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A farsa do grampo sem áudio: um crime impune


As teses levantadas no blog ganharam um belo presente de Natal...

A POLÍCIA FEDERAL concluiu que não houve grampo ilegal nos telefones do então presidente do STF, Gilmar Mendes, no episódio em que foi divulgado diálogo com o senador Demóstenes Torres (DEM-GO).

Ilimar Franco - O Globo 25/12/2010

Comentário

Desde o primeiro momento sustentamos aqui: a história do grampo da conversa do Senador Demóstenes Torres com o presidente do STF Gilmar Mendes era uma farsa. Acusei nominalmente o Ministro Gilmar Mendes de endossar uma farsa. Sua desculpa - de que limitou-se a receber o material da revista - não se justificava. Acusou sem provas, ajudou a alimentar uma crise política e, principalmente, a criar a cortina de fumaça que permitiu barrar uma investigação criminal.

A farsa do grampo sem áudio entrará para a história política brasileira como um dos momentos mais vergonhosos. Não apenas pela farsa em si, mas por ter sido endossada pior toda a velha mídia, avalizada pelo presidente da Suprema Corte, com o objetivo de criar obstáculos a uma investigação que, em que pese diversos erros, tinha chegado ao cerne do crime organizado. É farsa da mesma natureza do Plano Cohen,das Cartas de Arthur Bernardes.

Como fica agora? Em cima de mentiras e mentiras criaram-se CPIs, blindaram-se agentes óbvios do crime organizado, desmoralizou-se o jornalismo. Depois disso, mais mentiras, mentiras sucessivas da revista sendo repercutidas pelo Jornal Nacional, Folha, Estadão.

Pergunto: quais os limites que a democracia deve criar para que publicações como a Veja não coloquem em risco a liberdade de imprensa?

A ABIN MANUSEOU
ESCUTAS TELEFÔNICAS

Agentes da Abin confirmam que trabalharam com escutas telefônicas dentro das dependências do órgão em Brasília e em São Paulo. O material chegava em CDs, era transcrito e, depois, transformado em relatórios secretos de inteligência. Representante dos servidores da agência diz que os espiões do governo foram enganados


Expedito Filho e Policarpo Junior

Fotos Rose Brasil/ABR, Joedson Alves/AE e Beto Barata/AE

INVERSÃO DE PAPÉIS
Protógenes Queiroz (à esq.) chefiou a operação que contou com a participação
"informal" de pelo menos 56 agentes da Abin. O ministro Jorge Felix (no centro)
e o diretor afastado da agência, Paulo Lacerda, participam juntos de reuniões
S para definir estratégias da apuração do caso: suspeito investigando suspeitos

As investigações sobre a participação de espiões da Agência Brasileira de Inteligência na Operação Satiagraha já fizeram ruir praticamente todas as versões oficiais inventadas até o momento para tentar justificar a ação clandestina de um gigantesco aparato estatal e paraestatal que atuava à margem da lei. A "colaboração informal", a primeira das explicações oferecidas para justificar a presença de espiões em um caso policial, não resistiu à descoberta de que a ação movimentou um inusitado aparato de 56 agentes com vínculos funcionais com a Abin, número que pode ser bem maior. Agora, descobriu-se – oficialmente – que as atividades dos agentes nem sequer passaram perto da inocente versão segundo a qual eles faziam apenas consultas a bancos de dados. Além de seguirem, vigiarem, fotografarem e filmarem pessoas supostamente envolvidas com criminosos, os espiões do governo produziram relatórios secretos com base na audição de escutas telefônicas. Há um mês, VEJA revelou que arapongas a serviço da Abin grampearam sem autorização judicial conversas telefônicas de várias autoridades de Brasília. A prova do crime era um diálogo captado entre o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes, e o senador Demóstenes Torres, do DEM de Goiás, repassado à revista por um servidor ligado à agência. A Abin nunca admitiu o envolvimento de seus agentes com grampos, mas as provas começam a aparecer.

A Polícia Federal tem em mãos uma lista de todos os agentes da Abin que participaram da operação. Parte deles já foi ouvida no inquérito aberto para apurar o caso. Os espiões contaram detalhes do seu trabalho, que envolveu setores da agência em Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo. Os depoimentos são mantidos em segredo, mas dois espiões envolvidos já confirmaram ter manuseado grampos telefônicos e mensagens eletrônicas dentro das dependências da Abin. Um deles, encarregado de analisar o material, contou a VEJA que os grampos chegavam em CDs, eram transcritos e transformados em relatórios de inteligência. Depois, o material era encaminhado aos chefes dos respectivos setores. O grampo ilegal do ministro Gilmar Mendes percorreu todos esses estágios de produção dentro da agência, mas foi descartado porque não havia na conversa nada de relevante – nem para a investigação da Satiagraha, nem para consumo interno da Abin. Os outros – e havia muitos outros – viraram relatórios de inteligência.

Fotos Wilson Dias/ABR e Paulo Carvalho/CB

AINDA EM AÇÃO
O ex-diretor adjunto José Milton Campana (à esq.) e o delegado Renato Porciúncula: afastados da Abin, o primeiro teria convocado os agentes para uma "missão presidencial"
e o segundo continua interagindo com os envolvidos

As escutas telefônicas circularam pelos gabinetes da Abin em Brasília e São Paulo. Em entrevista a VEJA, o presidente da Associação dos Servidores da Agência, Nery Kluwe, confirmou que, de fato, os agentes do órgão manipularam escutas telefônicas, mas que não cabia a eles questionar se elas eram legais ou não. Como a missão era oficial, subentendia-se que os grampos tinham origem em autorizações judiciais. Segundo ele, apesar de a operação ter sido completamente atípica, os agentes da Abin acreditavam estar participando de uma missão oficial. "Eles foram chamados para supostamente cumprir uma missão de interesse do presidente da República", diz. A tal ordem de missão, de acordo com o representante dos agentes da Abin, foi repassada pelo ex-diretor adjunto da agência José Milton Campana, afastado pelo presidente Lula depois da eclosão do escândalo (veja a entrevista abaixo). A se confirmar isso, os dirigentes da Abin cometeram um delito ainda mais preocupante. Além de atuarem nas sombras, interceptando ilegalmente telefones de autoridades, também teriam usado o nome do presidente da República para dar legitimidade às operações clandestinas.

Apesar da gravidade, a depender das investigações do governo, é pouco provável que as ações ilegais dos arapongas da Abin sejam desnudadas. Mesmo afastado da agência, o ex-diretor Milton Campana continua agindo nos bastidores. Há três semanas, ele se encontrou num restaurante com o delegado Renato Porciúncula e com o ex-diretor de Contra-Inteligência Paulo Maurício – ambos também afastados da Abin – para orientar o depoimento de Francisco Ambrósio, agente aposentado que participou da operação. Em depoimento à CPI dos Grampos, Ambrósio afirmou que os ex-chefões da agência o orientaram a depor na polícia tão logo surgiram suspeitas de que ele poderia ter conhecimento dos grampos ilegais. Campana teria ficado calado na conversa do restaurante, segundo relato do servidor. Ouvido por VEJA, o ex-diretor adjunto declarou que foi ao restaurante apenas para ouvir o que o ex-agente tinha a dizer. Também garantiu que nunca fez menção alguma a um eventual interesse presidencial na Operação Satiagraha. Possivelmente, essas circunstâncias serão esclarecidas. Há uma sindicância em andamento no Gabinete de Segurança Institucional, o órgão hieraquicamente superior à Abin, para apurar o caso dos grampos. Os diretores afastados pelo presidente Lula, incluindo o ex-diretor Paulo Lacerda, dão expediente no GSI, inclusive participando de reuniões sobre o caso. O general Jorge Felix, que comanda a pasta, parece não ter percebido ainda que existe um conflito elementar de interesses que impede investigados de participar da investigação.

