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A disjunção entre prática e teoria na política

Comentário ao post "O vale-tudo da política, por Mino Carta".

Recoloco uma referência que fiz em um comentário de outra postagem, muito elucidativa para analisar o praticismo em voga - o texto Crítica do Praticismo Revolucionário, de Sérgio Lessa:

http://www.sergiolessa.com/artigos_92_96/praticismo_1995.pdf

"Com o abandono do esforço teórico, a cada geração os «revolucionários» são mais ignorantes, e exibem uma maior estreiteza na sua concepção de mundo. São crescentemente incapazes de apreender a essência do processo histórico, perdendo-se nos seus meandros fenomênicos e fugazes. Sem a compreensão do mundo em que agem, suas práticas são marcadas pelo taticismo, pela absoluta falta de estratégia."

(...)

"Pari passu a esta disjunção entre prática e teoria, ocorre um outro processo, a ela intimamente articulado. Com o esgotamento da crise revolucionária dos anos vinte e os primeiros movimentos de estruturação do que viria a ser chamado, posteriormente, de Estado do Bem Estar Social, a luta política nos países capitalistas avançados é cada vez menos luta de massas contra a exploração capitalista, e cada vez mais a disputa burocratizada pelo poder no interior dos «aparelhos» políticos (partidos, sindicatos, associações, etc.): os militantes vão deixando de ser autênticos revolucionários para se converterem em «aparatchiks», ou seja, funcionários burocráticos de estruturas stalinistas ou reformistas (não nos esqueçamos que, grosso modo, o stalinismo é contemporâneo à gênese e ao apogeu do Estado de Bem Estar Social) que há muito abandonaram a luta contra a exploração do homem pelo homem. Estes dois processos (a cisão teoria-prática e o abandono da luta revolucionária) se determinam reflexivamente, evoluem como faces de uma mesma moeda.

10

(...)

"Com isso as reviravoltas políticas se sucedem e são justificadas como acertadas continuações das igualmente justas linhas anteriores11. É pífio o argumento de fundo a que sempre se recorre nessas ocasiões, mas suficiente para convencer o obediente militante stalinista: a concepção dialética da história «prova» que as coisas, com o tempo, se transformam «em seu contrário». Assim, as reviravoltas são imprescindíveis. Cabe apenas, «dialeticamente», demonstrar como elas são corretas."

(...)

"Isto tem duas conseqüências fundamentais para o nosso tema. Frente à incapacidade para entender o momento histórico, assim como para compreenderem a si próprios, os revolucionários terminam por fazer, da necessidade, virtude: como são incapazes de se constituírem enquanto uma alternativa estratégico-global ao mundo burguês, passam a compreender o «fazer política» como a busca de uma eficiência cotidiana no enfrentamento com a burguesia, centrando todos os seus (parcos) esforços teóricos na busca de uma alternativa ao poder burguês que não implique na revolução. Raciocinam eles que, se temos que ser alternativa à burguesia, temos que saber como administrar o Estado burguês melhor do que a própria burguesia, mostrando assim ao «povo» (pois a esta altura, a centralidade da classe operária já foi perdida) que os revolucionários são confiáveis e, por isso, a eles deve ser entregue o poder político.

Não percebem que este reformismo não tem a menor possibilidade de sucesso, pois administrar o Estado burguês tem apenas um significado histórico possível: se colocar a serviço da burguesia. Pequenas melhorias na administração pública, aqui e ali, são os melhores resultados possíveis de se colocar a serviço dos donos do capital, e tais «sucessos» apenas reforçam a ordem burguesa! Com isto não queremos sugerir uma condenação in totum da luta parlamentar, mas apenas sublinhar que ela pode ser taticamente necessária, mas jamais deixará de ter este conteúdo essencial.

Esse reformismo político, inerente ao praticismo contemporâneo, não é sua única conseqüência. Ao correr atrás dos fatos como o jumento atrás da cenoura, a militância se transforma numa roda viva que torna o estudo uma atividade impossível. Como toda ação é desprovida de uma orientação estratégica, apenas um enorme volume de prática pode manter o militante à tona na luta política. Busca-se, antes de mais nada, conquistar ou manter «postos» em sindicatos, associações ou no poder Legislativo e Executivo. Isto requer uma politicagem cotidiana, de conchavos e articulações, que exaure as suas energias. Além disso, nas «frentes de massa», a luta por um lugar ao sol não é menos esgotante, tornando o cotidiano impermeável à «prática teórica». Ao invés do revolucionário elevar o nível teórico das massas oprimidas (ou, se isto não é possível em todos os momentos históricos, ao menos de suas lideranças), o praticista termina por se rebaixar ao nível cultural a que a alienação burguesa reduziu os trabalhadores."


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Morales,


Achei formidável esse texto de Sérgio Lessa. De novo retomo a discussão que eu travei com você lá no post “A reviravolta européia” de terça-feira, 08/05/2012 às 21:22, aqui no blog de Luis Nassif e originado a partir de comentário de 10n e que pode ser visto no seguinte endereço:


http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/a-disjuncao-entre-pratica-e-teoria-na-politica


Como eu disse em minha réplica enviada quinta-feira, 10/05/2012 às 02:31, para junto do seu comentário de quarta-feira, 09/05/2012 às 22:32, “o Estado reduz as contradições capitalistas, apesar de contraditoriamente constituir em instrumento de dominação capitalista”.


