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A crise europeia, por Bresser-Pereira

Da Folha A natureza da crise na Europa

LUIZ CARLOS BRESSER-PEREIRA

É preciso repensar radicalmente o problema das finanças internacionais e dos deficit em conta-corrente

O QUADRO financeiro europeu continua muito grave. A Alemanha, afinal, decidiu dar apoio ao pacote financeiro grego, de forma que a dívida do setor público da Grécia está equacionada. A imprensa tem dado amplo noticiário sobre o assunto, mas afinal se limita a informar sobre o deficit público e a dívida pública do Estado grego, em vez de informar sobre o problema fundamental que não é do setor público, e sim do setor privado: é o deficit em conta-corrente e a dívida externa dos países. O problema fiscal é grave porque o deficit de 2009 somou-se a elevados níveis de dívida pública, mas o desequilíbrio não está apenas nos governos; está nos países como um todo e, portanto, em seu deficit em conta-corrente e em sua dívida externa, que englobam o setor público e o setor privado.

Se o problema fosse apenas do setor público, o socorro financeiro e uma política dura de ajuste fiscal resolveriam a questão. Sendo do país, necessita da depreciação cambial que não podem realizar.

A União Europeia controla os deficit públicos, não controla os deficit em conta-corrente. Os jornais não publicam dados sobre esse deficit porque não os recebem dos economistas. Esses não os informam porque a teoria econômica ortodoxa pressupõe que o setor privado é equilibrado pelo mercado: é o chamado "princípio de Lawson", associado ao ministro das Finanças de Margaret Thatcher, Nigel Lawson.

A Crise Global de 2008 mostrou que essa tese é absurda no plano nacional. Agora o fenômeno se repete no plano internacional. Em 2009, enquanto a Alemanha, que reduziu salários nos últimos dez anos, obteve superavit em conta-corrente de 4,8% do PIB, Grécia, Portugal, Espanha e Itália realizaram deficit em conta-corrente de 10,2%, 10,5%, 5,8% e 3,9% do PIB, respectivamente. Esses deficit financiaram investimentos de médio prazo, mas as empresas e o Estado se endividaram no mercado financeiro de curto prazo.

Devedores e credores sabiam que os débitos não poderiam ser pagos de um dia para o outro -que teriam que ser rolados-, mas, dado o pressuposto dos mercados privados sempre equilibrados, foram adiante no processo. Até que, neste ano, repentinamente, os credores começaram a elevar os prêmios de risco e a suspender a rolagem da dívida.

O problema se agrava porque decidiram pelo "sudden stop" em um quadro no qual os países não têm o mecanismo de ajuste clássico para esses momentos: a desvalorização cambial, que reduziria os salários e equilibraria a conta-corrente. Os Estados de cada país podem ajustar suas finanças, mas não há solução para o desajuste privado de países que não têm moeda própria para desvalorizar.

Como na Crise Global, existe a solução financeira via Estado. O governo da União Europeia pode garantir a dívida externa daqueles quatro países por meio da criação, às pressas, de um FMI europeu, por meio do próprio FMI e via BC Europeu.

Neste momento, os ortodoxos dirão que o BCE não pode entrar no jogo porque estaria criando dinheiro ao socorrer os países, mas foi exatamente isso o que fez o Federal Reserve na Crise Global, sem causar inflação. Agora o BCE precisará criar dinheiro para salvar os países, ou melhor, novamente os bancos, porque foram eles que emprestaram.

Mas uma situação como essa não pode continuar para sempre. A política de crescimento com poupança externa já vitimou muitos países. É preciso repensar radicalmente o problema das finanças internacionais e dos deficit em conta-corrente.

LUIZ CARLOS BRESSER-PEREIRA, 75, professor emérito da Fundação Getulio Vargas, ex-ministro da Fazenda (governo Sarney), da Administração e Reforma do Estado (primeiro governo FHC) e da Ciência e Tecnologia (segundo governo FHC), é autor de "Globalização e Competição".

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Nâo concordo com Bresser; a crise é produto da tentativa de criar desenvolvimento forçado baseado em endividamento. Isto acaba sempre não funcionando e termina tudo em crise. Aí a esquerda diz que é culpa do capitalismo, só que antes de estourar a crise eles concordam com a política de endividamento, e, às vezes, depois também. Endividamento de pessoas e governos tem limites, que se forem ultrapassados, criará problema. É o que está acontecendo e vai continuar ocorrendo, pois a crise de 2008 foi maquiada e seus pressupostos continuam em vigor total. Mais crises do tipo deverão estourar; é só esperar para ver.

