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As discussões sobre programas de partidos políticos têm sido bastante enriquecedoras no Blog, pelas informações que trazem e, também, por externar dúvidas existentes em muitas cabeças esclarecidas.
Uma delas é sobre modelos de desenvolvimento.
Ontem, nosso Jotavê defendeu o modelo apresentado pela Casa das Garças – o centro da ideologia financista, dirigido pelo ex-heterodoxo Edmar Bacha: corte nos gastos públicos para gerar recursos para investimentos. Pergunta Jotavê: qual o caminho alternativo de gerar recursos, se o governo – segundo ele – está tomado pelo corporativismo do funcionalismo público.
É um bom tema para discussão.
Primeiro, o tal modelo defendido pela Casa das Garças.
O corte de despesas que propõe é de custeio. Custeio são gastos com saúde, educação, políticas sociais, inovação, pesquisas, universidades públicas, com equipes de saúde da família, com professores, com segurança, tudo o que não é investimento.
Toda essa demonização do custeio é uma forma indireta e propor cortes em políticas sociais e políticas essenciais. E aí o Estado foge de sua missão principal, que é levar o bem estar ao cidadão.
É simples tirar a prova dos nove. Tentem encontrar qualquer estudo da Casa das Garças, do Raul Velloso, Giambiagi e companhia que aborde a questão dos juros pagos pelos títulos públicos.
Qualquer análise de empresas privadas em dificuldade contempla, em primeiro lugar, a conta mais pesada – no caso da empresa Brasil, o pagamento de juros. Depois, sugere maneiras de reestruturar a dívida, ou reduzir o custo do serviço da dívida.
A maneira mais objetiva de liberar recursos para investimentos públicos é justamente a redução dos juros da dívida pública. Por que, nesses centros de excelência econômica, nunca se questiona o nível dos juros? Por que ora se diz que os juros são altos porque a dívida é alta e no momento seguinte os juros são altos porque se baixar volta a inflação? Não há uniformidade sequer nas desculpas para manter juros elevados.
Porque o tema, prezado Jotavê, sai da ciência econômica e entra na economia política, aliás muito mais fácil de ser compreendido pelos filósofos: é uma disputa pela apropriação dos excedentes do Estado.
Em qualquer parte do mundo, os juros são função exclusiva do risco – economias com maior vulnerabilidade fiscal pagam mais juros, e vice-versa, O investidor recebe um prêmio pelo risco da aplicação. Aqui é o único caso em que as contas fiscais são sólidas e os juros elevados.
O limite para o pagamento de juros é o da solidez das contas públicas. Quanto maior o superávit primário, maior a zona de conforto para manter juros estratosféricos, porque consegue-se manter sob controle a relação dívida/PIB sem a necessidade de reduzir os juros e sem correr riscos de calote.
Se houvesse de fato preocupação com a responsabilidade fiscal, os estudos estariam focados em formas de diminuir o custo da dívida.
Portanto é ingenuidade supor que o modelo da Casa das Garças permitiria gerar excedentes para financiar políticas públicas. Seu objetivo é apenas abrir mais espaço para manter juros altos.
Desperdício público
Não significa que o Estado brasileiro seja eficiente. E aí se entra na parte relevante da história.
A lógica desse povo da Casa das Garças é falsa. Sofisma da seguinte maneira:
1. O Estado é ineficiente.
2. Cada centavo gasto por nele gerará mais ineficiência.
3. Logo, a maneira de reduzir a ineficiência é cortar os gastos.
Qualquer estrutura desorganizada, mais desorganizada ficará se houver cortes de receita sem uma reestruturação prévia. Cortar gastos de custeio da saúde significará oferecer menos remédio para a população, ou menos atendimento médico.
É da mesma natureza sofística a demonização do salário dos funcionários públicos. Se o produto fundamental do Estado são os serviços prestados, se esses serviços são prestados por funcionários públicos, como supor que o problema resida no seu salário? Não bate.
Hoje em dia, há consenso nacional entre especialistas em educação – seja do MEC, de ONGs amparadas por empresas privadas, em educadores de todos os naipes – que ponto central para um ensino de qualidade é a recuperação do salários dos professores, transformando a profissão em algo atraente. Todos os governadores de Estado dizem ser impossível essa melhora, em função dos limites orçamentários. Apostam, aliás, no Fundo do Pré-Sal para melhorar essa política.
Pergunto: qual a receita da Casa das Garças para essa questão, se seu receituário único é o de corte das despesas correntes?
A maneira de tornar o país eficiente não é demonizando as despesas correntes, mas introduzindo métodos de gestão que as torne mais eficientes.
Qualquer programa de melhoria de gestão tem que partir das seguintes etapas:
1. Definir indicadores claros de qualidade dos serviços prestados à população.
2. Definição de metas de melhoria desses indicadores.
3. Definição de melhorias de gestão, racionalização de processos, mas sempre tendo como parâmetro esses indicadores. Não poderá haver queda da qualidade. Com o tempo se perceberá que é possível fazer mais com o mesmo.
4. Instituição de sistemas de avaliação e da premiação da meritocracia no serviço público, não o achatamento linear dos salários.
Mesmo o aumento da eficiência dos serviços públicos não reduzirá as despesas correntes porque o ampliação da cidadania levará a um aumento cada vez maior das exigências pela universalização e melhoria desses serviços.
Na entrevista que fecha "Os Cabeças de Planilha", FHC admite que sempre serão crescentes as demandas por serviços públicos. É inerente ao processo de inclusão social e de ampliação da cidadania.
Se ao Estado compete prestar serviços de qualidade, de que maneira garantir os investimentos necessários para o desenvolvimento?
De um lado, reduzindo o desperdício – sem prejuízo dos serviços prestados. De outro, melhorando o ambiente econômico para atrair investimentos privados para áreas prioritárias – como infraestrutura.
Enfim, é uma longa discussão.
Mas o fato de sofismas desse nível terem se tornado tão arraigados – inclusive em cabeças pensantes de primeiro nível – mostra a eficácia da ideologia no pensamento de um país. Ideologia é uma praga. Tira qualquer senso de racionalidade.
Clique aqui e leia o post O nó doutrinário do PT, de Jotavê.
Clique aqui e leia o post O PSDB e o fim do modelo da Nova República.
Clique aqui e leia o artigo O PSDB hoje é uma nau sem rumo, de Renato Janine Ribeiro, publicado no Valor.
Clique aqui e leia o post Sobre o futuro do PSDB, de Jotavê.
Por Jotavê
Oi, Nassif
Antes de mais nada, uma correção. O que eu disse sobre os intelectuais da Casa das Garças foi que eles formam “um grupo respeitabilíssimo, que tem produzido alguns dos textos mais interessantes de interpretação do Brasil nos últimos anos”. Nâo quer dizer que eu concorde com eles. Quer dizer que eu gosto do que eles escrevem – como gosto de Platão, Descartes, Berkeley, Kant, Wittgenstein e uma porção de outros autores, concordando ou não com o que eles disseram. Vamos por partes, então. No que eu concordo e no que eu discordo?
