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A geopolítica do crime no Rio de Janeiro

Por Antonio Orlando 

Nassif

Uma contribuição do bom jornalismo que o Azenha faz:

Do Vi o Mundo

José Cláudio Alves: A reorganização da estrutura do crime

Uma guerra pela regeografização do Rio de Janeiro. Entrevista especial com José Cláudio Alves

do site do Instituto Humanitas Unisinos

"O que está por trás desses conflitos urbanos é uma reconfiguração da geopolítica do crime na cidade". Assim descreve o sociólogo José Cláudio Souza Alves a motivação principal dos conflitos que estão se dando entre traficantes e a polícia do Rio de Janeiro. Na entrevista a seguir, concedida à IHU On-Line por telefone, o professor analisa a composição geográfica do conflito e reflete as estratégias de reorganização das facções e milícias durante esses embates. "A mídia nos faz crer – sobretudo a Rede Globo está empenhada nisso – que há uma luta entre o bem e o mal. O bem é a segurança pública e a polícia do Rio de Janeiro e o mal são os traficantes que estão sendo combatidos. Na verdade, isso é uma falácia. Não existe essa realidade. O que existe é essa reorganização da estrutura do crime", explica.

José Cláudio Souza Alves é graduado em Estudos Sociais pela Fundação Educacional de Brusque. É mestre em sociologia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro e doutor, na mesma área, pela Universidade de São Paulo. Atualmente, é professor na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro e membro do Iser Assessoria.

Confira a entrevista.

IHUOIHU On-Line – O que está por trás desses conflitos atuais no Rio de Janeiro?

José Cláudio Alves – O que está por trás desses conflitos urbanos é uma reconfiguração da geopolítica do crime na cidade. Isso já vem se dando há algum tempo e culminou na situação que estamos vivendo atualmente. Há elementos presentes nesse conflito que vêm de períodos maiores da história do Rio de Janeiro, um deles é o surgimento das milícias que nada mais são do que estruturas de violência construídas a partir do aparato policial de forma mais explícita. Elas, portanto, controlarão várias favelas do RJ e serão inseridas no processo de expulsão do Comando Vermelho e pelo fortalecimento de uma outra facção chamada Terceiro Comando. Há uma terceira facção chamada Ada, que é um desdobramento do Comando Vermelho e que opera nos confrontos que vão ocorrer junto a essa primeira facção em determinadas áreas. Na verdade, o Comando Vermelho foi se transformando num segmento que está perdendo sua hegemonia sobre a organização do crime no Rio de Janeiro. Quem está avançando, ao longo do tempo, são as milícias em articulação com o Terceiro Comando.

Um elemento determinante nessa reconfiguração foi o surgimento das UPPs a partir de uma política de ocupação de determinadas favelas, sobretudo da zona sul do RJ. Seus interesses estão voltados para a questão do capital do turismo, industrial, comercial, terceiro setor, ou seja, o capital que estará envolvido nas Olimpíadas. Então, a expulsão das favelas cariocas feita pelas UPPs ocorre em cima do segmento do Comando Vermelho. Por isso, o que está acontecendo agora é um rearranjo dessa estrutura. O Comando Vermelho está indo agora para um confronto que aterroriza a população para que um novo acordo se estabeleça em relação a áreas e espaços para que esse segmento se estabeleça e sobreviva.

IHU On-Line – Mas, então, o que está em jogo?

José Cláudio Alves – Não está em jogo a destruição da estrutura do crime, ela está se rearranjando apenas. Nesse rearranjo quem vai se sobressair são, sobretudo, as milícias, o Terceiro Comando – que vem crescendo junto e operando com as milícias – e a política de segurança do Estado calcada nas UPPs – que não alteraram a relação com o tráfico de drogas. A mídia nos faz crer – sobretudo a Rede Globo está empenhada nisso – que há uma luta entre o bem e o mal. O bem é a segurança pública e a polícia do Rio de Janeiro e o mal são os traficantes que estão sendo combatidos. Na verdade, isso é uma falácia. Não existe essa realidade. O que existe é essa reorganização da estrutura do crime.