 

"Esqueçam o que eu falei e escrevi".

 

É isso aí. FMI nos olhos dos outros é refresco né ?

 

Ainda mais depois que SSerra chamou Meireles de Papa e o BC de Santa Sé, na frente da miriam leitão (foi internada depois). Em janeiro de 2010 sairá uma fumacinha do BC indicando o novo papa.
Ahahahah. É hilário esse moço (o SSerra).

 

Ele sempre foi do PC.
FHC era do PS e
Serra da ALN.
Alckmin do PCC.

 

Está aí o perfeito retrato do Brasil.

Foi o setor privado quem tirou o país da crise, com seus excedentes exportáveis agrícolas e de mineração.

Do lado do governo ele faz de tudo pra empurrar o país para a crise com o aumento da carga tributária, com o aumento do gasto público, e com a política de juros irresponsável que derruba a cotação do dólar.

Só que agora em 2010 já estamos dependente do ingresso de dinheiro e investimentos para manter as nossas contas, e o déficit está disparando com o governo gastando como o Quérci quando disse "quebrei o Estado mas fiz meu sucessor"

É incrível a sorte (ou azar) que tivemos foi que a crise só assustou,insuficiente para mudar a política de empurrar com a barriga desse governo.

A Dilma se mostra incapaz, fraca, e atrelada a todo o tipo de acordos a fim de garantir a sua eleição para mudar qualquer coisa, caso eleita.

Ciro está com toda a razão e o Nassif já começou a perceber a armadilha que o Brasil está se metendo.

 

Artigo elucidativo. So espero que o Brasil não caia numa dessas nos anos vindouros. E os bancos... humpf!

 

Tem. Em 2010 é projetado entre USD40B e USD60B

 

A propósito, isto de certa maneira ocorre com o Rio Grande do Sul, sob a tucana de lá, a Ieda. Cruzes!

 

Fazendo uma analogia com o federalismo brasileiro, essa crise é como se um estado brasileiro qualquer estivesse com déficits em conta corrente e o governo federal estivesse se lixando para ele. Ou seja, não faz sentido - se a cotação da moeda é definida pelo conjunto da economia, me parece óbvio que eventuais déficits regionais também devem ser trabalhados coletivamente, ou seja, são problemas de todos.

 

E eu acho que o Meirelles não ficaria em um eventual governo do PSDB. Já tem sua biografia associada a um governo de sucesso, não precisa arriscar sua reputação em novas "aventuras".

 

Boas reflexões do professor Bresser-Pereira.

Câmbio apreciado afeta o saldo das transações correntes de um país em desenvolvimento? O que pensam os principais candidatos à Presidência da República?

Serra já começou a se manifestar...

 

Não importa!

1 - A alavanca entre o que pode pagar e o que deve deu nisso.
2 - A ganância financeira entre a iniciativa privada e publica com resultados positivos em curto prazo.
3 - O endividar dos bancos privados e empresas na moeda.
4 - Não regulamentação do sistema e a irresponsabilidade.
5 - O lobby dos credores em receber e não negociar caracterizando os derivativos global.
6 - A diferença entre Cuba e a Grécia, nenhuma são ilhas, diferencia da Espanha ( ate esta tentando sair industrialmente, inovando) e Portugal que são agregados reais da Europa politicamente.

 
E

E mais:
http://200.169.228.51/arquivosCartaMaior/FOTO/54/foto_mat_24840.jpg

Com ironia, o humorista gráfico espanhol, conhecido como El Roto, fez uma ilustração na qual um banqueiro diz: “A operação foi um sucesso: fizemos parecer uma crise o que não passou de um saque”.

Recessão, destruição de empregos, protestos populares e mortes, aumento de impostos regressivos e redução de salários e aposentadorias, que conformam um quadro de profunda deterioração social são considerados danos menores. O artigo é de Alfredo Zaiat, do Página 12.

http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=165...

 

"Mas uma situação como essa não pode continuar para sempre. A política de crescimento com poupança externa já vitimou muitos países."

Mas não era essa a politica do governo de FHC do qual o Bresser fazia parte? Se fazia, concordava? Se saiu é porque não aceitou? Afinal de contas, quem é de fato o Bresser Pereira?

