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A distribuição de renda no Brasil

Nassif, o João Sicsú publicou um artigo na 'Folha' de hoje na qual mostra que a participação da renda do trabalho na renda nacional está crescendo desde 2005. Vale a pena conferir.

Texto

Números da distribuição de renda - por JOÃO SICSÚ

O movimento socioeconômico brasileiro caminha em direção ao desenvolvimento, mas essa caminhada ainda está longe do ponto ideal de chegada

Distribuir renda e reduzir desigualdades injustas deveriam estar sempre entre as prioridades de qualquer governo.

Para medir a distribuição e a desigualdade de renda, normalmente são utilizados dois indicadores: o índice de Gini, para medir a chamada distribuição pessoal da renda, e a participação das rendas do trabalho no PIB, para medir a distribuição funcional da renda.

No caso brasileiro, o índice de Gini é calculado com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) do IBGE. Mais de 96% das rendas declaradas na pesquisa correspondem a rendas do trabalho e a transferências públicas.

Sendo assim, a desigualdade medida pelo Gini/Pnad não é adequada para revelar a distribuição da renda entre trabalhadores, de um lado, e empresários, banqueiros, latifundiários, proprietários de bens/imóveis alugados e proprietários de títulos públicos e privados, de outro.

Contudo, deve ser enfatizado que, embora o Gini/Pnad revele apenas a realidade de uma parcela social brasileira, é sempre melhor ter um Gini menor e em queda do que um maior e estacionado (como nos anos 1995-1998). Quanto menor o Gini (que varia de zero a cem), menos desigual estão os indivíduos do ponto de vista das remunerações que recebem. No Brasil, em 1995, o Gini era 59,9; em 2009, foi 54.

A distribuição funcional da renda, ou seja, a distribuição entre trabalho e capital, é calculada pelo IBGE com base nas Contas Nacionais anuais. Em 1995, a soma dos salários e das remunerações de autônomos representava 64% do PIB.

Houve uma trajetória de queda contínua até 2004, quando alcançou 58%. A partir de 2005, houve um ponto de inflexão na trajetória, que se tornou ascendente, em todos os anos, de forma consecutiva.

Segundo dados do IBGE, em 2005, atingiu 58,4%; em 2006, 58,9%; e, em 2007, 59,4%.
O IBGE ainda não divulgou dados de 2008 e 2009. Contudo, é possível calcular os números para esses anos com base na Pesquisa Mensal de Emprego e nas Contas Nacionais Trimestrais, ambas do IBGE. O técnico do Ipea Estêvão Kopschitz estimou que, em 2008, o valor alcançado foi de 60,1%; em 2009, foi de 62,3%.

Na diretoria de estudos e políticas macroeconômicas do Ipea desenvolve-se pesquisa para encontrar e quantificar as causas que explicam as variações da participação das rendas do trabalho como proporção do PIB. Com o objetivo de ampliar o debate sobre o tema, o Ipea fez extensa matéria na sua revista "Desafios do Desenvolvimento" de abril/maio de 2010 (disponível no site da instituição).

Embora ainda não seja possível afirmar de forma categórica as causas do movimento positivo da distribuição funcional da renda favorável aos trabalhadores nos últimos anos, algumas pistas estão muito claras. Houve dez anos de queda consecutiva (1995-2004) e cinco anos de recuperação (2005-2009) no período analisado.

O salário mínimo real médio, a preços de hoje, na fase de queda, era de R$ 292,53. Na fase de recuperação, foi de R$ 426,85. A taxa média real básica de juros nos anos 1995-2004 foi de 14,8%, enquanto nos anos 2005-2009 foi de 8,9%.

Como afirmei na revista acima citada, "quanto mais juros, menos salários, já que o PIB é um só".

Cabe ainda destacar que, na fase de queda, a geração de empregos com carteira assinada, em média por ano, era de 344 mil postos. Na fase de recuperação, foi de 1,31 milhão de postos.

O índice de Gini/Pnad e a participação percentual das remunerações dos trabalhadores no PIB não são medidas opostas, mas, sim, complementares. Ambas representam dimensões da desigualdade e do desenvolvimento social do país.

As duas medidas mostram que o movimento socioeconômico brasileiro caminha em direção ao desenvolvimento. Contudo, indicam também que a caminhada começou faz pouco tempo e ainda está longe do ponto ideal de chegada.

JOÃO SICSÚ é professor do Instituto de Economia da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e diretor de estudos e políticas macroeconômicas do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada).

