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A crise europeia, por Bresser-Pereira

Da Folha

LUIZ CARLOS BRESSER - PEREIRA

Crise europeia sem controle?

Não há garantia de que a reestruturação da dívida grega garantirá a travessia da crise, porque o risco do contágio sempre existirá

Nesta semana o ataque especulativo contra a Itália deixa claro que o verdadeiro problema que a Europa enfrenta hoje não é mais evitar a crise - ela está aí -, mas atravessá-la sob razoável controle.

Os principais obstáculos a uma solução adequada são os burocratas internacionais do Banco Central Europeu e do FMI que rejeitam a restruturação administrada da dívida, e o Institute of International Finance que quer reduzir o custo da restruturação para os grandes bancos que representa mais do que já sendo reduzido.

A Grécia está hoje em situação de insolvência. O documento do IIF reconhece esse fato. Diante disso, a única solução razoável para o problema é o default e a reestruturação da dívida ""a redução do valor total a ser pago e o aumento do prazo de pagamento - feita de maneira negociada e ordenada.

AAleA Alemanha propôs essa solução, que dividiria as perdas entre os Estados e os bancos.

Estes rejeitaram a propostas com o apoio do Banco Central Europeu, do FMI, e da Comissão Europeia, e, há três semanas, a proposta alemã foi descartada em troca de uma alternativa segundo a qual os grandes bancos participariam do socorro total de € 115 bilhões de dólares com a substituição de seus créditos de curto prazo no valor de € 30 bilhões por créditos de longo prazo com um desconto.

O IIF dá agora sua resposta. Quer anulação ou redução de uma parte da dívida pública grega de € 350 bilhões de euros. Concorda, portanto, com a reestruturação que haviam recusado, mas quer que o setor público pague o prejuízo que os bancos tiveram ao emprestar à Grécia.

Os adversários da reestruturação argumentavam que a reestruturação grega contagiaria os demais países. Mas isto já está acontecendo, e se reflete nos juros elevados que os outros países europeus afetados estão sendo obrigados a pagar.

Agora, com o vazamento do documento do IIF, é a Itália o novo alvo. Devido ao excesso de dívida pública, os juros de seus títulos aumentaram perigosamente. Ao que parece o IIF foi longe demais.

Neste fim de semana, diante do agravamento da crise, os ministros de finanças europeus estão reconsiderando a proposta de reestruturação, agora chamada de "default seletivo", que obrigará os bancos credores a aceitar o desconto.

E o FMI dá afinal sinais favoráveis a essa solução.

Não há garantia de que a reestruturação da dívida grega controlada pela União Europeia, o BCE e o FMI garantirá a travessia ordenada da crise, porque o risco do contágio sempre existirá, e porque a solução será parcial.

Resolve o problema da dívida pública, não da dívida privada grega. Nem o problema dos custos de produção excessivos nos demais países devedores, porque o aumento dos salários neles foi maior do que o da produtividade enquanto o inverso ocorria nos países credores europeus, resultando na sobreapreciação implícita da taxa de câmbio.

A solução apenas resolve ordenadamente uma parte do problema. Vamos esperar que a outra parte - a da desvalorização necessária - vá aos poucos sendo resolvida através da adoção de planos de austeridade pelos governos, e através do aumento da produtividade das empresas. O fundamental é manter a economia europeia sob controle. 

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Infelizmente, sou contemporâneo à passagem do Bresser, como autoridade econômica, em governos anteriores, e testemunhei tôdas as retumbantes merdas que o mesmo fêz. Calado, já está errado. Recomendo à todos, que defendam sempre, com veemência, o contrário de tudo que êsse senhor diga ou escreva. As chances de estar do lado certo, vão ficar maiores, e muito.

 

Esta é a Tese econômica da crise Mundial, observando somente sob ótica da bolsa de valores dos países e papéis que não valem nada.

