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A crise da União Europeia

Coluna Econômica

A União Europeia passa pelo maior desafio de sua história, desde a criação do euro.

Em 1o de dezembro de 2009 entrou em vigor o Tratado de Lisboa, substituindo os tratados da União Europeia e da Comunidade Europeia.

O novo Tratado trouxe uma série de inovações.

Primeiro, reforçou o Parlamento Europeu. Os deputados passaram a ser eleitos por voto direto e o Parlamento teve seus poderes ampliados.

Para contrabalançar esse aumento de influência, conferiu aos parlamentos nacionais o poder definir em que situações a UE poderia intervir em países – apenas quando comprovado que sua atuação seria mais eficiente que a dos estados nacionais.

Também permitiu as emendas populares, a apresentação de propostas diretamente ao PE, desde que subscrita por mais de um milhão de eleitores.

Finalmente, pela primeira vez reconheceu explicitamente a possibilidade de um Estado membro se desligar da UE.

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PareParecia que a UE entraria na reta final de consolidação. A primeira foram os acordos comerciais, ainda nos anos 60. Depois, a consolidação do equilíbrio fiscal dos diversos países e a definição de regras para que os mais fortes amparassem os mais fracos, visando a criação de um continente homogêneo.

Finalmente, o fortalecimento do Parlamento Europeu, podendo legislar para todos os países.

A crise econômica global criou riscos enormes a essa integração – que explodiram ontem em impasses de difícil resolução.

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O impasse surgiu em função do não cumprimento das metas fiscais acordadas com a Grécia – um dos países que mais sofreu com a crise.

A UE acertou um empréstimo de US$ 150 bilhões à Grécia, em troca da redução do seu déficit fiscal. US$ 30 bi já haviam sido liberados quando se constatou que a meta não seria atingida. Constatou-se que o déficit de 2009 chegou a 15,4% do Produto Interno Bruto (PIB), quase dois pontos acima das metas acertadas.

Esse susto se deu ao mesmo tempo em que a Irlanda passava a sofrer ataques especulativos, depois de previsões dando conta de um déficit da ordem de 32% do PIB. Embora em melhor situação, Portugal também lançou despertou desconfianças, com seu déficit de 7,3% do PIB.

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Esse conjunto de más notícias acabou provocando conflitos entre o Parlamento Europeu e o Conselho Europeu – formado por Ministros das Finanças dos países-membros.

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O pano de fundo dessa crise é mais grave. Antes da UE, países em dificuldades econômicas tinham liberdade para manobrar suas políticas monetária e cambial. Com a moeda única, cada país membro teve que abrir mão desses instrumentos.

Em período de crescimento econômico, consolidou-se a ideia de que seria possível a construção de uma região homogênea, com países em um mesmo nível de competitividade.

Não seria um tratado que colocaria no mesmo nível o potencial industrial da Alemanha e as fragilidades do Leste Europeu, a pujança da França e de países que só nas últimas décadas começaram a escalar o desenvolvimento – como Portugal e Espanha.

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Agora, resta esperar que o bom senso impeça a implosão da UE e encontre ferramentas capazes de compatibilizar os interesses nacionais com o geral. 