A realidade do RJ exige hoje uma análise muito profunda e complexa e não essa espetacularização midiática, que tem um objetivo: escorraçar um segmento do crime organizado e favorecer a constelação de outra composição hegemônica do crime no RJ.

IHU On-Line – Por que esse confronto nasceu na Vila Cruzeiro?

José Cláudio Alves – Porque a partir dessa reconfiguração que foi sendo feita das milícias e das UPPs (Unidades de Policiamento Pacificadoras), o Comando Vermelho começou a estabelecer uma base operacional muito forte no Complexo do Alemão. Este lugar envolve um conjunto de favelas com um conjunto de entradas e saídas. O centro desse complexo é constituído de áreas abertas que são remanescentes de matas. Essa estruturação geográfica e paisagística daquela região favoreceu muito a presença do Comando Vermelho lá. Mas se observarmos todas as operações, veremos que elas estão seguindo o eixo da Central do Brasil e Leopoldina, que são dois eixos ferroviários que conectam o centro do RJ ao subúrbio e à Baixada Fluminense. Todos os confrontos estão ocorrendo nesse eixo.

IHU On-Line – Por que nesse eixo, em específico?

José Cláudio Alves – Porque, ao longo desse eixo, há várias comunidades que ainda pertencem ao Comando Vermelho. Não tão fortemente estruturadas, não de forma organizada como no Complexo do Alemão, mas são comunidades que permanecem como núcleos que são facilmente articulados. Por exemplo: a favela de Vigário Geral foi tomada pelo Terceiro Comando porque hoje as milícias controlam essa favela e a de Parada de Lucas a alugam para o Terceiro Comando. Mas ao lado, cerca de dois quilômetros de distância dessa favela, existe uma menor que é a favela de Furquim Mendes, controlada pelo Comando Vermelho. Logo, as operações que estão ocorrendo agora em Vigário Geral, Jardim América e em Duque de Caxias estão tendo um núcleo de operação a partir de Furquim Mendes. O objetivo maior é, portanto, desmobilizar e rearranjar essa configuração favorecendo novamente o Comando Vermelho.

Então, o combate no Complexo do Alemão é meramente simbólico nessa disputa. Por isso, invadir o Complexo do Alemão não vai acabar com o tráfico no Rio de Janeiro. Há vários pontos onde as milícias e as diferentes facções estão instaladas. O mais drástico é que quem vai morrer nesse confronto é a população civil e inocente, que não tem acesso à comunicação, saúde, luz... Há todo um drama social que essa população vai ser submetida de forma injusta, arbitrária, ignorante, estúpida, meramente voltada aos interesses midiáticos, de venda de imagens e para os interesses de um projeto de política de segurança pública que ressalta a execução sumária. No Rio de Janeiro a execução sumária foi elevada à categoria de política pública pelo atual governo.

IHU On-Line – Em que contexto geográfico está localizado a Vila Cruzeiro?

José Cláudio Alves – A Vila Cruzeiro está localizada no que nós chamamos de zona da Leopoldina. Ela está ao pé do Complexo do Alemão, só que na face que esse complexo tem voltada para a Penha. A Penha é um bairro da Leopoldina. Essa região da Leopoldina se constituiu no eixo da estrada de ferro Leopoldina, que começa na Central do Brasil, passa por São Cristóvão e dali vai seguir por Bom Sucesso, Penha, Olaria, Vigário Geral – que é onde eu moro e que é a última parada da Leopoldina e aí se entra na Baixada Fluminense com a estação de Duque de Caxias.

