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A comparação da produtividade de professores nos EUA e aqui

Por Rogério Maestri

Comentário ao post "As diferenças do ensino superior entre Brasil e EUA"

Caros Senhores.

Há uma série de erros na comparação entre a produtividade de professores norte-americanos e brasileiros, procurarei relatá-las algumas para termos um padrão de comparação melhor.

Primeiro, querer comparar professores de universidades brasileiras como o MIT, Havard, CalTech, Yale e outras, é uma verdadeira desproporção. Enquanto estas universidades foram fundadas em 1861, 1636, 1891, 1701 respectivamente, nossas melhores universidades, USP, UNICAMP, UFRGS e outras foram fundadas como universidade em 1934, 1966, 1947 (como URGS), ou seja, quando nasciam nossas universidades as grandes universidades norte-americanas já eram centros de pesquisa de excelência.

Segundo ponto, pesquisa nas universidades brasileiras começaram na década de 70, enquanto nas universidades norte-americanas desde o início do século o governo norte-americano jogava rios de dinheiro nesta atividade por interesse estratégico. Chamo a atenção que independente de partido no poder, republicanos ou democratas, JAMAIS o governo norte-americano deixou a atividade de pesquisa ao sabor do mercado. Até hoje o grande investidor em pesquisas nos Estados Unidos é o governo federal e os governos estaduais.

Se falarmos de programas de pós-graduação a diferença fica ainda mais gritante, no início do século XX, todas as grandes universidades norte-americanas tinham cursos de pós-graduação formando doutores nas áreas TÉCNICAS, isto no Brasil começa com mais de cinquenta a setenta e cinco anos de atraso.

Agora vamos à comparação mais surpreendente, recursos para a pesquisa. Enquanto nos Estados Unidos, já no século XIX, tanto o governo como beneméritos aportavam dinheiro para a pesquisa, este começou a conta gotas nas décadas de 70 e 80, para só nos últimos dez anos começarmos a receber recursos mais significativos (para não ser injusto com presidentes de governos anteriores, os aportes mais significativos de recursos para a pesquisa começaram em 1999 com a criação dos fundos setoriais). Capes, CNPq e Fundações Estaduais aportavam recursos, principalmente para bolsas de pesquisa de professores, mas instalações de porte só começaram com os fundos setoriais. E o importante, enquanto um capitalista americano quando morre doa dinheiro ou bibliotecas a universidades norte-americanas, os nossos capitalistas brasileiros enquanto muito vivos querem saber o que podem retirar das nossas universidades!

Podemos dizer que a Universidade Brasileira tem de setenta e cinco a cem anos de atraso histórico em relação a grandes centros de pesquisa mundiais, e que devido a esta falta de história, penam em achar o seu caminho.

Há um fator importante que todos esquecem, países como os europeus e o próprio Estados Unidos, levam extremamente a sério a criação de tecnologia para o seu desenvolvimento, por exemplo, as verbas para uma das agências de pesquisa dos Estados Unidos, a National Science Foudation solicitadas para o orçamento de 2013 são de US$7.373.000.000,00 (7,373 bilhões de dólares). Este é o CNPq deles, os orçamentos de pesquisa para as forças armadas e outros ministérios ultrapassa em muito todo este orçamento.

Bem quanto a questão de publicações fica bem claro porque é mais fácil publicar nos Estados Unidos do que no Brasil, mas se fosse só isto era pouco.

Sou coordenador de um núcleo de pesquisa em que estava engajado neste núcleo um professor que havia ficado numa das Top-tens norte-americanas trabalhando no desenvolvimento de um acelerador de partículas, ele chamou a atenção que uma grande diferença que havia entre as universidades norte-americanas e as brasileiras, era que aqui os professores tem que fazer o projeto, orçar o projeto, contratar as pessoas para construir instalações físicas, fiscalizar a construção das instalações físicas, preencher toda a burocracia e ainda se preocupar com coisas nada técnicas como responder na Justiça do Trabalho por contratações erradas que os mesmos por sua ignorância fazem. Por outro lado, nos Estados Unidos o professor é responsável pelo projeto de pesquisa e por seu orçamento, daí por diante a universidade toma conta do resto.