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Comentários

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A opinião do analista Alexandre Weber (de Santos -SP -Brasil), em 17/11/2010, embora crua e dura, aponta para a raiz da Crise.Uma Comunidade que deseja sair de uma crise, deve sempre evitar o favoritismo.  Deve sempre procurar Parcerias para aumentar a sua Produção.   A Comunidade que não tem Produção, não tem voz Ativa. Abrandando a gravidade da Crise, mas que tem relação com a situação, vou transmitir abaixo um eMail muito engraçado, tendo como Personagens, o Japão e o Brasil (Do Ponto de Vista Norte Americano), mas que servem para outros Personagens.  *Um TRABALHO EM EQUIPE*Foi realizada uma competição entre a Equipe de Remo do Japão e a Equipe de Remo Brasileira.*A competição se inicia, mas o resultado não é favorável para a Equipe Brasileira. *Ela chegou com uma hora de atraso em relação aos Japoneses. *Indignados, os Brasileiros fizeram várias reuniões para averiguar a causa da Derrota. *Assim ficou o Resumo do Relatório que fazia a comparação das Equipes: *Japão: ** 1 Chefe de Equipe ** 10 Remadores *Brasil: ** 10 Chefes de Equipe ** 1 Remador  *Descoberto o grande erro, a Equipe Brasileira foi remodelada para a próxima Competição.   Porém, perderam novamente e, *dessa vez, o atraso foi de 2 horas.   Mais uma vez foram convocadas Reuniões e Viagens para o Estudo das Causas.*Segue o Resumo:**Japão: ** 1 Chefe de Equipe ** 10 Remadores *Brasil: ** 1 Chefe de Equipe ** 3 Chefes de Departamento ** 6 Auxiliares de Chefia ** 1 Remador  *Outra vez o erro foi Identificado e uma nova Equipe foi Montada. *Os erros foram eliminados: Resizing, Depth, Emotional Control e ainda Economistas opinando, conceitos de Modernidade e *Globalização passaram a ser considerados.   Porém, na hora da Competição, o Brasil chegou com 3 horas de atraso.*Mais Reuniões, etc.      Foi feito outro Levantamento:  *Japão: ** 1 Chefe de Equipe ** 10 Remadores *Brasil: ** 1 Chefe de Equipe ** 3 Chefes de Departamento ** 2 Analistas de O&M ** 2 Controllers ** 1 Auditor Independente ** 1 Gerente de Qualidade Total ** 1 Remador  *Depois de muitos argumentos e discussões, chegaram à seguinte conclusão definitiva:    o Problema era, claro e evidente, *do Remador, que, com certeza, por culpa de influência do Sindicato e por causa de sua falta de Treinamento necessário, *não era capaz de exercer sua Atividade com Eficiência.     A solução era Privatizar ou Terceirizar e/ou Contratar um Remador *que não fosse da folha do Clube.  *Essa história veio dos EUA, e foi apresentada por um professor da Universidade de Maryland, *sobre a administração no Brasil, como piada em sala de aula.*Se a Comunidade Européia vier a ser alvo de Piadas desse tipo, faça como o Brasil, acelere sua Produção com Parceiros.

 

O comentário tem erros demais para o meu gosto. As eleições para o Parlamento Europeu eram diretas antes do Tratado de Lisboa, que aumentou a competência dos eurodeputados. A crise grega foi precipitada pela Grande Recessão. O déficit de 15,4% do PIB em 2009 só foi revelado agora, mas os 13,6% não eram meta. Foi o número levantado em abril, quando a crise estourou. As metas do acordo com o FMI-UE são daqui para a frente.

Quanto ao comentário de que a UE é inútil, é simplesmente ridículo. O modelo de integração regional da UE é o mais bem-sucedido da História. Acabou com as guerras entre os países-membros, o que não é pouco tendo em vista e História da Europa, e permitiu o desenvolvimento do continente. O modelo comunitário de transferência de fundos dos países ricos para financiar o desenvolvimento dos mais pobres teria excelente aplicação em escala global.

 

A União Europeia é um acordo confuso, que nem mesmo eles se entendem. Dar palpite sobre o que é bom ou ruim para mim é impossível.

Com certeza se eles tivessem um dinheiro bom, descontaminado do sistema financeira e que desse origem a uma moeda que gozasse de confiança, seria muito mais fácil equacionar os problemas. Não têm, assim, ficam ao sabor de quem detém o controle da confiança dos povos submetidos ao Euro e ao Dollar.

A União Europeia é massa de manobra de uma elite decadente, vão caminhar para onde forem tangido.

O mundo piscou em 2001.