Pela proposta de Sérgio Lessa para que o capitalismo seja superado é necessário que o Estado seja destruído. Para mim, não. O Estado é o único instrumento para a superação do capitalismo, pois sem Estado não há capitalismo e quanto mais Estado mais o capitalismo tem condições de se desenvolver. Estado que só existe se houver carga tributária. Carga tributária que precisa sempre se aproximar dos gastos do Estado para que os gastos do Estado não sejam inflacionários. E gastos do Estado que segundo Adolphe Wagner possuem uma tendência inescapável de crescimento. Ver a respeito da Lei de Wagner – “à medida que a renda per capita cresce, cresce também o nível dos gastos públicos como parcela do produto interno bruto do país” – o trabalho de Vito Tanzi “Impostos Menores no Futuro? A Função Econômica do Estado no Século XXI” lançado em 2004 e disponível em pdf no seguinte endereço:


http://www.esaf.fazenda.gov.br/esafsite/CCB/program_2005/arquivos/FP/p4.4.pdf


No início do artigo de Vito Tanzi há a seguinte passagem:


“Em 1888, ao discutir o nível ótimo da tributação, o economista francês Paul Leroy-Beaulieu concluiu que uma receita tributária equivalente a 5% a 6% do PIB poderia ser considerada “razoável”; 8% a 10% do PIB seria “normal”, mas uma cifra acima de 12% do PIB seria “exorbitante” e prejudicaria as perspectivas de crescimento dos países”.


Menos de um século depois, Arthur Lafer desenvolveu a idéia de Paul Leroy-Beaulieu e, dando base para o surgimento da economia pelo lado da oferta (Supply-side economics) que é mais um Keynesianismo de um só estágio, defendeu que como tanto a alíquota de 0% como a alíquota de 100% não conseguem fornecer nenhuma receita para o Estado, deve existir um ponto ótimo de tributação para a qual qualquer aumento de tributo seja nocivo. Ver a respeito dessa idéia de ponto ótimo da tributação, o tópico na Wikipedia “Curva de Laffer”, no seguinte endereço:


http://pt.wikipedia.org/wiki/Curva_de_Laffer


A prática, entretanto, parece fugir da concepção teórica tanto de Paul Leroy-Beaulieu como de Arthur Laffer, e quando se acompanha a evolução da carga tributária desde o final do século XIX até os nossos dias, observa-se que a cada momento ela aumenta mais. E agora, para sair da crise, o mundo terá que aumentar a carga tributária de 3 a 5%.


Assim, o Estado, fortalecendo via carga tributária, será o instrumento necessário para o desenvolvimento e a superação do capitalismo.


A questão do Estado, não a natureza dele, aspecto com o qual eu concordo com Sergio Lessa, mas a funcionalidade dele como instrumental para superação do capitalismo é o meu ponto de discordância com Sérgio Lessa.


Há um segundo aspecto a ser destacado é a análise da possibilidade de reforma do Estado. Aqui tratarei o Estado como a atividade política. Para Sérgio Lessa o reformismo da política apenas reforça a ordem dominante e é, portanto, fadada ao fracasso. Como eu disse acima não é o que eu penso.


O que eu gostaria de destacar como o segundo aspecto é a distinção entre o reformismo teórico e o reformismo prático. É a discussão do momento em razão do acordo de Lula e Paulo Maluf e da entrevista de Chico de Oliveira no Roda Viva concedida em 02/07/2012 à TV Cultura de São Paulo. A respeito da entrevista vale ver o post “A polêmica entrevista de Chico de Oliveira ao Roda Viva” de quarta-feira, 04/07/2012 às 21:52, aqui no blog de Luis Nassif e que se encontra no seguinte endereço:


http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/a-polemica-entrevista-de-chico-de-oliveira-ao-roda-viva


E para perceber o estilo teórico da análise de Chico de Oliveira é só avaliar o que ele diz agora com o que ele dizia sete anos antes e que foi publicado também aqui no blog de Luis Nassif junto ao post “A opinião de Chico de Oliveira em 2005” de quinta-feira, 05/07/2012 às 15:22 e originado de comentário de Ciro Hardt Araujo em que ele reproduz entrevista de Chico de Oliveira para a Agência Estado de terça-feira, 30/08/2012. O post “A opinião de Chico de Oliveira em 2005” pode ser visto no seguinte endereço:


http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/a-opiniao-de-chico-de-oliveira-em-2005


Desconsiderando um possível ranço de ambos os lados, penso que a maioria das críticas a Chico de Oliveira - Ciro Hardt Araujo iniciou o comentário dele com a entrevista de Chico de Oliveira à Agência Estado e que foi transformado no post "A opinião de Chico de Oliveira em 2005", dizendo “Intelectual também fala bobagem” - não só não avaliam essa distinção entre o mundo do intelectual, que é o mundo da idealização e o mundo do político que é o mundo prático, como, principalmente quando críticos, não dão o justo valor às análises dos intelectuais.


Para mim o intelectual tem o importante papel civilizatório da sociedade. Se há evolução, essa evolução significa que a sociedade caminha da barbárie para a civilização e a diferenciação básica desses dois estágios se manifesta no conhecimento. E é o intelectual que nos traz esse conhecimento.


