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A campanha da ONG Survival International

Do Vermelhos Nâo!

kony Brasil 2012


A estrela da campanha da international survivor

Depois da invisible children e do seu kony 2012, teremos a international survivor lançando mais um vídeo contra a maldade dos vilões do terceiro mundo. Os gloriosos anglo-saxões em sua campanha para punir os bárbaros destruidores.

No caso de joseph kony não interessava aos produtores do vídeo e a jason russel, protagonista e diretor, que há muitos anos o grupo guerrilheiro está fora do território de Uganda e praticamente inativo. Suas ações terroristas tornaram-se coisas do passado. A estimativa é que atualmente mantenha um grupo com cerca de 300 soldados no seu refúgio no Congo, incapaz de desafiar o governo do seu país. No entanto mostraram um perigo real e imediato contra os civis ugandenses. Principalmente as crianças, presas fáceis para o recrutamento forçado ou a escravidão sexual. Para salvá-las de tão cruel destino: doações para a ong e o envio de tropas americanas.

A international survivor iniciará esta semana a sua campanha para salvar a tribo indígena Awá. Contará com o ator colin firth para estrelar o vídeo. O rei Jorge VI, do filme o discurso do Rei. Um ator premiado com o oscar. Como não existe um criminoso específico o alvo será o governo brasileiro e toda a nação.

"Eles estão nos matando": grita por ajuda uma das mais ameaçadas tribos do mundo.

"Com apenas 355 membros, 100 dos quais jamais tiveram contato com o mundo exterior, estão a beira daextinção."

"Uma situação tão grave que levou um juiz brasileiro, José Carlos do Vale Madeira, a descrever como umgenocídio."

"Defensores dos direitos humanos dizem que somente uma ação do governo brasileiro para impedir o abatepode salvar a tribo."

"Segundo a survival é a tribo mais ameaçada do mundo, atacada por pistoleiros, madeireiros, agricultores e colonos hostis."

"Eles vão matar tudo. Tudo está morrendo. Passaremos fome. As crianças passarão fome. Minha filha ficará com fome. Eu também passarei fome."

"No início deste ano o relatório sobre a investigação do assassinato de uma criança awá por madeireiros descobriu que o acampamento awá foi destruído por seus tratores."

Esta é a situação segundo o jornal britânico the guardian.

Claro que violência fundiária ocorre no Brasil, mas o terrível quadro atual mostrado pelos britânicos é verdadeiro até que ponto?

Os números apresentados e a situação desesperadora foram informados pela ong international survivor. Então não temos porque duvidar da população Awá de 355 pessoas. Em 1999 eram 260. Crescimento demográfico no período de 13 anos compatível com grupos humanos com alta taxa de fertilidade. Boa notícia, a população da tribo em pouco mais de uma década aumentou em quase 40%.

Deixando de lado os julgamentos subjetivos chegamos ao assassinato da criança. No início deste ano a notícia teve uma imensa repercussão após sua divulgação pelo cimi - conselho indigenista missionário, que teria obtido esta informação com lideranças de outra tribo que ocupa o mesmo território, os guajajaras. Investigações da Polícia Federal e da Funai não encontraram provas, indícios ou testemunhas que confirmassem o fato, os próprios guajajaras o desconheciam. O relatório de investigação citado pelo guardian foi produzido pelo cimi...

O principal objetivo desta campanha é atingir a nossa imagem. Criar animosidade contra o Brasil e o governo.Um meio para fazer com fiquemos mais dóceis e receptivos do que já somos à ingerência externa.

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Assim que tivermos armas nucleares e os vetores pra entregar estas mercadorias no endereço que desejarmos deixarei de me preocupar com ONGS gringas. Enquanto isso não acontece sou apenas preocupação com relação a integridade territorial do BRASIL.

BOMBAS ATÔMICAS BRASILEIRAS JÁ PRA DEFESA DO TERRITÓRIO NACIONAL.

 

Alguém pode explicar o que é balcanização? Os imperialistas ingleses, até o Winston Churchill, tinham como hobby criar "nações" e mudar o mapa mundi para os seus interesses. Agora são um dos poodles das corporações americanas. É o que estão fazendo na América Latina, aprofundando cunhas em cisões criadas e potencializadas em diferenças de etnias, raças, religiões etc. Russos, indianos e chineses que sofreram e sobreviveram a esta forma de agressão já sabem como se defender. Os árabes estão sofrendo pela “maldição” do petróleo e sua proximidade geográfica com Israel e sua criação e expansionismo. A América Latina sabe se defender? O Brasil, o bolo da cereja, sabe se defender?

Existe uma articulação entre a CIA, o MI e o Mossad. É o que está acontecendo na Líbia, Iraque, Afeganistão, Síria, Irã etc. É a guerra de 4.a geração. É o que disse Kissinger “Se não conseguem ouvir os tambores da guerra devem estar surdos ..."

As Ongs geopolíticas são uma das cabeças de ponte na preparação das guerras atuais. A mídia venal e entreguista é outra. O Brasil não pode mais abdicar de sua soberania ficando a mercê de interesses contrários aos seus interesses. A BBC é um órgão estrangeiro. Sua finalidade é a propaganda inglesa e a defesa dos seus interesses. Estão se lixando para índios ou qualquer outro povo do planeta. Manter populações e nações dependentes, subservientes sem o desenvolvimento da educação, da tecnologia e do conhecimento.

 Seus interesses são a hegemonia econômica e a posse de recursos naturais onde quer que eles se encontrem. Estão dispostos a usar qualquer pretexto para uma intervenção. Pretextos que eles mesmos criam com a propaganda e o financiamento de traíras. É como aconteceu nos Bálcãs, na África e continua acontecendo no Oriente Médio. Estão preparando o terreno para uma intervenção direta na AL quando for do seu interesse. Por enquanto é só manter o terreno já conquistado.

Podemos dividir os que aceitam este intervencionismo como ingênuos, idiotas ou interessados nos seus salários e subvenções destas organizações, ponta de lanças da ocupação econômica.

O tamanho do Brasil e sua posição geográfica precisa urgentemente de fortes forças armadas, com poder de persuasão. Isto implica numa indústria bélica up to date na tecnologia e sistemas de defesa característicos para esta nova forma de guerra. 

Neste contexto a mídia e os meios de comunicação sáo essenciais. Precisam ter um espírito territorial nativista. Precisam ser nacionais no amplo sentido Seus interesses têm de estar ligados totalmente aos interesses nacionais. Compreendidos como preservação da integridade do território e suas riquezas naturais, autodeterminação política, econômica, tecnológica e cultural do povo brasileiro. Nada tem de direita ou esquerda no espectro político. É do interesse de todo povo brasileiro sua soberania e de viajar na primeira classe deste planeta.

 

http://www.ecsbdefesa.com.br/defesa/fts/MR%20WSLind.pdf

http://www.ecsbdefesa.com.br/defesa/fts/MRSetOut07.pdf

 

 

 

 Invasão Silenciosa dos EUA na América Latina22.12.2011 

A Invasão Silenciosa dos EUA na América Latina

A Invasão Silenciosa dos EUA na América Latina. 16151.jpegPara falar sobre os planos da ultradireita latino-americana, que é um instrumento de Washington na região, e analisar a atual conjuntura política do continente, o Observatório Sociopolítico Latinoamericano - http://www.cronicon.net/  dialogou, em Buenos Aires , com Stella Calloni.

 

Entrevista a Stella Calloni.

Cronicon.net

O Observatorio Latinoamericano

Adital

Tradução: ADITAL

 

Para falar sobre os planos da ultradireita latino-americana, que é um instrumento de Washington na região, e analisar a atual conjuntura política do continente, o Observatório Sociopolítico Latinoamericano -http://www.cronicon.net/  dialogou, em Buenos Aires , com Stella Calloni.

 

Acompanhados por um bom café no Centro Cultural da Cooperação Floreal Gorini, em plena Avenida Corrientes , a investigadora nos fez uma consciente análise da realidade latino-americana e da ingerência estadunidense.

 

Calloni é uma jornalista experiente; escritora e poetisa. Foi correspondente de guerra na América Central e se especializou em política internacional. Em sua vasta obra publicada estão incluídas crônicas, ensaios e livros, entre outros, como Torrijos y el Canal de Panamá (1975); La guerra encubierta contra Contadora (1993); Nicaragua: el tercer día (1986); Panamá, pequeña Hiroshima (1992); Los años del lobo: Operación Cóndor (1999); Operación Cóndor, pacto criminal (2001); Argentina: de la crisis a la resistencia (2002); la invasión a Irak, guerra imperial y resistencia (2002); América Latina siglo XXI (2004); Evo en la mira. CIA y DEA en Bolivia (2009).

 

Atualmente, é correspondente do Cone Sul para o diário La Jornada , do México e também atua como docente universitária. Entre as múltiplas distinções que recebeu, destacam-se o Premio Latinoamericano José Martí (1986); Premio Madres de Plaza de Mayo (1998); Premio Margarita Ponce Derechos Humanos de la Unión de Mujeres Argentinas y Premio Latinoamericano de Periodismo Samuel Chavkin, da revista Nacla Report of the Americas de Nueva York, ambos em 2001; além do Premio Escuela de Comunicaciones de la Universidad de la Plata , Argentina (2002).

 

Em função jornalística, percorreu praticamente toda a América Latina, bem como vários países da Europa, da África. Portanto, suas análises são feitas a partir de apalpar a realidade no próprio terreno. É conferencista internacional sobre temas de geopolítica latino-americana e sobre direitos humanos.

 

A INVASÃO SILENCIOSA DOS EUA NA AMÉRICA LATINA

- A senhora considera que a ingerência dos Estados Unidos tem se configurado de maneira mais sutil, ou continua sendo mantida a mesma estratégia de finais de século XX para dominar os povos?

