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A análise da esquerda da América Latina

Por Marco Antonio L.

Da BBC Brasil

América Latina teve 'mudanças modestas' com esquerda no poder

Daniela Fernandes

Obra analisa ações de governos da América Latina a partir de primeira eleição de Hugo Chávez

Especialistas do renomado Instituto de Estudos Políticos (IEP) de Paris, que acabam de publicar o livro A Esquerda na América Latina, 1998-2012 - Primeiro Balanço, afirmam que a América Latina teve apenas reformas modestas com a esquerda no poder.

O livro, escrito por mais de uma dezena de autores, analisa as ações dos diferentes governos da região a partir da primeira eleição do presidente Hugo Chávez, da Venezuela.

Esta eleição marca, segundo os autores, "o início de uma impressionante série de 24 vitórias da esquerda em 13 países diferentes".

Apenas o México, a Costa Rica, o Panamá e a Colômbia, e também Belize, República Dominicana, Suriname e a Guiana, não tiveram governos de esquerda no período analisado.

"Entre as grandes reformas realizadas na América Latina em pouco mais de uma década, constatamos que poucas podem ser atribuídas exclusivamente à esquerda", disse à BBC Brasil o professor Olivier Dabène, coordenador da publicação e presidente do Observatório Político da América Latina e do Caribe do IEP.

No caso do Brasil, dizem os autores, o Partido do Trabalhadores (PT), que chegou ao poder com a primeira eleição de Luiz Inácio Lula da Silva em 2002, acentuou e ampliou políticas econômicas e sociais que já haviam sido iniciadas no governo anterior, do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

"Cardoso iniciou várias reformas e lutou contra a inflação, que é uma importante política social", afirmou Dabène. "A estabilidade econômica tem um grande impacto social."

Programas de renda

Na opinião do coordenador do livro, a "ruptura" entre o governo anterior e o de Lula também "não é tão evidente" em outras áreas, como a educação.

"No Brasil, os atores de direita ou de esquerda não estão claramente identificados. O PT sempre foi um partido de esquerda antes de chegar ao poder, mas as gestões de Cardoso e Lula não foram tão diferentes", afirmou Laurence Whitehead, professor da Universidade de Oxford.

"Cardoso iniciou programas de aumento da renda, no estilo do Bolsa Família, que foram depois ampliados no governo de Lula", disse Whitehead.

"A pobreza está diminuindo em toda a América Latina e não apenas nos países com governos de esquerda", acrescentou Dabène.

Para os autores do livro, muitos partidos de esquerda que chegaram ao poder na região renunciaram à ideia de reformar as políticas neoliberais dos anos 1990, que eles tanto haviam criticado.

A esquerda, em muitos países, incluindo o Brasil, também passou a privilegiar o controle das contas públicas e a impor medidas de rigor quando necessárias.

Papel político

Mas apesar das políticas neoliberais dos anos 80 e 90 passarem a ser vistas como um fato consumado, os governos de esquerda da região "souberam reabilitar o papel político dos Estados na promoção do desenvolvimento e da luta contra a probreza", avaliam os especialistas.

"A esquerda na América Latina não provocou uma ruptura brutal com o período neoliberal. Mas ela também não renunciou às suas ambições reformadoras", afirma a publicação.

O livro também analisa se a esquerda poderia receber os "méritos" do forte crescimento econômico da América Latina na última década.

Para Dabène, o crescimento da região no período pode ser atribuído ao aumento das exportações, principalmente de matérias-primas, provocado pela maior demanda de países como a China.

Segundo os autores, a reeleição de governos de esquerda na América Latina a partir de 2006 (caso de países como o Brasil, Argentina e Equador) correspondem a "votos de reconhecimento em um contexto econômico muito favorável".

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"...mas as gestões de Cardoso e Lula não foram tão diferentes"..."

 

Claro, tudo igual. Doação do patrimonio público, ALCA, doação da base de Alcantara, ex-assessores que vivem de renda na Europa, engavetador, etc. etc.

 

"Observatório da  America Latina e do Caribe", o que  exatamente observa o distinto cavalheiro?

Onde começa  essa tal de "América Latina" , e onde termina? Incluiu o Canadá?Ou francês não é  latino?