 

Há quem discorde:

Por que há déficits orçamentários enormes em todo planeta? Não é porque, de repente, todos os funcionários do mundo tenham se convertido em burocratas de estilo soviético. É, e muito, porque uma economia global em declínio levou à diminuição de renda (menos renda = menos impostos arrecadados, visto que o grosso da arrecadação se baseia na renda, e menos módulos fiscais) e a um gasto público maior na rede de seguridade social. O cúmulo da ignorância econômica é propor a destruição dessa rede de seguridade social a partir de uma extrapolação das lições equivocadas proporcionadas pelos problemas particularíssimos em que a própria Zona do Euro se meteu. Essa ignorância, porém, reflete também uma agenda política transparente que os EUA fariam muito mal em abraçar. Os pacotes de resgate, a intervenção do FMI e todo esse papo fiado sobre as “quebras ordenadas” dos PIIGS [Portugal, Itália, Irlanda, Grécia e Espanha, em sua sigla em espanhol] não podem esconder o erro fundamental no desenho da União Monetária Européia. Deixemos que o neoliberalismo morra com o euro.

(*) Marshall Auerbak é analista econômico dos EUA e membro conselheiro do Instituto Franklin e Eleanor Roosevelt, onde colabora com o projeto de política econômica alternativa new deal 2.0

http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=165...

 

É... Depois do socorro maciço do estado e do recuo da ideologia do mercado, o economicismo volta com força com a sua moral de especialista para apontar as "causas" da crise e reivindicar o status de autoridade no assunto.

As "explicações" se multiplicam: o problema é o déficit, ou a dívida pública, ou a combinação de ambos, ou a meta de inflação, ou o déficit do setor privado, etc. O discurso ideologizado e viciado do economicismo já começa, enfim, a criar as bases da legitimação e da continuação da ação do cassino financeiro internacional e da próxima crise, mesmo estando em uma.

Bresser-Pereira nos brinda com mais do mesmo e com a platitude de sempre na conclusão-de-economista, sem atacar as causas reais do problema. Achei pouco para um pensador tão capaz e tão experiente quanto ele.

 

Esse artigo do professor Bresser é magnífico. Resume bem a história, levanta questionamentos pertinentes e sinaliza aos leitores - inclusive o governo brasileiro - que devem se preparar para uma das mais violentas crises econômicas já vistas.

Tudo isso com muito estilo. Gostei :D

Nesta altura do campeonato, a histeria se transformou num negócio bastante lucrativo tanto para os abutres do mercado financeiro quanto para os editores de jornais. Há um grande mercado para o medo.

Ainda bem que esse sistema deixou de ser monolítico. Por exemplo, em outros tempos, a gente jamais leria um excelente artigo sobre o México escrito por John Ross publicado no Brasil. O Azenha acabou de fazer isso no Viomundo: "John Ross: O que os Estados Unidos querem do México" - http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/john-ross-o-que-os-estados-unido...

É uma evolução notável, sem dúvida. Nesse ritmo, talvez um dia a gente leia os imperdíveis textos de Michael Hudson e de Mike Whitney sobre a crise financeira publicados no CounterPunch ( http://www.counterpunch.org ) no site do Luis Nassif.

 

por favor, leitores, excluam o último parágrafo

 

Como não sou economista e navegar é preciso, consultei o conceito de déficit em conta corrente no Google e achei
"Deficit em conta corrente:
É o resultado das transações comerciais do país com o mundo (incluindo as exportações e as importações), mais os serviços e as chamadas transferências unilaterais. Reflete a quantia, em dólares, que falta ao governo para quitar seu saldo negativo na balança comercial." http://economia.uol.com.br/glossario/index-d.jhtm
Pra resolver este problema o Bresser diz que a solução seria " a desvalorização cambial, que reduziria os salários e equilibraria a conta-corrente."
Ele diz ainda "Em 2009, enquanto a Alemanha, que reduziu salários nos últimos dez anos, obteve superavit em conta-corrente de 4,8% do PIB, Grécia, Portugal, Espanha e Itália realizaram deficit em conta-corrente de 10,2%, 10,5%, 5,8% e 3,9% do PIB, respectivamente."
Eu pensava que a desvalorização cambial trouxesse competitividade ao setor exportador e encarecesse a importação, reduzindo o déficit em conta corrente. A redução de salário poderia ocorrer se a pauta de importação tivesse um peso muito grande na composição do consumo familiar, que suponho não ocorrer aqui. Ou no sentido inverso, se os salários tivessem um peso muito grande na composição da nossa pauta de exportação, o que não é mesmo, os nossos salários são menos de 1/6 do salário alemão e as commodities estão se tornando predominantes como produto de exportação e são de baixa agregação de valor, via salários.
No nosso caso está ocorrendo a transformação de um superavit em conta corrente em deficit em curto ou médio prazo e o que todo mundo postula é que o real seja desvalorizado, o que o Meireles faz o contrário, aumentando as taxas de juros, segundo ele para conter a inflação.
Afinal, o que o Bresser traz é uma "nova" abordagem para conter o deficit em conta corrente com o arrocho salarial, o que o FMI e o FMI europeu estão fazendo com a Grécia, e que poderia ser feito aqui sem prejudicar a alta de juros, digo, o combate à inflação.
Uma receitinha tucana porreta e nem precisa tirar o Meireles do BC, que o Serra diz que fica, no caso de ser eleito.