Discordo da proposta de reduzir a carga tributária brasileira. Os governos FHC e Lula aumentaram consistentemente os impostos, até trazê-los aos níveis atuais, próximos aos da Europa. O que os liberais argumentam é que isso é disfuncional para a economia, na medida em que diminui a poupança PRIVADA e desestimula investimentos. Além disso, parte do pressuposto (puramente ideológico, eu acho) de que a iniciativa privada é capaz de alocar recursos de modo mais eficiente do que o Estado. Não tenho como avaliar os aspectos econômicos da questão – sigo o debate entre vocês, e vou fazendo minhas opções pelo meio, quando tenho certeza de que existe uma discordância irredutível a questões de fato. De um ponto de vista político, acho a ideia insustentável na Europa e mais insustentável ainda no país que tem as desigualdades gritantes que tem o Brasil. Num país em que as pessoas vivem na beira do esgoto, o Estado não tem que pensar duas vezes. Tem que arrancar impostos de quem tem dinheiro e redistribuir renda da forma mais racional e inteligente possível. O nível de impostos, portanto, é esse, mesmo – por volta de 35% do PIB. É esse o preço, e a sociedade brasileira tem que pagá-lo.
E quanto ao investimento público? Todo mundo (você, antes de mais ninguém) concorda que o nosso é baixíssimo. Anda aí pela casa de 1% do PIB. Teríamos (é o que se diz) que chegar a 3% ou 4% por cento em pouco tempo, para podermos sustentar com infraestrutura o crescimento do país nos próximos dez anos. A MINHA questão é – tirar de onde? Eles, lá do outro lado, respondem – basicamente, da conta da Previdência Social e do custeio (excluindo sempre gastos com saúde e educação – geralmente, têm o cuidado de tabular esse tipo de custeio separadamente, para mostrar). Acho que há o que cortar dos gastos com a Previdência, sim. Unificar os sistemas do funcionalismo público e da iniciativa privada ajudaria bastante – é no setor público que está o rombo. Planejar o sistema par que ele seja viável daqui a dez, quinze anos é uma necessidade. O que há de tão errado numa aposentadoria aos 65 anos para homens e mulheres?
Você fala em gestão. Eu acho ótimo. Só que, para isso, precisamos desengessar o regime dos servidores. Meritocracia significa, entre outras coisas, que você tem a possibilidade de premiar o mérito e TAMBÉM de castigar a ineficiência. Você é a favor de afrouxar as regras para a demissão no serviço público? Se isso vier acompanhado de um plano de gestão, como você propõe, eu sou. Onde houver inchaço, o que devemos fazer? Dadas as regras atuais, não podemos fazer quase nada. O que deve ser privilegiado, em todo caso? Novas contratações? Ou realocação do pessoal já contratado? Ninguém está defendendo demissão em massa, Nassif. Estou defendendo racionalidade na utilização da mão-de-obra já contratada e possibilidade de redesenhar o mapa das funções sem ter que enfrentar processos na Justiça do Trabalho. É só isso.
Você fala em juros. Muito bem. Aqui, uma confissão. Se algum dia eu pensei em votar em José Serra na minha vida foi em função de economistas como VOCÊ me terem convencido de que a ênfase deveria ser posta na espiral de juros altos e câmbio valorizado que fazem a festa dos rentistas. Concordo com você. Os liberais não põem a ênfase aí. Não é que não falem disso. Dizem que qualquer intervenção estatal pressupõe uma queda de braço com o mercado que, na melhor das hipóteses, desorganiza a economia, introduzindo um elemento de incerteza. Economistas como você e como José Serra dizem que não, e eu tendo a acreditar – ou, pelo menos, quero acreditar, pois a alternativa, como você bem diz, é tirar mais dinheiro da Previdência e do custeio.
Me diga, agora, Nassif. Quando foi que o governo Lula sinalizou algo remotamente semelhante a isso? Quando foi que Henrique Meirelles, presidente do Banco Central durante o governo Lula sinalizou alguma coisa remotamente semelhante a isso? Quando foi que Guido Mantega deu mais do que pálidos sinais de que poderia, quem sabe, fazer algo nessa direção, e fez alguma coisa além de ensaiar movimentos tímidos, de que está tentando matar um elefante com um estilingue? Vamos cortar os juros? Apoio qualquer candidato que se comprometa com isso, apesar de todas as ponderações do lado contrário. Quando você souber de um candidato comprometido com isso, me avise. Por enquanto, Nassif, ele só existe na sua e na minha imaginação.
Caro Nassif,
Cabem alguns comentários ao último texto publicado por Jotavê:
a) não é verdade que o Governo Lula aumentou consistentemente a carga tributária, como o Governo FHC. Segundo a RFB, em relação ao PIB, a carga tributária foi: em 1995 (1o ano de FHC), de 26,77%; em 2002 (último ano do Pryncype, como diria Glauber Rocha): 35,86%,; e, em 2009, 33,58%. A RFB ainda não publicou os estudos relativos a 2010, mas, fora os chutes do IBPT (do impostômetro), deve ficar abaixo dos 34%;
b) o grande problema da carga tributária é a sua regressividade, com maior ênfase à tributação sobre o consumo do que sobre o patrimônio e a renda. Estudos indicam que a proporção é de 50/50, enquanto que os países desenvolvidos apresentam a proporção de 25/75, ou seja, os impostos sobre consumo (ICMS, ISS, IPI) representam metade da nossa arrecadação, quando deveriam representar um quarto do bolo. Isto, infelizmente, o Governo Lula não reverteu;
c) é impressionante como a maior despesa do Governo brasileiro, os juros, é discutida de modo secundário nas discussões sobre como ampliar os desembolsos em investimentos. Apesar da importante redução da relação dívida/PIB ocorrida em anos recentes, o Brasil é hors concours em juros reais e insistem em tergiversar sobre a questão. Também foi outra questão herdada de FHC, mas preservada por Lula;
d) quanto à Previdência, sou favorável à unificação dos regimes previdenciários (RGPS e RPSP), com um teto de pagamento. Também devemos avançar na discussão sobre a contribuição empresarial pelo faturamento e não pela folha de pagamentos, de modo a estimular o emprego (reduzindo a informalidade) e fazer frente aos processos cada vez mais automatizados;
e) também não é verdade que o investimento do setor público esteja na casa de 1% do PIB. Em 2009, segundo o IPEA, chegou a 4,38%, o maior resultado dos "últimos 15 anos", segundo aquele instituto;
f) Jotavê também se equivoca ao chamar José Serra de economista. Como já demostrou o "ansioso blogueiro" Paulo Henrique Amorim, ele não é nem economista e nem engenheiro.
Abraços.