Esse "corredor" foi um dos maiores eixos de favelização da cidade do Rio de Janeiro. A favelização que, inicialmente, ocorre na zona sul não encontra a possibilidade de adensamento maior. Ela fica restrita a algumas favelas. Tirando a da Rocinha, que é a maior do Rio de Janeiro, os outros complexos todos – como o da Maré e do Alemão – estão localizados no eixo da zona da Leopoldina até Avenida Brasil. A Leopoldina é de 1887-1888, já a Avenida Brasil é de 1946. É nesse prazo de tempo que esse eixo se tornou o mais favelizado do RJ. Logo, a Vila Cruzeiro é apenas uma das faces do Complexo do Alemão e é a de maior facilidade para a entrada da polícia, onde se pode fazer operações de grande porte como foi feita na quinta-feira, dia 25-11. No entanto, isso não expressa o Complexo do Alemão em si.

A Maré fica do outro lado da Avenida Brasil. Ela tem quase 200 mil habitantes. Uma parte dela pertence ao Comando Vermelho, a outra parte é do Terceiro Comando. Por que não se faz nenhuma operação num complexo tão grande ou maior do que o do Alemão? Ninguém cita isso! Por que não se entra nas favelas onde o Terceiro Comando está operando? Porque o Terceiro Comando já tem acordo com as milícias e com a política de segurança. Por isso, as atuações se dão em cima de uma das faces mais frágeis do Complexo do Alemão, como se isso fosse alguma coisa significativa.

IHU On-Line – Estando a Vila Cruzeiro numa das faces do Complexo, por que o Alemão se tornou o reduto de fuga dos traficantes?

José Cláudio Alves – A estrutura dele é muito mais complexa para que se faça qualquer tipo de operação lá. Há facilidade de fuga, porque há várias faces de saída. Não é uma favela que a polícia consegue cercar. Mesmo juntando a polícia do RJ inteiro e o Exército Nacional jamais se conseguiria cercar o complexo. O Alemão é muito maior do que se possa imaginar. Então, é uma área que permite a reorganização e reestruturação do Comando Vermelho. Mas existem várias outras bases do Comando Vermelho pulverizadas em toda a área da Leopoldina e Central do Brasil que estão também operando.

Mesmo que se consiga ocupar todo o Complexo do Alemão, o Comando Vermelho ainda tem possibilidades de reestruturação em outras pequenas áreas. Ninguém fala, por exemplo, da Baixada Fluminense, mas Duque de Caxias, Nova Iguaçu, Mesquita, Belford Roxo são áreas que hoje estão sendo reconfiguradas em termos de tráfico de drogas a partir da ida do Comando Vermelho para lá.

Por exemplo, um bairro de Duque de Caxias chamado Olavo Bilac é próximo de uma comunidade chamada Mangueirinha, que é um morro. Essa comunidade já é controlada pelo Comando Vermelho que está adensando a elevação da Mangueirinha e Olavo Bilac já está sentindo os efeitos diretos dessa reocupação. Mas ninguém está falando nada sobre isso.

A realidade do Rio de Janeiro é muito mais complexa do que se possa imaginar. O Comando Vermelho, assim como outras facções e milícias, estabelece relação direta com o aparato de segurança pública do Rio de Janeiro. Em todas essas áreas há tráfico de armas feito pela polícia, em todas essas áreas o tráfico de drogas permanece em função de acordos com o aparato policial.

IHU On-Line – Podemos comparar esses traficantes que estão coordenando os conflitos no RJ com o PCC, de São Paulo?

José Cláudio Alves – Só podemos analisar a história do Rio de Janeiro, fazendo um retrospecto da história e da geografia. O PCC, em São Paulo, tem uma trajetória muito diferente das facções do Rio de Janeiro, tanto que a estrutura do PCC se dá dentro dos presídios. Quando a mídia noticia que os traficantes no Rio de Janeiro presos estão operando os conflitos, leia-se, por trás disso, que a estrutura penitenciária do Estado se transformou na estrutura organizacional do crime. Não estou dizendo que o Estado foi corrompido. Estou dizendo que o próprio estado em si é o crime. O mercado e o Estado são os grandes problemas da sociedade brasileira. O mercado de drogas, articulado com o mercado de segurança pública, com o mercado de tráfico de drogas, de roubo, com o próprio sistema financeiro brasileiro, é quem tem interesse em perpetuar tudo isso.

