Pessoal do Bloco. Disco Disco Favorite Record (1-450088) / Matriz (7152), 1910.

 

 

 

 

 

 

Caminhando” (Pedro Galdino) # Pessoal do Bloco. Disco Favorite Record (1-454036) / Matriz (7150), 1910.

 

 

 

 

 

 

Adélia” (Pedro Galdino) # Pessoal do Bloco. Disco Favorite Record (1-454130) / Matriz (7161), 1910.

 

 

 

 

 

 

Miranda” (Pedro Galdino) # Pedrinho [Galdino] (flauta). Disco Favorite Record (1-454.026), 1911.

 

 

 

 

 

 

 

Não chores” (Pedro Galdino) # Pessoal do Bloco. Disco Favorite Record (1-454-041) / Matriz (7155), 1911.

 

 

 

 

 

 

Lembrança da Ilha do Governador” (Pedro Galdino) # Pedro Galdino e Pessoal do Bloco. Disco Favorite Record (1-454-044), 1912.

 

 

 

 

 

 

 

 

Segundo a pesquisadora e escritora Anna Paes, nas gravações do conjunto Pessoal do Bloco percebe-se claramente a principal transformação que vinha acontecendo na música popular: o abrasileiramento das danças europeias sugerido pelos executantes desses pequenos grupos instrumentais.

 

 

 

 

 

O Choro mais famoso de Pedro Galdino foi “Flausina” gravado por ele em 1910, e também por Pixinguinha e sua banda em 1957, no disco “Assim é que é” e, em 1977, pelo conjunto Os Carioquinhas, do qual faziam parte: Rafael Rabello (violão sete cordas), Luciana Rabello (cavaquinho), Maurício Carrilho (violão de seis cordas), Celso Alves da Cruz (clarinete), Paulo Magalhães Alves (bandolim), Celso José da Silva (pandeiro) e Mario Florêncio Nunes (percussão).

 

 

 

Flausina” (Pedro Galdino) # Pessoal do Bloco. Disco Disco Favorite Record (1-454.037) / Matriz (7151), 1910.

 

 

 

 

 

 

Flausina” (Pedro Galdino) # Pixinguinha e sua Banda. Álbum: Assim é que é... Pixinguinha e sua banda em Polcas, Maxixes e Choros, 1957.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

"Flausina" (Pedro Galdino) # Os Carioquinhas. Disco Os Carioquinhas do Choro, 1977.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Sua polca “Jocosa” consta nas duas edições da coleção “História da Música Popular Brasileira” - lançadas em 1972 e 1978 - no disco dedicado a Donga e os Primitivos.

 

 

 

"Jocosa" (Pedro Galdino) # Altamiro Carrilho (flauta), Abel Ferreira (saxofone), Radamés Gnattali (piano), Dino e Meira (violões) e Canhoto (cavaquinho). Disco Victor, 1971.

 

 

 

 

 

 

 

 

Sobre a polca “Jocosa” o Almirante (Henrique Fóreis Domingues) escreveu:

 

 

A música que abriu este comentário aqui, aquela famosa “Flausina”, que tinha esses versos: Anda vem cá, vem ver meu pobre coração como está é o cartão de visitas do autor da peça que vai também abrir o programa de hoje.

 

Mas se nós quiséssemos, nós poderíamos usar outro cartão de visitas para o mesmo autor, como a sua xótis que foi célebre, aquela que se cantava com os versos Quando na luz desses seus olhos de veludo, lembram? Pois o autor que produziu tais maravilhas nunca poderia ter sido medíocre na certa. Eis por que vocês devem agora apreciar bem para sentir também bem toda a beleza de uma polca-choro daquele mesmo Pedro Galdino, e que aqui vai ser apresentada pela orquestra do Pessoal da Velha Guarda num novo arranjo de Pixinguinha. Trata-se de “Jocosa”, quem tem na melodia e no ritmo toda a justificativa de seu nome: “Jocosa”.

 

 

 

 

 

 

 

Outras composições de Pedro Galdino podem ser ouvidas em arranjos atuais em todo o Disco Princípios do Choro 3 (foto acima) - CD 2 contendo 14 faixas só com composições de Pedro Galdino. Selecionamos algumas para deleite de todos.

 

 

 

Carinhosa” (Pedro Galdino) # Maurício Carrilho, Luciana Rabello, João Lyra, Celsinho Silva, Toninho Carrasqueira & Proveta.

 

 

 

 

 

 

Solicitadora” (Pedro Galdino) # Maurício Carrilho, Luciana Rabello, João Lyra, Celsinho Silva & Bernardo Bessler.