Quanto ao número de horas de aula, aí comentários que pessoas que nada entendem sobre educação, dizem idiotices que é de dar gosto. Excetuando os professores contratados somente para dar aulas, os professores seniores tanto nos Estados Unidos como na Europa, dão aproximadamente 10% a 20% das aulas do que qualquer professor regido pela Lei de Diretrizes e Bases na Educação (Lei Lei nº 9.394, de 1996) obriga (Art. 57. Nas instituições públicas de educação superior, o professor ficará obrigado ao mínimo de oito horas semanais de aulas.). Ou seja, enquanto professores seniores nos Estados Unidos ou na Europa dão de 40 horas de aula por ANO, no Brasil o MÍNIMO previsto por lei é de 180 aulas ano ou 240 aulas conforme o tamanho do semestre na instituição (mais outras atividades. É claro!). Para exemplificar no meu caso pessoal a média dos últimos anos tem variado entre 432 horas aula a 504 horas aula).

Em resumo, a produtividade média de um professor universitário brasileiro em relação aos seus congêneres internacionais, computado não só o aspecto de publicações científicas, mas sim a todas as atividades que um professor de nossas universidades tem que fazer, é MAIOR. Se fossemos contar somente as publicações, realmente é muito baixa, entretanto se na Universidade Brasileira, os professores dedicassem seu tempo somente para a pesquisa e dessem somente a quantidade de aulas que são dadas em outras universidades no mundo, talvez a nossa produção intelectual atingisse níveis mais próximos aos níveis internacionais, entretanto a universidade deixaria de funcionar e os alunos de graduação não teriam mais professores.

Professor Rogério Maestri

Professor do ensino superior desde 1978.

(Ainda não aposentado!)

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Perdoe-me discordar de muitos dos seus pontos, Nassif.

1- O problema da produtividade científica no Brasil é a estrutura do funcionalismo público. Nos EUA, se um professor não produz, rua. Aqui isso não existe. Para se dispensar um professor são necessários inúmeros processos burocráticos e, além de demorados, nunca são colocados em ação, devido ao corporativismo. Quem trabalha com pesquisa nas universidades sabe a quantidade de parasitas que habitam por lá.

2- Talvez o Brasil não tenha tanto dinheiro para a pesquisa, mas pelo menos o estado de SP tem. Veja os números da FAPESP, que não ficam muito atrás dos números dos países desenvolvidos, já os resultados...

3- Os capitalistas brasileiros não doam dinheiro às universidades por três motivos muito simples: 1- eles não podem direcionar o dinheiro doado (ex.: o sujeito sofria de câncer antes de morrer e gostaria de ver a sua fortuna direcionada para esse tipo de pesquisa), 2- o doador não pode ser nem citado na obra construída com o seu dinheiro (veja o exemplo da FD-USP que teve que devolver dinheiro doado por herdeiros, pois os estudantes acharam que eles estava comprando a universidade pedindo para que o nome do pai fosse dado ao auditório construído com a verba. Ele tinha doado mais de 1 milhão de reais) e 3- existe uma visão mofada de esquerda nas universidades de que o dinheiro privado não pode entrar em nenhuma instituição pública. A visão predominante é que o Estado é um golias que pode arcar com tudo, até em um país com tantas outras carências, como o nosso.

4- E daí que as universidades americanas são antigas? Os atuais professores não nasceram em 1850. Eles nasceram junto com os nossos. Veja as universidades sul-coreanas que não têm nem 20 anos.

5- Não sei em que universidade você trabalha, mas na USP os professores são obrigados a ministrar uma disciplina por ano que, no geral, duram 4 meses, com uma média de 6 horas por semana. Pode ser mais que nos EUA, mas isso não me parece nada exagerado.

