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A crise mundial e a desglobalização

Do Le Monde Diplomatique

A desglobalização e seus inimigos 

Equilibradas sobre o fio da dívida pública, as economias ocidentais pulam de crise em crise. Cúpulas em que se decide a sorte de um país são rotina para os políticos, que, há três anos, assumem um papel de pronto-socorro das finanças. Mas um outro caminho tem sido aberto, quem tem medo da desglobalização?

 por Frédéric Lordon 

No início, as coisas eram simples: havia a razão, que andava em círculos, e a insanidade. Os racionais estabeleceram que a globalização era a realização da felicidade, e todos aqueles que não tivessem o bom gosto de acreditar nisso deviam ser trancafiados. Por duas décadas, essa “razão” impediu metodicamente qualquer debate, concordando em abrir-se apenas quando sobreveio o espetáculo da maior crise do capitalismo.

Os terríveis efeitos da mega-austeridade europeia se farão sentir realmente na França a partir do primeiro semestre de 2012. No cruzamento entre delírio financeiro, política econômica tutelada pelo mercado e deslocalizações que prosseguem durante a crise, a globalização promete mostrar-se em seus mais ofuscantes trajes: desemprego, precariedade, desigualdade, perda da soberania popular.

A liberalização financeira e o poder acionário, a construção da Europa com base na escolha deliberada de expor a política econômica à disciplina do mercado financeiro, a concorrência livre e leal são todas aquelas coisas intocáveis que devem ser ditas (contra o inferno das que não devem ser ditas) para poder continuar apertando a mão do ministro, ser convidado para falar na televisão, ser consultado pelos partidos (de esquerda e direita) – em uma palavra, ser amado pelas instituições.

 

Um pesadelo espetacular

Mas eis a crise que arrasa tudo. “Não falar no assunto” era possível até a globalização se transformar num pesadelo espetacular de grande público. Até então se podia aliviar a situação dos pobres por meio de processos exclusivamente internos, cuidando para permanecer dentro do “quadro”, sem questionar nada. As palavras de ordem são reforma tributária (certamente útil) e, acima de tudo, e-du-ca-ção! Seriam educados os “sem oportunidade” – para torná-los “competitivos por cima”. Ah! A educação, a economia do conhecimento, a knowledge-based economy,que é a alegria da Comissão Europeia: desculpa perfeita para responsabilizar os “idiotas” por sua inempregabilidade, sem ter de mencionar as causas estruturais que destroem o emprego.

Mas eis que se torna difícil não falar dos danos ligados às “coisas estruturais”, conhecidas com o nome de globalização, pois eles eram toleráveis enquanto silenciosos, mas de repente tiveram o mau gosto de emergir com estrondo.

Claro que há um esforço em manter alguns dos velhos argumentos, como a tese da “tecnologia”, que imputa à produtividade gerada pela tecnologia, e não à globalização, as perdas de emprego e a desigualdade:1 apenas os bem-educados sabem lidar com o computador, ficando com os empregos reservados aos competentes – quanto aos outros, sinto muito...

Sim, sem dúvida a China acabará desenvolvendo instituições salariais maduras adequadas à solvência de um mercado interno e, de grande exportadora, tornar-se-á nossa grande cliente – mas quando exatamente? Em dez anos? Quinze? Qual é a solução até lá? Ou continuamos no a-paciência-vai-recompensar?

E se, do mesmo modo como a China a 150 euros tornou-se vítima da deslocalização para o Vietnã a 75 euros, a globalização der um salto para o continente africano – ainda inteiramente disponível para se integrar ao sistema! – e quebrar todos os preços? Mais um último bocadinho de paciência de meio século para que a África complete seu percurso?

É claro que o presente desastre perturba os velhos amigos da globalização que se esforçam para encontrar “falhas”. Mas apenas o mínimo, e conforme os eventos em curso permitem, para permanecer no centro de gravidade do discurso legítimo – por exemplo, mostrando-se firmes, pelo menos em palavras, em relação às finanças – e desse modo continuar “na cena”.

Até Lawrence Summers, ex-conselheiro econômico de Barack Obama e papa da desregulamentação da era Clinton (1993-2001), admite que os trabalhadores norte-americanos têm “bons motivos” para acreditar que “o que é bom para a economia global pode não ser bom para eles”...2 As rachaduras do sistema e as repetidas bofetadas da realidade acabaram abrindo brechas, pelas quais os argumentos por muito tempo proibidos conseguem emergir.

