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A crítica científica ao IPCC

Política do clima: a crítica científica ao IPCC.

De O Globo

Cientistas pedem reforma no painel climático da ONU

Por Louis Charbonneau

NAÇÕES UNIDAS (Reuters) - O painel climático da Organização das Nações Unidas (ONU) deveria fazer predições apenas quando dispusesse de sólidas evidências e deveria evitar a defesa de políticas, afirmaram cientistas em um relatório divulgado na segunda-feira. O documento também pede uma ampla reforma no Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC).

O IPCC foi alvo de uma série de críticas após admitir, em janeiro, que seu relatório sobre aquecimento global de 2007 exagerou sobre a velocidade do derretimento das geleiras do Himalaia. O painel reconhecera antes que havia exagerado sobre o quanto a Holanda está abaixo do nível do mar.

Prob"Probabilidades qualitativas devem ser usadas para descrever a probabilidade de resultados bem definidos apenas quando há evidência suficiente", afirmou o grupo revisor apoiado pelas academias de ciências dos Estados Unidos, da Holanda, da Grã-Bretanha e de outros países.

O relatório diz que o estatuto do IPCC afirma que ele deve ter "relevância política" sem defender políticas específicas. Alguns líderes do IPCC, entretanto, foram criticados por declarações que pareciam apoiar determinadas abordagens políticas.

"Desviar-se para o ativismo pode apenas ferir a credibilidade do IPCC", afirmou o relatório.

A revisão defendeu ainda que o limite de dois mandatos de seis anos para a presidência do IPCC é muito extenso e deveria ser encurtado para apenas um mandato, como ocorre com os cargos de outras autoridades do painel climático da ONU. Atualmente, Rajendra Pachauri, da Índia, é o presidente do IPCC.

O relatório não pediu a substituição de Pachauri, presidente desde 2002. Questionado se consideraria renunciar caso fosse solicitado, Pachauri disse a jornalistas que aceitaria qualquer decisão tomada pelo IPCC.

O documento também pediu por uma reestruturação da administração do painel, incluindo a criação de um comitê executivo que incluiria pessoas de fora do IPCC.

Com relação aos erros dos relatórios do IPCC, o grupo revisor defendeu a adoção de procedimentos de controle mais fortes sobre as revisões científicas do painel a fim de minimizar erros futuros.

Harold Shapiro, professor da Universidade de Princeton e presidente do comitê que revisou o trabalho do IPCC, disse a jornalistas que um relatório de um grupo de trabalho do IPCC "contém muitos enunciados que denotam alta confiança, mas para os quais há pouca evidência".

Shapiro afirmou que a resposta do IPCC aos erros, quando eles foram revelados, foi "lenta e inadequada".

Os erros, disse ele, "não arranharam a credibilidade do processo".

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, reconheceu que houve um pequeno número de erros no relatório de 2007, mas insistiu que as conclusões fundamentais estavam corretas.

(Reportagem adicional de Alister Doyle em Oslo e de Patrick Worsnip nas Nações Unidas) 

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O IPCC apenas revisa literatura. Então, desta forma, apenas pinça entre os trabalhos já escritos o que há de destaque e desenha cenários. Ai, como em qualquer exercício de futurologia , há margem para erro. Mas entre isso há uma tendência e esta é inegável, o descaso com o habitat do homo sapiens e seus outros companheiros animais e vegetais. Continuando assim marchamos a passos largos rumo a extinção.

 

Prezados:

 

O cerne de toda essa questão se prende a uma singela aplicação do método científico à hipótese antropogênica.

Como se sabe, o método científico envolve basicamente: 1) a formulação de uma hipótese; e 2) a comprovação dessa hipótese com dados observados no mundo real. Se os dados observados não se encaixarem na hipótese, ela deve ser abandonada (ou os métodos de coleta de dados precisam ser revistos). Não obstante, mesmo quando um certo conjunto de dados a comprova, é comum que novos dados posteriores deixem de corresponder a ela, com o que é necessário reformulá-la em parte ou totalmente. Em linhas gerais, é assim que a ciência tem avançado.

Agora, examinemos a hipótese do aquecimento global antropogênico (AGA):

1) Hipótese:

O homem está afetando a dinâmica climática com as emissões de carbono (especialmente CO2) posteriores à Revolução Industrial do século XVIII.

2) Evidências:

Para comprová-la, seria preciso que houvesse alguma variação perceptível na evolução de certos parâmetros climáticos, como a temperatura, ou influenciados pelo clima, como o nível do mar, em relação ao comportamento deles ANTES da Revolução Industrial, de modo que se pudesse identificar a interferência humana (que se revelaria por uma aceleração positiva nas variações deles).

