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A flutuação das moedas dos mercados emergentes

Sugerido por Assis Ribeiro

Da Carta Capital

A queda da rupia

Em retrospectiva, a enxurrada de dinheiro para os emergentes parece mais uma bolha. Análise de Paul Krugman

A queda da rupia é a grande história econômica do dia, e estou tentando me informar melhor sobre o assunto. Minha pergunta imediata, porém, é: por que o pânico?

Sim, a rupia caiu muito em um curto período, juntamente com outras moedas dos mercados emergentes. Na verdade, segundo números do Banco de Compensações Internacionais e minhas estimativas baseadas no câmbio dólar-rupia, as flutuações da rupia são pequenas, comparadas com o ponto de comparação óbvio, o Brasil.

Nós mais ou menos conhecemos essa história. Primeiro, os países avançados entraram em queda prolongada, que levou a taxas de juro muito baixas; o capital inundou os mercados emergentes, provocando a valorização da moeda (ou, no caso da China, uma valorização real por meio da inflação). Então os mercados começaram a perceber que haviam exagerado, e sugestões de recuperação nos países avançados levaram a um aumento das taxas de longo prazo, e lá fomos nós. (Não creio que a facilitação quantitativa tenha muito a ver com isso, mas a sua milhagem pode variar.)

Então o declínio recente é acentuado. Mas por que a Índia deveria entrar em pânico?Seria assustador se a Índia estivesse como os países da crise asiática de 1997-1998, ou a Argentina em 2001, com grandes volumes de dívida nominal em moeda estrangeira. Mas, a menos que eu esteja interpretando mal os dados, não está.

Agora, a depreciação da rupia supostamente levará a um aumento da inflação, mas deverá ser temporário.Então, em um primeiro exame, esse não parece ser um problema tão grande quanto sugerem algumas manchetes. O que é que não estou entendendo?

Geração B (de bolha)
A enxurrada de dinheiro para os mercados emergentes parece hoje, em retrospectiva, mais uma bolha. Por enquanto, não vejo um bom motivo para acreditar que o estouro dessa bolha particular será catastrófico. O que tornou a crise asiática de 1997-1998 tão ruim foi o alto nível de dívida nominal em moeda estrangeira, e essa não parece ser tanto a questão hoje. Na verdade, o principal perigo, como sugeriu recentemente Ryan Avent na Economist, parece ser a reação exagerada em políticas: os países aumentam as taxas de juro para defender taxas de câmbio indefensáveis, levando a quedas desnecessárias. Mas devo admitir que tenho menos certeza do que de costume sobre meu diagnóstico, porque ainda estou me informando melhor sobre a economia indiana em particular.

Mas eis uma pergunta colateral: por que estamos tendo tantas bolhas?

A resposta que se escuta de muitas pessoas é que tudo é causado pelo dinheiro excessivamente fácil. Mas vamos pensar na história a longo prazo por um instante. Se considerarmos as taxas de juro de longo prazo nos Estados Unidos desde o início dos anos 1950, houve um período de taxas muito altas nos inflacionários anos 1970 e início dos 80. Os juros caíram depois da estabilização Volcker nos anos 80, mas permaneceram relativamente altos pelos padrões dos 50 e 60 até o fim dos 80 e dos 90, e mesmo durante grande parte dos 2000.

Agora, a coisa que você precisa perceber é que toda a era desde 1985 foi de bolhas sucessivas. Houve uma enorme bolha de imóveis comerciais nos anos 80, estreitamente ligada à crise das poupanças e dos empréstimos; uma bolha nos fluxos de capital para a Ásia em meados dos anos 90; a bolha das pontocom; a bolha habitacional; e agora, ao que parece, a bolha dos BRIC. Não houve nada comparável nos anos 50 e 60.

Então, a política monetária foi excessivamente fácil durante todo esse período? Nesse caso, onde está a inflação? Talvez você possa argumentar que o dinheiro frouxo, por algum tempo, aparece nos preços dos ativos mais que nos preços dos bens (apesar de eu nunca ter visto esse argumento bem defendido). Mas durante uma geração inteira?

Então, o que foi diferente? A resposta parece óbvia: a desregulamentação financeira. Os bancos foram liberados, e enlouqueceram, repetidamente.


É realmente um tanto patético ver os líderes europeus dizendo-se justificados depois de um trimestre inteiro de crescimento positivo, ao emocionante ritmo anual de 1,2%. Só para dizer o óbvio: quando um país sofre um golpe enorme na produção e no emprego, deve ter um longo período de crescimento rápido para compensar o terreno perdido. De outro modo, estamos facilitando demais a definição de sucesso.

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