No extremo mais promissor da investigação, a Polícia Federal ouviu, na semana passada, o depoimento do juiz Fausto de Sanctis. Ele voltou a dizer que não autorizou a realização de nenhum tipo de interceptação contra o ministro Gilmar Mendes. Muito antes da revelação da existência do grampo contra o ministro, a desembargadora Suzana Camargo, vice-presidente do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, contou ter ouvido de De Sanctis um relato com detalhes sobre o que se passava no gabinete do presidente do STF, inclusive reproduzindo diálogos entre assessores do ministro. A partir do relato da desembargadora, transmitido a Gilmar Mendes, a segurança do tribunal realizou uma varredura nas salas da presidência e encontrou fortes indícios de grampo eletrônico. O episódio ocorreu no dia em que Gilmar Mendes revogou a prisão preventiva do banqueiro Daniel Dantas. De Sanctis é o juiz responsável pela Operação Satiagraha, comandada pelo delegado Protógenes Queiroz, também afastado do caso. A desembargadora Suzana Camargo alertou o presidente do STF de que ele estaria sendo alvo de um possível monitoramento – conclusão a que chegou após conversar com o juiz. Ela se colocou à disposição da polícia para, se necessário, participar de uma acareação com De Sanctis. Espera-se que seja feita.

 

Os grampos chegavam em CD

Dida Sampaio/AE

DE DENTRO
Nery Kluwe não sabe se as escutas telefônicas eram legais ou não, mas garante que elas foram enviadas pela PF

O presidente da Associação dos Servidores da Agência Brasileira de Inteligência, Nery Kluwe, confirmou que os agentes da Abin envolvidos na Operação Satiagraha tiveram em mãos escutas telefônicas – não sabe ele se legais, ilegais ou os dois tipos – que eram transcritas e transformadas em relatórios secretos. Ele, no entanto, diz que os agentes não fizeram nada de ilegal e que foram enganados pelos superiores:

Qual foi a exata dimensão da participação dos agentes da Abin na Operação Satiagraha? Nossos profissionais foram envolvidos numa investigação acreditando que era uma missão presidencial. O presidente da República está resgatando nossa dignidade profissional. Nada mais natural, portanto, que houvesse uma empolgação dos agentes com a missão. Mas, ao que parece, a missão era uma coisa pessoal e nada tinha a ver com o presidente.

O que você quer dizer com missão presidencial? Os companheiros que participaram me disseram que receberam a tarefa como uma missão presidencial. Houve uma reunião em Brasília no fim do ano passado, com a presença de alguns diretores da agência, em que foi dito que nossa atuação na investigação da polícia era necessária para atender a uma ordem do presidente da República.

Quem transmitiu essa versão? Isso foi passado aos nossos servidores pela autoridade responsável pela área de inteligência, o doutor José Milton Campana (diretor adjunto da Abin, afastado pelo presidente Lula). Os chefes que ouviram isso do doutor Campana repassaram a informação a seus subordinados, que a transmitiram aos agentes. Embora muitos nem sequer soubessem exatamente o que faziam, acreditavam estar desempenhando uma missão legítima.

Foi dito então aos agentes que eles estavam sendo convocados para cumprir uma ordem do presidente da República? Exatamente. Uma ordem emanada do presidente. Um trabalho de interesse do presidente da República.

Por que você diz que muitos nem sabiam exatamente em que estavam trabalhando? Muitas vezes os nossos agentes não sabem nem detalhes do alvo que vigiam ou o objetivo da missão. Nosso trabalho é compartimentado. Por questões de segurança, cada um executa uma tarefa distinta sem saber a do outro. No início, a tal cooperação era apenas um trabalho de vigilância, levantamento de dados e acompanhamento de algumas pessoas. Depois, evoluiu para uma investigação policial propriamente dita. Aí aconteceu de tudo.

Tudo o quê? Existe um rol de atribuições legalmente definidas para os profissionais de inteligência. Nós temos a expertise de acompanhar alvos e levantar dados sobre pessoas. A missão, como eu disse, era, inicialmente, apenas observar os alvos definidos. Depois, nossos agentes foram destacados para missões de análise e perícia de documentos colhidos pela Polícia Federal.

Isso inclui escutas telefônicas? Nossos agentes produziram relatórios com base em escutas telefônicas que chegaram à Abin através da Polícia Federal. Se elas eram legais ou não, eu não sei. Ninguém estava ali para questionar isso. Chegavam em CD e o nosso pessoal apenas transcrevia e analisava o material. Repito: não fazemos escutas.

O diálogo grampeado do ministro Gilmar Mendes com o senador Demóstenes Torres passou pela análise da Abin? Não sei.

 


Imagens

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O  país precisa de uma Assembléia Geral Constituinte.

E a AGC tem que declarar, logo na sua primeira decisão, que ela é o Poder Originário, que diante de suas decisões, não existe "tradição do direito brasileiro", nem "recepção das leis antigas pela nova constituição", e muito menos "jurisprudências pacíficas": tudo será novo, e a "tradição jurídica", refundada.

Até os cargos não-eletivos poderão ser extintos, seus ocupantes aposentados ou demitidos pela AGC. Só os eleitos, porque escolhidos diretamente pelo Povo, permanerão imunes, pois seus cargos  estão alicerçados no Poder do Povo.

E a AGC deve acabar com a estabilidade no cargo para todos os funcionários públicos, inclusive juízes. E deve estabelecer critérios de avaliação de desempenho, e mecanismos automáticos de demissão dos funcionários públicos com desempenho insuficiente.

 

Desde quando um parecer da PF é verdade absoluta? Que independência eles possuem, sendo hierarquicamente submetidos ao Ministério da Justiça? Jornalistas não entregam nem podem entregar fontes, basta que o material seja divulgado e, obviamente, preservado para evitar que a fonte seja identificada. A PF não tem autoridade alguma a respeito disso. Não é neutra. Nunca foi.

 

Tem que se fazer uma CPI para apurar toda essa safadeza. E ao final, CADEIA NESTA CAMBADA DE SAFADOS!!!!

 

Amigos, não estamos lidando com colibrís mas águias. Não se surpreendam se eles mesmos nao tenham um pendriver com a gravação da própria conversa!

 

Foi a defesa Mangabeira Unger: "Eu fiz o engano de acreditar no que li na imprensa brasileira."