O limite para o pagamento de juros é o da solidez das contas públicas. Quanto maior o superávit primário, maior a zona de conforto para manter juros estratosféricos, porque consegue-se manter sob controle a relação dívida/PIB sem a necessidade de reduzir os juros e sem correr riscos de calote.
Elementar, considerando-se que o superávit exclui na sua apuração os juros pagos da dívida pública e inclui os investimentos, ou seja, o saldo do "apurado" com o SP vai todinho pagar juros. Assim, como medida mais adequada para medir a "saúde" fiscal o mais correto seria a relação poupança pública/PIB, posto que o cálculo da PP não inclui juros pagos e exclui investimentos. Precaução, para não dizer pessimismo, quando o governo alardeia um SP alto. É possível ter-se um superávit primário relativamente alto e uma realidade fiscal ruim, como é o nosso caso.
Tem que arrancar impostos de quem tem dinheiro e redistribuir renda da forma mais racional e inteligente possível. O nível de impostos, portanto, é esse, mesmo – por volta de 35% do PIB. É esse o preço, e a sociedade brasileira tem que pagá-lo.
Nem tanto mestre, nem tanto. Ou usando a "língua" do povão: não é assim que se esfola um bode. De onde você arrancou esse número? Por que não 30%, 25%, 40%? A conclusão (in)lógica dessa premissa seria que para resolvermos o problema da distribuição de renda a solução seria aumentar impostos. E não é.
Países ricos tem carga fiscal elevada para distribuir renda? Como, se a suposição é que ultrapassaram essa fase da concentração da renda ou da diminuição da pobreza?
Nesse sentido, podemos afirmar que é exatamente o inverso: a carga fiscal é elevada porque altas são as exigências dos cidadãos por serviços públicos de qualidade.
Distribuição de renda é consequência do desenvolvimento econômico e carga fiscal acima da capacidade contributiva dos agentes econômicos é que pode, sim, gerar desequilibrios e injustiças na distribuição da riqueza.
Como simbolismo, cortar despesas de custeio pode até ter lá seus efeitos positivos. No que tange às injunções na saúde fiscal seria um pingo d'água na Bacia de Guanabara. Isso não implica descurar da necessidade de se buscar a plena eficácia na aplicação dos recursos públicos.
Todo ser vivente sabe que com o atual nível da taxa de juros iremos para o beleléu. Não tem jeito. Mas a pergunta a ser feita é: quem vai colocar o guizo no gato? As forças oculta(aqui tomando de empréstimo uma expressão de Jânio Quadros), que não são tão ocultas assim, mão dormem em serviço.
No Brasil, tal qual a reforma agrária, todo mundo é a favor dessa adequação dos juros à níveis internacionais. Mas nada se faz. Como explicar, por exemplo, a indexação da dívida pública à SELIC, instrumento ainda herdado dos tempos hiperinflacionários? Pois temos aí a mais pervesa delas. De todas as mistificações essa é a maior: a de que a manipulação da SELIC, como instrumento de Política Monetária, é O instrumento de combate a inflação.
O Nassif arrazou...
Da minha parte, entendo que faltou ao Jotavê demonstrar como poderíamos baixar os juros, assim de uma maneira quase mágica - como ele parece propor, sem comprometer, com isso, o controle inflacionário. Sabe-se que durante um longo período, a estratégia adotada pelo Brasil foi o conservador regime de metas inflacionárias que, a despeito do seu alto custo, funcionou relativamente bem até há pouco tempo. Prova empirica disso, é que o Brasil passou bem pelas intempéries recentes do mercado global, ao mesmo tempo em que se estruturou internamente, cresceu, distribuiu renda e tornou-se menos vulnerável externamente. Poderia ter sido melhor?? Não sei... Claro que as políticas de distribuição de renda do Governo Lula tiveram (e continuam tendo no Governo Dilma) um papel fundamental nisso, especialmente no incremento do mercado interno. Por outro lado, os acontecimentos recentes demonstram que este modelo chegou ao seu limite e não da conta mais da nova dinâmica da economia mundial. A liquidez excessiva (dólar-papel, moeda sem lastro, e a subvalorização do Yuan - políticas cambiais dos governos dos EUA e China) e o diferencial altamente atrativo das taxas de juros brasileiras, aliado à robustez da nossa economia criaram um enorme fluxo de capital (principalmente o especulativo), que ameaça gravemente a nossa economia, na medida em que dificulta nossas exportações e facilita as importações. Diante disso, parece-me tão óbvio que temos que adotar um novo método de controle inflacionário, como propõe Jotavê, que falar nisso é algo como chover no molhado. A questão não é o que fazer, mas como (?) fazer. Citar os apelos de campanha do Serra sobre a necessidade de baixar os juros é o fim da picada. Em campanha, o político - especialmente gente como o Serra - pode tudo, pode até aumentar o salário mínimo tantas vezes, num estalar dos dedos, e é so baixar os juros e pronto, o problema do câmbio está resolvido. No Governo é diferente, não tem mágica. Se você cometer um erro neste campo, por menor que seja, a vaca vai pro brejo e o povo paga o pato. No governo a responsabilidade é infinitamente maior.
A alternativa que está sendo colocada hoje pela equipe econômica são as chamadas medidas macroprudenciais. Elas têm surtido algum efeito sobre a inflação, mas ainda não foram suficientes para resolver o problema da apreciação cambial. E o governo lança novas medidas, sempre em doses homeopaticas (como tiros de estilingue no elefante, que seja, como afirma o Jotavê), mas que são compatíveis com a cautela necessária à estabilidade econômica, política e social do país, especialmente porque há sempre o risco, levantado pelo Tombini desde o início, sobre a reversão do fluxo de capitais, o que seria ainda mais desastroso que a entrada deles. Como dizia Lula, o Brasil é um grande cargueiro, em que não se pode dar um cavalo-de-pau. No auge da minha ignorância de simples mortal e leigo eleitor, entendo que este é o melhor caminho.
O Brasil gasta 44% do Orçamento Geral da União com o pagamento de juros, amortizações e refinanciamento da dívida, enquanto setores-chave como saneamento básico, transportes, urbanismo e cultura não chegam a ter 1% da fatia. Não há nenhuma rubrica social do gasto público que chegue perto desses 44% do “bolsa financista”, o maior programa de concentração de renda do planeta. Onde estaria o problema? A taxa básica de juros brasileira, nominal e real, encontra-se escandalosamente entre as mais altas do mundo. Onde está o tal grau de investimento das agências de risco? Querem controlar inflação de commodities e não comercializáveis com juros altos?
Professor Dr. do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes)
"Economistas como você e como José Serra dizem que não, e eu tendo a acreditar – ou, pelo menos, quero acreditar, pois a alternativa, como você bem diz, é tirar mais dinheiro da Previdência e do custeio. Me diga, agora, Nassif. Quando foi que o governo Lula sinalizou algo remotamente semelhante a isso?"