Em 2009, enquanto a Alemanha, que reduziu salários nos últimos dez anos, obteve superavit em conta-corrente de 4,8% do PIB, Grécia, Portugal, Espanha e Itália realizaram deficit em conta-corrente de 10,2%, 10,5%, 5,8% e 3,9% do PIB, respectivamente. Esses deficit financiaram investimentos de médio prazo, mas as empresas e o Estado se endividaram no mercado financeiro de curto prazo.

 

Mas o Brasil não tem déficit em conta corrente, tem?

 

É bom como o Lula disse. Os economistas e os banqueiros querem os governos longe da economia. "O mercado se autoregula". Mas quando o mercado tem ma "desinteria das braba", é justamente aos governos que eles correm. Realmente isso não pode continuar assim.
E o Brasil tem que ficar ligado.

 

Creio que se a Grécia permanecer na zona do euro o déficit em conta corrente não é o problema.

Com o euro a Grécia tem uma moeda conversível, e o que conta é saldo geral das contas correntes da zona euro.
Do ponto de vista cambial a Grécia é apenas um estado da zona euro.

O BCE apenas precisa garantir a liquidez do sistema financeiro na Grécia, e se for necessário realizar o redesconto para que as instituições financeiras instaladas na Grécia continuem operando.

Creio que o no momento o maior problema da Grécia é o peso do setor público na economia, que com o ajuste fiscal para apresentar forte queda da demanda do setor público.

 

"é o chamado “princípio de Lawson”, associado ao ministro das Finanças de Margaret Thatcher, Nigel Lawson."

Eu queria entender de onde vem esse fetiche do Bresser pela Margaret Thatcher. Será que o analista dele sabe?

 

UE dirige atenção para países com balanços deficitários
EFE | 26/03/2010 10:01/iG Economia

Bruxelas, 26 mar (EFE).- A União Europeia (UE) se propôs a dar a partir de agora muito mais atenção às divergências de competitividade entre seus membros e reivindicar ações políticas a países, como Espanha, Grécia e Portugal, com persistentes déficit em seus balanços..........

............A UE "há de se concentrar nos desafios da competitividade e da evolução do balanço de pagamentos", afirmaram seus 27 países-membros.

"Apesar de a evolução orçamentária ter sido objeto de acompanhamento em virtude do Pacto de Estabilidade e Crescimento, houve atenção insuficiente às divergências de competitividade dentro das economias da UE e no exterior", acrescenta o comunicado.

Recentemente, a ministra das Finanças francesa, Christine Lagarde, reprovou a Alemanha por manter uma política de baixos custos salariais e frágil demanda interna que é insustentável para a zona do euro por provocar altos déficits comerciais em seus membros.

O comunicado da cúpula, sem mencionar explicitamente nenhum Estado, dá ênfase à responsabilidade dos países deficitários e não nos que acumulam superávits crescentes.

"A ação política é mais necessária nos Estados-membros que mostram grandes déficits por conta corrente de modo persistente e grandes perdas de competitividade", diz o documento. EFE jms/bba..............

http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/ue+dirige+atencao+para+paises+com+b...

 

Déficit em conta corrente na zona do euro aumenta 129% em fevereiro
Déficit soma € 3,9 bilhões no mês; dado de janeiro tem forte revisão, de € 8,1 bilhões para € 1,7 bilhão

Marcílio Souza, da Agência Estado, terça-feira, 20 de abril de 2010 9:26

LONDRES - O déficit combinado em conta corrente dos 16 países que integram a zona do euro somou 3,9 bilhões de euros em fevereiro, o que representa um aumento de 129% em comparação com o déficit de 1,7 bilhão de euros de janeiro, informou o Banco Central Europeu (BCE) nesta terça-feira. ...........