A palavra “desglobalização”, cuja paternidade se convencionou atribuir ao economista filipino Walden Bello,3 tomou logicamente o significado de um horizonte político desejável para todas as cóleras sociais que a globalização não cessa de produzir. Porque, no fim das contas, as coisas são muito simples: se foi tão fácil chegar a um acordo para chamar de “globalização” a configuração presente do capitalismo, então também deve ser fácil entender por “desglobalização” a afirmação de um projeto de ruptura com essa ordem.

 

Debate tenso na esquerda

É precisamente nesse ponto que o debate fica tenso na esquerda. Não poderíamos imaginar membros do conselho científico da Associação pela Tributação das Transações Financeiras e Ação Cidadã (Attac) alarmados com a circulação do tema da desglobalização.4 É de espantar essa contribuição de parte da esquerda crítica – talvez involuntária, mas de qualquer modo objetivamente constituída – às piores distorções da desglobalização.

Embora a configuração fordista do capitalismo pós-guerra tenha tudo da desglobalização, não encontramos ali nem arames farpados, nem postos de vigilância, nem economias hermeticamente fechadas, nem projetos de autossuficiência. O que temos é a terrível enfermidade do pensamento do terceiro excluído, ignorando que pode haver nações e laços entre as nações.

Não consta que o período 1945-1985 tenha ignorado o comércio exterior; sem dúvida o comércio internacional era menos desenvolvido do que hoje. Também não consta que um regime de comércio protecionista trará a guerra que nos promete Pascal Lamy a cada vez que se sugere não sacrificar tudo ao livre-comércio – e, catastrófica convergência retórica, eis que certos altermundialistas decidem declarar que os direitos aduaneiros “alimenta[ria]m a xenofobia e o nacionalismo”,5 ou seja, por acaso concordam com Lamy.

Também não consta que o princípio nacional tenha sido abolido, mesmo no mundo supostamente globalizado, pois – atenção, liberais e altermundialistas! – ainda existem nações! Há a China e os Estados Unidos, que estranhamente nunca veem questionados nem seu nacionalismo nem suas reivindicações de soberania. Eles dariam muita risada se fossem convidados a se fundir em grandes blocos.

Seria excelente, aliás, recordar que o “horror nacional-protecionista” fordista foi uma época, embora certamente imperfeita, de pleno emprego, crescimento (sem consciência ambiental, é verdade) e paz entre os países avançados (embora apenas relativa, mas ainda assim...).

Também não consta que as relações entre as nações devam ser concebidas exclusivamente sob a perspectiva da mercadoria, e ficamos pasmos com a força do detergente liberal para promover tal lavagem dos entendimentos a ponto de fazer esquecer que colocar algum limite à circulação de contêineres e capitais não impede de modo algum a grande circulação de obras, estudantes, artistas, pesquisadores, turistas, como se a circulação mercantil fosse o único medidor do grau de abertura das nações!

Mas podemos dizer que a Attac logo abandonou seu primeiro rótulo de “antiglobalização”, precisamente por se redefinir como “altermundialista”. Talvez esteja aí o divisor de águas teórico, como indica sua recorrente obsessão em ver “um conflito de classes transformado em conflito de nações”. Embora partindo de uma questão profunda, esse enunciado está fadado à inanidade, se acha que pode negar o fato nacional – ou melhor, os fatos – e os antagonismos que quase inevitavelmente se seguem, que não podem ser compreendidos como “guerra” e negação absoluta de relações de cooperação que poderiam ser estabelecidas de outro modo.

A não ser que se queira continuar perseguindo a quimera de uma humanidade completamente reconciliada, teremos de nos habituar à ideia de que a comunidade humana em sentido amplo é necessariamente atravessada por antagonismos, e que alguns deles se estabelecem de acordo com o traçado das nações.

Pode-se observar que os trabalhadores chineses e os trabalhadores franceses estão na mesma relação de antagonismo de classe diante de “seu” capital, mas nem por isso as estruturas da globalização econômica deixam de colocá-los também e objetivamente em uma relação de antagonismo mútuo.