A articulação entre economia formal, economia criminosa e aparato estatal se dá em São Paulo de uma forma diferente em relação ao Rio de Janeiro. Expulsar o Comando Vermelho dessas áreas interessa à manutenção econômica do capital. O que há de semelhança são as operações de terror, operações de confronto aberto dentro da cidade para reestruturar o crime e reorganizá-lo em patamares mais favoráveis ao segmento que está ganhando ou perdendo.

IHU On-Line – Como o senhor avalia essa política de instalação das UPPs – Unidades de Policiamento Pacificadoras nas favelas do Rio de Janeiro?

José Cláudio Alves – É uma política midiática de visibilidade de segurança no Rio de Janeiro e Brasil. A presidente eleita quase transformou as UPPs na política de segurança pública do país e quer reproduzir as UPPs em todo o Brasil. A UPP é uma grande farsa. Nas favelas ocupadas pelas UPSs podem ser encontrados ex-traficantes que continuam operando, mas com menos intensidade. A desigualdade social permanece, assim como o não acesso à saúde, educação, propriedade da terra, transporte. A polícia está lá para garantir o não tiroteio, mas isso não garante a não existência de crimes. A meu ver, até agora, as UPPs são apenas formas de fachada de uma política de segurança e econômica de grupos de capitais dominantes na cidade para estabelecer um novo projeto e reconfiguração dessa estrutura.

IHU On-Line – A tensão no Rio de Janeiro, neste momento, é diferente de outros momentos de conflito entre polícia e traficantes?

José Cláudio Alves – Sim, porque a dimensão é mais ampla, mais aberta. Dizer que eles estão operando de forma desarticulada, desesperada, desorganizada é uma mentira. A estrutura que o Comando Vermelho organiza vem sendo elaborada há mais de cinco anos e ela tem sido, agora, colocada em prática de uma forma muito mais intensa do que jamais foi visto.

A grande questão é saber o que se opera no fundo imaginário e simbólico que está sendo construído de quem são, de fato, os inimigos da sociedade fluminense e brasileira. Essa questão vai ter efeitos muito mais venenosos para a sociedade empobrecida e favelizada. É isso que está em jogo agora. 

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Poucas vezes vi aqui publicado um texto com argumentos tão fracos, contraditórios, inconsistentes e mesmo neuróticos(se o mercado, ou setor privado, e o Estado, público, estão integralmente empenhados em dar a vitória ao crime, é o apocalipse. E devemos estar pingando colírio alucinógeno!) Já vi teorias da conspiração mais bem formuladas. Não cita o entrevistado nenhum indício, evidência, prova, fato, dado concreto, além de sua "análise" de achismos. Diz que o Complexo do Alemão não pode ser cercado nem com todo o efetivo da PM do Rio e do Exército de todo o Brasil! Como diria Henri Cristo: "Óh Pai!!!!!!!". Depois, para não deixar nenhuma ponta solta, o brilhante sociólogo diz que mesmo que as forças de segurança consigam dominar o Alemão(???), de nada adianta, porque, afinal, ninguém cita a Maré. E quando dominar a Maré, pô, porque ninguém cita a Rocinha? E quando for reintegrada a Rocinha o nosso sociólogo terá ainda 990 comunidades para citar. Putz. É duro hein.