 

- Se eles, em todos os seus documentos de política exterior, começaram a considerar que deviam levar em conta a Doutrina Monroe ("América para os americanos") equivale assinalar que ela continua sendo a base de muitas coisas que eles fazem, com algo muito mais grave: agora o lema é "o mundo para os americanos". Tudo isso, mais a reconfiguração que aconteceu após as Torres Gêmeas, que é um fato que ainda não sabemos quem é o responsável; pois, poderão dizer o que queiram, mas provas não existem de nenhuma espécie; é como se você me dissesse que alguém possa me dar uma prova de que a pessoa que mataram no Paquistão era Bin Laden. Não há provas; não existem e o que Estados Unidos digam, para mim não tem nenhuma veracidade, porque mentem eternamente. Após a configuração dessa doutrina de segurança hemisférica, começa também a nova doutrina de guerra preventiva, de guerra sem fronteiras e sem limites; desconhecendo as soberanias nacionais, ao mesmo tempo em que executam outra vertente de trabalho, que é sutil: o envio de todas essas fundações que nasceram durante o esplendor conservador de Reagan para evitar a presença direta da CIA, sobretudo depois de 1975, quando se formou a Comissão Church no Senado estadunidense para investigar o papel dessa Agência de Inteligência no golpe de Estado no Chile, o que motivou que, nos anos 80, a renovação da estratégia de conflitos e de guerra de baixa intensidade, que tem como base a contrainsurgência, que, em linguagem norte-americana, é a permissão aberta para todo tipo de ilegalidade no plano militar, político, cultural, social, econômico etc. Quando já se recicla para o período dos anos 90, são conformadas a NED (National Endowment for Democracy, fundação para a democracia; porém, teríamos que perguntar-nos que tipo de democracia), a Usaid (a agência internacional para o desenvolvimento, que nunca teve esse papel). Mas, sabemos que onde se instala esse organismo, há uma interferência direta dos Estados Unidos e a CIA está por trás. Com isso, conseguiram a invasão silenciosa na América Latina. Pude verificar isso diretamente no próprio terreno, por exemplo, na Bolívia, e observei como essas fundações trabalham, criando ONGs, que cumprem um papel chave na guerra de baixa intensidade; isto é, desestabilização de governos; intromissão em lugares; trabalho com grupos indígenas, como é o caso boliviano, no qual buscaram um líder indígena para fazê-lo aparecer, com o propósito de substituir a Evo Morales. Infelizmente, os governos latino-americanos ainda são muito débeis e não têm a suficiente clareza no sentido de que devem deter esse intervencionismo que pode levar a situações muito complicadas. De fato, no golpe de Estado na Venezuela, estavam a NED, a Usaid e outras fundações, inclusive socialdemocratas da Europa, que ficaram metidas no esquema internacional da CIA.

 

A ULTRADIREITA MILITAR LATINO-AMERICANA

- E no golpe de Estado em Honduras contra o presidente Manuel Zelaya?

 

- Em Honduras, também; e aí a intervenção teve também a participação de Unoamérica, sobre a qual a Colômbia deve ter muito cuidado e estar bem atenta às suas atuações. É uma fundação que nasceu na Colômbia, com um grupo de militares da ultradireita e com vários ex-militares de todas as ditaduras da América Latina.

 

- Qual é seu propósito?

- O propósito é praticamente executar a Operação Condor levada a outro plano. Apesar de que a Operação Condor não pode ser repetida. Unoamérica coincide no trabalho supranacional para poder mover-se sem nenhum limite nos vários países. Esses militares de ultradireita sustentam o mesmo que na época do Plano Condor, no sentido de que assim como o Cone Sul tinha que combater a coordenadora guerrilheira que havia se integrado nos anos 70, agora tem que enfrentar tanto os governos de esquerda, que participam no Fórum São Paulo, quanto a Unasul, a qual consideram igualmente uma organização supranacional; portanto, eles devem atuar para evitar o comunismo, porque falam do comunismo como se fosse no tempo da Guerra Fria. Por isso, nuclearam ao pior que encontram de militares envolvidas nas ditaduras latino-americanas e realizam um trabalho especial dentro dos grupos de segurança dos exércitos e das polícias, reciclando o discurso anticomunista do passado. Fazem um trabalho nas Forças Militares da região porque têm suas velhas conexões e, por isso, jogaram um papel determinante no golpe de Estado em Honduras. Alejandro Peña Esclusa, que hoje está preso na Venezuela e que é o presidente de Unoamérica, foi condecorado por Roberto Micheletti por sua colaboração efetiva para dar o golpe. Unoamérica provê mercenários, faz contrainsurgência para as necessidades da CIA, se move por toda a América Latina; vários de seus integrantes estiveram na Bolívia metidos no golpe de Estado que tentaram contra Evo Morales e, sobretudo, na tentativa de assassiná-lo.

 

- Conhecendo o ex-presidente colombiano, o tão questionado Álvaro Uribe Vélez, que papel ele joga em Unoamérica, de acordo com suas investigações?

- Vários militares que fazem parte de Unoamérica, segundo os registros que tenho, apóiam aos grupos paramilitares na Colômbia e são muito próximos a Uribe. Na Argentina, temos já a lista dos vinculados a essa fundação, que é encabeçada pelo coronel do grupo de caras-pintadas, Jorge Mones Ruiz, bem como há militares da ultradireita boliviana, uruguaia; eles buscaram os remanescentes das velhas ditaduras latino-americanas e se apóiam politicamente em grupos ultradireitistas da região.

 

- Geopoliticamente falando, nas atuais circunstâncias, quais são os aliados mais importantes dos Estados Unidos na América Latina?

- Geopoliticamente, enquanto está a invasão silenciosa, por cima estão mandando tropas e o porta-aviões dos Estados Unidos na região obviamente é a Colômbia com todas as suas bases militares e com sua estrutura. Além disso, o golpe de Honduras conservou a base de Palmerola e as novas como a Base de Gracia de Dios, que lhes permite controlar a Nicarágua.

 

- Aqui na Argentina, existe o convencimento de que na Colômbia estão operando as sete bases que o governo de Uribe entregou ao Comando Sul dos Estados Unidos. No entanto, a Corte Constitucional proibiu a utilização dessas bases. Segundo suas investigações, ditas bases militares estão realmente operando?

- Na realidade estão aí. É algo muito similar ao que acontece com a Base Mariscal Estigarribia, do Paraguai, ou com a Base de Palmerola, em Honduras. Aí , o que existem são pistas onde podem aterrizar aviões grandes, como têm feito na Colômbia. Essas bases não estão ocupadas permanentemente por soldados norte-americanos porque eles nunca se metem em lugares fechados. Agora, os Estados Unidos não necessitam enviar soldados para fazer funcionar as bases militares; mas as têm à sua inteira disposição. Obviamente, têm tudo preparado para se acaso necessitam mandar tropas. Ou, como acontecia na Bolívia, em que metiam uma estrutura da DEA dentro de uma base, que utilizaram quando quiseram matar Evo Morales, na época em que era deputado. Algo parecido estão fazendo na Colômbia.

 

JUAN MANUEL SANTOS E SUA RELAÇÃO COM O MOSSAD

- Na Colômbia também operam o Mossad (Agência de Segurança Israelita) e o Mi6 (Serviço de Inteligência Inglês). Em outros países latino-americanos também operam?

 

- O Mossad está no Paraguai, na Bolívia, na Venezuela e na Guatemala. Na Venezuela, sua presença é muito forte e na Colômbia opera há muitos anos, inclusive, antes que chegasse seu agente Yair Klein, que treinava e trazia da Jamaica armas para os grupos paramilitares. O problema é que o Mossad, atualmente, tem mais força do que a CIA; vários de seus membros se infiltram em comunidades judias dos países latino-americanos; porém, além disso, estão presentes no Iraque e na Líbia. Nas tarefas e na direção de todas as movidas de guerra suja, o Mossad é chave. No caso colombiano, o presidente Santos é filho do Mossad e ele não pode separar-se de Israel. Não se pode esquecer o papel que Santos jogou no ataque a Sucumbíos, quando a soberania equatoriana foi violada, para atacar o acampamento de Raúl Reyes. Recordo o sorriso de hiena de Santos quando mataram esse chefe guerrilheiro. Não creio que Santos queira a paz na Colômbia, como Israel tampouco a quer; o que ele deseja terminantemente é exterminar de qualquer maneira a um grupo político-militar insurgente.

 

- E no México, cuja situação social é muito explosiva?

- Nessa ocupação geopolítica, do Plano Colômbia, que é um plano de recolonização do continente, passaram para o Plano Mérida, do México. Esse plano é uma cópia do Plano Colômbia e, de fato, em seis anos, o México caiu em uma violência atroz. Nesse lapso, temos o mesmo número de mortos que na Colômbia e a isso devemos somar a destruição do campo mexicano e da cultura profunda dos povos, com o Tratado de Livre Comércio que assinou com os Estados Unidos e com o Canadá.

 

DESINFORMAÇÃO, ARMA DE GUERRA

- Falemos de outro aspecto fundamental para condicionar os povos, que é a guerra midiática...

- A guerra midiática é parte do projeto contrainsurgente. Hoje, a desinformação é uma arma de guerra utlizada para armar um projeto de guerra como aconteceu no Iraque, com a invenção das armas de destruição massiva, ou com o que aconteceu na Líbia, onde nunca houve um bombardeio de Gadafi contra a população civil, o que está totalmente provado. Para controlar o mundo, necessitam controlar a informação.

 

- A senhora denunciou o aproveitamento das máfias durante a etapa de esplendor do neoliberalismo...

- Um dos aspectos que temos que identificar nesse período histórico é a presença mafiosa nos governos. Os Estados Unidos estão sob o poder de máfias; sempre as usou para seus jogos. Necessitam da máfia; não podem sobreviver a esse esquema sem ela. Quem recebe a droga nos Estados Unidos: Onde é recebida? Mas, vem matar no lado mexicano; porém, por que não se dedicam a pescar do outro lado aos que recebem a droga? Por que os aviões carregados de droga chegavam às bases do Comando Sul, na Florida? E não era Manuel Antonio Noriega quem a mandava, porque ele não tinha nenhuma capacidade de operar com o Comando Sul. Mentiram de uma forma descarada na invasão do Panamá (em 20/12/1989) e percebi tudo porque eu estava lá. A gênese de todas as intervenções tem uma mentira por detrás e um aparelho de desinformação, que agora é mais fácil porque controlam tudo.

