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A autossuficiência para ração animal

Coluna Econômica - 09/09/2011

O movimento especulativo com alimentos, que precedeu a grande crise de 2008, trouxe à tona algumas vulnerabilidades do agronegócio brasileiro.

Triplicaram os preços dos insumos agrícolas. A China chegou a abrir leilão se oferecendo para comprar o que houvesse de estoques de fertilizantes, pagando o dobro do maior preço.

A partir dali, o governo se moveu. O Ministério da Agricultura passou a buscar alternativas internas para fertilizantes, sugeriu investimentos, Vale e Petrobras entraram no jogo, assim como a Bunge, explorando potássio, fósforo e nitrogênio – matérias primas essenciais para a produção de fertilizantes.

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Ficou de fora a perna da pecuária.

A explosão do agronegócios depende de pesquisas e de fertilizantes. Analogamente, a da pecuária depende de aprimoramento genético e de insumos para rações, como vitaminas e aminoácidos. 

Desde a abertura da economia, no governo Collor, o Brasil perdeu os produtores de insumos, um ramo da química fina. A Basf, por exemplo, produzia em Guaratinguetá, mas optou por concentrar suas plantas de produção na Europa. O mesmo ocorreu com outros grandes players do mercado.

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O mercado de ração animal consiste em produtos agrícolas (milho, farelo de soja) e os chamados aditivos alimentares. O grande cliente é a indústria de carnes, bovino e frango.

No ano passado, o Brasil produziu 61 milhões de toneladas de rações, nas quais foram adicionados 2 milhões de toneladas de suplemento mineral para gado de corte. Esse consumo torna o Brasil o terceiro maior mercado do mundo, atrás apenas dos EUA (170 milhões de toneladas) e da China (160 milhões).

O setor movimentou R$ 35 bilhões só em matéria prima. Nos suplementos, o único produto competitivo é a lisina da cana, produzida pela japonesa Ajinomoto – e mais barata que a europeia, produzida a partir da beterraba, e a norte-americana, a partir do milho.

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Não apenas isso. Nas mudanças recentes de tributação, criou-se uma excrescência: isentou-se do pagamento de Pis-Cofins os insumos agrícolas, mas manteve-se para os insumos pecuários. Ocorre que há matérias primas comuns aos dois, como é o caso da ureia e do fosfato de cálcio. No momento, o Ministério da Agricultura estuda a questão.

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A cadeia produtiva no setor é composta fundamentalmente por misturadores. A maior parte da produção é integrada, de grandes empresas, como no frango, a grandes cooperativas, na pecuária. Misturadores independentes respondem por 10 a 12 milhões de toneladas. Caminha-se para uma concentração no setor, em nível nacional e mundial.

Hoje em dia, o Sindicato das Rações, na FIESP (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) possui 150 associados que respondem pela maioria da produção nacional.

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Hoje em dia, o cenário para a indústria de carne é de céu de brigadeiro. Estima-se um aumento do consumo da ordem de 70% nos próximos anos, puxado principalmente pela carne de frango.

No futuro, a autossuficiência dos insumos pecuários terá que ser pensada como questão estratégica.

Alta da inflação em 12 meses deve terminar neste trimestre

O quadro prospectivo para a inflação mostrou sinais favoráveis, e tudo indica que neste trimestre deve acabar o aumento acumulado em 12 meses, segundo a ata do Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central), ressaltando que, durante o último trimestre de 2010 e no primeiro deste ano, “a inflação foi forte e negativamente influenciada por choques de oferta domésticos e externos, mas as evidências sugerem que os preços ao consumidor já incorporaram os efeitos diretos desses choques”.

ICS desacelera 1,3% entre julho e agosto

O Índice de Confiança de Serviços (ICS) caiu 1,3% entre julho e agosto, ao passar de 132,6 para 130,8 pontos, segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV). O resultado atingiu seu menor patamar desde janeiro passado, quando a variação foi de 128,2 pontos. O Índice de Expectativas (IE-S) caiu 2%, para 146,5 pontos, o menor nível desde janeiro de 2011 (143,2 pontos), e o Índice da Situação Atual (ISA-S) recuou 0,5%, para 115,2 pontos, 6,6 pontos abaixo do mesmo período do ano anterior.

Maior superávit primário reduz riscos para inflação

A última ata do Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) considera que está em curso um processo de consolidação fiscal no país. Segundo um documento, um exemplo dessa trajetória pode ser visto no recente aumento do superávit primário. Ao mesmo tempo, o colegiado afirma que aguarda o cumprimento da nova meta de superávit primário, cerca de 3,15% do Produto Interno Bruto (PIB), sem descontos dos investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), este ano.

