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Nilton Bastos e seus Parceiros, por Laura Macedo

por Laura Macedo

Nilton Bastos


*12/07/1899 - Rio de Janeiro (RJ)
+08/09/1931 - Rio de Janeiro (RJ)

Compositor

O compositor Nilton Bastos não estudou música, mas tocava piano de ouvido, o que facilitou a arte de compor. Desde a juventude, a exemplo dos amigos da época, frequentava as Rodas de Samba e Ranchos Carnavalescos, a exemplo do “Ameno Resedá” e “Flor do Abacate”.

Outro reduto frequentado pela boemia da época era o Bar e Café Apolo, ponto de encontro de sambistas e compositores, como os amigos Ismael Silva, Bide, Baiaco, Mano Rubem, entre outros.

Sua primeira música gravada foi o samba “O destino é Deus quem dá”, em 1929, interpretada pelo cantor Mário Reis, um dos sucessos do ano pelo selo Odeon. No ano seguinte (1930) emplacou mais uma composição, agora, com os parceiros/amigos Ismael Silva e Francisco Alves.

 

O destino Deus é quem dá” (Nilton Bastos) # Mário Reis. Disco Odeon (10.357-B) / Matriz (2405). Gravação (27/02/1929) / Lançamento (abril/1929)

 

Não há” (Nilton Bastos/Ismael Silva/Francisco Alves) # Mário Reis/Francisco Alves. Disco Odeon (10.747-A) / Matriz (4079). Gravação (05/12/1930) / Lançamento (janeiro/1930).

 

 

 

A Eterna Polêmica

"No final da década de 1920, Francisco Alves manifestou a Ismael Silva o desejo de gravar suas músicas, com a condição de que seu nome constasse nos créditos como co-autor. Ismael então impôs que o nome de Nilton Bastos, seu parceiro habitual, também fosse incluído.

Esse episódio deu margem a que a autoria de diversos sambas assinados pelos três causasse polêmica. Entre esses, o antológico ‘Se você jurar’, sucesso no carnaval de 1931 com a interpretação de Francisco Alves e Mário Reis pelo selo Odeon. ‘Se você jurar’, além de um clássico, tornou-se um dos principais modelos de samba dos anos 1930, quando os sambistas e compositores ligados à primeira escola de samba, "Deixa falar", entre eles, Ismael e Nilton, começaram a ‘desamaxixar’ o samba.

Francisco Alves passou a ser co-autor em muitas outras músicas da dupla, quase sempre sem ter composto efetivamente as peças que assinava. A época, contudo, admitia éticamente tal procedimento, já que a MPB era considerada um produto de menor valor financeiro.

A polêmica sobre a verdadeira autoria de ‘Se você jurar’ ainda persiste. Há indícios, segundo descendentes do compositor, de que ‘Se você jurar’ tenha sido composto apenas por Nílton Bastos. Tal afirmação nunca chegou a ser provada. Ismael dizia que a primeira parte era de Nilton, com sua ajuda e a segunda toda sua. Para Mário Reis, o samba era só de Nilton Bastos. Já Francisco Alves, declarou em sua autobiografia que a segunda parte do samba era toda sua". (Dicionário Cravo Albin da MPB).

 

 

Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello

Jogando mais lenha na fogueira os pesquisadores Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello, no livro “A Canção no Tempo – 85 anos de Músicas Brasileiras / Vol.1: 1901-1957”, afirmam:

Baseado em informações de Ismael Silva, Hermínio Bello de Carvalho assegura em artigo publicado em 1963: ‘A primeira parte é do Nilton com a ajuda de Ismael’. Contrariam essa informação Orestes Barbosa (no livro ‘O Samba’) e Mário Reis, que afirmam ser a composição somente de Nilton, enquanto Francisco Alves (em sua autobiografia) atribui o estribilho a Nilton, mas se diz autor da segunda parte'.

A polêmica é realmente eterna!! O certo é que o samba “Se você jurar” é uma maravilha!!

 

Se você jurar” (Nilton Bastos/Ismael Silva/Francisco Alves) # Mário Reis/Francisco Alves. Disco Odeon (10.747-B) / Matriz (4080). Gravação (05/12/1930) / Lançamento (janeiro/1931).

 

 

Deixando a famosa “Polêmica” de lado vamos curtir as “Músicas” do Trio de compositores: Nilton Bastos, Ismael Silva e Francisco Alves.

 

Arrependido” (Nilton Bastos/Ismael Silva/Francisco Alves) # Mário Reis/Francisco Alves. Disco Odeon (10.780-A) / Matriz (4163). Gravação (28/02/1931) / Lançamento (abril/1931).

 

 

Nem é bom falar” (Nilton Bastos/Ismael Silva/Francisco Alves) # Francisco Alves e Bambas do Estácio. Disco Odeon (10.745-B) / Matriz (4067). Gravação (27/11/1930) / Lançamento (janeiro/1931).

 

 

O que será de mim?” (Nilton Bastos/Ismael Silva/Francisco Alves) # Mário Reis/Francisco Alves. Disco Odeon (10.780-B) / Matriz (4162). Gravação (28/02/1931) / Lançamento (abril/1931).

 

 

Meu batalhão” (Nilton Bastos/Ismael Silva/Francisco Alves) # Francisco Alves e seu “Esquadrão”. Disco Odeon (10.748-B) / Matriz (4091). Lançamento (janeiro/1931).

 

 

Sonhei” (Nilton Bastos/Ismael Silva/Francisco Alves) # Francisco Alves. Disco Parlophon (13.377-A) / Matriz (131306). Lançamento (dezembro/1931).

 

 

É bom evitar” (Nilton Bastos/Ismael Silva/Francisco Alves) # Ismael Silva. Disco "Ismael Canta... Ismael”. Records LP 4007, 1957.

 

 

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Agradecimentos especiais ao jornalista, escritor e pesquisador Miguel NIREZ Azevedo pela liberação do fonograma: “Sonhei”.

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Fontes:

- A Canção no Tempo - 85 Anos de Músicas Brasileiras, Vol 1: 1901-1957 / Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello. - São Paulo: Ed. 34, 1997.

- Banco de Dados do Acervo Nirez.

- Dicionário Cravo Albin da MPB / Verbete: Nilton Bastos (AQUI).

- Fotomontagem: Laura Macedo.

- Site YouTube / Canais: “N2010R”, “SenhorDaVoz”, “Canal de amigovelho1000”, “Rodrigo Castro de Mendonça” , “Trindade dos Santos”, “Gilberto Inácio Gonçalves”.

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