Transcrevo aqui um comentário que enviei hoje, 07/07/2012, para junto do post “Francisco de Oliveira: “Lula não tem caráter”” de 03/07/2012 de autoria de Pierre Lucena no blog Acerto de Contas economia traduzida e política comentada de Pierre Lucena e Marco Bahê. O post “Francisco de Oliveira: “Lula não tem caráter”” pode ser visto no seguinte endereço:


http://acertodecontas.blog.br/politica/francisco-de-oliveira-lula-no-tem-carter/


Lá eu disse o seguinte:


- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -


“Marco Bahê e Pierre Lucena,


A sociedade evolui pelo conhecimento. Os intelectuais são o motor dessa evolução, mas penso que eles não compreendem a atividade política. Parodiando Elio Gaspari, diria que quem precisa de caráter é intelectual. Político precisa é de representatividade. É como disse aquele representante, senador estadual da Califórnia, Roy Ashburn, republicano, que votou repetidas vezes contra várias medidas que aumentavam os direitos dos homossexuais, incluindo os esforços para expandir leis antidiscriminação e para reconhecer casamentos gays. Segundo ele, os votos dele refletiam o pensamento de seu eleitorado, e não necessariamente próprias posições dele.


Agora, é importante a participação de intelectuais na política. Eles podem ajudar a sociedade ir para frente. Só um partido de intelectuais teria condições, por exemplo, de dizer na campanha para o parlamento europeu que se realizou na Alemanha em 2009, que o lema da Democracia-cristã – “Por Deus, contra a Turquia” era um lema do atraso, do retrocesso, do barbarismo.


Então as declarações dos intelectuais devem ser entendidas nesse sentido de representar a idéia de que traz a civilidade, mas são ainda infantis na compreensão da política”.


- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -


Dar o justo valor a intelectuais como Chico de Oliveira não significa que eu considero que Chico de Oliveira esteja certo. E aqui acredito que ele se distingue de Sérgio Lessa. Para Sérgio Lessa, o reformismo do Estado, da política, é fadado ao fracasso. Para Chico de Oliveira o reformismo é possível, mas ele só obterá êxito se for puro. O mundo ideal da política de Chico de Oliveira não tem condições de ocorrer. É um mundo ideal, teórico, que esquece que o Estado não só é instrumento de dominação, como a política se realiza em um mundo capitalista e não há um modelo ideal de capitalismo, o no máximo o modelo ideal de capitalismo é a própria superação dele.


Clever Mendes de Oliveira


BH, 07/07/2012

 

 


Morales,


Um último acréscimo. O título do post não é seu e creio que pelo comentário de Sergio Lessa e pelo sua frase introdutória ao texto talvez o mais próximo fosse intitular o post de “A crítica teórica ao pragmatismo político”. Faço aqui mais uma análise do título tal como ele é no sentido de que considero que a disjunção entre prática e teoria não se restringe à política, estendendo-se também para a economia.


À direita e à esquerda, os intelectuais interpretam a economia segundo um ideal que é impossível de se realizar na prática. Chamo atenção desse aspecto para lembrar à direita a análise teórica do liberalismo que é muitas vezes trazida aqui no blog em chamadas feitas pelo comentarista Aliancaliberal. O que se observa é que muito da análise dos liberais transcrito pelo comentarista Aliancaliberal é também partilhada pela esquerda.


No meu primeiro comentário para você, enviado domingo, 08/07/2012 às 04:36, aqui neste post “A disjunção entre prática e teoria na política” de sábado, 07/07/2012 às 09:39, eu deveria ter colocado o link para o post “A reviravolta europeia” de terça-feira, 08/05/2012 às 21:22, aqui no blog de Luis Nassif e originado de comentário de 10n, mas cometi o engano de deixar o link para este próprio post “A disjunção entre prática e teoria na política”. Retifico então o equívoco e deixo o link para o post “A reviravolta europeia” a seguir:


http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/a-reviravolta-europeia-0


Pela existência do zero no endereço, é de se observar que este post “A reviravolta europeia” consta também como título de post com a Coluna Econômica de Luis Nassif e que saíra no mesmo dia, mas mais cedo, às 10:19. O endereço do post “A reviravolta europeia” de terça-feira, 08/05/2012 às 10:19, e consistindo da Coluna Econômica dele daquela terça-feira é:


http://advivo.com.br/blog/luisnassif/a-reviravolta-europeia


Fiz esse destaque dos dois posts “A reviravolta europeia” não só para consertar o equívoco e a omissão que eu cometi como também porque lá há alguns comentários de Aliancaliberal que mostram um tanto da idealização que os defensores do liberalismo fazem do sistema econômico capitalista, esquecendo que na prática o capitalismo não tem como funcionar como eles idealizam. Além disso eu também indico principalmente nos comentário que enviei para 10n links onde eu questiono muito a aplicação prática das idéias liberais na economia.