Minha Tese é que os países de primeiro mundo estão numa situação de qualidade de vida tão alta em comparação aos países em desenvolvimento, que inviabilizou a comercialização entre eles. Deste modo o grosso do comércio está retido entre os países de primeiro mundo, situação que não vem se sustentando há tempos, o que provocou a geração do capital virtual, dívidas crescentes, e as repetidas crises... 

A única saída é promover o equilibrio entre os países de primeiro mundo, os países em desenvolvimento e os mais pobres, diminuir a distância da qualidade de vida entre eles. Só assim para ocorrer o equilibrio comercial novamente. Utopia pura. 

 

Voltando à questão. Os neoliberais combatem o socialismo, pois o Estado interfere na economia e garante a infra-estrutura básica a todos os cidadãos, acabando com a livre concorrência. Mas não combatem o Estado que interfere na economia e garanta a infra-estrutura básica dos bancos; cadê a livre concorrência? Que interessante! Ao menos, senhores, o texto do Bresser desmascarou, até para o mais leigo dos leitores, essa tese neo-liberal. Gostaria, agora, de ver a cara dos economistas da Globo, da Folha e da Veja, comentando o texto do Bresser. 

 

  Óbvio que os credores devem aceitar perdas. O absurdo do modelo atual (o D = D') fica evidente na comparação do tamanho das riquezas: enquanto o PIB mundial fica na casa do 50-60 trilhões de dólares, os tais "ativos" vão além dos 700 trilhões. Puro cassino, já que esse dinheiro claramente não existe.

  Estivesse eu na cúpula de uma dessas "bolas da vez", procuraria costurar um acordo conjunto entre todos os PIIGS e a Bélgica (ou PIBIGS, ou BIPIGS) para uma, digamos, "re-estruturação conjunta e co-ordenada de débitos". Equivaleria a gritar truco na cara dos especuladores. Isso ou simplesmente não pagar nada, até porque, repito, esse dinheiro não existe: sua única função é render juros muitas e muitas vezes acima do valor inicial. 

 

André você está atrasado, o acordo deveria ter sido feito na rodada de Doha, todo mundo já sabia da inconsistência financeira.

Olhar para trás e pensar que vai mudar é ser ingênuo como o Bresser, o negócio é jogar o jogo jogado e minimizar prejuízos e levar vantagem aonde der, a Dilma e sua equipe têm de ter competências, senão o povo e o Brasil vão sofrer mais ainda.

Uma abertura para a inteligência coletiva no Governo me parece uma boa idéia a ser explorada.

 

Follow the money, follow the power.

" o problema dos custos de produção excessivos nos demais países devedores, ... o aumento dos salários neles foi maior do que o da produtividade..."

Eis aí o custo do "bem estar social". Todos  queremos pensões altas e bons salários, difícil é paga-los.

 

Não tem nada a ver com bem estar social.

Tem a ver com os países que entraram para a zona do Euro se endividaram em euro, que uniformizou as taxas de juros alemãs entre toda a Europa.

Naquela época o mundo inteiro tinha embarcado na teoria do crescimento contínuo ad eternum.

Ninguém acreditava que haveria mais grandes recessões. Ao menor sinal de alerta de uma possível recessão, bastava os bancos centrais reduzirem os juros e tudo estava resolvido.

Política fiscal era algo que tinha sido enterrado a mais de 30 anos, com teoria. Como prática, há mais de 50.

Na hora que veio a crise, com os países endividados até o talo, sem espaço para fazer política fiscal, sem moeda pra desvalorizar os salários internos reais em 20, 30% automaticamente, caiusse neste impasse.

E o que o Bresser tá falando é que a Europa vai sair da crise diminuindo salários nominais na periferia, já que não tem moeda pra desvalorizar.

Só que pra reduzir salário nominal em 20, 30%, precisa de 5, 10 anos de deflação.

E o povo fazendo greve, queimando pneu, etc.

Aí cortam-se gastos sociais, a produção diminui, a arrecadação diminui, aí não resolve problema de dívida nunca.

Por este caminho não vai dar. É o mais difícil, o que causa mais maldades, etc.

