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A crítica ao IDEB

País vai ser quinta potência e não formamos líderes, diz Rudá Ricci

Para especialista, Ideb não toca em pontos essenciais da formação do aluno

Por Luiz Henrique Mendes

O Brasil sofre de esquizofrenia em sua política educacional. Os métodos de ensino adotados na educação infantil e no início do ensino fundamental são completamente opostos aos métodos utilizados a partir da sétima série do fundamental e em todo o ensino médio. Essa é a avaliação de Rudá Ricci, diretor-geral da ONG educacional Cultiva e estudioso do tema. Para ele, a diferença entre os métodos adotados na carreira escolar é uma das principais explicações aos resultados do último Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), divulgados na última semana e que apontam lentidão nos avanços do ensino médio.

RicRicci vê com preocupação a utilização do Ideb como única forma de avaliação educação. "O Brasil precisa dizer o que acredita, porque o MEC está querendo jogar goela abaixo que só existe um jeito de avaliar e quem é especialista nessa área sabe que não é verdade", diz. Rudá Ricci aponta um caos na formação dos docentes e discorda do modo como são estruturados os vestibulares. Para ele, o Brasil está "formando gente cínica, que estuda para a prova, mas não estuda para a vida".

A seguir, os principais trechos da entrevista que Rudá Ricci concedeu ao Blog do Luís Nassif:

Blog do Luís Nassif: De que forma o senhor avalia os resultados apresentados no último Ideb?

RR: Há uma melhora gradativa, ainda que lenta, em relação ao Ideb, principalmente no primeiro seguimento do ensino fundamental. Na medida em que vai se aproximando do ensino médio, os indicadores são piores. Os esforços brasileiros estão se concentrando muito no ensino fundamental, principalmente nas primeiras séries e na medida em que vai avançando na idade vão piorando.

BLN: Por quê? Li um post em seu blog atribuindo o problema a metodologia de ensino adotada.

RR: O problema é que o Brasil é um país esquizofrênico do ponto de vista da política educacional. Não é de agora. Isso é histórico no Brasil. Mas o problema básico é o seguinte: a educação infantil no Brasil é a mais bem qualificada do ponto de vista pedagógico. Ela se baseia em alguns autores clássicos, que é o caso do Piaget e do Henri Wallon, que são pessoas que sempre focaram estudos sobre desenvolvimento peculiar de cada criança. Na medida em que você vai aproximando do ensino médio, em função do vestibular brasileiro, que é um dos piores do mundo, ele focaliza na memorização, não focaliza na qualificação, no raciocínio, no discernimento, na interpretação. Então, na medida em que vai chegando perto do ensino médio, a partir da sétima série em diante, começa-se a ter uma influência muito forte das teorias comportamentais.

BLN: O vestibular é um dos principais responsáveis pelos resultados, então?

RR: A leitura que a gente faz sempre tem que ser ao contrário. Como é que o vestibular é organizado nas grandes universidades brasileiras, inclusive USP, as federais, Unesp, PUC? Cada área de conhecimento tem questões formuladas por departamento. Nesse caso, o chefe do departamento nomeia uma comissão. Essa comissão quase sempre está articulada politicamente a ele. Cada vez mais, as disputas de reitoria e departamento são muito fortes. Então, para isso tem que ter um grupo muito forte de base. Então, o chefe de departamento carrega consigo o grupo político-intelectual acadêmico que ele é vinculado. Esse pessoal tem a oposição dentro do próprio departamento.

Então, você imagina que o grupo de oposição no departamento fica tentando fiscalizar a produção do grupo que foi nomeado para achar erros. Há uma tensão muito grande na elaboração das questões, o que quase sempre impele a comissão de elaboração a fazer questões daquilo que tem mais segurança. E o que é aquilo que tem mais segurança? É a dissertação de mestrado e tese de doutorado. Por isso é que nós temos questões no vestibular que são muitas vezes descabidas.

O professor do ensino médio é super pressionado pelos pais para fazer os seus filhos ingressarem nessas grandes faculdades e universidades e ele recebe esse calhamaço de questões que muda todo ano. Os professores de ensino médio foram cada vez mais se especializando em estudar a lógica dos vestibulares e a desenvolver técnicas de memorização, que a gente acha que é traquejo mas que é tudo menor educação, é só instrução, é só memorização, tanto que algumas pesquisas recentes revelam que os primeiros colocados nos vestibulares mais importantes do Brasil, seis meses depois, se você aplica a mesma prova, eles não conseguem ir tão bem. Quanto mais próximo do vestibular, mais são descarregadas técnicas de memorização e é justamente nessa faixa etária que tem maior evasão escolar.

BLN: E como virar esse jogo?

RR: Bom, a primeira questão seria a gente tentar fazer uma ampla discussão no Brasil sobre qual é a concepção que nós temos. A nossa concepção é focada no resultado como nos EUA, no famoso currículo prescritivo, ou seja, independente das características dos alunos, o que me interessa é eles chegarem ao mesmo ponto, que é a visão taylorista da educação do século XIX.

BLN: Não chegamos a tocar nessa disucussão na Conferência Nacional de Educação (Conae), realizada este ano?

RR: Sim e não. Essas questões são muito embutidas em questões maiores, mas nunca se discutiu claramente. O problema é que esses sistemas pedagógicos são muito complexos e muito teóricos. A disputa, no Conae, por exemplo, era política. Então, basicamente, o grupo da Receita Federal que queria que entrasse educação fiscal. Aí o pessoal da educação infantil que queria garantir o maior número de vagas. O pessoal ligado a Confederação Nacional dos Trabalhadores de Educação (CNTE) tentando garantir linha de financiamento mais claras, ou seja, as disputas são muito mais globais e macro do que chegando nesse nível de detalhe do ponto de vista pedagógico.

Em Minas, por exemplo, fui convidado para falar em alguns grupos, uma plenária grande da conferência estadual. Quando entrei nessas questões, o grupo não voltava para o plenário. São questões que todos sabem, mas ninguém quer discutir porque se entrar pesado nessa discussão, não tem partido, todos estão errados. Todos pensam do mesmo jeito. Os partidos estão pensando do mesmo jeito, porque com eleição de dois em dois anos não dá para você pensar questões de fundo na educação.

