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A agressão em colégio de elite no RJ

Por Marco Antonio L. 

Da Istoé

Colégios autoritários

Ao ameaçar, fazer vista grossa para agressões em seus pátios e expulsar alunos que tentam reparação judicial, três escolas de elite do Rio dão aula de falta de cidadania e de civilidade

Francisco Alves Filho 

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ERRADO 
No São Bento, adolescente de 14 anos agrediu menino
de 6: a escola primeiro omitiu e depois minimizou o fato

Conhecidas pelo excelente nível de ensino, três escolas do Rio de Janeiro preferidas pela elite deram nas últimas semanas verdadeiras aulas de desrespeito às regras mais básicas de cidadania. Denúncias feitas por alunos de agressões ou constrangimentos graves foram tratadas por esses estabelecimentos de forma arbitrária e só fez aumentar o sofrimento das vítimas e seus pais. No tradicionalíssimo Colégio São Bento, recordista de aprovação no Enem, um aluno de 6 anos foi agredido por um adolescente de 14, a direção da escola escondeu o fato dos responsáveis e se mostrou mais preocupada com o agressor. Na Escola Alemã Corcovado, depois de levar empurrão de um professor, um aluno de 12 anos, seu irmão e seus pais foram excluídos do estabelecimento. No pH, a adolescente Jannah Nebbeling, 15 anos, acusa coordenadoras de ameaçá-la por conta de uma comunidade virtual na qual discutia conteúdos curriculares. “Iniciei uma ação contra o colégio por coação, constrangimento e ameaça, além de danos morais”, diz Andréa Coelho, mãe de Janna. Os outros dois casos também foram parar nos tribunais. Para piorar, diretores criticaram direta ou indiretamente os pais que foram à Justiça, como se nos limites da escola vigorasse uma lei diferente da do restante do País.

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MAU EXEMPLO
Na Escola Corcovado, um professor empurrou um aluno, que terminou excluído do colégio

O imbróglio mais comentado foi a abordagem dada pelo São Bento, escola com 153 anos de existência, a uma sequência de agressões sofrida pelo aluno de 6 anos. Ele apanhou de outro, de 14 anos, no dia 26 de maio. Para justificar aos pais os ferimentos na cabeça e na testa do menino, a diretoria da escola informou que tudo não passara de um “acidente” causado por simples brincadeira. A verdade logo veio à tona, mas a posição do colégio continuou inadequada. O agressor foi punido com apenas um dia de suspensão. “Eu e meu marido reivindicamos a expulsão dele, até para garantir que meu filho tivesse segurança para ir à escola. Isso não aconteceu e resolvemos procurar a polícia para denunciar o colégio”, explica a advogada Viviane de Azevedo, mãe da vítima. A reação do estabelecimento de ensino foi equivocada. “Estão querendo transformar um acidente educacional em um fato criminal”, reclamou Mário Silveira, supervisor administrativo do São Bento, que tem mensalidades em torno de R$ 2 mil. Silveira ainda se referiu ao agressor como alguém que estaria “sendo mais punido do que o acidentado”. “Num contato com a direção, ouvi que aquela era a maneira de agir do São Bento e quem não estivesse satisfeito estaria livre para sair”, recorda Viviane. “Entendi o recado e tirei meu filho de lá.”

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COAGIDA
Jannah Nebbeling, 15 anos: ameaçada por coordenadores
do pH por discutir os conteúdos em site

Na Escola Alemã Corcovado – onde, para ingressar, os pais têm que desembolsar R$ 8 mil, além das mensalidades de R$ 2 mil –, a agressão teria partido de um mestre. Um estudante de 12 anos reclama que, durante uma aula realizada no ano passado, foi empurrado pelo professor alemão Jens Wiemer, que berrava palavrões. O menino caiu e bateu com a cabeça e as costas no chão. Os pais do garoto só souberam da agressão um mês depois. Foram à polícia e ao Ministério Público. O professor foi suspenso e voltou para a Alemanha. Algum tempo depois, os pais da vítima passaram a notar que o menino era avaliado na escola “com rigor exagerado e diferenciado em relação aos colegas de sala”, segundo relata a ação. Depois de novo protesto, veio a decisão mais surpreendente: tanto o aluno denunciante quanto seu irmão e seus pais souberam há três meses que foram excluídos da escola. “Essa decisão decorreu exclusivamente das várias violações aos estatutos cometidas pela família”, relata nota da escola à ISTOÉ. “Não decorreu do exercício legal e regular da família de seu direito de denunciar o que achasse devido às autoridades competentes.” Sob qualquer aspecto, uma total inversão de valores.