No governo Lula os juros chegaram ao patamar mais baixo da história.
Inclusive suscitando discussões sobre o rendimento da poupança, que estava se tornando mais atraente do que os titulos públicos remunerados pela SELIC.
José Serra, apesar do falatório, esta longe de ser a salvação quando objetivo é diminuir juros. Aliás ele ja provou reiteradamente que é capaz de dizer qualquer coisa para chegar a presidência.
NÃO É ACONSELHÁVEL ACREDITAR NELE QUANDO ELE DIZ QUE VAI REDUZIR JUROS. OU VC ACREDITA QUE ELE É AMIGO DO LULA E CONTRA O ABORTO ?
Durante o governo Lula os juros chegaram aos níveis mais baixos da história?
Ficou maluco, cara?
Eles baixaram EM RELAÇÃO ao nível absurdo que tinham antes. Continuaram disputando a liderança no mundo.
Mais - baixaram "gradualmente", como resultado do desempenho geral da economia. Não houve nenhuma política para atacar o problema diretamente.
Cuma??? Ué, então sonhei que estava sonhando um sonho sonhado....na transição do gov. de FHC para o gov. Lula, trabalhavamos com uma taxa de juros para pessoa física de 83,5%aa......e, ao final do governo Lula, esta mesma taxa caiu para 40,6% aa.
Caro Jotave,
O que me parece é que voce está buscando algo como um modelo teórico definitivo de desevolvimento para um País, e que seria aplicável ao Brasil e resolveria todos os problemas, quase como um plano mágico. Talvez como um plano real, mas neste caso, do desenvolvimento economico como um todo. Se for, pode esquecer, isso não existe e jamais existirá, nem algo próximo disso. A administraçaõ de um País é algo muito complexo, muito mais que uma empresa de qualquer porte que seja. Há inúmeras pressoes envolvidas, a realidade muda a cada momento.
Tomemos o exemplo do próprio plano real. Foi muito bem sucedido no seu início, mas os mesmos que o implementaram fizeram uma pessima gestão da economia no pos plano.
As dificuldades são tantas que é só voce ler os comentários mesmo dos que entendem mais de economia aqui. Em sua maioria apenas mostram as dificuldades, criticam, não apresentam nada de concreto e pragmático, nenhum ação para se obter o que desejam. Fora as fantasiosas de achar que dá pra cortar 6 pontos da selic de uma hora pra outra e ficar tudo bem.
Enfim, se escrevi muitas besteiras, me corrija, por favor.
Ai, meu Wittigenstein... depois não quer que te chamem de tucano... - “desempenho geral da economia”??? Não há sujeito então? Ué, então porque ficar lendo esses textos da Casa das Graças se o desempenho da economia se dá por mágica?
NO GOVERNO lULA OS JUROS CHEGARAM AO PATAMAR MAIS BAIXO DA HISTÓRIA BRASILEIRA.
http://noticias.r7.com/economia/noticias/copom-mantem-juros-em-8-75-ao-a...
O fato de ter sido algo escalonado não tira o mérito da baixa dos juros. Aliás, esse tipo de mudança de paradigma, para mim tem que ser escalonado mesmo, ou corremos o risco de choques de oferta que prejudicariam a economia.
O erro foi voltar a subir os juros para combater uma inflação que vinha de fora.
Jotavê
Esse seu "grupo respeitabilíssimo" ajudou a quebrar o Brasil por três vezes e seus membros são os neoliberais tupiniquins comprometidos apenas com os rentistas e com o enriquecimento pessoal.
Por que enaltecer tanto um grupo que é frontalmente contra o que você aponta como o maior desafio político ? Ou seja, eliminar os juros altos.
Sua incoerência é semelhante a dos tucanos: na campanha, prometem até um 13º para o Bolsa Família. Depois, dizem que o Bolsa Família gera vagabundos...
Nenhum dos filósofos que você diz admirar é tão incoerente dessa forma. Se fossem absolutamente contraditórios, não formariam um "grupo respeitável" de filósofos.
O que há de tão errado em aposentadorias de 65 anos para homens e para mulheres?
Pergunte ao pessoal das Garças, Jotavê, porque quem está expurgando trabalhadores do mercado aos 50 anos de idade, não aos 60, muito menos aos 65, é o idolatrado mercado que quer se livrar dos salários mais altos, substituindo-os pelos de recém-formados com 22, 23 anos de idade, sem considerar todas as perdas de qualidade e planejamento implicadas nessa escolha.
O Jotavê pergunta como fazer...E eu lhe pergunto..:
.
Como fazer o quê exatamente..?
Vc faz uma pergunta que ninguém ou nenhum centro de inteligência saberá responder..
Nâo existe solução pronta para questões dessa dimensão.
Há muitas possíveis respostas para infinitos problemas..
Portanto, reformule a questão..
Ou então a esqueça..Caso contrário ela é o próprio fim do debate.
.
Ressalto apenas que em termos de projeto nacional há alguns exemplos no passado que talvez possam guiar o debate.
E também há artigos muito bacanas sobre Estado..
Mas aí entra outra questão: Eles não fazem parte do USP - centrismo.
Em verdade, o nome "Casa das Garças" é um codinome; para parecer que não tem nada de tucano e neo-udenista. O correto mesmo é "Casa dos Tucanos".
Li tudo, aprendi, pensei, não muito, e cheguei a seguinte conclusão...
como Lula foi artesanal, melhor solução com Dilma é ela tender para o industrial,
pois é justamente o capitalismo que faz do socialismo uma conquista sem fim...ida e volta
pensem bem, não existem metas, sequer modelos ideais, nem pode haver, quando você faz o caminho inverso...............................quem mostra são as tendências
o que é artificial deixe a cargo da mídia, as tais pérfidas ideias de necessidades e correspondente esperança, e o que for preciso de políticas públicas de verdade e para que haja um certo equilíbrio, quem vai decidir ou mostrar é o povo...sempre o povo, razão da conquista sem fim.
Se há dificuldades em outros cantos, é porque alguém concluiu que acertou e o povo foi na onda, sem perceber que não era acerto coisa nenhuma, apenas capitalismo dominando sozinho
vejo por este lado muito simples, mas, agora, se vai precisar de juros altos ou não, aí eu não sei, não entendo nada disso, e nem quero esquentar com isso.
Sei que o sentido do seu comentário não foi de crítica, mas não acho que Lula tenha sido artesanal. Ora, alguém que recupera a indústria naval brasileira, coloca a Petrobrás entre as maiores empresas do mundo – beneficiando assim toda uma imensa cadeia de produção -, populariza o microcrédito e a complementação de renda dos mais pobres influenciando assim também a atividade industrial pode ser chamado de artesanal?