 

A LIDERANÇA DE CHÁVEZ

- Apesar de uma matriz de manipulação midiática, boa parte das pessoas na América Latina já não acreditam, e isso pode ser observado em países como a Venezuela, o Equador, a Bolívia, a Argentina, o Uruguai... Que pensa?

- O que acontece é que não entenderam que o processo neoliberal iria trazer uma realidade social terrível e as pessoas começaram a ter um olhar distinto. Isso aconteceu em países como a Venezuela, com Chávez, cujo povo passou a ser pensante e consciente.

 

- Falando da Venezuela, a senhora esteve recentemente em Caracas. Como está a liderança de Chávez? Tem possibilidade de reeleger-se em outubro de 2012?

- Sim, tem possibilidade de reeleger-se; inclusive, os índices de popularidade e de apoio ao seu governo aumentaram. Vejo que há uma grande consciência nas pessoas com relação aos alcances positivos do processo político liderado por Chávez. As coisas e os grandes avanços que foram feitos na Venezuela não são divulgados; porém, há uma recuperação do sentido de pátria, de defesa, de dignidade; e a enfermidade de Chávez produziu um apressamento nas bases para solidificar a unidade e a organização.

 

- Processos integracionistas que estão acontecendo na América Latina, como Unasul e Celac constituem uma pedra no sapato de Washington?

- Sim; qualquer coisa que seja unidade e integração é uma pedra no sapato. A unidade africana e a intenção que tinha Gadafi de concretizar uma moeda comum na África incomodam aos Estados Unidos. São coisas que eles não podem aceitar. Agora, tem uma América Latina com uns países modelo de algo distinto. No começo, não davam importância porque sempre os Estados Unidos conseguia interferir; por exemplo, em processos como o Mercosul. Porém, agora, a coisa é diferente, e nisso Chávez teve uma presença histórica, porque foi a cabeça para produzir uma federação distinta. Essa nova integração política e comercial dos países da América Latina é algo terrível para os Estados Unidos e, sobretudo, os fatos protagonizados por presidentes como Chávez e Evo Morales. No caso da Bolívia, Morales retirou a CIA e a DEA. Desde que a DEA saiu da Bolívia, e isso para os colombianos é essencial, o país deixou de ter uma violência no índice que tinha; deixou de morrer gente por conta da suposta guerra contra o narcotráfico. A embaixada norte-americana contava com um escritório na casa de governo, junto a do presidente da Bolívia. Quando Evo Morales assumiu perguntou por uma porta fechada junto ao seu escritório, que conduzia aos escritórios da DEA e da CIA. Para que saibamos até onde chegou a ingerência norte-americana sem que os países da América Latina o soubessem.

 

O BLOQUEIO A CUBA, DELITO DE LESA HUMANIDADE

- Falemos de Cuba. Hoje, a revolução cubana não é nenhuma ameaça aos Estados Unidos. No entanto, em pleno século XXI, como se explica que Washington continue mantendo o bloqueio econômico à ilha? Não é o caso de delito de lesa humanidade?

 

- Claro! É um delito de lesa humanidade. Além disso, tudo o que o bloqueio produziu, as consequências das agressões (como a guerra química e biológica contra Cuba), a cifra de doentes, o número de mortes pela dengue hemorrágica, mais a invasão a Bahia Cochinos, está reconhecido pelo próprio Congresso dos Estados Unidos. Mas Cuba continua sendo um exemplo de como poder resistir a noventa milhas do império para manter uma revolução que não quer sair do socialismo. Em contraste, os Estados Unidos ficaram em mãos de uma máfia que eles mesmos criaram. Uma máfia cubana que conta com senadores, representantes, governadores, prefeitos, todos com um passado espantoso e com relações profundas com o narcotráfico. Tentaram destruir Cuba por todos os meios, o bloqueio foi feito, inclusive, mais forte; porém, não puderam asfixiá-la e não creio que consigam.

 

AMÉRICA LATINA E SEU MELHOR MOMENTO HISTÓRICO

- Com exceção de países como o México, a Colômbia, o Chile e algumas nações da América Central, a América Latina está passando por um bom momento histórico, que pensa?

- Historicamente, a América Latina está passando por seu melhor momento; tem conseguido salvar-se da crise econômica e mostrar ao mundo que o remédio que estão utilizando na Europa não serviu para nada; portanto, podemos dizer que estamos à vanguarda da resistência, com lideranças como as de Chávez, Kirchner, Evo, Correa que brotaram dentro de um jogo eleitoral que os Estados Unidos impunham como salvação. Quantas tropas necessitarão para poder controlar o mundo? O certo é que os Estados Unidos vão a caminho de afundar. E em relação com a América Latina temos que dizer que nossos governos não podem mostrar nem um pouquinho de debilidade, porque qualquer abertura dá pé para que se meta esse poder imperial; temos tudo para evitar e uma mostra disso é o que aconteceu com a OEA, que já não tem voz; está falando como um afônico, porque a Unasul a substituiu mesmo sem ser ainda um organismo totalmente sólido.

CONFLITO DE BAIXA INTENSIDADE, GUERRA DE ALTA INTENSIDADE Conflito de Baixa Intensidade, Guerra de Alta Intensidade: A “doutrina Reagan” em ação na América Central  
por: Luiz Fernando F. Ramos *
Introdução
         
             Este artigo tem a pretensão de analisar o contexto político da América Central em meados da década de 1980, mais especificamente os casos salvadorenho e guatemalteco e nicaragüense, que foram marcados por prolongadas guerras civis que se estenderam até meados dos anos 1990, entre os exércitos regulares destes países, grupos paramilitares (ou esquadrões da morte) de um lado, e de outro grupos guerrilheiros de esquerda, que tinham como meta derrubar as ditaduras oligárquicas destes países e instaurar um governo popular-revolucionário (leia-se socialista).
           O eixo de nossa discussão gira em torno da política externa norte-americana para a região na década de 1980, levando em consideração as peculiaridades dos conflitos locais e os atores envolvidos neste processo. A primeira hipótese defendida neste texto, é de que os o governo norte-americano agiu desta forma para reerguer a imagem da potência norte-americana, abalada desde a derrota do Vietnã. A segunda hipótese, é que a ideologia do anticomunismo das elites políticas guatemalteca e salvadorenha, e o temor de se repetisse uma revolução como a que ocorreu na Nicarágua em 1979,foi a justificativa para uma repressão massiva contra os movimentos insurgentes de esquerda, que de todo modo acabou convergindo com a estratégia geopolítica norte-americana. 
          No plano externo, vivia-se os últimos anos da Guerra Fria e a estratégia de Washington pouco mudou – com exceção do governo Carter (1977-1981) – em relação ao apoio aos regimes autoritários da América Latina. Após a Revolução Sandinista na Nicarágua em 1979, o governo Ronald Reagan (1981-1989) viu a chegada dos revolucionários nicaragüenses ao poder como uma “ameaça à segurança interna dos Estados Unidos”, e por esse motivo não exitou em dar apoio tácito aos grupos contra-revolucionários nicaragüenses, e aos regimes militares de El Salvador e Guatemala, treinando as forças de segurança destes países e fornecendo apoio bélico e financeiro. A ação repressiva das Forças Armadas e dos grupos paramilitares com o objetivo de destruir as organizações guerrilheiras e dissuadir a população de apoiar a guerrilha, na maioria das vezes cometiam violações dos direitos humanos em larga escala, que incluía torturas e execuções sumárias de supostos colaboradores e simpatizantes das organizações guerrilheiras.1   
              Para efeito deste artigo, tomaremos como método de análise o conceito de cultura política utilizado por Kuschinir e Carneiro, com base no que definiram Almond e Verba, que seria um “conjunto de atitudes, crenças e sentimentos que dão ordem e significado a um processo político, pondo em evidência as regras e pressupostos nos quais se baseia o comportamento de seus atores.”2 Neste sentido, o conceito nos ajuda a detectar três culturas políticas distintas no nosso objeto de análise, que são: a das esquerdas revolucionárias, que tem como pressuposto a tomada do poder do poder do Estado através da luta armada e a instauração de um regime socialista; a das oligarquias nacionais, que são conservadoras na sua essência, anticomunistas e autoritárias.
               Um terceiro elemento presente neste conjunto é a atuação dos Estados Unidos, que desde o século XIX intervem nos conflitos da região, seja influenciando na escolha de governantes, seja ocasionalmente utilizando a força militar para derrubar governos considerados “hostis”, por exemplo as diversas intervenções de fuzileiros navais norte-americanos na Nicarágua da segunda metade do século XIX até 19333. Ao todos os norte-americanos fizeram 40 intervenções na América Central e no Caribe desde o século XIX4, isso sem entrar em detalhes sobre a derrubada de um governo nacional reformista na Guatemala em 1954, que aliás inaugurou a era da Guerra Fria na América Latina, e invasão da Baía do Porcos em Cuba em 1961, por mercenários cubanos treinados em território norte-americano.
           A partir de então regimes políticos oriundos de golpes de Estado e controlados direta ou indiretamente por militares, serão a tônica preponderante em parte considerável da América Latina, consubstanciados pela Doutrina de Segurança Nacional e municiados pela doutrina de guerra anti-subversiva, vão dirigir os destinos de milhares de latino-americanos por cerca de vinte anos. Mas será na América Central, nos anos finais da Guerra Fria, que estratégia da geopolítica hemisférica de Washington atingiu maior grau de violência, o que ficou evidente no apoio aos regime salvadorenho e guatemalteco, e as tentativas de desestabilização do governo sandinista da Nicarágua.    