Apelar à solidariedade de classe franco-chinesa procede de um universalismo abstrato que ignora dados estruturais concretos e seu poder de configurar conflitos objetivos. Em vez de construir castelos de ar sobre “essências” (a “essência” do proletariado ou a “essência” da luta de classes) que produzem apenas efeitos improváveis, seria melhor pensar em refazer as estruturas reais que determinam as múltiplas relações entre os diversos grupos sociais, como Marx já criticava nos “jovens hegelianos de esquerda”.

Em alguns países, as estruturas das finanças acionárias e das aposentadorias capitalizadas colocam objetivamente em conflito diversas frações da própria classe trabalhadora: pensionistas (interessados na rentabilidade financeira) contra funcionários (dos quais é extraída a contribuição), aposentados de um centro de produção contra funcionários-acionistas do mesmo grupo etc. É absolutamente inútil pedir a toda essa gente solidariedades de classe abstratas contra as estruturas que as destroem concretamente e configuram objetivamente seus interesses sob relações antagônicas. Mas seria útil refazer as estruturas (destruir as finanças acionárias, promover incessantemente a distribuição) para fazer prevalecer uma gramática de antagonismo sobre outra.

As atuais estruturas de livre-comércio e circulação dos investimentos diretos interditam as solidariedades possíveis entre trabalhadores franceses e chineses. Esse é o paradoxo não percebido pelos “globalizadores”, liberais e altermundialistas. Ao contrário do que muito se diz, um protecionismo razoável e negociado não prejudica os interesses dos trabalhadores dos países emergentes, podendo permitir que eles passem, sem o incentivo de focar tudo na exportação, a regimes de crescimento mais autocentrados, atraindo funcionalmente a extensão e a estabilização dos rendimentos salariais.

Somente quando os trabalhadores desenvolverem solidariedades transversais (transnacionais) é que farão prevalecer a gramática classista sobre a nacionalista. Assim como a “concorrência justa” não passa de um protecionismo disfarçado (e da pior espécie),6 pode ser que, ao contrário do que creem alguns altermundialistas, formas de protecionismo transparentes e racionalmente negociadas tenham boas propriedades cooperativas, gerenciando possibilidades de desenvolvimento autônomo, embora (razoavelmente) interativos, e criando as condições concretas das solidariedades transnacionais de classe.

Mas a questão da desglobalização não se esgota em absoluto na do protecionismo. O problema fundamental é político: o da soberania e de suas circunscrições possíveis7 – que absolutamente não se limitam ao âmbito das atuais nações.

Dado fundamental da vida dos povos, a soberania é ignorada por todos os defensores da globalização, como revela o emaranhado conceito de “governança”. “O problema central é o da governança mundial”, repete Daniel Cohen.8 Não! O problema central é o da constituição de entidades políticas autenticamente soberanas, as únicas dotadas da força capaz de se opor à força do capital. Se houvesse então um único princípio geral para governar o debate sobre a globalização, poderia ser este: não podemos deixar os povos por muito tempo sem soluções de soberania.

A globalização promove a concorrência entre economias de padrões salariais abissalmente diferentes; a permanente ameaça de deslocalização; a restrição acionária impondo rentabilidades financeiras ilimitadas, de modo que sua combinação opera uma compressão constante dos rendimentos salariais; o consequente desenvolvimento do endividamento crônico das famílias; a absoluta licença às finanças para desenvolver operações especulativas desestabilizadoras ou, em falta disso, operações a partir da dívida das famílias (como no caso dos subprimes); a colocação dos poderes públicos na condição de reféns, devendo socorrer instituições financeiras surpreendidas pelas crises recorrentes; a imposição dos custos macroeconômicos dessas crises aos desempregados, de seu custo às finanças públicas sustentadas pelos contribuintes, usuários, funcionários e pensionistas; a espoliação dos cidadãos de qualquer influência sobre a política econômica, agora definida apenas segundo os desejos dos credores internacionais, não importa quanto isso custe ao corpo social; e a entrega da política monetária a uma instituição independente fora do alcance de qualquer controle político.

Daí que se declarar favorável à desglobalização é simplesmente, de maneira geral, declarar não querer nada disso!

Frédéric Lordon é economista, autor de Jusqu'à quand? L'éternel retour de la crise financière (Até quando? O eterno retorno da crise financeira), Raisons d'Agir, Paris, 2008.