3) Fatos:

Segundo o relatório de 2007 do IPCC (AR4), desde meados do século XIX a temperatura média da atmosfera aumentou 0,8oC e o nível do mar, 0,2 m (20 cm). Ocorre que, ao longo do Holoceno, a época geológica iniciada há 12 mil anos e na qual a Civilização tem existido, houve vários períodos MAIS QUENTES e com níveis do mar MAIS ALTOS que os atuais. Por exemplo, no Holoceno Médio, há cerca de 5000-6000 anos, os níveis do mar eram até 3 metros SUPERIORES aos atuais, como se observa em muitos lugares do mundo, inclusive na costa brasileira. Naquela época, as temperaturas médias eram 2-4oC mais altas que as atuais. Igualmente, entre os séculos X e XIII, ocorreu o chamado Período Quente Medieval, em que as temperaturas eram 1-2oC superiores às atuais, conforme indicam centenas de pesquisas realizadas em dúzias de países e em todos os continentes (no sítio www.co2science.org, encontra-se um grande número de artigos referentes a tais fatos).

Da mesma forma, a elevação das temperaturas verificada desde 1870 significa um aumento médio de 0,06oC por década. Ora, na transição de temperaturas que sinalizou o advento do Holoceno, há 12000 anos, as temperaturas subiram de 6-8oC em menos de um século, o que representa uma variação uma ordem de magnitude mais rápida que a dos últimos 140 anos.

Em suma, se há 5000-6000 anos, quando o esterco e a lenha eram os únicos combustíveis usados pelo homem e a Humanidade não passava de algumas dezenas de milhões de indivíduos, houve temperaturas e níveis do mar significativamente mais altos que os atuais, e se o aquecimento global há 12000 anos foi muito mais rápido que o verificado desde o século XIX, não é possível em termos científicos  diferenciar as pequenas variações ocorridas neste último período dentro das oscilações naturais muito maiores ocorridas anteriormente.

4) Conclusão: A hipótese antropogênica não se sustenta nas evidências observadas no mundo real, não passando de projeções de modelos matemáticos bastante incompletos (que são ferramentas úteis para a pesquisa científica, mas jamais devem substituir evidências concretas e ser usados para fundamentar políticas públicas de alcance global).

Como corolário desses fatos, a despeito de todo o apelo emocional do discurso ambientalista, é simplesmente descabido se pretender mudar toda a base energética da economia mundial, que depende dos combustíveis fósseis em mais de 80%, com base numa hipótese que não tem base científica factual. Ou seja, é preciso buscar em outras origens, que não a ciência, as motivações para o alarmismo climático em escala global.

 

É simples assim.

 

Recomendo muitíssimo o artigo "Desmistificando o Aquecimento Global" do Prof. Luiz Carlos Molion da UFAL, pesquisador com mais de 40 anos de experiência em climatologia e outras áreas. É muito esclarecedor. Tem muitos dados interessantes e informações valiosas pra quem gosta e não gosta da área climatológica, LEIAM:

www.alerta.inf.br/files/molion_desmist.pdf

E tem também vários vídeos no Youtube:

http://www.youtube.com/watch?v=JxC_JIwat9s (entrevista na Band)

http://www.youtube.com/watch?v=qB7GcXu9-Vc (aqui ele rechaça a teoria do Aquec. Global Antrop. "na cara" do cara da ONU!)

http://www.youtube.com/watch?v=OnPdU-PY16A&feature=related (entrevista no programa 3a1 da TV Brasil)

Esse é O cara pra mim nessa área! Possui boa parte das respostas.

Mui grato!

 

"Desviar-se para o ativismo pode apenas ferir a credibilidade do IPCC." Faz-me rir quando a ciência se vê em imbróglios e teima em defender as suas origens neutras enquanto a comunidade ciêntifica, feita de homens e não cérebros extirpados de corpo e emoções humanas,   vai pelo caminho contrário como bem colocou o Alfredo: lutas de poder político, conhecimento e recursos financeiros.

Isto de longe não esvazia a relevância dos estudos climáticos só confirma o quanto deve estar mais próximo da realidade vivida e não da idealizada...

 

Região Serrana Fluminense:Vergonha!Vergonha!Vergonha!

O IPCC é o que é, um organismo político, formado com indicações políticas dos países da ONU, que tem uma agenda política.

Construiram um discurso cientificista e o disseminaram, claro, muita gente acreditou, mas as fraudes eram tantas e tão acintosas que deu na vista, a casa caiu.

O próprio presidente do IPCC é um político, nunca teve qualquer atuação em áreas de ciência.

E qual foi a armação política que foi montada? Quais eram os objetivos de fundo? Quem ganhava, quem perdia?