O problema é que os outros dois caminhos possíveis são radicais: criar os Estados Unidos da Europa, ou acabar com o Euro de uma vez.

Criar os EU da Europa, eles não querem. Vai explicar pro alemão que ele tem que fazer sacrifício para ajudar os gregos.

Acabar com o Euro também não. Experimenta falar pra um europeu que eles não são o povo mais inteligente do mundo, que eles não são infalíveis, que eles erraram no passado, que tem que dar o braço a torcer...

 

PET - Programa de Erradicação dos Trolls. Não alimente os trolls no blog!

  É tanta asneira que dá até vergonha alheia.

 

Alexandre Weber

O padrão ouro seria ótimo, mas ai o casino se acaba né ? Chance zero disso ocorrer ...

 

Vou plagiar o Nassif.

Canalizou o Rayala ?

 

Follow the money, follow the power.

No artigo, ainda faltou tocar no ponto certo: FIM DO EURO como moeda única naquela região e suas consequências para todo o globo.

Entendi como um artigo simplista, não tão diferente do que, em todas as últimas semanas, o FT, o El País e o NYT já vêm traduzindo do economês...

 
 

Professor Dr. do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes)

A solução é moleza, volta-se momentaneamente ao padrão ouro e depois lança-se um dinheiro fiduciário honesto.

 

Follow the money, follow the power.

Em um emprestimo quem concede analisa o risco do contratante e precifica o risco de emprestar como uma sobre taxa.

Se os bancos emprestaram mal e a operação micar que fiquem os banco com o prejuizo, que é afinal da natureza do negócio de quem oferta crédito.

Por que chamar os entes públicos para socializar o preju?

Por acaso quando um empréstimo é bem sucedido o banco reparte o lucro com a sociedade?

 

Porque é essa a logica neo-liberal que se apodera do estado para dar suporte ao mercado, ou seja o estado ao contrario da visão socialista num dos extremos economicos, em vez de cuidar do social, das pessoas vai pra outro extremo que serve apenas para inflar o mercado, não se importando com o social, é claro que em suas propagandas isso não é dito mas no fundo o neo-liberalismo sempre privilegiara o mercado, os bancos e etc nem que assuma os prejuizos destes em casos de crises...

 

alexandre toledo

Quando uma pessoa respeitável como o professor Bresser começa a dizer que a culpa da crise na Europa foi "porque o aumento dos salários neles foi maior", fiquei com vontade de convidá-lo para visitar o velho continente.

Dessa vez, não vamos ver Paris, Londres ou Berlim, caro mestre.

Vamos visitar o inferno europeu. Depois de "tres minutos com la realidad", será que o professor Bresser manteria uma linha do que escreveu no texto acima?

Um roteiro resumido desse inferno foi escrito por um cidadão dos EUA e pode ser lido em http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=17881

Trecho:

"O recente discurso do presidente do Banco Central Europeu, Jean-Claude Trichet, carrega consigo o programa de um verdadeiro golpe de estado financeiro contra a democracia europeia. O que está em questão é se Grécia, Irlanda, Espanha, Portugal e o resto da Europa terminarão por destruir o reformismo democrático e derivar para uma oligarquia financeira. O objetivo financeiro é evitar os parlamentos para exigir um 'consenso' que dê prioridade aos credores estrangeiros a custo do conjunto da economia. Exige-se dos parlamentos que abdiquem de seu poder político legislativo em favor dos banqueiros."

 

Costuma-se dizer no capitalismo que risco e retorno formam o binômio da decisão de investimento. A UE não é a América Latina, onde o FMI e a banca impuseram no passado recente draconianos ajustes fiscais e arrochos salariais. Seria um grande risco moral se os Estados da UE e as instituições multilaterais defendessem risco zero para o capital. Essa questão deveria independer de se ter governos de esquerda ou direita no poder na UE. É moral, para não dizer desastroso, a defesa de arrochos salariais e contrações fiscais num contexto de recessão e elevado desemprego? Não era esse o capitalismo civilizado proposto por Keynes e os construtores do pacto social-democrata europeu do pós-guerra.

