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A crítica ao excesso de doutores

De repente vale a discussão é interessante. Faz sentido o que é dito pelo tal professor? 

Professor da UnB critica a formação de doutores no Brasil

  Para Marcelo Hermes, do Departamento de Biologia Celular da Universidade de Brasília, daqui a quinze anos o país não terá capacidade de fazer ciência de ponta "porque toda a geração se aposentou e os atuais não foram formados adequadamente"

No último dia 10, os consultores do Centro de Gestão de Estudos Estratégicos (CGEE), ligado ao Ministério da Ciência e Tecnologia, apresentou um estudo que concluiu, dentre outros, uma taxa média de 11,9% de crescimento ao ano do número de doutores no país. Para falar da expansão da pós-graduação no Brasil, a ADUNB entrevistou o professor do Departamento de Biologia Celular, Marcelo Hermes. Confira a seguir:

- O estudo do CGEE mostrou que entre 1996 e 2008 o número de doutores titulados no Brasil cresceu 278%. O que o senhor acha da expansão da pós-graduação no país?

A minha visão é contrária à expansão da pós-graduação, especialmente do doutorado. A maioria das pessoas acreditam que o crescimento no Brasil - e na UnB também - é positivo. A taxa de aumento, alguns anos atrás, chegou a variar entre 10% e 20%, um crescimento chinês. E todo mundo comemora isso, exceto alguns poucos. Eu acho que é um crescimento exagerado. Aliás, responder isso agora ficou mais fácil, desde que o país entrou no chamado super aquecimento. Esse crescimento de 9% ao ano o qual o país não suporta, já que não temos estrutura física para tanto bussines. E a mesma coisa acontece na pós.

- Como é essa comparação?

Para se ter pós-graduação são necessárias quatro coisas: os alunos, que querem fazer pós; os professores, que vão orientar e dar aula; os cursos e, claro, dinheiro. Dinheiro não tem sido o problema. Então o que acontece? Você tem um crescimento muito grande tanto no número de cursos, de alunos e de orientadores. Um olhar desatento, pensa "que bom!". Não. Muito pelo contrário. O país está andando para trás com esse crescimento exagerado da pós. Primeiro porque os professores têm uma capacidade finita de orientar. Antigamente, cada professor orientava cinco, hoje está orientando dez alunos. E isso causa uma queda da qualidade. Obviamente, você não consegue dedicar suficiente tempo para orientar esses alunos. Para formar doutores é preciso um trabalho artesanal. Eles têm que ser treinados, pois podem se transformar em orientadores no futuro. Além disso, nem todos têm capacidade de ser orientadores. Tem muita gente que não tem a formação técnica e a capacidade de orientar. E nem todo mundo tem a qualificação necessária para ser orientador de doutorado. E com esse crescimento exagerado, a pós está pegando vários professores que não têm a menor capacidade de orientar, mesmo que não queiram, porque vão pegar uns pontos a mais, vão ter uma promoção. Outro problema é a existência de alunos que não deveriam estar fazendo doutorado, porque não tem capacidade para isso.

- O senhor acredita, então, que nem todo mundo está apto a fazer um doutorado?

Sim. É curioso que hoje já entendemos que nem todo mundo deve fazer graduação. O candidato à presidência José Serra, por exemplo, está fazendo campanha pelo ensino técnico. A ideia é: o que adianta sair com um diploma de administração se você não vai administrar uma empresa? O problema é o mesmo no doutorado. Sendo muito otimista, acredito que metade desses milhares de alunos de doutorado é composta pelos que eu chamo de "doutores mobral", o doutor analfabeto, que mal sabe ler um artigo científico, quanto mais escrever. O Brasil quer formar doutores, então vamos formar de verdade.

- Existe algum outro fator que contribua para a baixa qualidade na formação desses doutores?

Um fenômeno atual é o caso de pessoas que se formaram em faculdades particulares estarem ingressando na pós-graduação. São alunos mais fracos, isso é um fato. Mas estão entrando porque a pós está expandindo. Eu diria que 90% da produção de doutores vêm das faculdades públicas. E diria ainda que 90% dos que vêm das particulares são fracos. Essa produção vai crescer, depois vai estabilizar e lá para 2025 vai começar a cair, porque vai ser quando os atuais orientadores vão se aposentar. Pode até ser que a produção de teses continue a crescer infinitamente. Só que essa segunda geração de "doutores Mobral" vai produzir a tese e não publicar ciência, a menos que as revistas também baixem muito o nível.

- Não existe reprovação em pós-graduação?

Praticamente não tem. 99,9% das pessoas são aprovadas no mestrado. O orientador corrige a tese antes de entregar para banca e muitas vezes a própria banca também reescreve a tese. Então a tese acaba não sendo mais do aluno, não é mais personalizada.

- Qual o motivo para o investimento no crescimento da pós-graduação no Brasil?

Para ter produção de ciência deve existir mão de obra para fazer pesquisa. E quem é que faz a pesquisa? O pesquisador coordena; 80% das pesquisas são feitas por alunos de doutorado. São eles a mão de obra. A Capes entendeu que, ao expandir ao máximo o doutorado, maior a produção e quantidade de resultados. A cada ano aumenta o número de alunos formados doutores e a cada ano aumenta o número de trabalhos publicados. A própria Capes usa isso como propaganda para mostrar como é positivo esse aumento do doutorado no Brasil. Fazem questão de divulgar que o Brasil, a cada ano, eleva sua posição no ranking de países que produzem ciência, ocupando o 14º lugar. Mas isso é criminoso: você forma o doutor para produzir a média de dois artigos. E é isso o que ele vai fazer. Veja o custo do país para formar uma pessoa cujo objetivo é fazer dois artigos. E, muitas vezes, quem vai escrever é o orientador, pois ele não tem condição de fazer isso. Porque é tudo muito rápido, prazos restritos e tem que fazer funcionar. O crescimento da ciência e da pós-graduação brasileira é uma neoplasia, um tumor e um dia isso vai explodir.

- O senhor acha que essa situação se sustenta no futuro?

Seria sustentável se as pessoas vivessem para sempre. Mas as pessoas morrem, se aposentam. Essa política está completando 6, 7 anos. Começou na era FHC em que se estimulavam os pesquisadores a publicar. Na era Lula a pressão é para se publicar o máximo que puder. Então os estudantes que estão sendo formados agora e que estão sendo ultra pressionados não sabem fazer pesquisa direito. Está sendo uma formação a jato, massificada, e quero ver essas pessoas quando a minha geração morrer ou aposentar. Quero ver se eles vão dar conta do recado, porque eles não tiveram a formação necessária. E quero vê-los formando outros profissionais dentro dessa visão de mega-produção de baixa qualidade. A minha crítica não é à publicação. Sou "produtivista". Mas sou contra ao mega-produtivismo.

- O senhor acha que esse panorama é contornável?

O que está acontecendo no Brasil é uma farsa e uma fraude com dinheiro público. Se fosse algo que pudesse ser resolvido mudando a política, mas não é. Será um "dano irreparável". Eu diria hoje, sem problemas, que temos de 30 a 40 mil doutores "Mobral" no Brasil, disputando empregos. Qual o problema para o Brasil? Imaginamos o país daqui a quinze anos sem capacidade de fazer ciência de ponta porque toda a geração se aposentou e os atuais não foram formados adequadamente.

- Como o senhor acha que essa questão do crescimento da pós-graduação é vista pelos outros pesquisadores?

Eu fiz uma pesquisa, publicada em 2008 em uma revista canadense, em que entrevistei vários colegas pesquisadores, selecionados ao acaso, sobre o que eles achavam da pós-graduação brasileira em vários aspectos. A grande maioria, e eu comparei com alguns señiors latino americanos (mexicanos, argentinos e chilenos), critica esses problemas de regras muito ruins da pós-graduação, de overwork e má qualidade dos recém-doutores sendo formados. O doutor tem que ser qualificado. Na minha área (Ciências Biomédicas) ele tem que ser capaz de propor um projeto de pesquisa, de executar esse projeto de pesquisa, de montar uma equipe, de buscar verba para isso, de publicar em periódicos internacionais, de ser avaliador de outros artigos, de dar palestras. Eu e os pesquisadores que entrevistei acreditamos que a maioria que está sendo formada não tem mais essas qualificações. Algumas pessoas falam que a qualidade do ensino como um todo está caindo. Não gosto de analisar por esse viés, não sou sociólogo. As coisas são mais simples: a pressão é muito grande, não está havendo tempo de formar as pessoas. Por exemplo, tenho um amigo no campus da Unifesp, que é professor titular, que reprovou os 10 candidatos de um concurso para professor e todos tinham doutorado. Que "ótimos" doutores.

Soim,

permita-me meter minha colher na discussão, uma vez que sou doutora e pesquiso sobre ciência e inovação no Brasil:

1. Não conheço o prof.que fez a entrevista, mas enxergo nela, de saída um problema fundamental: o argumento que o "Brasil está crescendo demais, não há como supotar tantos doutores" - é uma falácia sem tamanho. O Brasil tem menos doutores do que necessita, ainda mais em áreas ditas "não humanas", como biologia, enegenharia, física, etc. A pesquisa científica é um dos caminhos necessários para capacitação do país para inovar. Isso aparece em qualquer paper sobre desenvolvimento de ciência ou inovação - a relação doutores/habitante ou doutores/PIB é muito baixa para um país como o nosso. Acho que faltou a ele ler um pouco mais.

