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A autoria de A Jardineira

UM VÍDEO RARO DE UMA MARCHINHA POLÊMICA: "A JARDINEIRA"

"ORLANDO SILVA" a imortalizou, mas .......... até hoje, a dúvida: QUEM, de fato, a criou ???

Observações de quem inseriu o Vídeo no Youtube ( - criado em 06/06/2009):

A Jardineira" é uma marchina de carnaval composta por Humberto Porto + Benedito Lacerdaem 1938, gravada por Orlando Silva no carnaval de 1939.

Quando "A Jardineira" despontou como uma das favoritas para o carnaval de 39, apareceram na imprensa reportagens contestando a autoria de Benedito Lacerda e Humberto Porto. Na verdade, "A Jardineira" é um antigo tema popular, originário da Bahia, que os dois adaptaram para lançar como marchinha. Segundo o jornalista Jota Efegê (em artigo publicado em O Jornal, em 23.01.66) foi o legendário Hilário Jovino Ferreira quem introduziu "A Jardineira" no carnaval carioca, através do rancho homônimo, em 1899. Jovino aprendera a música com os ternos de reis que desfilavam na Bahia.

Com o fato corrobora uma declaração do baiano Humberto Porto, que afirmara ter recolhido o refrão original na localidade de Mar Grande (BA) em dezembro de 37. Porto incluiria, ainda, nas primeiras edições da partitura, uma breve nota poética que aludia a uma certa "jardineira triste" que desfilava nos "Ternos da Bahia".

Mas, voltando ao carnaval carioca, o tema fez sucesso não apenas no rancho de Jovino, sendo adotado por outros - como "A Flor da Jardineira", "As Filhas da Jardineira" "O Triunfo da Camélia" - que o tornaram muito conhecido ao final da primeira década do século. Essa popularidade estendia-se a vários estados, onde a música recebeu edições, conforme apurou Almirante em investigação que realizou para o seu programa "Curiosidades Musicais". Apareceu até um outro "adaptador" do tema, o velho Candinho, que Jota Efegê identificou como um tradicional folião carioca, ligado a diversos ranchos.

A Jardineira (marcha/carnaval, 1939) - Benedito Lacerda e Humberto Porto

Oh jardineira
Por que estás tão triste
Mas o que foi que te aconteceu?
Foi a camélia
Que caiu do galho
Deu dois suspiros
E depois morreu
Vem jardineira
Vem meu amor
Não fique triste
Que este mundo é todo teu
Tu és muito mais bonita
Que a camélia que morreu ......
______________________________
Curiosidade: Este vídeo foi gravado em 08 de outubro de 1973 - Orlando Silva acompanhado por Miranda e seu Regional

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nauum e mau mas pode melhorar é pra um trabalho q vale muita nota e naum posso reclamar

 

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MANIFESTO DE AMOR AO CARNAVAL, OU: ABAIXO A CARETICE PURITANA

 

 

 

Todo ano, quando chega o Carnaval, vêm os chatos criticar o reinado de Momo. Desta vez, resolvi responder um pouquinho a eles, redigindo este Manifesto...

 

Dizem que carnaval bacana era o de antigamente. Mas antigamente, quando?

Há vinte anos? Quarenta?

No tempo das Saturnálias?

Uma forma segura de sabermos que alguém está ficando velho de espírito é ouvir este alguém dizendo: “antigamente é que era bom...”

“Antigamente, havia inocência... Carnaval era 'família'... blá, blá, blá...”

Sim, nos idos de 1950, brincava-se o carnaval “família” ... e depois os machos iam fazer o circuito dos lupanares, para preservar as donzelas que deviam casar virgens; preservar as santas mães de família de certas lascívias “impróprias” (?), etc.

Quem tem saudades dos velhos bons tempos quando família rimava com hipocrisia?

 

“Carnaval foi privatizado. Os ricos é que ganham dinheiro com ele.”

Quem diz isto devia combater o capitalismo selvagem, não o Carnaval.

O que supreende não é a privatização do Carnaval. É o fato de que ele sempre transborda essa privatização. Onde haja um punhado de malucos batendo uma lata e se fantasiando de alguma coisa, há Carnaval – seja em bairro nobre, favela ou biboca. Carnaval não tem patrão que controle. Escapa e se derrama.

 

“Carnaval é vagabundagem. Não se trabalha... É um desperdício!”

Engraçado, esta acusação contradiz a anterior. Alguns se servem das duas ao mesmo tempo, sem perceber que são antagônicas...

 

Ora, por que deveríamos viver para trabalhar, ao invés de trabalhar para viver?