Mas o fato é que não será necessário ter essa ação em todas as favelas para quebrar de vez o tráfico militarizado. Chegará um ponto em que será insustentável, estremamente contraproducente manter, optar por esse modelo de ação. Nessa altura, os olhos da segurança pública devem estar já de há muito postos no novo arco de ação: a baixada fluminense. Ou aquilo vira o inferno. As UPPS, que até o fim desta década espero possam ser renomeadas para Unidades de Polícia Comunitária(UPC), pois que já cumprida sua etapa e seu papel de pacificar a metrópole, devem se estender também pela baixada, entendo como sendo essencial que seja vista como um programa permanente e de Estado, e seja turbinado no orçamento para a próxima legislatura. O Rio terá grandes acréscimos de arrecadação com a entrada de operação de mega-empreendimentos siderúrgicos (como a CSA), industriais, especialmente com o Pré-Sal. Essa é uma oportunidade única, de se resolver o problema da segurança de fato, e o governador Cabral pode entrar para a história como o melhor governador que o Rio já teve. A UPP é o abre-alas. Atrás vem a UPA, vem o hospital, o centro de especialidades médicas, os postos de saúde, as unidades básicas de saúde, as creches, as escolas municipais e estaduais, as escolas e institutos técnicos federais, os campi universitários(porque não, na Rocinha, no Alemão, na Maré?), as delegacias de polícia, as companhias da PM, os postos policiais, as rádio patrulhas, patrulhas a moto, cavalo, bicicleta, à pé; vem o Minha Casa Minha Vida, o Luz para Todos, o Bolsa Família, a regularização fundiária, o Sebrae, o futuro ministério das micro e pequenas empresas, a formalização da economia, o emprego formal com carteira, vem um projeto de urbanização decente, centros de cultura, teatros, cinemas, bibliotecas, internet pública, esportes e lazer, quadras, campos iluminados(Belo Horizonte tem experiência de sucesso neste quesito, liga pro Lacerda, Paes,hehe), piscina pública... Enfim, que comecem a ser vistos e tratados como gente, cidadãos brasileiros que são, e não como ainda "escravos" eternos, como muitos acalentam em secretas lamúrias. Isso não é fácil, não é rápido. E muitos torcem contra, e encontram estratagemas para sabotar de forma tortuosa, com argumentos furados, que apelam ao senso comum e a que não se dê uma "segunda olhada" neles. E tem os neurônios preguiçosos que acreditam bovinamente. 

Agora, coisa à parte é a cobertura vergonhosa, espetaculosa e vazia de sentido, de análise abrangente, rasa mesmo, da mídia. A Globo, principalmente, mas também a Record e as demais trataram de se auto-promover. No JN foi 90% de uma reportagem fazendo auto-elogio, o assunto era a emissora e seus heróicos repórteres, nos estilo "olha como eu sei produzir, olha como os repórteres são corajosos, como estavam no centro do palco, como somos fodões, por favor, repitam isso por ai...". É de lascar. Falaram até que os repórteres tinham feito curso de segurança na Europa! E a notícia? E os fatos? E os antecedentes, os eventos motivadores, causadores, as consequências, a análise dos possíveis desdobramentos, a leitura da estratégia traçada? O significado e o impacto disso no Rio e no Brasil, se bem sucedido, visto que o Rio é nosso umbigo? E a imagem no exterior, como pode ser mudada? No fim da peroração do "eu sou a notícia, e também sou o máximo", mostram três ou quatro soldados do bope e dizem:missão cumprida. Ou seja, a Globo, que apostou históricamente, e neste episódio especialmente, na aterrorização da população, agora diz, nem tão subliminarmente, que ela, a protagonista, cumpriu sua missão. Devemos tudo à Globo. Será que alguém leva a sério? Ainda?

 

Podemos observar que há quem se contrarie. Por que será?

 

Por que NINGUÉM toca na questão das entradas de arma e droga no Rio de janeiro? De onde elas vêm, por onde entram, quem ganha com isso? Dar para imaginar o zeu traçando a logística para a entrada dessas drogas e armas no Rio?

 

Gostaria de saber se os que aqui criticam o sociólogo José Cláudio Alves estuda o asunto como ele estuda?

Algum desses produziu algum documento, algum estudo, sobre o assunto?

Algum desses mora em alguma favela do Rio como o José Cláudio Alves?

Talvez o condeman porque o José Cláudio está na contramão daqueles de vão na onda do Serginho Cabral, que é "aliado".

 

 

O curioso é q não há um único contra-argumento contra o artigo, só mimimi e ofensas ao autor do texto e sua profissão... curioso o q o contraditório em relação ao antigo comportamento "vaquinha d presépio" na mídia tradicional d só "ir atrás d algumas sardinhas" do tráfico causa...

Deve ter mta remora e tubarão irritado...