A “doutrina Reagan” na prática: assistência militar
          
         Que  o  governo  norte-americano  financiou  e  sustentou  as  ditaduras militares latino-americanas durante vinte anos, isso é amplamente conhecido pela historiografia e pela ciência política. No entanto, o que ocorreu na América Central durante a década de 1980, num contexto em que a maioria dos regimes militares do Cone Sul passava pelo processo de transição democrática, foi um novo reforço no foco da administração do conflito leste-oeste pelo que ficou conhecido como “doutrina Reagan”, cuja essência consistia em apoiar grupos anticomunistas em várias partes do mundo, e que eram rotulados de “democratas” -  como por exemplo, a UNITA em Angola, os Contras da Nicarágua e os Munjahedins no Afeganistão. Esse apoio era considerado essencial à segurança dos Estados Unidos, numa época em que as relações bilaterais leste-oeste já eram bem menos tensas que há vinte anos antes, e bloco socialista dava evidentes sinais de crise. Entretanto, o anticomunismo foi a justificativa de Washington para derrotar o comunismo por meios militares,mesmo tendo informações que os militares guatemaltecos e salvadorenhos cometiam graves violações dos direitos humanos. 
             Com relação as Forças Armadas nestes países, segundo Rouquié, passaram por um processo de “americanização”5. Para termos uma dimensão deste processo, no livro O Estado Militar na América Latina, no capítulo intitulado “o sexto lado do Pentágono?”, o autor diz  que as escolas que receberam os estagiários chamados Foreign Military trainees, são diversas e com variados níveis de importância. O autor aponta que é difícil saber o impacto desta formação sobre um oficial latino-americano à primeira vista, mas levando em consideração que o livro foi escrito em 1982 – auge dos conflitos centro-americanos – sabemos que além da formação técnica a formação ideológica tinha um peso significativo. Destas escolas de aperfeiçoamento militar a mais célebre é a US Army School of the Americas , ou simplesmente Escola das Américas. 
          A Escola  das Américas ficava localizada em Fort Gulick, na área de ocupação norte-americana no canal do Panamá. A concepção de guerra interna era veiculada de modo que preparassem ideológica e militarmente os quadros das Forças Armadas dos países latino-americanos para o combate à “subversão”, ou seja, os movimentos sociais e as guerrilhas, no melhor estilo da cultura política produzida pela Guerra Fria. Contudo, a formação da Escola das Américas transmite uma lógica maniqueísta de que a população de um país é dividida entre inimigos e aliados e, portanto o “inimigo interno” precisa ser eliminado. As apostilas produzidas para fins didáticos tem títulos sugestivos como: “Que es el comunismo?”, “Ilusión comunista y realidad democrática”, “Expansión del comunismo en América Latina”, etc6. Não há a menor dúvida quanto a intenção de influenciar politicamente os alunos. 
            Os chamados  Low Intensity Conflict  (LIC – Conflito de Baixa Intensidade) ,  ou  Low Intensity War (LIW – Guerra de Baixa Intensidade), começaram a ser definidos entre os especialistas militares norte-americanos a partir de 1981, como subproduto das confrontações bélicas no então chamado Terceiro Mundo, por iniciativa do governo Reagan. A intervenção indireta norte-americana neste conflitos tinha como objetivo fortalecer os grupos anticomunistas. Este tipo de conflito, são as Guerras de guerrilhas, também chamadas de guerra irregular, insurrecional, revolucionária, terrorismo ou de forma cínica, paz violenta. Desde os anos 1960, as chamadas “Guerra de guerrilhas” somaram como um novo ingrediente na cultura política das esquerdas, principalmente com a publicação de textos teorizando este tipo de combate escritos por Ernesto “Che” Guevara, Regis Debray e Mao Tsé-Tung.
           A chamada “doutrina Reagan” é fruto da derrota norte-americana no Vietnã. Durante sua campanha eleitoral em 1980, Ronald Reagan afirmou seu compromisso de “melhorar” a imagem dos Estados Unidos perante o mundo, investindo contra os responsáveis pela derrota no Vietnã, e “recuperar para sua pátria o papel de liderança supostamente enfraquecido durante a presidência de seu antecessor Jimmy Carter”7. Deste modo o que se convencionou chamar de “doutrina Reagan” situou-se na velha tradição anticomunista norte-americana. Ela possui um aspecto globalizante – pois seu propósito é conter por meios militares inclusive, a expansão do do comunismo. Porém a aplicação prática foi no então chamado Terceiro Mundo. Segundo Rosenfeld:

“À primeira vista a “doutrina Reagan” parece familiar. Parece apta para conduzir facilmente, depois de quarenta anos de tentativas dos Estados Unidos, à contenção da União Soviética. Hoje já é diferente. Tal como praticada pelos presidentes Truman, Eisenhower, Nixon e Carter, cujos nomes também adotaram 'doutrinas' respectivas, a contenção é uma teoria defensiva relativa aos esforços para limitar  a eventual expansão do poderio soviético.
A 'doutrina Reagan' passa à ofensiva. Defende a libertação, a meta de recuperar terreno na luta pela liberdade submetida pelo comunismo. Teoricamente seu alcance é universal. Na prática, os lugares em que foi aplicada a 'doutrina Reagan' constituem um sentido particular do Terceiro Mundo, onde o controle marxista é relativamente recente e, presumivelmente efêmero.” (CUEVA,1989,p.47)
            
             A “doutrina Reagan” consubstanciou-se em ajuda militar aos governos de El Salvador e Guatemala. Durante o governo Carter, com a chamada “política dos direitos humanos”, o presidente norte-americano havia suspendido substancialmente o fornecimento de recursos militares às ditaduras latino-americanas. No final de seu mandato a Frente Sandinista de Libertação Nacional  (FSLN) chegou ao poder na Nicarágua, a partir de então, as atenções do  governo norte-americano votaram-se para a região, principalmente para El Salvador, onde a atividade guerrilheira dos diversos grupos articulados na Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional (FMLN) tomava grandes proporções e ameaçava derrotar o Estado. Antes disso o interesse dos Estados Unidos por El Salvador era ínfimo; a partir de então fariam o possível para evitar o surgimento de uma “nova Nicarágua”. Com a posse Ronald Reagan na presidência no ano seguinte, a política externa norte-americana para a região tomou um novo rumo.
 
“A partir de entonces, se visualizan los conflictos centroamericanos a través del prisma este-oeste. Mientras para el gobierno Carter la guerra civil salvadoreña 'no era uma guerra entre la URSS y los Estado Unidos sino una guerra entre salvadoreños', las nuevas autoridades denuncian la agresión soviético-cubana em el istmo. La atención se concentra em El salvador, que servirá de banco de pruebas para la nueva firmeza de Washington. 'America is back'. Se trata de vigorizar la política exterior y levantar la moral de los norte-americanos”.(ROUQUIÉ, 1994,p.183)
               
             Como  resultado  desse  novo  direcionamento político, o governo norte-americano irá gatar 1,5 milhão de dólares por dia, para impedir a vitória da FMLN entre 1981 e 1989. Durante toda a década de 1980, El Salvador será o maior receptor de ajuda militar dos Estados Unidos. O objetivo da administração Reagan, além de impedir uma provável vitória da guerrilha, era usar El Salvador como exemplo de seus esforços de impedir o “avanço do comunismo” no hemisfério ocidental.  
          Com  relação  à  Guatemala,  administração   Reagan   burlou  as  restrições impostas  pelo Congresso na época da gestão Carter,  retirando da lista de restrições diversos itens militares proibidos, permitindo também que a iniciativa privada fornecesse armamentos para a Guatemala.8 Houve transações comerciais ilegais através de outros países, por exemplo: Israel mandou para a Guatemala, a partir de 1977, uma grande quantidade de armamentos. E longo dos anos 1980, a CIA continuava operando no País, contando com uma grande estrutura orçamentária anual que chegava entre cinco e sete milhões de dólares, que muito provavelmente eram gastos em remuneração de informantes e para bancar operações clandestinas. 
             A  ideologia  anticomunista  forneceu  toda  a justificativa de sustentação por parte dos Estados Unidos destes regimes repressivos na América Central, mesmo tendo informações de eles promoviam graves violações dos direitos humanos, em muitos casos fazendo uso do terror indiscriminado nas operações de contra-insurgência, que culminava em massacres em larga escala da população civil na zona rural. Embora a CIA e as embaixadas norte-americanas soubessem que os governos salvadorenho e guatemalteco estavam implementando uma política de terra arrasada, os relatos de assassinatos coletivos eram reiteradamente abafados em nome da luta contra o comunismo internacional.
          Assim, a “doutrina Reagan” contribuiu de forma direta para a devastação política, cultural e social dos países centro americanos. Contudo, o que era considerado um conflito local de baixa intensidade foi, na verdade, uma guerra de alta intensidade, no sentido de que contribuiu para uma devastação sem precedentes na história destes países e com um enorme custo político, social, econômico, cultual e humano. Sobre um breve balanço da destruição causada pela aplicação da “doutrina Reagan” e da ação repressiva das ditaduras locais, estão entre 160 mil mortos e de dois a três milhões de pessoas deslocadas de seus locais de residência, em dez anos de conflito.9 Tudo isso justificado pela luta contra as ingerências “cubano-soviéticas”, no mesmo período em que os regimes militares do Cone Sul da América Meridional transitava rumo a democratização e os países do bloco chamado “Socialismo Real” começavam a expor suas fraturas, entrando em crise pouco tempo depois
O contexto político-social dos conflitos
         