2. Quanto a qualidade dos doutores, é uma generalização rasa dizer que todo mundo sai "doutor mobral". Uma das ferramentas que funcionam (ainda que sujeita a críticas e imperfeições, como todo indicador) é a avaliação Capes, que dá notas de 1 a 7 para os programas de pós-graduação strictu sensu. As instituições que têm nota abaixo de 3 são descredenciadas e sofrem uma série de restrições quanto a recebimento de bolsas e financiamento de pesquisas. e se não me engano, são impedidas de continuar seus programas se repetem o mau desempenho. Um doutor de um programa 2 ou 3 pode sair mal formado, mas duvido que um doutor saído de um programa 5,6 ou 7 assim o seja.

3. Todos indicadores de produtividade de ciência estão em ascensão - publicações, patentes. Estamos no caminho certo. Ele é longo, há imensas dificuldades (falta financiamento, laboratórios, as bolsas são baixas, etc, etc) mas não há como dizer que temos que parar de formar doutores. Claro que nem todos doutores são perfeitos, nem todos vão concorrer ao Prêmio Nobel, mas o caminho é este. O que precisa, é a iniciativa privada começar a contratar os doutores em seus departamentos de Pesquisa e Desenvolvimento - e algumas empresas já o fazem, buscando os incentivos da lei de inovação. Aí sim, seria criada demanda para os doutores aleemd a universidade.

4. O argumento que nossos doutores são ruins porque não são aprovados em concurso é furado tbém: um concurso procura um professor para um determinado perfil - não significa que um pesquisador reprovado em um concurso seja ruim em absoluto, pode ser "ruim" para aquela vaga em si.

5. A história de que tem administrador demais é outro agumento fraco: é óbvio que falta formação e conhecimento em gestão e administração no país - senão como explicar que 95% das micro e pequenas empresas vão para o buraco antes de completar 1 ano de vida? Claro que pode se alegar a economia, os juros,a concorrência, mas se a pessoa que vai abrir um negócio tivesse um pouco de formaçnao na área, saberia fazer um plano, analisar viabilidade financeira, estudar a concorrência e decidir se abre ou não - ou caso o negócio já exista, saberia calcular fluxo de caixa, gerenciar estoques, etc, enfim, gerir bem a empresa.

Em resumo, não concordo com o professor. E sendo bem ácida, acho que ele falha justamente naquilo que ele tanto critica em nossos doutores - a falta de argumentação lógica, parece que ele não usou da metodologia científica para explicar  seu argumento. Ele tem uma tese - a de que formamos doutores em grande quantidade e baixa qualidade. Faltou a ele levantar resultados que comprovassem sua tese - ele apenas usou generalizações e declarações vagas. Eu não o escolheria para me orientar não ...

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Pelos comentários escritos aqui, nota-se que a maioria dos que "se dizem doutores" não conseguem interpretar uma simples frase. Parece que a ideologia política anula qualquer saber.

 

Creio que a questão levantada pelo Prof. Hermes é de grande valia. A formação dos profissionais da ciência deve ser debatida de maneira aberta, desta forma, cumprimento o Prof. Hermes e Drinds por esse debate de tamanha relevância.

Caros colegas sou estudante de pós-graduação, na área das ciências agrárias. Vejo na maioria dos programas, através de experiências pessoais ou através de relatos de colegas, certo despreparo de orientados e orientadores.

A formação proposta nos programas de mestrado e doutorado, implica na capacidade dos alunos desenvolverem ciência, na elaboração de projetos e no raciocínio científico. O que tenho notado é uma deficiência na base do conhecimento, que vem desde a graduação e perdura pela vida acadêmica do aluno. Essa deficiência é evidente na capacidade de interpretação de trabalhos científicos, nas metodologias que envolvem a elaboração de um projeto. Na minha área, posso dizer sobre a deficiência crônica na estatística necessária para a validação dos resultados.

Quando iniciamos como alunos dos programas de pós-graduação, somos cobrados por todos esses conhecimentos, sendo que em boa parte das Universidades que conheço ou que já ouvi relatos, essa parte do ensino não é tida como fundamental na formação do aluno de graduação. Diante disso, gostaria de finalizar concordando com o professor Hermes sobre a deficiência de ALGUNS recém-doutores e cobrando também uma postura de auto-crítica, principalmente quanto ao papel do professor e do orientador no preparo desses estudantes, de forma adequada.

Além disso, quando reescrevemos uma tese ou um trabalho para um aluno de pós, estamos criando, de certa forma, uma cultura "paternalista". Acho que devemos ser mais didáticos, para que os pós-graduandos tenham oportunidade de aprendizado, logo a cobrança será mais justa. 

 

Lamentavelmente tenho de concordar com o prof. Marcelo,

Tanto durante os anos em que fiz mestrado e doutorado quanto

durante o tempo que venho atuando como professor tenho notado

que a grande maioria dos nossos posgraduandos nao sabem o

que fazem, na minha área especifica, Física, posso dizer que 75%

nao dominam sequer os temas relacionados as teses em que

trabalham ou trabalharam. O problema ainda, pode ser pior  do

que o prof. Marcelo encherga, por exemplo, os físicos mais antigos também

nao fogem das estatísticas, a grande maioria tem medo duma discusao

científica, é notavel o incomodo que  o palestrante e a plateia sentem quando

alguem faz questões agudas durante alguma apresentação científica,

incomodo que pode-se traduzir em medo da parte do palestrante em

ser "descoberto".  Em outros paises com cultura científica tradicional

acontece o contrario: é quando não há questionamentos em que o

palestrante se incomoda. No Brasil, com raras excesões o que se faz

é um ciência funk....

 

Finalmente,  devo dizer que para Doutora que fez

a contestação, que as cifras da capes não deveriam ser usadas como

a verdade da situação. Não devemos esquecer que hoje

em dia pode-se escrever e publicar quase que qualquer coisa, cito

a modo de exemplo artigos tidos como científicos tais como revistas

de ensino onde geralmente autores escrevem sobre como ensinar

a ensinar aquilo que não sabem.

 

 

Afora os comentários de caráter puramente político, que dominaram as intervenções e naturalmente empobreceram o debate, fica a constatação de que, em pós-graduação, qualidade é melhor que quantidade. Isso não significa que é impossível aumentar a quantidade sem manter a qualidade. É preciso equilíbrio, e é a falta desse equilíbrio o motivo da crítica do professor Hermes. Nesse ponto é muito difícil discordar dele. Quanto a essas outras questões, de que o professor estaria sendo elitista ao defender um número menor de doutores ou que Serra isso ou aquilo, não vale nem discussão.

 

Rodolfo, não tenho certeza de que a quantidade opõe-se à qualidade. Em qualquer empreendimento humano, uma condicao necessaria para a qualidade é uma forte base quantitativa. Supondo que 30% dos doutores sejam bem qualificados, uma das estratégias para aumentar seu numero (além de tentar qualificar os cursos de forma que a porcentagem aumenta) é simplesmente aumentar o volume total de doutores. E não é óbvia qual a estratégia tem maior relação custo beneficio (qualificar cursos pode sair mais caro do que aumentar bolsas), acho que isso teria que ser analisado por economistas...

 

Prezado Nassif e comentarista Pos graduando

Apesar de ter 50 anos , já me considero um cientista da velha guarda pois me Doutorei com 24 anos , em Física Teórica da Mecânica Quântica (  Abril de 1985).Portanto posso estar apresentando opiniões já ultrapassadas dentro do presente conceito das gerações modernas de fazedores de Ciência.Vejamos alguns pontos .Primeiramente a Ciência desenvolve-se através de propostas de programas científicos aceitos por toda a comunidade internacional  , os quais podem ter sucesso ou não .Entretanto durante a vigência de um programa de Pesquisa ,quase todos os jovens doutores  no Mundo todo devem construir a sua carreira acadêmica publicando bons artigos dentro dos paradigmas dos Programas em moda (é claro que existem excessões!) .Somente depois de tal contribuição (durando em geral 05 anos após a obtenção do Doutoramento) , os jovens  cientistas tornam-se plenos e então  começam a propor e ou procurar novos programas de pesquisa.Quanto a formação em escala industrial de Doutores , tudo torna-se uma questão de ética do orientador e do orientando.É difícil legislar sobre comportamentos éticos !. Como exemplo ouso citar o meu próprio -mas com muitas ressalvas . Por eu sempre ter atuado toda a minha carreira acadêmica em Universidades ,Institutos e Departamentos  que a época (e até hoje!) não possuiam programas de Doutoramento  em minha área de especialidade , nunca orientei nenhum aluno de Pós (mas sempre dei muitas aulas nos cursos de Graduação!).Agora caso eu desejasse "encher o meu currículo com Orientações de sucesso , bastaria aceitar e preparar minimamente candidatos e deixa-los co-autorar os meus artigos ,durante estes últimos 25 anos de atividade contínua de Pesquisa ,sempre publicada em periódicos Internacionais .Certamente teria uns 5-10 alunos de Doutoramento e uns 10- 15 de Mestrado (03 artigos completos qualis A mais 06 qualis B, co-autorados  para cada aluno de doutoramento e para cada 03 de Mestrados!).Sempre me recusei a dividir "socialmente" a minha produção ,mas nunca recusei-me a orientar , no caso de ter sido procurado.

 

Polêmicas à parte, fico satisfeito em acompanhar um debate sobre a pós-graduação.
Sem discussão, não há avanço.

Existe muita gente boa e compromissada cursando pós-graduação por aí. Pessoas brilhantes, produtivas e que sabem onde querem chegar. E existe muito paraquedista, que aproveitou o embalo da graduação, ou que não conseguiu nada melhor para fazer. Uma bolsa de pós-graduação não deixa ninguém rico, mas com certeza, para quem está desempregado e mora com os pais, já é um bom dinheiro. Minha opinião sobre isso? Seleção natural. Dificilmente esses doutores que não sabem escrever um artigo, como muitos relataram aqui, conseguirão passar em um concurso em uma universidade séria.