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"Iniciei uma ação contra o colégio
por constrangimento e ameaça"

Andréa Coelho, mãe de Jannah,
que foi ameaçada pela escola pH

No caso do curso pH, o diretor de ensino Rui Alves argumenta que não houve ameaça à menina e, segundo ele, a comunidade virtual que distribuiria uma “cola” associava o colégio a palavrões. “A mãe tem todo o direito de ir à Justiça, mas isso é um assunto pedagógico”, diz Alves. Doutor em pedagogia, o professor Henrique Sobreira critica as escolas: “São atitudes de quem promete uma educação para a cidadania e faz algo bem diferente”, diz ele. A lição é a pior possível. “Quando escolas se acham acima da lei, é compreensível que os alunos também passem a pensar da mesma forma”, avalia o especialista. 

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Edu

Crianças sem Limites são o reflexo de Pais Irresponsáveis!

 

Realmente as escolas são as grandes vilãs. Vilãs por não cumprirem o seu dever de denunciar crianças violentas e agressoras para as autoridades competentes! Mas mais vilões são os pais dessas crinaças que os tratam como seres intocáveis e acima das leis, preparando novos anti cidadãos em vez de cumprirem o seu dever de ensinar aos seus filhos o respeito pelo próximo. Quando um aluno não reconhece a autoridade de um professor é pq em casa também não recionhece qualquer autoridade, já que faz o que bem entende graças a completa passividade e irresponsabilidade dos pais para com a sua educação.

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+45 comentários

Sou mãe de uma menina de 5 anos, gostaria muito que ela entrasse para o santo agostinho, inclusive ela já esta fazendo aulas particulares, por isso gostaria de saber se vc teria alguma noticia sobre essa escola, pois com todas essas noticias fico preocupada emn estar fazendo a escolha errada para minha filha.

Obrigada.

Silvia.

 

Matéria sem nenhum aprofundamento. Julgam os colégios ouvindo apenas os pais de algumas das crianças envolvidas.

Quem já deu aulas em colégios particulares sabe bem o que é lidar com os pais da classe média alta. Criam os filhos como se fossem nobres com direito divino a serem servidos, e esperam que o colégio dê às crianças e adolescentes a educação que não foram capazes ou não quiseram dar - paga-se um colégio para isso, certo?

Hoje um professor não se impõe apenas pelo fato de ser professor na sala de aula. E nem todos tem uma personalidade talhada para lidar com crianças e adolescentes que acreditam ter todos os direitos e nenhum dever. É um jogo de poder em que qualquer sinal de fraqueza pelo professor é encarada como um espaço para testar até onde se pode ir pelo aluno. Os pais, em geral, não dão limites, a escola os vê como clientes (e é isso mesmo que são), e o que os primeiros esperam da segunda é que preparem seu filho para ingressar na universidade e não os chamem para tratar de nenhum problema espinhoso. Preferencialmente, que o colégio "resolva" os problemas de comportamento dos alunos sem chamar os pais, e, claro, sem punir a nobre prole, fatalmente destinada ao sucesso social e econômico.

E se não aprendem, ora, a culpa também é do colégio. 

Sendo essa a clientela dos colégios particulares top de linha, o que se espera é que tentem atender à demanda. O colégio cobra que controlem os alunos, mas não sustentam medidas disciplinares., temerosos de perder o cliente.

Não tem como isso dar certo.

 

A foto da mãe com a filha me sugere uma outra leitura dessa matéria: pais da elite carioca usam a justiça e implantam matérias em revistas para coagir as escolas. Como professor, pra mim, essa versão é bem realista.

 

[No caso do curso pH, o diretor de ensino Rui Alves argumenta que não houve ameaça à menina e, segundo ele, a comunidade virtual que distribuiria uma “cola” associava o colégio a palavrões] Alguém teria como localizar e postar aqui o que mesmo essa colocou na net. Em tudo que  já li, isso de cola é falso. Cola só existe se for no decorrer da prova ou coisa de quem roubou antes a prova. E nada consta disto.