 

Enviado por luisnassif, seg, 21/01/2013 - 09:17

Por Rogério Maestri

Coitado do Nassif, leva tanta paulada sem ter escrito nada, apenas ter feito o pos. 

 

A paridade é instituída por modos informais na hora de se elaborar listas tríplices dos cargos eletivos. Após uma consulta PARITÁRIA, se faz lista tríplice e se vota no ganhador obedecendo os 70% da lei para os docentes.

A paridade não faz o menor sentido.

 

O Chronicle of Higher Education acaba de publicar um artigo interessante sobre esse tema da carga de trabalho dos professores de ensino superior americano. Vale a pena ler. Nao tive tempo de traduzir, talvez valesse a pena: http://chronicle.com/blogs/innovations/yes-faculty-members-work-hard-eno....

 

É bom mesmo levantar esses dados para contextualizar a coisa de que se fala. Esses elementos do post sao fundamentais para começar a enquadrar a compreensão das nossas limitaçoes. Porém, um ou dois reparos pelo menos. Um deles é a identificacao que usualmente fazemos (nao apenas esse texto) entre ensino superior e universidade. Nao sao a mesma coisa nos Estados Unidos. Mais da metade do ensino de graduação nos Estados Unidos se faz em instituições de ensino que nao sao universidades. Alias, metade dos estudantes de graduação entram em escolas de curta duração, os community colleges. Uma outra coisa dificil de comparar desse modo mais direto e simples é a estória das horas de aula. Nos Estados Unidos, o full professor voltado exclusivamente à pesquisa e pos-graduação é um pedaço muito pequeno do conjunto. Mesmo em grandes e famosas universidades. E há uma multidão de professores que se classificam no que se pode chamar de 'professorado contingente'.  Já em meados dos anos 1970, o Depto. de Educacao americano calculava que eles eram uns 40& do professorado. Hoje, se a memoria nao me falha, passam dos dois terços. Em uma palavra, professor precário, com contratos de nove meses negociados ano a ano, remuneracoes baixas, muita aula e tutoria, nenhuma pesquisa. O conjunto é bem variado e não pode ser medido só pelos professores senior com estabilidade. A organização da pesquisa, como o post oportunamente registra, é bem mais 'profissional' do que aqui, claramente. Alias, a maior parte das gradnes universidades, há uns 50 anos pelo menos, motnaram varias ORUs (organized research unities) que operam meio paralelamente à universdiade e que adminsitram a pesquisa, liberando os investigadores para o trabalho propriamente científico (a criação) e para o treinamento de seus "sucessores", dos jovens que recrutam como bolsistas ou pesquisadores temporarios. Nós ainda estamos longe de ter algo assim.

 

Gostei. Reformar as universidades brasileiras e professores que na preocupacao com os papeis, titulos ficaram mais importantes do que o objetivo academico e pesquisa. As Universidades sao uns mostros.

 

Na verdade, os professores americanos e europeus também estao abarrotados de burocracias a resolver e também nao tem tempo p sentar no laboratório, como os doutorandos e pósdocs. 

Eu acho q um erro gigantesco nessa comparacao é que comparar "professores universitários" brasileiros com Professors americanos e europeus, é comprar pera com abacaxi. A estrutura acadêmica nos EUA e na Europe é muito mais hierarquisada do que a brasileira. Professor aqui no exterior é o título do cargo mais alto destas Universidades. Na Alemanha, por exemplo, eles concentram quase que todo o poder político nas maos deles. Este cargo europeu e americano seria apenas comparável aos professores titulares no Brasil, que sao nao apenas os mais experientes, mas também os mais produtivos CIENTIFICAMENTE. Aqui eles tem vários outros cargos, como lecturer, scientistas associados etc, mas nenhum deles é chamado de Professor.

No Brasil esta palavra professor, nao apenas é usada p denominar todos os cargos científicos e de ensino do quadro permanete das Universidades, mas também é usado (como nós bem sabemos) para todas as outras atividades onde alguém ensina algo para alguém, como professor de natacao, ou de autoescola. Isso demonstra bem a diferenca no significado, entre nós e os europeus+americanos. Professores universitários brasileiros sao gente como a gente, enauqnto os Professors aqui no exterir sao algo como que "acima".