...........O BCE disse que as exportações aumentaram 1,5% em fevereiro ante janeiro, para 118,9 bilhões de euros, o maior nível desde novembro de 2008. As importações caíram para 113,4 bilhões de euros, o que resulta em um superávit em mercadorias de 5,5 bilhões de euros, maior que o de 2,4 bilhões de euros de janeiro. O superávit em serviços ficou praticamente inalterado, passando de 3,1 bilhões de euros em janeiro para 3,2 bilhões de euros em fevereiro.

Os superávits em bens e serviços foram compensados pelos déficits em transferências correntes e em rendas, de 11,3 bilhões e 1,4 bilhão de euros, respectivamente.

No período de 12 meses até fevereiro, o déficit em conta corrente somou 41,5 bilhões de euros, ou 0,4% do PIB da zona do euro, praticamente um quarto do déficit registrado nos 12 meses anteriores.

No mesmo relatório, o BCE divulgou os primeiros dados sobre a dívida externa bruta da zona do euro, que somou 10,5 trilhões de euros no final de 2009, o equivalente a 117% do PIB. As informações são da Dow Jones. ...............

http://economia.estadao.com.br/noticias/not_14490.htm

 

O que poucos ousam falar.... é o velho golpe dos ricos que roubam e mandam a conta, via governo, para que o povo pague. é o neoliberalismo ainda fazendo suas vítimas. Para encobrirem os roubos e rombos praticados pelo neoliberalismo Europeu com títulos financeiros podres, alegam que o país gastou mais que as receitas, provenientes de crescentes gastos sociais. Falácea velha e manjada para acobertar os rombos praticados pelo sistema financeiro corrupto EUROPEU, a exemplo do que é divulgado pelo PIG( Veja, Folha, Estadão e Globo) brasileiro.Interessante que os banqueiros Ingleses, Alemães, Franceses e outros, aplicaram dinheiro em títulos podres de bancos da Grécia e agora querem forçar o governo neoliberal da Grécia a tomar dinheiro junto ao FMI para garantir o pagamento dos seus créditos.
Tatcher fez escola.... e como dominó, os neoliberais vão caindo, um atrás do outro!!!
Ótimo artigo de Umberto Martins sobre o assunto
aqui vai...
Por Umberto Martins
Houve uma adesão generalizada ao movimento. O país amanheceu sem transportes, o comércio fechou a partir das 12 horas, as escolas não abriram, os serviços públicos não funcionaram, os navios permaneceram imobilizados nas docas, hospitais operaram em esquema de emergência, as máquinas ficaram ociosas nas fábricas, jornalistas, advogados e médicos também decidiram cruzar os braços.

Contra o FMI

Pela manhã, cerca de 60 mil pessoas marcharam no centro de Atenas portando faixas e gritando palavras de ordem contra o governo e o FMI. Em mais de uma ocasião, a polícia reprimiu o povo com gás lacrimogêneo e cassetetes. Alguns manifestantes revidaram e houve confrontos.

A greve envolveu trabalhadores e trabalhadoras de setores públicos e privados, evidenciou o poder da classe unida (nenhum país funciona e nada se produz sem a força de trabalho) e foi mais um vigoroso pronunciamento popular em defesa de direitos e conquistas arrancados com muita luta no passado, assim como contra as falsas soluções para a crise que o governo quer impor por determinação do FMI e da cúpula da União Europeia.

Partido Comunista

O Partido Comunista da Grécia (KKE) esteve à frente dos protestos e fez um apelo ao conjunto dos trabalhadores europeus para unificar forças com os gregos e enfrentar a ofensiva reacionária das classes dominantes no contexto da crise fiscal provocada pela dívida externa.
A mensagem rebelde dos grevistas transpareceu nas faixas e cartazes exibidos nas ruas de Atenas: “taxem os ricos”, “não pagaremos pela crise dos ricos”, “não toquem nas nossas pensões”, entre outras do mesmo gênero.

As razões dos trabalhadores e trabalhadoras, apoiados por mais de 50% da nação, segundo pesquisas recentes, são fortes. O pacote sugerido pelo FMI e acatado pelo governo social-democrata prevê redução e congelamento de salários, corte de benefícios e direitos como 13º e 14º salários, flexibilização da legislação trabalhista, elevação da idade mínima para aposentadoria e aumento de impostos. Tais medidas devem ser analisadas nesta quinta-feira (6) pelo Parlamento, onde o governo tem maioria.