Minha preocupação é com outro ponto importante levantado pelo Prof. Marcelo: qualidade. Sou da opinião que menos doutores com uma melhor formação serão mais importantes para o país do que o inverso.

Pesquisas originais e inovadoras levam tempo. Muito tempo. Para sair de uma pesquisa básica e completamente original e chegar ao produto final, passaram-se anos. E como fica a produção científica do professors/pesquisador nesse período? Pois é. E aí começam os problemas para conseguir financiamentos para a pesquisa, bolsas, a queda do conceito do programa de pós-graduação, etc.

Os pós-graduandos que almejam um concurso público, também serão avaliados pela mesma régua da quantidade. E em um espaço curto de tempo como uma pós-graduação, não dá pra ficar inventando moda.

Por isso, tenho visto por aí pouca pesquisa original. Muda-se um ponto de vista, uma nova abordagem, acrescenta-se um ou dois tratamentos, e pronto. Virou um círculo vicioso, em que o sistema está mais preocupado em alimentar o próprio sistema, do que a sociedade que o financia.

E é nesse desespero por publicações que estão sendo formados os futuros doutores do país.

Uma pena.

posgraduando
www.posgraduando.com

 

Em contraste com renomados cientistas como Jorge Guimaraes que impulsionou a pos-graduacao no Brasil, o Marcelo Hermes, que nunca formou nenhum cientista entre os pos-graduandos dele acha que tem doutores de mais no Brasil?! Acha que devemos fazer escolas tecnicas e ter menos alunos em universidades??!! Infelizmente, como ele proprio coloca no seu blog tudo comecou quando teve uma disavenca com o Presidente da Capes Jorge Guimaraes. Infelizmente esses blogs e entrevistas as vezes dao voz a pessoas que nao tem nenhuma base, mas que encontram um veiculo para expor as suas ideias absurdas, contra-producentes e irresponsaveis.

 

 

Sou Mestre e Doutor pela "Gloriosa" [codinome USP, a "que se tudo sabe" e "tudo pode", mas tem motivo...(?!)] e professor em uma particular de São Paulo há oito anos.

Vamos por partes:

Deixando Lulas, Dilmas e Serrotes para trás, pois este palco definitivamente não representa o show da discussão (e digamos que sou de "esquerda" e, portanto, "contrário" à posição política do Prof. Marcelo Hermes, apesar de frequentador de seu blog), tendo a concordar com quase tudo o que fora dito na entrevista em questão...

Gente, a coisa não é tão simples quanto reza a maioria das críticas deixadas ao Prof. Marcelo. Na minha modesta visão, ele não está sendo simplista, mas sim, grande parte de seus críticos...

Todos sabemos que o BR tá crescendo demais! Isso é fato. Se a PG em nosso país é um reflexo direto dessa expansão a todo custo ou não, pra mim, é outra história (e aí discordo do Professor)...

E, ao contrário do que Drinds postou ("duvido que sejam formados doutores fracos em cursos 5, 6 e 7"), cursos considerados de alto nível formam sim doutores mobrais (usando a expressão do Prof. Marcelo), quanto ao que se espera de um cientista como um todo! Sou colaborador de cursos na USP e vejo isso com alguma frequência...Doutorandos que não sabem ler artigo, não são capazes de ministrar uma simples palestra sobre seus temas de pesquisa ou mesmo organizar os dados de seus trabalhos de forma clara e objetiva...Se os mesmos serão ou não mestres e doutores , não posso dizer. Mas minha esperança é que não! Definitivamente, não compactuo com a "aprovação imediata" das Dissertações e Teses (qquer semelhança com o ensino público básico e fundamental do PSDB em SP é mera coincidência...)!!! Mas que isso rola solto, rola...Em 15 anos de USP vi somente duas reprovações (nenhuma "da casa"), o que talvez represente até uma proporção alta pelo que o Prof. Marcelo postou (99,9% de aprovações). Mas, com certeza, vi um número muito mais alto de candidatos aptos a serem "agraciados" com esse infortúnio do que o contrário. Isso também é um fato!

Também posso julgar a má qualidade dos artigos científicos ao puxar na memória a enorme quantidade de artigos pífios que recebo, na qualidade de parecerista, grande partes deles provenientes de recém-doutores e seus orientadores "apressados" ou "pressionados". Ciência de última categoria!! E isso também corrobora a tese do Prof. Marcelo...

Por fim, outro aspecto que vale nossa atenção é a visão despreocupada de algumas críticas que li acima sobre os concursos. Sim, é fato que, em um concurso, se procura por um determinado perfil e, no final, "passa quem a casa quer" (não estou dizendo que os concursos são "caseiros", apenas constatando que existe um peso grande da "casa" na escolha de seus futuros integrantes - o que é aceitável, a meu ver). Mas, diferente de muitos de vcs que postaram opiniões, me assusta o fato de nenhum candidato estar apto a ocupar o cargo em uma instituição de ensino e pesquisa. O exemplo dado pelo Prof. Marcelo foi da UNIFESP. Mas isso também acontece em outras instituições...Inclusive na própria USP...Bancas exigentes demais? Talvez. Mas para mim, fica um alarde: Será que os candidatos tinham seus artigos publicados em periódicos de renome, apesar de terem publicado quilos e quilos de artigos? Será que suas pesquisas (ou linhas de pesquisa) são realmente relevantes, capazes de contribuir pra ciência de uma maneira efetiva? Pois é, quando se enfrenta uma banca jugadora que preza pela qualidade, a não aprovação é um preço justo que se paga (e aqui não estou dizendo que as bancas dos concursos mencionados são "melhores" ou "piores" que outras, mas apenas que o critéio adotado possa ter sido mais rigoroso).

Pra mim, vale o aterta do Marcelo, de quem cotidianamente aprendi a discordar pois o considero um "extremista" (não encontro uma palavra mais adequada), mas longe de ser "pedante", ou "se achar demais"...é apenas um professor/pesquisador que tem sua opinião e a expressa de maneira clara e contundente...Aliás, isso é o que mais de nós deveríamos fazer...

 

 

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Prezado Nassif

Penso que existe todo uma desastrosa  falta de definições e objetivos  nos cursos superiores no Brasil .Em primeiro lugar , a grande primeira preocupação seria formar quadros qualificados ,em nível de cursos de Graduação-Bacharelado para o fomento do desenvolvimento social- econômico-tecnológico do País .Já para a formação de Professores ,tanto para o Ensino de primeiro grau e segundo grau e também  Magistério Universitário em nível de graduação , um bom Mestrado deveria ser um norte a ser seguido,especialmente nos dois últimos níveis .E assim a necessidade de bons programas acadêmicos de Mestrado .É por este motivo que nunca exige-se originalidade nas Dissertações de Mestrado ,apesar  de muito bem vindas , quando apropriadas .Quanto aos cursos de especialização , eles também são muitos úteis , especialmente na área de Profissões  Liberais .Já o Programa de Doutorado é um programa que visa a formar especialistas em um nível mais aprofundado que aquele  do programa de Mestrado , com a única exigência da demonstração cabal da habilidade do candidato ao título de dominar os assuntos altamente  especializados e relevantes da área de seu  Doutoramento ,demonstração esta  realizada através da habilidade de realizar pesquisas originais e relevantes no Tema de pesquisa e quase sempre demonstrada através da publicação de artigos em Periódicos internacionais , mas não necessariamente em casos excepcionais.Em geral o Doutorado finaliza os graus acadêmicos formais  de formação intelectual de alto nível , no Brasil .O problema é que nos últimos 08  anos ,institui-se a obrigação de “orientar” teses de Doutorado para que os Professores Doutores Brasileiros ganhem bolsas (variando entre 25%-40% de adicional ao salário de um Professor Titular!).Ora , aplicou-se então o famoso “jeitinho” brasileiro : O trabalhos do Grupo são agora “assinados” por todos os seus participantes (especialmente incluindo os alunos de Doutoramento , os quais passam agora a depender politicamente dos humores e necessidades do Grupo e seus líderes de Pesquisa !:A bolsa de Doutorado agora é do Chefe do grupo que “emprega” o aluno de Doutorado para fazer muitas das vezes, trabalhos  não relevantes  as Pesquisas do seu Projeto de doutoramento ( tais como :Programador/Digitador de computador ,trabalho afeito aqueles com cursos de graduação/Bacharelado,etc..)!.E assim quem concede o Título de Doutor é o grupo - Tudo “Social-Stalinizado” aos níveis “Sicilianos”  mais extremos!.Quer-se qualidade e solidez  nos Doutores ?.Obriguem-nos a escrever  a Tese sozinhos e que publiquem  artigos em periódicos internacionais (qualis A,BouC) também como único autores de artigos ou autores principais declarados!.Basta esta farsa acadêmica da “multiplicação “ de trabalhos através de “Swings” acadêmicos!(incluindo Pesquisadores estrangeiros com Bolsas e salários do CNPQ!).Outra coisa importante a ser esclarecida é que Estágios de Pós-Doutoramento não são cursos formativos , mas Estágios de Pesquisa (Junior ou sênior).Também vale dizer que Programas de Doutoramento não são cursos automáticos para formar cientistas , na correta acepção do termo , já que menos de 10% dos PhD mantém uma carreira de Pesquisa Científica avançada por mais de 05 anos, e assim podendo ser chamados de cientistas !.