 

To tomando nojo de sociólogo.  Esse grupo está cada vez mais parecido com a classe política: poucos prestam!!!

 

Nossa, quanta besteira comentada aqui a respeito de uma análise sólida - e de esquerda! - feita por um estudioso do assunto, morador da Baixada e engajado na luta contra a criminalização das populações pobres;  achei por momentos queu tava no blog do Reinaldo Azevedo...

em reforço ao que foi dito pelo José Cláudio, segue uma excelente entrevista do deputado estadual reeleito Marcelo Freixo (PSOL-RJ):

abs, Trog

Em entrevista a Terra Magazine, o deputado estadual Marcelo Freixo (Psol-RJ), conhecido pelo combate às milícias, afirma que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não fez "a escolha política" de ir "à fonte do financiamento do tráfico". Segundo ele, a ação da polícia carioca nas favelas reforça "a criminalização da pobreza" e não enfrenta o crime organizado. Ele será enfrentado, diz Freixo, "onde há o lucro (com a ilegalidade), que não é na favela".

- A favela é a mão de obra barata. É a barbárie - diz o deputado, elencando a Baia da Guanabara e o Porto como locais onde há o tráfico de armas e onde lucra o crime organizado.

Crítico da política de segurança pública do Rio, Freixo afirma que as reclamações dos moradores dos morros questionam a presença da polícia, comparando à ausência de políticas sociais, postos de saúde e escolas. Para o deputado, as Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) visam atender as necessidades de uma cidade que será Olímpica em 2016:

- As UPPs representam um projeto de cidade e não de segurança pública. O mapa das UPPs é muito revelador: é o corredor da Zona Sul, os arredores do Maracanã, a zona portuária e Jacarepaguá, região de grande investimento imobiliário. Então, são áreas de muito interesses para o investidor privado. (...) A retomada é militar para permitir um projeto de cidade, que é a cidade Olímpica de 2016. Para toda cidade Olímpica tem cidades não-Olímpicas ao redor - afirma.

Freixo foi presidente da CPI das Milícias, que investiga a ligação de parlamentares com grupos paramilitares. Por conta disto, o deputado chegou a ser ameaçado de morte. Leia abaixo a íntegra da entrevista:

Terra Magazine - O senhor é conhecido pelo combate às milícias. Em alguma medida, esses ataques podem interferir no comportamento delas?
Marcelo Freixo -
Esses ataques não tem nada a ver com milícias, são reações às UPPs, que não atingiram as milícias em nada. Não há nenhuma área atingida pelas milícias que tenham sido ocupadas pelas UPPs. Pelo contrário.

Sobre esses ataques...
Esses ataques são do varejo da droga, que é muito menos organizado do que se imagina. Representam o crime da lógica da barbárie, da violência. Não são pessoas que têm referência com o crime organizado, porque a organização não faz parte de sua cultura de vida. É a barbárie pela barbárie. Então, os ataques não vêm do crime organizado, que deve ser enfrentado de uma outra forma.

Que forma?
Se quiser enfrentar o crime organizado tem que ir para a Baia da Guanabara que é por onde as armas entram. Aí, sim. Ali tem a operação financeira do crime organizado para o tráfico de armas. Isso não se enfrenta no Rio de Janeiro.

O senhor afirma que se trataram de atos bárbaros, sem uma organização. Mas esses ataques estavam sendo comandados pelo Comando Vermelho e pelo Amigo dos Amigos.
São facções da barbárie. É o crime organizado dentro das cadeias. São grupos que só são organizados de dentro das cadeias. Muito mais dentro do que fora. O crime organizado é onde tem dinheiro e poder, que não é o caso das favelas, onde fica a pobreza e a violência. A tradicional política de segurança do Rio, perpetuada há 11 anos, enfrenta as favelas com uma ação letal. Em 2007, o mesmo governo (Sérgio) Cabral entrou no Complexo do Alemão, matou 19 e saiu. Como está o Complexo do Alemão hoje? Igual. Esse tipo de ação é muito ineficaz. Se é para enfrentar o crime organizado, tem que ser onde ele lucra, que não é na favela. A favela é a mão de obra barata, e é a barbárie. É preciso ir à fonte do financiamento e aonde passam as armas. Essa é a escolha política que até hoje o governo Lula não fez.

