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A disputa pelos recursos naturais do Afeganistão

Do Deutsche Welle

Estados Unidos e China disputam recursos naturais do Afeganistão

Além da guerra contra o terrorismo, China e EUA travam há anos uma disputa pelos recursos naturais afegãos. O acesso direto a fontes de energia vai decidir quem poderá manter ou ampliar suas riquezas na região.

China garantiu direito de exploração da maior mina de cobre do leste afegão

Estima-se que as matérias-primas do Afeganistão valham muitos trilhões de dólares. E ainda mais valiosas são as fontes energéticas em outros países centro-asiáticos – uma riqueza enorme e quase intocada, da qual Irã, Paquistão, Índia, Rússia e principalmente os Estados Unidos e China gostariam muito de abocanhar um quinhão. Trata-se da versão pós-moderna do chamado "Great Game", travado no século 19 entre ingleses e russos para ver quem dava as cartas na Ásia Central.

Muitos especialistas são unânimes em dizer que as grandes potências têm interesses que vão muito além do combate ao terrorismo. O acesso aos recursos naturais ainda não está suficientemente regulamentado, diz Thomas Greven, professor de ciências políticas na Universidade Livre de Berlim. "Na pior das hipóteses, quando se trata de conflito, não adianta ter um contrato de exploração de matérias-primas. O acesso aos recursos naturais precisa ser assegurado por meio de bases militares e políticas de segurança".

Quem dará as cartas?

Os Estados Unidos e a China concorrem pelas fontes de matérias-primas do mundo há pelo menos uma década. Ambos os países sabem que o acesso direto a fontes de energia vai decidir quem poderá manter ou ampliar suas riquezas.

O novo "Great Game" na Ásia Central é também uma batalha para decidir se o século 21 será chinês ou norte-americano, diz Thomas Greven. "Os Estados Unidos não ficam indiferentes quando recursos naturais são encontrados no Afeganistão ou eu outros países da Ásia Central".

Além do mais, diz o cientista político, desagrada a Washington que Pequim tente reivindicar para si os recursos naturais do Afeganistão, sem tomar parte na luta contra o terrorismo no país. Há anos que o governo chinês empreende uma ofensiva "política de aquisições" no Afeganistão e em outros países centro-asiáticos. Por exemplo, para irritação de Washington, Pequim assegurou os direitos de exploração da maior mina de cobre na região leste do Afeganistão. Preço: três bilhões de dólares. Sobre as estradas construídas pelos Estados Unidos, em breve vão transitar caminhões lotados em direção à China.

Oficialmente, Pequim nega as ambições políticas de se tornar uma superpotência no Afeganistão e na região. No entanto, muitos observadores acreditam que a China tem o objetivo de ser a potência dominante, pelo menos na Ásia. Para Jürgen Stetten, chefe do departamento para a Ásia na Fundação Friedrich Ebert, a verdade está em "algum lugar entre uma coisa e outra".

Longe do conflito direto

Na opinião de Stetten, "mesmo que quisesse, a China não pode mais se dar ao luxo de não entrar em um jogo de geoestratégia. E isso vale especialmente para regiões como a Ásia Central e para o conflito no Afeganistão".

Até agora, a China tem evitado confronto direto com os Estados Unidos. A emergente potência mundial sente-se ameaçada pela presença dos cerca de cem mil soldados norte-americanos em suas vizinhanças. Os planos dos Estados Unidos de permanecerem engajados no Afeganistão depois de 2014 preocupam Pequim, diz Stetten.

"Está claro que a China não tem nenhum interesse em estar rodeada de bases militares norte-americanas." Mas a República Popular sabe que será muito difícil livrar-se dessa situação, pelo menos em médio prazo, explica o especialista. E por isso, acredita Stetten, o governo chinês concentra-se em uma estreita cooperação com o Paquistão – país localizado nas vizinhanças da China e também do Afeganistão.

Aliança estratégica

A proximidade do Paquistão significa muito para a China por vários motivos: primeiro, Pequim vê em Islamabad um forte aliado contra a Índia – seu maior rival na região. Em segundo lugar, a China acredita que com a ajuda do Paquistão possa fazer valer seus interesses no Afeganistão, especialmente depois da saída dos Estados Unidos.

O especialista prefere não fazer previsões sobre o resultado do novo "Great Game". Ainda continua em aberto quem sairá vitorioso desse jogo. Já para o Afeganistão, isso pode significar um desastre, diz Stetten. Por quê?

"Porque um retorno dos talibãs ou mesmo disputas entre os grandes rivais na região, seja China, Índia ou Estados Unidos, levariam o Afeganistão a um conflito permanente, do qual o país não conseguiria sair em um futuro próximo", responde Stetten.

Autor: Ratbil Shamel (ff)

Revisão: Carlos Albuquerque

FONTE: DEFESANET

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12 DE JUNHO DE 2011

Militares paquistaneses “enquadram” os EUA

M K Bhadrakumar, Indian Punchline

Pakistani military tells off the US

Traduzido e comentado pelo pessoal da Vila Vudu

Comentário entreouvido  na Vila Vudu: Essa matéria talvez pareça excessivamente ‘local’, ou distanciada da realidade brasileira. Talvez seja, mesmo, muito distante (talvez nem tanto). Mas é tão deliciosamente estimulante ver alguém “enquadrar” o ânimo beligerante imperialista neocolonialista tresloucado do governo Obama, que a matéria aí vai, traduzida. Além da delícia, é matéria altamente jornalística que, contudo, nenhum jornal brasileiro publicará.

Um prazer e um furo! E ainda se comprova que qualquer um, com pequeno esforço, num sábado à tarde, faz jornalismo muito melhor – e oferecido gratuitamente –  que o “jornalismo” de araque que, no Brasil, é impingido pelas empresas de comunicação a consumidores pagantes.

- - - - -

A Conferência dos Comandantes dos Altos Corpos do Exército [orig. Corps Commanders Conference] do Paquistão, em Rawalpindi, sempre é ocasião especial para os que acompanham o quadro no Paquistão, esteja o país sob governo militar ou civil. O relatório, redigido em termos sucintos pelo Serviço de Relações Públicas do serviço secreto do Paquistão [orig. Inter Services Public Relations (ISPR)] é sempre dissecado, à procura de pistas sobre o que o exército esteja pensando. Mas o relatório liberado para a imprensa depois da Conferência da 5ª-feira passada[1], que foi presidida pelo comandante geral do exército Parvez Kayani, é excepcional, pela extensão, estilo e conteúdo.