 

 

 

 

 

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Notem que a Drinds começa acusando de falácia o discurso do Marcelo Hermes usando uma falácia inversa. Ou seja, ela sai criticando uma coisa que ele não disse ("Brasil está crescendo demais, não há como supotar tantos doutores"); porque fica claro que ele não está falando do problema de criar uma oferta maior do que a demanda, mas do problema da dicotomia qualidade x quantidade.

 

Agora, falácia é dizer que ter mais doutores e dispor do sistema de avaliação da Capes e de “indicadores de produtividade de ciência” é “estarmos no caminho certo” e ponto.

O Marcelo Hermes, por outro lado está falando de uma coisa objetiva e pragmática que talvez só quem seja do ramo pode compreender sem conotações ideológicas...

 

Quem é do ramo (sou engenheiro e trabalho com P&D) sabe bem a encrenca que é desenvolver tecnologia que seja de fato útil. Não essa coisa simplista para atender sistemas de avaliação que serve mais para facilitar a vida dos burocratas do que qualquer outra coisa. Porque é mais fácil gerir o processo tendo como doutrina igualar as estatísticas internacionais de publicação de artigos e patentes do que uma doutrina focada na relevância da produção cientifica.

Relevância que, diga-se de passagem, é complicadíssima de avaliar e é em si uma capacidade inventiva tão ou mais importante do que a própria capacidade de desenvolver C&T e ter tal capacidade seria esperar demais de burocratas, seja aqui, seja nos paises mais desenvolvidos.

E entendamos bem isso... Se estamos falando de paises desenvolvidos, estamos falando de projetos de tecnologia desenvolvida ou capitaneada por empresas privadas. Ou seja, a avaliação objetiva de relevância acontece na fase da escolha de qual projeto deve ser financiado (projetos que só depois irão gerar artigos e patentes, isso se não for mantido em segredo industrial) o que é feito por gerentes que tem seu pescoço na corda dos acionistas, não por burocratas dos governos ou do meio acadêmico inspirados pelos temas da moda que aparecem de tempos em tempos sem saber o porquê elas apareceram.

Uma lógica que devia ser simples de entender... Se os paises desenvolvidos produzem ciência é porque financiam; se financiam é porque querem retorno na forma de novos e melhores produtos e processos. A loucura aqui é que descobriram que alta produção de artigos e patentes está associada a alta produção cientifica que por sua vez é sinônimo de alto desenvolvimento econômico, “logo”, para sermos desenvolvidos vamos incentivar o maior número possível de artigos e patentes!!! É dose.

Sei que esse meu comentário ácido não pode ter sido a idéia original por trás dessa doutrina, mas os administradores devem ter consciência que é assim que a coisa está funcionando dentro do sistema acadêmico.

 

 

Mas enfim, o caso é que desenvolver tecnologia demanda profissionais altamente especializados e treinamento longo e intensivo. Temos a opção de pegar os recursos que temos e o pulverizá-los para formar quantidade em detrimento da qualidade (mágica é que não vai ter).

Só que esse problema (doutores de má qualidade) não é o ponto sensível que o Marcelo Hermes está falando e que a Drinds a meu ver ignorou... O problema sensível é que a formação de doutores é uma máquina auto-reprodutora. Se a qualidade diminui, ao longo do tempo só tende a piorar (o objetivo do texto está claro quanto a isso).

Portanto, a política mais correta seria a da progressão geométrica e não da pulverização.

 

Mas tudo bem, posso estar errado. Quantidade pode ser bom e na pior das hipóteses podemos continuar a fazer o que sempre fazemos na nossa história... Valorizar o que vem do exterior...

-Como vai, vejo aqui que você é o único dos candidatos que fez doutorado no exterior. Gostaria de trabalhar conosco e chefiar nossa divisão de engenharia e pesquisa? Temos excelentes técnicos e inclusive alguns doutores MOBRAL, digo, doutores formados nas melhores universidades brasileiras.-

Vou te contar, se esse apelido pega...

 
  • "Drinds começa acusando de falácia o discurso do Marcelo Hermes usando uma falácia inversa. Ou seja, ela sai criticando uma coisa que ele não disse ("Brasil está crescendo demais, não há como supotar tantos doutores"); porque fica claro que ele não está falando do problema de criar uma oferta maior do que a demanda, mas do problema da dicotomia qualidade x quantidade":

 Problema de edicao, o texto ficou confuso sim.  Literalmente ele escreveu isso:

  • "O que o senhor acha da expansão da pós-graduação no país?
  • A minha visão é contrária à expansão da pós-graduação, especialmente do doutorado. A maioria das pessoas acreditam que o crescimento no Brasil - e na UnB também - é positivo. A taxa de aumento, alguns anos atrás, chegou a variar entre 10% e 20%, um crescimento chinês. E todo mundo comemora isso, exceto alguns poucos. Eu acho que é um crescimento exagerado. Aliás, responder isso agora ficou mais fácil, desde que o país entrou no chamado super aquecimento. Esse crescimento de 9% ao ano o qual o país não suporta, já que não temos estrutura física para tanto bussines. E a mesma coisa acontece na pós."

Especialmente na penultima sentenca esta confuso sim.  No final das contas, eh o "crescimento de 9%" do Brasil ou do aumento de pos-grads que ele esta criticando?  O texto ta implicando o primeiro.

  • "Agora, falácia é dizer que ter mais doutores e dispor do sistema de avaliação da Capes e de “indicadores de produtividade de ciência” é “estarmos no caminho certo” e ponto":

!!!!!!!!!!!!!!

  • "O Marcelo Hermes, por outro lado está falando de uma coisa objetiva e pragmática que talvez só quem seja do ramo pode compreender sem conotações ideológicas":

O "pragmatismo" dele eh o da veiarada ateniense vendo os jovens fazer o que bem queriam.  O que ele esta descrevendo com "doutor mobral" eh uma rale da qual ele supostamente nao faz parte.  Voce poderia advinhar porque ele preferiu doutor-mobral a ridicularizar um Bolsa Doutor? Porque o Mobral, fracasso retumbante da direita, esta mais removido no tempo que o Bolsa-Familia, sucesso rebumbante de Lula.  Nao existem doutor-mobral, por sinal, todo mundo faz um trabalho miseravel e mal pago, eles nao merecem esse tratamento.  Existem doutores-primadonnas em excesso, no entanto, especialmente no circuito internacional de ciencia.  Ja arranquei bifes do traseiro de um monte deles.   Deliciosos.

  • "Quem é do ramo (sou engenheiro e trabalho com P&D) sabe bem a encrenca que é desenvolver tecnologia que seja de fato útil. Não essa coisa simplista para atender sistemas de avaliação que serve mais para facilitar a vida dos burocratas do que qualquer outra coisa. Porque é mais fácil gerir o processo tendo como doutrina igualar as estatísticas internacionais de publicação de artigos e patentes do que uma doutrina focada na relevância da produção cientifica":

Agora voce esta confuso.  O que eh "gerir o processo tendo como doutrina igualar estatisticas internacionais de publicacao"  se nao eh "uma doutrina focada na relevancia da producao cientifica"?  Eh a mesma coisa.  Producao cientifica nao publicada nao eh producao cientifica.  SE eh publicada, vai terminar nas estatisticas de producao nacional e evidentemente vai se somar aa porcentagem brasileira de output cientifico no mundo da publicacao.

  • "Relevância que, diga-se de passagem, é complicadíssima de avaliar e é em si uma capacidade inventiva tão ou mais importante do que a própria capacidade de desenvolver C&T e ter tal capacidade seria esperar demais de burocratas, seja aqui, seja nos paises mais desenvolvidos":

O que eh C&T, o que eh P&D, e de onde saiu "burocratas" avaliando ciencia?!

Tambem me perdi por inteiro no proximo paragrafo:

  • "Se estamos falando de paises desenvolvidos, estamos falando de projetos de tecnologia desenvolvida ou capitaneada por empresas privadas. Ou seja, a avaliação objetiva de relevância acontece na fase da escolha de qual projeto deve ser financiado (projetos que só depois irão gerar artigos e patentes, isso se não for mantido em segredo industrial) o que é feito por gerentes que tem seu pescoço na corda dos acionistas, não por burocratas dos governos ou do meio acadêmico inspirados pelos temas da moda que aparecem de tempos em tempos sem saber o porquê elas apareceram":

O que quer dizer isso?  De onde sairam esse "burocratas dos governos ou do meio academico"?!  Porque doutores divas seriam preferiveis a eles?!

  • "Uma lógica que devia ser simples de entender... Se os paises desenvolvidos produzem ciência é porque financiam; se financiam é porque querem retorno na forma de novos e melhores produtos e processos. A loucura aqui é que descobriram que alta produção de artigos e patentes está associada a alta produção cientifica que por sua vez é sinônimo de alto desenvolvimento econômico, “logo”, para sermos desenvolvidos vamos incentivar o maior número possível de artigos e patentes!!! É dose":

Vamos sim!  O Brasil tem tao pouca ciencia sendo praticada que quantidade eh melhor que qualidade a esse ponto no tempo.  Vamos incentivar o maior numero possivel de aproximamentos entre brasileiros e ciencia, porque nao?

"Mas enfim, o caso é que desenvolver tecnologia demanda profissionais altamente especializados e treinamento longo e intensivo. Temos a opção de pegar os recursos que temos e o pulverizá-los para formar quantidade em detrimento da qualidade (mágica é que não vai ter)":

QUANTIDADE AGORA E JA!  Nao vai haver falta de qualidade tao cedo, nao ha falta de ciencia a ser feita.  QUANTIDADE PELAMÔDIDEUS!