O pensamento das classes dominantes, transmitido pelo FMI, pelos analistas e porta-vozes dos mercados e reiterado ad nauseam pela mídia, sustenta que não há outra saída, mas isto não é verdade, ou melhor, é a verdade do capitalismo neoliberal. O pronunciamento do social-democrata Papandreou pedindo o “sacrifício” do povo, por sinal, soa patético no eco da greve.

Filme antigo

Para a oligarquia financeira, fração hegemônica da classe capitalista na economia moderna, certamente o pacote do FMI é a melhor e quem sabe a única solução possível. Afinal, todo o “plano de austeridade” foi bolado precisamente para impedir a moratória e garantir o pagamento dos juros, embora seja cínicamente apresentado como a “salvação da pátria”.

O povo brasileiro já viu este filme. A intervenção intermitente do FMI na política econômica a partir de janeiro de 1983 até o último governo FHC viabilizou o pagamento dos juros da dívida externa contraída pelo regime militar, mas resultou em mais de duas décadas perdidas, redução substancial da participação dos salários no PIB, precarização das condições e relações de trabalho, desemprego em massa, desnacionalização, privatização e outras misérias.

Dois pesos e duas medidas

A perspectiva para a Grécia não é diferente, talvez seja pior. Estima-se que o país não retomará os níveis nominais do seu PIB antes de 2017. Como todas as amargas receitas do FMI, a que está sendo sugerida aos gregos tem um nítido caráter recessivo e um sentido oposto ao que foi e ainda vem sendo feito pelas potências capitalistas para reverter a crise irradiada pelos EUA.

Obama incorreu num déficit público superior a 1,6 trilhão de dólares em 2009, a dívida pública americana se aproxima de 15 trilhões de dólares, Tio Sam vive muito além dos seus meios e isto cria sérios desequilíbrios para a economia mundial. Mas o FMI não ousa dar palpites, ninguém recomenda aos norte-americanos gastar menos e poupar mais para pagar a dívida.

Crise do capitalismo

A Grécia não é um caso isolado, constitui um elo frágil do imperialismo europeu, a exemplo de Portugal e Espanha. A crise no país helênico é sintoma de uma patologia mais profunda cuja raiz remete ao processo de reprodução do capital no interior da ordem imperialista e de valorização do capital na esfera financeira.

É uma crise do capitalismo neoliberal e da atual ordem imperialista. Uma solução justa e progressista não será alcançada nos marcos deste sistema. Esta é a mensagem de fundo que deve ser percebida na greve geral que paralisou a Grécia nesta quarta-feira. O protesto que abalou o euro e a Europa é um grito indignado contra aqueles que dizem que não há outra solução fora da racionalidade irracional do capital financeiro. A luta da classe trabalhadora e dos povos há de abrir novos caminhos para a sociedade humana e não só na Europa.

 

Quando eu era novo, isto era inimaginável: a Europa instável sendo socorrida pelo FMI e o Brasil bombando, saldando seus compromissos e ainda emprestando ao fundo...

 

O professor Bresser tem prestado relevantes serviços ao Brasil. Esse seu artigo é uma demonstração competente de como diagnosticar o problema de deficit comercial. Aliás, a maioria de nossos economistas são ótimos em diagnostico; poucos, muito poucos, avançam em proposições concretas. É ocioso escrever "que é preciso repensar radicalmente os problemas...."

 

e eu ainda continuo pensando que:
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..a ESPANHA e PORTUGAL continuam ruins apesar da ajuda forçada que receberam dos seus pares no final do século passado ..ajuda pra fazerem-nos minimamente viáveis e sustentáveis..
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..ajuda que contou com o Consenso, com a onivência dos liberais libertinos de Brasília e do FMI quando juntos conseguiram ARRANCAR, na bacia das almas, importantes empresas que muitos juravam, seriam suficientes pra lhes darem sustento
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..pilhagem que se deu em monopólios nos ramos das elétricas e telecomunicações pelo mundo inteiro ..pilhagem dada em empresas estatais que, hoje privatizadas, invariavelmente estão sendo acusadas de abusarem do poder e das tarifas, de prestarem péssimos serviços, de fazerem baixos investimento, e de remeteram TUDO e mais um pouco para os países de onde surgiram
.
bem feito

 

O Bresser entrou para o Partido Comunista?

Orlando