        Aparentemente, os conflitos centro-americanos apresentam uma característica comum à primeira vista: regimes autoritários de origem militar ou com forte influência das Forças Armadas, guerrilhas de esquerda promovendo ações armadas visando a derrubada de tais governos, presença de setores da Igreja Católica junto às classes populares e apoio norte-americano aos governos ditatoriais nestes países. Porém, há algumas nuances nos três casos que vale a pena ressaltar.
          Em El Salvador, o conflito armado se arrasta desde a década de 1970. entretanto, com a Revolução Sandinista de 1979 na Nicarágua, o governo norte-americano voltou sua atenção a este pequeno país até então esquecido, temendo uma possível vitória das guerrilhas de esquerda. Até 1989, quando têm início as negociações de Paz, a situação política em El Salvador era indefinida. Nem o governo nem a FMLN tinham assegurada a vitória. A FMLN só não chegou ao poder devido à maciça assistência militar norte-americana, que como já mencionamos chegou gastar 1,5 milhão de dólares por dia durante dez anos. 
           Na Guatemala ocorre um processo inverso, apesar da aparente semelhança. O conflito armado neste país começou no início de 1960 e só terminou em 1996. A primeira vista os mesmos elementos presentes na sociedade salvadorenha também estão presentes no contexto político-social guatemalteco, porém existe outro elemento que diferencia o conflito deste país dos demais da região, que é uma clivagem étnica existente na sociedade. Cerca de 60% da população é constituída de indígenas descendentes da civilização Maia pré-colombiana, dentro desta porcentagem existe ainda cerca de vinte grupos de minorias étnicas, e muitos não falam espanhol. Os outros 40% são ladinos, isto é resultado da miscigenação entre espanhois e indígenas, grupo ao qual pertence a elite política do país. A população indígena por muito tempo foi excluída da participação política, sendo utilizada como mão de obra barata nos grandes latifúndios. Sendo assim os líderes militares guatemaltecos desenvolveram uma teoria que indicava estas populações como mais vulneráveis à penetração “subversiva”, devido ao seu modo de organização comunal, isto fez com que o conflito político neste país ganhasse contornos de um conflito étnico.
              Na Nicarágua  a  FSLN  chegou  ao  poder  após  uma  prolongada guerra civil contra o regime de dinastia Somoza, que governou o país por quarenta e cinco anos. Desde a década de 1960 a FSLN lutava contra a Guarda Nacional nicaragüense, oscilando entre derrotas e vitórias ao longo de sua existência. A partir da década de 1970, o conflito civil nicaragüense foi tomando grandes proporções, culminando em 1979 com a queda do ditador Anastácio Somoza. Os Estados Unidos apoiaram desde a década de 1930 a dinastia Somoza, desde que o primeiro Somoza, pai do último ditador, assassinou Augusto César Sandino, que havia lutado contra a ocupação norte-americana de seu país no final da década de 1920. 
          Com  a  vitória  dos  Sandinistas, o governo Reagan a partir de 1981 passa a apoiar fornecendo recursos financeiros, armas e treinamento a partir de Honduras, uma coalizão contra-revolucionária mais conhecida como Contras, formada por ex-soldados da Guarda Nacional do governo deposto, e mercenários pagos, com objetivo expresso de desestabilizar o governo sandinista. Este acontecimento rendeu uma das mais graves crises da história política recente dos Estados Unidos, o caso Irã-Contras.
          O caso foi denunciado na imprensa em 1986, tratou-se de escândalo de corrupção com a venda de armas protagonizada pela CIA ao Irã. As armas chegavam ao Irã via Israel, em troca os iranianos deveria interceder pela libertação de reféns norte-americanos seqüestrados pelo Hezbollah no Líbano, o dinheiro das transações iam para contas na Suíça operadas pelos Contras da Nicarágua. Este episódio atingiu em cheio a administração Reagan, causando a demissão do assessor de Segurança Nacional do governo, almirante John Poindexter e seu subordinado tenente-coronel Oliver North, este último tido como o principal responsável pela operação. Na verdade esta operação era parte da política externa norte-americana contida na “doutrina Reagan.”             
      Sem nenhuma sobra de dúvidas a Revolução Sandinista na Nicarágua trouxe uma energia renovada aos guerrilheiros salvadorenhos e guatemaltecos e ao mesmo tempo fez com que os Estados Unidos voltasse sua atenção ao istmo central, através da “doutrina Reagan”, objetivando neutralizar a ofensiva das organizações guerrilheiras. A partir de então as organizações guerrilheiras salvadorenha e guatemalteca começaram a se organizar de forma semelhante à FSNL, que congregava grupos de direcionamentos políticos diversos. Estas organizações com níveis de mobilização e organização do grupos armados diferem de um país para outro: partidos, guerrilhas e frentes de massas combinam-se de acordo com esquemas nacionais característicos e singulares. 
          É evidente que em El Salvador, um país com território pouco menor que o Estado de Sergipe e sem montanhas e florestas de difícil acesso, a estratégia do foco guerrilheiro era inviável. A fermentação social, “as práticas de autodefesa e o caráter insurrecional das organizações populares estimularam a criatividade dos revolucionários salvadorenhos.”10 Lá as organizações guerrilheiras estavam inseridas nos movimentos nos movimentos sociais. Funcionavam como braço armado dos partidos de esquerda e das organizações populares. Havia cerca de dez organizações de esquerda em atividade em El Salvador na década de 1980, com graus variáveis de diferenças ideológicas e estratégicas. 
             No começo da década de 1980, a repressão política em El Salvador atingiu a sociedade com um grau de violência sem precedentes. Nas cidades as forças de segurança matavam e faziam “desaparecer” todos aqueles suspeitos de serem simpatizantes da “subversão” de esquerda, sindicalistas, dirigentes de movimentos sociais, estudantes e professores universitários. No interior, os esquadrões da morte andavam a solta disseminando o terror na zona rural, frequentemente promovendo execuções em massa de camponeses acusados de colaborar com as guerrilhas.
          A vida cotidiana em muitas regiões do país era um campo de batalha, estima-se que número superior a a três mil pessoas foram assassinadas só entre 1980-81, segundo dados da Anistia Internacional. De 1981 até 1989 a situação em El salvador era de um impasse militar, mesmo com a “doutrina Reagan” colocada em prática pelos norte-americanos e governo salvadorenho recebendo 1,5 milhão de dólares por dia em assistência militar, não conseguiram derrotar a FMLN. O conflito só terminou em 1991 através de negociações de paz iniciadas em 1989 dirigidas pela ONU.
              O conflito civil guatemalteco é o mais antigo da América Central, porém em relação aos movimentos guerrilheiros, tem muito pouca similaridade com seus homólogos salvadorenhos e nicaragüenses, tanto em matéria de articulação de movimento de massas como em capacidade operativa, mas isto não significa que tenham deixado de exercer influência nos movimentos guerrilheiros dos países citados, e desde a década de 1960, os enfrentamentos entre as forças regulares e os movimentos guerrilheiros são constantes. Em 1982 foi criada a União Revolucionária Nacional Guatemalteca (URNG), formada por quatro organizações guerrilheiras, o Exército Guerrilheiro dos Pobres (EGP), Organização Revolucionária do Povo em Armas (Orpa), Forças Armadas Rebeldes (FAR) e o Partido Guatemalteco do Trabalho (PGT). No entanto ficava bem atrás da FSLN e da FMLN. 
            O começo da década de 1980 é considerado a pior fase do ciclo repressivo iniciado em 1954 com a invasão norte-americana. Em 1982 um golpe militar dirigido pelos generais Efrain Rios Montt, Horácio Maldonato e o coronel Francisco Godillo, marcou o início da fase mais violenta do conflito guatemalteco, o novo governo iniciou uma campanha de matança seletiva nas cidades que tinha como alvo: dirigentes sindicais, professores, estudantes, jornalistas e outros mais acusados de “subversão”. Na zona rural do país o morticínio foi indiscriminado, nesta fase do conflito comunidade inteiras foram dizimadas e muitas foram deslocadas de seus lugares de origem, e confinadas em campos de concentração mantidos pelo Exército, o que acabou gerando um efeito desorganizador na produção de alimentos causando fome. 
         O objetivo desta política de terra arrasada era destruir as bases sociais da Orpa e do EGP, o confinamento de pessoas em campos de concentração era para evitar que passassem colaborar com com as guerrilhas. Como na sociedade guatemalteca existe uma clivagem étnica que já assinalamos, a mistura letal entre anticomunismo e o racismo presente na sociedade deste sua formação, deu uma conotação de etnocídio ao conflito civil guatemalteco. Este prolongado conflito terminaria somente em 1996.

Considerações Finais

           Desde o processo de independência no século XIX, a América Central encontra-se submetida ao controle das oligarquias locais e às ingerências norte-americanas. Durante o período da Guerra Fria, a região foi vitimizada pelas disputas ideológicas. Mas foi na década de 1980, nos dez anos finais da Guerra Fria, que a disputa ideológica chegou a sua expressão mais violenta, transformando a região em uma das áreas mais conflituosas do mundo, ficando atrás somente de regiões da África e do Oriente Médio. A estratégia norte-americana para a América Central quase não mudou em relação às disputas leste-oeste, pelo contrário parece ter retrocedido aos anos iniciais da Guerra Fria.
          Na  avaliação  de  Huntington,  ele defende a tese  de que as sociedades que tiveram um processo rápido de mudança social e uma rápida mobilização de novos atores no teatro político, ao mesmo tempo em que o desenvolvimento das instituições políticas é lento, inevitavelmente surge o conflito dessa relação, ou seja, é o esforço de alcançar a modernidade de gera o conflito. Para este autor, a política externa norte-americano do pós-Segunda Guerra mundial para os países em desenvolvimento “foi em grande medida dedicada a  promoção do desenvolvimento econômico e social, porque isso levaria a estabilidade política”11.
          Ora, a experiência democrática de dez anos que passou a Guatemala, foi nada mais que uma série de políticas implementadas no sentido de modernizar o sistema politico e econômico do país dentro dos trâmites da relação capitalista, os experts do governo e da mídia dos Estados Unidos, diziam que a Guatemala era uma base avançada do comunismo internacional. Para levar adiante seu plano de derrubar o governo democrático da Guatemala os norte-americanos aliaram-se com o que tinha de mais reacionário na sociedade guatemalteca as oligarquias latifundiárias e o clero conservador.
            Nos anos 1980, pós-Revolução Sandinista,  com  a aplicação da “doutrina Reagan”, a ajuda norte-americana às ditaduras centro-americanas, continuou no sentido de tentar impedir a todo custo que se repetisse outra revolução nos moldes da houve na Nicarágua. Desse modo a política externa norte-americana do governo Reagan, tornou-se um dos fatores de desestabilização nestes países. Tentando modificar o status quo nos seus países os guerrilheiros guatemaltecos e salvadorenhos animados com o sucesso da Revolução Sandinista na Nicarágua, lançaram ofensivas contra os governos de seus países tentando por fim as gritantes desigualdades sociais. Estes conflitos se arrastaram por uma década, produziram uma devastação social nestes países cujas conseqüências chegam até aos dias atuais. 
            Nos três países  centro-americanos que citamos neste artigo, os conflitos chegaram ao fim após prolongadas negociações de paz. Na Nicarágua, a guerra civil entre o governo e os Contras exauriu o Estado e contribuiu para a derrota eleitoral dos sandinistas em 1990, e em 2006 os sandinistas retornaram ao poder, elegeram novamente Daniel Ortega presidente do país. Em El Salvador, a FMLN legitimou-se como força política, e em 2009 chegaram ao poder por via democrática com a eleição de Maurício Funes. Na Guatemala as forças políticas que compunham a  URNG vem ganhando espaço no jogo institucional apesar de certas limitações do sistema, e os movimentos sociais ligados a entidades de defesa dos direitos humanos, vem tentando levar aos bancos dos réus os responsáveis pela repressão nos anos 1970 e 1980 entre eles o ex-ditador Efrain Rios Montt e outros membros de seu governo.  {mosimage}     Notas