 

 

Tirando de fora a Usp, Unicamp, Unesp e algumas poucas federais (UFRJ, UFMG, UFRGS por exemplo) o restante das universidade brasileiras não passa de centros de ensino, onde o foco na pesquisa é quase zero. As Universidades americanas são basicamente centros de pesquisas, o ensino saí por corolário. Professor é pago para desenvolver pesquisa e a carga horária dele é muito pequena.

Outra coisa que temos que destacar,  as tops americanas são Universidades privadas, embora tenha muito recurso do contribuinte americano. Mas, se o cara não der resultado é demitido e é contratado outro melhor. No Brasil não, se você passar em um concurso para dar aulas em uma Universidade Federal, produzindo ou não produzindo você nunca mais será mandado embora, é mais uma prova que a estabilidade só atrapalha.  Um exemplo que devemos destacar no Brasil é o IMPA (Instituto de Matemática Pura e Aplicada), uma instituição que se tornou privada pelo FHC, e está entre as melhores produções matemáticas do mundo.

 

As Universidades privadas brasileiras não oferecem estabilidade a seus professores. Onde está o espetáculo da eficiência?

Não simplifique as coisas apontando o dedo para a estabilidade. Os responsáveis são muitos. Privatizar as universidades apenas as tornariam privadas.

 

Aliás, uma rápida olhada no site do impa (www.impa.br) permite identificar a logo do governo. Vale a pena também olhar o estatuto do IMPA (http://www.impa.br/opencms/pt/institucional/download/estatuto__2008.pdf) para verificar que não se trata de organização privada.

 

O IMPA não é uma instituição privada. É uma organização social que tem administração bastante desburocratizada e recebe do ministério da ciência e tecnologia vários milhões de reais por ano. A esmagadora maioria dos estudantes de mestrado e doutorado do IMPA recebe bolsas do CNPq e da CAPES. Empresas privadas também investem em pesquisa lá (mantêm inclusive pesquisadores pagos por elas mesmas lá) mas não é possível caracterizar o IMPA como uma instituição privada.

 

Recente entrevista do Diretor do IMPA

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cienciasaude/71500-centro-de-matematica...

 

 

Funcionários do IMPA não são funcionários públicos, nem tão pouco servidores públicos. O IMPA demite e contrato conforme eles querem, ter dinheiro público não significa que a instituição é pública. Princeton e Havard, por exemplo,  também tem dinheiro público e como o IMPA não são públicos.

 

você está correto: IMPA é uma instituição privada. Segundo o diretor, César Camacho (no link que você postou),

"O Ministério da Ciência e Tecnologia havia oferecido esse modelo de administração para algumas instituições (em 2000), dentre as quais o Impa. O instituto se torna um órgão privado que estabelece um contrato de gestão com o governo federal. Cria-se um plano de metas que a instituição tem de cumprir para ter verbas".

e continua:

"Tais recursos são administrados pelo Impa com uma liberdade muito ampla. Ao abrirmos nossos concursos internacionais, não temos obrigação de contratar ninguém, por exemplo, a não ser que encontremos o perfil que estamos procurando."

 

Analogamente, ter dinheiro privado não significa que a instituição é privada. Me parece claro que vc quer argumentar que sendo o IMPA "privado" as coisas lá funcionam, o que é falso. As coisas funcionam devido a uma grande quantidade de fatores e não só do dinheiro privado que entra lá. Usar a falta de estabilidade de funcionários (o IMPA demite quem quiser se quiser) para caracterizá-lo como privado não está correto. O IMPA é uma organizaçao social que recebe dinheiro público E privado. O que seria bom é que os institutos de pesquisa brasileiros (não só os de matemática) tivessem a autonomia que o IMPA tem para lidar com os recursos (por exemplo, o IMPA não está sujeito a uma reitoria, como os departamentos/institutos das universidades estão). Não há burocratas no IMPA decidindo para que projeto vai o dinheiro, como na administração central financeira das universidades. Há cientistas, gente qualificada tecnicamente. Não é uma questão de dinheiro, mas de qualificação técnica/científica de quem lida com os recursos. Nâo se trata de "privado é melhor" e sim da falta de autonomia e da burocracia exagerada e inútil a que estão sujeitos os institutos de pesquisa e departamentos das universidades públicas brasileiras.