Bem evidentemente, o exército está assumindo a dianteira do chefe do governo, em campanha para reconquistar a confiança da nação, depois de gravemente abalada no pós-Abbottabad [2], quando os militares foram acusados de incompetência na defesa da segurança nacional e pelo papel que têm tido na guerra comandada pelos EUA. O exército paquistanês sentiu que precisava emitir informação clara sobre as relações militares com os EUA. 

É tema altamente sensível, mas Kayani resolveu que era indispensável explicar-se à opinião pública. Os militares querem mostrar que as futuras negociações com os EUA serão transparentes. E, ao mesmo tempo, enviam sinal claro aos EUA de que suas relações militares não podem continuar a ser como antes. Na Conferência de 5ª-feira, foram tomadas as seguintes decisões:

a) Os militares paquistaneses, doravante, dispensarão qualquer assistência militar direta dos EUA.

b) Os militares pedem que o governo redirecione para projetos econômicos todos os fundos recebidos dos EUA a título de assistência militar.

c) A real ajuda militar recebida dos EUA nos dez anos desde o início da guerra do Afeganistão não passou de 1,4 bilhão de dólares. Dos 13-15 bilhões de dólares de que os EUA falam, o Paquistão só recebeu, de fato, 8.6 bilhões, dos quais 6 bilhões foram usados pelo governo civil para “apoio ao orçamento”.

d) As relações entre militares paquistaneses e militares dos EUA passarão, doravante, a ser incluídas no âmbito mais amplo das relações governamentais entre o governo do Paquistão e o governo dos EUA.

e) As relações entre militares do Paquistão e militares dos EUA foram “reavaliadas” no novo contexto que se criou depois da operação Abbottabad [2].

f) A força bélica dos soldados dos EUA estacionados no Paquistão já foi “drasticamente” reduzida.

g) O exército do Paquistão não precisa de nenhum tipo de assistência dos EUA para treinamento de militares.

h) Qualquer tipo de cooperação, no plano das agências de inteligência, será construída em termos estritos de “reciprocidade e perfeita transparência”.

i) As agências dos EUA já foram notificadas de que estão proibidas de executar operações de inteligência “independentes” em território do Paquistão.

j) Os militares paquistaneses não cederão a nenhum tipo de pressão dos EUA para que executem operações no Waziristão Norte. Operações dessa natureza só serão empreendidas algum dia, se houver “consenso político”.

k) Os ataques por aviões-robôs norte-americanos manejados à distância (drones) “não são aceitáveis em nenhuma circunstância. Quanto a essa decisão não deve restar nenhuma dúvida nem permanecer qualquer ambiguidade”.

l) “A situação interna do Paquistão é o fator mais importante a ser considerado e nada lhe tirará essa prioridade”.  

Essa dura resposta veio dias antes do esperado anúncio, por Obama, da redução do número de soldados do Afeganistão. Os esforços dos vários importantes agentes dos EUA nas últimas semanas – John Kerry, Hillary Clinton, Mike Mullen – para restaurar a fratura exposta no relacionamento entre militares do Paquistão e militares dos EUA, deram em nada.

A política para a ajuda militar dos EUA é discutível, porque, de fato, o exército paquistanês tem orçamento à parte, separado do orçamento do governo. Claramente, os militares paquistaneses não confiam nas intenções dos EUA. A desconfiança se manifestou já durante o caso Raymond Davis, agente especial da inteligência norte-americana que foi preso no Paquistão em fevereiro-março. Durante os dois meses durante os quais foi interrogado pelo serviço secreto paquistanês em Lahore, Davis falou muito sobre a extensão da penetração da inteligência dos EUA no Paquistão. 

O documento do ISPR conclui com decisão absolutamente espantosa, que mostra muito claramente o quanto consideram grave a situação da segurança interna: o exército do Paquistão exige que os EUA suspendam todas as operações secretas [orig. covert operations]. 

O documento nada diz sobre a guerra do Afeganistão, embora Hamid Karzai seja esperado em Islamabad na 6ª-feira. Não há sinal de que a cooperação de inteligência com os EUA tenha qualquer possibilidade de restauração. A questão dos ataques com aviões-robôs não tripulados, drones, já é ponto claro de discórdia; e que ninguém espere que o exército do Paquistão ataque [a al-Qaeda] no Waziristão Norte.

http://redecastorphoto.blogspot.com/2011/06/militares-paquistaneses-enquadram-os.html

 

Talibã acertam terrível martelada na OTAN

14/07/2011

Por Pepe Escobar, Asia Times Online

Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Jornalistas e jornais de repetição em todo o mundo, de Washington a Bruxelas e Cabul, têm pela frente muitas noites em claro. A opinião pública mundial tem sido manobrada, a golpes de ‘choque e pavor’, para crer na quimera de que os EUA e a OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) estariam ‘vencendo’ a guerra-pacote de Obama no Af-Pak. OK. Agora, então, vamos aos fatos.

Imediatamente depois que o governo dos EUA decidiu “suspender” a ajuda de 800 milhões de dólares ao exército do Paquistão, o ministro da Defesa do Paquistão, Ahmed Mukhtar, disse ao canal local da Express TV, que “Se as coisas ficarem realmente difíceis, retiramos todas as nossas forças” – sugerindo que desapareceriam os soldados de Islamabad que combatem os guerrilheiros da maioria pashtun nas áreas tribais.

Mukhtar não poderia ser mais claro: “Se os EUA recusam-se a nos pagar, OK. Não temos como manter nossos soldados nas montanhas por período tão longo.”

É praticamente prova fotográfica de que, mais uma vez, o exército paquistanês joga – relutantemente – o jogo do contraterrorismo/contraguerrilha de Washington nas áreas tribais. Por mais que Islamabad tema o nacionalismo pashtun, o exército sabe que tem de andar com cautela extrema, ou terá pela frente rebelião tribal em massa dos pashtuns, o que clamará aos quatro ventos o supremo tabu: a consolidação de um Pashtunistão, que destruirá o Paquistão que conhecemos hoje.

Cai o senhor-da-guerra

E houve também o presidente Hamid Karzai, o fantoche que, reza o folclore local, mal controla o próprio trono em Kabul, falando em conferência de imprensa ao lado do libertador da Líbia, o neonapoleônico presidente Nicolas Sarkozy da França, que visitava o Afeganistão.

Karzai disse: “Dentro de cada lar do povo afegão todos sofremos a mesma dor. Nossa esperança é que, se Deus quiser, chegarão ao fim a dor e o sofrimento do povo afegão e se implementarão a paz e a segurança.”

