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80% dos brasileiros duvidam das notícias

Encomendado pela Secom (Secretaria de Comunicação do Governo Federal), o «Relatório de Pesquisa Quantitativa – Hábitos de Formação e Informação da População Brasileira» mereceu pouquíssima análise da imprensa escrita, apesar de já ter inspirado anúncios da Rede Globo sobre pontos que lhe são favoráveis.

Dados interessantes da pesquisa:

  • A TV aberta é de longe o meio preferencial para obter informações/
  • 15,5% consideram a Internet o meio preferencial para obter informações, contra 6,4% dos jornais impressos e 0,5% (meio porcento) das revistas.
  • 80% dos entrevistados acreditam muito pouco ou nada nas notícias veiculadas pela mídia 

 

     46,1% dos entrevistados afirmaram que costumam ler jornais; 34,9% lêem revistas. Dos que lêem jornais, 24,7% afirmam ler diariamente – ou seja, 11,4% do universo pesquisado. 30,4% dos leitores de jornais – ou 14% do universo pesquisado – afirmam ler em média um dia por semana.

A maior parte dos leitores de jornais está na Região Sul (54,1%) e Sudeste (52,7%). No caso das revistas, Sudeste (39,4%), Sul (38,0%) e Centro-Oeste (37,6%). O menor índice de leitores de jornais está no Nordeste (27,7%) e dos de revistas na Região Norte (29,4%) e Nordeste (30,7%).

Veja é lida pela metade dos leitores de revistas. Em seguida, bem abaixo, Época e IstoÉ. Mas apenas 0,5% (meio porcento) considera as revistas como seu meio preferencial para obter informações.

A Internet já tem alta penetração. 46,1% dos maiores de 16 anos já acessam. Desses, 66,5% a partir de sua própria residência; desses 66,5%, 65% já possuem banda larga.

Nas faixas de renda mais elevadas (acima de 10 salários mínimos), o percentual de acesso à Internet chega a 79,7%. Entre o público mais jovem (16 a 24 anos) o percentual de acesso à Internet chega a 68,8%, caindo para 14,9% acima de 50 anos.

Interessante a avaliação sobre o papel das lideranças comunitárias. 15% dos entrevistados as consideram fonte de informação. Desse total, 45,6% confiam mais nas suas informações, contra 49,6% que acreditam que as informações dos meios de comunicação (incluindo rádio e TV) são mais esclarecedoras.

Credibilidade da mídia

E aí se entra na credibilidade da velha mídia.

A maioria absoluta dos entrevistados (57,3%) consideram tendenciosas as notícias veiculadas, contra 24,3% que acreditam em notícias isentas e imparciais.

Quanto se pergunta da credibilidade dos meios de comunicação, 72,1% afirmam acreditar muito pouco; 7,2% não acreditam nada. 18,8% acreditam muito.

A população que mais acredita na mídia é a do nordeste, com 28% considerando as notícias isentas e imparciais e 25,7% acreditando muito no que é dito.

Já no Sul, comente 19,9% consideram as notícias isentas e imparciais; e meros 10,5% acreditam muito no que é dito pelos meios de comunicação.

O curioso é que dentre os consumidores preferenciais da mídia – classes de renda mais elevadas - é maior a proporção dos que consideram as notícias em geral tendenciosas e parciais.

Não significa que não consumam as notícias – 82,9% as utilizam no cotidiano e 62% admitem que, algumas vezes, mudam seus pontos de vista a partir de informações dos meios de comunicação.

Outros 26,5% nunca mudam seus pontos de vista em função das informações transmitidas pelos meios de comunicação.

Os meios mais confiáveis

Quando instados a identificar os meios de comunicações mais confiáveis, 69,4% apontam a TV aberta e 7,2% a rádio.

Em seguida vem a Internet (6,5%) acima do jornal impresso (6,3%) e das revistas (0,9%). 

Em relação ao meio de comunicação mais importante para buscar informações, a TV aberta continua absoluta (69,4%). Mas a Internet vem em segundo, com 15,5%, batendo o rádio (6,4%), o jornal impresso (5,6%) a TV por assinatura (2%). Revistas são consideradas por apenas 0,5% da população. 