Aí vem o governo Lula com o pragmatismo que lhe é peculiar - a gente imaginava que poderia ser um pouco diferente, por ser de esquerda. Eles, na educação, jogaram pesado com a questão do Ideb. Qual é a idéia? Vamos melhorar de 4,7 para 6. O que está ocorrendo é que nos estados que querem melhorar o ranking, as superintendências ou diretorias regionais de ensino ficam pressionando os diretores para melhorar de qualquer maneira o indicador.. Ninguém pensa no aluno, ninguém pensa na família. A questão é melhorar o indicador.

BLN: Nesse sentido, o senhor é contra estipular metas na educação?

RR: Não sou contra. Eu só acho que a educação não pode se esvaziar daquilo que é peculiar. Educação significa estimulo correto, adequado, aliás, múltiplos estímulos para que a criança consiga se desenvolver do ponto de vista afetivo e do ponto de vista cognitivo. Todos os estudos demonstram que para essa situação do desenvolvimento da inteligência ocorra, existe uma série de fatores que concorrem para isso. Um deles é a família. Você acha que o Ideb está ajudando a pensar a família? Crianças que têm hábito de leitura em casa vem para a escola com hábito da leitura. Alunos que têm pais que não lêem não têm hábito de leitura. Você não pode dar aula de reforço igual. Você tem que criar um ambiente de leitura.

O Ideb não ajuda em nada. Quando chega o boletim do Ideb, é um desespero total do professor e aí vem problemas mais graves. Quais são? O professor recebe lá que sua escola está com 3,7 em língua portuguesa e aí eu pergunto: qual é o tempo que ele tem para melhorar a aula? Ele não tem tempo. Os professores no Brasil de ensino fundamental têm normalmente três jornadas.

BLN: Outra ponta desse processo, então, é colocar o professor numa escola só, melhorar salários?

RR: Exatamente. A primeira questão que eu estava querendo discutir é a concepção que nós temos. Nós queremos focar no resultado ou nós queremos focar na aprendizagem, porque resultado eu posso memorizar. Agora, aprendizagem eu preciso estudar o que é que o menino está tendo dificuldade e para eu estudar o que o menino tem de dificuldade eu preciso de mais tempo para o professor analisar, inclusive se formar, porque ele não sabe fazer essa avaliação diagnóstica. O Brasil precisa dizer o que acredita, porque o MEC está querendo jogar goela abaixo que só existe um jeito de avaliar. É mentira e quem é especialista nessa área sabe muito bem que não é verdade. Segundo lugar, para o professor ter mais capacidade de intervenção nesse processo, para melhorar mesmo o processo educacional, ele tem de ter dedicação exclusiva, igual professor de universidade. Ele não tem que só dar aula. Em um momento ele dá aula, no outro momento ele estuda as situações dos alunos e tenta avaliar soluções específicas.

Como é que a gente vai transformar a educação como se fosse a produção de um prédio? Educação é relação social, tem a ver com psicologia, estudos da neurologia. Nós não somos robôs, mas como fica muito mais fácil e politicamente tem certo acordão do PT com o PSDB que o melhor é você trabalhar em cima de indicador de avaliação externa diante de um ranking, então se esquece toda essa condição de trabalho que o professor tem em sala de aula.

O que eu estou querendo te dizer? Que a culpa sempre vai ser do professor. Sempre nós vamos falar 'a secretaria está fazendo', 'o MEC está fazendo', mas o professor, infelizmente, no Brasil, é uma porcaria. Aí o que é que vem? Tem pessoas como João Batista de Oliveira que querem implantar premiação para o professor que melhorar o Ideb, como se a culpa da melhoria ou não fosse do professor, mas é uma conjunção de fatores.

BLN: Mas o Ideb, em algum sentido, tem validade?

RR: Ele tem. Eu prefiro ter qualquer tipo de avaliação do que nenhuma. Qual é a principal avaliação, qual é o principal dado que a gente tem, que é positivo do Ideb? É que ele tira uma foto do momento. Ao saber o que o Ideb acha que é correto em matemática, em português, o que é o ideal, eu pelo menos tiro uma foto de cada estado, de cada município, de cada escola e por turmas. Eu sei o que está ocorrendo. Qual é o problema? É que eu não sei o porquê está ocorrendo aquilo. O problema é que educação não é foto, é filme.

BLN: O índice é quantitativo

RR: Ele é só quantitativo. Eu fico sabendo há anos que 30% dos nossos alunos não sabem interpretar e eu não sei o porquê. Ninguém me diz que o problema é hábito, que o problema pode ser dislexia. Ninguém fala. Se você perguntar para alguém do MEC, eles não sabem te dizer.

BLN: E como fazer outro tipo de avaliação?

RR: Se nós avançarmos para articular além desse tipo de instrumento de avaliação quantitativa, se a gente incluir instrumentos qualitativos, principalmente se nós tivermos a coragem de articular além do que ocorre no interior da sala de aula. Se eu conseguir articular com os outros elementos que contribuem com os alunos. Quais são? O que ocorre no intervalo de aula, quais são os projetos que os projetos desenvolvem com relação com as outras disciplinas, como é o ambiente daquele aluno na comunidade onde ele vive e na família. Se a gente conseguir a pesquisa quantitativa e classificatória com outros indicadores de caráter qualitativo e que consiga avaliar o processo de desenvolvimento da criança e do adolescente, eu não só terei a foto do que está ocorrendo, mas os motivos do porque aquele aluno chegou naquilo. Uma das coisas a gente sabe com essas pesquisas quantitativas é que quanto mais baixa a renda das famílias e menor o nível de instrução dos pais, pior é o desempenho dos alunos. Aí o que é que a gente faz? Aula de reforço. O que tem a ver uma coisa com outra?

BLN: A questão é a família?

RR: Claro, então eu tinha de ter programa integrados junto com a Assistência Social para trabalhar junto com a família. Lembra que o Cristovam Buarque queria fazer isso com Bolsa Educação? Agora, a gente coloca de maneira divorciada. Se eu não tiver condições sociais razoáveis para o aluno, se os pais estiverem brigando o tempo inteiro, a influência sobre o desempenho do aluno é imensa.

BLN: Os professores têm consciência disso? A formação dos professores tem dado esse escopo teórico para eles?