 

Espere áiiii!!!!!!!!!!! aqui mesmo se defendeu que corrigir quem diz ¨nós pega peixe¨ é um crime terrível contra o educando, por que não seria o mesmo quando esse quer meter a mão na cara de outro?

 

 

 

Data: 22 de junho de 2011 13:10
Assunto: Punição
Para:

Conforme matéria publicada no Jornal Correiro do Povo, em 22/04/2011, página 4. Punição  Polêmica à vista: deputada federal   Cida Borghetti (PP-PR) apresentou PROJETO DE LEI 267/11que estabelece punições para estudantes que desrespeitarem professores ou violaremregras éticas e de comportamento de instuições de ensino. A proposta, que  tramitaem caráter conclusivo,   penaliza o estudante infrator com suspensão e, na hipotese de reincidência grave, encaminhamento à autoridade judiciária competente. A proposta   muda o   Estatuto da Criança e do Adolescente por incluir   regras que devemser seguidas pelos estudantes. Prezada Deputada Cida Borghetti      Parabenizamos-na pela iniciativa em apresentar o projeto que estabelee punições para estudantes que desrepeitarem professores ou violarem regras éticas de comportamento nas instituições de ensino.      Estava na hora de alguém com voz e poder  pensar em   proteger professores/funcionários, profissionais do bem, e os   bons alunos que precisam e merecem aulas interessantes, num ambiente saudável, com professores motivados e amáveis e não diante de cenas humilhantes e de desrespeito, daqueles que com seus maus comportamento transformam salas de aula em circos de horrores, contando com a impunidade (do mau entendimento do ECA). Ações inadequadas e maldosas por parte de alguns alunos estão deixando professores com a saúde física e emocional abalada e, por consequência, suas famílias, pois a maldade contagia com mais força que todos os demais esforços positivos!!!E nós , professores, reivindicamos condições dignas e ambiente de trabalho adequado, tamanho é o nosso desgaste emocional.  Obrigada por preocupar-se conosco.Conte com nosso apoio. Nome do professor ou outro profissional Solicito que repasse esta mensagem  de apoio ao Projeto da Deputada, a todos os seus contatos para que estes façam o mesmo, numa corrente contra a impunidade escolar, e também para os seguintes endereços de e-mail: dep.cidaborghetti@camara.gov.brimprensa@cidaborghetti.com.br  Site da Deputada
http://www.cidaborghetti.com.br/noticias.php?id=47

 

A reportagem é péssima, extremamente maniqueísta, além de ser bastante superficial. Sou professor e venho de uma família de professores. Já lecionei em escolas públicas e particulares e conheço muito bem o ambiente de ambas. Por isso, dsconfio de muitos detalhes relatados pelo jornalista. Mas, caso tudo o que está escrito seja verdade, a reportagem, ainda assim, não vai ao ponto essencial: POR QUE AS ESCOLAS AGEM ASSIM?

 

Essa pergunta deveria ter sido feita pelos repórteres. 

 

Prezado Nassif

Também é claro que as Escolas devam agir com tolerância zero aos atos de desrespeito aos Professores e funcionários .Mas tudo dentro dos direitos de ampla defesa e do contraditório .O problema é a corrupção do abuso de autoridade e não existência de instâncias para se recorrer (por ambas as partes!)  e que sejam claras e confiáveis a todos!.

Os exemplos de assédio e constrangimento é comum no dia a dia na Sociedade Brasileira .Basta nos lembrar-mos da imposição da Lei do sossego público nos Bares e botequins nas cidades brasileiras : De uma corrupção única!.

 

Prezado Nassif

É bizarro , brutal , além de profundamente covarde , este acobertamento intencional de "Bullyng" cometido sob  guarda e responsabilidade legal.Escolas "prestigiosas " privadas certamente não possuem nenhuma preocupação com os direitos civis individuais dos seus alunos , mas unicamente com as suas  falsas  imagens de "Portais garantidos" ao ensino Público de cursos prestigiosos  oferecidos pelas Universidades Federais !(depois de um longo e altamente custoso  "pedágio" de 11 ou mais anos!)

 

O mais lamentável de tudo isso é que esses jovens estão sendo "adestrados" para serem a elite do país. Muitos, no futuro, serão senadores, deputados, ministros, membros do CANSEI e por aí afora. Pobre Brasil!