Ilustração: Benett

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André, você está certo nisso: em 1970 metade do mundo era comunista e hoje não é mais. É um fato conclusivo para dizer que o socialismo é um sistema falido e equivocado? Não se pode dizer isso categoricamente, mas dá para entender o raciocínio de quem pensa assim, como você.

O mercado mundial quebrou. Duas vezes: em 1929 e em 2008 - entre eles um acordo de pós-guerra (Breton Woods) e uma crise global do petróleo e do padrão-ouro (1973), que romperam com alguns paradigmas do acordo anterior. São fatos conclusivos para dizer que o capitalismo global, baseado num sistema de livre-mercado, é um sistema falido e equivocado? Não se pode dizer isso categoricamente, mas dá para entender o raciocínio de quem pensa assim, e se opõe a você.

Há até mais provas desta última afirmação do que da primeira. Porém, não nos cabe o nihilismo de afirmar que AS DUAS ESTEJAM ERRADAS - porque o que está em jogo aqui é o destino da Humanidade. Toda.

Qual foi o erro do socialismo, no meu entender? Acreditar que se pudesse ZERAR uma sociedade para - a partir daí - recomeçar sem injustiças ou conflitos. Todos iguais, economia planificada, dinheiro e trabalho iguais a todos, uma distribuição de produção (alimentos, vestuário, bens, casas) igual, parecia lindo. Não era, nem nunca será: sempre vai haver uma "elite" - porque mesmo numa casa térrea, se houver um degrauzinho, alguém vai subir nele e se achar maior (e melhor) do que todos os outros que ali moram. É da natureza humana liderar ou ser liderado, ganhar ou perder, lutar ou se entregar. Na teoria do social igualitário, faltou o desejo pelo indivídual - a busca eterna por aquilo que nos difere e distingue na multidão.

Qual foi o erro do capitalismo, no meu entender? Achar que da competição e do conflito pelo ganho (chamado aqui de "concorrência"), num ambiente de plenas oportunidades os melhores se destacariam e inspirariam outros a se lutar para se tornar melhores, também - elevando seu nível (potencial) e o da sociedade, como um todo. Isso também não existe: o ambiente social nunca foi igual nem em posse, tampouco em oportunidades - os que estavam no topo da pirâmide social continuam lá. Me diga UM Rotschild, Habsburgo, Hohenzollern ou Windsor pobre - aqui no Brasil vale para Magalhães, Monteiro de Carvalho, Queiroz, Mello, etc. Todos eles estão ACIMA DESTA ESTRUTURA SOCIAL de busca pelo ganho numa economia de mercado - inatacáveis, inacessíveis, incólumes até mesmo das mãos da Justiça - em qualquer lugar do mundo. Hoje, eles está acima até mesmo de seus governos - por deterem interesses transnacionais. Este é o único (e malévolo) legado da Globalização - tornar a elite inacessível ao controle dos Estados e aumentando-lhes os lucros. Abs.

 

Gostaria que alguém me explicasse porque essa crise e a de 2008 nao atingiu os países da América do Sul. Bom, a atual ainda nao terminou, nao se sabe o que vem pela frente para nós ainda, mas a de 2008 foi marolinha, como alguém bem conhecido comentou. 

Há alguma explicação lógica para isso?

 

Decada de 70 China , Rússia , Vietnam socialistas , aquilo não era comunismo não , estavamos enganados.

A causa da África estar nolimbo na época citada não tem nada a ver com o colonialismo do teu falido capitalismo , que  perdeu a maior parte dos mercados por causa do teu querido capitalismo.

O cidadão tá ensadecido , apesar de ser uma mala ele é um dos leitores do blog , mas de onde ele tirou estas conclusões........

 

É quase tão bom qto a velha midia , que reconhecemos se terminar seria como os ecartunistas não terem mais os politicos e neoliberais , achamos outro assunto.

O mercado quebrou ô jenio , os titulos imobialárias e falcratruas , alguns derivativos e alavancagens , alma do teu capitalismo estouraram a economia dos EUA e UE , em seguida veio pergunta sobre quais titulos públicos , seus valores ecomo estavam estas economias , com a crise todas pioraram , os que já eestavam depindurados pimba , edeu na situação que todos estamos assistindo.

Se não foi o capitalismo que faliu e está sendo salvo pelas finanças públicas, coletivas , socialismo , o que está ocorrendo , aonde vc andava ou lendo o que. Isto foi escrito e está sendo debatido no mundo inteiro e vc parace um tucano gagá e desinformado.