Bom dia, Claudia...concordo com o que você colocou, lógico
o "artesanal" ficou mal colocado sim, mas intenção era mostrar
que o que ele fez vai durar muito por ser de boa qualidade...percebeu?
mas aí cai o consumo........................razão de movimentar as classes desde lá de baixo
da miséria quase absoluta até a c...movimento de subida, uma substituindo a outra
razão da conquista sem fim...percebeu?
Perguntar sobre política econômica a um financista é o mesmo que pedir a explicação da ecologia da floresta para um madeireiro. Ele responderá somente o que beneficia seus interesses.
Ingerência ideológica só existe por parte dos defensores dos altos juros e do imperialismo financeiro, e estes são os economistas que passam décadas dentro das universidades para produzir falácias. É isso mesmo? Então é só isso e ponto?
Ninguém precisa concordar com tudo o que os economistas da Casa das Garças pensam e dizem, mas reduzir - ou seria rebaixar - todo o seu trabalho intelectual para o nível do pregacionismo pró-usura, parece panfletagem política de juventude universitária.
Se o problema eram os tucanos e seus economistas vendidos, então por que a realidade dos juros altos e da dívida não mudou em 8 anos de "revolução silenciosa"?
Se os problemas foram diagnosticados, e agora quem está no poder não tem rabo preso com ninguém, então qual ainda é o problema que nos impede de marchar para a salvação? Ah, claro...o inimigo, ainda não incendiaram a Casa das Garças, não extirparam o mal pela raíz!
Francamente...até seria cômico, se não fosse a crônica falta de novos argumentos.
Collor quis deixar os servidores que não trabalhavam em casa e deu o maior celeuma, na época.
Concordo que deve haver meritocracia no serviço público, mas também considere-se que pela estabilidade o salário deveria ser MENOR que o da iniciativa privada, onde há mais risco até de perder o emprego.
Agora acabar com esse enorme montante de cargos de comissão, que são entregues a não concursados, com essas aposentadorias esdruxulas como deputados que se aposentam a cada dois mandados (e se tiverem 4, se aposentam duas vezes!), juizes que são aposentados forçosamente ao invés de demitidos quando fazem algo errado e funcionários públicos que se aposentam e voltam para o serviço público (deveriam ter que optar entre a aposentadoria e o novo salário), seria excepcional.
Baixar os juros também, claro.
Quanto aos 35% do PIB, desde que seja menos complicado pagar impostos... tome por exemplo o antigo simples, tinha uma tabela e qualquer um sabia calcular quanto devia. No novo "supersimples" sao tantas variaveis que só entendidos conseguem - e mesmo assim usando um programa de computador. É a burocracia emperrando o desenvolvimento...
Também ajudaria a arrecadação mais impostos diretos, todos pagando, e menos contribuições, onde só pagam aqueles que não tem cacife para escapar.
Já conheci economistas de renome, da casas das Desgraças, andando com um livro de economia embaixo do braço e uma revista Veja. E o pior, a Veja pra eles é um Deus.
Poderiam até ser financistas, mas a partir do momento que são assíduo leitor de Veja, o problema é outro. A inteligência que tecnicamente falando parece com razoável status, converge na verdade para nada.
Essa gente da casa das Desgraças é isso aí. O de sempre. Mas não são bobos. Todos estão com os bolsos cheios, deles de dos amigos. Escrever besteira e desenvolver modelos que a justifiquem parece que serve pra isso. Não merecem nem as observações desse blog.
Prezado Nassif,
Só peço um favor aos comentaristas, não coloquem estrelas em seus próprios escritos, deixem isso para os outros, fica mais honesto. E aqui nesse blog, pelo menos para mim, é um dos poucos lugares que temos essa oportunidade, de sermos honestos conosco mesmo e com os demais companheiros, de que lado seja. Grato.
A Dilma tem a capacidade para melhor a eficiência do estado. Pena que não existam Dilmas para todos os ministérios e aí os problemas evidentes aparecem (condução do assunto Copa e Olimpíadas, TAV, PNBL, entre outros).
Mas tem algo meio óbvio para mim. Como se pode colocar educação como custeio? A Coreia do Sul pensa na educação como investimento e o resultado nós todos sabemos: compramos televisões e celulares Samsung/LG aos montes, navios Samsung, carros e máquinas pesadas Hyundai e por aí vai.
Outra: o próprio Jatene (o que criou os genéricos) disse que há pouco dinheiro para a saúde (afinal, o grande empresariado brasileiro que gosta de vender o próprio patrimônio para os estrangeiros e deixam o mercado nacional a mercê dos interesses transnacionais fez de tudo para acabar com a CPMF...) e que o administrador público em geral é muito bom pois sabe lidar com poucos recursos.
Bom, os juros já sabemos que é falta de coragem para lidar com isso. A decisão é puramente política. Como eu disse, pena que a presidenta seja uma só pois senão a casa não estaria essa zona só...
pelos resultados o governo do PT pode ter 100 vezes mais ministérios e funcionários do que os desgovernos dos tranqueiras anteriores. coisa boa custa caro.
"Casa das Garças". Nome mais pernóstico, sô !
Acredito que estejamos perdendo muito tempo, debatendo a opinião desses c.s doces.
Parabéns Nassif e obrigado.
Desculpa a brincadeira, mas não seria a Casa dos Urubus, fazeroda de urubologia digna da Urubóloga-mor Dona Leitão?
É o tripé do Tea Party:
"Responsabilidade Fiscal", "Governo Limitado" e "Mercados Livres".
Pelo menos que as "garças" assumam o bastião de direita.
Eles são "patriotas" também:
http://www.youtube.com/watch?v=5VlEW3Q7NFE&feature=player_embedded
Então ganso nessas garças.
Pelo que vi, depois de muito "pensar" o Brasil e sua economia, a grande sacada é: "corte de custeio do estado, via extinção de programas sociais, congelamento de salários (tudo marajá no funcionalismo), onde não for possível congelar empregos, promover a admissão de "contratados" com emprego rebaixado, e depois disso tudo tão genial, pegar a sobra de caixa para "induzir" o grande capital privado brasileiro e estrangeiro para tocar o desenvolvimento do país".
Isso criando na prática o estado cartelizado, mas isento de corporativismo (todo mundo sabe que banqueiros não são corporativistas, empresários não são corporativistas, jornalistas não são corporativistas, etc., só os funcionários públicos que são), a serviço dos ricos bonzinhos, pois sabe-se por definição que eles saem distribuindo tostão por tostão que amealham nos seus "contratos", "empreendimentos" e "subsídios" com empregos e salário a rôdo (eles nunca ouviram falar em aplicações financeiras). Inclusive por isso os sindicatos terão que estar fracos, afinal peão contente "ganhando muito", não precisa dêles. E tudo isso sob a batuta de banqueiros, filósofos, e consultores? E o presidente "certo", é claro!
Mas quanta novidade! Eu juro que nunca tinha ouvido falar num programa econômico assim. Mas é novidade demais da conta. Eu acredito, eu acredito... "bestial", kkkkk.