Em relação a formação de opinião sobre o governo federal, o meio mais importante para formação da opinião são os jornais da televisão (73,6%), conversas com amigos/parentes (12,9%), jornais impressos (12,7%) e Internet (10%). 


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A pesquisa completa pode ser acessada nos seguintes links:

http://www.secom.gov.br/sobre-a-secom/planejamento/pesquisa-1/pesquisas-...

OU

http://www.slideshare.net/jaime.brasieliro/relatorio-infor-form-brasileiro

Abs.

 

 

 

Acho que assistem por não ter outra opção, mas até aí acreditar é muito diferente.O Nordestino como não é bobo eles simplismente acreditam na vida. Se está mehor é graças ao Lula , então não há PIG que resista geladeira nova e cheia, carrinho na garagem, o pobre podendo adquirir sua casinha, tv nova na sala, poder visitar o parente em São Paulo de avião, sonhar com uma faculdade para os filhos, então é fácil explicar a preferência do Nordestino pelo Nordestino. A PIG tem que cair na real, pois o povo não é mais bobo como eles pensam, a hora que a Internet estiver na maioria dos lares  então não vai ter mais opção para PIG vai ser mudar ou acabar.

 

Se o maior meio de formação de opinião do Nordeste é a TV e muitos acreditam nela, como se explica o sucesso de Lula por lá? São informações importantes que levantam contradições.

 

"80% dos entrevistados acreditam muito pouco ou nada nas notícias veiculadas pela mídia."

Óbvio.

 

Dos que se informam pela Internet, quantos os fazem em sites de grandes jornais?

Mesmo nos blogs, as notícias que se lê na internet são quase 100% cópia-e-cola dos jornalões. Uma vez ou outra, aparece um dado novo para refutar as notícias da grande imprensa, mas, de modo geral, os blogueiros estão correndo atrás. Investigação nova mesmo, por enquanto, é em jornalão. Ainda estou esperando o grande furo ou o grande escândalo que seja revelado em primeira mão pela internet.

 

Notícia é diferente de opinião.

É natural que quem possui mais recursos financeiros, como as empresas de comunicação, tenha maior possibilidade de noticiar os eventos. Seria impossível para um blogueiro cobrir, por exemplo, o que acontece na Copa do Mundo, ou um desastre natural em algum canto remoto do planeta. Ainda assim, em alguns casos, como as enchentes que destruiram São Luiz do Paraitinga, as primeiras informações e as principais imagens divulgadas pela velha mídia partiram de internautas.

Mesmo as empresas de comunicação se abastecem do noticiário de agências como Reuters, AP, France-Press, EFE entre outras, por uma questão lógica de custos.

Mas, uma vez trazida à tona a notícia, a internet tem sido o veículo de análise, crítica, checagem da veracidade da mesma. Ao contrário do passado, quando não havia contraponto, as manipulações e mentiras da velha mídia são prontamente desmascaradas pela internet.

Em resumo, dar a notícia depende apenas de recursos materiais, dar a notícia verdadeira fica por conta dos blogs.

 

"esperando o grande furo ou o grande escândalo que seja revelado em primeira mão pela internet":

Filha de FHC com Miriam Dutra.

 

Acho que esse caso saiu primeiro na revista Caros Amigos, não foi? De qualquer forma, a internet serviu para divulgar o caso e não deixá-lo, digamos, morrer por abandono.

 

A relação da filha do Serra com DD...

Já tava aqui a mto tempo. Depois saiu como furo nos jornalões.

 

A presente e devastadora crise da oposição - escolha do vice Alvaro Dias - foi deflagrada por um "furo" na internet, mais precisamente a twiutada do Roberto Jefferson.

Isso prá ficar na mais recente.

Agora, os blogs independentes tem sido responsáveis por furar e destruir sistematicamente os factóides que a velha mídia teima em criar. Precisamos entender que a maneira de noticiar e analisar notícias sofreu uma profunda transformação com a internet. Essa é a questão fundamental e não a estrutura da criação do noticiário.