 

Não tem jeito , aí vem com datas , e nomes de fatos históricos , até aí tudo bem , o problema é qdo começa a formar o raciocinio , tõ sem tempo , saco na verdade . E aqui não é blog da velha midia , os leitores são outros , qdo não motivo de pilheria ,seus ccomentários são quase esculachados no blog, Fala sobre música e cultura , ficamos sabendo data de nascimento , com quem era casado, instrumento que mais gostava, etc , enfim todos os detalhes disponiveis sobre os compositores nos livros que vc lê.

Saiu um livro novo sobre Freud , tipo coluna social esculhambando o Freud , só te alerto que já existem vários falando que é pura fofoca , que diferença isto faz  praar quem lê e acha que avelha midia é séria e que o capitalismo está triunfante e crescendo ao redor do mundo , já escutou falar em progressismo e nova ordem mundial.......

 

Sanchez , UFRJ , falando sobre história da República . Com  tempo adequado , altamente interessante , uma linguagem própria, qual emissora TV Câmara.

Versa sobre características sociais da época , fatos envolvendo os lideres da República , comparações com a atualidade ,  a participação popular e a constituição ou definição de povo e quem o formava.

A sapiência popular para votar , muito bom , várias tiradas bem humoradas , participante assíduo do debate social.

Nome do programa Aula de Cidadania. Capitulo Proclamação da República. Falou.

Lindbergh tem alguns nomes , somente no RJ para montar equipe e construir planos de governo , já mostrou que sabe fazer isso.

 

O Papandrou era um socialista, gastou um pouquinho a mais da conta , o número de funcionários públicos não eram progressistas e sim utópicos, gloriosos , não deu acontece , o problema era mais contábil, e o danado do alemão que tinha que botar a boca no trombone. Agora o Papademus era vice presidente do BE, o primeiro grego que escutei na TV, boladão, já deu a letra a raposa pra cuidar do galinheiro.

A desconfiança com os neoliberais é enorme no mundo e a UE não consegue os retirar de pontos chaves ou em alguns casos recorrem a eles pra solucionar os problemas que o neoliberalismo causou.

Por sua vez a opção de uma solução sem recessão simplesmente parece não existir para as atuais lideranças européias , poderiam não serem os mais adequados , mas planos de médio ou longo prazo para recuperação da economia da UE sem recessão, poderiam ao menos serem encomendados a outras vertentes do pensamento econômico e debatidos com a população.

Um plano de logo prazo com uma redução mais gradual dos déficits públicos com embasamento técnico e legitimidade , aí pega um pouquinho, não deverá gerar protestos dos outros governos , quanto ao mercado se for por causa dele é assinar atestado de submissão e subserviência. Mas tem que ter banco público federal. O simples movimento da sociedade redirecionando seus depósitos dos bancos particulares para os bancos públicos , mesmo que em índices médios, provavelmente faria o mercado repensar sua estratégia de controlar as economias da UE. Vários outros mecanismos de administração de recursos nos quais o banco público passasse a monopolizar estas ações tb trariam efeitos contábeis para as instituições privadas. Se ficar na sinuca  aceitando tudo que os bancos querem por que se eles quebraram quebram a economia já era, argumento já localizado na UE . A UE tem crédito quem não tem crédito são algumas instituições financeiras e governos, o funcionário europeu , a tecnologia européia , os pesquisadores europeus, o povo europeu, obrigado,são respeitados , algumas lideranças políticas e executivos de alguns setores econômicos é que despertam sentimentos um pouco diferentes.

 

Lindbergh em entrevista com Kenedy Alencar , sobre a Rocinha somente perguntas capiciosas tentando desviar o assunto do foco principal , que é a reconquista dos territórios. Destacou o trabalho de Beltrame e a atitude de Cabral que o nomeou. Freixo como um parlamentar que hoje tem o apoio e respeito de todos os políticos e setores sérios da sociedade ,coloca com exatidão que a perda de Freixo seria uma perda da democracia e da República .

Defesa dos royalties aos quais o Rio tem direito , salientando que a Presidenta não pode encerrar ou impedir o debate e resolver de acordo com sua vontade individual.

Sobre Getúlio a admiração pelo nacionalismo.