 

A nossa democracia será sempre incompleta enquanto o Judicário e a imprensa não tiverem que prestar contas do seus atos para nós reles cidadãos.

 

Juliano Santos

Essa mentira desmentida agora foi a primeira fase do contra-ataque..  Adeus Gilmar.

 

O mais difícil é ver o grande governo do Predidente Lula terminar com uma PIZZA deste tamanho.

 

Desdobramento dessa FARSA: Que a PF indicie os culpados e envie á Justiça. Caso se faça de desentendida, uma Representação ao Ministério Público Federal pra tomar as devidas providências legais.Se o MPFederal se fingir de Morto, ao Concelho Federal de Justiça, afinal o Gilmar, não pode sair incólume desse Crime. Algum Ministro do STF, pedir punição ao Gilmar e encaminhar IMPEDIMENTO ao Senado do ator ingolível Gilmar. Enfim, algum Cidadão de comprovada Reputação Ilibada como o Jurista Dalmo Dallari, COMPARATO....pedir o IMPEDIMENTO DIRETO desse elemento midiático do PIG. A Mentira tem Perna Curta. Ainda bem, que esse Blog do LUIS e Comentaristas já tinha desancado o ocupante de cargo no STF. Com a Palavra os demais Ministros do SUPREMO. Será que alguém naquela casa,STF, exercitará seus sábios conhecimentos de DIREITO e tomará atitude diante desse CRIME? No aguardo. de Belo Horizonte.

 

Por que as pessoas conseguem organizar "fash mobs" idiotas mas não conseguem organizar um protesto pra bater panelas na frente do STF?

 

Se o Judiciário não fosse o poder mais ordinário da República, o sr. Gilmar Mendes seria processado por crime de subversão à ordem constitucional.

Dúvido que exista em todo o poder Judiciário um único homem ou  uma única mulher com coragem para iniciar o devido processo legal contra Gilmar Mendes.

 

INFELIZMENTE VIVEMOS NUM PAÍS ONDE AS AUTORIDADES DO JUDICIÁRIO E DO LEGISLATIVO NÃO TEEM VERGONHA NA CARA! 

Se nessa nação houvesse gente de brios, esse crime, assim como outros vários, não ficariam impunes e a mercê do esquecimento das autoridares e da sociedade. Haveria responsabilizações e tais praticas não seriam toleradas e muito menos apasiguadas. 

As nossas autoridades e incluo nessa fieira de vergonha o autor da ultima bandalheira chamada "bolinha de papel"...

Infelizmente, gente sem vergonha está no topo do poder em nosso país...

 

Lula vai deixar passar em branco essa farsa? STF E Senado juntos numa farsa, que vergonha, que país é este? Que senador e ministros-Jobin e Gilmar- são esses??? Não dará nada??

Meu Deus!!!!!!!

 

Não se esqueçam da contribuição do Superintendente da Polícia Federal.

Enquanto demorava até o momeno de ser substituído, perseguia sem tréguas o Delegado Protógenes de Queiroz.

O Sr. Luis Fernando teve grande participação neste pastelão.

 

 

Ministro do STF e Senador da República são agentes políticos, representam o Estado. Os direitos fundamentais protegem o cidadão e a sociedade em face do Estado. Como esses agentes políticos são representantes do Estado, teriam eles direito ao sigilo telefônico, fical ou bancário, se o quê prepondera na Administração Pública é o princípio da publicidade, justamente para evitar conluios em desfavor da sociedade?

Afora isso, muita fofoca para nada. Aliás, só para desviar o foco de DD e seus assessores na investigação da PF, com a questão do Estado policial, da persiguição ao cidadãos de bem, etc e tal.

E o custo disso, reputações atacadas. O Dr. Lacerda deve ser reconduzido para a PF.

Agora o projeto para "repatriar" dinheiro lavado do Delcídio, o "Amoral". Triste fim de governo no combate aos corruptores.

 

 

gente,

o gilmar está acima da lei. ele faz o que bem entende e até chamado

de gangster por um de seus pares no STF foi! e nada! realmente, temos de eleger por voto direto os ministros do STF! ou esperar mais uma geração deles indicados pela dilma! antonio rodrigues

 

Em minha opinião, o fato de a Polícia Federal ter concluído que não houve grampo não muda nada. A velha mídia vai continuar insistindo que houve. Simples assim. Aliás, ontem, no Uol, havia uma manchete que dizia o seguinte: STF arquiva ação sobre fala de Lula após agressão a Serra. Ou seja, não importa que a farsa da bolinha de papel tenha sido desmontada, a velha mídia continua a tratar o episódio como agressão. Não adianta, mesmo depois de todo o ridículo da situação, a velha mídia ainda fala em agressão a Serra.  

 

Esse lance protagonizado por aquela thurminha e auxiliados por aquela infame revista é de uma velhacaria que só encontra par naquela reportagem sobre as contas no exterior do Lula e outros fabricada pelo mesmo infame panfleto e por Dantas. Como artistas, são uns canastrões.

 

Vai tudo pra de baixo do tapete...

 

Todos os supostos "escândalos" do período Lula tiveram em sua origem alguma farsa. Concordo que a do grampo sem áudio talvez tenha sido a maior de todas, comparável ao Plano Cohen e às Cartas de Artur Bernardes. Mas não podemos esquecer que o "mensalão" também se tratou de uma farsa, que  derrubou ministros e teve potencial para derrubar o Presidente da República, isso só não acontecendo devido a um erro estratégico da oposição verbalizado por FHC, a teoria do sangramento contínuo até as eleições.

Houve também a farsa do caseiro que recebeu dinheiro para acusar o Palocci (escândalo da casa do lobby), a dos cartões corporaticos (escândalo da tapioca), do dossiê contra FHC e D. Ruth, entre outros. Em períodos eleitorais o consórcio oposição + mídia produziu dezenas de escândalos baseados em mentiras, como a ficha policial da Dilma e a bolinha de papel do Serra, para ficar nos mais recentes. Serra, por si só, é uma das maiores farsas políticas que a direita já produziu, disputando o posto com Collor no photochart.

Olhando em retrospectiva, todos os escândalos reais - compra de votos para a reeleição, manipulação cambial, formação de grupos para levarem as empresas privatizadas a preço de banana, etc. - foram criados pelos que estiveram no poder de 1994 a 2002 e contaram com o apoio e conivência desses mesmos órgãos da mídia: Veja, Folha, Globo, Estadão. Os mesmos que criaram  e respaldaram as farsas e os falsos escândalos do período Lula.

Muitos crêem que, com a saída de cena de Serra e de alguns parlamentares trogloditas, como Heráclito Fortes, Arthr Virgílio, Tasso Jereissati, Mão Santa, Marcelo Itagiba, a oposição ao governo Dilma será mais civilizada, ou que as seis famílias donas da velha mídia irão arrefecer seus instintos golpistas. Ledo engano! Como já anunciou o boquirroto Roberto Jefferson, será "um incêndio por dia".