O grande parceiro e suportador do IPCC foi Al Gore, outro que é somente um político profissional. E que tem uma agenda, claro, e vinculada a seu grupo político, a super elite norte americana.

Para o analista político, interessa entender o jogo jogado, e o porque da construção da diretriz que organiza o movimento: "o mundo está aquecendo por causa do CO2 antropogênico".

http://engajarte-blog.blogspot.com

Isto não é um dado científico inconteste, não é mais que uma teoria, mas tem gigantescas implicações,  e é uma teoria que não anda sozinha, interessa qual o jogo político que dá pernas a este enunciado.

 

 

 

Nassif:

O viés político é uma das razões que mais contribuem para o descrédito de muitos quanto às causas e efeitos da variação de temperatura, um fato visível não só nas atitudes do IPCC, que, depois do vazamento de documentos falsos e/ou deturpados sobre o assunto, se tornou uma fonte de baixa credibilidade, como também na postura do Greenpeace, inteiramente irresponsável, frente ao colossal vazamento de responsabilidade da BP, no Golfo do México, e muitas outras ONG’s que têm por hábito ecoar, pelos quatro cantos do mundo as, muitas vezes imprecisas, informações daqueles dois supostamente importantes núcleos de informação.

O IPCC, talvez por ser diretamente vinculado à ONU, de uns anos prá cá praticamente pautou o teor das informações científicas, técnicas e sócio-econômicas relativas à mudança climática, e para isto agregou em seus quadros centenas de cientistas de todos os lugares, estratégia que foi muito útil para conferir ao Painel uma significativa aura de credibilidade, detalhe que conseguiu inibir diversos cientistas com teorias e pensamentos divergentes daqueles apresentados pelo grupo famoso. Em certo momento, um cientista que discordasse das idéias emanadas do IPCC ganhava uma espécie de passaporte para o inferno, com a sua credibilidade sendo imediatamente questionada pelos meios de comunicação.    

Além disto, fazer parte do “quadro ilustre” do IPCC facilitava $$$ para pesquisas- se um determinado cientista pretendesse desenvolver uma pesquisa sobre o comportamento de um hipotético “gafanhoto migrador de asa vermelha”, e acrescentasse ao título “sob a ótica do aquecimento global”, as portas do dinheiro se abriam.       

O fato é que o Painel, ao divulgar sistematicamente papers dos seus apaniguados, teve a capacidade de influenciar negativamente milhões de pessoas no entendimento de assunto bastante complexo, do qual a maioria não detinha, como ainda não detém, suficiente conhecimento técnico para opinar com profundidade. Não deve existir, no país, uma cidade sequer que não tenha um “ambientalista” de carteirinha, pessoa geralmente especializada apenas em baixar arquivos do IPCC (todo dia tinha novidade na internet) e, dali em diante, a ladainha irresponsável, quando qualquer coisa (esquentar um panela prá fazer pipoca, como um exemplo grosseiro) implicava em um efeito que contribuiria para “transformar o planeta numa gigantesca bola de fogo”, ou então, “provocar um degelo que deixaria milhares de cidades sob as águas”, em suma, não havia (como ainda não há) um meio termo para uma discussão sadia sobre assunto que tem implicação direta na vida de todos os seres vivos e que, justamente por isto, não permite pitaco de neófitos.  

Um exemplo real deste fanatismo irresponsável é o caso ocorrido durante a construção do Arco Rodoviário, no RJ, uma obra de vulto que foi paralisada durante várias semanas por conta de um, até então desconhecido, viveiro de uma espécie de perereca com dois cm. de comprimento, chegando ao ponto de o traçado original da rodovia ter sido alterado, pois “o barulho dos carros e caminhões poderia prejudicar o bem estar das ditas cujas”; até agora não foi calculado o preço desta brincadeira de mau gosto. Outros exemplos grotescos existem, como a dificuldade para a obtenção de licença ambiental para a execução de um campo de golfe, esporte realmente bastante agressivo à natureza.

 

Nassif:

Participo muito pouco das discussões do seu blog, mas na medida do possível tento acompanhar as discussões.

No entanto, hoje (e nos ultimos tempos) me indigno facilmente com as discussões sobre a incapacidade científica do IPCC. A tal "ladainha irresponsável" com se referiu o Sr. Alfredo Machado, é nada mais que a repetição da repetição de um número muito pequeno de pesquisadores (muitos deles financiados por grandes corporações interessadas no descrédito científico) que também recebe muito "$$$$ para a pesquisa".

A complexidade do sistema climatico permite inúmeras teorias: escurecimento global, aquecimento global, esfriamento global, entre outras. No entanto, as evidências do aquecimento global e das mudanças climáticas (fenômenos co-relacionados a emissões antrópica de gases de efeito estufa) não estão sendo projetadas apenas pelo modelos matemáticos para os proximos 50 anos ou mais, são fatos presentes e que se acentua constantemente.

