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A convergência de fatores da crise global

Por Marco Antonio L.

Na Rede Castor Photo

Crise sistêmica global: 2º semestre 2012 – GEAB No. 65

 
Convergência de quatro fatores explosivos: Bancos, Bolsas, Aposentadorias e Dívidas

por GEAB [*]

Aguardando que a Eurolândia se dote, daqui até o fim de 2012, de um projeto político, econômico e social comum de médio e longo prazos, na sequência nomeadamente da eleição do novo presidente francês François Hollande, antecipada há numerosos meses pelo LEAP/E2020, os operadores permanecerão prisioneiros dos reflexos de curto prazo ligados aos sobressaltos políticos gregos, às incertezas sobre a governança da Eurolândia e aos riscos das dívidas públicas.
Paralelamente, nos Estados Unidos, o desaparecimento da ilusão de uma retomada [1] acumulada à renovação de inquietações quanto ao estado de saúde do sector financeiro americano (de que o JPMorgan acaba de ilustrar a fragilidade) e ao grande retorno do problema do endividamento do país levam os atores econômicos e financeiros a encarar um futuro cada vez mais inquietante[2].
 
No Reino Unido, o retorno em recessão do país conjuga-se com o fracasso em dominar déficits e com a ascensão de uma cólera popular face a uma austeridade que não está senão nos seus princípios [3].
 
No Japão, a atonia econômica e o enfraquecimento das exportações num contexto de recessão mundial [4] fazem ressaltar o espectro do endividamento excessivo do país.
 
Neste contexto, de acordo com o LEAP/E2020, o segundo semestre de 2012 vai ser o momento privilegiado da convergência de quatro fatores explosivos para as economias ocidentais: bancos, bolsas, aposentadorias e dívidas.
 
Para os operadores econômicos, financeiros ou políticos assim como para as simples famílias, esta convergência vai significar riscos importantes tanto sobre o estado das suas finanças como sobre a sua aptidão para enfrentar próximos desafios.
 
Neste GEAB nº 65, nossa equipe desenvolve pois suas antecipações referentes a estes quatro fatores explosivos do segundo semestre de 2012 assim como as recomendações para minimizar as consequências negativas. Além disso, o LEAP/E2020 apresenta sua nova antecipação sobre as consequências da crise sistêmica global em matéria de línguas internacionais (em nível mundial e na Europa) no horizonte 2030 a fim de ajudar pais e filhos, assim como as instituições pedagógicas, a fazer boas escolhas de aprendizagem linguística a partir de hoje.
 
Neste comunicado público do GEAB nº 65, nossa equipe optou por apresentar o fator explosivo correspondente às dívidas públicas e privadas.
 
 
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Dívidas: dívidas públicas dificilmente domináveis e dívidas privadas destruidoras... os credores aproximam-se dolorosamente da hora das contas e os povos de uma explosão de cólera
 
O LEAP/E2020 anunciou desde 2008 e repetiu numerosas vezes. Havia cerca de US$30 trilhões de ativos fantasmas no sistema financeiro mundial. Restam cerca de US$15 trilhões que vão no essencial esfumar-se daqui até o fim de 2012. Aboa notícia é que a partir deste momento poder-se-á encarar seriamente a reconstrução de um sistema financeiro mundial são. A má notícia, é que é no decorrer dos próximos trimestres que estes US$15 trilhões se vão esfumar. Isso implica, naturalmente, como havíamos evocado anteriormente, a falência (e/ou o salvamento pelos Estados) de 10% a 20% dos bancos ocidentais. E desta vez, ao contrário de 2008/2009, os acionistas serão as primeiras vítimas (inclusive nos Estados Unidos), qualquer que seja a hierarquia dos seus direitos [5]. Só os acionistas que possuírem um peso geopolítico importante serão tratados com respeito (fundos soberanos, Estados amigos, ...).
 