Mas é discutível que muitos afegãos sintam muita dor e sofram muito ao serem informados do assassinato de Ahmad Wali Karzai, meio-irmão do presidente, grande traficante de drogas, nome sempre presente na folha de pagamentos da CIA-EUA e o maior agente de negócios na alta cúpula do governo em Kandahar, onde preside o conselho provincial.

Considerando que os Talibã controlam atualmente cerca de 70% do Afeganistão, o assassinato vale troféu de ouro. Os Talibã já se declararam devidamente responsáveis, falando por seu porta-voz Usuf Ahmadi: “Foi das nossas mais importantes realizações desde o início das operações de primavera. Recentemente, Sardar Mohammad recebeu a incumbência de matá-lo. Sardar Mohammad é nosso mártir.”

O contradiscurso oficial em Kandahar insiste em que Sardar Mohammad, comandante em que Karzai confiava, nascidos ambos na mesma tribo Popolzai, teria matado Ahmed Wali com dois tiros na cabeça “por questões de drogas” e motivos pessoais.

Mas os Talibã já estão vencendo a disputa pela opinião pública. Desde a primavera de 2010, os Talibã já conseguiram assassinar o chefe da polícia provincial de Kandahar, o vice-governador, o chefe de distrito de Arghandab e o vice-prefeito de Kandahar City.

Agora, se livraram de Ahmed Wali Karzai, o mais importante personagem pró-Washington, não só de Kandahar mas de todo o sul do Afeganistão – onde está OTAN, sem outra tarefa além de esmagar os Talibã no seu próprio lar espiritual e território preferido. O assassinato de Ahmed Wali reduz a cacos a narrativa segundo a qual “a OTAN está vencendo”.

O rei de Kandahar

Passei uma longa tarde com Ahmad Wali em Quetta, capital da província do Baloquistão no Paquistão, quando os EUA bombardeavam os Talibã no outono de 2001 – semanas antes de que Ahmad e seu meio irmão se convertessem, de “vendedores dekebab” (como se ouvia pelas ruas), em peso-pesados da política.

Ahmad Wali já trabalhava para a CIA – naquele momento, os EUA estavam ocupadíssimos fazendo Hamid Karzai desembarcar de paraquedas no topo da política afegã – e era grande contrabandista de ópio, além de líder tribal e personalidade muito mais assertiva que seu meio-irmão.

Ao longo dos anos 2000s, Ahmad Wali conservou todas essas funções e papéis, além de ser dono de hotéis, terras, imóveis e até de uma loja de revenda da Toyota, mas, sobretudo, trabalhava para “conter” Kandahar, sempre pesadamente talibanizada, como comandante da “Kandahar Strike Force” – unidade privada paramilitar, linha duríssima, que auxiliava as Forças Especiais dos EUA e a CIA no serviço de “assassinatos predeterminados” [ing. targeted assassinations] dos altos comandantes Talibã.

Era o governador de facto, popularmente conhecido como “Rei de Kandahar” – muito mais poderoso que o governador e que o conselho provincial desdentados.

A lição que tadjiques, uzbeques, hazaras e pashtuns seculares extraem hoje do assassinato de Ahmad Wali é que o governo Karzai não passa de saco de gatos (OK, a maioria dos afegãos já sabia) – incapaz de proteger, sequer, o mais poderoso dos Karzais. Quanto à ficção de que a OTAN estaria conquistando corações e mentes afegãs e conseguindo que os afegãos caiam de amores pelo governo central em Kabul... Quem quiser, que tente contar essa a algum daqueles rostos de pedra, no Hindu Kush.

O mesmo vale para a “vitória” da OTAN no Afeganistão.

Quanto à “vitória” dos EUA nas áreas tribais do Paquistão, basta considerar o que pensam o poderoso chefe do exército general Ashfaq Parvez Kiani – queridinho do Pentágono – e o chefe do serviço secreto paquistanês (Inter-Services Intelligence, ISI), tenente-general Ahmed Shuja Pasha. Por porta-vozes e subalternos já disseram que se podem safar perfeitamente bem sem os 800 milhões de dólares de Washington. E também podem pedir ajuda à China, “amiga de sempre, faça chuva faça sol”.

Segundo o coronel David Lapan, porta-voz do Pentágono, Islamabad pode facilmente pôr as mãos nos 800 milhões: basta que emita muitos e muitos vistos de entrada no país para, essencialmente, espiões norte-americanos, e reinstitua o treinamento em larga escala em táticas de contraterrorismo e contraguerrilha, de soldados paquistaneses. Islamabad – que já enfrenta a guerra dos aviões-robôs-drones dos EUA nas áreas tribais – não está interessada.

“Vencedor” nesse caso, realmente, só a al-Qaeda, que usou os Talibã paquistaneses num confronto com o exército paquistanês nas áreas tribais como tática diversionista – ao mesmo tempo em que trabalha para disseminar sua agenda pró-califato na direção da Ásia Central.

Mas... Como?! Os EUA não estavam “vencendo” a al-Qaeda? Foi, pelo menos, o que disse o general David Petraeus – que está agora de mudança, de principal comandante no Afeganistão, para a direção-geral da CIA: “Causamos danos enormes à al-Qaeda nas áreas tribais de administração federal... E há em prospectiva a possibilidade de derrota realmente estratégica” [para a al-Qaeda].

Quer dizer... Não, não há. A menos que você bombardeie as áreas tribais, com aviões-robôs-drones, até que por lá não reste um único ser vivo, até o Juízo Final.

http://redecastorphoto.blogspot.com/2011/07/taliba-acertam-terrivel-mart...

 

Imperialismo segue amargando derrotas no Afeganistão

À primeira vista, sob a cortina de fumaça ianque, o início de novembro viria a ser marcado por retrocessos para a luta antiimperialista no Afeganistão. Na segunda-feira, dia 2 daquele mês, o USA anunciou a recondução na marra do seu lacaio Hamid Karzai à chefia do governo títere de Cabul para mais alguns anos de colaboração com os invasores, após todo o teatro armado pela ONU em torno das "fraudes" detectadas na urnas e nas cédulas de votação do pleito realizado em agosto — como se todo o circo sufragista conduzido pelas potências aliadas para legitimar a ocupação não fosse farsesco em sua própria natureza.