  • "Só que esse problema (doutores de má qualidade) não é o ponto sensível que o Marcelo Hermes está falando e que a Drinds a meu ver ignorou... O problema sensível é que a formação de doutores é uma máquina auto-reprodutora. Se a qualidade diminui, ao longo do tempo só tende a piorar (o objetivo do texto está claro quanto a isso)":

Quem esta dizendo que a "qualidade" esta "caindo"?  A primadonna?  Perdoe me por nao acreditar.  O output cientifico brasileiro tem muito, mas muito mesmo, a subir ainda.  A "maquina produtora" vai se adaptar ou vai se dinossaurizar --igualzinho media brasileira.  Ela nao eh estritamente necessaria pra desenvolvimento cientifico como  media nao eh estritamente necessaria ao jornalismo, que vai continuar acontecendo com ela ou sem ela.

BOLSA DOUTOR AGORA E JA!

 

Engraçado, quando li o texto da entrevista percebi uma certa agressividade que não me era estranha. Fui atrás do blog e descobri. O estilo neocon é o maior "mobralizador" de discurso da história. Acho que consigo identificar seus traços até se o autor estiver discorrendo sobre hermenêutica de bula de remédio.

A crítica, na entrevista, até poderia ter sido pertinente, mas há um reinaldo e o olavo ocultos que nunca deixariam que isso acontecesse.

 

Logo neste Blog, em que todos são muito preocupados com a procedência e a lógica em que  se insere qualquer informação que aparece, faltou justamente se perguntar sobre a origem desta entrevista. Ora, meus caros, a ADUnB é comandada pelo PSTU. Faz oposição radical ao governo Lula. Certamente, deu voz a um conjunto de "achismos" pouco consistentes por motivos óbvios - mesmo que para isso Serra tenha aparecido como contraste. Concordo com os argumentos da Drids. E diria mais: é lamentável alguém se valer de sua cátedra para legitimar posições eminentementes baseadas no "eu acho". E o pior: uma associação de docentes se utilizar delas para fazer política. Aliás, quem será o candidato a governador do DF? Voilà la question!

Grande abraço, Marlon

 

BOm mesmo esse tal professor ... se ele se aposentar o brasil acaba!

 

Projeto pode liberar porte de arma a 71 mil servidoresSeis categorias poderão ter acesso a armas, incluindo peritos médicos, oficiais de Justiça e defensores públicos

 

http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/projeto+pode+liberar+porte+de+arma+a+71+mil+servidores/n1237698199608.html

 

De fato, há uma série de confusões. A tese é antes de tudo uma produção coletiva, todo que assina é responsável,  e mais ainda a instituição, a qual precisa ser preservada a todo custo. Para publicar o que quiser e inovar, esse terá muito tempo na vida para fazer depois que tiver os títulos. E mesmo  tomando todo esse cuidado, ainda aparece gente criticando, como aconteceu que um determinado blog criticou fez isso violentamente num caso de uma tese de matemática pelo simples fato que esse entende que para ser professor de matemática alguém precisa só saber de matemática e pelo que entendi o autor não colocou na tese o que sabia de matemática pelo fato de que isso transformaria isso num calhamaço imenso. O qus diz os índice de aprendizagem matemática no Brasil é definitivo: com o professor ensinado e colocando vírigula por vírgula o que precisa aprender isso quase não acontece, imagine deixando esses livres para fazer o que se passar pela sua cabeça... quando mais quando há fortes indícos, como indica essa reportagem ¨SEM HABILIDADE COM NÚMEROS, Junia Oliveira, O Estado de Minas, 08/06/2010¨ de que temos algum defeito genético para apreder matemática.  

 

07/07/2010

-

10h31

Faban demite 56% de seus professores em Ribeirão Preto (SP)

JULIANA COISSI
DE RIBEIRÃO PRETO

 

A Uniesp, grupo universitário que adquiriu a Faban de Ribeirão Preto (a 313 km de São Paulo) em junho do ano passado, demitiu 41 professores, de um quadro de 73 docentes. O corte foi comunicado por telegrama

A instituição confirmou as demissões e disse que elas ocorreram por um "realinhamento de custos".

A Folha apurou que a intenção da faculdade é recontratar professores, inclusive colocando anúncios em jornal, mas com salários bem menores.

O salário de um professor especialista de 24 aulas semanais, por exemplo, que era de R$ 1.800 deve cair para R$ 1.000. O salário de um mestre passaria de R$ 3.000 para R$ 1.800, e o de um doutor, de R$ 4.000, para R$ 2.800.

http://www1.folha.uol.com.br/saber/763191-faban-demite-56-de-seus-professores-em-ribeirao-preto-sp.shtml

 

 

 

Talvez o "caminho" seja fazer como o candidato JOSÉ SERRA, que possue "cursos de graduação" no exterior e sobretudo de pós-graduação de Doutorado e Mestrado tbém. lá fora, ih...

E sem validação no Brasil, e a nossa "informativa" Imprensa Familiar o declara formado e tudo o mais, pode?!?!?!

 

Vi alguns comentarios fazendo comparacao sobre doutorado no exterior. 

Estou fazendo uma especializacao na Franca que exigia "mestrado" como pre-requisito. Quando cheguei descobri que na verdade exigiam o que nao Franca chamam de Master, que nada mais é que os tres ultimos anos da faculdade. So depois fui descobrir que aqui, e em toda Europa (segundo me informaram pela unificacao do ensino europeu), nao existe mestrado como pos-graduacao (existe um mestre em ciencias mas que nao se parece com nosso mestrado). As pessoas se formam e vao direto para o doutorado. Quando cheguei senti que o mestrado que fiz no Brasil era algo quase inutil aqui, quando eu dizia que o havia feito, pensavam que eu tinha acabado de me formar.

Acredito que esse tipo de mestrado tambem nao existe nos EUA, entao parece que é que nem jabuticaba, so da no Brasil (apesar de saber que existe tb na America do Sul).

Alguem saberia me responder como é a questao do Mestrado no resto do mundo? Por que so existe aqui? Normalmente as coisas que existem no Brasil ou foram copiadas da Franca (por influencia no comeco do seculos passado) ou dos EUA (por influencia a partir da segunda metada do seculo), nesse caso nao sei de onde veio.

 

Sinto muito, mas tenho que discordar do seu comentário, desde o processo de Bolonha, há na Europa, mais precisamente na nos paises da união europeia, bacharelado, mestrado e doutorado em formatos muito parecidos com o nosso no Brasil. Bacharelado dura em média 3 anos, mestrado 2 e doutorado 4.

 

Exatamente o que eu disse, o mestrado deles na verdade sao os nossos dois ultimos anos de faculdade (3 anos de bacharelado mais 2 de master). Quando vc ouvir falar que alguem fez mestrado na Europa, pode trucar, ele simplesmente repetiu os dois ultimos anos de faculdade que havia feito no Brasil, nao é uma pos-graduacao, como temos no Brasil.

Por isso toda essa conversa é um pouco equivocada. Um doutorando no Brasil tem pelo menos 7 anos de estudo (5 de faculdade mais dois de mestrado). Aqui na europa depois de 5 anos ja se comeca o doutorado. Enquanto no Brasil alguem para comecar o Doutorado ja tem que ser expecialista e ter grande conhecimento em algum sujeito, na Europa eles fazem Doutorado para se expecializar.

Resumindo: é mais facil fazer doutorado na Europa que no Brasil.

 

Os sistemas de ensino de cada país são bastante distintos, e nem sempre é bem possível estabelecer equivalências entre os diplomas. Por isso sempre é necessário um processo de revalidação quando se obtém um título no exterior. Embora no passado ter um título no exterior significava um status a mais, hoje há necessidade de um processo cuidadoso nessas revalidações porque há mestrados e doutorados de todos os tipos. Por isso, é importante, antes mesmo de buscar um curso, que os interessados a) conheçam as particularidades dos sistemas de cada país; b) confiram o reconhecimento que tal país outorga ao título em questão; c) procurem se informar sobre como tem sido a praxe de reconhecimento desses títulos no Brasil. Só para se fazer referência à França, no caso do doutorado eles mesmos faziam diferença entre um doutorado mais simples e o Doctorat d'Etat. Na Alemanha, doutorado nunca bastou para ser professor universitário, sempre exigiram também Habilitation, praticamente uma nova tese. Não acompanhei a unificação dos procedimentos da Europa, só conheço alguns sistemas agora já antigos pelos processos de revalidação que examinei. Imagino que esta padronização facilite pelo menos o conhecimento, no Brasil, das peculiaridades que cada sistema nacional adota.

Não que o mestrado fosse invenção brasileira. Mas sempre houve aqui uma supervalorização do mestrado por aquilo que referi em meu post: cultura bacharelesca e número diminuto de doutorados. A tendência é que os mestrados percam valor entre nós também, à medida que haja mais doutorados. Há uma coisa muito mais estranha ainda no Brasil: o pavoneamento em torno de MBAs, que são na verdade cursos de especialização, sem processo de avaliação tal qual os dos mestrados e doutorados (e as graduações). Isso são minas de ouro, de que ninguém tem coragem de falar, pelo jeito. Até hoje não vi nada no MEC falando de instituir alguma fiscalização aí.

 

Não sei quem é esse Marcelo Hermes. Nunca vi mais gordo e, parece, não me afino com a viola dele a respeito de idéias políticas mais gerais. Mas o fato é que ele meteu o dedo na ferida e fez muita gente vomitar de ódio! Óbvio que entrevista não é paper científico. É golpe baixo cobrar desse tal Marcelo Hermes que exponha em uma entrevista os dados que comprovam sua tese! Cobrar isso é abusar do "argumento de autoridade" – para dar uma falsa impressão de que ele, o Marcelo, é um coió. Ele fez o que todo cientista tem de fazer: levantou uma lebre!