Por  certo Colômbia,México, sem computar os  outros quase micro países,despontaram no  mercado internacional   do narcotráfico estabelecendo  um fluxo de dar inveja a qualquer comoditi e com isso ,seus resultados  não são desprezíveis apesar de não terem eleito nenhum esquerdista.Muito pelo contrário.

Dr. Rosinha   tem sua dose  de razão. Aquelas    suntuosas bibliótecas do primeiro mundo  pouco ou nada contribuiram para  enxergar e interpreetar os outros mundos.A razão,é que foram escrita pelas mesmas mãos  que ora opinam e ditam regras,para os  maravilhados expectadores tropicais.

 

rique

O discurso de Fux foi uma defesa de um papel mais ativo do Poder Judiciário “na solução de questões socialmente controversas como reflexo de uma nova configuração da democracia, que já não mais se baseia apenas no primado da maioria e no jogo político desenfreado”. Nesse sentido, “apresenta-se a Corte como mais um instrumento catalizador de aspirações e interesses relevantes, sendo que seu peculiar modo de enfrentamento das questões polêmicas, técnico, imparcial e motivado, estimula aqueles que não concordam com determinada orientação a aceitá-la e cumpri-la – trata-se, portanto, de legitimidade democrática”.

P.S. vem aí o golpe paraguaio, é só uma questão de tempo. Acorda Dilma !!!

 

Fux é ainda pior como juiz do que como cantor

 

Como se sabe, se um copo contém a metade de seu volume total em água, tanto se pode dizer que ele está meio cheio quanto ele está meio vazio.


O "renomado IEP" considera que a pobreza está diminuindo em todos a América Latina e não "apenas nos países com governos de esquerda".


O Professor Dabéne tem por certo que "Cardoso" iniciou reformas e "lutou contra a inflação".


Neste momento, estaco e lágrimas escorrem de meus olhos recém-amanhecidos. É uma visão: FH montando um cavalo portentoso, e com uma espada afiadíssima preparando-se para um golpe mortíferio contra o dragão inflacionário.


Mas há que continuar.


Se bem que me vem em socorro uma lufada de lucidez, e pondero para mim mesmo: e precisa (continuar)?


Pois concluo. O renomado instituto situado na Europa, continente que como se sabe "vai muito bem, obrigado", é um emérito defensor de espécies de aves em fase de extinção, penas pretas de graúna, cabeça com penas coloridíssimas de arara, e sumamente bicudas.  


 


 


 

 

Como o Dr. Rosinha disse, a ignorância desse pessoal impressiona.

Quantos empregos FHC gerou? Nossa, não sabia que valorização das matérias-prima gera tanto emprego, tem trabalho pra todo mundo apenas na agricultura e mineração?

Comparado com a Europa/EUA, as lideranças latino-americanas estão a anos-luz...

O PT não faz mais porque não possui maioria legislativa e precisa negociar para governar.

Acho engraçado quando essa gente diz que não houve ruptura, eles querem novas ditaduras?

Veja o exemplo de Chávez, ele impôs seu projeto político disputando e ganhando eleições democráticas. Conquistou corações e mentes, vocês queriam que ele proibisse os venezuelanos de beber coca-cola, ouvir rock and roll e assistir enlatados?

 

As "mudanças modestas" e o "pouco" conseguido foi de grande valor numa região impregnada pelo colonialismo exploratório, entreguismo desbragado, golpismo latente e pelo neoliberalismo "queromeu".

 

É altamente suspeito que os autores não enxerguem nenhuma diferença entre governos trabalhistas e neoliberais na América Latina quando todos os indicadores econômicos e sociais mostram claros avanços nos governos trabalhistas e recuos (às vezes dramáticos) nos governos neoliberais. No caso do Brasil a cegueira chega a ser criminosa pois os autores fingem ignorar que Lula tirou milhões de brasileiros da miséria e FHC lançou milhões de famílias na miséria através do desemprego e do baixíssimo salário mínimo.

 

Excelente análise.

Mas que dói, dói, lê-la.

 

Dificilimo, quase impossivel escolher a sentenca mais burra que esse homunculo fala...  Alguem quer fazer uma lista?

Nem da pra pensar em comecar a debater um item assim!