RR: Não, nada. Formação de professor no Brasil é um caos. Está caindo o número de estudantes universitários que estão optando por carreiras que habilitam para ser professor. O que está ocorrendo? Os cursos universitários focados na licenciatura odeiam pedagogia. Todos e os estágios são absolutamente desconsiderados. Há uma guerra interna.

Uma das questões mais fundamentais para o professor na carreira é ele saber avaliar. Professor da universidade não sabe avaliar e se ele não sabe avaliar, ele não sabe ensinar como é que avalia. Você tem vários instrumentos de avaliação. Não tem um só. No Brasil a gente só usa um, que é a chamada prova objetiva, que é aquela que você já tem a resposta antes. Então, o que estou querendo pegar de você com esse tipo de prova? Eu quero pegar se você memorizou. Mas e organização de idéias, interpretação de texto? Essa prova não pega. Então você vê que no Brasil a gente só pega avaliação de um aspecto que hoje a gente avalia que não deve significar mais do que 20% do total dos pontos de uma avaliação. Por quê? Porque uma verdade científica hoje não dura em média mais do que cinco anos.

Então, você jogar todo peso para avaliar se a pessoa está memorizando, sabendo que daqui a cinco anos grande parte do que ela memorizou não tem mais interesse, é um equívoco. Em qualquer curso que você dá de educação, a hora que você começa a falar para os professores, "vocês se envolvem em algum tipo de avaliação de prova operatória?", eles nem sabem o que é isso.

BLN: O que seria uma prova operatória?

RR: Prova operatória é o Enem, por exemplo. É quando você tem mais de uma variável que você utiliza e joga para o aluno a partir de uma situação-problema de tal maneira que você não sabe qual a resposta que o aluno vai dar. O que é que capta, portanto, a prova operatória? Ela capta organização de idéias e operacionalização dos conhecimentos. Um pouco memorização, mas nem tanto. Originalmente, quem elaborou o Enem foi um professor de matemática da USP chamado Nilson José Machado. O cara é genial. Ele se apoiou numa teoria de Harvard, que são as inteligências múltiplas. O Enem foi uma elaboração muitíssimo sofisticada no Brasil.

Então, tem que melhorar a qualificação? Claro, porque o professor perdeu os instrumentos básicos da profissão como é o caso de avaliação. Mas se eu der avaliação melhora? Não, porque o professor entra na sala de aula e não tem condições de aplicar o que ele estuda. A sala de aula é uma baderna, ele dá várias aulas durante o dia, absolutamente esgotado. Então, nós temos que mudar a condição de trabalho. E aí, mudando a condição de trabalho, dá então para desenvolver? Mais ou menos. O problema é que com os indicadores que nós temos ele é mais forçado a fazer reforço de aula com aluno do que resolver o problema efetivo do aluno. Então, é um ciclo que eu queria fechar.

BLN: Para a gente completar esse ciclo, vai precisar de recurso.

RR: Sim, precisa. De fato, para a gente dar um salto de qualidade, se a gente for fazer uma avaliação, nós teríamos que aumentar 50% a 70% dos investimentos que a gente tem atualmente. Mas o problema é que se a gente aumenta recurso para fazer o que se faz hoje, o resultado vai continuar pífio. O meu problema é de concepção. Nós estamos esvaziando o conteúdo educacional e caminhando para um conteúdo instrucional, não educacional. Não é para criar autonomia, é para criar resultado. Então, tira autonomia do diretor escolar, tira autonomia do professor e, como resultado, acaba tirando autonomia dos alunos. Aí, qual é o problema? O Brasil vai ser quinta potência na próxima década e nós não estamos formando líder. Nós estamos formando gente que é heterônomo, ele pensa pela cabeça do outro. Nós estamos formando gente cínica, que estuda para a prova, mas não estuda para a vida. 

Por Enio Taniguti

O que é isso Nassif? Cadê a versão do MEC. O governo Lula conseguiu injetar mais R$ 10 bilhões na Educação com o fim da Desvinculação das Receitas da União (DRU), pela primeira vez nesse pais se tem um sistema definanciamento da educação infantil com o advento do Fundeb, incluindo crianças de 0 a 3 anos inclusive do sistema conveniado. Ampliou ainda a obrigatoriedade do ensino para a idade de quatro a 17 anos. O novo Plano Nacional de Educação (PNE) deve articular o sistema nacional de educação em regime
de colaboração e fixar meta de aplicação de recursos públicos em educação
como proporção do Produto Interno Bruto (PIB). Fora o ProUni, o aumento expressivo de escolas técnicas federais e de Universidades. Aqui na região do ABC, a mais rica do país, somento com o governo Lula foi possível ter pela primeira vez na história duas universidades públicas federais, a UFABC e a Unifesp, ambas em funcionamento. Você sabe que resultados em Educação é de longo prazo. Cuidado para não criar mais um Demétrio Magnoli da vida que fala sobre tudo e todos e não fala nada. 

Por Rudá Ricci

Eta! Enio resolveu girar a metralhadora. Vamos lá (para ele não tentar achar cabelo em ovo): fui da equipe de Paulo Freire, fui assessor nacional da CUT na formulação do programa de formação sindical para o meio rural, desenvolvi o programa de formação continuada para os 130 mil professores na gestão Itamar (quando a secretaria estadual de educação estava nas mãos do PT), ajudei recentemente a implantar a reforma currilar da rede municipal de ensino de Governador Valadares (governada pelo PT), fui condecorado com a Grande Medalha do Mérito Educacional de MG, fui professor do mestrado e doutorado em educação. Finalmente: sou mais bonito que o Magnoli e falo sou educador há 31 anos. O que falei na entrevista, grande parte já foi publicada no Brasil e no exterior, como revista Iberoamericana de Educação, Educação & Sociedade (Unicamp) e outras. Sugiro ao Enio ficar mais tranquilo e não começar socando abaixo da cintura. Mesmo porque eu disse claramente que mais dinheiro com esta concepção atual não adiantaria muito. E ele vai justamente citar o aumento de recurso!!! Como nós, que fundamos o PT, temos a lamentar com tais simplificações atuais.