 

Prezado Nassif

Ah! .Quase esqueço : Eu vejo com muitas suspeitas  esta prática Brasileira de Ponturar igualmente um mesmo artigo para vários autores de  um mesmo artigo .Certamente colaborações científicas são bem -vindas .Mas na maioria esmagadora das publicações Brasileiras  ,são 3-5 autores seniors (Professores Doutores Adjuntos e Associados ) "multiplicando pesquisa " , para  a justificação  de Bolsas e salários recebidos  ,tudo relativo a  um único artigo .

O certo seria "DIVIDIR PESQUISA"

E uma análise cuidadosa do trabalho sempre revela que bastava uns dois autores para o mesmo . O resto PARECE ser  co-carona -autoria para fins de política acdêmica .

 

1) Quando se monta um grupo de vanguarda em qualquer coisa, quando já há vanguarda estabelecida, o usual é que se copiem as melhores práticas e não se fique inventando a roda (um processo chamado "catch-up"). Se as universidades brasileiras são atrasadas em relação às suas equivalentes no resto do mundo, deve copiar as boas práticas e diminuir os vícios. É desculpa essa história de que as universidades do resto do mundo estão na nossa frente pq são mais antigas.

Isso seria verdade se existisse uma "função" de produtividade, em que fosse mais fácil evoluir nos momentos iniciais da universidade e depois se tornaria mais difícil. Nesse caso, as universidades brasileiras estariam em um caminho de acompanhar as estrangeiras, momento no qual desenvolveríamos tanto conhecimento lá quanto aqui. Caso o comportamento não seja assim, não faz sentido ter universidades nacionais pois as estrangeiras sempre serão melhores e nós ficaremos correndo atrás de qualquer jeito. A implicação de algo nesse sentido seria que nossas universidades deveriam evoluir mais que as grandes estrangeiras (uma vez que são mais novas), o que não consigo perceber na prática.

2) As boas práticas internacionais e as boas práticas brasileiras. Parece que o interlocutor entende que qualquer coisa que é feita nas grandes universidades estrangeiras é bom. As universidades brasileiras tem vários professores que não dão aula, não pesquisam e nem fazem extensão. E pq tem professores em universidades grandes estrangeiras que também não trabalham o interlocutor argumenta que isso as faz ser grandes. As vezes o que é óbvio é óbvio... A dificuldade em dar aulas está em preparar o material e atender individualmente os alunos. Mas experimente procurar um professor na universidade fora do horário de aula para perceber que esse atendimento não acontece, ou pelo menos, é muito mais difícil que deveria ser. Além disso, normalmente, os professores escolhem disciplinas que dão durante 4 ou 5 anos, precisando apenas rever (quando muito) algumas das aulas. Não se trata de preparar um material completamente novo.

Novamente, se os professores querem alcançar as grandes universidades internacionais, evoluir mais que seus equivalentes e não tentar copiar as práticas que lhes tiram a produtividade. Caso não façam isso, correm o risco de perder a função de liderar a produção de conhecimento. Me parece óbvio depois da greve desse ano, quando ficaram 4 meses parados, recebendo um "cala-boca"  no final do esperneio, esperando que a sociedade viesse clamando pela grande falta que fazem.

Resumindo, os professores utilizam a argumentação de que a função deles é extremamente relevante (o que é um fato) para cobrar um reconhecimento que não fazem jus...