Naquela segunda-feira, o chefe da dita "Comissão Eleitoral Independente do Afeganistão" — respaldada pelas Nações Unidas — trombetou sucintamente e para quem quisesse ouvir: "Não haverá segundo turno". Foi este o torpe ponto final colocado em mais um farsante sufrágio encenado pelo USA na região. Foi este o desfecho avalizado pela mesma comissão que denunciara as tais fraudes, aparentemente com afinco e bravura, mas cuja função na verdade jamais deixou de ser a de conferir legitimidade às urnas armadas pelo imperialismo e proteger os invasores do constrangimento político que se anunciava. O tal chefe de comissão, Daoud Ali Najafi, referia-se especificamente à possibilidade da realização de um segundo turno entre Karzai e seu maior adversário (a rigor, seu cúmplice) na farsa eleitoral afegã, Abdullah Abdullah — possibilidade aberta com as denúncias de irregularidades.

Em um arranjo cujos meandros ainda não vieram à tona de forma clara, Abdullah Abdullah apareceu se recusando a disputar o segundo turno depois de todas as idas e vindas em torno dos "casos de fraude", alegando que o governo afegão não havia atendido suas exigências para a realização de "um escrutínio justo", e dizendo que abandonava a disputa que ajudava a encenar porque pensava sobretudo nos "interesses da nação". Ora, a justiça que o povo afegão quer, bem como os seus reais interesses, jamais estiveram em questão naquele sufrágio de mentira, fosse quando havia um "oposicionista" pedindo votos, fosse quando Karzai se transformou em candidato único e foi automaticamente "eleito" para dobrar o tempo de sua administração. Mais tarde, no dia 19 de novembro, Karzai tomou posse e, diante da convidada de honra Hillary Clinton, convidou Abdullah Abdullah a formar um "governo de unidade".

OBAMA NÃO SABE MAIS O QUE FAZER

Mas a recondução do vende-pátria Karzai à chefia da gerência afegã significa uma vitória do imperialismo apenas sob o olhar dos mais desatentos. Afinal, nem a comissão dita "independente" das Nações Unidas, nem as demagogias sem fim da Doutrina Obama ou o poder de fogo das potências em aliança sanguinária contra o povo afegão, nem tampouco a prestimosa colaboração dos meios de comunicação do imperialismo puderam resguardar o USA e a Otan da derrota política (com a absoluta desmoralização da farsa eleitoral) e militar (com a inexorável desmoralização da máquina de guerra invasora) que a eles vêm sendo imposta pela resistência na Ásia Central.

Lá, na Ásia Central, o inimigo está cada vez mais embaraçado, e começa a cair de joelhos exatamente na região onde se desenha um dos principais palcos das guerras para a qual a crise do imperialismo empurra o mundo. A retórica da "exportação da democracia" não resiste mais sequer à avaliação mais ingênua que se faça quanto à atuação do USA no mundo. Por outro lado, senão o mesmo, Obama simplesmente não sabe o que fazer diante da inquebrantável resistência afegã.

O chefe do imperialismo parece tonto entre as propostas dos senhores da guerra do pentágono de novas estratégias de ocupação. O monopólio da comunicação fez circular a notícia de que Obama tem "quatro planos na mesa para escolher", dando a impressão de que as opções são muitas e que tudo está sob controle, quando na verdade os agressores não vêem saída pela frente. O máximo que se consegue decidir é que serão enviados mais soldados para o Afeganistão, entre 10 mil e 40 mil homens, com Obama rosnando forte para o povo afegão poucas semanas depois de ter ganhado o hipócrita prêmio Nobel da Paz.

A administração ianque requisitou, e as potências européias cúmplices da invasão ao Afeganistão deverão enviar mais cinco mil soldados para lá nos próximos meses. O anúncio foi feito pelo primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, no sábado dia 14 de novembro, mesmo dia em que a resistência afegã impôs mais três baixas às tropas invasoras nas proximidades de uma base militar ianque, deixando ainda 19 feridos, o que aumentou os protestos dos povos europeus contra a presença dos seus países nos esforços de guerra ao oriente.

PALAVRÓRIO PARA DISSIMULAR O ÓBVIO

No início de novembro, Nidal Malik Hasan, major do exército ianque de origem muçulmana, matou 12 soldados compatriotas na base de Fort Hood, no Texas, a maior do USA, e onde os militares prestes a serem mandados para os países ocupados passam pelos últimos exames médicos antes de embarcar. No funeral das vítimas, Obama esbanjou demagogia e reafirmou todo o conjunto de mentiras com as quais ao longo de oito anos Bush tentou vender as agressões imperialistas no Oriente Médio e na Ásia Central como um serviço prestado ao povo estadunidense e aos demais povos do mundo, buscando camuflar a natureza rapace-colonial dessas ocupações do exército ianque mundo afora e o fato incontestável de que elas se inserem na corrida pela partilha do mundo.

Ante os túmulos, Obama disse que "são tempos de provação" para o USA, e seguiu com sua falácia infame: "no Afeganistão e no Paquistão, os mesmos extremistas que mataram quase três mil estadunidenses seguem colocando o USA, nossos aliados, os afegãos e os paquistaneses inocentes em perigo".

Palavrório para dissimular o óbvio: os responsáveis pelo massacre alucinado de Fort Hood não são aqueles que resistem às invasões criminosas mantidas pelos ianques, mas sim os chefes do imperialismo que insistem em mantê-las, enviando mais e mais jovens recrutas a quem se dá ordens para assassinar outros povos em nome dos interesses dos poderosos, e que mais tarde terão grandes chances de figurarem entre as crescentes baixas das forças agressoras.

http://www.anovademocracia.com.br/no-60/2547-imperialismo-segue-amargando-derrotas-no-afeganistao-

Re: A disputa pelos recursos naturais do Afeganistão
 

13 DE JULHO DE 2011

O surrealismo militarizado de Barack Obama

Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Obama construiu sua fala sobre o Afeganistão [1] numa retórica de surrealismo militarizado supranacional. O que disse sobre o futuro da guerra foi absolutamente falso – talvez não tenham sido mentiras, mas, sim, foram falsidades contadas pela metade. Considerem-se só as duas principais: que sua “avançada” consistiu em enviar para lá só 33 mil soldados; e que “no próximo verão”, os americanos estarão a caminho de casa, deixando o Afeganistão.