Um dos links nos comentários que eu fiz para 10n é para o post "O filme sobre Margaret Thatcher" de quinta-feira, 29/12/2011 às 08:52. O post traz uma matéria do iG intitulada "Imagem de Thatcher como "Dama de Ferro" é suavizada em filme". O endereço do post "O filme sobre Margaret Thatcher" é:


http://advivo.com.br/blog/luisnassif/o-filme-sobre-margaret-thatcher


No post "O filme sobre Margaret Thatcher", há um comentário meu criticando a idéia do liberalismo sobre a concorrência e que é uma idéia apropriada pela esquerda no que eu chamo de doença do capitalismo tardio acometido pela esquerda recém convertida. Nesse sentido de análise econômica feita afastada da realidade prática recomendo também dois posts mais recentes e posteriores a este post "A disjunção entre prática e teoria na política" e saídos no blog de Luis Nassif. Primeiro menciono o post “A luta por uma economia não cartelizada” de segunda-feira, 09/07/2012 às 08:00, e que saiu como a Coluna Econômica dele. Na verdade, na segunda-feira, Luis Nassif reproduz como Coluna Econômica dele a Coluna Econômica que ele publicou no domingo. O post “A luta por uma economia não cartelizada” pode ser vista no seguinte endereço:


http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/a-luta-por-uma-economia-nao-cartelizada


E do post “A luta por uma economia não cartelizada” surgiu o post “O BNDES e a cartelização da economia” de domingo, 08/07/2012 às 16:30, montado com os comentários de Andre Araujo enviado domingo, 08/07/2012 às 15:55 e do comentário de Mancini enviado domingo, 08/07/2012 às 13:44. O endereço do post “O BNDES e a cartelização da economia” é:


http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/o-bndes-e-a-cartelizacao-da-economia


Ressalto esses posts porque neles se pode ver a análise econômica de intelectuais, e Luis Nassif e Andre Araujo pela profusão e conteúdo de análises que já fizeram sobre a economia brasileira podem ser tomados como intelectuais na área econômica, ainda que não sejam formados em economia, em que se defende um modelo que só é viável na teoria. Não tenho comentários para os dois últimos posts mencionados, mas há outros dois que também cabem como referência e para os quais deixo os links a seguir:


http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/o-cartel-da-carne


http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/o-cartel-invencivel-da-laranja


O primeiro link é para o post “O cartel da carne” de sexta-feira, 15/06/2012 às 12:17, aqui no blog de Luis Nassif contendo comentário de Zanuja Castelo Branco com transcrição de matéria da Agência Câmara de Leonardo Prado e intitulada “Comissão discutirá formação de cartel no setor frigorífico brasileiro”.


O segundo link é para o post “O cartel invencível da laranja” de terça-feira, 15/05/2012 às 08:00 aqui no blog de Luis Nassif. A idealização de uma economia pulverizada só de pequenas empresas é a concepção do liberalismo e restou como última âncora da esquerda que viu desmoronar o modelo socialista.


É de se pensar como se dará a superação do capitalismo. Haverá um salto para um modelo pulverizado ou para um modelo concentrado? Eu desejaria que fosse para um modelo pulverizado, mas creio que o mais provável para se ter economia de escala que o modelo a prevalecer seja o modelo da produção econômica se concentrar em grandes empresas.


Clever Mendes de Oliveira


BH, 09/07/2012

 

 


Morales,


No meu comentário enviado domingo, 08/07/2012 às 04:36, eu transcrevi um comentário que eu havia enviado, sábado, 07/07/2012, para junto do post “Francisco de Oliveira: “Lula não tem caráter”” de 03/07/2012 de autoria de Pierre Lucena no blog "Acerto de Contas economia traduzida e política comentada" de Pierre Lucena e Marco Bahê. No comentário, por não saber como postar links e por falta de espaço e de tempo, eu deixei de lado as referências para determinadas passagens que lá eu mencionei. Deixo as referências a seguir.


O lema da democracia-cristã alemã, "Por Deus, contra a Turquia", na campanha para o Parlamento Europeu, eu retirei do artigo "Entre Berlim e o Vaticano" de José Luís Fiori e publicado em 16/06/2009 no site Carta Maior no seguinte endereço:


http://www.cartamaior.com.br/templates/colunaMostrar.cfm?coluna_id=4374


A minha parodia de Elio Gaspari refere-se à notícia que saiu no livro de Mario Sergio Conti intitulado "Notícias do Planalto" segundo a qual o autor da frase “O povo gosta de luxo, quem gosta de miséria é intelectual” seria na verdade Elio Gaspari e não Joãosinho Trinta como se divulga. Deixo sobre isso dois links. Primeiro para o blog "Evaldo Novelini jornalismo, política e cultura" junto ao post "Joãosinho Trinta, luxo, miséria e intelectuais" de 19/12/2012 e que pode ser visto no seguinte endereço:


http://www.evaldonovelini.com.br/?p=2563


E para um segundo endereço no post "Guzzo e Elio" de 23/09/2010 no blog de Paulo Nogueira, "Diário do Centro do Mundo" e que pode ser visto no link a seguir:


http://www.diariodocentrodomundo.com.br/?p=2286


Luis Nassif tem trazido com freqüência post do blog de Paulo Nogueira e embora eu tenha certa resistência a ele e ele tenha grande admiração por Elio Gaspari, a minha opinião e a dele coincidem nessa avaliação do comportamento não jornalístico de se passar a frase de Elio Gaspari como sendo de Joãosinho Trinta.