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Concordo com Rudá Ricci

O IDEB não deveria avaliar somente o momento X do aluno, realmente a educação é um filme, todos os momento devem ser observados. Antes de avaliar o aluno a escola e os professores precisam rever seus métodos de ensino. O aluno refletirá o que a escola é. Por sua vez para que o professor possa fazer uma avaliação voltada para o cognitivo e afetivo do aluno precisará de um tempo maior do seu dia, e como fazer isso se precisa trabalhar em 3 turnos para garantir a sua sobrevivência. O governo é quem precisa avaliar-se para cobrar mais dos professores e da escola para que aí sim os resultados do IDEB possam ser favoráveis. 

 

há tempos digo por aqui: para trabalhar habilidades  a face da escola precisa ser outra... parece que eu tinha razão... não dá pra pensar em ciclos e avaliação qualitativa em uma escola seriada e exigindo nota no final de cada bimestre... sao modelos que não fecham... não sou especialista, mas se acompanharmos o cotidiano escolar, fica evidente que essa conta não fecha...  precisa ter coragem para que o professor fique na escola. e que tenha tempo para planejar... uma bela apostila elaborada por professores universitarios, como fez sp, não é o suficiente para que a escola de um salto. o estado precisa pensar no trabalho do professor e na comunidade escolar. agora, algo arrojado num modelo enferrujado não adiantou  muito...  e não é só o ideb que tem essa caracteristica. em sp, o saresp vai pelo o mesmo caminho...

 

Excelente texto! 

Vou repassar para meus colegas de magistério, os números retratam uma melhora que na realidade não existe. Só existe no papel. Quem está dentro da escola sabe que viramos reféns desse terrorismo estatístico. 

As salas estão super lotadas, e a carga de trabalho excessiva  o que impossibilita um monitoramento da aprendizagem individualizado como determina os PCNs, LDb etc...

Gastamos 40% do tempo em sala de aula controlando indisciplina, e testemunhamos alunos que não fazem absolutamente nada em sala de aula aprovados para manter os índices favoráveis. A equipe escolar é submetida a inúmeras horas extras não pagas, para a convecção de relatórios do por que da nota vermelha, por que o aluno não está interessado, por que levou advertência blá blá blá , tudo para responsabilizar "alguém" que não são os pais,no caso de uma possível evasão futura.A único real problema levado á sério  pelas estâncias superiores. 

 

Desconsidera -se o papel da comunidade dentro da escola, único local de lazer da maioria dos bairros, seu papel na conservação do espaço, os pais dos alunos interessados e os alunos interessados que tem uma educação nivelada por baixo por conta da infraestrutura inchada e a democratização de mentirinha que só é perfeita no papel . Melhora só para inglês ver.

 

Gosto do tom geral do texto do tópico, mas ele fica até certo ponto "na ramada" dos problemas. Há mais em jogo na situação da educação brasileira do que problemas de métodos e concepções educacionais, embora esses sejam importantíssimos.

Para dar um pequeno exemplo, concordo com o que foi dito sobre o vestibular; mas tb com o que foi dito por outro comentarista sobre as influências sobre isso de uma mentalidade geral do "se dar bem" que ultrapassa em muito quaisquer decisoes educacionais de escolas e exames. (O que nao significa, no entanto, que nao se devesse mudar a mentalidade dos vestibulares...)

Há tb os problemas, mais graves quao mais alto o nível escolar, decorrentes do fato da progressao continuada (que aprovo) ter sido transformada em aprovação automática, com o resultado dos alunos estarem chegando nos anos posteriores sem domínio de conhecimentos que deveriam ter aprendido nos anos anteriores; e, em especial, sem adequado domínio da leitura e da escrita, sem o que nada mais se pode fazer. E esses problemas nao se manifestam apenas no baixo aproveitamento dos alunos, mas no desinteresse deles, na bagunça geral decorrente, no clima péssimo que se cria em sala, etc.  

Há os efeitos disso na falta de motivação dos professores (e nem estou falando na questao salarial), e na saúde deles: problemas de estresse, de depressao, de problemas nas cordas vocais.

Há o fato das ideologias educacionais, mesmo boas,  serem "empurradas goela abaixo" dos professores, que muitas vezes nao têm formação suficiente para entendê-las (nao podemos esquecer que a carreira do magistério está sendo escolhida exatamente pelos alunos com piores condições de escolaridade anterior; quem tem outras possibilidades, nao é masoquista para escolher o magistério na situação atual da carreira...)

Enfim, os problemas sao tantos, que é difícil mesmo tentar revertê-los. Num certo sentido, é animador constatar que a situação dos primeiros anos escolares estaria melhorando. Pessoalmente acho que só com o tempo a melhora chegará aos últimos anos (ou seja, quando os alunos ora nos primeiros anos escolares chegarem lá), porque o acúmulo de problemas dos anos anteriores é muito grande.

 

 

Prezado Nassif.

Mas incrível do que os resultados do ensino médio foi o incrível resultado do estado do Rio de Janeiro governado pelo queridinho da grande mídia (leia-se jornal O globo), que conseguiu a proeza de deixar os alunos do Rio com a penúltima nota do IDEB do Brasil.

E ainda tem gente que acredita no jornal o Globo.

 

Há um certo preconceito de que os professores que estão na sala de aula e os alunos não "devem" ou podem participar de debate sobre como melhorar na educação.

Existem sempre os seres supremos, acima dos que trabalham nas escolas, a ditar como a escola deve funcionar. É igual quando o professor vai escolher o livro didático, ignora-se totalmente a opnião dos alunos sobre o material.

Trabalhei 4,5 anos no ensino fundamental em São Paulo (capital), em escola pública e particular. Em ambas, além do salário baixo e da falta de uma estrutura moderna, a “ausência” dos pais é algo assustador e muito preocupante. Há que se responsabilizar as famílias judicialmente pela educação de seus filhos! Não apenas nos crescentes casos de violência, mas também no não acompanhamento do aprendizado.

Saí da sala de aula com duas sensações, em relação ao trabalho docente: 1) que exercia mais um papel de “carcereiro” do que de educador; 2) que meu papel era muita mais o de “cuidar dos filhos dos outros enquanto eles trabalhavam” do que produzir conhecimento escolar. Curioso: uma das coisas que mais ouvi dos pais quando estes eram chamados na escola é: “mas eu não posso fazer nada, eu trabalho”.