Como o senhor avalia a implementação das UPPs?
As UPPs representam um projeto de cidade e não de segurança pública. O mapa das UPPs é muito revelador: é o corredor da Zona Sul, os arredores do Maracanã, a zona portuária e Jacarepaguá, região de grande investimento imobiliário. Então, são áreas de muito interesses para o investidor privado. O Estado, portanto, retoma - militarmente - este território. A retomada é militar para permitir um projeto de cidade, que é a cidade Olímpica de 2016. Para toda cidade Olímpica tem cidades não-Olímpicas ao redor.

No morro Dona Marta, por exemplo, moradores reclamaram bastante da truculência policial durante a ocupação das UPPs.
Em todas as áreas de UPPs existe muita reclamação, e hoje em dia isso vem aumentando. A maioria das queixas são causadas pela agressividade policial, não necessariamente agressão física, mas pela atitude, ou abuso de autoridade. Outra reclamação recorrente é que só polícia chegou a esses morros.

Como assim?
Só chegou polícia e não investimentos sociais. E é claro que não só de polícia a favela precisa. Uma coisa é enfrentar a barbárie, outra coisa é o fator que mantém aquela favela ali. As pessoas precisam de direitos. Não adianta levar a polícia e não levar a escola, o posto de saúde, o saneamento. Isso vai gerando um desgaste para a própria polícia também.

Dentro desse cenário que o senhor chama de "barbárie", e somando a ele esses ataques recentes, o senhor acredita que fica de ônus ao morador da favela?
Esses momentos reforçam o processo de criminalização da pobreza no Rio, o que é muito perigoso. Hoje, todas as operações policiais no Rio acontecem nas favelas. Todas. Não há nenhuma na Baia da Guanabara, nem no Porto, que é por onde entram as armas e onde funciona - verdadeiramente - o crime organizado. Então, reforça-se esse processo de criminalização das áreas pobres.

 

 

 

Meus  amigos, só quem acredita na  luta entre o bem e o mal, como explicação para tudo, são, pela ordem : O Bush, o Kamel, o Serra, a Opus Dei, alguns evangélicos, o Papa. Ah, e a Globo. Infelizmente nunca explicaram afinal, onde está o bem e onde mora o mal.

Nós outros, que vivemos na luta do dia a dia, sabemos que as coisas não são táo simples. Alguem acredita que QUALQUER ação de envergadura de um governo como o do Estado do Rio, rico, complexo, de grande população e economia forte, ação essa envolvendo grandes áreas e numerosa população, vai ter somente  consequencias sobre o  seu objetivo declarado? Se uma borboleta bate  as asa aquí e pode ser o gatilho de um vendaval no pacífico, então, para atingir o objetivo primário de recolocar o poder, na na mão do Estado de Direito, restituindo-lhe o monopólio  da força, e com isto possibilitar a sua ação em um vasto territorio super-habitado, é claro que a ação do Estado vai ter inúmeras outras consequencias que nem de leve podemos elencar de imediato. Tais consequencias envolvem desde possibilitar a continuidade do negócio da padaria da esquina, do mercadinho, até à valorização imobiliaria, que vai permitir ao Mané que tem uma casa lá vende-la, daquí a 5 ou dez anos, e mudar-se para lugar mais sossegado. E muitos já devem estar esfregando as mãos pensando nos hipotéticos bons negócios que podem surgir. E daí? É da vida. Agora, suspeitar que a reação a um desafio ao Estado como o incendio e assaltos generalizados, tem motivos ocultos, isto é ir muito longe. E quem suspeita deveria provar, e não simplesmente alegar. Ou então a coisa fica fácil demais.

