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Os Pioneiros da Marchinha

 

Foi no início da década de 1920 que o samba começa a adquirir prestígio como canção carnavalesca. Não demorou muito para que as Marchinhas, de ritmo animado, letras alegres e sugestivas, dividisse com o samba sua hegemonia.

 

Sua gênese está relacionada aos compositores de classe média, vinculados ao Teatro de Revista Carioca, como Eduardo Souto, Freire Júnior e José Francisco de Freitas [Freitinhas].

 

 

 

 

 

 

Eduardo Souto foi um grande compositor e pianista que muito honra a Música Brasileira. De origem paulista (São Vicente -14/4/1882) lançou âncora no Rio de Janeiro, aos 11 anos de idade, onde desenvolveu sua carreira artística.

 

 

Sua primeira aparição em público foi em 1906, em Niterói (RJ), mas foi em 1919 que alavancou sua carreira de compositor com o fado/tango - “O despertar da montanha” - bem como a inauguração da loja de música Carlos Gomes, lançando seu nome no meio artístico, tornando-se um ponto de encontro dos compositores da época.

 

 

 

Compôs inúmeras marchinhas a exemplo de: “Goiabada”, “Não sei dizê”, “Seu doutor”, entre outras.

 

 

 

Goibada” (Eduardo Souto [Marcha carnavalesca]) # Bahiano. Disco Odeon (122.332). Gravação (1923).

 

 

 

 

 

 

 

Não sei dizê” (Eduardo Souto) # Bahiano e Januário. Disco Odeon (122.658). Gravação (1924).

 

 

 

 

 

 

 

Seu doutor” (Eduardo Souto) # Francisco Alves. Disco Odeon (10.312-B) / Matriz (2148). Lançamento (janeiro/1929).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Freire Júnior (1881-1956) é o que podemos chamar de artista multifacetado, ou seja, fez golaços como compositor, pianista e revistógrafo. Estreou compondo para a peça “O primo da Califórnia”, aos 14 anos, ocasião em que conheceu Chiquinha Gonzaga.

 

 

Ele fez música à vida toda; das marchinhas de carnaval aos tangos-fados e toadas. Como revistógrafo imprimiu sua marca em várias peças (burletas) que escreveu e, também, musicou muito para o Teatro de Revista. Paralelamente a tudo isso, milagrosamente, sobrou tempo para formar-se em Odontologia e atuar como dentista.

 

 

 

Ai Seu Mé” (Freire Júnior/Luiz Nunes Sampaio) # Francisco Alves. Disco Odeonette (103-A) /Matriz (109). Gravação [processo mecânico] (1927).

 

 

 

 

 

 

Ai amor” (Freire Júnior) # Bahiano. Disco Odeon (121.974), 1922.

 

 

 

 

 

 

Seu Julinho vem” (Freire Júnior) # Francisco Alves e Orquestra Pan American. Disco Odeon (10.373-A) / Matriz (2556), 1929.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Concorrente de Eduardo Souto e Freire Júnior, até mais empreendedor do que os dois na opinião do escritor Jairo Severiano, José Francisco de Freitas [Freitinhas] (1897-1956) reinou nos últimos carnavais dos anos de 1920, entoando suas composições em ritmo de marcha. Foi campeão em vários carnavais.

 

Segundo Jairo Severiano: “Todo seu sucesso não se deveu apenas à qualidade de sua produção. Na verdade Freitinhas ‘trabalhava’ intensamente suas canções”.

 

Campeão de vários carnavais, Freitinhas explicou em artigo para a Revista Weco, da Casa Wehrs (janeiro/1929) o segredo de seu sucesso:

 

"Iniciada a época das contínuas batalhas de confetes, já me encontrava com um grupo de músicos organizados e bem treinados, a fim de não deixar de comparecer a nenhuma das melhores e afamadas. Já tive ocasião de, no meu automóvel, com saxofone, pistão e reco-reco, em uma só noite atuar nos corsos tocando e distribuindo folhetos com as letras, em cinco batalhas de confetes, e conquistando diversos prêmios, convindo notar que uma era na Praça Saenz Peña e outra no Leme, o que me obrigou, para ganhar tempo, a andar 80 Km, e uma multazinha por excesso de velocidade... melódica".

 

 

Por essa época ainda, possuía uma orquestra no estilo Jazz Band, com a qual se apresentava em festas, bailes e reuniões, promovendo suas músicas.

 

 

Compôs cerca de 300 músicas, entre valsas, marchas, ragtimes, toadas, canções, maxixes e sambas, a exemplo de “Eu vi Lili”, “Zizinha”, “Dondoca”, entre outras.

 

 

 

Eu vi Lili” (José Francisco de Freitas [Freitinhas]) # Pedro Celestino e Jazz Band Sul-Americana Romeu Silva. Disco Odeon/Casa Edison (122.977), 1926.

 

 

 

 

 

 

Zizinha” (José Francisco de Freitas [Freitinhas]) # Fernando. Disco Odeon (122.942), 1926.

 

 

 

 

 

 

Loló” (José Francisco de Freitas [Freitinhas]) # Francisco AlvesDisco Odeon (10.179-A) / Matriz (1643). Gravação (29/03/1928) / Lançamento (junho/1928).

 

 

 

 

 

 

 

Com a chegada da Era do Rádio nos anos de 1930, acompanhada de uma nova geração de artistas, o brilho das estrelas de Eduardo Souto, Freire Júnior e José Francisco de Freitas foi, gradativamente, reduzido. Além das marchinhas o “Trio” citado acima também fazia bonito em outros gêneros, a exemplo do samba, choro, cateretê, canção, entre outros.

 

 

 

Para terminar selecionei um dos grandes sucessos dos três talentosos compositores: Eduardo Souto, Freitas Júnior e José Francisco de Freitas. Eles arrasam!

 

 

 

 

 

 

O despertar da montanha” (Eduardo Souto) # Mário de Azevedo [piano]. Disco Continental (15.149-B) / Matriz (762). Gravação (maio/1944).

 

 

 

 

 

 

Malandrinha” (Freire Júnior) # Francisco Alves. Disco Odeon (10.159-B) / Matriz (1592). Gravação (abril/1928). [Os violões são do próprio Chico Alves e de Rogério Guimarães].

 

 

 

 

 

 

Dorinha, meu amor” (José Francisco de Freitas) # Mário Reis. Disco Odeon (10.299-A) / Matriz (2126). Lançamento (dezembro/1928).

 

 

 

 

 

 

 

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Fontes:

- Fotomontagem: Laura Macedo.

- Marchas Brasileiras / Luiz Américo Lisboa Júnior. - Ilhéus, BA: Editus; Itabuna,BA: Via Litterarum, 2014. Vol.1.

- Revista Fon Fon / Edição de Natal / 1923.

- Site YouTube/Canais: “luciano hortencio” / “TheM209” / “Eduardo Paz Fraga” / “Sandor Buys”, “SenhorDaVoz” / “Igor Tavile”.

- Uma história da música popular brasileira - Das origens à modernidade, de Jairo Severiano. - São Paulo: Ed. 34, 2008.

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