 

Eu desisti quando ele sitou o Serra...isso lá é exemplo?

Drinds acabou com os argumentos dele.

 

Téo Lucas

A maior prova de que temos problemas na formação de doutores é a interpretação errada das palavras de Marcelo Hermes por alguém que se apresentou como doutora. Além do mais era uma entrevista e não um debate, então é óbvio que surjam lacunas.

 

"A maior prova de que temos problemas na formação de doutores é a interpretação errada das palavras de Marcelo Hermes por alguém que se apresentou como doutora.":

Qual interpretacao errada, o que significa "se apresentou como doutora", e quem eh voce pra deixar essa insinuacao no ar?

 

Não insinuei nada apenas constatei, não tenho procuração e nem conheço o referido professor, não sei quem é Drinds e não entendo o motivo de alguém  exigir um carteiraço para se poder fazer um comentário. Se te satisfaz eu não sou ninguém.

Não concordo plenamente com o Professor Hermes, mas é impossível não concordar que orientar cinco estudantes é diferente de orientar dez, ou não existe capacidade finita? Será que numa obra precisamos de operários com formação em engenharia civil para dobrar aço?

A Drinds diz que não existe ainda demanda para os doutores formados, isso significa exatamente o que? Se estamos, como ela mesma diz, em falta de doutores nas áreas ditas "não humanas"? Não consegui entender a lógica desta argumentação.

No final ela fala em falta de metodologia científica para explicar  o argumento, essa é a excessão que contradiz a regra ou a que reafirma? afinal ela diz que o professor está o tempo todo errado e termina dizendo que o professor não tem o essencial para sustentar sua tese, mas esquece que numa entrevista é praticamente impossível defender uma tese. Se fosse numa banca de defesa de uma tese, bastaria um membro da banca ouvir a apresentação inicial ou teria que ler a tese por completo para aprovar ou reprovar?

Não acho relevante o índice de 99,9% de aprovação, gostaria de saber o índice de de pessoas que iniciam um doutorado e chegam até a defesa da tese.

Me lembrei agora de um ex-chefe que tive, as vésperas da eleição de 2002, que disse ao faxineiro: Quem é você para achar que votando no Lula o país vai mudar?

 

 

 

Gostaria de comprovar a "tese" desse professor ouvindo um de seus orientandos...ou seus alunos de graduação...me parece que ele se acha o "ban-ban-ban" da UNB, o supra-sumo da eficiência e orientação! 

Com arrogância expõe o que imagina ser a realidade, partindo de uma genelarização exagerada.

O alerta do professor de geografia da Usp me pareceu mais equilibrado e merece atenção especial.

 

 

A questão não deveria ser se a entrevista faz proposta correta ou não. Melhor é lê-la como um alerta. Vale para a pós-graduação o mesmo que para todo o sistema de ensino, que não deve ser analisado somente de forma segmentada: quanto mais universalizado, tanto menor a qualidade média, e quanto mais elitizado, tanto maior a exclusão. O ponto ideal de equilíbrio é o segredo, a mágica difícil de se atingir, mas deve ser o alvo perseguido. Quem duvida que um estudante de ginásio, nos anos 60, aprendia muito mais do que um aluno de quinta a oitava série hoje? Mas quantos estudavam num ginásio? Meu pai estudou latim, inglês e francês no ginásio, mas teve que sair de sua cidade natal a partir da pré-adolescência e morar com tios para encontrar lugar onde estudar. A formação era melhor, a vida mais difícil.

Vejo dois erros na noção do professor Hermes: a) A reprodução da generalização de que a formação em universidades particulares é pior do que a das públicas; b) O tom apocalíptico, que imagina o fim da ciência com a universalização em curso. Vejo também um acerto: A advertência quanto à necessidade de cuidado com a perspectiva meramente quantitativa, em detrimento da qualitativa, na avaliação do sistema de educação e de formação acadêmica. Fora isso, quanto aos comentários, é importante distinguir posições políticas e gostos pessoais do entrevistado da questão discutida, do tema central que aborda.

a)  As instituições acadêmicas particulares, comunitárias, e públicas têm cada uma virtudes e defeitos. Generalizações não ajudam em diagnósticos. Toda minha formação, doutorado inclusive, foi em instituição comunitária. Hoje atuo como docente e pesquisador em instituição pública. Evidentemente, a liberdade para pesquisa, a possibilidade de fomento, a independência acadêmica são virtudes interessantes da universidade pública. A burocracia, a falta de equipamentos, o corporativismo são alguns problemas notórios. Não quero perder as possibilidades que tenho para minha pesquisa hoje, mas tenho uma saudade enorme da biblioteca da instituição em que me formei.

b) Há dez anos, quando prestei concurso, apareciam 2 ou 3 candidatos para uma vaga docente. A minha universidade pública tinha 8% de doutores. Hoje é difícil se conseguir colegas que queiram formar uma banca de seleção, porque há 20 candidatos para uma vaga. E minha universidade pública está com uns 40% de doutores, entre novas entradas e colegas que se titularam. Essa quantidade de doutores disponível também torna possível reprovar 10 candidatos num concurso, como aponto o exemplo acima - justamente porque é possível abrir outro edital e surgirão outros 10, pelo menos, dispostos a encarar o desafio. É muito bom poder reprovar gente em concursos. Quando aparecia 1 ou 2 candidatos para uma vaga, como se reprovaria alguém? Há alguns anos, um mestrado era quase um coroamento de uma carreira acadêmica. (E ainda há muitos casos assim hoje, não devemos nos enganar). Era fator de status, na nossa cultura bacharelesca. O fator tempo, por fim, é algo com que concordo plenamente na entrevista do colega prof. Hermes. Entretanto, este fator na época exercia seu papel antes e durante o doutoramento. Agora, ele está transferido para depois. E aí está o erro maior do seu pessimismo apocalíptico. A universidade e a sociedade precisam de pesquisadores competentes, e não é o curso de doutorado em si que vai dar conta de criar estes pesquisadores. O doutorado tem de ser só um requisito acadêmico para o sujeito se tornar um real pesquisador. Nunca é o ponto final, a meta. Quando a sua geração se aposentar, se ela tiver trabalhado bem, novos pesquisadores assumirão a tarefa tranquilamente. Só se as gerações antigas olharem para sua tarefa com um elitismo bobo é que as novas serão mal formadas.

Apesar disso, principalmente diante dos comentários, quero concordar com a advertência de fundo que a entrevista coloca, que entendo não se dirige à quantidade de programas ou de ingressos em cursos, mas sim à qualidade. Os governos, e isso é comum a todas as ideologias, precisam apresentar números e compará-los com outros países. Isso não é sem sentido, mas é claramente insuficiente. Quem lida com a formação universitária, particularmente de pós-graduação, percebe bem como nossa qualidade de formação deixa a desejar. Não adianta querermos nos enganar com números sobre nossa produção científica, por mais que estes sejam importantes. É na experiência viva, nos contatos com docentes e pós-graduandos de outros países, nas participações em congressos internacionais que se percebe o que os números não podem revelar por si só. É visitando uma biblioteca de uma universidade de referência que vemos a diferença em relação às nossas, públicas ou privadas. Por isso, entendo a entrevista mais como um alerta contra a miragem dos números, que vi serem usados tanto pelo governo federal anterior como pelo atual. E certamente continuarão a ser usados pelo governo futuro, seja qual for.

A busca por excelência vai muito além de aspectos quantitativos. E quantidade invariavelmente prejudica a qualidade, ao menos individualmente falando. Pressões produtivistas exageradas também. Mas as coisas não são simples, não se pode analisar o quadro opondo preto e branco. Quantidade também possibilita diferentes qualidades. O desafio da elaboração do melhor modelo, do encontro do equilíbrio ótimo tem de ser buscado sem pessimismo exagerado, mas também sem ufanismo.

 

Agradeço a todos pelas críticas (e "xingos") a minha entrevista. Postarei em meu blog meu reply ao Soim.

abraços

Prof Marcelo Hermes (cientometrista e bioquímico)

(a voz da direita)

 

Nāo entendo o que o Sr. quer dizer com reply, eu apenas postara o texto aqui. Mas seria interessante que o Sr. deixasse mais clara a sua tese.

 

Ah, desculpe. Nao sou frequentador desse blog e me confundi com quem postou o que. Farei minha replica a Dra Drinds e para alguns comentaristas.

Eu jamais disse que TODOS os doutores que estao se formando sao MOBRAL. Há entretanto um % imenso de Mobrais entre os recem doutores.  Na área biomédica isso é gravíssimo, assim como na Física e na química. Tenho dados (de percepçao dos orinetadores) sobre as biológicas, publicados no Comp Biochem Physiol em 2008.

http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/18721892 

Outra coisa importante é que a entrevista durou 40 min e a jornalista cortou muita coisa importante, e acabou por simplificar meus argumentos. Mas ela tinha q cortar para sair no formato da revista da Adunb (que nao é do PSTU há mais de 3 anos!). Muito do que falei está postado em muitos dos posts de meu blog, onde faço um debate ácido (e muitas vezes debochado) sobre o lado B da ciencia no Brasil e no exterior.

http://cienciabrasil.blogspot.com/search/label/Cientometria

abraços

Marcelo Hermes

(o fato de eu ser de direita, conservador, nada tem a ver com minha tese sobre o futuro sombrio da PG no Brasil)

 

Por isso que é tão importante a tal democracia. Todos têm o direito de se expressar, o direito de ser expressar deve ser defendido por todos indiferente de simpatia política. Na minha opinião, voz discordante consciente é bem-vinda.  Acho que muitos aqui não refletiram, apenas despejaram idéias pré formadas, dessa forma o debate é inútil.