Os professores e a escola em geral não estão preparados para trabalhar com a "desestruturação da família" e não há nas escolas psicólogos nem psicopedagogos, ou seja, profissionais capacitados para este tipo de acompanhamento. Ignora-se simplesmente a condição psicológica do aluno (a) e exige que ele (a) aprenda/domine os conteúdos exigidos pelo currículo.

Os indicadores podem sim ajudar na melhoria da qualidade da educação brasileira, desde que os números sejam “humanizados”, levem em consideração que educação é uma relação estritamente humana, animada, e não simples objetos de observação.

Um abraço 

Obs: este meu post é repetido de outro tópico.

 

Eta! Enio resolveu girar a metralhadora. Vamos lá (para ele não tentar achar cabelo em ovo): fui da equipe de Paulo Freire, fui assessor nacional da CUT na formulação do programa de formação sindical para o meio rural, desenvolvi o programa de formação continuada para os 130 mil professores na gestão Itamar (quando a secretaria estadual de educação estava nas mãos do PT), ajudei recentemente a implantar a reforma currilar da rede municipal de ensino de Governador Valadares (governada pelo PT), fui condecorado com a Grande Medalha do Mérito Educacional de MG, fui professor do mestrado e doutorado em educação. Finalmente: sou mais bonito que o Magnoli e falo sou educador há 31 anos. O que falei na entrevista, grande parte já foi publicada no Brasil e no exterior, como revista Iberoamericana de Educação, Educação & Sociedade (Unicamp) e outras. Sugiro ao Enio ficar mais tranquilo e não começar socando abaixo da cintura. Mesmo porque eu disse claramente que mais dinheiro com esta concepção atual não adiantaria muito. E ele vai justamente citar o aumento de recurso!!! Como nós, que fundamos o PT, temos a lamentar com tais simplificações atuais.

 

lembrei de indicar o roque citadini (ele está aqui falando sobre o caso do goleiro bruno) p falar sobre a viabilidade (ou não) de vincularmos a avaliação das contas dos municípios ao princípio da eficiência, usando o ideb como referência. nem discuto mais a efetividade do ideb, ele pode ser aperfeiçoado , mas é um instrumento mt bom. estou  tentando pensar do pt de vista do cidadão comum (presunçoso eu, rsrs). a sociedade destina 25% da arrecadação dos impostos p os gastos com educação. essa msma sociedade não merece mais do q tem sido apresentado até agora?

 

Rudá Ricci , sociólogo, foi fundador do PT, mas deixou o partido na década de 1990.

Algo mais, Dr.?

 

E daí? Isso é o cúmulo. As idéias dele sao ou boas ou ruins independentemente disso.

 

Não, Anarquista.. lúcida.

As idéias dele estão cheias de ódio, estão carimbadas.

E são utópicas, como acontece em grande parte do PT raivoso.

 

Oraits?

 

Preciso de um cartão seu, urgentemente. Você faz terapia em casa?

Tenha a Santa Paciência! Isto é o mesmo argumento das ditaduras quando respondem críticas. Responda as críticas e deixe de transformar em questão pessoal. Seja mais adulto, rapá!

 

Texto muito bacana, dá para entender quem não é do ramo.

Mas, lendo-o e divagando um pouco, falta uma coisa: respostas concretas.

Diz-se muitas coisas que estão erradas, ou poderiam ser melhores, de coisas que fazem sentido mesmo serem mudadas: COMO!?!? Todos entendem os problemas, mas poucos conseguem formular respostas NA PRÁTICA.

Não adianta falar o que deve ser feito, deve-se ter um modelo de verdade e plausível para ser analisado. Não tem recurso infinito, não tem pessoas infinitas: tem que resolver a questão priorizando o que é mais necessário, e descrever como vai ser, como vai medir, como vai avaliar.

 

sugiro posts específicos sobre o conceito de efeito-escola e sobre o conceito de fluxo.  tvz esse menino fernando (desculpe fernando) possa abordar alguns desses problemas. a diferença que a escola faz na vida da criança é, em resumo, o efeito-escola. tb é importante lembrar que junto com a prova brasil são aplicados questionários, nos alunos, professores, equipes e diretores. é uma pena que o inep não divulgue os dados desses questionários junto com os resultados da prova brasil. insisto em chamar a atenção p o fato de que existem cidades onde a estrutura( incluindo salário dos professores)é mt boa e o resultado não é nenhuma brastemp. o desafio da reprovação não é enfrentado sériamente. dou um pequeno exemplo, lateral a essa questão porém pertinente. gostaria de conhecer o sistema de ensino que permite que os alunos participem (sem direito a voz nem voto...p os professores não enfartarem) dos conselhos de clase e série. ah como isso faria bem à democratização da educação. outra coisa: aulas atribuídas e não escolhidas. mais uma : concurso de ingresso com prova prática, além da escrita (dissertativa e de múltipla escolha). vamos experimentar monitorar a presença ao longo do ano e auditar a frequencia do aluno. não vale mascarar colocando matrícula cancelada p esconder a evasão. volto a falar do critério de eficiência p a avaliação  das contas do município por parte dos tribunais de contas , câmaras municipais e outros

 

Concordo com o Taniguti.

O atual conjunto de políticas integradas do MEC vai além do IDEB.

Educação não um assunto simples, num país de dimensões continentais como Brasil, muito menos.

O IDEB é importante porque coloca na pauta o tema da qualidade da escola de forma inteligível para qualquer mãe ou pai, mesmo entre os não escolarizados.

Como me disse certa vez, uma diretora de escola pública de Ensino Médio, aqui em São Paulo, meio envergonhada: com o IDEB, literalmente, o mundo inteiro sabe agora a nota da minha escola.

 

"Ninguém pensa no aluno, ninguém pensa na família. A questão é melhorar o indicador."

Sem pensar no aluno e na família não há como melhorar o indicador:

Ainda faltam três dias para o encerramento das inscrições no Enem, mas meu filho não vai poder fazer a prova. Como todo adolescente, avoado e despreocupado, ele não prestou atenção na exigência de CPF próprio para se inscrever no exame. Achou que poderia usar o meu, como às vezes faz, até perceber que não podia. Aí veio me pedir ajuda, mas não há mais tempo dele pedir - e receber - um CPF próprio em tempo de fazer a inscrição, que se encerra somente na sexta-feira, dia 9.