Desgraçadamente, não é nada disso. Em primeiro lugar, a verdadeira “avançada” de Obama mandou para o Afeganistão quase 55 mil soldados, talvez 66 mil, dependendo de como se contem. Quando tomou posse, em janeiro de 2009, havia cerca de 32 mil soldados no Afeganistão. Mais 11 mil foram convocados para partir nos últimos dias do governo Bush, mas só viajaram nos primeiros meses do governo Obama. Em março de 2009, Obama anunciou sua própria “nova estratégia para o Afeganistão e Paquistão” e despachou mais 21.700 soldados. Depois, em dezembro de 2009, em discurso televisionado para todo o país da Academia de West Point, anunciou que mais 30 mil soldados estavam de partida. Somados às “tropas de apoio”, deram nos 33 mil.

Em outras palavras, em setembro de 2012, daqui a 14 meses, só metade do número total real de soldados mandados para o Afeganistão por Obama terão saído de lá. Além do quê, por menos que se fale nisso, a “avançada” de Obama absolutamente não incluiu só soldados. Houve uma jamais divulgada claramente “avançada civil” do Departamento de Estado e de pessoal “de apoio” que, no total, mais do que triplicou o esforço “civil” no Afeganistão. A secretária Clinton, recentemente, falou da retirada dos civis, nos termos mais vagos que conseguiu.

Houve também uma enorme “avançada” de pessoal da CIA (além das forças de Operações Especiais), e não há qualquer sinal de que alguém em Washington tenha planos para tirar de lá todos esses agentes, nem para reduzir a ‘avançada’ de aviões-robôs-drones. Ainda que alguns soldados sejam retirados, os agentes da CIA, aquelas Forças Especiais e os drones manterão lá a “avançada”, avançando ninguém sabe até quando ou onde.

E houve também a grande “avançada” de empresas terceirizadas – mercenários estrangeiros e afegãos, empresas, empresários e empregados – dezenas de milhares. Obama não falou sobre nada disso. Ficou ocultado, como ocultada está a “avançada” na construção de bases militares, que não acabou. E a “avançada” na construção da gigantesca fortaleza-base-embaixada dos EUA na região, a qual, se não foi suspensa, só pode estar continuando. 

É como extrair todos os ossos da retirada e falar da retirada como se fosse só uma casca superficial, para fazer-nos crer que alguma coisa, com certeza, sairia do Afeganistão e que alguém estaria cogitando de dar algum fim à guerra do Afeganistão. Sei que o presidente disse que “nossa missão mudará, de combate, para apoio. Esse processo de transição estará concluído em 2014, e o povo afegão ficará responsável por sua própria segurança.” Mas é formulação por demais vaga, por demais nebulosa, que bem pode levar-nos a imaginar que tudo estará acabado “em 2014” – prazo que, como se sabe, não acaba sequer no dia 1º de janeiro, mas no dia 31/12 daquele ano.

Então, pelo que sabemos dos planos de guerra dos EUA no Afeganistão, dia 31/12/2014 será o dia da partida do último dos 64 mil soldados que Obama enviou, em “avançadas”, para lá. Em outras palavras: quase cinco anos depois de Obama ter tomado posse, mais de 13 anos depois de o governo Bush ter invadido o Afeganistão, voltamos praticamente ao número de soldados em guerra nos anos Bush. Dezenas de milhares de soldados continuarão no Afeganistão, alguns oficialmente reclassificados, de “tropas de combate”, para atividades menos guerreiras. Todos serão parte da missão de “apoio” dos EUA que incluirá imenso número de “instrutores” para as forças de segurança afegãs e gente da CIA e “operadores” em geral, para atividades de “contraterrorismo” naquela área.

O general norte-americano encarregado de treinar o exército afegão sugeriu, recentemente, que sua missão não poderá ser dada por concluída antes de 2017 (mas ninguém que conheça o país acredita que, então, haverá por lá alguma coisa parecida com um efetivo Exército Afegão). Além do mais, embora o presidente Obama não tenha falado diretamente sobre isso em sua fala de West Point, o governo Obama está em conversações sigilosas com o governo afegão do presidente Hamid Karzai para costurar um acordo de “parceria estratégica” que permitirá que soldados, espiões, jatos e aviões-robôs-drones fiquem por lá como “inquilinos” em alguma das bases gigante que construímos. Lá ficarão evidentemente por anos, talvez décadas (como alguns relatórios sugerem).

Em outras palavras: dia 31/12/2014, se tudo sair como planejado, os EUA estarão comprometidos, por mais muitos anos, numa guerra também caríssima, mas invisível. Essa é a verdade, como está sendo planejada nos EUA, verdade sobre a qual o presidente nada disse.

http://redecastorphoto.blogspot.com/2011/07/o-surrealismo-militarizado-d...

ORIGINAL: The American Empire Project

30/6/2011, Tom Engelhardt, TomDispatch  - The Militarized Surrealism of Barack Obama (excerto)

 

Punição a Crimes de Guerra...

14 DE JULHO DE 2011

Mais de 1,4 mil civis morrem no 1º semestre no Afeganistão

O conflito no Afeganistão registrou a morte de mais de 1,4 mil civis durante os seis primeiros meses de 2011, o que representa 15% a mais que durante o primeiro semestre de 2010, anunciou a Missão da ONU no país (Unama).

De acordo com a ONU, 80% dos mortos civis entre janeiro e junho de 2011 foram provocadas pelos insurgentes, 14% pelas forças pró-governo (afegãs e internacionais) e 6% não tiveram a responsabilidade atribuída.

"A Unama registrou 1.462 mortes de civis durante os seis primeiros meses de 2011, um aumento de 15% na comparação com o mesmo período de 2010", afirma a organização.

"As bombas de fabricação caseira e os atentados suicidas, táticas utilizadas pelos elementos antigovernamentais, provocaram quase metade (49%) das mortes e feridos civis", completa o relatório. O mês de maio, com 368 civis mortos, foi o mais violento.

Fonte: AFP

 

Saudade só é bom ao som do Roberto, principalmente, escutando detalhes...

17/03/2010: 1 milhão de mortos, 7 anos de guerra, finalmente petroleiras assumem Iraque

Sete anos já se passaram, no decorrer dos quais cerca de 1 milhão de iraquianos civis, mulheres e crianças, e 5.500 soldados estrangeiros perderam suas vidas, enquanto milhões de iraquianos abandonaram o país, antes ainda de o governo fantoche começar a distribuir, de mão beijada, os filés-mignon petrolíferos às multinacionais.

"grande jogada" com o petróleo do Iraque

Por Falah El Shakir, no Monitor Mercantil 

Os verdadeiros vencedores das eleições realizadas não serão os políticos iraquianos (xiitas, sunitas e curdos) que participarão finalmente no próximo governo de coalizão, embora, quando for concluído o multifacetário (e frequentemente sangrento) "bazar" entre os incontáveis partidos políticos que participaram das eleições, as "grandes irmãs" petrolíferas estrangeiras multinacionais verão que sua "luta" finalmente é agora recompensada. 