Por que não separar alguns dias por ano para, simplesmente, glorificar a alegria de estar vivo?

Povos primitivos cultivaram o transe e entraram em contato com suas divindades através da batucada e cantoria – desde que existe Humanidade.

Depois, no século XVI, vieram os puritanos, com sua moral da industriosidade e do ascetismo – segundo a qual o eleito de Deus é aquele que vive para produzir riqueza, e dispensa prazeres “inúteis”.

De acordo com essa moral, o gozo é um mal em si mesmo. Amor ao próximo; fruição da beleza; todas as formas de arte e de sensualidade - tudo isso é condenado por afastar o fiel de Deus!

 

O carnaval é o anti-puritanismo em exercício. É celebração da vida pela vida - “sempre desejada, por mais que esteja errada”.

 

E continuamos citando Gonzaguinha: “Viver, e não ter a vergonha de ser feliz/ Cantar, e cantar, e cantar/ A beleza de ser um eterno aprendiz/ Eu sei/ que a vida devia ser bem melhor, e será/ Mas isto não impede que eu repita/ que é bonita, é bonita e é bonita!”

 

“Carnaval é desregramento. Bebe-se demais. Trepa-se demais. Anda-se pelado. Mija-se na rua. Faz-se muito barulho. Morre gente de acidente e overdose.”

Deveríamos então transformar o Brasil num sanatório geral? Limpo, asséptico, silencioso, expurgado de qualquer excesso e loucura? Me incluam for a desta. Mudem-se para a Suíça, onde andam precisando (?) de gente para lavar privadas e viver como zumbis.

 

Mas o que mais me irrita é que digam que Carnaval é alienação. Só um alienado pode subscrever esse tipo de argumento – gente que acha a tristeza e o mau humor superiores à alegria, de um ponto de vista moral. Pergunto: POR QUÊ? Na África do Sul, os negros enfrentaram o Apartheid dançando e cantando. E VENCERAM.

Quanto a nós, brasileiros, produzimos coisas como:

 

“Eu quero, a bem da verdade/ A felicidade em sua extensão/ Encontrar o gênio em sua fonte/ E atravessar a ponte/ Dessa doce ilusão/ (Quero, quero, quero sim)/ Quero que meu amanhã, meu amanhã/ Seja um hoje bem melhor, bem melhor/ Uma juventude sã/ Com ar puro ao redor (bis)/ Quero nosso povo bem nutrido/ O país desenvolvido/ Quero paz e moradia/ Chega de ganhar tão pouco/ Chega de sufoco e de covardia/ Me dá, me dá/ Me dá o que é meu/ Foram vinte anos/ Que alguém comeu (bis)/ Quero me formar bem informado/ E meu filho bem letrado/ Ser um grande bacharel (bacharel)/ Se por acaso alguma dor/ Que o doutor seja doutor/ E não passe por bedel/ Cessou a tempestade/ É tempo de bonança/ Dona liberdade/ Chegou junto com a esperança (vem, meu bem)/
Vem meu bem, vem meu bem/ Sentir o meu astral, que legal/ Hoje estou cheio de desejo/ Quero te cobrir de beijos/ Etecetera e tal (bis) (Império Serrano, 1986)

 

“Valeu Zumbi!/ O grito forte dos Palmares/ Que correu terras, céus e mares/ Influenciando a abolição/ Zumbi valeu!/ Hoje a Vila é Kizomba/ É batuque, canto e dança/ Jongo e maracatu/ Vem menininha pra dançar o caxambu (bis)/ Ôô, ôô, Nega Mina/ Anastácia não se deixou escravizar/ Ôô, ôô Clementina/ O pagode é o partido popular/ Sacerdote ergue a taça/ Convocando toda a massa/ Neste evento que congraça/ Gente de todas as raças/ Numa mesma emoção/ Esta Kizomba é nossa Constituição (bis)/ Que magia/ Reza, ajeum e orixás/ Tem a força da cultura/ Tem a arte e a bravura/ E um bom jogo de cintura/ Faz valer seus ideais/ E a beleza pura dos seus rituais/ Vem a Lua de Luanda/ Para iluminar a rua / Nossa sede é nossa sede/ de que o "apartheid" se destrua/ Valeu!” (Vila Isabel, 1988)

O negro samba, negro joga capoeira / Ele é o rei na verde e rosa da Mangueira/ Será que já raiou a liberdade /Ou que foi tudo ilusão/ Será, oh será, que a leia áurea tão sonhada/ Há tanto tempo assinada/
Não foi o fim da escravidão/ Hoje, dentro da realidade/ Onde está a liberdade?/ Onde está que ninguém viu!/ Moço, não se esqueça que o negro também construiu/ As riquezas do nosso Brasil/ Pergunte ao criador, pergunte ao criador/ Quem pintou esta aquarela/ Livre do açoite da senzala/ Preso na miséria da favela/ Sonhei que Zumbi dos Palmares voltou/ A tristeza do negro acabou/ Foi uma nova redenção/ Senhor, ai senhor / Eis a luta do bem contra o mal/ Que tanto sangue derramou contra o preconceito racial” (Mangueira, 1988).