Um abraço doído.
"[...]Devia era, logo de manhã, passar um sonho pelo rosto. É isso que impede o tempo e atrasa a ruga.[...]" - Mia Couto
Se a esquerda, na década de 90, tivesse sua "Casa das Garças", não teria precisado chamar Palocci e Henrique Meirelles na hora H. Pode ser em 2014, pode ser em 2018 - o projeto do PT um dia vai se esgotar. Quando se esgotar, eles estarão prontos, com anos de discussão acumulada e quadros preparados para assumir o comando da economia.
A questão central é - como fazer?
Isso ninguem sabe ao certo. Se eu fosse chutar eu diria que provavelmente está em um meio termo entre o que pensam as garças e o Pochmann e o Joao Sicsu.
Mas na verdade a administracao do País e também a administracao da economia nao é como um modelo teorico que podemos seguir segamente. Há muito mais variáveis, tem-se que ir fazendo ajustes aqui e ali. Pode-se usar algum modelo como um norte, mas a verdade é que se tem que ser é bastante pragmático. Vai ver por isso o Lula fez tanto sucesso. Esperemos que a Dilma faça ainda mais.
Êpa, essa eu sei!
Se encostando num político que tenha potencial para ser eleito, "por supuesto". Mas ao menos no meu caso é melhor não revelar de antemão a equipe econômica, senão o meu humilde votinho vai para outro.
Um abraço.
"[...]Devia era, logo de manhã, passar um sonho pelo rosto. É isso que impede o tempo e atrasa a ruga.[...]" - Mia Couto
Não significa que o Estado brasileiro seja eficiente. E aí se entra na parte relevante da história.
A lógica desse povo da Casa das Garças é falsa. Sofisma da seguinte maneira:
1. O Estado é ineficiente.2. Cada centavo gasto por nele gerará mais ineficiência. 3. Logo, a maneira de reduzir a ineficiência é cortar os gastos.
"Se governos são apenas capazes de empregar recursos previamente apropriados do setor privado (via impostos ou endividamento), é simplesmente impossível investir sem desinvestir de alguma outra área da economia. Investimento público significa necessariamente desinvestimento privado. Consequentemente, o tão almejado "aumento da demanda agregada" não passa de uma noção errônea."
Perfeito. O problema do Brasil não é a falta de investimentos, mas a falta de manutenção. Quantos hospitais estão prontos mas não tem ainda profissionais?
O funcionário público concursado não trás nenhum "benefício" político, pois ele sente que o seu salário foi ganho com o seu esforço. Os temporários tem os empregos indicados pelo político amigo, e estes ficam devendo favores a este, ou seja utiliza-se recurso público para financiar campanha, mas ninguém toca no assunto (este tipo de situação é frequente nos governos estaduais e municipais). O último, e mais perverso, é a terceirização, em que empresas, normalmente amigas, ganham contratos de milhões para prestar serviços, recebem pelos mesmos, com valores relativamente altos, e pagam muito mal (quando pagam) aos funcionários, neste caso, há uma aproriação dos recursos pela iniciativa provada, normalmente amiga (tornou-se recorrente no governo federal).
discussao ampla, mais profunda
brasil tributa consumo e pouco lucro/altos salarios/grandes furtunas,etc
antes de privatizacao, estatais chegaram a ser responsaveis por 2/3 de todo impostos d brasil - empresario recebiam do estado para montar suas fortunas, seja atraves de empéstimos seja atraves de isensao fiscal
governo gera recursos com juros (contabil), sua queda geraria problema nos municipios e estados, se governo federal paga 150 bilhoes em juros, recolhe 20% IR = 30 bilhoes divisao IR = 50% federal 25% estados e 25% municipios, lembra ipi linha branca e carros? gov federal teve que dar uns troco aos municipios....
quando governo lula diminuiu IR pessoal fisicas em 2008, tucanos falavam em chapeu alheio, varias materias contra, politica errada, etc "hora de aumentar imposto", politica determina o economico
e o Brasil tinha um think tank chamado casa das garças e eu nem sabia! um nome tão bonito...
mas deste jotavê de hoje até que eu gostei. ainda que ache que a atração que sente por serra e pela casa das garças por acreditar que eles chancelariam a redução dos juros e um câmbio que corresponda à realidade da nossa economia, ou as suas necessidades, é acreditar em cantos de sereia. eles não existem. serra, se um dia enganou, na campanha mostrou a sua verdadeira cara. nada nacional. nada democrática. nada independente.
luz
Uma das justificativas para a taxa de juros exorbitantes (selic de quase 25% ao final do governo FHC) era fato de que o país, atolado em contas e à beira da inadimplência, precisava rolar sua dívida. Diante do dólar escasso, a única forma era atrair os especuladores pela ganância.
Esse problema foi resolvido: o Brasil acaba de captar milhões de dólares no exterior pagando os juros mais baixos da história.
O mote agora utilizado pelos rentistas é a ameça da volta da inflação. Mas será que não há outras formas de conter o consumo que não seja essas taxas vergonhosas? Um remédio tradicional e eficaz sempre foi enxugar a liquidez mediante aumento do compulsório. Mas devem haver outros.
Então, por que o governo está preso nesse ciclo vicioso onde recursos que poderiam ir para a infra-estrutura vão para os bolsos de alguns bilionários?
Mas ai que tá. Infra estrutura também é consumo. Consome-se cimento, areia, pedra, aco, mao-de-obra, etc...
Por isso que se abaixa a taxa de juros a inflacao sobe. Porque aumento o investimento produtivo e no comeco ele é demanda, só depois de complementado ele vira oferta. Por isso que a equacao é complexa, se fosse simples esse governo ou o anterior ja teriam resolvido.
Creio que na verdade para os rentistas e mesmo os grandes capitalistas o que interessa mesmo é um meio termo de juros medianamente altos como uns 15% e alguma inflacao algo como uns 7%. Essa estória dos rentistas dos títulos públicos malvados está mal contada.
E também entre os economistas provavelmente a resposta em um meio termo entre essas garças da Puc RJ e outros com o o Pochmann e o Joao Sicsu.
Governo Tarso Genro. Reforma da Previdência , a ponta final da rede social que começa com o BF. Projeto construído com a expêriência dos estados do PR e PI , aonde as rfeormas vem obtendo melhores resultados. O projeto apresentado no dia 26/05 desenvolve arestas políticas é retirado reapresentado e no dia 28/06 aprovado.
Em 6 meses o governo aprova um projeto de um setor que é problema a várias administrações, constrói um novo plano para o magistério , e trabalha com questões como o déficit comercial inverso com a Argentina e outros. Não dava para esperar pouco , mandaram bem.