As estrangeiras "oil majors" esperaram sete anos pela estabilização da situação de segurança, antes de estender novamente seus múltiplos dutos e instalar suas bombas de sucção na Mesopotâmia. 

Sete anos já se passaram, no decorrer dos quais cerca de 1 milhão de iraquianos civis, mulheres e crianças, e 5.500 soldados estrangeiros perderam suas vidas, enquanto milhões de iraquianos abandonaram o país, antes ainda de o governo fantoche começar a distribuir, de mão beijada, os filés-mignon petrolíferos às multinacionais. 

O primeiro-ministro do país, Nuri al Maliki, e o ministro do Petróleo, Hussein al Sahristani, cederam oficialmente de mão beijada os direitos de exploração do gigantesco campo petrolífero do Oeste de Kurna aos colossos petrolíferos Exxon Mobil (EUA) e Shell (Grã-Bretanha). 

As reservas comprovadas deste campo superam os 8,7 bilhões de barris, quase 8% do total das reservas de petróleo do Iraque, que totalizam 115 bilhões de barris. O campo do Oeste de Kuna é um dos que poderão ser explorados mais facilmente, tanto do ponto de vista do custo de extração, quanto de refino. 

Campos para todos 

Igualmente, foram cedidos de mão beijada os direitos de exploração do colossal campo de Rumaila (com mais de 17 bilhões de barris de reservas comprovadas) à petrolífera britânica British Petroleum (BP) e à chinesa National Petroleum Corp (CNPC), em percentuais de 38% e 37%, respectivamente. 

Não foram esquecidas as demais nações ocidentais que participaram desta operação de "Exportação de Democracia" que foi a invasão do Iraque. Uma aliança de empresas aliadas (a italiana Eni, a japonesa Nippon Oil e a espanhola Repsol) abocanhou - também de mão beijada - os direitos de exploração das reservas do gigantesco campo de Nasiriyia. 

Mas o assalto à riqueza nacional do povo iraquiano não termina aqui. Há continuação: outros 67 campos petrolíferos menores serão "leiloados" (de mão beijada) agora, nas próximas semanas após as eleições, naturalmente pelas mesmas pessoas, considerando que o processo da formação do novo governo será prolongado durante vários meses. 

Quanto ao Norte do Iraque, como se sabe, os semi-autônomos governantes curdos estão negociando há tempos com estrangeiros acordos em separado para exploração das reservas do Eldorado de Kirkuk e Mossul. A multinacional britânica Shell está muito perto de arrancar de mão beijada a exploração da gigantesca reserva fora de Kirkuk, avaliada em 10 bilhões de barris. 

Agora que o Eldorado iraquiano está aberto de novo, as tropas norte-americanas estão sendo transferidas a novos gigantescos campos no deserto localizados, naturalmente, estrategicamente em áreas de onde possam controlar as douradas reservas por ordem e conta de seus "patrocinadores" supranacionais. Quanto ao povo iraquiano, parece condenado à miséria.

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E a Rainha Beatriz?? Porque NINGUÉM fala que quem está por trás dessa imundice está SEMPRE a HOLANDA, a sempre PIRATONA Holanda?? Não é só o Tio Sam Piratão e Tia Beth II.

A Holanda dos paraísos fiscais, dos SEUS TERRITÓRIOS no Caribe.

A Holanda de Curacao e suas Bases Ianques, na esquina do ORINOCO do Chávez.

A Holanda do Adendo do Tratado de Lisboa, e dos Territórios de Ultra-Mar (Malvinas), do Gordon Brown.

Shell e Petronas fecham acordo para campo de Majnoon

BAGDÁ, 17 de janeiro (Reuters) - A Royal Dutch Shell , maior petrolífera da Europa, e a Petronas, da Malásia, assinaram no domingo um contrato final para desenvolver o campo petrolífero iraquiano de Majnoon, um dos maiores do mundo.

A Shell e a Petronas conseguiram os direitos em um leilão realizado em Bagdá em dezembro para o campo de 12,6 bilhões de barris no sul do Iraque.

O contrato de desenvolvimento de 20 anos é um dos vários que o Iraque espera finalizar nas próximas semanas conforme tenta subir da 11a para a terceira posição no ranking dos países produtores de petróleo.

 

O objetivo da Organização de Cooperação de Shangai é garantir o suprimento de energia  para a expansão econômica asiática, por óbvio, capitaneada pela China. A Rússia é interessada direta na condução da SCO porque um dos objetivos dos americanos no Afeganistão, é a construção de um gasoleoduto que transporte energia para a Europa passando pelo sul da Eurásia, de modo a diminuir a dependência européia dos russos, no que diz respeito a energia. A China já tem em funcionamento, um gasoduto que parte do Tadjiquistão e segue até o noroeste chinês, lá pelas bordas da Sibéria, aonde os norteamericanos não chegam. O Irã, que os EUA precisam atropelar para construir o gasoleoduto Eurásia - Europa passando por seu território, já tem um seu próprio, pronto até a fronteira com o Paquistão, que está disposto a franquear seu território para que gás e óleo cheguem à Índia. Isto, apesar da própria China já ter se oferecido à Índia - além de convidá-la para ser membro ativo da SCO - para construir uma outra via para transportar gás e óleo do Tadjiquistão e outros países centrais da região, através do Afeganistão e do Paquistão até o subcontinente indiano. E a Rússia acha tudo ótimo, porque ela fornece entre um terço e metade de toda a energia consumida na Europa. De quebra, tais alianças e compromissos, limitam o alcance da diplomacia norteamericana - a das palavras e a das armas - em seu intento de cercar os territórios indiano, chinês e russo com um colar de mísseis. A China está construindo um porto de frente para o Oceano Índico no Paquistão, que pode ser convertido em base naval, para o qual os chineses lançaram seu primeiro porta sviões. Porque os navios chineses carregados com petróleo, passam pelo Estreito de Ormuz, diante da frota norteamericana estacionada na Península Arábica. No trajeto, ainda passam por outra região crítica, no sudeste asiático, também intensamente patrulhada pelos EUA.

Em tal contexto, por óbvio, não está excluída a possibilidade de ajuda militar no futuro. China e Rússia tem construído todas essas alternativas para os países da região. E tudo isso sem disparar um tiro. Ainda. 

 

Há uns meses atrás o blog continha um outro post sobre geoestratégia da energia.