“Luz divina luz que me conduz/ Clareia meu caminhar clareia/ Nas veredas da verdade: cadê a felicidade/ Aportei, num santuário de ambição/ E o índio muito forte resistiu/ A tortura implacável assistiu/ Enquanto o negro cantava saudade/ Da terra mãe de liberdade/ Na frança é tomada a bastilha/ O povo mostra a indignação/ Revoltado com o diabo/ Que amassou o nosso pão/ Grito forte dos palmares... Zumbi/ Herói da inconfidência... Tiradentes/ Nas caatingas do nordeste... Lampião/
Todos lutaram contra força da opressão/ Nasce então poderosa guerreira/ E desenvolve seu trabalho social/ Cultural aos pobres, abrigou maltrapilhos/ Fraternidade, de modo geral/ Brava gente sofrida, da baixada/ Soltando a voz no planeta carnaval/ Eu quero: liberdade, dignidade e união/ Fui lata, hoje sou prata/ Lixo ouro da região/ Chega de ganhar tão pouco/ Tô no sufoco: vou desabafar/ Pare com essa ganância, pois a tolerância/ Pode se acabar.../ Oh!!! meu Brasil/ Overdose de amor nos traz/ Se espelha na família "Beija-Flor"/ Lutando eternamente pela paz” (Beija Flor, 2003)

Portela hoje abraça o mundo/ Num amor profundo pela fraternidade/ O samba é o porta-voz/ E nós podemos desatar os nós/ Da desigualdade/ E vem... num sorriso de criança/ A esperança em cada coração/ E nesse dia de folia, faz a sua profecia/ Liberando a emoção/ Um mundo sem fome/ Sem dor e sem guerra/ Quem viver verá/ O manto da paz cobrindo a terra/ O que há de ser será/ Ensinando a viver a vida, como ela é/ Respeitando os direitos da mulher/ Dando a juventude um novo amanhã/ Saúde, corpo e mente sã/ Combater o HIV/ E toda epidemia que aparecer/ Preservar a natureza/ Ver o bem vencer o mal/ A ONU e o samba, parceria ideal/ Pro desenvolvimento mundial/ A mensagem da Portela/ É pra toda humanidade/ Vamos semear amor/ Pra colher felicidade” (Portela, 2005)

Há mais, muito mais. Quem pesquisar, ficará surpreso. Quem já conhece, mais surpreso ainda pela alienação dos que dizem que Carnaval é alienação.

Mas não tem jeito. Quem odeia Carnaval no fundo odeia é a si mesmo. O Carnaval é simplesmente ocasião socialmente organizada para o levantamento do recalque, emergência do que fica represado durante o resto do ano. Homem brinca de ser mulher, dona séria brinca de ser odalisca, bicha se solta, maluco se sente em casa.

...Quem tem medo de si mesmo se esconjura.

Viva o Carnaval!

 

 

 

 

 

 

Concordo. Abaixo essa estória de que o carnaval de ontem é que era bom. Dou o exemplo de BH, onde nunca houve um carnaval de rua como o de agora. 

 

"A história da maçã
É pura safadeza
Adão comeu a Eva
E a maçã de sobremesa"

( 1954 - Marchinha de Carnaval - Jorge Veiga )

 

 Recentemente foi publicado um post " As duas vozes de Orlando Silva",  ou algo semehante, no qual o autor destaca a mudança da voz do Orlando Silva ( nunca admitdo pelo artista), a partir de 1942, em decorrência de alguns problemas de saúde que enfretou a partir de 1938.  E comparando o vídeo de 1973, com esse com a versão de "A Jardideira" de 1939 (adicionado abaixo), de fato a mudança da voz é tão grande que parecem dois interpretes distintos. Há um vídeo também de 1959 ( http://www.youtube.com/watch?v=--QqP-TeBlw&feature=related) no qual este apresena essa " nova voz!