E por último deixo o link do globo.com de onde tirei a notícia sobre o senador republicano Roy Ashburn:


http://g1.globo.com/Noticias/Mundo/0,,MUL1521072-5602,00-SENADOR+AMERICANO+QUE+SO+VOTAVA+CONTRA+LEIS+PROGAYS+ADMITE+QUE+E+HOMOSSEXUA.html


É claro que o caso do senador Roy Ashburn, embora real, é mais uma situação fictícia. Na prática uma situação assim não deveria ocorrer, mas ela ilustra bem duas qualidades imprescindíveis aos políticos, não ter caráter no sentido de não se tornar um cabeça dura insuscetível de negociação que só aceita exatamente aquilo que a ideologia admite como certo e ser fisiológico no sentido que ele é cabeça dura apenas na defesa do interesse do representante, mas um cabeça dura maleável que sabe avaliar a condição de minoritário ou majoritário e ir negociando de tal forma a melhor atender os interesses do grupo que ele representa.


A condição de intelectual e político teve nos tempos atuais dois grandes momentos. A eleição e o governo de Fernando Henrique Cardoso e a eleição e o governo de Barack Obama. Como intelectuais os dois têm compromissos com a evolução da humanidade. Como políticos eles não agiram nesse sentido ou não fizeram esforço no processo de esclarecimento da população que é um trabalho intelectual por excelência e que leva a população à civilização.


Sobre Fernando Henrique Cardoso, vale uma olhada no post "FHC combate o fisiologismo que praticou" de quarta-feira, 16/11/2011 às 09:59, e que eu mencionei junto a meu comentário enviado domingo, 08/07/2012 às 23:11, para junto do comentário de Raí enviado domingo, 08/07/2012 às 10:47, aqui neste post "A disjunção entre prática e teoria na política" de sábado, 07/07/2012 às 09:39 e originado de comentário de Morales junto ao post "O vale-tudo na política, por Mino Carta" de sexta-feira, 06/07/2012 às 11:29, aqui no blog de Luis Nassif e originado de comentário de Assis Ribeiro que transcreveu o artigo de Mino Carta "O vale-tudo é mundial" publicado na revista Carta Capital.


Uma passagem interessante de Barack Obama foi o discurso dele à nação no início de 2012. Fiz uma referência a esse discurso junto ao post "O partido industrial, por Renato Janine Ribeiro" de segunda-feira, 13/02/2012 às 10:56, em que Luis Nassif, depois de breve análise reproduz o artigo de Renato Janine Ribeiro publicado no jornal Valor Econômico de segunda-feira, 13/02/2012, e intitulado "O partido industrial". O post "O partido industrial, por Renato Janine Ribeiro" pode ser visto no seguinte endereço:


http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/o-partido-industrial-por-renato-janine-ribeiro?page=1


Deixei o link para a segunda página porque é nela que está meu comentário enviado quarta-feira, 25/04/2012 às 00:32, para junto do comentário de Filipe Rodrigues, enviado segunda-feira, 13/02/2012 às 13:01. Em meu comentário há o link para a "Fala à nação" em que o presidente apresenta o "Estado da Nação" o outro nome em que a "Fala a nação" é conhecida e em inglês chamada "State of The Union". Deixo a indicação do link aqui também:


http://www.washingtonpost.com/politics/state-of-the-union-2012-obama-speech-excerpts/2012/01/24/gIQA9D3QOQ_story.html


Não fiz a crítica ao discurso de Barack Obama, mas quem atentar para o discurso dele verá um discurso cheio de um patriotismo atrasado. Ali Barack Obama não está atuando como o intelectual que é e com isso ajudando a construir a civilização, mas sim como um político que, para ver a opinião dele prevalecer ou para poder ganhar uma eleição, precisa dar esses passos para trás.


Clever Mendes de Oliveira


BH, 08/07/2012

 

Concordo com seu comentário, e quanto à decepção do "puro" Chico de Oliveira, com o Lula e com o partido que tirou-o do anonimato, e elevou-o à condição de intelectual com conteúdo, vejo nas suas atuais manifestações, um certo rancor, por não está mais sendo considerado um ideólogo de pêso, dentro do PT, partido do qual afastam-se todos aqueles "puros" que não aceitam a necessidade de um partido político moderno, de evoluir e aceitar que vivemos novos tempos.

 

Os poderosos  vieram na escuridão, e destruiram a única rosa do meu jardim; Depois vieram novamente às escondidas, e destruiram todas as minhas roseiras, porem jamais conseguirão impedir, a chegada da primavera.

 


Raí (domingo, 08/07/2012 às 10:47),


Valeu o retorno.


Quero lembrar que quando eu disse “Desconsiderando um possível ranço de ambos os lados”, eu me referia tanto ao rancor de Chico de Oliveira para com Lula como também ao rancor dos admiradores de Lula para com Chico de Oliveira. O que eu queria dizer é que, posta de lado alguma animosidade que certamente existe, é possível aceitar a crítica que Chico de Oliveira faz e a crítica ser tomada mais como um elogio do que como um impropério. O próprio Chico de Oliveira vendo que ele extrapolou o limite do bom senso (A falta de caráter a que ele estava referindo-se não era a mesma da compreensão popular) tentou emoldurar a falta de caráter, edulcorando-a como uma questão de oportunismo.