Daí analisar um fato isolado não é motivo para chamar de "fatalismo irresponsável" ou mesmo desconsiderar suas evidências e implicação direta na vida de todos os seres vivos, destacando os fatos políticos envolvidos. Uma dica, seria antes de mais nada, pesquisar profundamente as diversas anormalidades climáticas nos ultimos 20 anos. Pegue exemplos o intenso periodo de seca de Darfur (não o fato político que envolve o problema) e a seca na Amazônia,  como apenas 2 fenômenos isolados, mas que diretamente estão ligados (cientificamente comprovados) às alterações climáticas.

Para finalizar, ao se referir ao "preço desta brincadeira de mau gosto", Sr. Machado, pense se não está levando em consideração a reprodução de um modelo de desenvolvimento que está ameaçando a propria vida na terra, colocando o progresso acima de tudo. Não só a vida da "perereca com dois cm" (percebe o desdem na sua colocação?), mas os seres que fazem parte de um ecossistema muito maior e interligado.

A titulo de respeito ao meio ambiente (e suas pererecas), a construção de uma Autobahn alemã possuia em seu projeto original a construção de túneis por onde passar inúmeros animais, incluisive pererecas, para evitar que os mesmos sejam mortos. Eu chamaria esse exemplo de respeito "as ditas cujas", mas iria além, respeito a VIDA.

Enquanto se evidencias o progresso acima de outras questões (inclusive o repeito pela "perereca de 2 cm."), falar em jogo político dentro do IPCC não significa resolver o problema.

Grato.

 

Caro lkbelini:

Obrigado pelo retorno.

Quando me refiro ao quadro de cientistas do IPCC, o faço baseado em fatos lamentáveis amplamente divulgados por todas as mídias, o que não significa que, entre as centenas de pesquisadores que por lá se encontram, todos são incapazes; também é inegável, naquele quadro, a presença de muitos oportunistas, diversos deles a soldo de entidades governamentais. Em caso de dúvidas basta você assistir, sem preconceito, a série “A Farsa do Aquecimento Global”, pois parece que ainda não o fez.     

Quanto à complexidade do sistema climático, é algo fora de questão, daí a necessidade de um debate sem uma grande influência de neófitos em matéria bastante complexa; quanto às séries históricas de alterações climáticas, acredito que devam ser utilizadas as de maior periodicidade, pois séries de vinte anos são demasiadamente limitadas. 

Sobre o tamanho da espécie de perereca que paralisou o Arco Rodoviário, não houve qualquer desdém, ela mede mesmo em torno de 2 cm., e quanto ao preço da brincadeira de mau gosto, pelo jeito divergimos, pois considero todo aquele estardalhaço um completo absurdo que, certamente, custou muito caro ao contribuinte; em minha opinião, esta discussão caminha no mesmo trilho da que foi provocada em torno do aproveitamento do cordão umbilical, algo que sempre foi jogado no lixo sem que ninguém reclamasse sobre o fato e, de uma hora prá outra o mesmo, segundo alguns, passou a ter vida.

Entendo que a Alemanha esteja vários passos à frente de todos os países no trato com a questão ambiental, chegando ao ponto de re-retificar meandros de alguns de seus rios, ou seja, algumas comparações daquele país com a nossa realidade, neste momento, são ingratas- basta andar pelo interior dos dois países prá perceber a diferença.      

Sobre o jogo político que permeia as atitudes do IPCC e de outros institutos ligados à pauta do meio ambiente, é necessário que seja colocado em segundo plano, pois relevante é o aprofundamento da discussão quanto ao aspecto técnico-científico.

A atual, e a meu ver inteiramente equivocada, prevalência da influência política no assunto meio ambiente ficou explicitada na desastrada e extravagante omissão do Greenpeace (seu próprio interesse $$$, já que substancialmente financiado pela BP em suas atividades, falou bem mais alto) por ocasião do desastre inglês no Golfo do México - este desastre tem nacionalidade, daí a imediata interferência do próprio governo britânico nas tratativas posteriores ao ocorrido, pois é do conhecimento geral que a BP possui tentáculos em diversas áreas além do petróleo, principalmente na área econômica, e por conta deste tentáculo, com implicações bastante sérias (apesar de pouco divulgadas) numa Europa que vem enfrentando incontáveis e ainda insolúveis problemas de ordem econômico-financeira em diversos países da zona do euro – aqui no blog já foi publicado um post específico sobre a extensão dos impactos que a falência da BP poderá provocar.

Um abraço

 

E aí, vão caçar o Prêmio Nobel do Al Gore, por fraude?