 

 

 

 

 

 

Quando eu sonhava” (Pedro Galdino) # Maurício Carrilho, Luciana Rabello, Celsinho Silva, Juliano Barbosa, Proveta & Rogério Souza.

 

 

 

 

 

 

Saudades da Lapa” (Pedro Galdino) # Maurício Carrilho, Luciana Rabello, Celsinho Silva, Marcio Almeida & Rogério Souza.

 

 

 

 

 

 

Vamos dançar” (Pedro Galdino) # Maurício Carrilho, Luciana Rabello, Toninho Carrasqueira, Proveta, Rogério Souza & Celsinho Silva.

 

 

 

 

 

 

 

 

Pedro Manuel Galdino (¹)

*1860 - Rio de Janeiro (RJ)

+1919 - Rio de Janeiro (RJ) Flautista / Compositor

 

Pedro Galdino foi autor de aproximadamente quarenta composições, entretanto sua obra não é conhecida do grande público.

A beleza de suas composições nos toca a sensibilidade sendo revelada, principalmente, na simplicidade da sua construção melódica.

 

 

 

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(¹) Existem controvérsias quanto às datas de nascimento e morte do compositor Pedro Manuel Galdino. O Dicionário Cravo Albin informa que Pedro Galdino nasceu e morreu em 1860 e 1919, respectivamente. Já no livro Um Sopro de Brasil aponta as datas de 1862 e 1922.

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Agradecimentos especiais ao jornalista, escritor e pesquisador Miguel NIREZ Azevedo pela liberação dos fonogramas: “Miranda” e “Não chores”.

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Fontes:

- Áudios SouldCloud (montagem): Laura Macedo.

- Banco de Dados do Acervo Nirez.

- Blog Daniella Thompson / Programa O Pessoal da Velha Guarda (transcrição: Alexandre Dias [Aqui]).

- Fotomontagem: Laura Macedo.

- O Choro, de Alexandre Gonçalves Pinto. Rio de Janeiro/FUNARTE/1978.

- Projeto Memórias Musicais: 15 CDs com a restauração de gravações feitas entre 1902 e 1950. Produção: Sarapuí / Biscoito Fino / CD 13: Pedro Galdino e Pessol do Bloco.

- Site YouTube: “SenhorDaVoz” / “luciano hortencio” / “Sandor Buys” / “jiroumy”.

- Um sopro de Brasil, de Myriam Taubkin (Org.). São Paulo, Projeto Memória Brasileira, 2005.

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Definitivamente: GGN é cultura!

Particularmente nos blogs de Laura e Luciano. Muito legal conhecer essas histórias da música brasileira, recuperadas por vocês. Ainda mais pra quem é adoradora do tema, como eu. Obrigada pelas músicas e pelas informações! Sempre gosto de conhecer e/ou saber mais sobre essas figuras precursoras do choro e do samba, como Pedro Galdino e Pessoal do Bloco.

Quanto a mim, tô dentro de qualquer Bloco, desde que não ponham corda!

Não põe corda no meu bloco,
Nem vem com teu carro-chefe,
Não dá ordem ao pessoal.
Não traz lema nem divisa
Que a gente não precisa
Que organizem nosso carnaval.
Não sou candidato a nada,
Meu negócio é madrugada
Mas meu coração não se conforma.
O meu peito é do contra
E por isso mete bronca
Neste samba-plataforma:
Por um bloco
Que derrube esse coreto,
Por passistas à vontade
Que não dancem o minueto,

Por um bloco
Sem bandeira ou fingimento
Que balance e abagunce
O desfile e o julgamento,
Por um bloco
Que aumente o movimento,
Que sacuda e arrebente
O cordão de isolamento.

Não põe no meu!

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Beijos!

Seu voto: Nenhum

O macho adulto branco sempre no comando
E o resto ao resto, o sexo é o corte, o sexo
Reconhecer o valor necessário do ato hipócrita
Riscar os índios, nada esperar dos pretos ♪♫

Adoro garimpar :)

Querida amiga Vânia,

Adoro garimpar, principalmente, os nossos artistas desconhecidos do grande público, como é o caso do Pedro Galdino. Há mais de mês que acordo e durmo com o nosso homenageado. Pesquisei muito em revistas culturais da época em que ele viveu/produziu a procura de, pelo menos, uma "fotozinha" e nada.

Tô no seu bloco, sempre! Beijos.

Bellinha” (Pedro Galdino) # Maurício Carrilho, Luciana Rabello & Andréa Ernest Dias.

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