Quem analisa a política tal como ela é de fato e não como se deseja que ela fosse, não considera, por exemplo, a acusação de fisiológico como uma crítica. O fisiologismo é da essência da democracia representativa moderna. Não existia o fisiologismo na democracia direta grega, nem existia o fisiologismo no início da democracia representativa quando se tinha como concepção da representação a idéia de que o representante era eleito por um grupo, mas após a eleição passava a representar o interesse maior da nação.


Com o avanço do processo democrático passou-se a compreender que a representação é superior à democracia direta porque na representação há um processo em que os interesses minoritários podem compor-se e assim defenderem-se do massacre que ocorreria em decisões pontuais. Em outras palavras, na democracia direta, sem acordos e conchavos impera a vontade da maioria com a completa exclusão dos minoritários.


E, como eu disse, no instante inicial do modelo democrático representativo, imaginava-se que o representante, uma vez eleito, deixava de representar o interesse do grupo que o elegeu e passava a representar o interesse de toda a nação. Tratava-se de interpretação da representação que interessava a classe dominante que na época detinha o poder do conhecimento, cabendo a ela definir o que era interesse maior da nação.


Definido o que é o interesse maior da nação não há como existir o fisiologismo que é o atendimento de interesses de grupos em detrimento do interesse maior da nação, mas quando o interesse maior da nação não é conhecido. Conhecido o interesse maior da nação, não há política, não há democracia e também não há fisiologismo.


Então, na política tal qual ela é, o fisiologismo não é uma praga como o acusa de ser um intelectual do porte de Luis Nassif como se pode ver no curto texto em que ele comenta declaração de Fernando Henrique Cardoso e que constituiu no post “FHC combate o fisiologismo que praticou” de quarta-feira, 16/11/2011 às 09:59, e que pode ser visto no seguinte endereço:


http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/fhc-combate-o-fisiologismo-que-praticou


Lá ele inicia dizendo:


“O fisiologismo é uma praga do modelo político brasileiro”.


Trata-se de uma afirmação de um intelectual que peca não só pelo idealismo, mas também por tentar dar uma especificidade brasileira a algo que é mundial. O fisiologismo é próprio do modelo político (ou, entendendo que a política só existe na democracia, é próprio do modelo democrático) mundial. E evidentemente não é uma praga, mas da essência do sistema democrático.


Deste modo, acusar alguém de fisiológico, significa que se faz a esse alguém um elogio.


Clever Mendes de Oliveira


BH, 08/07/2012

 

 Na prática, a política é como uma guerra civil  onde não há não teorias, purismo ou  filosofia. Só estratégias para a conquista do PODER.


De um lado: Uns poucos  "revolucónários ignorantes", que entram na luta POLÍTICA para defender o país e povo.


 Do outro: A maioria,  parlamentares espertos,  que entram na luta POLÍTICA para defender o seu feudo e o seu bolso.


NÓS MILITANTES, acostumados "a luta esgotante  por um lugar ao sol", SEMPRE fomos desdenhados na nossa capacidade de  discernimento,  nas nossaS aspirações e  nos nossos ideais  que hoje sim, coadunam com os de  nossas LIDERANÇAS.


Não haveria o que temer, o "STATUS QUO GOLPISTA", não fosse o "EXÉRCITO DE BRANCALULONE", "fraquinho" "apático" e "deprimido",  CRESCER e se FORTALECER cada dia mais.


Que venha os SERRACENOS!!!


 

 

O negócio vai melhorando a olhos vistos. Tempos atrás, os reformistas - apesar de tudo - procuravam pelo menos polir suas teses com um verniz de marxismo, diziam-se "socialistas democráticos", tinham pretensões internacionalistas - lembro-me de gente como Olof Palme, Willy Brandt, Leonel Brizola...

Hoje, nem fazem mais de conta. A democracia burguesa é o alfa e o ômega dos social-democratas. Rebaixaram a tal ponto a prática e o discurso que abraçaram, como nec plus ultra da justiça social, as teses de Milton Friedman.

Sei lá. Qualquer hora, veremos essa gente (re)descobrindo as teses esquerdistas de Adam Smith, J. S. Mill, Locke etc... bom, se começarem por aí, talvez até aprendam alguma coisa, pois nem liberais sabem ser...

 

Para ser lido com o som da Internacional ao fundo...

Minha nossa mãe do céu...

 

Qual a supresa, Jotavê? O articulista é um marxista e nessa condição expôs seu pensamento. Ou há alguma interdição que não sabemos?

Estranho seria se a acompanhá-lo tivesse a The Star-Spangled Banner ou o God Save the Queen. 

 

 

Uma bela teoria. Se bem que, devido à profunda complexidade epistemológica do texto não entendi quase nada. Só sei que o programa de Lula/PT/Dilma e aliados é o melhor para as nossas cidades, isso basta. Mas com uma leitura bastante atenta dá prá destrinchar o texto, vamos lá então

"Com o abandono do esforço teórico, a cada geração os «revolucionários» são mais ignorantes, e exibem uma maior estreiteza na sua concepção de mundo."

E conheço muitos que são uma verdadeira enciclopédia ambulante mas que, por isso mesmo, por serem tão somente teoria, por não enfiarem sequer um prego numa barra de são [não este por exemplo o caso de Paulo Freire), não ajudam o mundo a crescer, comida na mesa do pobre nem pensar, preferem perder-se nos mundo da ficção. Nada contra as teorias mas ficar só nisso não dá prá engolir.