Itamar admiração , o gesto de receber os estudantes , na época mais mobilizados , a qualquer hora . O jeitão do Itamar e o reconhecimento do hoje um dos importantes nomes da política nacional é candidato natural ao governo do Rio.

Sobre ídolo , linha Amorim , aquela foi ótima , mas tb  elege Lula para não deixar o Kenedy tristinho.

 Asa Branca , Caetano e Matrix , manero , sem patrulhas , xenofobismos ou ranço , toda a energia centrada no futuro e em construir.

Lindbergh fazendo política , simples , no mesmo rumo , algumas mudanças acompanhando acumulo de experiência e mudanças sociais . Isso aí. Saudações brasileiras e cariocas. Não vi o jogo e não sei o resultado.

 

 

Desglobalização.

Nassif, será que após tantos anos(quase um século)procurando falar a mesma língua, a comunidade financeira internacional e os governos dos países dito democratas, irão reverter este processo, que prometia e parecia irreversível, para uma volta ao passado,quando cada nação tinha a sua moeda própria(nem sempre reconhecida e aceita pela comunidade internacional) e não tinha a garantia do suporte dos bancos de desenvolvimento intranacionais, e não eram considerados economias de mercado, na mais verdadeira acepção da palavra ?

Não está parecendo está faltando apenas, cada país administrar suas contas internas e externas com austeridade, e não emitir papel-moeda, acima das suas capacidades de recompra, ao contrário do que fizeram, por anos e anos, algumas nações europeias, agora desmascaradas por auditorias sérias, que constataram improbidades e falta de austeridade economica, de seus governos e desrespeitos aos meios de pagamentos, dos seus bancos ?

 

O preço da liberdade, é a eterna vigilancia.

Adoro ler textos criticando a globalização na internet, sempre me divirto muito.

 

Sendo a internet o maior produto da globalização, ah, ah, ah. Vamos DESGLOBALIZAR, conforme quer a galera e desligar a internet, cujas centrais estão nos EUA e são controladas pelos EUA, não seria bacana? Voltem a se comunicar pelo correio, é mais romantico.

 

Sempre se falou que o capitalismo, e não por mero acaso, era o sistema econômico mais justo em contra ponto ao socialismo.

Quem sempre defendeu e ainda defende esse sistema?

As nações ricas da Europa e EUA.

Como eles diziam, e agora eles não estão tão certos disso por conta da crise, que era o sistema de oportunidades abertos a todos. Não é e nunca foi.

Esses blocos ficaram ricos explorando os mais fracos culturalmente e por imposições militares. Guerras, apoios a ditaduras e aos ditadores. É muito mais vantajoso apoiar uma pequena casta nesses países que fazem o que eles querem e em troca recebem parte da venda das suas riquezas para os países centrais. A divisão do lucro fica restrita somente para aqueles grupos que operam o regime da forma que nós queremos. Assim não temos que dividir com a população toda. Não dá para todos ter o mesmo nível de consumo que os "nossos" cidadãos.

Europa e EUA teriam o desenvolvimento que tem hoje sem ter o petróleo do oriente médio e Venezuela, gás da Rússia, minérios do Brasil, Bolívia, Chile e toda diversidade da fauna e flora da América Latina?

Em 1902 madame Curie descobriu os elementos químicos polônio e rádio.

Vejam só. De oito toneladas de minérios vindo da Bolívia, ela conseguiu 1 grama de sal de rádio.

O que a Bolívia ganhou com o fornecimento da matéria prima que possibilitou a descoberta?

A eterna miséria que o país ainda vive hoje.

Um descendente índio pelo menos começa a tentar inverter essa ordem.

 

Como é possivel negar a Historia? Em1970 metade do mundo era comunista, a Europa do Leste inteira, a China, o Vietnam, metade da Alemanha, o sistema socialista faliu e virou inteiramente capitalista, a Africa esta em uma nova fase de crescimento exatamente porque introduziu a economia de mercado e ascendeu uma nova geração de empresarios em Angola, na Nigeria, na Africa francofona, no Quenia, as ilhas de atraso são exatamente os paises socialistas como Zimauwe e Tanzania. Quando a Africa estava no limbo, o unico teritorio que funcionava era a Africa do Sul, hoje uma economia de grande porte, inteiramente capitalista. Aonde é que o socialismo está triunfante?