 

Professor Dr. do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes)

A solução apenas resolve ordenadamente uma parte do problema. Vamos esperar que a outra parte - a da desvalorização necessária - vá aos poucos sendo resolvida através da adoção de planos de austeridade pelos governos, e através do aumento da produtividade das empresas. O fundamental é manter a economia europeia sob controle.

Que será que ele quis dizer?

Esperar aumento da produtividade das empresas, pode-se esperar sentado, pois o aumento de produtividade é uma coisa que acontece de forma lenta, gradual e, principalmente, através de investimentos, que são viabilizados com o crescimento.

Nada sugere que tais investimentos estejam sendo realizados, pela alta disconfiança dos investidores e a falta de demanda agregada.

E não há nada que indique que os pacotes de austeridade dos governos irão trazer a confiança de volta aos investidores. Se não tem demanda, não tem investimento.

E os salários que foram inflados acima da produtividade, não vão baixar como que por milagre, existam ou não programas de austeridade.

E, finalmente, a austeridade dos governos tende a agravar o problema das dívidas soberanas, não resolver, como achei que isso já tivesse ficado claro com os pacotes já experimentados.

Ou seja, a resolução da crise por estes métodos ou não funcionará ou levará anos ou até décadas para ocorrer.

Até tu, Bresser?

 

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A produtividade de uma empresa pode crescer, sim, sem investimentos. Pode crescer até se o produto diminuir:

Se, mantido o produto, se reduz o Trabalho, a produtividade aumenta.

Se, reduzido o produto, se reduz mais que proporcionalmente o Tabalho, a produtividade aumenta.

Se, reduzidos o produto e o Capital, se reduz mais que proporcionalmente o Trabalho, a produtividade aumenta.

Em todos os casos, a renda, por unidade de Capital investida, cresce. Concentrar a renda e aumentar o desemprego (o que, em geral, andam juntos) é o caminho das pedras para aumentar a rentabilidade das empresas sem alterar a renda total da economia - até a diminuindo - e não é gratuitamente que FMI, BM, etc, etc, etc, sempre recomendam soluções que na prática resultam em redução da renda total (ou produto total) acompanhada de desemprego.

Capitalismo na veia, como sempre...

 

Godinho,

Primeira alternativa:

Se, mantido o produto, se reduz o Trabalho, a produtividade aumenta.

Para manter o Produto em um determinado nível, reduzindo-se o Trabalho, só se for com aumento de tecnologia. E aumento de tecnologia sem investimentos, impossível. Mantido o mesmo nível tecnológico, diminuindo o Trabalho, o Produto cai.

Segunda alternativa:

Se, reduzido o produto, se reduz mais que proporcionalmente o Tabalho, a produtividade aumenta.

É uma estratégia burra. Se for para "resolver" o problema da crise reduzindo o Trabalho e reduzindo a produção, pra que economistas? Além do mais, para reduzir o Produto menos do que o Trabalho, só aumentando a tecnologia. Senão, corta-se Trabalho, mas também o Produto cai na mesma proporção, dado que o nível tecnológico se manteve.

Terceira alternativa:

Se, reduzidos o produto e o Capital, se reduz mais que proporcionalmente o Trabalho, a produtividade aumenta.

É exatamente a mesma coisa que está escrito na segunda alternativa.

 

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Achei mais este belo post do Krugman, o último economista vivo, mostrando porque esta teoria não está funcionando e até agora não deu sinais de que vá funcionar.

O que todo mundo deveria entender é: a caca do Euro foi grande, mas eles têm um nome a zelar. Não querem dar o braço a torcer, nem com bomba.

Eu já disse que tem uma obsessão dos americanos em derrubar o Euro.

Mas não é o caso do Krugman.

Ele só está mostrando por A+B que o Euro, como foi criado e como funciona hoje em dia, não funciona.

E nem vai funcionar, porque eles não tem a mínima vontade de fazer uma unificação fiscal na Europa.