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[Nesta noite sonhei ou olhei ou fui um caminho
[Num dado momento da história transformei-me numa encruzilhada

[Esquerda ou direita[???????[Ao optar pela direita o caminho acabou[
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Calendário SPIN

Me poupe, Morales! Vc sai na rua? Vc vai na padaria? No açougue? No estádio? Militante revolucionário? ! O que é isso? Quando, onde e como existiu? Ou "militante revolucionário" é aquele que escreve texto que só três pessoas conseguem entender na internet? É escrevendo textos assim que espera fazer a revolução?

 

Marx, Engels, Lenin, Rosa Luxemburgo, Gramsci, Fidel, Ho Chi Min, Mao... Nenhum deles existiu, segundo você ? Ou nao eram revolucionários (com ou sem erros é outro assunto)? E TODOS eles contribuiram teoricamente para pensar a Revoluçao. Nao só, claro. 

 

Você leu o texto? Morales está falando de Brasil. É de Brasil que estamos falando. Dá um tempo com as suas distorções, Anarquista.

 

Distorçao nenhuma. Nao estou concordando com o texto do tópico, apenas reagindo contra o ANTI-INTELECTUALISMO de vocês (seu e do Raí). É o fim da picada dizer (concordando com Figueiredo...) que a teoria nao dá certo na prática, e que termos de teoria social estao a anos-luz da realidade e que sao difíceis demais para serem entendidos. 

 

Mesmo porque, citar Marx para endossar um texto desses, é brincadeira.

 

Pois é, Claudia, o taticismo desses prolegômenos visa dissimular os meandros fenomênicos ocultos na condenação a Lula, Dilma, ao PT, aos petistas, por terem chegado ao poder e não desencadearem  "A Revolução", como no trecho abaixo:

"Não percebem que este reformismo não tem a menor possibilidade de sucesso, pois administrar o Estado burguês tem apenas um significado histórico possível: se colocar a serviço da burguesia. Pequenas melhorias na administração pública, aqui e ali, são os melhores resultados possíveis de se colocar a serviço dos donos do capital, e tais «sucessos» apenas reforçam a ordem burguesa!"

A extrema esquerda anda pari passu com a extrema direita. Ou melhor, andam abraçadinhos, como estamos cansados de ver aqui no blog.

Fico aguardando ansioso o desabrochar d' "A Revolução" por esses heróicos militantes e seus ídolos Heloisa Helena, Babá, Luciana Genro, Plinio de Arruda Sampaio, Marcelo Freixo, Randolfo Rodrigues, Ivan Valente, Chico Alencar, além de Marina, Roberto Freire, Soninha, Gabeira, Penna, etc.

 

Nao, Sanzio, você nao entendeu. Para o autor do post, Heloisa Helena, Baba, Luciana Genro e quetais também apenas disputam burocraticamente espaço no interior dos aparelhos do sistema. Eles nao sao revolunionarios "de verdade", apenas ocupam o lugar que a democracia liberal burguesa lhes reserva. Afinal, eles também concentram "todos os seus (parcos) esforços teóricos na busca de uma alternativa ao poder burguês que não implique na revolução." Prova disso é a sujeiçao ao sistema burguês de organizaçao politica em partidos. Ora, revolucionario "de verdade" nao disputa eleiçao: faz revoluçao!

O que o autor quer mesmo é miséria generalizada, pois so assim se cria substrato para a revoluçao.  Espera-se por uma "catarse de classe" que o "reformismo" so faz postergar. Revolucionario de verdade odeia ver pobre saindo da pobreza, comprando, comendo, consumindo, pois isso é o atestado de vitoria do capitalismo.

Acho que no fundo, no fundo, essa gente odeia o fato de Marx ter existido, ter escrito e publicado: nao fosse ele a alertar a burguesia sobre a inexoravel marcha da Historia, as contradiçoes do capitalismo ja teriam se exacerbado o suficiente para fazer eclodir a revoluçao. Para essa turma, Marx descobriu o segredo, mas caiu na besteira de tê-lo revelado a quem passou a se esforçar continuamente para nao concretiza-lo.

 

Tens razão, Claudinha, não há nenhuma revolução em curso, e nem quando "sonhávamos" com uma democracia plena, e com a teoria política sendo praticada na sua essencia, imaginávamos, que ela efetivamente acontecesse.


Têrmos sócio-academicos que o analista usa, alem de está a anos-luz da realidade, são difíceis demais de serem entendidos.


A teoria política, como aliás todas as teorias, na prática são diferentes, da realidade pensada pelos intelectuais. 

 

Os poderosos  vieram na escuridão, e destruiram a única rosa do meu jardim; Depois vieram novamente às escondidas, e destruiram todas as minhas roseiras, porem jamais conseguirão impedir, a chegada da primavera.

Realmente, o pensamente é difícil demais, melhor abdicar dele... VIVA A IGNORÂNCIA! 

 

Eta sebastianismo comunista que não termina...

 

Não sei por que se deve, obrigatoriamente, lutar contra a exploração do homem pelo homem. Esse discurso nunca "colou", o povo não liga para ele, que depende de algum grande líder para tentar entrar em prática.

Por que existem grandes ideias que não sensibilizam as massas?

Será que são mesmo grandes estas ideias?