Pelo jeito nós não estamos sozinhos. O Ministério Público Federal requereu a suspensão dessa exigência, que pegou muitas famílias de surpresa, mas o Inep insiste em mantê-la. É impressionante como uma instituição que lida com  milhões de adolescentes seja incapaz de conhecer o comportamento e as dificuldades próprias da idade. O Inep devia chamar Inepto.

Custava ter feito uma campanha prévia de esclarecimento para as famílias terem informação e tempo suficientes para se adaptarem às exigências? As famílias só, não: duvido que a Receita Federal esteja preparada para atender essa demanda em tempo récorde. Tem razão o MPF em prostestar.

06/07/2010 - 12h49

Inep diz que vai recorrer de decisão que autoriza inscrição no Enem sem CPF Da Redação Em São Paulo

O Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) divulgou nesta terça-feira (6) nota em que afirma que vai recorrer da decisão da Justiça Federal no Rio de Janeiro que autoriza a inscrição no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) 2010 sem o número do CPF. A liminar foi concedida após um pedido do Ministério Público Federal.

http://educacao.uol.com.br/ultnot/2010/07/06/inep-diz-que-vai-recorrer-d...

 

Complementando...
Tornou-se comum falar que a educação infantil é o que há de melhor na educação brasileira.
Eu pergunto: será?
Dizer que as orientações pedagógicas de Piaget e Walon são o que há de melhor depende das preferências ideológicas. Talvez funcione para crianças de determinada classe social - as que vivem nas mesmas condições em que viviam as crianças que Piaget (um suiço) observou.
O melhor desempenho dos primeiros anos do ensino fundamental em relação ao últimos anos provavelmente decorre de nossos problemas sociais.
As crianças até 10 anos tem mais oportunidade de estar na escola do que as que tem mais de 10 anos. Os anos finais do ensino fundamental disputam a criança (e adolescente) com outros espaços, especialmente o trabalho.
Os alunos mais velhos também já foram mais atingidos pelas reprovações. Para eles a escola tem menos sentido do que para os pequenos. No ensino médio fica ainda pior em função do acúmulo dos problemas.
Quanto ao vestibular como vilão - isso é sempre falado, faz anos. O problema é que a grande maioria dos alunos que estão no ensino fundamental não vão para o ensino médio e muito menos para o vestibular. Temos de lembrar que vestibular é rito de passagem da classe média alta.  Como todo rito de passagem, ele dói.
Se falarmos em currículos inadequados aí pode ser. É preciso lembrar que há um currículo nacional que é complementado pelas propostas locais (estados e municípios). Mas, no frigir dos ovos, quem define o que vai ser o dia a dia, as matérias de estudo são os professores. Ora, se eles definem abordagens não adequadas não há parâmetros curriculares ou propostas curriculares que resolvam.
Essa definição, no fim, depende da formação do professor, de suas experiências (inclusive como aluno - afinal muitos professores reproduzem aquilo que viram como alunos), dos materiais didáticos - especialmente os livros didáticos (que cá entre nós, melhoraram bastante nos últimos 15 anos, mas ainda são péssimos). 

 

Com todo o respeito que devemos ao Rudá, mas há algumas coisas que estão fora do lugar.
Em primeiro lugarm, não há IDEB de português e IDEB de matematica. O IDEB é um indicador que combina a média obtida na prova Brasil (conjunto que reúne provas de língua portuguesa e matemática) e a taxa de aprovação. A escala da prova Brasil vai de 0 até 500 pontos e, por isso, ela é ajustada para uma escala de 0 até 10 pontos por meio da comparação com o resultado do SAEB de 1997). Assim, o IDEB é um só. Trata-se de um indicador genérico. Ele não possui problemas técnicos. O que é discutível nele é, como comentei ontem, O problema conceitual. Há uma premissa dentro do IDEB: considerar que é possível equalizar dentro da escola (ou do sistema escolar) a seletividade derivada de um maior ou menor "aperto" na avaliação para fins de promoção e o rendimento da aprendizagem. Ou seja, a escola (ou sistema) escolhe entre reprovar mais e ter alunos mais proficientes no final do ciclo escolar ou reprovar menos e deixar que alunos que aprenderam pouco cheguem ao final do ciclo. Esse verdadeiro "chute" está posto como elemento chave no texto institucional que apresentou o indicador.
É fácil mostrar o problema conceitual: você pode ter uma escola que ensina pouco, reprova muito e, por isso os poucos alunos que chegam no final do processo não sabem nada.
Mas, nem por isso o indicador é ruim. Tecnicamente ele é bom. Isso porque se o resultado dele é alto temos certeza de que as coisas estão funcionando: o fluxo escolar está regular e a aprendizabem é boa.
Então, como qualquer indicador, o ideb é uma espécie de sinaleiro. Se acende a luz vermelha é necessário olhar para os dados das avaliações gerais para descobrir o que está acontecendo.
É por isso que o Boletim do Prova Brasil (não boletim do ideb - que nem existe) é importante. Nele estão os resultados obtidos pelas escolas na prova Brasil. Não apenas a média mas a distribuição dos alunos na escala de competências atingidas.
Pelo boletim os professores ficam sabendo quantos alunos (da 4ª e da 8ª séries - separadamente) alcançaram cada conjunto de habilidades em português e matemática.
Os patamares da escala não correspondem, portanto, à domínio de conteúdos (não se trata de o aluno não saber o que é fração, polinômio, advérbio ou função sintática). O resultado da prova Brasil mostra quais são as habilidades que os alunos alcançaram. Ou seja, se o menino consegue localizar uma informação num texto, se ele visualiza uma proporção entre diferentes quantidades.
Como negar que isso é útil para o planejamento na escola. A não ser que nós fiquemos amarrados aos preconceitos de muitos dos formadores de professores (principalmente das Faculdades de Educação) em relação à competências, habilidades - porque são tecnicistas, comportamentalistas, neoliberais e por aí vai.
Ao mesmo tempo, palavras de ordem não servem. Dizer que não estamos formando líderes é bom para colocar no título de uma chamada de um texto que vai para a mídia. Mas é uma afirmação vazia. Formar líderes é algo muito complexo e está para a além da escola.
Cabe à escola, porém dar sim boa instrução para que o menino ou menina saiba fazer coisas importantes para a vida e para o trabalho.