Por isso, acredito que uma das primeiras medidas que a presidente Dilma deveria tomar, aproveitando a precária maioria parlamentar de seu início de governo, seria enviar ao Congresso o projeto de uma Lei de Imprensa nos moldes da Ley de Medios argentina. Sem isso seu governo corre o sério risco de ficar paralisado por uma sequência de crises institucionais que podem culminar com sua derrubada, mesmo que isso custe ao país o preço de uma guerra civil.

 

Sanzio:

Seus comentários vão sempre ao ponto que interessa, sem rodeios, mas tampouco apelam para baixarias. Parabéns!

 

José Antônio

Agora como fica a situação do delegado Protógenes Queiroz, queimado por uma denúncia vazia de grupos estranhos aos interesses nacionais, gente como o senador Demóstenes e o ex supremo Gilmar Mendes?

Bem, agora o Deputado Protógenes (meu deputado, pois votei nele com confiança), volta e deve ele sim, pedir a abertura de uma CPI para passar a limpo todo este embuste que ameaçou a estabilidade de instituições da república e de um país inteiro.

Também aqui peço à Presidente Dilma e ao nosso Congresso que aprove uma lei obrigando os jornalões, revistas e mídia em geral a abrir espaço para o outro lado na mesma medida, bem como a obrigatoriedade de informar com base em provas reais e conclusivas, sob pena de responsabilidade civil e mesmo responsabilidade de crime contra a segurança nacional.

 

Alguém pode me dizer em que página está essa notícia? Eu não a encontrei no jornal impresso! 

 

Está na segunda página, coluna política, bem no pé, nas notas finais.

 

Valeu!

 

kkkkk, vcs acham que os dotô estão se linchando para o que a história dirá? O importante para eles é que a conta da suiça ta recheaaaaaaaaaaaaaaaaaaada.

 

A Satiagraha será a mancha do governo Lula. Êle deve explicações sôbre o afastamento do delegado Protógenes e do Paulo Lacerda.

 

"Tudo me é lícito mas nem tudo me convém" Contra o Preconceito e a Discriminação, o repúdio e a Lei.

CQD.

 

Afinal de contas o que são Gilmar Dantas ,  Johnbim , Demóstenes, sem que  nós , cidadãos contribuintes , permitamos que  sejam , já que ocupam cargos públicos.   Êles têm que prestar contas por seus atos , como todos nós, têm que ressarcir o erário público pelo trabalho que demandaram  suas conspirações, agora provadas. Os órgãos públicos responsáveis pelo enquadramento  dêsse tipo de pilantras  tem que responsabilizar tôdos êles  , e  agravar a denúncia , por conta do cargo público relevante  que ocupam. Caso êsses órgãos não se manifestem , pau nêles tambem.

 

A conexão Nelson Jobim- Gilmar Mendes, revela a dimensão da traição que existe dentro do governo Lula. Lula foi um frouxo com o Jobim e se deixou domar pelo Mendes. Com sua habilidade pragmática de sindicalista, pôs literalmente o galho dentro. Se existe um culpado por tudo isso foi o Lula. Vai levar esta para a sua aposentadoria. Não enfrentou os milicos pró-ditadura, foi inferior ao FHC neste ponto, e manteve este traidor do Nelson Jobim passando informações do governo para o embaixador americano, como foi revelado recentemente. Dilma, ao manter esta "pústula" no governo, concilia tal como Lula (acho que até por influência dele) com a podridão que é esta conexão Jobim-Mendes-Dantas (sem contar com o Greenhald - advogado do Dantas e pau mandado do Zé Dirceu). Infelizmente, se existe um "dó menor" na administração Lula, foi a pactuação do com o crime organizado comandado por Daniel Dantas.

Como a Dilma pôs para escanteio outro traidor, este da área econômica (Henrique Meirelles), espero que depois da primeira fornada deste ministério, venha a dar um belo chute no traseiro no Jobim e ponha um diretor da Polícia Federal que combata o crime organizado de colarinho branco (também tenho minhas dúvidas, ao pôr um "dantista" no ministério da justiça).

Também espero que enfrente a milicada que torturou - a de frente, não fuja da luta (acho que este não é uma de suas características) como o Lula fugiu ao só para atacar a frente "econômica". Se passarmos mais 4 anos fugindo do acerto de contas com estes lixos históricos, certamente cairá no esquecimento, já que a presidente foi uma das vítimas.

Dilma, enfrente esta turma para o bem das próprias forças armadas, todo os novos oficiais querem se livrar da peche que muitos dos seu chefes carregam prisioneiros do fantasmas fascistas do passado.

 

Prezado Nassif

Infelizmente os aspectos da prática da Política e Administração governamental  brasileiros (Municipal. Estadual e Federal ) estão irremediavelmente contaminados pela famosa "Conversa de Bandido" .A propósito, até hoje eu me inquieto com o temor expresso publicamente pelo  Delegado PF Prótogenes , do seu profundo receio de que poderiam impunemente movimentar a sua conta financeira e como consequência , o mesmo sempre gurdava em sua residência o seu numerário .Parece até que os "arapongas"  seguem  no nível federal , aqueles protocolos subjacentes as  "Pesquisas" do varejo Policial  contra supostos traficantes comuns : viola-se a privacidade dos mesmo , não com o objetivo principal de impor a Lei , mas somente  para pilhar-se o "Patrimônio" ilegal destes  criminosos .A famosa regra : "Ladrão que rouba Ladrão , tem cem anos de Perdão!" .E assim se o "Alvo" é limpo , passa-se as informações colhidas para os Serviços "Terceirizados" do Crime !.Neste ponto devemos relembrar  a afirmação de um Delegado respeitado da Polícia Carioca ,Sr Hélio Luz , por ocasião de sua pose na Delegacia anti-sequestros nos anos 90  , afirmação esta  relacionada a intensa e sistêmica  participação de Policiais nos sequestros .

 

Idem per idem

 

Só vou comentar, com tradição, família e propriedade, depois de ler os informes offs e docs do referido crime impune, que aliás, nas altas esferas de colarinho dogmático e colarinho branco tal qual qualificativo crime impune é mera redundância... pois só vou comentar depois de ter o acesso para esse fato no informativo up-to-date WikiLeaks - a verdade verdadeira sem a cosmética fake do jornalismo de contrapartidas e contratos.

Dar destaque para o termo crime impune é dar manchete de coisa tão banal e costumaz no país onde o crime impune dá mais que chuchu na cerca... Basta lembrar do case jurídico pimenta neves que assassinou a ex-namorada, foi julgado e condenado no tribunal de júri e a justiça brasileira das ab aeterno filigranas processuais formais à gosto do freguês... tornou, na faina cartorial, por assassinar, lentamente, também, a pobre família da vítima do crime passional.

É muito triste essa sina brutal do crime impune de colarinho dogmático e branco para o país e seu povo.

 

"Não há segredo que o tempo não revele, Jean Racine - Britânico (1669)" - citação na abertura do livro Legado de Cinzas: Uma História da Cia, de Tim Weiner. 