*    Especialista em História e Culturas Políticas, Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
1    . Ver o Relatório da Anistia Internacional de 1982. 
2    . KUSCHINIR e CARNEIRO. As dimensões subjetivas da política. 1999, p.227.
3    . Ver ROUQUIÈ. Guerras y paz en América Central. 1994, p.25-26.
4    . URÁN. Nacionalismo, militarismo e dominação na América Latina. 1987, p.261-264. 
5    . ROUQUIÉ, O Estado Militar na América Latina.1984, p. 164.
6    . Idem, 1984, p.164.
7    . SELSER, Conflito de baixa intensidade, a nova denominação de contra-insurreição,in: CUEVA, Tempos Conservadores, 1989, p. 46.
8    . GRANDIN, A Revolução Guatemalteca, 2002, p.112.
9    . ROUQUIÉ, 1994, p.361.
10    . ROUQUIÉ, 1994, p. 145.
11    . HUNTINGTON, El orden político en las sociedade en cambio, 1972, p.48.

 
Referências

ANISTIA INTERNACIONAL. Relatório de 1982. Petrópolis: Vozes, 1983

BERSTEIN, Serge. A cultura política, in: DIOUX, Jean Pierre. Por uma história cultural. Lisboa: Estampa, 1998

CENTRO DE ESTUDIOS DEMOCRÁTICOS DE AMÉRICA LATINA (CEDAL). Guatemala: la dura lucha por la liberdad. Ducumentos de la conferencia internacional de solidariedad com el pueblo de Guatemala. La Catalina Sta. Bárbara de Heredia, Costa Rica, mayo 1980

CUEVA, Augustín (org.). Tempos conservadores. São Paulo:Hucitc, 1989

GRANDIN, Greg. A Revolução Guatemalteca. São Paulo: Unesp, 2002

HUNTINGTON, Samuel. El orden político en las sociedades en cambio. Buenos Aires: Paidos 1972

KUSCHNIR, Cristina e CARNEIRO, Leandro. As dimensões subjetivas da política: cultura política e antropologia política. Rio de Janeiro: Estudos Históricos vol. 13, nº24, p.227-250, 1999.

LÖWY, Michael. O marxismo na América Latina: uma antologia de 1909 aos dias atuais. São Paulo:  Perseu Abramo, 2006

MONTGOMARY, Tomie Sue e WADE, Cristine, A Revolução Salvadorenha. São Paulo: Unesp, 2003

ROUQUIÉ, Alain Guerras y paz en América Central. México: Fondo de Cultura Económica, 1994

 ______________ O Estado militar na América Latina. São Paulo: Alfa-Omega, 1984

URÁN, Ana Maria Biedegain. Nacionalismo militarismo e dominação na América Latina. Petrópolis:Vozes, 1987    
RAMOS, Luiz Fernando. Conflito de Baixa Intensidade, Guerra de Alta Intensidade: A “doutrina Reagan” em ação na América Central . Rio de Janeiro: Revista Eletrônica Boletim do TEMPO, Ano 4, Nº17, Rio, 2009 [ISSN 1981-3384]

 

É totalmente descabida a comparação entre Kony 2012 e a campanha em defesa dos Awá. Primeiro, a ONG que organizou o Kony2012 tinha problemas de credibilidade antes mesmo de lançar a campanha; a campanha em si também foi colocada em questão, porque teria uma agenda belicista e se referia a uma realidade de seis anos atrás. No caso da campanha pelos Awá, a Surivival International é uma ONG respeitabilíssima, que existe desde 1969 em defesa de povos originários em todo o mundo. Eles não defendem intervenção militar e estão chamando a atenção para um problema premente que não recebe cobertura da imprensa, nacional ou estrangeira.

O comentarista acima não apresenta qualquer argumento para desqualificar a campanha, além da analogia pífia de mera xenofobia. A Surivival International tem um histórico de "neo-imperialismo"? Todos os estrangeiros são iguais? O que o autor sabe sobre a realidade? Há erro factual na matéria do Guardian? O Guardian falou com indígenas e membros da SI - e só não falou com representantes do governo brasileiro, porque este não quis dar declaração a respeito. Os procedimentos jornalísiticos básicos foram seguidos. 

Deveríamos receber de braços abertos a crítica construtiva, venha de onde vier, que pode ajudar a conter alguns dos aspectos mais nefastos do desenvolvimentismo brasileiro. O autor do post indica que em 1999 os Awá contavam com 260 e hoje têm algo como 355, para concluir que está tudo bem. Esquece de que nesse meio tempo houve o boom das commodities e intensificou-se a expansão da fronteira agrícola. As vítimas desse processo, onde o Estado é ausente, são os mais vulneráveis.

Dizer que "O principal objetivo desta campanha é atingir a nossa imagem. Criar animosidade contra o Brasil e o governo.Um meio para fazer com fiquemos mais dóceis e receptivos do que já somos à ingerência externa" - sem que se apresente qualquer evidência para se chegar a tal conclusão - é pura teoria conspiratória xenófoba. Quem atinge a nossa imagem somos nós mesmos, sempre que deixamos desamparados aqueles mais vulneráveis da nossa sociedade, diante da força brutal de um desenvolvimentismo inescrupuloso e muitas vezes criminoso, longe das cidades, do Estado e da imprensa nativa. Triste que seja necessário uma ONG e um jornal estrangeiros para que tomemos conhecimento e sejamos instados a agir do sofrimento do povo Awá. Isso sim é o que deveria preocupar-nos.

 

Bom, pouquissima gente deu atenção, mas o "Kony2012" era um vídeo visando uma divulgar uma "grande ação mundial de conscientização" sobre o ´problema Kony´.

A idéia era: Veja o vídeo - fique emocionado - queira fazer parte - compre o "kit divulgação" no site da nossa ong - Na data indicada cole os cartazes e divulgue KONY2012 por aí!


Qual era a data indicada? 20 de abril de 2012.

Sexta passada.

Foi um fracasso incrível.

http://www.guardian.co.uk/world/2012/apr/21/kony-2012-campaign-uganda-warlord

"Kony 2012 Cover the Night fails to move from the internet to the streets"

O caso é que as pessoas sacaram que a história do tal 'Kony' era mal contada.

E se sentiram constrangidos de ter "caído no conto" em primeiro lugar.

Coisa que aconteceu também com o finado "Movimento Gota D´água" por aqui.

Lembra?

Tambem foi considerado um "VIDEO MUITO ESCLARECEDOR E POLÊMICO"

Hoje em dia... cadê gota d´água?

Na época falaram que até o Leonardo Di Caprio vinha dar apoio ao Gota D´água

Se bobear, esse aí Survival International aí é o "Gota D´água Reloaded"

 

Cara, tá cada vez mais difícil acreditar nessa "Boa vontade de estranhos que nunca fizeram nada por ninguém e de repente chegam com um vídeo lindo na internet botando a culpa de tudo em uma única pessoa/governo"

 

Não procede essa comparação. A Invisible Children, ONG que organizou o Kony2012, já sofria críticas de diferentes setores, no próprio EUA inclusive.

A Surival International, por outro lado, tem história, tem reputação e é respeitada. 

Dá medo esse nacionalismo reacionário que acha que qualquer crítica vinda de fora é necessariamente uma afronta à soberania. Não, às vezes é uma ajuda necessária e deveríamos saber diferenciar e aproveitar a ajuda para impor limites ao setor do agronegócio, que manda e desmanda em nosso país. A verdadeira ameaça ao Brasil não vem de fora, não vem de ONGs, é muita insegurança pensar isso. A verdadeira ameaça ao Brasil vem do próprio Brasil, e são esses setores que estão destruindo o nosso país, sem qualquer preocupação com as futuras gerações e à margem de qualquer ética ou lei, em busca de lucro rápido e fácil.

 

Você tem toda a liberdade pra acreditar no que quiser, cara. Eu tou fora. Não caio nesses contos não.

 

Concordo. Essas campanhas midiáticas não valem nada.

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Quanto tempo, você não atualiza mais o seu blog ?

 

Acho extremamente salutar que se busque a verdade. Simplesmente a verdade, ou seja, os fatos. É isso que esse debate pode propiciar. Ou não. Se tomarmos uma postura mental simplória, achando que ONGs como a Survival são meras fachadas para o imperialismo dos outros, corremos o risco de nos enganarmos a respeito de nosso próprio imperialismo, e sim, de nos enganarmos dos riscos de agirmos efetivamente como genocidas.

E quem são esses "nós"? Oras, do ponto de vista de um outro povo, sejam os indígenas no Brasil ou os ingleses, aqueles latifundiários, madeireiros, mineradores ou seja lá quem for que esteja praticando violência contra os índios, são todos brasileiros, simplesmente brasileiros não indígenas. Ou seja, somos nós, todos nós. É claro que do nosso ponto de vista (nós, críticos dessas atitudes, não-latifundiários, não-madeireiros e não-mineradores), os agressores dos indígenas não somos "nós", mas outros, são simplesmente bandidos.