 

Drinds,

 

o entrevistado não disse que todos os doutores formados saem como 'doutores mobral'. para criticar tem que ser fiel ao que ele disse.

 

Tendo a concordar com o entrevistado. E sou doutor não faz muito tempo.

 

Para se conseguir uma Bolsa CAPES/FAPS em universidades públicas vc tem que apresentar um projeto de pesquisa contendo um arcabouço teórico metodologico, justificativa e cronograma. Este seu projeto passa pelo crivo  e especialistas da entidade e vc recebe ou não a bolsa. Se positivo, anualmente se entrega um relatório a entidade para renovação  ou o estudo final (tese).  Ah, sim  também ao receber a bolsa deve fazer um estagio de docência em disciplina escolhida pelo orientador.

Tese de doutorado implica no novo ou ressignificar conceitos e categorias de análise portanto  envolve estar constantemente atualizando o seu objeto de pesquisa fazendo revsisões bibliográficas em fontes nacionais e internacionais e lendo muuuito frente a uma realidade tão cheia de incertezas, emergências e complexa. É o rigor científico.

Concordo com o Professor da UNB ao dizer que os orientadores estão sobrecarregados de orientandos e que isto compromete a qualidade do sistema, mas o sistema não limita as orientações de 5 alunos por orientador? Então que centro de pesquisa é este em que orientadores estão com 10 orientandos? É público? Me parece que não. Divulgue, professor, pelo bem da ciência e dos futuros doutorandos.

A critica tem várias mãos e a auto-crítica lhe falta pois a impressão que se tem de sua fala é que se encontra em um lugar, um posicionamento ideal neste sistema evidenciado: o que será do sistema quando sua geração se aposentar? Então para ficar no campo das generalizações da mesma forma que o Doutor critica os Doutorandos façamos a análise na mão contrária, quantos doutores hoje tem capacidade para orientar? Um indicador básico seria avaliar os objetos de pesquisa estratégicos e confrontar com o estado da arte na C&T mundial. Muitas linhas iriam encontrar seu fim...

Quando se fala que 80% da pesquisa nacional é feita pelos doutorandos e isto envolve a publicação de artigos científicos em revistas relevantes (QUalis A e B) e atualização dos objetos de pesquisa seria o mesmo que dizer que a pesquisa nacional é carregada pelos Doutorandos que quando recebem bolsas estas variam de  R$1800 a um pouco mais de 2000 dependendo da Avaliação Capes dada ao Curso contra um salário de um  professor com doutorado, recém  contratado, de cerca de 7000,00. Esta conta não fecha e pode ser no mínimo desestimulante. Desta forma concordo com o Professor: Doutorando MOBRAL, não reconhece a mais valia na Produção Ciêntífica...

Drinds finalizou primorosamente: Para avaliar a C&T nacional exige-se um certo rigor científico.

 

Região Serrana Fluminense:Vergonha!Vergonha!Vergonha!

Grauninha, você está sonhando quando fala de professores recém contratados com salários de R$7.000,00. Sou doutora, com uma aposentadoria e um emprego efetivo em universidades públicas, a aposentadoria em regime de dedicação exclusiva (no emprego nao, porque minha universidade nao tem DE). Em ambos os casos com mais de 12 anos de exercício (tanto na aposentadoria quanto no emprego atual). Em nenhum dos 2 casos tenho salário de R$7.000.00, nem bruto. Líquido, em cada um deles ganho pouco mais que R$5.000,00. Com a soma dos 2 salários, nao é pouco; mas um só...

 

Discordo da maior parte do que disse o professor da UnB. O discurso dele expõe conceitos elitistas, como o de que "a universidade é para poucos", o que não é de todo falso, mas não se aplica à situação brasileira de exclusão extrema, e de que "os doutores nacionais não prestam".

Levantando pontos já não rebatidos por outros comentaristas:

- O fato de que "99.9% das teses são aprovadas pelas bancas" não significa muito. De fato, a maior parte das "reprovações" em trabalhos acadêmicos ocorre através de "evasão", ou seja, o orientador, ao decidir que um trabalho não é bom ou um aluno não tem nível, impede a sua conclusão. Uma reprovação de tese, antes de tudo, é uma reprovação do seu orientador. Neste quesito, as agências de fomento prestam um desserviço, punindo indiscriminadamente com decréscimos de conceito cursos com evasão elevada. 

- O "excesso" de alunos de pós-graduação não é uma realidade geral. Em engenharia, por exemplo, há uma falta brutal de alunos. Além disso, os poucos que restam são recrutados por uma casta de pesquisadores com acesso privilegiado a linhas de fomento, o que acaba gerando uma "realimentação positiva": os pesquisadores com "prestígio" prosperam, enquanto os demais são asfixiados financeiramente (tem de "pagar para trabalhar", se quiserem).

 

Quero dar o meu pitaco aqui sobre este debate, mas de cara vou pôr de lado qualquer sugestão ou argumento que tenha a ver com eleições (ser pró Serra ou pró Dilma) ou com a questão da produção de desigualdades.

O argumento do texto postado, de fato, generaliza demais e é muito intuitivo para ser aceito sem críticas severas. Mas há um elemnto nele que merece alguma consideração e isto tem a ver com a expansão da pós-graduação. Fui coordenador de pós-graduação de um programa com nota 7 na Capes por muitos anos e vivenciei ano após ano o problema seguinte. O número de pesquisadores do programa cresceu e com ele a capacidade de absorver novos mestrandos e doutorandos. Optamos então por aumentar o número de vagas abertas anualmente para a entrada de novos estudantes. E o fizemos melhorando (tornando mais abrangente, dando mais tempo para inscrições, informando melhor o que tínhamos para oferecer, os nossos pontos fortes) a comunicação na esperança de atrair mais bons estudantes. E ano após ano tivemos a triste experiência/dilema de ter que decidir entre preencher todas as vagas com alunos mediocres ou ficar com os melhores e ter vagas sobrando. Tudo se passou como se os alunos que anteriormente não eram aprovados em nossa seleção passaram a sê-lo, nos últimos lugares. Depois de estudar criteriosamente os processos de seleção desde que ampliamos as vagas de entrada, decidimos voltar ao número de vagas do passado. Mas isto se torna insustentável política e eticamente, pois temos novos pesquisadores com plena capacidade de orientação, mas não temos alunos o bastante para que todos orientem. E quando temos alunos em número bastante, sua qualidade é problemárica.

Por isto, me parece, é impossivel continuar indefinidamente a expensão neste ritmo sem que se faça uma melhor integração entre a graduação e a pós (e alguma coisa tem sido feita neste sentido), sem que se dirija um certo número de pesquisadores exlcusivamente para a atividade de pesquisa, sem a necessidade obrigatória (pleonasmo?) de se voltar para a docência. E antes que me acusem de advogar privilégios, insisto que isto deve ser feito em instituições públicas (universidades e centros de pesquisa) e privadas (industrias etc) e com um forte componente de avaliação.

 

Também sou doutor e pesquiso em Universidade e concordo plenamente com Drinds. O Brasi precisa, e muito de doutores. É espantoso como a vida toda falávamos que era preciso um número maior de doutores e agora que a quantidade deles aumenta (e temos que cuidar da qualidade sim, mas uma coisa não exclui a outra), alguém pode considerar isso "um atraso".

Sinceramente, achei as opiniões do tal professor um tanto partidarizadas. Cita um candidato a presidente que tem "planos" de aumentar o ensino técnico, exatamente o que está se fazendo agora, ao mesmo tempo em que se forma doutores. Ora, quem ensinará na escolas técnicas (que aumentaram muitos nos últimos 4 anos)? É evidente que é necessário um número ainda maior de doutores no Brasil, mais pesquisa e mais inovação, que é essencial.

 

A crítica do Prof Hermes tem fundamento. A questão central que ele coloca, na minha visão, é que a formação de doutores hoje lembra uma pirâmide, e é feita basicamente para responder a um benchmark (número de doutores, etc.). Assim, há esta necessidade doentia de alunios de pós para produzir artigos, alunos que na maioria das vezes não pretendem seguir carreira acadêmica.  Um ponto central nesta questão é a quantidade de alunos que vêm de péssimas escolas particulares, fruto da expansão irresponsável do setor iniciada na era FHC e não estancada na era Lula. A ciência não deveria ser produzida somente no âmbito da pós-graduação, mas desde a graduação, em escolas de melhor qualidade.

 

Esta crítica ao estilo pirâmide tem fundamento. Porém este não é um problema único brasileiro e nem acredito que seja recente. Se este problema fosse sério a Europa estava perdida. Alguns países de lá, como a Inglaterra, permitem cursos de graduação em 3 anos e doutorado em 3 anos. É possível formar um doutor com 24 anos! Os estudantes são usados como mão de obra pelos professores e muitas vezes trabalham em projetos de interesse específico de empresas. Existem casos de doutores europeus incapazes de escrever um artigo.

A qualidade do doutor quem determina é o próprio aluno. Tanto no Brasil quanto em qualquer outro lugar. Não se pode culpar o modelo brasileiro de formação de doutores por casos pontuais. O modelo brasileiro permite bolsas de iniciação científica em que o estudante tem contato com pesquisa antes mesmo da graduação. Exige o mestrado que dura em média 2 anos. Por fim o doutorado dura em média 4 anos. A infra-estrutura das universidades brasileiras é muito boa.