 

Penso que os conflitos que ocorrem no interior do espaço escolar precisam ser primeiramente bem esclarecidos. É muito complicado tomar partido à distância. Conflitos escolares, geralmente, não são o que parecem. Escola é uma instituição muito complexa e sujeita a inúmeras avaliações subjetivas.  No Brasil, as pessoas ainda pensam a escola pelo filtro do livro "O Ateneu" de Raul Pompéia. Então quando ocorre um problema, àquela representação, a rigor, se antepõe a busca de explicações para o acontecido. Escola não é uma instituição à margem da sociedade, ela é parte dessa sociedade. Tudo o que ocorre na sociedade chega também na escola. Hoje em dia, a justiça têm tomado para si, medidas e encaminhamentos que antes eram parte do sistema escolar disciplinar pedagógico. Independênte de avaliarmos se isso é bom ou ruim, temos que reconhecer que isso esvaziou as escolas de seu conteúdo mediador de conflitos. Por isso, grande parte das questões de relacionamento conflitante entre aluno/professor, professor/pai, escola/professor, escola/pai, etc vai parar na justiça. Em muitas situações os adolescente contam uma estória para os pais, e estes recocorrem a justiça, ao fim, verifica-se que o caso era de outra natureza. Noutras situações, professores são demitidos preventivamente, quando as direções acham que algo pode acontecer, esse "algo pode acontecer" é puramente subjetivo. O bulling não é um fenômeno que apenas alunos são vítimas, professor também é vítima de bulling e perseguições. As famílias querem um bom ensino e uma aprendizagem eficiente, mas quando o professor aprofunda um pouco mais nos conteúdos e nos métodos de aprendizagem, ele pode ter a desagradável surpresa de que ocorra um abaixo assinado pedindo sua demissão. Enfim, é bem complicado. De qualquer modo, reafirmo: em questões de conflitos escolares, não se deve tomar partido à distância, pois as coisas podem ser diferentes do que parece ser.

 

São esses jovens, que quando saem da "proteção" dos colégios/pais, acham que podem tudo, e começam a fazer merda, não tem limite.

 

Consagre os seus sonhos e projetos ao Senhor, e eles serão bem sucedidos, creia.

gAS

A "detenção". Uma pratica sempre adotada nas escolas americanas. O aluno que viola os direitos e estatutos da escola, deixa de respeitar o próximo, interfere na conduta alheia e desvia-se da sua, fica detido. (ao termino da aula se dirige a um aquario, e lá permanece para cumprir o "castigo" por duas, três ou quatro horas. Aqui seria dado o nome de que?).

 

Caro Marco Santo:

O nome que se dava a isto por aqui era o mesmo, castigo.

Sempre fui bom aluno, notas altas, mas muito bagunceiro, por isto fiquei inúmeras vezes no “aquário” e nunca vi nada de errado naquilo, como continuo não vendo hoje, assim como fui suspenso por diversas vezes e meus pais nunca reclamaram – prá voltar, o responsável tinha que ouvir o diretor da escola, tudo isto na época do ginasial.

Não sei se hoje ainda é permitida a prática, pois tudo mudou e, em minha opinião, prá bem pior nas salas de aula de hoje, com alunos ofendendo professores, algo impensável em meu colégio, e professores inseguros sabe-se lá por que - em minha opinião, professor inseguro é sinônimo de professor incapaz.

Nos casos apresentados no post, os tres seriam entendidos como normais no meu tempo de escola, e hoje são encarados de outra maneira pela sociedade e pelos próprios pais, que saíram de uma atitude passiva para uma atitude ativa- postura muitas vezes equivocada, pois são justamente os pais, de uns anos prá cá, que tratam os filhos como bibelôs, passam a mão na cabeça do pobre anjo o tempo todo, mesmo que o filhote xingue o professor.

Conheci (sempre em escolas particulares) vários papais e mamães funcionando desta maneira, protegendo o seu pimpolho a qualquer preço, mesmo estando o distinto visivelmente errado, e preocupados apenas com os números do boletim- o resultado dos pimpolhos ao longo do tempo não tem sido lá grande coisa, um monte deles sem qualquer noção de limite, o que já não ocorre com os filhos de pais com mais de três neurônios.Isto não tem qualquer correlação com mais ou menos $$$, é mera questão de orientação familiar.