Abraço

 

Prezado Nassif

Novamente empulhações e distorções do texto . É absolutamente claro que somente um completo idiota ou alguém de extrema má-fé  iria argumentar que a produtividade dos Profesores Doutores Brasileiros ultrapassa aquela dos Americanos , ou Alemães , etc....´Primeiro fazer este tipo de comparação é um atestado de mau caratismo ! .É absolutamente claro que este tipo de comparação é uma manobra diversionista para justifar a baixíssima produtividade  em Pesquisa Publicada em veículos internacionais dos nosos Profesores Doutores da Carreira de Magistério Superior do MEC e da Defesa !.Deveríamos nos comparar com a ìndia , ou com o Chile  , ou Argentina ou até mesmo como Irã ! .

Mas o problema é aquele relacionado a NOSSA PRÓPRIA PRODUÇÃO ! (e independente de comparações com os Países mais Ricos e Avançados)  . É uma vergonha , quando se compara os gastos Públicos  com salários e Bolsas  dos Profesores das Universidades Federais , especialmente aqueles com o Doutorado e na classe de Adjunto para cima , com as estatísticas de Publicações internacionais . E ainda é mais abjeto , quando se faz a comparação com as atividades mor das Universidades Federais , que é a formação de quadros qualificados ao nível de Graduação , DENTRO DO PERÍODO  OFICIAL DE DURAÇÃO DO CURSO , COM O NÚMERO DE ALUNOS QUE ENTRAM COM AQUELES QUE CONCLUEM OS SEUS CURSOS !. E  eu não me refiro somente aquelas  Universidades Federais Médias e Pequenas .

E esta estória de ter tempo gasto com Burocracia não passa de mais outro Golpe para justificar a "Preguiça" da Tchurma para as atividades principais de Ensino Universitário e Pesquisa !. É o Festival de Vagabundagem explícita de Coordenadores de Cursos e Pós que assola as Universidades Federais Brasileiras !. E é uma Ilegalidade aceita pelas Reitorias que os Chefes de Departamentos e Coordenadores de Cursos  não ministrem aulas e não sejam obrigados a apresentarem as suas Pesquisas .Apesar de receberem as suas gratificações adicionais pelo exercício dos cargos administrativos !. E os Pesquisaores que vivem reclamando do prenchimento ds Papéis  dos seus  Projetos , é tudo finta sem vergonha para esconder os gordos Pró-labrores e a "contratação de funcionários Terceirizados" por este mesmo Pesquisador Coordenador de Projeto  .Tudo tristemente inspirado nas manobras coruptas das  Bandas Podres do  Congresso Nacional e Tribunais Brasileiros .

E sem uma Universidade Pública , mesmo parcialmente gratuita e com o Binômio indissociavel do Ensino e Pesquisa , o Brasil não tem futuro !.

 

"Primeiro, querer comparar professores de universidades brasileiras como o MIT, Havard, CalTech, Yale e outras, é uma verdadeira desproporção."

Os metodos para estabelecer proporções de um modo de comparar alguma coisa consiste em descobrir   sozinho a significação de coisas até o momento em elas são substituidas; e não o de sofrer o uso de outras transações que fazem as nossas decisões produtivas.

O fato de o professor de economia dos EUA saber da antiguidade interpretar filosoficamente o significado de local de exterioridade,  pode levantar a seguinte pergunta ao seu colega brasileiro: De modo inversamente, qual a razão de dinheiro e valor de um a outro; em um mundo exterior que incorpora o valor útil?

A verdade é que a ciência econômica se conta como conquista do reino externo a ser representado nas universidades, e assim quanto se deve dar de conquista real (do dinheiro) por um valor de um dólar americano...

Se o dólar é o valor de um estado/reino da conquista do que se pode comprar, o dinheiro é apenas a consciência da riqueza colonial para o reino exterior, que sugire a inversão (a incorporação desse lugar).  

É preciso que os economistas brasileiros saibam que dinheiro e valor não são sinônimos de função produtiva. 

 

Uma ideia ou intuição dita de modo próprio pode servir de via de acesso em direção a percepção metafísica do ser e o quanto no universo ele é capaz de constituir por si mesmo para tal transcendência existencial.