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Comentários

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isso é uma coisa muito boa, pelo lenos eu acho .

 

Torturando um número, ele confessa qualquer coisa.

 

A questão não é meramente política.

Deixarmos que a imprensa faça um trabalho tão raso e sem qualidade intelectual mínima, nos jogaram na eleição de uma republiqueta reacionária e conservadora.

Sinais claro do mercado internacional estão sendo dados, sabemos que a verdadeira Bíblia Tucana Econômica, acredita num dólar forte e o país que exporta a custa de uma mão de obra barata, para voltarmos ser líder de trabalho escravo, logicamente sabendo que voltaremos a política econômica da especulação, FHC fabricou pelo menos duas crises uma com derrama de dólar na Turquia e sua muito bem paga reeleição, o mercado sabe que não vai mais precisar investir no setor produtivo.

Que maravilha o tal gigante se mostra débil novamente, seremos os bobões de sempre escutando historinhas de lobo mau comedores de criancinha, a enganação especulativa de volta é tudo que os grandes setores querem, a roda gigante será substituído pela ciranda financeira, fruto de uma imprensa e setores ligados a religião que só enxergam o próprio umbigo, bancam a ignorância da nação pela simples dominação de visão colonizadora, querem mesmo é país de terceiro mundo que não precise dialogar e avançarmos comumente.

Religiosidade foi a maneira que Boris Casoy derrubou o Tucanato, FHC não sabia nem se Deus existia muito menos acreditar nele, o Zé da Mooca com certeza partilha de opiniões bem diferentes que o Carola Serra de hoje, voltamos a 64 Jânio e o gaucho Jango, setores reacionários da imprensa e da igreja conservadora, NADA SE CRIA TUDO SE COPIA...

 

 

Nassif,

devido ao assunto do post e visando enriquecer as informações listadas no mesmo sobre a evolução da Renda no Brasil nos períodos "1986 - 2010" e "1995 - 2010" reproduzo, abaixo, os gráficos que elaborei sobre o tema, através de pesquisas próprias em diversas fontes oficiais.

Acredito que podem ajudar no debate, mesmo porque gráficos são mais didáticos,  fáceis de assimilar e  refletem a realidade dos números com maior clareza.

Caso seus leitores queiram mais detalhes sobre este tema, ou outros, podem ir em:

https://brasilfatosedados.wordpress.com/

Abcs,

 

Renda – Salário mínimo real(SMR) – R$ deflacionado  - Evolução nominal: 1986 – 2010 – Brasil

Publicado em 01/10/2010 por brasilfatosedados

Publicado em Economia - Renda | 1 comentário | EditarRenda – Salário mínimo real médio – valor nominal(R$) por governo: 1986 – 2010 – BrasilPublicado em 01/10/2010 por brasilfatosedados

Publicado em Economia - Renda | Deixar um comentário | EditarRenda – Salário mínimo real(SMR) – evolução nominal(R$) por governo: 1986 – 2010 – BrasilPublicado em 01/10/2010 por brasilfatosedados

Publicado em Economia - Renda | Deixar um comentário | EditarRenda – Salário mínimo real(SMR) – evolução percentual(%) por governo: 1986 – 2010 – BrasilPublicado em 01/10/2010 por brasilfatosedados

Publicado em Economia - Renda | Deixar um comentário | EditarRenda – Salário mínimo em dólar(U$) – evolução nominal e crescimento percentual por governo: 1995 – 2010 – BrasilPublicado em 01/10/2010 por brasilfatosedados

Publicado em Economia - Renda | Deixar um comentário | EditarRenda – Núm. de sal. mínimos reais para compor um sal.mínimo necessário: 1995 – 2010 – BrasilPublicado em 01/10/2010 por brasilfatosedados

Publicado em Economia - Renda | Deixar um comentário | EditarRenda – Participação de salários no PIB(%): 1995 – 2010 – BrasilPublicado em 01/10/2010 por brasilfatosedados

Publicado em Economia - Renda | Deixar um comentário | EditarRenda – PIB per capita em real(R$): 1995 – 2010 – BrasilPublicado em 01/10/2010 por brasilfatosedados

Publicado em Economia - Renda | Deixar um comentário | EditarRenda – PIB per capita em dólar(U$): 1995 – 2010 – BrasilPublicado em 01/10/2010 por brasilfatosedados

Publicado em Economia - Renda | Deixar um comentário | EditarRenda – Rentabilidade de empresas e bancos na Bolsa: 1995 – 2010 – BrasilPublicado em 01/10/2010 por brasilfatosedados

 

Augusto,

 

Parabens pelo excelente trabalho! Minha única pergunta é sobre o valor real do SM da era sarney, pois a híperinflação deve ter corroido o valor medio do SM durante o mês de apuração, o que não deve ter sido mostrado no calculo de valor real em dinheiro de hoje, mas é um detalhe.