Educação começa em casa, ponto, e nem poderia ser diferente, pois são quatro ou cinco horas na escola e o resto fora dela, portanto... E não é que quase ninguém percebe esta obviedade?  

Um abraço

 

Em tempo:

Dois casos seriam entendidos como normais em meu tempo de escola, não o do professor agressor.

 

Bem vindos ao mundo real... assim como crianças sofrem bulling nos colégios "bem conceituados", negros, gordos, magros, nordestinos, vindos do interior, linguas presas,  altos, baixinhos, ou seja qualquer um que não faça parte de um grupo "escolhido", acaba por ser diminuido, ridicularizado e quem sabe extirpado desse meio!!! Afinal, o objetivo desses "educadores" é permitir que os próprios alunos e seus pais "de posses", façam deste um mundo melhor (para eles evidentemente). isso ocorre em todo o pais, em todas as classes, é um verdadeiro mundo paralelo.

 

Pessoal, só não vamos esquecer da Lei de Proteção aos Menores e Adolescentes. As escolas ficam meio que de saia justa, com medo de punir os alunos infratores e serem acionadas na justiça. Preferem ir levando, o que as vezes acaba gerando a indignação dos pais dos agredidos.  

 

Não é correto botar os três casos no mesmo saco.

No primeiro há uma agressão física sem desculpa possível. A atitude da escola (se os fatos se passaram como relatado) também é imperdoável, mas previsível.  Infelizmente, escolas privadas tem um forte incentivo a tratar violações da lei comum -- por  docentes, funcionários ou alunos --  discretamente, através de processo disciplinar interno, em vez  de recorrer à justiça comum.  Esta pretensão de estarem acima da lei talvez tenha sido herdada das escolas privadas européias, e tem por fim primário esconder incidentes para preservar a reputação da escola (que tem efeito direto na sua saúde financeira).  Infelizmente, essa atitude  também está arraigada em  muitas de nossas universidades públicas, em consequência da auto-gestão.

No segundo caso, a coisa está mais confusa.  Se houve mesmo agressão intencional, a punição do professor foi branda; mas esse é um defeito da justiça, e não da escola.  Quanto à segunda parte da denúncia, a  expulsão do  aluno, só temos o relato de um dos lados, e a *suposição* dos pais de que ela foi motivada  pela denúncia anterior -- e não por comportamento indevido do aluno.

No terceiro caso, me desculpem, mas não dá para engolir.  O que a aluna fez foi cola, pura e simples.  Se a escola errou, foi em dar nota para trabalho feito em casa; pois isso obviamente premia os alunos que colam e pune os que fazem o trabalho honestamente.

De modo geral, acho lastimável o repórter querer usar esses incidentes isolados e díspares para demonizar as escolas e professores.  A disciplina nas escolas, especialmente nas públicas, piorou enormemenete nas últimas décadas; e a culpa é toda dos pais, que, em vez de ensinar os filhos a respeitar os professores, tratam a estes como faxineiros.  Pais e alunos hoje acham que é  seu direito natural usar o celular  ou conversar em voz alta durante a aula,  entrar e sair quando bem entendem, desponder grosseiramente ao professor, etc. etc. Hoje é fato corriqueiro um pai invadir uma escola e agride -- fisicamente  até -- um professor ou diretor, porque o filho levou uma nota baixa, foi repreendido por seu comportamento.  E infelizmente não faltam repórteres e "doutores em educação" -- que nunca puseram pé numa sala de aula de segundo grau -- que tomam as dores dos pais. 

 

Caro Jorge,

 Concordo inteiramente a respeito que são três casos distintos, e a "junção" em uma mesma reportagem só tem o condão de confundir o público quanto às questões de ensino.

 Discordo apenas em relação à analise que vc faz do terceiro caso: pode ter sido apenas uma cola, sim, mas a maior parte dos professores e pedagogos ainda não entendem direito o funcionamento de redes sociais e trabalho colaborativo. Discutir conteúdos escolares através de redes sociais é uma ferramenta poderosa, muito mais proveitosa que trocar fotuchas de miguxas.

 Vão existir excessos, palavrões e que tais? Claro. O professor tem que saber mediar isso, e não ameaçar ou punir os estudantes que utilizam essa ferramenta.