Desconfiar das atitudes de "outros", os que não são "nós", é normal. Acharmos que os estrangeiros estão manipulando ONGs para tomar a Amazônia é um pensamento compreensível. Da mesma forma que dizer que "os brasileiros" estão massacrando os índios também. Mas já passamos desse ponto. Já avançamos nisso. Se é preciso ser vigilante com ONGs de fachada, significa que é preciso discernir as que não são. No caso da Survival, já está mais do que provado que não se trata de um escritório do imperialismo britânco. Isso não significa que não haja discordância em relação a alguma de suas posturas. Isso dá um baita trabalho, pois precisamos nos atualizar de um debate realmente complexo, que vem ocorrendo principalmente em meios acadêmicos, a respeito de qual é a melhor maneira de se lidar com uma imensa diversidade cultural, cuja existência física (a vida humana) é extremamente frágil. Não dá (ainda) para comemorar que todo um povo, seus conhecimentos, sua do mundo, sua língua e suas próprias respostas sobre o que é a vida, tenha passado de 260 para 355 pessoas. Por outro lado, encerrar todo um povo em uma bolha para que não mudem seu modo de vida é um grande erro, e essa é a proposta de uma parte dessas ONGs. Cada povo é um povo, e cada um deles vive uma situação histórica específica. Esse é o desafio - há mais de 220 diferentes povos indígenas no Brasil. Este gigante, este país continental, tem uma complexidade social do seu próprio tamanho.

Se nos denunciam lá fora porque praticamos genocídio, é porque de fato, hoje, em pleno 2012, ainda o fazemos. Se somos omissos em relação a isso, nossa omissão é o mesmo que conivência. Nossa atitude deve ser a de calar essas ONGs, não pela força, mas mostrando que não são todos os brasileiros que concordam com o que vem acontecendo, com as práticas deploráveis de maus brasileiros, assassinos em massa (desde o latifundiário ou minerador que leva roupas contaminadas de hospitais para os índios sem defesas imunológicas, até as práticas de Estado, como a  denúncia recente de que os militares pulverizaram agentes químicos dizimando aldeias inteiras para a construção de estradas).

Devemos cobrar que as ONGs forneçam informações menos simplistas, e que sejam propositivas, ao invés de apenas serem denuncistas (existe "denuncista"?). Mas devemos cobrar com a mesma veemência que os maus brasileiros cheguem às barras dos tribunais, que sejam condenados e que efetivamente cumpram a condenação. E por último, lembro que muitas coisas ainda são necessárias para o amadurecimento desse debate, e  dentre elas, informação. Temos uma imprensa com grandes poderes para produzir esquecimento e desinformação, superar isso é um grande desafio.

 

Uélintom

A grande diferença entre seu comentário e alguns outros e que ele traz informações e permite reflexões.

Essa  é a grande diferença entre os analistas democráticos e aqueles que se acham democráticos.

Os que se "acham" arrotam arrogância e comentam como se fossem defensores da verdade única.

Tentam atacar, como o Post deixa claro, a questão indígena atacando questões de ONGs. Essa é a forma enviezada no tratamento de uma notícia que tanto criticamos quando se refere à grande imprensa e permitimos esta mesma forma de matéria aqui no blog.Essa forma criminosa de tratar a matéria pode ser observada na passagem:

"Claro que violência fundiária ocorre no Brasil, mas o terrível quadro atual mostrado pelos britânicos é verdadeiro até que ponto?

Os números apresentados e a situação desesperadora foram informados pela ong international survivor".

Se a intenção fosse trazer fatos para o conhecimento e reflexões bastava uma simples pesquisa no google para ver que quem afirma isso não é a ONG e sim um juiz de direito do Brasil e a própria FUNAI:
http://www.xingu-otomo.net.br/funai-alerta-para-risco-de-genocidio-de-in...

Se quisesem informar mais ainda, trariam ao conhecimento do blog a grande crise que atinge a região como pode ser vista  nos sites abaixo, do Ministério Público e do Poder Judiciário:

http://noticias.pgr.mpf.gov.br/noticias/noticias-do-site/copy_of_indios-...

http://www.ma.trf1.gov.br/aviso/sentenca-awa.pdf

Bravo, belíssimo comentário

 

É difícil acreditar na pureza de princípios ou inteligência de quem se solidariza com ONGs internacionais. Jovens caucasianos de países ricos, de uma juventude cada vez menos solidária e mais autocentrada, egoísta e hedonista, vão dedicar suas vidas pelo amor às crianças de Uganda sem nenhuma grande contrapartida? Trabalharão pelo amor às criancinhas awás de graça? Porque ninguém pergunta quem financia superproduções cinematográficas como o Kony2012, quem paga as suas contas (no kony2012 aparece o filho de um dos principais produtores, que duvido que está sofrendo qualquer privação material em nome do suposto amor do pai pelas crianças de Uganda), de onde vem os fundos que fazem generosíssimas doações a essas mesmas ONGs? O Colling Ferrel está fazendo isso só por amor às criancinhas awás?

E é difícil acreditar que país que permite que ONGs internacionais operem nas suas fronteiras vai ser qualquer coisa importante algum dia. Quem tem responsabilidade com as criancinhas awás são as autarquias, os estados e a federação, e os respectivos órgaos competentes como o ministério público, e ponto. País que se quer grande não pode permitir que dinheiro internacional financie projetos sociais sem passar diretamente pelas mãos das autoridades locais constituidas. 

Mas é complicado esse tipo de crítica no Brasil atual. De um lado, os arcaicos neo-liberais, profetas devotos de tudo que vem de fora, ONGs inclusive, e de outro o PT, atolado em todos os tipos de promiscuidades com ONGs de todo tipo em nome de uma suposta capilaridade do partido. É daquelas fotografias que ninguém quer ver porque ninguém ficou bem nela certamente.

 

É preciso lembrar que as portas brasileiras foram abertas pras ONGs bem antes do governo do PT.

 
Re: A campanha da ONG Survival International
 

Mais uma razão para cerrarmos, enquanto sul-americanos, fileiras contra o neo-missionarismo imperialista. Só enquanto continente unido é que conseguiremos nos defender contra essas e outras provocações tentativas de interferências bélicas, como sofreu a Líbia.

 

Joaquim Aragão

Re: A campanha da ONG Survival International
 

Do comentarista Rebolla:

"O principal objetivo desta campanha é atingir a nossa imagem. Criar animosidade contra o Brasil e o governo.Um meio para fazer com fiquemos mais dóceis e receptivos do que já somos à ingerência externa."

E a outra história:

Conheça pontos de tensão para povos indígenas na América Latina

Há, atualmente, centenas de conflitos em curso na América Latina que opõem povos indígenas a empresas, políticos e governos locais.

Para especialistas ouvidos pela BBC Brasil, esses confrontos têm ganhado força à medida que pouca ou quase nenhuma garantia é oferecida a essas comunidades de que seus direitos e territórios serão preservados face à expansão urbana.

Muitos deles envolvem a construção de obras de infraestrutura e a exploração de recursos naturais.

Confira alguns desses conflitos ainda em andamento na região:


Mapa de pontos de tensão para indígenas na América Latina

ARGENTINA Subsecretaría de Turismo de Neuquén

 

Onde: Neuquén

O quê: Exploração de cobre

Índios mapuche das comunidades de Mellao Morales e Huenctru Trawel Leufú tentam desde 2008 anular um contrato para exploração de cobre dentro de suas reservas. Segundo eles, a extração do metal viola legislações indígena e ambiental. Obras foram paralisadas por decisões judiciais até que eles sejam consultados.

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BOLÍVIA ABI

 

Onde: Território Indígena Parque Nacional Isiboro Secure (Tipnis), províncias de Beni e Cochabamba.

O quê: Construção de estrada.

Indígenas dizem que a rodovia, que será financiada com dinheiro do BNDES e construída por uma empresa brasileira, afetará povos do parque Tipnis. Protestos realizados no ano passado paralisaram a construção. O governo local alega que consultará os índios antes de retomá-la.

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 ABI

 

Onde: Pacajes, La Paz.

O quê: Exploração de cobre.

Índios afirmam que a exploração de minerais na reserva de Jach’a Suyu Pakajaqui, com investimentos de US$ 200 milhões, foi iniciada sem licença ambiental , além de ter desviado o curso de um rio e tê-lo poluído. A comunidade

recorreu à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) para tentar paralisar o empreendimento.

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BRASIL Verena Glass/Xingu Vivo

 

Onde: Altamira (Estado do Pará).

O quê: Usina hidrelétrica de Belo Monte.

Índios de 28 etnias que vivem na bacia do rio Xingu dizem que a obra reduzirá o fluxo do rio, afetando os peixes, e

atrairá imigrantes à região. Eles também afirmam que não foram consultados sobre o empreendimento e tentam paralisá-lo na Justiça.

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 Wikicommons

 

Onde: Nordeste de Minas Gerais e região Nordeste.

O quê: Transposição do rio São Francisco.

Movimentos indígenas dizem que ao menos 18 povos, alguns dos quais não têm territórios demarcados pelo Estado, podem ser afetados pela obra com as mudanças n a transposição do rio. Também alegam não ter sido consultados. Um grupo denunciou as consequências desastrosas da obra à ONU.

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CHILE Donmatas1

 

Onde: Fronteira com Argentina.

O quê: Exploração de ouro.

Indígenas huascoaltinos se opõem ao Projeto Pascua Lama, iniciado há dez anos. Os índios dizem arcar com prejuízos ambientais causados pelo empreendimento e denunciaram o Estado chileno na Comissão Interamericana de Direitos Humanos.

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COLÔMBIA

Onde: Tumaco (Nariño) - Puerto Assis (Putumayo).

O quê: Corredor de transporte intermodal.

Índios dizem que o projeto bilionário, que está em fase de estudos e busca ligar Tumaco, no Pacífico, a Belém, no Brasil, atravessaria territórios indígenas ancestrais e não foi submetido à consulta prévia, conforme determina a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

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EQUADOR

Onde: Manta (Manabí).