Prezado Nassif

Infelizmente , muitos interesses (especialmente estrangeiros) contaminam e contaminaram a moralidade do Estado Brasileiro .E esta indústria de escutas do Crime Organizado é o modo de operação desta guerra Mafiosa high tech  envolvendo informações privilegiadas envolvendo bilhões de dólares do erário público .Por exemplo :

Prezado Nassif

O ponto principal deste muito bem vinda e democrática discussão das compras de Defesa militar brasileira no seu Blog é relativo a suspeita de que as reais necessidades militares brasileiras de modernização de táticas e armamentos está sendo alvo de um lesivo plano ao ser  usada para justificar  a negociação de instalar sucursais de Fábricas de Armamento Franceses no Brasil , e tudo financiado pelo BNDES !. Desde 2004, setores políticos , acadêmicos , industriais e militares , tentaram criar a propaganda interna de que a comunidade científica e tecnológica brasileira tem competência presente para absorver alta tecnologia militar avançada destes convênios firmados com empresas particulares estrangeiras para transferência de tecnologia (e sem nenhum aval dos seus Governos!.E  assim justificando o preço exorbitante dos pacotes negociados com os Franceses (e outros!) .Note que a transferência de tecnologia militar  embutida nestes pacotes é unicamente acopladas a fabricação dos vetores , e não dos armamentos (Mísseis, Bombas , canhões,torpedos,etc,..)-Um verdadeiro "Pato Manco" para as reais  necessidades bélicas  militares modernas brasileiras ! (Do que adianta uma arma ultra-sofisticada sem a devida munição ?).E por este motivo , é que os Russos condicionaram a transferência de tecnologia dos SU a capacidade brasileira de absorção da mesmas .Note também que está sendo negociado produtos ainda não existente nos Mercados e que somente entraram em operacionalidade nestes Países daqui há 5-10 anos ! (Os Raphaelle franceses ainda não tem a sua capacidade de combate intensiva comprovada -corriga-me em caso de erro!).Por que também não comprar excelentes aviões já em operação (SU-29, F-16, Sea Harrier ingleses, etc.. , como parte dos pacotes?-Para cada vetor ultra-moderno , um vetor já em operação e suite de armas completas . no lugar desta nebulosa transferência de Tecnologia ) .E a fundamental transferência de tecnologia de construção dos armamentos que equipam  estes ultra-sofisticados vetores ?.Tudo muito suspeito e necessitando de re-avaliações , em minha opinião de cidadão contribuinte brasileiro .

Média:

 

Mesmo ao ler tanta bobagem, ainda agradeço a Deus não ser cego.

 

E agora? Vai continuar tudo como se nao tivesse acontecido nada? E o Dr Paulo Lacerda? VAi deixar "pra lá"? Eu, sinceramente, espero que as pessoas acusadas durante a referida farsa busquem na justiça a devida reparação! Assim, veriamos John Been. Gilmar Dantas, Demostenes sendo junlgados por conspiração contra a pátria!

 

Tatui, a resposta à sua pergunta é SIM: tudo vai continuar como se nada tivesse acontecido. Pode apostar.

 

 

É lamentável que ninguém será punido além do Lacerda e do Protógenes nessa história toda. Ao votar sempre em Lula, nunca imaginei que ele ia "botar o galho dentro" diante de um "ataque de pelanca" de um ministro do Supremo. O pragmatismo talvez tenha utilidade por 15 minutos na política, mas por 8 anos? Aí já é descaracterização demais até mesmo para os padrões "modernos".

Qual o resultado prático desse episódio? A Polícia Federal nunca mais foi a mesma que começava a encher o cidadão brasileiro de esperança.

Tem mais coisa nessa história aí. Quem sabe Daniel Dantas nos possa revelar mais alguns caroços do angu petista...

 

E quantas mentiras por semana lê aquele/a que ainda lê esta revista semanal?  E há quanto anos?  E quais são os efeitos danosos destas fabricações para o país e a vida de todos nós, mesmo os que já não a lêem?

 

Neste episódio o presidente do STF,baseado em reporcagem da....veja,chama o Presidente da República "às falas" e o Lula com sua simplicidade,foi!Hoje dá pra rir de tal fato.Como um ministro,presidente do Supremo e um senador da República se expõem a situações tão risíveis!É meu amigo,o inferno não está tão distante.É logo ali.

 

Se isso sair impune, eu juro que vou começar a gastar toda minha vida para derrubar esse regime político bandido.

 

É hora de "chamar às falas" o Sr. Gilmar Dantas. O mais falastrão e  menos republicano ministro de toda a história, com recorrentes tentativas de ingerência nos poderes executivo e legislativo.

Conflito de competência não existe no dicionário do sr. Gilmar Dantas. Nem competência.

Foi incompetente, no plano interno, em criar um ambiente produtivo com seus pares, ao tratar de forma desrespeitosa, repetidas vezes, outros ministros que não partilhavam de seus pareceres, de sua godspell.

Foi incompetente, no plano externo, em afirmar e lustrar a imagem do Supremo como uma corte equilibrada, ao expor incontáveis vezes suas opiniões sobre temas em que a corte deveria se manifestar futuramente.

Só essa compulsão em falar já bastaria para abalar a imagem da corte e manchar seu mandato. Mas ele ainda conseguiu se superar ao criar o "habeas corpus delivery" e justificar o ato falho de seu aliado que criou-lhe o apelido Gilmar Dantas.

Agora é só rezar para ele se recolher à sua real dimensão. Ai, meu São Dallari ...

 

Sem dúvida, o mais falastrão e o menos republicano. Na época do "chamar às falas", empenhou-se pessoalmente em criar uma crise institucional entre o Executivo e o Judiciário. Não conseguiu por republicanismo da outra parte, que se fez de capacho. O que teria sido se o Executivo tivesse respondido à altura? Aí sim seria uma crise sem tamanho.

 

Cadê o Ministério Público ?  Isso não pode ficar assim.  Eles fazem o que querem e não acontece nada.  É lamentável. 

 

Não podemos esquecer da ridícula participação do Ministro Nelson Jobim no epsódio.

Por falar no Supremo, o Ministro-chefe da CGU não anda muito satisfeito com o mesmo.

 

Decisões do STF dificultam combate à corrupção, avalia Hage Ministro-chefe da Controladoria-Geral da União acredita que STF peca por aceitar recursos em demasia e impedir quebras de sigilo

Severino Motta, iG Brasília | 25/12/2010 10:46

 

O ministro-chefe da Controladoria-Geral da União (CGU), Jorge Hage, disse ao iG que decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) estão na contra-mão das tentativas de combate à corrupção. De acordo com ele, o aceite de diversos recursos extraordinários protelam julgamentos que acabam por não ter fim, impedindo prisões e elevando a percepção social da impunidade. Além disso, a Corte não estaria autorizando o acesso a dados fiscais e bancários de pessoas ligadas a desvios de recursos de públicos.

Em entrevista, o ministro ainda ponderou que o Supremo deveria estar mais ligado aos anseios populares em suas decisões. Disse que as emendas parlamentares são uma das fontes de corrupção no país e que hoje, órgãos como a CGU, ficam restritos a punições administrativas que, no caso de alterações na legislação, poderiam ser mais eficientes na punição a infratores.

Veja abaixo trechos da entrevista:

iG: Quais as dificuldades que a CGU encontra junto ao STF no combate à corrupção?