 

Concordo plenamente com o que voce escreveu, Mario Sergio - qua, 30/06/2010 - 11:33! A internet surge como um ponto de confronto ao que nos é noticiado. Deixamos de ser passivos e passamos a conferir e cobrar a veracidade das notícias, muitas vezes com uma simples pesquisa na própria internet. O que dizermos, então, dos blogs de jornalistas não atrelados à grande mídia, como Nassif e Paulo Henrique Amorim!

O primeiro passo já foi dado... O próximo, ao qual "o" Rafael se refere, já se iniciou. Basta ver como a velha mídia está rebolando para se reinventar!!!

 

Discordo, caro Mario Sérgio, a questão fundamental é exatamente a estrutura da criação do noticiário. Enquanto a internet se limitar a reproduzir e responder a pauta dos jornalões, não vai deixar de ser uma mídia complementar, reativa e subordinada. É importante trazer novas visões ao que noticia a grande imprensa, mas mais importante ainda é ter autonomia para conduzir as próprias investigações. Por enquanto, não vejo isso acontecendo no Brasil.

Quanto ao twitter, aquilo foi simplesmente Bob Jeff fazendo política. Não tem nada de furo ali.

 

Quem afirmou, ou afirma, que a internet, pelo menos por enquanto, substitui a mídia tradicional? Se você mesma- atesta - de forma correta- que os blogs não tem estrutura para atuar de forma similar, por que, então, o questionamento? Onde cabe a emulação?

Ou você não entende ou não aceita o novo papel  da internet, não como "fabricante" da informação, mas como o mais democrático filtro para dissecá-la. Antes, o "vocês terão que me engulir!"; hoje, o "vejamos se é assim mesmo."

O papel da rede foi introduzir o usuário da notícia para dentro do processo. Deixar de ser o agente passivo e manipulado e intervir para exercer sua cidadania plena.

Certo. A internet ainda completa a mídia tradicional. Mas esse "complementa" é talvez o depurador mais legítimo que ela própria nunca pensou enfrentar. Seu  verdadeiro ombunsdman.

 

O grande feito da Internet foi ter desmascarado o modo de manipulação de notícias dos jornalões.

Episódios relevantes desmascarados:

1. Operação Satigraha.

2. Ficha falsa de Dilma.

3. Dossiê falso da Folha.

4. Acidente da TAM.

5. Caso Eletronet.

6. Caso do grampo falso do Demóstenes-Gilmar.

7. Caso da escuta falsa no Supremo.

 

Nassif, sua resposta é exatamente o meu argumento: a internet, por enquanto, se ocupa de complementar  (ou "desmascarar, se você assim preferir) o jornalismo tradicional, trazendo novas informações para os furos que eles já publicaram. É claro que isso é bom (apesar de eu achar que, assim como as notícias da grande imprensa, a crítica é muitas vezes tendenciosa). A questão que eu levanto é que a internet ainda não consegue exibir suas próprias próprias pautas, como já acontece nos EUA.

 

Rafael, você não entendeu. Os "furos" foram desmascarados, não eram furos, não eram notícia.

Você está querendo que se invente alguma coisa?

 

Como você ficou sabendo o vice do Serra? Como se informa sobre algum assunto específico? Mesmo nos jornalões, a notícia imediata é feita para a internet e só depois pro jornal.

O jornalismo não é feito só de escândalos, muitas notícias tem dia e hora pra acontecer e nem por isso deixam de ser importantes.

 

Voce tem que levar em conta, tambem, as diferencas culturais e historicas entre o jornalismo norte-americano e o jornalismo brasileiro. Na interent norte-americana nao tem tambem a contrapartida: eles nao dissecam e revalam os factoides, como acontece no modelo brasileiro. No contexto brasileiro, a internet exerce o papel que necessario para a sociedade brasileira, nesse momento.

 

       Segundo os colunistas da Folha isto deve se aos apoiadores do presidente Lula e dos Dilmistas. Agora é assim: Tudo que beirar os 80% será obra dos apoiadores do presidente.Convenhamos,a chance de estarem no mesmo grupo é enorme.