May 17, 2010, 9:42 am

Et Tu, Wolfgang?

Perhaps the most startling and frustrating thing about the debate over the fate of the euro is the way almost everyone avoids confronting the core issue — the elephant in the euro. With a unified currency, adjustment to differential shocks requires adjustments in relative wages — and because the nations of the European periphery have gone from boom to bust, their adjustment must be downward. At this point, wages in Greece/Spain/Portugal/Latvia/Estonia etc. need to fall something like 20-30 percent relative to wages in Germany. Let me repeat that:

WAGES IN THE PERIPHERY NEED TO FALL 20-30 PERCENT RELATIVE TO GERMANY.

But nobody is willing to say that outright. Even the ever-pessimistic (and hence realistic) Wolfgang Munchau writes

None of the governance reform proposals that are currently discussed even attempt to answer the questions of how Spain is going to get out of this hole, and how the competitiveness gap between the north and the south of the eurozone is going to be closed … What the eurozone needs is an increase in domestic consumption in the north, particularly in Germany, and labour and product market reforms in the south, most importantly in Spain.

How many readers will get that what he’s really saying is that

WAGES IN THE PERIPHERY NEED TO FALL 20-30 PERCENT RELATIVE TO GERMANY.

How hard will it be to achieve this? Look at Latvia, which has pursued incredibly draconian austerity. Unemployment has risen from 6 percent before the crisis to 22.3 percent now — and wages are, indeed, falling. But even in Latvia labor costs have fallen only 5.4 percent from their peak; so it will take years of suffering to restore competitiveness.

The official answer is that this just shows the need for more flexible labor markets. But this was a subject we all batted back and forth in the initial debate about the euro, circa 1990: nobody has labor markets that flexible. If the euro isn’t workable without highly flexible nominal wages, well, it isn’t workable.

Anyway, this is my morning euro rant.

 

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Ah,

Tudo isto levando em conta a rigidez nominal dos salários, como falei no post acima.

Veja este post do Krugman.

No final ele até fala que para os países europeus a diminuição dos salários em relação à Alemanha poderia fazer sentido.

Mas obviamente não é o que ele pensa.

Mas pode verificar no blog dele outros posts, justamente o exemplo do país europeu que fez isto, a Irlanda. Foi, até agora, um desastre.

March 27, 2011, 5:08 pm

Wages and Employment, Yet Again

Oh, my. Even Matt Yglesias doesn’t quite get it.

Writing about Republican plans to raise employment by reducing it, he writes

America is just too big to adjust primarily through the currency channel. So one possible route is nominal deflation. You cut nominal public sector salaries, lay off public sector workers, and reduce nominal transfer payments (Security Security, SNAP, etc.). This ought to drive down wages in the private sector, too, and eventually everyone is making sufficiently little money that it makes sense to start hiring more people.

Then he turns, rightly, to the problem of nominally denominated debt. But look: even if we didn’t have that problem, there would be no reason to expect a general fall in wages to raise employment.

Why? Don’t demand curves usually slope downward? Yes, but that’s because when you cut the price of something, it normally gets cheaper relative to other things, leading people to redistribute their spending toward the cheaper good.

But when you cut the price of everything — which is more or less what happens when wages fall across the board — there’s nothing else to substitute away from.

Yes, economics textbooks typically show a downward-sloping “aggregate demand curve”. But the reasons for that curve’s downward slope aren’t the same as for your ordinary demand curve. It’s a process that works like this: lower prices -> lower demand for money -> lower interest rates -> higher spending. And that process doesn’t operate when, as is currently the case, short-term interest rates (which are the ones that matter for money demand) are zero.

Things are different for a country that shares a currency with other countries. Ireland can raise employment by cutting wages of Irish workers relative to German workers. But America, with its floating dollar, gains nothing — nothing at all — from overall wage cuts. All we get is a magnified real debt burden.

 

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Perguntas de um não economista, se alguém tiver respostas agradeço:

Ataque especulativo contra a Itália?  