Em matéria de dívidas privadas, as famílias vão no essencial, nomeadamente nos Estados Unidos e no Reino Unido, ter de enfrentar por si só as consequências das altas de taxas e da insolvabilidade induzida que as vão afetar. Capturados na armadilha da austeridade e da recessão, os Estados ocidentais não têm mais os meios de prestar socorros às classes médias enquanto o crescimento não tiver retomado por pouco que seja. E, infelizmente, não será esse o caso daqui até o fim de 2012. Vê-se atualmente nos Estados Unidos que a questão da dívida dos estudantes está em vias de se transformar em “subprime bis” [6]. Alta de taxas devido ao fim da política de bonificação pelo Estado federal e à paralisia política em Washington num pano de fundo de tentativas de domínio do déficit federal que está em vias de criar uma situação desastrosa para milhões de jovens americanos e seus pais.
 
Na Europa, o Reino Unido já decidiu deixar sua classe média enfrentar sozinha seu endividamento recorde. Isso equivale a fazê-la cair na classe desfavorecida. Os próximos meses vão assistir a uma nova confrontação brutal entre esta classe média britânica e seus dirigentes, pertencentes quase todos à classe alta (upper-class).
 
No continente, através dos votos de rejeição dos dirigentes adeptos da austeridade como solução única e exclusiva para a crise do endividamento público, os povos abriram uma grande confrontação democrática com as elites estabelecidas desde há uma vintena de anos, e ao serviço dos credores. A tentativa que o novo presidente francês encarna, de abrir um caminho médio entre austeridade e relançamento keynesiano, ambas fracassadas pois são impossíveis politicamente ou pelo controle orçamentário, vai vencer (pois doravante é a única viável em termos políticos e orçamentais [7]) mas não antes do fim de 2012 [8].
 
Nesse intervalo de tempo, sobressaltos políticos como na Grécia e negociações complexas no seio da Eurolândia vão dominar a agenda, tornando cada vez mais nervosos os credores e a sua emanação, os mercados [9]. E este nervosismo dos mercados é agravado pela consciência da infinita fragilidade das instituições financeiras da Wall Street e da City face ao risco de não pagamento dos créditos: dívidas públicas ou privadas. Isto são quase os últimos restos do ativo do seu balanço e eles esperam poder recuperar um valor significativo.
 
 
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Desde o fim do Verão de 2012, o retorno do tema do endividamento inadministrável dos Estados Unidos, ligado às reduções orçamentais automáticas impostas em caso de não acordo do Congresso sobre a redução do endividamento, vai desencadear um “Taxmageddon” [10] nos EUA. Assistir-se-á assim ao remake da dupla detonador-bomba que as dívidas europeia e americana já jogaram no Verão de 2011, mas desta vez numa versão muito mais violenta. Com efeito, se os temores de ver o euro e a Eurolândia explodir desapareceram [11], eles serão substituídos por um perigo muito mais aterrador para os mercados: a monetização maciça e brutal da dívidas estadunidense [12]. Esta situação apresentar-se-á nos Estados Unidos com a agravante de ser dar num contexto de paralisia política completa [13], com um Congresso que será segmentado pela emergência de facções radicais tanto entre os republicanos (“Tea Party”, p.ex.) como entre os democratas (“Occupy” p. ex.) [14].
 
Notas de rodapé:
 
[1] Retomada de tal forma ilusória que provoca um retorno às práticas das “subprimes”. E mesmo o preço do leite, indicador fiável dos amortecimentos econômicos, aponta para a recessão. Fontes: CNBC, 26/04/2012; New York Times, 10/04/2012 .
 
[2] A este respeito, lembramos que doravante o governo dos EUA e o Fed devem criar US$2,50 de dívida para gerar US$1,00 de crescimento. É o problema com que se depara toda economia cujo endividamento se torna excessivo. Isto é o gênero de “pormenor” que os keynesianos, como Krugman, se esquecem de precisar quando clamam às tontas e loucamente que as políticas de austeridade são aberrantes. Como em toda abordagem de bom senso, que leva em conta o mundo real e não as teorias econômicas, é preciso um equilíbrio entre redução do endividamento e apoio ao crescimento. Este é igualmente o caminho que vai tomar a Eurolândia a partir deste Verão; ao passo que os Estados Unidos continuam a negar a necessidade de tratar o seu endividamento descontrolado.
 