 

"Eu quase de nada não sei. Mas desconfio de muita coisa" Guimarães Rosa - Grande Sertão: Veredas

Independentemente da questão, é curioso observar como tem gente disposta a mostrar como os professores têm de agir, ainda que sejam totalmente alheios à escola. De tal forma que não posso compreender o porquê da educação estar tão ruim no Brasil com tanto especialista por aí.

 

Caro Josaphat,

 Talvez pela pressa, eu tenha dado um caráter mais "dirigista" do que gostaria à sugestão que fiz, o que não se trata absolutamente do caso.  É apenas um lembrete de que, se o professor não começar a dominar as novas tecnologias de comunicação (e de construção de conhecimento, que é uma das funções da escola, não?), corre o risco de ser atropelado por elas. Da mesma forma que o jornalista, que o político...

 E talvez, quer por ser pai, quer por atividade profissional, eu não esteja tão alheio assim da escola.

 

"Eu quase de nada não sei. Mas desconfio de muita coisa" Guimarães Rosa - Grande Sertão: Veredas

Concordo, Stolfi.

Quando as pessoas aprenderem a tratar faxineiros como a si mesmas, até nas salas de aula as coisas vão andar melhor, não é?

 

Estudei num colégio dito de elite em Belo Horizonte.

O que mais tinha quando era menor eram brigas na escola, inclusive dentro da sala de aula.

O colégio sempre lavou as mãos para brigas ou qualquer tipo de humilhação. Todos sabem como crianças podem ser cruéis se não forem devidamente repreendidas.

É muito fácil culpar os pais, mas a escola se abstém totalmente de dar alguma punição para alunos que possuem uma conduta inadequada.

 

Punição? que punição? Não pode. ora! O ECA não permite punições.

 

Josaphat, pelamor... isso é truculência de sua parte e demonstra que nunca passou perto do ECA!

 

 

 

 

 

 

 

 

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E nesse sentido concordo inteiramente com o Josaphat. Uma interpretação incorreta do ECA (que não é o problema em si, e sim sua interpretação como código) impede o que Piera Aulignier chama de "violência primária". E é esse tipo de "violência" que funda o ser social.

 

"Eu quase de nada não sei. Mas desconfio de muita coisa" Guimarães Rosa - Grande Sertão: Veredas

  Qual o problema ? afinal isso sempre ocorreu, a culpa é do moleque de 6 anos que deveria ter pedido pra o de 14 ser seu amigo e tudo ficaria bem. Outro dia criaram uma confusão danada só porquê um rapaz brincando com seus revolveres deu uns tirinhos que , por acidente , tiraram a vida de uns coleguinhas, mas era brincadeira isso não é assunto de polícia, é um assunto pedagógico, se achou ruim procure outra escola , aqui ensinamos os alunos a resolverem seu próprios problemas, no próximo ano colocaremos canivetes na lista de  material escolar.

 

Botar o Gim Argello para fazer lei contra bullying, putz!

Gim Argello não é aquele que

https://jogodopoder.wordpress.com/2010/12/09/farra-de-eventos-desvia-milhoes-do-orcamento-irregularidades-foram-identificadas-em-emendas-de-gim-argello/

Ou que

http://colunas.epoca.globo.com/politico/2011/01/25/namorada-do-filho-de-gim/

 

São Bento é um dos colégios onde somente entrava quem tinha pinto. Mesmo depois da lei que impunha aos colégios serem mistos (integrar ao ensino tanto a quem tem pinto quanto a quem perereca tem) o São Bento passou a pagar multa a cada ano, para continuar não recebendo portadores de outro aparelho de micção que não o pinto.

Hoje, não sei se continua pagando multa por causa disto. 

 

Com pinto ou sem pinto......o fato é que se trata de educação. Concordo contigo até certo ponto. No CSB muitos exemplos vi e tive. O aluno maior é que tomava conta do menor numa solidariedade muito forte. Penso até que o "pequeno"  deu-lhe uma "botinada" e levou uns cascudos. Ali cada um resolvia o seu problema. Pode-se dizer até que o regime é de respeito mutuo sob as vistas dos religiosos. Mas como o mundo está mudando, posso estar enganado..........

 

Sei não, mas há nessas escolas em que pais pagam 2000 reais por mês uma relação de clientelismo que é um tanto mais complicada do que culpar a coordenação educacional ou as crianças, e que faz com que haja um viés na matéria jornalística que é complicado, a saber, uma vez que pagam o que pagam, as escolas não deveriam contrariar esses pais. Na verdade, os constrangimentos sofridos pelos alunos na matéria não podem ser considerados simplesmente bullying (por exempl

 

Cá entre nós, os pais não são nenhum santinhos. Educam seus filhos, mimandio-os e defendendo de qualquer coisinha.