Estou tentando a dias que uma estudante consiga preencher o famigerado curriculo lattes. Há um problema com o nome DA MÃE, o cnpq pediu a ela para ver junto à receita, etc etc faz mais de dua semanas que ela tenta tenta... 

Quando montei o instrumento que me deu medidas, que me possibilitou defender a tese de doutorado nos states, ... eu comprava tudo com o meu cartão de crédito e tudo era reembolsado direitinho. No final tudo funcionou maravilhosamente ... voltei para aplicar o que aprendi lá ... mas desde então só tenho insucessos: O PENSAMENTO BUROCRATIZADO, A SENSAÇÃO DE QUE TODOS NÓS SOMOS CORRUPTOS E POR ISTO HÁ LEIS E CÓDIGOS PARA TUDO ... nos travam as nossas vidas.

Pergunte a um empresário se é fácil atender à carga burocrática nacional??

Outro detalhe: certo dia vi um senhor preparando 14 documentos oficiais para poder assinar uma carteira. QUATORZE !!! E quantos documentos temos que preencher diariamente para seguir as nossas vidas de p-r-o-f-e-s-s-o-r-e-s?? Mais e mais reuniões infindáveis, improdutivas, inócuas, ...

 

Ótimo texto, mas acho que um ponto fundamental ficou de fora. Além do excesso de aulas (as universidades estão virando colegiões) e de trabalho administrativo, ainda temos outros venenos da produtividade no Brasil: a isonomia salarial e a estabilidade fácil. Enquanto nos EUA e na Europa a peneira do "tenure" é ultra-seletiva, permitindo que apenas os melhores se estabeleçam em cargos permanentes (salvo poucas exceções), no Brasil a peneira tem uma malha grossa demais. Vários incompetentes ou mesmo pilantras com padrinhos poderosos conseguem virar servidores públicos depois de um probatório pro-forma de três anos, no qual se cobra basicamente uma grande quantidade de aulas e uma pequena quantidade de publicações, sem que seja avaliada a qualidade de ambas. Cobra-se também uma obediência servil aos professores mais antigos. Depois de conquistada de bandeja essa estabilidade nada meritocrática, basta fazer o mínimo do mínimo pelo resto da carreira que o seu salário continuará sendo igual ao dos que se matam para fazer a ciência e a educação brasileiras se desenvolverem. Assim, mesmo que diminuíssem nossa carga didática e administrativa, mesmo que as universidades brasileiras tivessem sido criadas no século V, mesmo que nosso orçamento fosse bilionário, ainda estaríamos patinando em uma qualidade sofrível. A universidade não vai para frente sem meritocracia de verdade no plano de carreira!

 

Você já viu o artigo 8 do novo Plano de Carreira (resultado da greve de 2012).

Todo concurso será para professor auxiliar. Só será necessário o doutorado se o professor quiser ir para associado. Se não quiser, entra como auxiliar e vai até adjunto IV (16 anos) sem qualquer especialização, apenas com o bacharelado ou a licenciatura. Se quiser, sim, fará mestrado e doutorado, e aí ganhará um pouco mais.

Antes mestrado e doutorado estavam se tornando pré-requisitos para se ter uma carreira universitária. Agora, é um requisito apenas para se ganhar mais.

Bem, as universidades no mundo inteiro estão virando escolões (não há como fugir disto). Éspera-se do professor maior produtividade, isto é, um número maior de alunos per capita professoralis.

Não vejo qualquer movimento no sentido de serem criados institutos puramente de pesquisas. Os poucos existentes, fora das universidades, resistem e vegetam com verbas parcas.

A própria pós-graduação está se massificando com o afrouxamento dos critérios de seleção (mas agora, não sendo essencial para se ingressar na carreira, talvez tenhamos um refluxo da tendência - um efeito positivo do que é ruim).

Enfim, entramos numa nova fase: nova carreira, novo sistema de cotas. É impossível prever o que será a universidade federal brasileira daqui a 10 anos.