FeLiPe Vargas Zillig
Sem dúvida o Tarso Genro é um grande quadro, dos melhores que temos. Em todos os ministérios do governo Lula que passou fez sempre um grande trabalho. Tomara que faca um excelente governo no Rio Grande do Sul, depois do péssimo governo da Yeda.
Oi, Nassif
Antes de mais nada, uma correção. O que eu disse sobre os intelectuais da Casa das Garças foi que eles formam “um grupo respeitabilíssimo, que tem produzido alguns dos textos mais interessantes de interpretação do Brasil nos últimos anos”. Nâo quer dizer que eu concorde com eles. Quer dizer que eu gosto do que eles escrevem – como gosto de Platão, Descartes, Berkeley, Kant, Wittgenstein e uma porção de outros autores, concordando ou não com o que eles disseram. Vamos por partes, então. No que eu concordo e no que eu discordo?
Discordo da proposta de reduzir a carga tributária brasileira. Os governos FHC e Lula aumentaram consistentemente os impostos, até trazê-los aos níveis atuais, próximos aos da Europa. O que os liberais argumentam é que isso é disfuncional para a economia, na medida em que diminui a poupança PRIVADA e desestimula investimentos. Além disso, parte do pressuposto (puramente ideológico, eu acho) de que a iniciativa privada é capaz de alocar recursos de modo mais eficiente do que o Estado. Não tenho como avaliar os aspectos econômicos da questão – sigo o debate entre vocês, e vou fazendo minhas opções pelo meio, quando tenho certeza de que existe uma discordância irredutível a questões de fato. De um ponto de vista político, acho a ideia insustentável na Europa e mais insustentável ainda no país que tem as desigualdades gritantes que tem o Brasil. Num país em que as pessoas vivem na beira do esgoto, o Estado não tem que pensar duas vezes. Tem que arrancar impostos de quem tem dinheiro e redistribuir renda da forma mais racional e inteligente possível. O nível de impostos, portanto, é esse, mesmo – por volta de 35% do PIB. É esse o preço, e a sociedade brasileira tem que pagá-lo.
E quanto ao investimento público? Todo mundo (você, antes de mais ninguém) concorda que o nosso é baixíssimo. Anda aí pela casa de 1% do PIB. Teríamos (é o que se diz) que chegar a 3% ou 4% por cento em pouco tempo, para podermos sustentar com infraestrutura o crescimento do país nos próximos dez anos. A MINHA questão é – tirar de onde? Eles, lá do outro lado, respondem – basicamente, da conta da Previdência Social e do custeio (excluindo sempre gastos com saúde e educação – geralmente, têm o cuidado de tabular esse tipo de custeio separadamente, para mostrar). Acho que há o que cortar dos gastos com a Previdência, sim. Unificar os sistemas do funcionalismo público e da iniciativa privada ajudaria bastante – é no setor público que está o rombo. Planejar o sistema par que ele seja viável daqui a dez, quinze anos é uma necessidade. O que há de tão errado numa aposentadoria aos 65 anos para homens e mulheres?
Você fala em gestão. Eu acho ótimo. Só que, para isso, precisamos desengessar o regime dos servidores. Meritocracia significa, entre outras coisas, que você tem a possibilidade de premiar o mérito e TAMBÉM de castigar a ineficiência. Você é a favor de afrouxar as regras para a demissão no serviço público? Se isso vier acompanhado de um plano de gestão, como você propõe, eu sou. Onde houver inchaço, o que devemos fazer? Dadas as regras atuais, não podemos fazer quase nada. O que deve ser privilegiado, em todo caso? Novas contratações? Ou realocação do pessoal já contratado? Ninguém está defendendo demissão em massa, Nassif. Estou defendendo racionalidade na utilização da mão-de-obra já contratada e possibilidade de redesenhar o mapa das funções sem ter que enfrentar processos na Justiça do Trabalho. É só isso.
Você fala em juros. Muito bem. Aqui, uma confissão. Se algum dia eu pensei em votar em José Serra na minha vida foi em função de economistas como VOCÊ me terem convencido de que a ênfase deveria ser posta na espiral de juros altos e câmbio valorizado que fazem a festa dos rentistas. Concordo com você. Os liberais não põem a ênfase aí. Não é que não falem disso. Dizem que qualquer intervenção estatal pressupõe uma queda de braço com o mercado que, na melhor das hipóteses, desorganiza a economia, introduzindo um elemento de incerteza. Economistas como você e como José Serra dizem que não, e eu tendo a acreditar – ou, pelo menos, quero acreditar, pois a alternativa, como você bem diz, é tirar mais dinheiro da Previdência e do custeio.
Me diga, agora, Nassif. Quando foi que o governo Lula sinalizou algo remotamente semelhante a isso? Quando foi que Henrique Meirelles, presidente do Banco Central durante o governo Lula sinalizou alguma coisa remotamente semelhante a isso? Quando foi que Guido Mantega deu mais do que pálidos sinais de que poderia, quem sabe, fazer algo nessa direção, e fez alguma coisa além de ensaiar movimentos tímidos, de que está tentando matar um elefante com um estilingue? Vamos cortar os juros? Apoio qualquer candidato que se comprometa com isso, apesar de todas as ponderações do lado contrário. Quando você souber de um candidato comprometido com isso, me avise. Por enquanto, Nassif, ele só existe na sua e na minha imaginação.
Apenas comentanto alguns pontos:
- Não creio que seja possivel passar a se demitir ou afrouxar a demissão de funcionários públicos, mas mesmo sem esse mecanismo ainda há muita, mas muita mesmo, margem de manobra no sentido de melhoria de gestão, de eficiência de serviços públicos. Te dou com vários exemplos o caso das estatais como CEF, BB, Petrobras e outras, mesmo CeMIG e Sabesp. Em todas essas os funcionários têm estabilidade, no entanto, pela estrutura administrativa organizada que essas empresas apresentam, sem dúvida os seus funcionários rendem muito mais que os funcionários públicos, na média.
- Quanto à questão do seu último parágrafo eu discordo. No periodo de 2007, início de 2008, até a eclosão da crise hávia um lento mas continuo movimento de redução dos juros da selic. Se não me engano ela chegou a 8,75%. Na minha opinião é algo nesse sentido que daria para fazer, talvez não nesse momento que as coisas estao complicadas, mas esperemos que em um momento próximo.
Daniel,
O que se fez foi seguir o receituário tradicional. Henrique Meirelles se gabava EXATAMENTE disso: conseguiu baixar os juros "fazendo a lição de casa". Tenho a impressão de que Nassif tem algo MUITO mais forte do que isso em vista. Mas deixo isso para vocês, que sabem como jogar a partir deste ponto. Eu assisto. Mas não venha me dizer que existe algo radicalmente novo sobre a mesa. O câmbio está a R$1,57. E baixando. É isso que vocês têm em vista?