 

O aluno pode mandar o professor tomar .... que tudo bem... o professor tem que aguentar.

 

Bem feito para esses pais. Sofri muito nas màos desses mimadinhos !!!

 

Sabe com quem você está falando?

Essas instituições lidam com filhos de pessoas influêntes. Muito provavelmente a escola mudou porque viram que medidas disciplinadores vão parar na justiça , por mais razão que a escola tenha, pelas mão de pais poderosos.

As escolas erram mas também estão de mãos atadas pelo estado judicial.

 

"As escolas erram..."

Há um ditado que diz que só aprende pelo amor ou pela dor. No caso da educação de modo geral, pessoalmente sou das antigas: acho que é preciso a ameaça constante, subjacente da dor para que não se perca o que se faz com amor. Não existe essa de criança inocente sob o ponto de vista do significado da palavra orginal em latim; o que existe é um ser vivo, pedrinha bonita, mas dura, bruta, às vezes com temperamento agressivo, que com amor - e a subjacente ameaça de dor - se vai burilando até ficar brilhante perfeito. Não há saída: isso é a educação. Garantir que o ser brutinho permaneça belo, porém preparado para não causar danos a si e ao próximo. Do contrário é a lei da selva como ocorre a todos os outros animais. Não posso acreditar numa escola que não seja a extensão da família. E não posso acreditar numa família onde o pai seja um mero reprodutor e às vezes único mantedor, e a mãe uma mera chocadeira. Educar é de fato um ato de amor. Doloroso, muitas vezes; mas um ato de amor. Toda vez que alguém tira a autoridade de um professor está perigosamente criando a condição da produção de marginais em série, mesmo que não se confirme, mas o perigo existe. Se necessário, eduque-se o professor; mas jamais retirar sua autoridade de mestre; jamais reduzir-lhe a um papagaio repetidor de conteúdos pré formados.

 

Se hoje intimidam crianças desta forma, vocês podem imaginar o que não fazem nas empresas, em ambiente de trabalho?

 

São as escolas garantindo os marginais de amanhã??   Vejam essa maravilha de cenário.......

 

Esse ano vai dar Dilma na cabeça!!

  Concordo Dê.São os filhos do "CANSEI" , da "elite carioca".

 

Pagu

Ecos do medievalismo tardio brasileiro, logo, extemporâneo, que insiste em resistir, minha cara. A escravidão foi ao mesmo tempo causa e efeito disso. Escravizava-se pra ficar rico sem nada fazer ("era o negro quem fazia tudo." Manuel Bomfim, América Latina, males de origem); e se ficava cada vez mais arrogante por se achar Deus; ter domínio sobre a vida e a morte de centenas, milhares de miseráveis. Virou vício.

 

Me surpreende muito a atitude da administração do Colegio São Bento, como pai de aluno da turma de 88, na época do Dom Lourenço de Almeida Prado, acredito que há algum mal entendimento dos fatos, salvo melhor juizo. O fato é que o "Bullying" prolifera nos ambientes escolares. O que está acontecendo?. Se fosse na escola da periferia talvez não tivesse a repercussão que agora se tem. Os filhos são os exemplos dos pais. Será que os Beneditinos estão mudando também?  

 

Também achei este texto meio esquisito. Parece que misturaram alhos com bugalhos e "omissões" (ou pelo menos ouviram apenas um lado da história) para conseguir uma "tese" que justificasse a matéria:

No primeiro caso, nada justifica a agressão de um aluno de 14 anos a um de 06, mesmo que em resposta  a uma "agressão" do menino (supondo que este seja o que chamávamos de pestinha).

Até aí tudo certo, o problema começa nos outros dois casos:

No caso do empurrão do professor, como ele voltou pra Alemanha, parece que ficaram com preguiça de ouví-lo. Então um professor, do nada, resolve empurrar um aluno e vociferar contra ele um monte de palavrões? História mal contada. Acho que o professor errou ao agredir o aluno, mas foi só ele? Não estaríamos aqui diante de um petulante que adora afrontar ou agredir professores como temos visto atualmente? Caso afirmativo, a escola acertou. Puniu o professor e o aluno.