 

Ao meu ver os magistrados equivocam-se ao máximo quando exigem mais tempo para pesquisa em detrimento de aulas. Vamos ao conceito base. O cargo é de professor!! Devem ensinar acima de tudo. Se as aulas não o satisfazem profissionalmente, deveriam repensar a carreira e ingressar em uma das várias oportunidades de emprego para pesquisador; aí sim seu tempo será 100% dedicado à pesquisa e liberará vaga na Universidade para algum profissional cuja prioridade seja de fato desenvolver os conhecimentos acadêmicos dos estudandes.

 

O Currículo Lattes privilegia atividades de pesquisa mais do que a função precípua de docente.

O que é no mínimo curioso. Nas universidades brasileiras - por mais que alguns docentes de auto-denominem dessa forma - não existe cargo de pesquisador. Existe docente. Que é obrigado a fazer pesquisa. E extensão.

E já ouvimos/vimos docentes dizerem que tem horror ao trabalho na sala de aulas...

 

Eu tenho uma birra com essas comparações entre formigas e elefantes, que me parece ser mais má fé do que tudo.

"Olha aquela formiguinha, carregando duas gotinhas de água, enquanto que o navio-tanque leva um rio inteiro!"

 

Óbvio, as duas gotas da formiga são para uma determinada atividade, enquanto o navio-tanque abastecerá países sem rios.

 

Pois é... o professor e responsável pelo projeto e orçamento e a universidade toma conta do resto.

Nas universidades brasileiras temos também técnicos capazes de fazer isso. Mas nossas Universidades são, por Lei, geridas por docentes. Amadores, na maioria dos casos. E sem preparo adequado. Alguns até sem gostar. Tanto que ainda pensam, muitos, que a função principal dos técnicos administrativos em educação é a de arquivar a quarta via rosa. Ou reservar quarto de hotel.

Coloquem administradores na frente da parte operacional das universidades - como bem fizeram os hospitais que dividiram a hotelaria da parte médica - e teremos então gente para tocar os projetos.

E aprendam: a quarta via rosa nem existe mais. Hoje é virtual. Hotel também se reserva pela internet.

 

Assino embaixo. Fora a burocracia que semestralmente tem roubado mais e mais tempo dos professores por falta de pessoal de apoio ou por serem incompetentes e as administrações universitárias não providenciarem demissão, o que é muito complicado pelo excesso de garantia do emprego.

 

Excesso de garantia de emprego também se aplica aos professores. E sabemos que muitos, de professor, só tem o título. Foi o único concurso em que foram aprovados.

 

O Brasil adotou o dogma de uma universidade em que ensino, pesquisa e extensão são indissociáveis.

Isto é, o professor universitário tem de dar aulas (muitas), fazer pesquisa (no tempo que sobra) e, a maioria, fingir que faz esta tal de extensão, organizando seminários que pretensamente serão assistidos por pessoas de fora da universidade (alguns realmente fazem uma verdadeira extensão, isto é, colaboram com movimentos sociais).

No horizonte não há qualquer sinal de que isto vá mudar.

 

E ainda brigar pelos 70% de participação docente nos orgãos diretivos.

 

Esta briga já perdemos: por mecanismos espúrios instituiu-se a paridade. Alunos e funcionários têm o mesmo peso que o professor na universidade. O mesmo? De modo geral os dirigentes universitários só pensam nas necessidades dos alunos que, em boa parte, se não em maioria, não fazem a única coisa que deveriam fazer: estudar com afinco.

PS> E o ano da graça de 2012 ficará conhecido como o ano em que se destruiu (governo, ANDES e PROIFES) a carreira do professor universitário federal (baseada na pós-graduação), construída nos últimos 25 anos.

 

Não sei em que universidade vc está, mas na que trabalho - e sou técnico NS - os docentes ainda tem maioria absoluta. Tantamos, no estatuto (é uma universidade nova) instituir o 1/3 por categoria. Foi barrado pois carecia de fundamento legal.