Olha, eu nao sou economista, nao sou do ramo. Mas acho que o que da para fazer é mais ou menos por ai mesmo, nao é muito diferente disso nao. Já vi propostas diferentes do Bresser Pereira por exemplo, mas implicaria em aguentar por um tempo uma inflacao um pouco maior ( quanto maior nao se sabe, esse é o problema). Fora essas, eu jamais vi uma proposta economica verdadeiramente pragmática que explica o que fazer e as possíveis consequencias disso. O Guido Mantega náo é neoliberal, longe disso. Mas também a questao nao é so tecnica. E tecnica, é politica, é social, ou seja é bem mais complexa. Por isso mesmo que, provavelmente a resposta nao esteja em nenhum extremo.
Creio que o que o Governo Dilma possa fazer seja implementar alguma melhoria na administracao pública e aplicar um plano de abaixar os juros progressivamente no médio e longo prazos ( uns 3 anos talvez). Paralelamente tem-se que ir afinando os instrumentos da economia com as medidas macroprudencias, a nova agenda de desindexacao, alguma mini-reforma tributária, se possível uma reforma ou mini reforma política. Creio que dessa maneira, com a copa do mundo, com as olimpiadas, com o pré sal, com a continuidade da inclusao social, entre outros, podemos sim ampliar o investimento do País e conseguir algo com um crescimento consistente de uns 6% ou 7% quem sabe com uns 4% de inflacao. Isso tudo com distribuicao de renda, melhoria do combate a corrupcao e melhoria e aumento da eficiencia administrativa do setor público, sem contar os investimentos em educacao. Se conseguissmos algo assim o País daria um grande salto e acho que é algo bem factível até o fim do mandato da Dilma, nem que seja o segundo mandato.
Interessante é que o pessoal do blog que entende mais de economia como o Gunter e o Rodrigo Medeiros nao vem comentar. Nem o AA veio nesse, nao sei porque.
O câmbio livre é um conceito consolidado quase como verdade econômica , entre outros solidificados e abalizados pelo mercado que provocou a última crise econômica internacional.
Deficit na balança comercial , crise econômica , desvalorização do real , o cãmbio ea indústria exportadora se recuperam , que doidera , economia e matemática são ligadios umbilicalmente a filosofia e psicologia. Com a entrada da grana do Pré Sal haverá o equilibrio destas contas , o deficit seria coberto , não ocorre desvalorização e a desinstrualização ocorre , doença holandesa ou petrolífera, excetuando a Holanda todos os outros exportadores tem péssimos índices sociais, Venezuela à parte.
Os investimentos. O BF que gerou empregos , todo o setor de médio e pequenos comerciantes , indústrias , ganho social , incluido saúde e valorização do patrimônio humano , tudo isto é contabilizado como custo e não com investimento , qual o custo do BF ? Quanto vai custar tal programa de investimento na sociedade ou população ?
20 a 30% de desvalorização ou subvaloração do dólar , o preço é estipulado pelo mercado então como está 20 ou 30% abaixo do valor ? Que p.. é essa ?
Mirian Leitão perguntando o que aconteceria em caso de moratória norte americana ? Lêlê andou pela área , não quis traçar um perfil mais definido do quadro e recuou em artigo posterior. As agencias de ratting , das quais as nações europeias reclamam hoje , classificavam como AAA títulos e derivativos imibiliarios que viriam a serem os causadores da crise, assim como executivos de financeiras foram tratados como safados e ladrôes em comissões de inquerito estando hoje ocupando cargos em comissões de finanças na maior democracia do mundo , pra quem leva a sério a propaganda neo orto liberal.
Documentários , Trabalho Interno e na tv Escola, entrevistam diversas pessoas e a imagem que fazem do mercado não difere muita das várias interrogações feitas em vários blogs e por várias pessoas , 5000 lobistas no Congresso norte americano e outros fatos explicam a manutenção do sif , porem mudanças , impaciência e revolta de vários setores , e a forma agressiva com que confrontam o governo Obama podem serem sinais de ruptura da sociedade com este setor nos atuais termos de relacionamento , o sif existe para prestar serviços a sociedade, como qualquer outro setor , não para fabricar crises. Os rendimentos do execs são hilários , o representante do governo chines falando a respeito , e quando do mercado a posição dele é anti maior risco maior lucro se estourar todos tem que dividir ou escorar , quanto antes as mudanças chegarem melhor.
FeLiPe Vargas Zillig
"qual o caminho alternativo de gerar recursos, se o governo – segundo ele – está tomado pelo corporativismo do funcionalismo público."
Se a premissa é essa eu acho que antes de mais nada ela deve ser provada.
Que o governo está tomado pelo corporativismo eu não tenho dúvida, mas acho que o funcionalismo está entre os mais fracos. Eu colocaria os bancos em primeiro lugar e quanto ao resto aguardo a opinião de vocês.
Eu creio que há sim corporativismo no setor público e este problema, como tantos outros, deve ser enfrentado.
Mas claro que a maneira de se enfrentar é através do diagnostico da administração e de propostas de melhorias e de aumento de eficiencia para o funcionalismo de uma maneira geral, como o Nassif, bem colocou no seu texto. Com certeza , não é com cortes lineares de gastos, até porque isso é incostitucional e pouco inteligente administrativamente.
Note bem, não se trata de corporativismo no setor público, trata-se de corportativismo dos funcionários que, como tal, constituem uma corporação, burocracia enfim.
É possível haver corporações que não sejam corporativistas? O que distingue o bom do mau corporativismo? Quando médicos e advogados protegem suas categorias contra maus colegas os estão certos ou errados? Quando toda a categoria protege os maus profissionais, está certa ou errada?
Como surge o mau corporativismo, quais são suas verdadeiras causas e maneiras de combater?
Vocês realmente acham que de todos os corporativismo que agem sobre o governo o da burocracia é o maior e pior? E quem, de fato, comanda a burocracia? O governo, os partidos, os corporativistas, os empresários, os sindicatos ou o povo?
E quem deveria comandá-la?
Voce tem razao, corporativismo existe em todos os setores, me expressei mal. O que o governo tem que fazer é um diagnóstico claro do funcionalismo e buscar alternativas para a melhoria da gestao. Ou seja, melhoria dos servicos prestados e se possivel a um custo menor, mas claro que respeitando as disposicoes constitucionais existentes.
Um exemplo claro sao as estatais como Petrobras, CEF e BB. Que no geral sao bem melhores administradas que o restante do servico público.
Claro que o servico publico nao é homogeneo. Devem haver setores bem administrados e outros muito mal administrados, dai a grande necessidade do diagnóstico inicial.
Náo sei se voce conhece, mas eu conheco um pouco, principalmente as Prefeituras de uma maneira geral é uma bagunca tremenda, sao pessimamente administradas. E a culpa nao é dos funcionários, é que faltam estruturas administrativas adequadas. Sempre repito que um mal funcionário em uma boa estrutura rende mais que um bom funcionário em uma estrutura deficiente, pelo menos no longo prazo.
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