[3] Fonte: WallStreetJournal , 13/05/2012
 
[4] Fontes: TimesofIndia, 11/05/2012; MarketWatch, 10/05/2012; ChinaDaily, 06/05/2012; ChinaDaily, 28/03/2012; Washington Post, 11/05/2012; USAToday, 13/04/2012; CNBC, 06/04/2012
 
[5] Fonte: MarketWatch, 10/05/2012
 
[6] Fonte: CERF, 21/04/2012
 
[7] Desde Fevereiro de 2012 e do GEAB nº 62, nossa equipe pormenorizou amplamente sua antecipação sobre a evolução 2012-2016 da Eurolândia e os acontecimentos em curso confirmam a nossa análise (se quiser ter uma apresentação "viva" das perspectivas da Eurolândia e da Europa, pode assistir o discurso de Franck Biancheri pronunciado em inglês a 2 de Maio último perante os 1000 delegados da principal rede estudantil europeia, AEGEE-EUROPE). Daqui até o Verão, após as eleições legislativas francesas de Junho de 2012, um acordo a seis sobre o equilíbrio austeridade/crescimento será encontrado (França/Alemanha/Itália/Países Baixos/Bélgica/Espanha) que será levado à Eurolândia + (Eurolândia mais os outros países participantes do MEE).
 
[8] Na Alemanha também se tornam cada vez mais numerosas e fortes as vozes que exigem um caminho mais equilibrado pois o custo social do êxito económico alemão começa a ser pesadamente ressentido por uma parte crescente da população. Fonte: Spiegel, 04/05/2012
 
[9] Por exemplo: o fundo soberano norueguês decidiu desembaraçar-se dos seus activos em dívida soberana dos países frágeis da Eurolândia. Entretanto, o LEAP/E2020 lembra que no que se refere ao euro, não há inquietações a ter e, ao contrário, daqui até o fim de 2012 é o US dólar que experimentará o choque baixista. Fontes: Le Figaro, 05/05/2012;MarketWatch, 09/05/2012
 
[10] Neologismo criado a partir das palavras “Tax” e “Armageddon”. Designa o caos fiscal que vai reinar no fim de 2012 no momento em que se irão impor opções de cortes orçamentais maciços no orçamento federal dos EUA. Desde há aproximadamente um ano, os Estados Unidos e a imprensa financeira internacional optou por ignorar cuidadosamente este enorme problema. Será ainda mais difícil administrá-lo quando se impuser novamente na paisagem.
 
[11] Como sublinhávamos em janeiro último, é uma das grandes diferenças entre a crise grega atual e a histeria anti-euro de 2010/2011. Se é teoricamente possível encarar hoje uma saída da Grécia para fora da Eurolândia sem por em causa a moeda única, não é menos verdadeiro que na realidade esta saída é impossível. Este é igualmente um dos problemas com que se acham confrontados os dirigentes gregos. Sublinhamos este ponto para lembrar que acerca deste assunto os economistas, que vivem em mundos teóricos em geral sem relação com a realidade, há meses que se enganam sem cessar. Os cantores do fim do euro, de Krugman a Roubini, têm neste assunto tanta credibilidade quanto os sacerdotes romanos que liam o futuro nas entranhas dos animais. Para retornar à Grécia, o LEAP/E2020 considera que na media em que os dirigentes dos dois principais partidos de governo (PASOK e ND) pertencem às gerações que conduziram o país a esta crise histórica, não haverá saída política viável sem confiança popular... Cabe portanto aos dirigentes da Eurolândia, e em particular a Angela Merkel através do PPE e François Hollande através doPSE, fazerem pressão sobre os seus "partidos-irmãos" respectivos para que daqui a Setembro de 2012 e às próximas eleições, o conjunto dos dirigentes destas duas formações seja renovado em proveito de responsáveis com menos de 45 anos. O êxito atual do partido de extrema-esquerda Syrisa deve-se tanto às suas ideias como à idade do seu chefe: 38 anos. Um processo deste tipo foi bem utilizado para fazer com que deixasse o poder um Silvio Berlusconi em fim de carreira. Os meios existem portanto. E neste assunto, trata-se de permitir ao povo grego reencontrar confiança em dirigentes novos, de direita ou de esquerda, sem exclusão. Para bem entender porque uma saída da Grécia para fora da zona euro é na prática impraticável, basta um só exemplo: se fosse grego e se se propusesse trocar vossos euros por novos dracmas, o que faria? No comment!
 