Hage: É um conjunto complexo. Inclui a legislação processual na parte de recursos e possibilidades imensas e diversificadas de criação de incidentes processuais protelatórios. Nas franjas e dobras da lei processual sempre há espaço para protelar o andamento do processo, embaraçar, retardar. O simples fato que isso se combina com entendimento do STF que o réu só pode ir para prisão depois do transito em julgado contribui para a sensação de impunidade. Hoje só existem prisões cautelares. Logo depois, vencido o prazo razoável, os réus são soltos. Respondem em liberdade e respondem a todos os recursos em liberdade, o que, a meu ver, é absurdo. No mínimo, o recurso especial para o Superior Tribunal de Justiça ou o extraordinário para o STF, que por lei não tem efeito suspensivo, deveriam permitir execução da pena mesmo na pendência desses recursos. Mas o STF dá interpretação que o princípio da presunção de inocência impede que a pena seja aplicada enquanto não se esgotaram também esses recursos. O que significa é que o réu não vai para cadeia nunca, pois o processo não termina no Brasil.

iG: Há limitações no que diz respeito à quebra de sigilos?

Hage: É outra área que sempre estamos encontrando limites. O sigilo fiscal, bancário e telefônico foram instituições que se construíram para preservar a intimidade e a privacidade do cidadão enquanto indivíduo, o cidadão normal, comum. Agora, deixar que isso se transforme em biombo para o corrupto, para o improbo, não é a lógica desse princípio.

iG: Isso está acontecendo?

Hage: Sim, está sendo a prática. Frequentemente se assegura inclusive a bancos oficiais, veja bem, a bancos oficiais, bancos públicos como Banco do Brasil, o BNDES, a Caixa, o Banco do Nordeste, entre outros, a manutenção de sigilo, mesmo quando se trata de contas onde há dinheiro público ou pelo menos subsídios públicos. É sigilo contra os órgãos de controle. O que defendemos não é quebrar sigilo para abrir contas para o conhecimento público, mas não se contrapor sigilo a órgãos de controle que tem na mesma Constituição suas funções e deveres de fiscalização do dinheiro público.

iG: O Supremo tem agido para preservar sigilo em detrimento das investigaçãoes dos órgãos de controle?

Hage: Frequentemente. O TCU e nossa próprias pretensões têm esbarrado nisso.

iG: O senhor acredita em pressão social para reverter esse quadro no Supremo?

Hage: Sem dúvida nenhuma. Tenho repetido várias vezes que a população deve se inspirar no sucesso da Lei da Ficha Limpa. Só passou no Congresso por conta da pressão popular. E passou nos tribunais superiores por conta da pressão pública, mesmo não tendo isso ainda uma vitória completa devido ao empate no STF, mas já é um enorme avanço. E a pressão social funciona também em relação ao poder judiciário, sobre tudo nas cortes superiores. Membros do STF sustentam que não é necessário falar só nos autos, que eles podem e devem falar com a sociedade pois são uma instituição político-jurídica social, e não órgão técnico jurisdicional.

Claro que no primeiro e segundo grau não se deve decidir sobre a pressão das ruas. Mas é claro também que preservamos e conservamos o júri, que é a sociedade decidindo, é a rua decidindo. Não digo uma mudança de posição seja do STF ou do Congresso no calor de uma crise, não é isso, não é dizer que hoje o Rio está em pé de guerra e que se deve mudar as leis ou orientações jurisprudenciais. Não é isso, mas mudanças como essa, de dar outro entendimento ao princípio da presunção da inocência, que hoje impede na pratica a punição de corruptos, não é calor do momento, é algo constante na sociedade, então parece que cabe sim a pressão da opinião pública no STF.

iG: Saindo um pouco do STF, o senhor disse numa palestra recente que as emendas parlamentares são uma fonte de corrupção.

Hage: Nem todas. Eu digo que algumas podem ser. Há emendas muito bem intencionadas e que aperfeiçoam a proposta orçamentária, mas há muitos casos de emendas que já vêm com o carimbo e intenção de financiar uma determinada obra com superfaturamento, com direcionamento de licitação, já combinadas com prefeito. Por isso defendo revisão na legislação de elaboração orçamentária para dar mais segurança e transparência na questão de emendas para reduzir a influencia desse tipo de intenção.

iG: Por fim, o que a CGU tem conseguido fazer no combate à corrupção? Tem recuperado dinheiro?

Hage: Devido à morosidade do processo judicial o índice de retorno é baixíssimo. Fala-se em 5% a 10% de recuperação. Nós estamos aplicando penas administrativas. Em oito anos foram 2,8 mil funcionários afastados: diretores de estatais, auditores da receita, procuradores federais, superintendentes, subsecretário de orçamento. São autoridades de níveis altos, não há mais a certeza da impunidade. Aliás, de vez em quando, ouço preocupação no sentido inverso, gente não querendo ocupar cargo de decisão com medo de ser acusado de improbidade e perder o cargo. Mas isso é bom, pois quem não deve não teme, não deve ter receio.

E, do lado empresarial, extraímos o máximo que a lei permite na sanção administrativa. Empresas que cometem conluio, fraude à licitação, pagamento de propina e ilícitos contratuais temos aplicado a Lei 8.666, que leva à suspensão de contratar ou licitar e à declaração de inidoneidade. Além de darmos multas, que tem efeito menor. Por outro lado encaminhamos ao Congresso a lei de responsabilização da pessoa jurídica, que prevê multa de até 30% no faturamento da empresa por via administrativa. Há o projeto encaminhado pelo presidente Lula que aumenta as penas do crime de corrupção e o torna hediondo, o que viabiliza providências mais drásticas no curso do processo e reduz as possibilidades de livramento condicional e antecipado. Outro projeto tipifica o crime de enriquecimento ilícito e ainda outro que está andando, que, aliás, é o único que está andando, é o do acesso às informações. E anda por pressão da sociedade. Ou seja, a iniciativa de projetos de lei é algo que enfatizamos e precisamos da pressão da sociedade para passar isso e para se combater a corrupção.

 

http://ultimosegundo.ig.com.br/politica/decisoes+do+stf+dificultam+comba...

 

Correto seu comentário. Não podemos e não devemos esqueçer a particiáção de JOBIM (John Bean ) nessa farsa.

Leoa rambém:

 

O ministro X-9 (AQUI)JOBIM (John Bean ) E SAITO – O DILEMA DE DILMA (AQUI)

 

“Instrui-vos, porque precisamos de vossa inteligência. Agitai-vos, porque precisamos de vosso entusiasmo. Organizai-vos, porque carecemos de toda vossa força.” Revista Lórdine Nuovo

Falando no diabo...olha só que absurdo o que o Gilmar Dantas e sua famiglia aprontam em Diamantino. E a grande mídia se finge de morta!