 

Como é possível negar a História? Em 1798, a França avançava sobre a Europa, estabelecendo repúblicas na Itália e na Alemanha e abolindo as antigas relações feudais e estabelecendo o Código Civil como ordenamento jurídico universal. Metade da Europa estava sobre as palavras de ordem "liberté, égalité, freternité" e Napoleão avançava sobre o Egito. E, hoje, 1815, o que resta desse liberalismo? A monarquia absoluta e o feudalismo triunfaram para todo o sempre e provaram ser o sistema de governo mais perfeito e superior.

Dizia o conservador europeu, o Dedé Araújo da época, logo após o Congresso de Viena.

 

Lá vamos de novo Andy.

Comunista? Serve a China?

Do Cia Factbook:

em: https://www.cia.gov/library/publications/the-world-factbook/geos/ch.html

Government type: Field info displayed for all countries in alpha order. Communist state

 

 

Incomoda?

Fale com a agência!

 

A bolivia continua subdesenvolvida exatamente por falta de capitalismo.

 

A forma que vc escreve Bolívia com "b" faz jus ao seu comentário.

E ainda quer se passar por civilizado como os "europeus" e "norte americanos".

Ou vc se acha superior ao povo boliviano?

Eu tenho a certeza que não.

 

"A bolivia continua subdesenvolvida exatamente por falta de capitalismo. Esta frase, se não é de Nelson Rodrigues, poderia ser." #aeciofacts

 

e hoje é véspera mas prometi que com crise ou sem crise não ia beber de jeito nenhum mesmo com muitos desejos.

 

A crise financeira de 2008 e a crise europeia de 2011 são conjunturais e seus efeitos sobre tendencias geopoliticas de longo prazo ainda não podem ser captados, o que certo ideologos fazem é  tentar usar efeitos da crise conjuntural como argumentos de suas ideias previas, adaptando suas conclusões a seus desejos.

 

Crise conjuntural ou má administração ?

Caro André Araujo, esta crise que originariamente começou em 2007,nos E.U.A, ainda na adm.Bush,e de lá irradiou-se para o resto do mundo ocidental, não é somente conjuntural e nem pontual, como você tenta passar, e certamente não teria saído das cercanias de Wall Street onde começou, por meio das alavancagens efetuadas pelos yuppies dos bancos de investimento, e assumidas pelos seu irresponsável governo, que incapaz de fiscalizar o sistema financeiro e garantir o valor de seus papéis, tem que apelar para seu Congresso, para permitir a emissão de mais papel-moeda, mesmo sem lastro nem a confiança do resto do mundo, que pensa em trocar a moeda, deixando o dólar em 2º plano.

A solução de tal problema é muito mais difícil do que parece, e não vai ser com paliativos, que a crise será diluída. Será preciso vontade política e uma política macro-economica austera, e uma reversão das prioridades, para que a coisa entre nos eixos.

 

O preço da liberdade, é a eterna vigilancia.

O AA, quando está distraído, até que fala coisas sensatas...

 

Nada disso. A  crise é muito mais profunda e seus primórdios podem ser localizados já no finalzinho da década de 1960. A crise financeira nada mais é do que um epifenômeno - um sintoma - desta crise de acumulação, ou "estrutural" (os termos não são sinônimos). Aí, vale a pena conhecer um pouquinho os escritos de gente como Mandel, Mészáros etc etc. AA diz outra coisa completamente diferente. Na cabeça dele, tudo se resume a um solavanco "normal", por assim dizer, do capitalismo, que segue forte como nunca...

 

A crise esta em curso, porisso parece a maior de todos os tempos, perto da crise de 29 esta crise é pequena, na de 29 o desemprego em 1933 era nos EUA de 40% e na Alemanha de 45%, é uma crise mais financeira que economica, as 500 maiores empresas do mundo e a maioria das medias empresas esta em excelente situação de liquidez, há no mundo 60 trilhões de dolares em fundos de investimentos esperando oportuuinidades, as empresas industriais americanas estão com 900 bilhões de dolares em caixa, não há empresas da economia produtiva quebrando nem nos EUA e nem na Europa, a imprensa tende a magnificar as crises para chamar a atenção, é preciso sempre contextualizar os acontecimentos historicos, é uma crise conjuntural porque grande parte da economia produtiva continua funcionando normalmente. Em 1929 o Brasil deixou de vender café e teve que queimar 80 milhões de sacas nos anos seguintes, hoje todo cafe que o Brasil produz tem comprador pagando bons preços.