 

Amigo Rudá,o caminho a ser percorrido,não seria o que está gradativamente sendo feito pelo Min.da Educação,iniciado pelo Fernando Haddad,e com o apôio explícito do Preas.Lula ?

Claro que a formação destes líderes não pode ser feita por "canetadas"é preciso investimento a longo prazo; É preciso reverter os viciados métodos educacionais brasileiros,que não dava aos mais pobres da sociedade,a oportunidade de estudarem em Faculdades superiores,e assim os futuros talentos,caiam no vazio.

Na festa de formatura da turma de medicina na qual o Prouni "bancou" a maioria do custo dos formandos,e na qual estiveram presentes o Pres.Lula,houve uma hora em que alguns formandos tiveram a chance de reconhecer publicamente esta revolucionária metodologia que permitiu que aqueles menos afortunados,pudessem ter a chance de estudar e virarem "gente",e a resposta do Pres.Lula foi a seguinte: Foi preciso que alguem que sequer frequentou uma faculdade(por falta de oportunidade)mas que galgou a sua chance na mobilidade social,e chegou ao mais alto cargo político da nação,para inverter os valores educacionais brasileiros,e dar chance a todos os interessados e com alguma chance,de completarem seus estudos e serem líderes nas suas especialidades. O chôro de uma formanda do Pará,de nome Sara,foi a coisa mais bonita e sensível que um ser humano poderia fazer,e o indicativo de que as coisas neste país,no que tange à educação,estão mudando.

 

Os poderosos  vieram na escuridão, e destruiram a única rosa do meu jardim; Depois vieram novamente às escondidas, e destruiram todas as minhas roseiras, porem jamais conseguirão impedir, a chegada da primavera.

Raí,

comece me explicando qual é o projeto educacional do governo Lula. Lembro que começou com Cristovam Buarque, que retomou o hino nacional nas escolas e o fim do analfabetismo em quatro anos, além do aumento do tempo do ensino médio em 4 anos e o vestibular sequencial. Depois veio Tarso Genro que focou no ensino superior; cotas e cancelamento da abertura desenfreada de cursos de direito e medicina. Agora, com Haddad, só estamos tendo ações de envergadura nestes últimos meses, em especial, centradas no Novo ENEM, certificação de professores e foco no IDEB 6,0.

O governo federal possui um projeto de formação para a cidadania (desde 1997) denominado Educação Fiscal. Mas simplesmente o desconsidera. Poderia rever os Parâmetros Curriculares Nacionais, mas não entra neste campo porque há divergências aos montes no interior do MEC. Enfim, o governo federal é omisso em termos de projeto educacional.

 

nossa, quisera ter tempo para aprofundar as idéias colocadas pelo rudá. concordo com algumas, mas discordo, acredito eu, da maioria, porque acho que são cometidas imprecisões no modo como é vista a realidade da educação nacional.

a resposta à primeira pergunta mostra uma destas imprecisões.é dito que "... o Brasil é um país esquizofrênico do ponto de vista da política educacional...  a educação infantil no Brasil é a mais bem qualificada do ponto de vista pedagógico. Ela se baseia em alguns autores clássicos, que é o caso do Piaget e do Henri Wallon... a medida em que você vai aproximando do ensino médio, em função do vestibular brasileiro, que é um dos piores do mundo, ele focaliza na memorização, não focaliza na qualificação, no raciocínio, no discernimento, na interpretação... começa-se a ter uma influência muito forte das teorias comportamentais."

a educação infantil, hoje, aparece como mais qualificada, não é certamente, porque se inspira em autores como wallon ou piaget, rudá, mas porque estão sendo feitos alguns investimentos nas condições de ensino que repercutem em mudanças na qualidade...

e te digo, o vestibular brasileiro talvez seja o mais sofisticado do mundo e, talvez aí, o seu grande equívoco! ele impõe um conteúdo e um modo de ensinar absolutamente disparatado, onde as coisas fundamentais e simples foram deixadas de lado. aqui é onde situo o grande problema. o vestibular é o projeto de uma grande ilusão!

por aí que se poderia conversar...

 

 

luz

Sr. Luiz Henrique Mendes;

Quais as referências internacionais, afinal em quantos e quais países as pessoas estão realmente estudando para a vida, e o que isto reflete na vida destes países, citando exemplos.

Não se trata apenas de um modelo de educação, mas de um modelo de vida da sociedade capitalista, baseado na competitividade, no individualismo, no imediatismo, na qual o sistema de ensino apenas reflete a pressão socioeconômica, pois as pessoas não querem realmente educação, elas querem é qualificação para o mercado de trabalho, para ganhar dinheiro e consumir, e a vida praticamente se resume a isto aí no conceito geral. E o mundo acadêmico esta inserido neste contexto.

Durante o período de educação infantil a pressão da família é muito menor, num período da vida onde são enfatizados os valores, conceitos e ideais, que serão aos poucos desconstruídos pelo sistema que impõe a competição, passando por cima até da ética, como é comum no mundo do trabalho.

 

 

 

 

Caramba, Nassif. Essa entrevista com o Rudá foi um dos arrazoados mais claros e diretos sobre a educação no Brasil que pude ler em anos. Deveria até mesmo ser lido em toda escola. Eu mesmo vou colocar o texto para circular na próxima reunião de pais e professores da escola do meu filho. Genial.

 

 

 

O brasileiro não sabe pensar e não sei o porquê????

Ahhhh, não brinca, não!

Estamos TOMADOS, desde a Redentora, por um pensamento único, acuado, medroso.

Ninguém consegue ver o que é feito diuturnamente pela mídia, como influencia nosso povo?

Um povo de causar inveja no Aldous Huxley.

Até o Távola sabia, Deus!

Távola professor, não o outro.

Qualé, cumpadi!

 

 

 

Sempre votei em partidos de esquerda justamente porque ACHAVA que se preocupavam mais com a educação.

Eu festejei a vitória do Lula por causa dessa idéia e Fiquei bastante frustrado com o o que fizeram.

Desde SEMPRE eu ouço dizer que a educação é a solução dos problemas. Mas NUNCA vira prioridade.

O povo é extremamente burro, maltratado e essa é sem dúvida alguma a maior covardia que cometemos contra ele: mantê-los embrutecidos na ignorância.