[12] Mesmo Robert Rubin, o antigo secretário do Tesouro dos EUA, doravante junta a sua voz àqueles que advertem deste grave risco a curto prazo. Fonte: Reuters , 10/05/2012. 
 
[13] Quer seja Barack Obama ou Mitt Romney que ganhem a eleição presidencial.
 
[14] Ver GEAB n°60
 
15/Maio/2012
 
[*] GEAB - Global Europe Anticipation Bulletin
Communiqué public GEAB N°65 (15 mai 2012)
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Marco Antonio L.,


Este post “A convergência de fatores da crise global” de segunda-feira, 21/05/2012 às 13:52, originado de comentário seu e com a transcrição do artigo (Communiqué public GEAB N°65  de 15/05/2012) do GEAB - Global Europe Anticipation Bulletin – e intitulado “Convergência de quatro fatores explosivos: Bancos, Bolsas, Aposentadorias e Dívidas” e publicado na Rede Castor Photo deve ser lido concomitantemente com o post “Os cinco furacões que abalarão a geopolítica mundial” de  terça-feira, 20/03/2012 às 09:26, saído aqui também no blog de Luis Nassif em decorrência de comentário de Assis Ribeiro que fez chamada para artigo no Resistir.info intitulado “Crise sistémica global - Os cinco furacões devastadores do Verão de 2012 – no centro do abalo geopolítico mundial” e elaborado pelo mesmo grupo GEAB. O endereço do post “Os cinco furacões que abalarão a geopolítica mundial” é:


http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/os-cinco-furacoes-que-abalarao-a-geopolitica-mundial


No post “A convergência de fatores da crise global” são apresentados quatro fatores que terão efeitos explosivos na economia mundial no segundo semestre de 2012. Da transcrição do trecho do artigo “Convergência de quatro fatores explosivos: Bancos, Bolsas, Aposentadorias e Dívidas” vê-se claramente quais são esses fatores:


“Neste contexto, de acordo com o LEAP/E2020, o segundo semestre de 2012 vai ser o momento privilegiado da convergência de quatro fatores explosivos para as economias ocidentais:


  .   bancos,


  .   bolsas,


  .   aposentadorias e


  .   dívidas”.


No post anterior “Os cinco furacões que abalarão a geopolítica mundial” os fatores são cinco como se indica no título e como se pode ver do trecho transcrito a seguir:


“São estes, segundo o LEAP/E2020, os cinco furacões devastadores que vão marcar o Verão de 2012 e acelerar assim o processo de abalo geopolítico mundial:


  -   nova queda dos EUA na recessão, sobre o fundo da estagnação europeia e do enfraquecimento dos BRICs;


  -   impasse para os bancos centrais e re-elevação das taxas;


  -   tempestade nos mercados de divisas e das dívidas públicas ocidentais;


  -   Irão, a guerra "desnecessária" [e]


  -   novo krach dos mercados e das instituições financeiras”.


Salvo o Irã que parece não está presente na previsão do artigo atual, os fatores estão bem semelhantes.


Clever Mendes de Oliveira


BH, 21/05/2012

 

Sem uma moeda de trocas internacional aceita de forma consensual pelos países do globo a crise não tem saída.

O último acordo, Breton Woods, que assinalou o Dólar como reserva não foi um acordo com todos os players necessários, por isto muitos e em especial a China, não se sentem compelidos a obedecê-lo.

Não importa a ginástica  que se tente para enfiar uma solução diferente, não vai funcionar.

 

Follow the money, follow the power.

Um só fator isolado não faz verão... mas, convergência ou coincidência de fatores é o cão chupando manga nesta vida globalizada...

As agências globais de risco e crise (leia mercado financeiro) não conseguem jogar os dados com confiabilidade probabilística no ambiente e condição de instantaneidade, simultaneidade mais a interação fortuita de diversos fatores com ações resultantes em cadeias liberadoras de energias e movimentos moto-continuos autônomos que geram novos ambientes e novas condições... explosivos, pois que são totalmente desconhecidos dos agentes do sistema global.

Há não ser que atuem com dados viciados como é próprio do jogo dos poderosos.

 

"Ganhe as profundezas, a ironia não desce até lá" Rilke. "A ironia é o pudor da humanidade" Renard. "A ironia é a mais alta forma de sinceridade" Vila-Matas.