O prefeito e o coronel

Leandro Fortes17 de novembro de 2010 às 12:25h

Obcecada por destruir um adversário político, 
a família do ministro Gilmar Mendes não mede esforços. Vale até arruinar as finanças de sua terra natal

Eleito em 2008 prefeito de Diamantino, a 208 quilômetros de Cuiabá, o notário Erival Capistrano enveredou-se por um pesadelo político sem precedentes. Nos últimos 23 meses do mandato, Capistrano, do PDT, foi cassado e reconduzido à prefeitura três vezes. Ao todo, ficou no cargo apenas nove meses. Os outros 14 foram ocupados pelo candidato derrotado nas urnas, Juviano Lincoln, do PPS, graças a um jogo de manobras judiciais que transformou a vida de Diamantino num caos político e administrativo. A cada troca de prefeito, os cofres municipais sofrem um rombo de, aproximadamente, 200 mil reais. Por conta dessa situação, o lugar caminha rumo ao precipício contábil e social.

Antes como candidato e agora como prefeito eventual, Lincoln é patrocinado politicamente pela oligarquia local, comandada pela família do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal. Mendes usa, inclusive, expedientes do velho coronelismo nativo: vale-se de meios de comunicação sob seu controle para atacar o adversário político. A TV Diamante, retransmissora do SBT no município, virou arsenal de baixarias contra o grupo de Capistrano comandado por um preposto da família, o técnico rural Márcio Mendes. A emissora, segundo a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), é uma concessão para fins educativos à União de Ensino Superior de Diamantino (Uned), instituição de ensino superior fundada pelo ministro do STF.

A vida do prefeito eleito de Diamantino se tornou um inferno por ele ter “ousado” vencer as eleições de 2008 contra Lincoln, escolhido para suceder ao veterinário Francisco Mendes, irmão mais novo do ministro. Chico Mendes, como é conhecido na cidade, foi prefeito de Diamantino por dois mandatos, entre 2001 e 2008, pesou a influência política do supremo irmão. Nas campanhas de 2000 e 2004, Gilmar, primeiro como advogado–geral da União do governo Fernando Henrique Cardoso e depois como juiz da Corte, não poupou esforços para eleger o caçula da família. Levou a Diamantino ministros para inaugurar obras, lançou programas federais e circulou pelos bairros da cidade, cercado de seguranças, para intimidar a oposição.

Em setembro de 2008, a família Mendes- aliou-se ao grupo político do ex-governador Blairo Maggi, eleito agora para o Senado. Os Mendes migraram do PPS para o PR e engrossaram no estado a base de apoio do presidente Lula. Não adiantou. Um mês depois, seriam surpreendidos pela vitória de Capistrano por pouco mais de 400 votos de vantagem. O prefeito eleito anunciou, de imediato, a contratação de uma auditoria para verificar as contas da administração anterior, alvo de denúncias de má gestão e desvio de dinheiro. Capistrano conhecia o tipo de inimigo que havia vencido, mas não tinha noção da fragilidade de sua vitória.

A primeira cassação ocorreu em 1º de abril de 2009, três meses após assumir a prefeitura. A decisão foi tomada pelo juiz Luiz Fernando Kirche, titular da 7ª Vara Eleitoral de Mato Grosso. Kirche, figura itinerante da Justiça mato-grossense na região, havia acatado uma representação da coligação de Lincoln na qual o prefeito era acusado de aceitar uma doação de campanha de 20 mil -reais feita mediante um recibo com assinatura falsificada. O documento estava em nome do agricultor Arduíno dos Santos. Em novembro de 2008, Santos depôs no Ministério Público Estadual e confirmou a doação. Dois meses depois decidiu mudar o depoimento e negou ter dado o dinheiro para a campanha do PDT. “Ele foi coagido pelos capangas do candidato derrotado”, acusa Capistrano.

À época, a população de Diamantino surpreendeu-se com a rapidez do processo contra Capistrano. Para se ter uma ideia, em oito anos de mandato o ex-prefeito Chico Mendes sofreu cerca de 30 ações em consequência de supostas falcatruas administrativas, mas nunca foi incomodado pela Justiça. O juiz Kirche havia sido transferido de outra comarca, Tangará da Serra, para assumir a vara eleitoral local. No mesmo dia 1º, logo depois de cassar Capistrano, saiu de férias. Coincidentemente, quatro dias antes, o ministro Mendes tinha estado na cidade natal para rever parentes e amigos. O mesmo padrão iria se repetir no futuro.

Capistrano reverteu a decisão e voltou ao cargo em 23 de junho do ano passado, quando o Tribunal Regional Eleitoral acatou, por unanimidade, um recurso do PDT. Passado pouco mais de um mês, os advogados de Lincoln entraram com uma medida cautelar, com pedido de liminar, para que o candidato do PPS voltasse ao cargo. Lincoln contou, desta feita, com a boa vontade do desembargador Evandro Stábile, então presidente do TRE de Mato Grosso. Stábile decidiu, em 18 de agosto de 2009, cassar novamente Capistrano e recolocar no cargo o preferido da família Mendes. O caso foi parar no Tribunal Superior Eleitoral, em Brasília. Nove meses adiante, uma operação da Polícia Federal mudaria novamente o rumo da história.

Em 18 de maio deste ano, a PF deflagrou em Mato Grosso a Operação Asafe, referência a um profeta bíblico, para identificar e prender advogados, juí-zes e desembargadores envolvidos em uma quadrilha especializada em vender sentenças judiciais. A ação foi ordenada pela ministra Nancy Andrighi, do STJ. Entre os detidos, Evandro Stábile, que foi afastado da presidência do TRE. Seu sucessor, Rui Ramos, derrubou a liminar e reconduziu Capistrano ao cargo em 13 de junho, pela terceira vez. Em seguida, a relatora do processo de Capistrano no TSE, Cármen Lúcia, considerou a medida cautelar impetrada pelo PPS inválida, dada a nulidade geral do processo. A ministra lembrou que a jurisprudência sobre esse tipo de ação determina que os prefeitos permaneçam no cargo até esgotadas todas as instâncias judiciais. Em vão.

A decisão do TRE havia sido tomada por um vício processual detectado pelo desembargador Ramos. A vice-prefeita eleita, Sandra Baierle, também do PDT, não foi ouvida em nenhuma das fases da instrução processual. Como ela também fora cassada, era necessário tomar seu depoimento nos autos. Por conta disso, o processo retornou à origem, a 7ª Vara Eleitoral de Diamantino. Novamente para as mãos do diligente juiz Kirche. Este voltaria a agir, quatro meses depois, para tirar Capistrano outra vez da prefeitura.

A data escolhida pelo juiz não poderia ser mais emblemática: 30 de outubro, um dia antes do segundo turno da eleição presidencial, justamente quando acabara de chegar à cidade seu filho mais ilustre, Gilmar Mendes. Como no primeiro ato de cassação, Kirche fez a Justiça funcionar a todo vapor em Diamantino para sair de férias em seguida. Na mesma noite, enviou um oficial de Justiça para notificar Capistrano e fazê-lo sair da cadeira de prefeito, mas não o encontrou.