P.s: Há um ponto chave quando o assunto é investimentos: os estados e os municípios não possuem espaço para manobrar, a Lei de Responsabilidade aperta muito.

Qualquer aumento em salário significa um rombo nas contas.

Por isso gostaria de saber sobre a possibilidade de "federalizar" a educação.

 

Muito da análise é correta ... mas criticar o minitoramento de performance e falar que o IDEB não ajuda em nada é estreito.

 

Tb não concordo com essa visão sobre politizaćão das questões do vestibular. Pode ocorrer em determinados lugares, mas não creio que seja regra.

 

Professores sob pressão dos pais?

Um problema reportrado por muitos professores é justamente a falta de participaćão das familias no processo educacional.

 

Exatamente por serem omissos é que transferem a responsabilidade de aprovação dos filhos no vestibular aos professores.

 

Rudá, Nassif,

 De tudo isso que li, não vi crítica ao IDEB, mas sim ao modelo gerencial da educação básica.  Pegando os PCNs, por exemplo, todos os pontos levantados são sugeridos. "Educação para a cidadania", "desenvolvimento de competências e habilidades" eticetera e tal. Só que os PCNs só podem sugerir: quem executa são os Estados e Municípios. 

 O Rudá fala que o IDEB é uma foto, e educação é um filme. Ok, boa analogia, mas o que é um filme senão uma sucessão de fotos? Então, pq não considerar o IDEB apenas um "still" desse filme? Ah, é necessário uma avaliação contínua. Perfeito. Mas quem vai fazer essa avaliação contínua em nível nacional? (BTW, tem um projeto chamado Indique da Ação Educativa que acho bastante simpático; inclusive, envolve Educação e Assistência Social).

Todo mundo está cansado de saber que o desempenho do aluno tem múltiplos fatores. Além dos que o Rudá citou, por exemplo, lembro da vulnerabilidade social do entorno da escola e do equipamento cultural disponível para o aluno.

Claro que colocar a culpa no professor é mais que burrice, é criminoso. E penalizar ou premiar professor por desempenho mais ainda. E é evidente que se não forem dadas condições mínimas para o trabalho do professor (inclusive de segurança pessoal), nem o minimo minimorum ele pode fazer.

Então, "devolver" o IDEB para o professor e dizer "se vire" que é taylorista, não o indicador em si. O IDEB deveria ser analisado e trabalhado nos níveis mais centrais, para priorizar recursos nos pontos mais necessários. Lembra um pouco aquela história de Jesus e os publicanos. 

Quanto às observações a respeito do vestibular e do estrangulamento do ensino médio, lembro aquela velha máxima: "O que o sistema econômico e o mercado de trabalho não dão, o sistema educativo não empresta".

 

"Eu quase de nada não sei. Mas desconfio de muita coisa" Guimarães Rosa - Grande Sertão: Veredas

Sobre a metáfora do filme, o autor quis dizer que o Ideb não acompanha todos os ângulos da educação brasileira em uma velocidade que promova mudanças significativas. Desconsidera o mundo em volta da escola, as relações entre comunidade e escola , professor e aluno, aluno e família , Pais e equipe escolar. O que é essencial na medição da qualidade porque revela como é o microcosmo da escola e mostra qual o problema desse mundo , diferente de um reles momento de duas horas entre o pedaço de papel e um guri armado de um lápis, mais preocupado em descobrir qual pokemon é mais poderoso do que resolver à prova a sua frente. 

 

Cara Juliana,

  E foi por isso que comparei o IDEB ao "still". O "still" não revela movimento, nem coreografia, nem continuidade. É a foto de um momento.

 Mas colocar a culpa no indicador pelo resultado na Educação pra mim é o mesmo que culpar o raio-x pela tuberculose. E o resto do que ele fala é acaciano demais pro meu gosto.

[]s

Mario

 

"Eu quase de nada não sei. Mas desconfio de muita coisa" Guimarães Rosa - Grande Sertão: Veredas

Excelentes reflexões do senhor Rudá Ricci.

Interessante essa questão da importância de um "assistente social" dentro da escola para "estudar" e "amenizar" os problemas sociais, muito influentes no desempenho dos alunos, de qualquer faixa etária que seja.

"Nós estamos formando gente que é heterônomo, ele pensa pela cabeça do outro".

O maior perigo aqui não é estar formando heterônomos que pensam com as cabeças alheias (de repente a cabeça alheia pode ser uma muito boa), é estar formando indivíduos formados pela mídia. Um exemplo tosco: bulling. Todos estão tentando orientar professores e pais sobre a questão, que por sua vez chegam aos alunos. Mas aí o aluno sintoniza um canal de esportes, por exemplo, ou entra no YouTube, e assiste a uma matéria extremamente "bulliana" como aquela sobre o Paraguai realizada pela Globo. A matéria foi contra tudo aquilo que estão pregando justamente contra o bulling. Se tiver um coitado de um paraguaio na escola, o cara ta ferrado.

Um dos maiores obstáculos para a educação a meu ver, será quebrar estes valores pregados pela mídia. Outro exemplo tosco: na novela das 21h anterior da Globo, a única personagem explicitamente retratado como pobre, era mulato quase negro, foi morar na favela, se envolveu com bandidos "da favela" e acabou morto. Do resto das personagens, eram todos bacanas, andando de carrões, morando em casas maravilhosas, sempre muito bem vestidos. Este é o estereótipo de sociedade "vendido" pela TV. Pobre não tem valores (nem moraes e muito menos financeiros), para ser alguém na vida tem que ser melhor que todos, custe o que custar, e para estar bem socialmente é preciso ter carrão e usar roupas de grife.

Mais ou menos assim sendo (he he he), como fazer com que o aluno aceite valores passados em sala de aula, se estes valores vão contra todos os conceitos pregados pela mídia?

E uma pergunta de interesse pessoal para qualquer um que queira responder: falaram tanto em educação, em métodos, em Piagett, mas onde fica nesse contexto todo o nosso Paulo Freire? Estou longe de ser educador, conheço muito pouco sobre Paulo Freire, mas o pouco que conheço sempre foi pautado em elogios e fatos positivos. Na onda de discussões sobre educação, não valeria um post sobre ele?

 

 

Excelente texto,  Rudá,

este foi na veia....