O quê: Corredor de transporte intermodal.

Em curso, as obras destinadas a ligar a cidade equatoriana de Manta, no Pacífico, a Manaus, incluem estradas, aeroportos e conex ões fluvia is . Índios afirmam que elas afetarão territórios ao longo do rio Napo e alegam não ter sido consultados sobre projeto.

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 Wkicommons

Onde: Parque Nacional Yasuní (Pastaza, Orellana).

O quê : Exploração petrolífera.

Batizado de Projeto ITT, o empreendimento ameaça povos equatorianos não contatados, segundo organizações indígenas locais. Elas exigem que o governo garanta a integridade dos territórios indígenas, conforme diretriz da ONU para povos isolados.

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GUATEMALA Wikicommons

 

Onde: San Juan Ostuncalco, Cabricán e Huitán (Quetzaltenango).

O quê: Mineração de ouro.

Índios tentam paralisar exploração aurífera iniciada em 2005 na região. Eles dizem que os rios foram contaminados e que a riqueza não beneficia a população local.

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MÉXICO Wikicommons

 

Onde: Bolaños-Huejuquilla (Jalisco).

O quê: Construção de estrada.

Comunidade indígena dos huicholes (wixárika) lutam desde 2005 contra a construção da rodovia , que ligará Bolaños a Huejuquilla. Eles dizem que as obras estão desalojando índios, destruindo locais sagrados e afetando mananciais.

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PANAMÁ Proyecto MesoAmérica

 

Onde: Panamá.

O quê: Estradas e integração elétrica.

Destinado a integrar a América Central com a Colômbia, ao sul, e com o México, ao norte, o plano Puebla-Panamá (rebatizado de Projeto Mesoamérica) prevê investimentos bilionários em rodovias e instalações elétricas. Povos indígenas da região reivindicam serem consultados sobre obras e temem seus efeitos.

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PERU Wikicommons

 

Onde: Departamento de Madre de Díos.

O quê: Rodovia e exploração de petróleo e gás.

Movimentos indígenas dizem que estrada Interoceânica, ligando o Peru ao Brasil, facilitou migração para a Amazônia peruana de mineradores, que invadem territórios indígenas, poluem rios e caçam ilegalmente. Eles cobram que governo restrinja a ação desses grupos e freie a prospecção de petróleo e gás na região.

 

Índios usam diplomacia como nova arma em luta por direitos

João Fellet

Enviado especial da BBC Brasil à fronteira Brasil-Peru

 

Atualizado em  24 de abril, 2012 - 08:42 (Brasília) 11:42 GMT

 Coica - Coordenação das Organizações Indígenas da Bacia Amazônica)

Participantes de oficina aprendem sobre ferramentas do direito internacional que podem favorecê-los em disputas

Para ampliar o arsenal dos índios em disputas com governos e empresas, a maior organização indígena da bacia amazônica tem estimulado movimentos afiliados a recorrer a organismos internacionais. A estratégia motivou a criação de uma "Oficina de Formação em Diplomacia Indígena", cuja primeira edição ocorreu no ano passado e que deve se repetir em 2012.

Organizada pela Coordenação das Organizações Indígenas da Bacia Amazônia (Coica) e pela Agência Espanhola de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento (Aecid), a oficina reuniu, em maio de 2011, líderes indígenas de nove países amazônicos em Cartagena, na Colômbia.

Índios sem fronteiras

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Segundo o coordenador técnico da Coica, Rodrigo de la Cruz, há várias ferramentas do direito internacional que podem favorecer os índios em disputas, mas que são pouco usadas.

Com uma diplomacia unificada, diz ele, os indígenas ganham força e seus pleitos têm maior ressonância em organizações internacionais simpáticas a suas causas, como a ONU e a OIT (Organização Internacional do Trabalho).

Na oficina, ministrada por especialistas em direito internacional e representantes de organizações multilaterais, os participantes também foram informados sobre técnicas de persuasão e resolução de conflitos.

Convenção 169

Membro da Comissão de Peritos na Aplicação de Convenções da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e também ministro do Tribunal Superior do Trabalho (TST), o brasileiro Lélio Bentes Corrêa diz que as discussões na oficina foram "bastante proveitosas".

Ele enfocou em sua exposição a Convenção 169 da OIT, que determina consulta a povos indígenas a respeito de obras ou políticas que possam afetá-los.

Aprovada em 1989 e ratificada ao longo dos 20 anos seguintes por boa parte dos países latino-americanos (o Brasil o fez em 2002), a convenção é tida como um dos principais trunfos dos movimentos indígenas em suas disputas com os governos.

Corrêa diz que, no encontro, foram abordados o alcance da convenção e formas de extrair o máximo dela em benefício dos povos indígenas.

Ele afirma que, ainda que a convenção não garanta aos índios o direito de vetar empreendimentos, exige que governo e empregadores promovam a consulta de boa fé e de forma acessível.

Além disso, diz que os resultados da consulta devem ser levados em conta pelos governantes.

"Não adianta fazer a consulta em termos técnicos se os representantes dos indígenas não têm formação técnica para discutir em pé de igualdade. A consulta deve ter o objetivo genuíno de atingir uma solução satisfatória para todas as partes envolvidas, ou seja, não pode ser uma mera formalidade."

Caso a convenção não seja respeitada por algum país que a ratificou, explica Corrêa, os índios podem comunicar os peritos da OIT, que por sua vez poderão levar o caso ao conhecimento de outros governos e associações de trabalhadores e empregadores representadas na OIT.

Em último caso, diz o ministro, a situação poderá ser exposta na Conferência Internacional do Trabalho, evento ocorrido todos os anos, com potencial constrangimento aos infratores da convenção.

Além desse recurso, Corrêa afirma que a OIT dispõe de um mecanismo de queixas, que pode ser acionado pelos indígenas por intermédio de sindicados ou organizações de empregados que os representem.

Fórum da ONU

Na oficina, os líderes indígenas também foram informados sobre as implicações da Declaração da ONU sobre Direitos dos Povos Indígenas.

Aprovada em 2007, a declaração lista as responsabilidades dos Estados nacionais na promoção dos direitos de povos indígenas, como os referentes ao acesso a terras e à preservação de sua cultura.

O cumprimento da declaração é acompanhado pelo relator especial da ONU para Povos Indígenas e Tribais e pelo Fórum Permanente da ONU para Assuntos Indígenas.

Segundo Corrêa, os líderes presentes na oficina foram orientados sobre como se beneficiar dessa instância e sobre como abastecer o relator especial com informações.

Outro mecanismo apresentado aos líderes foi a possibilidade de acionar a Comissão Interamericana de Direitos Humanos, órgão vinculado à Organização dos Estados Americanos (OEA), quando julgarem que os Estados nacionais não resguardaram seus direitos em algum caso.

Se a comissão julgar a queixa procedente, poderá levá-la à Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), cuja jurisdição se aplica a 21 países latino-americanos, entre os quais Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, México, Paraguai, Peru, Venezuela e Uruguai.

Ao contrário dos mecanismos da OIT e da ONU referentes a povos indígenas, a CIDH tem o poder de fixar compensações ou indenizações às partes prejudicadas.

O mecanismo já foi acionado por movimentos indígenas brasileiros no caso da construção da usina hidrelétrica de Belo Monte, no Pará. Argumentando que índios nos arredores da construção não foram consultadas sobre a obra, os movimentos conseguiram fazer com que a comissão pedisse, em abril de 2011, a suspensão das obras.

Em protesto, o Brasil convocou seu embaixador na OEA para consultas, mas enviou uma carta à comissão com informações técnicas sobre o licenciamento do empreendimento. O caso foi encerrado em agosto, quando a comissão recuou do pedido.

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 O Censo Demográfico realizado em 2010 no Brasil encontrou 817 mil pessoas que se declaram indígenas no Brasil, o que representa 0,42% do total da população brasileira, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O número representa um crescimento de 11% em relação ao registrado no Censo de 2000, quando 734 mil pessoas se declararam indígenas..
 O Censo de 2010 trará ainda informações mais detalhadas sobre a população indígena, como etnia a que pertence e as línguas faladas, porém esses dados só deverão ser lançados a partir de abril de 2012. Será a primeira vez que um censo demográfico no Brasil levanta essas informações. 

 

 A população do Brasil cresce 8,4% e atinge 193.987.291 habitantes em 2011, segundo dados do divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas). O número de habitantes cresceu 8,4% desde 2000, a uma média anual de 1,21% nos últimos sete anos. Em 2000, a população do país era de 169.799.170 milhões.

 

Oras bolas, se a população indígena cresceu mais que o restante da população brasileira onde está o “genocídio” destas populações?

 

A densidade demográfica territorial entre índios e não índios é impressionante.

21,6 habitantes por km2 para os não índios. Esta densidade aumenta mais se subtrairmos os territórios indígenas.O censo de 2010 registrou a existência de quase 818 mil brasileiros classificados como indígenas. Destes, 315 mil habitam áreas urbanas; para os demais 503 mil, foram demarcadas reservas com uma extensão de cerca de 1,1 milhão de quilômetros quadrados, equivalente a 13% do território nacional. Esta área é maior que toda a região sudeste onde vivem 75 milhóes de habitantes.

A densidade de habitantes indígenas nos territórios demarcados é de UM Índio para cada 21km2. Os índios se tornaram os maiores latifundiários de terras improdutivas do Brasil e continuam pobres e ignorantes. Tem algo de errado. 

 

Do autor Rebolla.

"Claro que violência fundiária ocorre no Brasil, mas o terrível quadro atual mostrado pelos britânicos é verdadeiro até que ponto?

Os números apresentados e a situação desesperadora foram informados pela ong international survivor."

Do texto do Survival Internacional.

""Uma situação tão grave que levou um juiz brasileiro, José Carlos do Vale Madeira, a descrever como umgenocídio."

 

Obrigado Assis, mas já não estava escrito isso no texto acima?


Você quis fazer um resumo para os preguiçosos?