Naquele estava relacionando o grupo SCO (Grupo de Xangai) capitaneado por Rússia e China e preocupações dos mesmos quanto à operação na Líbia.

Com base naquele post, o SCO tinha como próxima meta, incorporar no 'clubinho da energia' o Paquistão e Afeganistão como observador. 

A única coisa diferente que li nesse post é a ausência da Rússia.

A minha dúvida é: que consequência terá na oficialização de Paquistão (e Afeganistão como observadores) num grupo (SCO no caso) que tem como um objetivo não declarado mais muito óbvio, de minar a presença norte-americana na Ásia Central?

 

Esse clipe é de 2006 mas é bastante atual! E diz muito sobre o que está a acontecer no Afeganistão!

http://www.youtube.com/watch?v=u6KXgjLqSTg

Em tempo. A música original é do Gênesis (Phil Collins)!

 

Parece que assumiram de vez que a invasão teve outros objetivos.

Querra ao terror?

Sim, ao terror da crise energética que o mundo atravessa, principalmente os grandes.

Modelo capitalista de consumo está morto.

 

precisa avisar a China, pois seu crescimento esta baseado nesse sistema que vc com seu conhecimento de jargões declarou morto!

 

"A verdade é a melhor camuflagem. Ninguém acredita nela." MAX FRICH

Em qualquer pandemia,

uns morrem primeiro que outros.

 

o pior e que o bom senso está entre as primeira vitimas!

 

"A verdade é a melhor camuflagem. Ninguém acredita nela." MAX FRICH

Uma homenagem ao Blaya.

Dê Um RolêGal Costa

 

Composição: Moraes Moreira / Galvão

Não se assuste pessoa
Se eu lhe disser que a vida é boa
Não se assuste pessoa
Se eu lhe disser que a vida é boa
Enquanto eles se batem
Dê um rolê e você vai ouvir
Apenas quem já dizia
Eu não tenho nada
antes de você ser eu sou
Eu sou, eu sou, eu sou amor
Da cabeça aos pés
Eu sou, eu sou, eu sou amor
Da cabeça aos pés
E só tô beijando o rosto de quem dá valor
Pra quem vale mais o gosto do que cem mil réis
Eu sou, eu sou, eu sou amor
Da cabeça aos pés
Eu sou, eu sou, eu sou amor
Da cabeça aos pés

 

que disputa???  os EUA tem tropas no Afeganistão, apoiadas pelos seus aliados da OTAN, junto com isso tem a India que quer ver a China longe,  o unico apoio da China e o corrupto Paquistão.  A China somente terá acesso onde os EUA permitirem!  e o privilegio de quem manda no lugar!

 

"A verdade é a melhor camuflagem. Ninguém acredita nela." MAX FRICH

Olha o firme domínio dos EUA sobre o Afeganistão, aí, Blaya:

http://www.destak.pt/artigo/100905-talibas-reivindicam-ataque-a-ahmad-wali-karzai

http://g1.globo.com/mundo/noticia/2011/07/irmao-do-presidente-do-afeganistao-e-encontrado-morto-dentro-de-casa.html

Agora só falta o outro fantoche da famiglia, o Hamid!

Pobrezinho do Obama, não vai poder tirar as tropas tão cedo! Vai ter que cortar a aposentadoria dos velhinhos (porque os lucros da burguesia são intocáveis). Daqui há pouco o Talibã vai estar recrutando entre os aposentados estadunidenses.

Manda essa informação pros teus chefes do Pentágono, Blaya! É quentíssima!

 

  Ahn... você leu o mesmo artigo que eu?

 

Novidade né. Até parece que se o país não tivesse tantas riquezas naturais os Estados Unidos estariam investindo tanto na região, com sua guerra ao "terror".

 

diferente da China que tem apenas interesse em sugar os recursos do pais e esta se lixando se quem governa o pais é um grupo medieval que mutila mulheres e restringe a liberdade das pessoas! 

 

 

 

"A verdade é a melhor camuflagem. Ninguém acredita nela." MAX FRICH

Vindo de um fundamentalista católico, o comentário pejorativo sobre grupos medievais é uma piada! Que tal a monarquia teocrática medieval pedófila do Vaticano, que mutila a psicologia dos filhos e filhas dos fieis (ou acoberta essa mutilação)?

De qualquer forma, o fantoche Karzai e seu clã SÃO parte de um complexo de relações sociais medievais, que mutila mulheres e tolhe as liberdades dos afegãos. O único governo, no Afeganistão, a começar a empreender uma luta contra a ordem social reacionária foi o do governo socialista, que os EUA trataram de derrubar com seu apoio aos grupos mais "medievais". E, provavelmente, com o apoio do membro da TFP, Mario Blaya. 

 

É. Diferentemente da China, os EUA não desejam se amofinar com estas chatices. Arrasam o país e dizimam o povo de uma vez.  É mais rápido e o terreno fica limpinho e à disposição.

 

"Sugar cane and coffee cup

 Copper, steel and cattle

An annotated history, the forest for the fire
Where we open up the floodgates freedom reigns supreme
Fire on the hemisphere below"

 

"Para ser tolerante, é preciso fixar os limites do intolerável." (Umberto Eco)"

deixe-me ver se entendi sua logica!

o governo do Afeganistão dava abrigo e permitia o treinamento de membros da Alqeada que atacaram embaixadas e outras dependencias pertencentes ao povo dos Estados Unidos, isso anos antes do ataque a NY,  os americanos cansaram de avisar aos talibans disso, quando do ataque diretamente ao WTC, o taliban novamente se negou a prender Osama,  mas vc acha que os americanos não tinham o direito de declarar guerra ao governo Taliban, como vc acha que ele deve sair do Afeganistão e permitir que esse grupo retome o poder!  Você não acha que a vida real aqui e bem diferente dai onde vc vive?

 

"A verdade é a melhor camuflagem. Ninguém acredita nela." MAX FRICH

Miitantes da al-Qa'ida que só se transferiram para o Afeganistão porque os EUA e o reino fantoche da Arábia Saudita, aliada e sustentada pelos EUA e o ditador paquistanês Zia ul-Haq, apoiado e sustentado pelos EUA, empreenderam uma guerra de subversão do governo mais progressista que o Afeganistão já teve.

Trata-se do exemplo mais clássico do ditado: "quem semeia vento, colhe tempestade".