A saúde financeira de países inteiros depende de especulação e especuladores?

E não há providências contra estes?

Nem regulamentação?

Os bancos quando emprestam mais do que bom senso recomenda não estão sujeitos a perdas?

Riscos e perdas não são próprios do capitalismo ou são apenas para sardinhas e bagres?

É o socialismo das grandes empresas, "que são grandes demais para ter prejuízos ou quebrar", então o sistema as protege socializando prejuízos, pagos por povos inteiros com sangue, suor e lágrimas (literalmente) mas privatizando lucros aos bancos e aos grandes grupos?

Que @#$%*&$$ de capitalismo é esse?

Parece tão verdadeiro e com tanta credibilidade quanto aquele (pseudo) "socialismo de burocratas" da ex-URSS?

Ao que parece N. Chomsky, o filósofo norte americano está certo.

Ou não?

 

Considero que as perguntar foram retóricas.

No entanto, uma em especial, apesar da retórica, gostaria de responder:

Que @#$%*&$$ de capitalismo é esse?

Capitalismo em seu estado mais puro. Simplesmente. Amplo domínio da sociedade pela burguesia financeira, decorrente da derrocada do socialismo que fazia a humanização do sistema.

Nada mais do que isso? Não adianta ficar discutindo se risco e rentabilidade andam juntos e blá, blá, blá, etc.

Isso é pra estúpidos.

A política não adminte teorias econômicos/matemáticas que causem prejuízo às classes dominantes.

Estas teorias só se aplicam para justificar as perdas das classes dominadas, para aparentar um sistema de justiça dentro de um sistema completamente injusto.

 

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  A retórica é válida, até a pergunta que tipo de capitalismo é esse, pelo menos para clarear mentes que acreditam no Jornal Nacional, não?

  Mas me diga, e as burguesias não finaceiras, as que vivem da produção, aceitam ficar reféns da instabilidade?  

 

Krishna,

Claro que a retórica é válida. Só disse aquilo para mostrar que eu não era um idiota me esforçando para responder perguntar retóricas...Rssss. Só quis pegar o gancho da sua pergunta.

As burguesias não-financeiras, estas estão deixando de existir cada vez mais.

Basta olhar para o Brasil.

A produção é algo condenado.

O financismo é tido como algo genial. E isto desde o Império.

Isto não significa que não tenham surgido elites produtivas.

Mas estas estão cada vez mais limitadas pela falta de condições macroeconômicas.

Como então, mantê-las satisfeitas com as instabilidades da ciranda financeira?

Colocando elas pra dançar a mesma música.

E dá uma olhada pra importância dos departamentes financeiros das grandes empresas brasileiras.

E a Sadia, lembra? A Sadia era uma diretoria financeira circundada de diretorias menores. Sabe aquelas onde você põe de diretor alguém que cresceu na empresa, virou gerente, depois alto gerente, depois foi promovido a diretor?

Os donos mesmo, nem se lembravam mais se a Sadia criava frango, porco ou se era uma fábrica de auto-peças.

Pra eles dava no mesmo.

E o presidente da FIESP? É um sem-indústria. Tinha uma indústria têxtil que quebrou há 20 anos, mas no papel ainda é um industrial. E não é culpa dele. Mas quer sintoma mais claro que as elites produtivas estão deixando de existir?

E sabe o que faz um personagem da elite produtiva hoje?

Monta uma fábrica. Na China.

E importa tudo pro Brasil. Aqui ele monta uma linhazinha de produção para colocar um adesivo, estampar a marca.

Só pra falar que é indústria nacional e garantir acesso às linhas de crédito do BNDES.

 

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Mas é claro que os credores, sejem quem forem têm que aceitar uma redução da dívida, se quiserem receber. O credor sempre tem parte da culpa em um calote, não tem jeito.

 

Não é apenas a Grécia, é outro 2008, pior.

Brincaram com o povo e com a Economia e não foi só a Grécia.. há muitos!

Quem sobreviver, sentirá!