 

Estou apenas fazendo perguntas... É bom que se pense nos "porquês".

 

Nao sabe por que se deve lutar contra a exploraçao do homem pelo homem? Nao sabe mesmo, pensou direito no que disse? É a favor da escravidao, por ex.? Ou "só" da exploraçao econômica? Céus, tem cada um! 

 

Morales, foi por isso que o Chico de Oliveira fez apenas um único elogio ao PT no programa, endereçado ao André Singer.

Agora, intelectual que se afasta de reuniões do partido ou de reuniões populares, que crítica transformadora é capaz de fazer?

Apenas na academia, danto aulas, ou publicando, não tem como contribuir.

Paulo Arantes e Chico de Oliveira só falam em auditórios com ar condicionado, passagem e hotel  bem pagos e para plateia simpática formada por orientando, ex-orientandos ou candidatos à orientação...

É preciso participar de discussões, assembleias, processos de formação politica, continuamente.

Apenas partidos do campo da esquerda e movimentos sociais fazem isso.

Gustavo Cherubine.

 

Gustavo Cherubine

"Apenas na academia dando aulas não tem como contribuir".

Com todo o respeito, mas todo o respeito mesmo à sua opinião, discordo completamente.

A direita foi muito mais inteligente, na prática, ao dominar a academia, enquanto a esquerda praticava ojeriza social à elite, abandonando uma instituição importante. Porque a elite "econômica" realmente ocupa a maior parte da academia, mas não é toda a elite "intelectual". E mesmo o dirigente mais esquerdista, passou pela academia - excetuado o Lula e algumas outras exceções pelo mundo, gente que tem um talento político especial.

Só que a direita aproveitou bem o vácuo político-praxista na universidade, e tomou conta, por exemplo, da Escola de Chicago. E a direita tomou a universidade só para ela, inclusive na prática da estruturação de ideologias para a classe dominante. A última vez que a esquerda atualizou Marx, foi em 1917. A direita vem adaptando o discurso em correntes ideologicas academicamente fortes, desde 1930 com o Keynes, depois na em 1960 com os chicago boy das ditaduras na AL, e depois em 1990, com o consenso de Washington. A todo momento se vê um novo discurso relevante, e tirado da Academia. Contribuições das salas de aula, ou, pior, das bibliotecas.

Se você analisar essa corrente bem-sucedida, da Escola de Chicago, nada impediria de ser ocupada pela esquerda, ou gerar ramificações pela centro-esquerda, caso houvesse esforço prático-político.

Como dizer que um grupo de sociólogos que analisava a incidência de crimes na periferia, imputando a responsabilidade às instituições, seria sucedido por um grupo de Chicago Boys que amparou Pinochet no Chile, e depois resultou no Consenso de Washington?

Aparentemente, o nojo da esquerda à universidade, o abandono da luta no campo teórico, tudo isso gera um vácuo imenso onde a direita se espalha, com inteligência.

O programa acadêmico da universidade brasileira é um programa da direita, de natural conservação das instituições. A esquerda, em um ato radical, abandona as salas de aula, e vai fazer grupos louváveis de ação na periferia. Mas a universidade fica abandonada, nenhuma idéia é aprimorada.

Com todo o respeito, eu reformularia a frase. Apenas nas ruas protestando, não tem como contribuir. A transformação social se dá muito em razão da reformulação das idéias da elite dirigente. Que só vai entender que o PIB no nordeste cresceu e gerou dinamismo econômico como o "fordismo" e o "new deal", se alguém interessado explicar, e transformar isso em linguagem acadêmica, simbólica, e de fácil disseminação.

E diria, ainda, que o Lula sem o fundamento e colaboração dos intelectuais como Chico Oliveira, seria um fenômeno político como o Enéas. Uma aparição marcante na TV. E os vários intelectuais que deram suporte ao PT, sem o Lula, seriam meras estrelas no círculo apagado da esquerda na Academia. Um sem o outro, não teriam a menor relevância política, como o PSOL. Não entendo o que estão ganhando se engalfinhando, atacando e negando as próprias origens, simplesmente por atacar, sem intenção de evolução.

 

mas na prática um militante praticista tem mais valor que um militante teórico numa situação de impossibilidade dum meio têrmo porque as ferramentas vão ajustando-se aos trabalhos a serem realizados de acôrdo com a variável "objetivos não estáticos desejados".

 

E quem vai conseguir entender a política ?


Nem o Sérgio Lessa, nem os mais estudiosos cientistas políticos, jamais conseguirão traduzir os constantes movimentos desta prática, que às veses, confunde os observadores, e escandaliza os puros e os que imaginavam esta prática, como sendo uma ciencia exata.


Eu particularmente, na minha insignificante posição de mero coadjuvante, entendo-a como um trampolim de ações, que são feitas ao sabor do momento, e na intenção(às veses utópica) de conseguir está "presente" nas decisões que podem servir aos nossos objetivos, aqueles aos quais nos propuzemos.  

 

Os poderosos  vieram na escuridão, e destruiram a única rosa do meu jardim; Depois vieram novamente às escondidas, e destruiram todas as minhas roseiras, porem jamais conseguirão impedir, a chegada da primavera.

Nassif, da uma olhada no meu texto, e me diz o que acha

http://tecnologiademercado.wordpress.com/2012/07/07/a-luta-contra-o-merc...