Pedidos de falência são os menores em três anos

Ao longo do mês de agosto, foram requeridas 170 falências de empresas em todo o país, segundo a consultoria Serasa Experian. Considerando-se o resultado mensal, este foi o menor número de pedidos de falência desde 2008. No oitavo mês daquele ano, foram 152 requerimentos. Dos 170 pedidos de falência registrados em agosto de 2011, 121 foram feitos por micro e pequenas empresas, 29 por médias e 20 por grandes.

IPC-S começa setembro em alta

O IPC-S (Índice de Preços ao Consumidor Semanal) referente a primeira semana de setembro atingiu 0,74%, segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV), alta de 0,34 ponto percentual em relação ao visto na última divulgação, e o maior patamar apresentado desde a terceira semana de maio. Cinco das sete classes de despesa componentes do índice apresentaram acréscimo em suas taxas de variação, com destaque para o grupo Alimentação, que passou de 0,80%, na semana anterior, para 1,76%.

OCDE diminui previsão de crescimento para países ricos

A OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico) reavaliou para baixo as perspectivas de crescimento econômico, indicando uma recuperação desacelerada a partir dos dados referentes aos países que formam o G7 - Estados Unidos, Japão, Alemanha, Reino Unido, França, Itália e Canadá. Para a entidade, a recuperação desses mercados está paralisada, e pode comprometer o mercado de trabalho e o comércio global.

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Está gostosinha de ler as colunas econômicas ultimamente.

Parece que acertou a mão para o que interessa estrategicamente na economia do país.

Disserta os assuntos com leveza, clareza, contundência e pertinência contextual na explanação indefectível do árido, místico, fabuloso plano econômico-administrativo a preencher nossa vida de maneira compulsiva e compulsória.

Das últimas leituras fica uma constatação luminosa: o governo brasileiro é muito ruim de gestão, regulação e planejamento estratégico, fora daquilo de resolver crises e problemas econômico-financeiros na boca do caixa, no adiantado da hora, no sufoco das oscilações e abalos de mercado viciado e manipulado pelos players e especuladores desde sempre...

Fica claro que quase 40 ministérios e secretárias ou órgãos com atribuição de ministérios fazem um vestuto e nobre mobiliário de madeira de lei; no entanto, é fato público recorrente que por dentro e por trás dessa linda decoração reina o mundo obscuro, invisível, metastático da cupinização da estrutura político-administrativa do país a corroer e arruinar a alta energia do trópico generoso e os recursos naturais da rica natureza do país. Cupinização aos cargos e às custas de três misérias nacionais: gestão ruim, corrupção, impunidade e as correlações, contaminações e pasteurizações entre elas numa só rede de ninhos e galerias comunicantes no subterrâneo mundo do crime organizado, pouco importa se seja de colarinho dogmático ou branco ou sem colarinho de chinelão de dedo e AR-15 na mão.

O Japão em meio ao pós-tsunami reconstrói uma rodovia em 6 dias. No Brasil, salta aos olhos nus passageiros pelas cidades a indústria de recapeamento e obras sem fim... senão, a descontrolada endêmica corrupção do asfalto, pedra, areia, cimento com o agravante de provocar entulho, barulho, transtorno na paz de espírito do transeunte contribuinte.

É sempre assim... A obra já é feita com atraso e morosidade para logo ser vitimada pelas intempéries, calor, chuva, mudança brusca de temperatura que afetam a estrutura e a molécula dos materiais inteligentes quando não é a falta de sinergia e vida inteligente na gestão que faz uma sabesp abrir buraco logo que outra secretaria de obras acabou de fechar o buraco... E, tudo, com qualidade ruim de material e serviço para ser mesmo obra descartável chinesa de duração precária de acordo com o espirito desses tempos de desmaterialização e liquidificação das coisas, vínculos, ideias e utopias.

 

"Não há segredo que o tempo não revele, Jean Racine - Britânico (1669)" - citação na abertura do livro Legado de Cinzas: Uma História da Cia, de Tim Weiner. 

No que tange aos fertilizantes para a agricultura, especialmente os derivados de fósforo e de potássio, os nitrogenados podem ser obtidos através do petróleo, que ainda será disponível por um bom período, a disputa por esses produtos doravante deverá ser acirrada. O Brasil é fortemente dependente desses três macronutrientes, pois seus solos tropicais são em sua maioria de baixa fertilidade natural. O estímulo para as indústrias nacionais, no caso por enquanto a Vale e a Petrobrás para pesquisarem e produzirem esses fertilizantes foi uma ótima medida, que infelizmente poderia ser tomada antes, pois  no governo FHC já contecia a concentração das empresas ligadas a esse ramo e uma escalada de preços desses insumos

 

"A história da humanidade é a história das lutas de classes". Karl Marx