Agora entendo por que eu, de classe media, pequeno empresário, votei e votarei na DILMA; só não entendo por que todos os meus parentes/conhecidos não votam como eu... Vai ver que eles são masoquistas, ou reincarnações de algum penitente ibérico...

 

Abraço,

 

Lionel

 

Lionel,

vc tem razão, mas os gráficos mostram isto.

Veja:

- Sarney foi o governo que o salário mínimo perdeu mais entre o início e o fim do mandato:

   - menos 43% no valor percentual relativo

   - menos 220 reais no valor nominal absoluto. 

O que deve ter te deixado meio confuso é o valor médio do SM durante o mandato Sarney, que realmente é aquele valor de R$ 398,00, pois começou em um valor elevado de R$ 520,00, caiu mas manteve-se estável durante três anos e caindo muito no final.

Elaboramos mais gráficos e com uma visão de todos os aspectos do tema analisado(evolução, média, dif. entre início e fim de mandato, etc) justamente para permitir que um só índice não mascare a análise correta do mesmo.

Obrigado pelo incentivo,

Um abc,

 

 

 

Considero o problema da distribuição de renda um dos principais, se não o principal problema do país.

Acredito que a criação de mais empregos, ao lado do aumento do salário mínimo e da transferência de renda, representa um fator  importante na melhoria da distribuição de renda.

Quanto ao IBGE não ter acesso às informações da Receita, imagino que deve haver um meio do IBGE calcular essas rendas.  Do contrário, os números do IBGE estariam errados. Correto?

 

 

"João Sicsú publicou um artigo na 'Folha' de hoje na qual mostra que a participação da renda do trabalho na renda nacional está crescendo desde 2005":

Pra mim nao eh o que aparenta independente do autor:  so o jornal que esta publicando a noticia vale pra mim.

O que isso quer dizer eh que a falha de Sao Paulo esta avisando "seus" pouquissimos que o cambio esta altissimo e que o banco central vai tomar providencias cedo e que portanto eles devem ir cuidar dos negocios deles.  Eh o cambio, em outras palavras.

 

ECHELON saiu da internet. ECHELON agora esta no seu proprio computador.

Leia este trecho do artigo do João Sicsú, Ivan, e note que ele é muito claro a respeito do aumento da participação da renda do trabalho na renda nacional:

"Segundo dados do IBGE, em 2005, atingiu 58,4%; em 2006, 58,9%; e, em 2007, 59,4%.
O IBGE ainda não divulgou dados de 2008 e 2009. Contudo, é possível calcular os números para esses anos com base na Pesquisa Mensal de Emprego e nas Contas Nacionais Trimestrais, ambas do IBGE. O técnico do Ipea Estêvão Kopschitz estimou que, em 2008, o valor alcançado foi de 60,1%; em 2009, foi de 62,3%.".

 

Nada a ver com a 'Folha' ou com o câmbio, portanto.

 

 

Marcos Doniseti

A matéria do João Sicsú,é oportuna,e mostra que gradativa embora lentamente,as duas últimas gestões federais,saiu do lugar comum e das promessas impagáveis,para a concretização do sonho de todo administrador público socialmente comprometido,que é o de distribuir equitativamente a riqueza nacional. Isso porem,incomoda à direita,e aos políticos da elite,como "bradou"domingo passado no debate entre os dois candidatos à Presidencia,o Jose Serra,que reclamou dos portos brasileiros,que estão sobrecarregados,e não dão conta do embarque/desembarque; Dos nossos aeroportos,que estão saturados e não estão atendendo a alta demanda, e de outras coisas mais,que a nova e ascendente classe média está atingindo,para desgôsto dos poderosos.

Faltou tempo,no debate,para a Dilma demonstrar que quem está causando este certo excesso de demanda,é a distribuição de renda que o governo brasileiro está implantando,e que tirou a grande maioria dos brasileiros da miséria absoluta,e deu-lhes condições de alimentar-se melhor;comprar bens de consumo de qualidade,viajar de avião,etc,etc...  