Em 1º de novembro, véspera de feriado do Dia de Finados, com a prefeitura de Diamantino em regime de ponto facultativo, novamente o oficial viu-se frustrado. Foi avisado pela família de Capistrano que ele estava em uma pescaria. Na manhã do dia 3, não houve escapatória. Notificado, o pedetista deixou novamente o cargo para dar lugar ao concorrente derrotado nas urnas. Capistrano entrou com novo recurso e espera voltar ao mandato antes do fim do ano. “Não adianta, não vou renunciar e vou até as últimas consequências.”

Para o prefeito afastado, a estratégia política da família Mendes é a de terra arrasada: tornar a administração de Diamantino inviável e as relações políticas locais tensas o suficiente para propiciar, nas eleições municipais de 2011, a volta de Chico Mendes à prefeitura. Seria uma forma de evitar que as investigações sobre as irregularidades nas gestões de Mendes fossem adiante, embora já tenham sido enviadas ao Ministério Público Estadual e ao Tribunal de Contas do Estado no ano passado.

A auditoria feita por Capistrano nos dois primeiros meses de mandato revelou um corolário de maracutaias, sobretudo, no setor de compras. Quando as escolhas eram feitas por carta–convite, os produtos eram adquiridos por até 66,13% acima dos preços pesquisados.- Quando eram por tomada de preço, o índice chegava a 90% de superfaturamento. “Todos os processos licitatórios apresentam irregularidades”, concluíram os auditores.

Ao assumir a prefeitura, Capistrano encontrou uma dívida de INSS de 8,2 milhões de reais e outra, de energia elétrica, de 6,2 milhões de reais. Muitos contratos eram feitos sem nenhuma lógica administrativa. De uma papelaria de Cuiabá chamada Mileniun foram comprados fogão, geladeira, máquina de lavar, sofá e televisão para a prefeitura no valor de 267,6 mil reais. Muitas propostas apresentadas pelas empresas eram exatamente iguais, na forma e no conteúdo, mas com diferenças mínimas de preço (cerca de 0,3%), expediente típico de simulação de licitação.

Em meio à disputa judicial, Capistrano e seus aliados têm enfrentado a fúria diária do “jornalista” Márcio Mendes, no comando da TV Diamante desde 2009. Mendes apresenta um programa matutino chamado Comando Geral. Sua especialidade é insultar e a-cusar diuturnamente Capistrano de malfeitorias. Ao melhor estilo do coronelismo eletrônico.

A Uned, dona da concessão da tevê, foi fundada em 2000 por Gilmar Mendes. Quem operacionalizou a escola foi Marco Antônio Tozzati, acusado de integrar uma quadrilha de fraudadores que atuavam no Ministério dos Transportes na gestão de Eliseu Padilha. Não há como Márcio Mendes agir sem o conhecimento do ministro do STF.

Além da TV Diamante, Márcio comanda um jornal e o site O Divisor. Também nesses veículos seu esporte preferido é atacar Capistrano, chamado por ele de “prefeito interino” ou “o ainda prefeito” toda vez que retorna ao cargo, embora tenha sido eleito. Mendes desenvolveu um ódio especial pelo grupo de Capistrano depois de perder dois contratos de trabalho, firmados na época do prefeito Chico Mendes. Um, de assessoria de imprensa da Câmara de Vereadores, que rendia 3,6 mil mensais. Outro, na prefeitura, via a agência de propaganda Zoomp, custava 15 mil reais por mês aos cofres municipais.

Goiano de Joviana (daí o nome Juviano), Lincoln se diz ofendido quando chamado de usurpador. Segundo ele, as cassações de Capistrano são resultado de decisões da Justiça, e não da família Mendes. Ele reconhece, porém, que o município está se tornando ingovernável. “Sei que atrapalha, seria muita infantilidade minha não reconhecer isso.” Lincoln garante não se subordinar a Gilmar Mendes, embora faça questão de lembrar que é amigo da família desde a adolescência. “Esse processo não tem nenhuma influência do ministro, é idiotice pensar isso”, afirma. “O ministro (Gilmar Mendes) é eleitor do Serra, e os Mendes todos votaram no Serra”, informa Lincoln, ao se declarar apoiador de Dilma Rousseff.

Segundo Lincoln, os custos adicionais, sobretudo com pagamento das rescisões contratuais dos cargos comissionados, todos mudados a cada reviravolta na prefeitura de Diamantino, são naturais, mas reconhece a frustração do adversário. “Eu não queria estar na pele do Erival. Acho até que ele confiou no contador (no caso dos recibos supostamente falsificados) e caiu de inocente.” Apesar da insistência em permanecer no cargo, diz não pensar na reeleição. Prefere apoiar a volta do amigo Chico Mendes. “Por motivos políticos, sou contra a reeleição.”

“Em Diamantino, quando se ouve o barulho de rojão, ou é mudança de prefeito ou é chegada de crack”, ironiza a enfermeira Mônica Gomes, secretária de Saúde do município nos períodos em que Capistrano ocupa a prefeitura. Segundo ela, a descontinuidade administrativa provocada pela mudança de prefeitos está prestes a provocar um colapso no sistema de saúde local, inclusive nos programas de atendimento a drogados e pacientes com Aids. O controle da dengue também estaria sob risco, sem falar nos convênios firmados com o governo do estado e com o Ministério da Saúde. “Temo uma evasão de médicos e outros profissionais de saúde por causa do desencanto provocado por esse caos.”

Secretária de Administração da gestão de Capistrano, Cleide Anzil, servidora do município há 18 anos, afirma que cada mudança de prefeito, além de gerar um custo de 200 mil reais em rescisões contratuais desnecessárias, torna a contabilidade da prefeitura inviável. De acordo com ela, quando Capistrano reassumiu o cargo pela terceira vez, em junho, o orçamento do município para o ano de 2010, de cerca de 50 milhões de reais, havia sido consumido por Lincoln. “Tivemos de pedir uma suplementação (à Câmara Municipal) para pagar as contas, mas depois tivemos de sair de novo”, conta, desanimada. “Não sei onde essa loucura vai parar.”

Leandro Fortes

Leandro Fortes é jornalista, professor e escritor, autor dos livros Jornalismo Investigativo, Cayman: o dossiê do medo e Fragmentos da Grande Guerra, entre outros. Mantém um blog chamado Brasília eu Vi. http://brasiliaeuvi.wordpress.com

 

http://www.cartacapital.com.br/politica/o-prefeito-e-o-coronel

 

Vivi

No dia em for possível saber toda verdade do que faz ou deixar de fazer agente da ABIN, estaremos perdidos.

 

Bom, todo mundo sabe qual o propósito da tal farsa do grampo e o fato é que seus objetivos foram alcançados: Paulo Lacerda está em Portugal, Protógenes foi afastado, Dantas anda livre, leve e solto por aí. Como cereja do bolo, ainda querem repatriar dinheiro lavado.

Enfim, se no filme Diamante de Sangue DiCaprio criou a expressão T.I.A. (This is Africa) acho que um T.I.B. seria plenamente aplicável.

 

Eu faria uma pequena alteração no título do post: "A farsa do grampo sem áudio: MAIS um crime impune".

Apesar da conclusão da PF, Gilmar Mendes, Jobim, DEMOstenes Torres continuarão nos seus respectivos cargos...e o Dantas solto.