 

 

As duas Jardineiras do Orlando Silva:

1) a de 1939

2) a de 1959

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Olá Pardal,

fui que quem escreveu sobre as duas vozes de Orlando silva em http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/as-duas-vozes-de-orlando-silva . É isso mesmo, toda vez que ouço as interpretações dele "pré 1942" eu fico impressionado. 

Quanto à Jardineira, tem uma entrevista do Nassif com o Altamiro Carrilho, em que ele comenta que a música não era mesmo do Benedito Lacerda: http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/a-entrevista-com-altamiro-carrilho . Veja o final do primeiro arquivo de áudio.

 

Caro 300 Discos:

Eu lhe afirmo, com absoluta certeza, que a voz colocada nesta gravação ("Carnival March"), não é de ORLANDO SILVA. Se tivesse as vozes de outros cantores da época (e, até, necessariamente, não precisaria ser da época - pode ter sido bem depois), eu a identificaria, assim como você, mais do que eu. A gravação colocada neste "vídeo/imagem", foi certamente, um erro, a que foi levado, inadvertidamente, quem o produziu. 

Minha bisavó era uma fã de carteirinha, dele, e tinha todos os 78 rpm, assim como o ouvia nos famosos programas de rádio da época. Meus pais e filhos, moravam, com ela e minhas tias-avós, em um casarão, à moda antiga e, assim, como era comum à época, todos gostavam de ficar na sala onde estava a "Rádio-vitrola". E, minha bisa, tinha preferência.

A voz dele, assim como de Chico Alves, Carlos Galhardo, Jorge Veiga, Nelson Gonçalves, o galã  Francisco Carlos (este bem mais tarde), principalmente, ficaram na minha memória. E, a voz de Orlando Silva, ainda na década de 50, era igual a essa, onde ele aparece tocando violão e cantando, no vídeo que postei.

 

 

A voz de Orlando Silva na década de 50 já era bem diferente da do Orlando Silva dos anos 30. Veja as duas gravações abaixo da mesma música e aquelas do post http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/as-duas-vozes-de-orlando-silva. São dois cantores diferentes, não dá nem para falar que é a mesma pessoa ...

 

 

Olá,  300 discos!

Nestes dois vídeos, um áudio de 1937 - Abre a Janela,  e outro de 1943 - Olhos Magos, já se percebe a alteração na voz, um pouco mais grave. Se as datas estiverem corretas, é incrível mesmo que isso tenha ocorrido em tão pouco espaço de tempo, embora, neste caso, tenha explicação nos problemas de saúde enfrentado pelo cantor.

 

 

 

 

Olá Carl Pardal, extensivo a 300 Discos

Retiro o que disse

Fiquei, agora ouvindo as gravações e, realmente, a palavra "morreu" é inconfundível e, pronunciadas em todas as três gravações, que, aqui, temos, de forma exatamente igual.

Curiosamente, não tive dúvidas nas duas gravações, mais antigas, que você inseriu, acima, apesar da nítida mudança.

Quero crer que, além do problema de saúde, as gravações dos anos trinta, que imprimem uma cadência mais dinãmica (porém com voz mais aguda), estão fortemente influenciadas pelo padrão da década, como se para "fazer um tipo". Penso que, algo próximo a uma voz mais fina "à moda Lamartine Babo" (áudio abaixo de 1933).

Mal comparando, quando falo em "tipo",  estou me referindo ao estilo, hoje, dos sertanejos, que forçam a voz para ficar "meio esquisita", mas dentro de um determinado padrão. 

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Olá, Fuhgeddaboudit!

Creio que o fator estilo "padrão da década", citado por você, além dos problemas de saúde, também tenha contríbuído para a mudança da voz, talvez dentro de um processo de evolução do panorama musical da época, e aí se fizermos um pesquisa certamente serão encontrados outros intérpretes em situação  semelhante.

 

nunca vimos uma jardineira. quem compôs essa música deve ser um alienígena tarado por sexo nas moitas.

 

É cada uma...

E o Ecad ainda vai querer arrecadar?

Li por aí que ele arrecada até quando se toca Bach, Vivaldi e outros...

Acabou ou vai acabar a música popular e folclórica, a grande inspiradora do Bach?

Tudo virou dinheiro e arrecadação.

E pensar que ninguém inventa nada do nada, mas nada mesmo. Se  faz alguma coisinha nova é com base no  "banco de dados pré-existente", no que ouviu e aprendeu do passado.

O grande inovador é a humanidade como um todo e pra ela deveria ser voltada qualquer "avanço" sobre o passado. O individuozinho se acha mais que seu próximo e acha que "inventou".

O dinheiro arrecadado da jardineira vai pra quem?

Respondam os altistas, digo, autistas, digo, artistas!