Vai demorar um tempo ainda para reestabelecer o equilíbrio, é a hora da onça beber água, o tempo do Brasil está correndo.

 

Follow the money, follow the power.

Os brasileiros deveriam evitar os erros europeus. É o momento de "abrir a mente" por aqui.

E deveríamos começar pelo blog do Luis Nassif, pelo Viomundo:

Eu conheço pessoalmente tanto o Turco quanto o Azenha e sei que são ótimos contadores de histórias.

Vocês deveriam investir mais nesse talento, contextualizar melhor iniciativas como os seminários do Brasilianas.Org, informar o público sobre os conhecimentos apresentados, "novidades" testadas e aprovadas há séculos!

Falar sobre as "piranhas afrodisíacas" do mestre Ignacy Sachs - http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-40142004000... - e do "kaos" (com "k") do Jorge Mautner, que tanto tem influenciado minhas próprias reflexões sobre política internacional.

Para resumir, gostaria que se repetisse, aqui no site, o "estalo" do padre Vieira ( http://recantodasletras.uol.com.br/humor/2048028 ):

"Dizem que antes de vir a ser o incomparável orador e autor dos famosos 'Sermões', o Padre Antônio Vieira foi totalmente obtuso.

Deu-se, então, que um dia, rezando para Virgem Maria e inflamado pelo desejo do saber, o jesuíta sentiu uma espécie de estalo, tão forte, que teria experimentado um tipo de agonia, como se fosse desfalecer. Mas em seguida, viu-se com o sentido desembotado, adquirindo, instantaneamente, 'clareza de entendimento, agudeza de engenho e sagacidade de memória', como afirma um de seus biógrafos, André de Barros.

Esta expressão - 'estalo de Vieira' — foi de uso popular durante séculos, sobretudo no nordeste brasileiro, para designar uma súbita e miraculosa compreensão de algo que, até aquele momento, fora nebuloso para alguém. E, sendo ou não sendo a história verdadeira, com certeza, em relação a determinadas coisas, situações ou pessoas, todos nós já experimentamos, alguma vez, a sensação de ter um desses 'estalos' de Vieira."

 

O assunto é polêmico. Já a não adesão da Inglaterra à zona do Euro prenunciava que a integração da moeda era inviável. A Inglaterra apenas foi o primeiro país a perceber isto. Agora vem os outros. É questão de tempo. Na verdade o BCE sempre operou, coincidência ou não, de acordo com as necessidades alemãs.

As questões dos outros países sempre ficaram em segundo plano, especialmente em tempos de crise. Veja o problema da Grécia. A impossibilidade de desvalorização da moeda já deveria ter levado à sua saída da zona do Euro. E mais hora, menos hora, isto vai ter que ocorrer. Senão não há saída. Queda forte na produção, acompanhado de aperto fiscal e monetário, não há país que aguente. Eu olho pra Grécia e vejo o Brasil de 1999. Só que no Brasil o ajuste veio pelo câmbio. Ferrou com tudo, mas veio. Sr. Crise, com diz o Nassif. Na Grécia nem essa possibilidade há.

 

PET - Programa de Erradicação dos Trolls. Não alimente os trolls no blog!

Posso estar perdendo alguma coisa, mas por que a eventual implosão da União Europeia é algo que deve - ou pode - ser evitado? A UE que conhecemos hoje se formou pelo capital e para o capital. Não foi para evitar uma III GM, nem para prevenir o ressurgimento do fascismo. Sua origem é a C.E.C.A. - para quem não se lembra, Comunidade Europeia para o Carvão e o Aço. Que foi estabelecida, ao fim e ao cabo, para evitar que as siderúrgicas europeias simplesmente parassem por entraves à livre circulação de matérias-primas. E só. Podemos edulcorar o quanto quisermos esta história, mas não há - para além dos interesses da classe dominante da França e, principalmente, da Alemanha - razões objetivas para a sobrevida da UE nos termos em que hoje existe.