 

Diferente da China, que todos sabem a que veio: explorar, explorar, explorar e ponto, sem a necessidade de hipocrisias; alimentação de guerras sem fim, sem fundamento e sem resultados relevantes; sem alimentar a indústria bélica americana e seus banqueiros; sem massacrar milhares de inocentes, de crianças até idosos; sem fazer demagogias e discursos do tipo "somos a sua salvação"; sem destruir templos e culturas milenares...

Se há um sistema instalado, e este sistema permite a exploração por multinacionais, é tudo uma questão de política. Se a China esta explorando as riquezas não foi devido a uma imposição militar, foi por ter capacidade de negociação e investimento.

Há outras formas de influenciar condutas políticas-culturais para modelos mais democráticos sem a necessidade de invasão militar.

Fosse o Afeganistão, assim como o mais recente caso do Iraque, um País sem nenhuma riqueza natural, gostaria muito de saber qual seria o inimigo-desculpa para tais invasões militares.

Ps: Me dá pavor de ver esses grupos chineses comprando nossas riquezas naturais aqui. Mas se nossa política é falha e permite, é muito mais fácil de aceitar do que uma invasão.

 

Caro Maurício Santaliestra:

É isto mesmo.

O sistema chinês se mostra muito mais eficiente que o historicamente adotado por ingleses, franceses e americanos- não se apresentam carregados de munição, não matam ninguém, não impõem seus valores culturais, declaram abertamente o interesse comercial, não infringem as leis locais, levam os recursos $$$ e negociam prá ganhar, sem contar que a participação chinesa faz aumentar o bolo, isto é, o PIB dos países onde se instala, ou seja, um sistema de intervenção inteiramente diferente, bem mais eficiente, um jogo em que todos ganham.  

Agora os chineses estão fincando o pé na África, inclusive ensaiando participação na exploração das vastas reservas de petróleo do Quênia e países vizinhos, reservas pouco noticiadas apesar do enorme potencial que alguns sugerem para aquela região.

Quanto ao Afeganistão e vizinhança, só um recém-nascido é capaz de acreditar imaginar que China e Rússia ficariam assistindo, de braços cruzados, os EUA se apropriando daquela enorme riqueza. estratégica.      

Um abraço

 

 

 

 

por favor exemplefique os paises que forma abençoados com a presença chinesa e como ela ajudou o PIB desses paises aumentarem, ou será que os chineses foram para esses paises porque o PIB estava crescendo?

 

"A verdade é a melhor camuflagem. Ninguém acredita nela." MAX FRICH

Em tempo:

Para não te deixar sem resposta conclusiva.

Sudão, Nigéria, Angola, Etiópia, Congo, etc..., já são 49, os países que recebem investimento chinês em diversas áreas, entre elas mineração, finanças, construção, agricultura e petróleo. No ano passado, estima-se que os chineses investiram mais de U$ 50 bilhões por lá, com curva de crescimento ascendente.

Um abraço  

 

Caro Mario Blaya:

Recentemente teve um post específico sobre esta investida dos chineses naquele continente.

Quando a China mira num país, ela não está pretendendo abençoar nem salvar ninguém.

O objetivo é suprir quaisquer de suas múltiplas necessidades, haja vista a chegada em diversos países dos continentes africano e, ainda em menor intensidade, sul americano.

Sabem negociar, e se o outro lado também souber, ganham todos. Os chineses investem no alvo pretendido, geralmente por meio de parcerias com empresas locais, estatais e/ou privadas, e $$$ novo, como você bem sabe, é a forma de fazer a roda girar, daí o natural aumento do bolo, do PIB.

Na África, estão investindo na agricultura, em diversas culturas, assim como em petróleo e outras atividades. Sem $$$, diversos daqueles países permaneceriam como sempre estiveram, à míngua, o caso, por exemplo, do que ocorre na Guiné Equatorial, Nigéria e tantos outros países nos quais os EUA, via empresas americanas exploram o petróleo em parceria com o presidente local, sem que fique nenhum tostão para melhorar as condições de vida da população miserável..

Caso os chineses venham a alterar prá pior a atual rotina, serei dos primeiros a comentar sobre a mudança.

Um abraço

 

Mario Blaya,

Seguem alguns links, inclusive daqui do Nassif, de investimentos apenas no Brasil, muitos em mineração.

Agora, me desculpe, mas o senhor ou esta com algum problema de interpretação dos comentários ou não esta lendo inteiro.

Como eu mesmo disse, "Me dá pavor de ver esses grupos chineses comprando nossas riquezas naturais aqui. Mas se nossa política é falha e permite, é muito mais fácil de aceitar do que uma invasão", e após o Alfredo, "Mas o grande problema esta em esses países - e o nosso - se deixarem ser explorados de forma tão abusiva como ocorre. Que venham leis mais eficazes o quanto antes para dar uma freada nessa "chineisada", que são verdadeiras "saúvas", arrasam os recursos e vão embora".

Ou seja, não defendemos a forma utilizada pela China para exploração de recursos, mas temos que admitir que são feitas dentro de condições impostas pela política dos explorados. Se há uma fiscalização decente por parte das autoridades para evitar abusos, aí já é uma outra questão. Aqui sabemos que é bem deficiente.

Outra situação completamente oposta, é ter o país invadido devido ao seu potencial energético, com a desculpa descarada de "guerra ao terror".

Então, me responda uma pergunta também: Onde estão as armas químicas e de destruição em massa de Saddan Hussein? Não foi esse o motivo da invasão do Iraque? Ou teria sido o petróleo e talvez alguma outra riqueza que ainda não caiu na boca do povo?

http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/os-investimentos-da-china-no-br...

http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI4449221-EI7095,00-Investi...

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20110527/not_imp724661,0.php

http://g1.globo.com/economia-e-negocios/noticia/2010/07/china-descobre-b...

 

Com certeza Alfredo.

Mas o grande problema esta em esses países - e o nosso - se deixarem ser explorados de forma tão abusiva como ocorre.

Que venham leis mais eficazes o quanto antes para dar uma freada nessa "chineisada", que são verdadeiras "saúvas", arrasam os recursos e vão embora.

 

diferente uma ova, todo mundo sabe que empresas ocidentais estão lá, ou pensa que somente vc tem essa informação?

é obvio que as empresas estão lá para lucrar, mas ao menos tem o efeito secundario de levar alguma melhoria para a região, pois do mesmo jeito que a GM, Volks ou Vale no Brasil, lá também há necessidade de se pagar salarios e melhorar a infra-estrutura,  um pouco melhor que os telabans que proibiam tecnologias modernas.

 

"A verdade é a melhor camuflagem. Ninguém acredita nela." MAX FRICH