 

Nada a ver. Quando eclodiu a crise de  29 Leon Trotsky previu o fim do capitalismo e o advento do socialismo preparando a etapa final do comunismo. Nada disso aconteceu porque o capitalismo se recicla e se renova, algo que nem Marx e nem Trotsky entenderam. Se o capitalismo tornou-se o modelo mundial em 1990 com o fim da URSS, como é possivel dizer o contrario aqui?

 

Infelizmente, AA, o capitalismo não é a-histórico, ou trans-histórico. Não se situa além da História, por tratar-se de criação humana; teve um começo (não existiu durante mais de 90% do tempo histórico da Humanidade), e terá, portanto, um fim. Este fim será necessariamente precedido por uma, ou mais, crises. Isto nada tem a ver com determinismo; é só conhecer um pouquinho de História para constatar isto.

Se o capitalismo é relativamente recente em termos históricos, o socialismo é ainda mais recente (suas bases científicas foram estabelecidas somente na segunda metade do século XIX; a rigor, ontem). O processo através do qual o capitalismo veio a se tornar hegemônico tembém teve marchas e contramarchas; surgiu aqui, desapareceu ali, foi precedido por guerras generalizadas, revoluções, períodos de violência inaudita... não houve nada remotamente parecido com uma transição "natural" do feudalismo ao capitalismo; igualmente, não há porque esperar uma transição "natural" ou mesmo pacífica do capitalismo ao socialismo. Haverá lutas, revoluções, vitórias e derrotas, avanços e recuos. Como já disse, o primeiro Estado proletário do planeta durou setenta dias; o segundo, setenta anos. Foram necessárias invasões, uma guerra de extermínio e a ameaça contínua de nova guerra das potências capitalistas para derrotá-lo. É um trágico engano de sua parte imaginar que a História acabou por aí. O capital venceu uma batalha; só muito wishful thinking para achar que essa era a última...

 

 

 

Eu já disse pro Dedé, fazendo uma analogia histórica, que estamos para a Revolução Russa e o socialismo como os europeus estavam para a Revolução Francesa e o liberalismo, pouco depois de 1815 e o Congresso de Viena, quando a reação restaurara os Bourbons no trono da França e as monarquias absolutas de Áustria, Prússia e a Santa Rússia reinavam supremas sobre o continente sob o beneplácito do Frankenstein liberal-aristocrático britânico. Naquele momento, ninguém previa as jornadas de 1830, de 1848, da Comuna de Paris. Naquele momento em que a flor de lis dos Bourbons tremulava sobre a França:

http://en.wikipedia.org/wiki/File:Pavillon_royal_de_France.svg

os Dedés Araújos de plantão também diziam que a monarquia era sólida e diariamente rememoravam o eterno sepultamento da "Tricolore".

 

"...Quando eclodiu a crise de  29..."

pfft, nada que uma GUERRA MUNDIAL não resolva

"...o capitalismo se recicla e se renova,..."

só custa um pouquinho de externalidades, tipo vidas humanas e meio-ambiente,  mas quem liga para essas coisas?

 

E qual o papel da mídia ocidental nisso tudo? Claro... apenas funcionar como mantenedora da Ordem do Discurso capitalista, tendo nos USA seu grande chefe e lider. A postura do PIG no Brasil não é algo solto e dissociado da questão maior que é a supremacia do capitalismo no "Western World". O que Lula faz no Brasil é algo perigosíssimo; programas sociais são vistos, pela Ordem do Discurso vigente, como drenos que tiram dinheiro dos poderosos para transferi-los para os pobres. Isso é inaceitável...

 

a crise não é mundial, a não ser nos discursos dos grandes do ocidente globalista que quando está bom puxam se ruim empurram. e a saída para êsse ocidente é correr atrás de quem os oriente... mais ainda.

 

A globalização do jeito que foi imposta de cima para baixo nos últimos 20 anos não vai fazer falta e já vai tarde...

É duro para os globalistas, mas no período keynesiano (1945-1990) o mundo era um lugar muito melhor de se viver.

 

1945-80. A globalização começa com a eleição de Thartcher e Reagan