 

Os poderosos  vieram na escuridão, e destruiram a única rosa do meu jardim; Depois vieram novamente às escondidas, e destruiram todas as minhas roseiras, porem jamais conseguirão impedir, a chegada da primavera.

Isso demonstra que a política de transferência de renda, associada ao aumento do salário mínimo tem criado as condições para uma maior participação da renda do trabalho em relação ao PIB. 

Destaco no texto a ressalva de Sicsú:"  a desigualdade medida pelo Gini/Pnad não é adequada para revelar a distribuição da renda entre trabalhadores, de um lado, e empresários, banqueiros, latifundiários, proprietários de bens/imóveis alugados e proprietários de títulos públicos e privados, de outro. "

As pesquisas do IBGE não alcançam os setores beneficiados pela renda financeira. Estas informações somente podem ser obtidas pela Receita Federal. E estas informações são mantidas sob sigilo fiscal.

Este caminho ainda é longo e as medidas ainda são insuficientes. Os candidatos à presidência da república não têm uma proposta clara para aumentar a participação dos trabalhadores na renda nacional.

 

Ivanisa Teitelroit Martins

"candidatos à presidência da república não têm uma proposta clara para aumentar a participação dos trabalhadores na renda nacional":

Vai ficara pior pros trabalhadores, aumento de salario ou nao, jaque o cambio esta supervalorizado.  Se nao tomarem cuidado com o Brasil, os salarios reais dos trabalhadores vao estagnar por 30 anos, exatamente como aconteceu com os Estados Unidos, para que o dinheiro do pais se concentre mais e mais aas maos de pouquissimos.

Vamos rogar uma praga nos Safra so de raiva?  Ces topam, gente?

 

ECHELON saiu da internet. ECHELON agora esta no seu proprio computador.

Ivanisa,

 

Seu ponto é verdadeiro, mas pelo histórico de cada um, SERRA no governo FHC e DILMA no do Lula, acho que dá para ter alguma certeza que:

1 - SERRA vai dar mais preferência para aumento da renda de quem tem capital, via juros, e

2 - DILMA  vai dar mais preferência para aumento da renda de quem tem trabalho a oferecer, via empregos (mais e depois melhores),

Ou você ainda tem alguma dúvida?

Eu, vivendo basicamente da renda do meu capital, prefiro votar na DILMA, e ter a minha renda aumentando via crescimento dos lucros (e portanto dividendos) das empresas onde invisto meu rico dinheirinho (fruto de trabalho, poupança e depois investimentos), que via juros em renda fixa (esta escolha é socialemente danosa, e não terá blindagem o suficiente para proteger minha familia das consequências lógicas).

Obviamente, meus conhecidos e parentes de classe A paulistanos querem me internar (alguns pensam  em mandar me exorcisar), mas acho que eles confundem capitalista (que eu sou, e tambêm nacionalista, apesar de não nascido brasileiro), e rentista (que eu não sou, e eles são apesar de achar que não).

Alias, acho que uma parte da classe media brasileira tem um complexo aristocrático, e é por isso que acha que a melhoria da renda das classes de renda abaixo da dela só poderá ser negativa para ela. Balelas, os filhos desta classe media (se quiserem trabalhar de verdade) terão mais opções de empregos bem remunerados, e portanto melhor remunerados com o tempo.

Com isso, esses  filhos desta classe media não vão querer mais emigrar, o que muitos tem feito nas minhas relações.

Será que só eu vê isso!

Abraços,

 

Lionel

 

Vamos reunir os nossos, não somos poucos, somos muitos, somos milhões, vamos afastar para bem longe estes larápios, as pessoas boas estão com Dilma, gente como Oscar Niemeyer, Chico Buarque, Gilberto Gil, católicos, evangélicos, Quem apoia esta direita racista senão os mesmo que apoiaram o golpe de 64 ?????? Eles não passarão

 

Nassif,

 

Também carece de uma plano p/ fiscalizar nossas fronteiras, são milhoes e milhões de dólares todos os anos que nem se quer passam por postos de fiscalizações...isso é dinheiro que poderia melhorar nossa distribuição de renda.

Veja o que o diz o estudo realizado sobre nossas necessidade nas aduanas:

Estudo revela fragilidades das fronteiras brasileiras

http://www2.uol.com.br/canalexecutivo/notas101/1110201012.htm