No caso da aluna, aí é que fica mais suspeito ainda. A revista informa que a aluna foi punida por "discutir conteúdo em site". Não entendi nada. Uma escola deste nível resolve punir uma aluna por ato que, pedagogicamente, deveria ser estimauldado? Aí continuando a ler a reportagem, vagamente, vemos que a escola na verdade puniu a aluna por passar "cola". A reportagem também não elucida a gravidade da infração. Não teria a santinha divulgado respostas de questões de prova? Também neste caso, a atitude da escola não estaria totalmente justificada?

Pode até ser a versão da revista para os casos sejam verdadeiras mesmo. Que o Hitler reencarnou no professor alemão, e os pais estão pagando gato por lebre numa escola pedagogicamente fraca. Mas, o que parece me parece é que com excessão do primeiro caso, a reportagem quer transformar em vítimas filhinhos de papai arrogantes.

 

Caro Marco Santo,

Gostaria de discordar do "fato é que o "Bullying" prolifera nos ambientes escolares".

Acredito que o que vem acontecendo é que os pais talvez queiram superproteger seus filhos e o colégio esteja (talvez) fazendo vista grossa ou então não esteja sabendo se posicionar diante de um "fato da vida".

E talvez se esquecendo de seus papeis de educadores.

Crianças ainda não estão "contaminadas" pelos nossos medos, preconceitos, comportamentos e agem de maneira mais natural: meninos mais velhos (ou em turma) ou que se sentem mais fortes que um outro menino (ou grupo) mais fraco se sentem mais à vontade para  coagir (prefiro o nome em português) o grupo menos forte.

(Sentir-se à vontade não significa partir para a ação)

O grupo menos forte deve ser superprotegido do grupo mais forte ou será que aí temos uma oportunidade para mostrar que há maneiras de reagir a esta intimidação?

Assim como mostrar ao grupo (ou indivíduo) mais forte que há limites a sua superioridade?

É assim no mundo "aqui fora".

E ainda há o texto da Rosely Sayão mostrando que as crianças se arranjam melhor se não há esta interferência tão coerciva dos pais (principalmente).

abs!

 

Como poderiam não mudar, Marco? Uma sociedade brutal gera crianças brutalizadas. Esperar algo diferente nos dias que correm é fantasia.

 

A dúvida:  Uma sociedade brutalizada gera crianças brutais ou crianças brutais que geram uma sociedade brutalizada??  Óh...dúvida cruel!!! O que mais vejo são pessoas sem a menor noção de limites....e pais sem a menor condição de sê-lo!!! Acredito que a sociedade seja reflexo dos indíviduos que nela vivem....sem esquecer que aqui no Brasil, ainda temos um agravante, a nossa própria justica que, ao garantir a impunidade, nada mais faz que alimentar mais e mais violência.  A quase certeza de impunidade, a falta de limites, o "tudo é permitido" e o pior, o endeusametno do agressor, acaba por alimentar a violência mais e mais....é  o passaporte, que dá liberdade para tudo...sendo o céu o limite.......quem puder mais, chorará menos e,  está instalado o terror.  é o que digo sempre....toda corrupção é terrível mas quando a corrupção chega ao judiciário...não há sociedade que aguente, mais cedo ou mais tarde, todos seremos vítimas....é o fim....Óh dia!!!!  Óh Azar!!!

 

Esse ano vai dar Dilma na cabeça!!

A Dê tá escrevendo muito!

Kibon!

Quem nasceu primeiro, o ovo ou o galináceo?

Minha filha foi agredida no Anglo-Americano, anos atrás.

Reclamei.. pedi reponi, exigi!

Resposta do .. troço: a menina tem um irmão, são duas mensalidades, preferimos que sua filha saia!

Minha resposta: mais uma mordida (uma coisa estúpida, de arrancar pedaços, a louca) dessa garota na minha filha e a MATO!

MESMO!

Eu adoro viver em paz!

Não querem?

Eu aceito!

Justiça?

Ora... ora.... se não existe, eu crio.

 

Marco ,infelizmente ,com exceções naturalmente,não acredito mais nestas instituições.

Tem outro colégio de "bacana "no Morumbi ,que um padre era meio sedutor.Já morreu.Guardo péssimas lembranças.

Um abs

 

Priscila maria presotto