O modelo brasileiro é bom mas sempre existirão casos de pessoas que se aproveitam do sistema. Trabalham pouco, não possuem aptidão, são favorecidos pelos professores e recebem o mesmo diploma de um aluno brilhante. A distinção entre um e outro deve ser feita pelo mercado e pelas bancas avaliadoras de concurso.

 

Que sorte, pulei quase todos os comentários e achei o seu por último Rodrigo, com o qual concordo plenamente. Mestres e Doutores deveriam ser formados essencialmente para pesquisa, e não para magistério, como é na China e Índia. Imagine você ter uma tese de Doutorado em História que tirou nota 10, provando que não foi Cabral que descobriu o Brasil. Daí você volta prá dar aulas na graduação, gente que só quer o canudo prá passar em concurso ou arrumar um emprego, e vai ensinar como Cabral descobriu o Brasil.... Trabalhei muitos anos na Embrapa, e havia gente que ao voltar de doutorado no exterior, só queria ser chefe. Encostar a barriga na bancada de um laboratório jamais (falo de áreas meio, não biotecnologia).

 

Concordo, em grande parte, com o professor da UnB: a qualidade dos novos doutores, sei não...

Eu vi ("testemunhei"), até pouco tempo, a "produção em série" de doutores com o perfil e modelo exatamente igual ao que ele descreve: não sabem escrever uma tese, não sabem escrever um relato de cunho científico (artigo), não sabem comunicar, não estão preparados para orientar nada e ninguém!

Porém, o professor é "da pesada". No blog dele, ele não deixa dúvidas do que gosta ou do que pensa.

Não é nada de importante, mas eu não gosto do que ele gosta (e recomenda) e não penso como ele pensa. Longe disso!

 

 

A analise faz pelo menos um erro historico.  Educacao nao eh algun intangivel flutuando no ar, eh mercadoria.  Portanto o conhecimento que dissemina vai se tornar cada vez mais comum, com ou sem escola.  Por exemplo, era virtualmente impossivel comprar enlatados na epoca da minha mae, no interior.  Hoje eles estao pra todo lado. e sao adquiridos sem empenhar as joias da familia.  Educacao eh isso.  Ja a milhares de anos atraz tinhamos a preocupacao com a juventude "transviada" da Grecia, e eles construiram sua civilizacao mesmo assim.

O erro historico, como notado em termos de analogia a outras situacoes como fornecimento de comida no interior e "falta de futuro" dos atenienses, eh assumir que os "precos" vao continuar a esmagar as pessoas.  Essa eh a razao que precos sobem sem parar, para normalizarem o que "elites" fazem.  A mercadoria "doutorado", carissima hoje, vai se adaptar ou vai se irrelevar --e o sistema educacional nao vai deixar esse osso sem briga, e se chegar a isso, eles destroem o sistema educacional todo pra manter lo.  Isso he evidente e independe ate mesmo da propria qualidade de educacao oferecida.

Quanto ao oh-tao-critico crescimento de 9 por cento que o Brasil supostamente nao suporta, porque eh que quem decide os juros esta sabotando o Brasil?

Pela mesma razao que o sistema educacional vai brigar por seu osso mesmo que tenha que destruir o sistema educacional.

 

Caros,

Os argumentos apresentados por ambas as partes têm suas razões. Tentarei sintetizar o que penso sobre este assunto.

Em termos convencionais, o processo científico se resume à observação-teoria-verificação, estágios que se complementam. No primeiro estágio, o pesquisador "olha" seu objeto e identifica particularidades; no segundo, estabelece leis universais sobre estas particularidades; no terceiro e último estágio compara-se as leis universais e a realidade, a fim de atestar se as leis descrevem de modo válido a realidade a que pretende analisar. A produção científica pode se estabelecer de modo distinto nos três estágios (um estudioso pode se dedicar à detectar comportamentos que merecem estudo detalhado, a teorizar sobre estes comportamentos, ou aplicar métodos de aferição a fim de verificar se a teoria corresponde à prática).

A diferença entre as ciências naturais e humanas se baseia na natureza do objeto de estudo. Enquanto, nas ciências naturais, o objeto de estudo não muda (apenas o ambiente), nas ciências humanas o objeto e o ambiente muda constantemente (hábitos, gostos, culturas, tradições se transformam, assim como a conjuntura econômica). Esta particularidade traz consigo importantes mudanças ao processo científico: dois estudiosos podem enxergar em um mesmo comportamento fenômenos distintos (e, com certeza, ambos estarão corretos). Esta especificidade faz com que existam, APENAS no campo da macroeconomia, keynesianos, pós-keynesianos, monetaristas, novo-clássicos, novo-keynesianos etc., enquanto na física TODOS os fenômenos são explicados ou pela física quântica ou pela teoria da relatividade.

Para que ocorra o desenvolvimento do processo científico, é necessário que o estudioso seja capaz de fazer perguntas. Esta capacidade está intimamente relacionada à atividade de elaborar problemas e hipóteses. Dadas as particularidades relacionadas às ciências humanas, a capacidade de fazer perguntas depende não apenas do conhecimento teórico acumulado, mas também das vivências que temos em outras esferas de nossas vidas. É a relação entre conhecimento teórico e vivências que nos permite compreender os fenômenos holisticamente, em sua plenitude. E este tipo de formação, a despeito do componente "vivência", iminentemente particular, demanda tempo.

O que há de mais grave em relação à formação de doutores (pelo menos nas áreas das ciências humanas) não está associada necessariamente ao número de vagas em cursos de pós-graduação, mas sim à capacidade de fazer perguntas. Temos hoje acadêmicos jovens e que cursaram, sem interrupções, graduação, mestrado e doutorado. Ou seja, acadêmicos que dispõem de grande saber teórico, mas com pouca vivência, que sabem demonstrar teoremas, mas não compreendem os efeitos de desigualdades pretéritas, tradições, culturas, história etc. sobre o comportamento das pessoas. Fica mais fácil acreditar que os modelos sintetizam o comportamento das pessoas, a reveria dos fatores que não podem ser mensurados (porque não foram vivenciados!!!). Temos, como consequência, uma inversão de valores durante o processo de produção de conhecimento: antes da pergunta, vem o modelo, quando o contrário deveria acontecer.

Assim, não vejo esta desejável - no meu ponto de vista e no de Drinds - inflação de cursos de pós-graduação como o principal problema, como acusa o professor da UnB. Há um problema mais amplo e que nos remete à própria formação dos estudiosos e potenciais intelectuais. Neste sentido, deixo-lhes algumas perguntas:

(i) As instituições oferecem um ensino pluralista?

(ii), A universidade é capaz de, sozinha, garantir a pluralidade do conhecimento?

(iii) Qual o tempo necessário para se formar novos estudiosos?

(iv) Os critérios de avaliação dos cursos de pós-graduação são suficientes para atestar a capacidade de uma instituição oferecer um ensino pautado em uma visão holística de mundo?

 

Abraços a todos.

 

Não há como haver bons doutores em quantidade em um país onde se incentiva à copiar e à obedecer sem questionar, e qualquer um que tenta "pensar fora da caixa" é prontamente punido.

 

Se existe uma coisa que concordo sobre esse assunto é sobre o estudo tecnico no Brasil, que deveria ser mais incentivado (apezar de ter crescido bastante no governo Lula).

Dou como exemplo uma prima que tenho, que vem de classe mais humilde. Ela é uma menina bastante esforcada e acabou de terminar o segundo grau, naturalmente quer mudar de vida entao decide concorrer ao pro-uni pra fazer uma universidade. Como estudou em escola publica toda sua vida ela nao tem uma formacao das melhores (apezar de esforcada), entao naturalmente vai tentar fazer um curso menos concorrido e nao um curso mais tecnico cientifico. Vai passar 4 ou 5 anos na faculdade (tendo dificuldade para viver e tendo que ter um outro trabalho) e ao fim tera pouca chance de encontrar um emprego na area que escolheu.

Caso fizesse um bom curso tecnico, formaria em dois anos, teria muito mais facilidade de encontrar um trabalho e provavelmente teria ainda um melhor salario que se tivesse curso superior em determinadas areas. Ai depois, ja com esse bom emprego tecnico, poderia fazer a faculdade de seus sonhos com seus proprios recursos e sem outras preocupacoes (caso ainda tivesse vontade).

Acho que esse deveria ser o foco do novo governo: ensino tecnico de qualidade no pais. Essa a maneira mais facil, barata e pratica de fazer pessoas mais humildes subirem na vida (como aconteceu com o proprio presidente Lula) e ainda é uma necessidade de mao de obra urgente para o pais.

 

Seu pedido já foi realizado pelo próprio Governo Lula que construiu e fez funcionar 144 Escolas e Institutos Técnicos, espalhando-as estrategicamente pelo Brasil. Lembro que para fazer isso, precisou "derrubar uma lei do FHC" que proibiu em 1998, a construção pela instância federal, de novas escolas técnicas.

Quando o Professor destaca que "um certo candidato" construirá novas escolas técnicas, pode estar demonstrando seu partidarismo, num texto que ao falar sobre ciência deveria ser no mínimo  imparcial (propriedade da ciência). Comete outro pecado, pois perde também, a oportunidade de disponibilizar aos interlocutores essa modalidade de opção de estudo.

Essa pode ter sido sua escolha: não informar o público,  qualidade essencial ao professor.  Porém, o que mais me procupa é, se em vez de escolher não informar, ele deixou de faze-lo, por desconhecimento da lei de 1998 e por desconhcer ainda, a construção das 144 Escolas Técnicas. 

De qualquer forma, o professor deixou-se ficar à análise, ou como um desinformado, ou como um sonegador de informações: qualidades mortais no mundo acadêmico, onde todos sabemos, sobrar arrogância que provem do conhecimento....