 

A cidade do Rio de Janeiro, por ser um importante ponto de conexão internacional e estar se preparando para dois importantíssimos eventos esportivos massivos - a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos, vive momentos que lembram uma guerra civil, tal o poder de agressão que grupos de narcotraficantes estão a desencadear contra todos. Uma agressão que lembra a tática das "revoluções coloridas" do Leste europeu e das ações que criaram o terror e o pânico exigíveis para a violenta eclosão separatista do países balcânicos. Mas, aí só resta tentar as respostas para as perguntas que há muito circulam pela cabeça de todos nós – o que fazer? e por que?
Se tivéssemos o hábito de estudar um problema a partir de sua origem e de seus desdobramentos, saberíamos criar alternativas capazes de reduzir o seu raio de abrangência e de incidência. Ora, como nada disso é feito, o resultado é o que se vê e sofre.
Mas, de volta à vaca fria, se fizéssemos uma pesquisa entre os "narcotraficantes" logo de cara uma característica ficaria bem exposta – a visão ideológica burguesa desses criminosos. Os objetivos e as mesmas ambições desses bandidos em nada diferem daquilo que é observável nas burguesias capitalistas e oligarquias políticas.
A lógica é uma só – acumular riqueza, bens e poder. Uma lógica que ao incensar e estimular a permanente acumulação capitalista, não só a erige em virtude, mas a torna como um destino e vontade divina, não só para o indivíduo, mas, para as próprias sociedades. Desse modo, como se poderá evitar que surjam os criminosos, pois, todos eles sabem que a diferença entre eles e os seus modelos, é a “legalidade” dos seus haveres e dos seus status de poder. Um fato que é facilmente verificável se olharmos para o modo que foi utilizado por (agora) ilustres e poderosas famílias e grupos econômicos para a aquisição e aumento de seus poderes e riquezas.
Hoje, como o narcotráfico é uma atividade ultra-rentável, pois, além de não pagar nenhum imposto – o sonho de qualquer capitalista -, mais e mais é o tipo de empreendimento necessário para o capital ocioso ou que não aceita os “ínfimos” lucros auferidos através do cassino bursátil e das bolhas especulativas financeiras. É tão grande essa sede cumulativa que daqui a pouco também haverá uma “bolha especulativa do crime”, um fenômeno que muitos dizem já ser uma realidade nos Estados Unidos, graças ao formidáveis lucros da fazendas de papoula e de coca no Afeganistão, Colômbia e Turquia, dirigidas por competentes gestores neoliberais da CIA, DIA e DEA.
Uma coisa é certa – quando uma sociedade produz a doença, e o crime é uma doença social, logo em seguida cria o criminoso ou o doente. E se tomarmos os mais importantes países capitalistas como exemplo, veremos que o capitalismo precisa da droga, seja como forma de acumular riqueza, seja como uma arma tática política de alta eficácia. Portanto, evitar a doença é mais barato e correto do que isolar ou matar o doente.
A questão ganha outra dimensão quando, por lógica de sua proposta ideológica e objetivos estratégicos – a universalização do consumo e do comércio de drogas -, é preciso derrotar o aparelho de Estado que a isso se contrapor. Como a comercialização da droga hoje em dia é uma das principais fontes de renda e poder para alguns segmentos estatais de países capitalistas mais desenvolvidos, isso implica na vinculação política com alguns grupos oligárquicos-burgueses brasileiros, assim a luta contra o narcotráfico, além de ser policial, também é uma luta pela sobrevivência soberana do Estado e da sociedade. Enfim, parece que a trágica profecia de Hobbes está se configurando como real. O que talvez justifique teorizações quase justificadoras sobre o uso e o comércio de drogas no Rio, uma velha moda de certa inteligentsia tupininquim. Ou acaba descambando para ilusórias interpretações pseudo-sociológicas e críticas capazes de ruborizar simples leitores de Clausewitz, Sun Tzu ou Vo Nguyen Giap, em que é até possível se encontrar eruditas inferências aos clássicos filmes sobre a Máfia dos Estados Unidos e da Itália. Uma inteligentsia que até já cunhou o tipo de uso aceitável para as drogas - o uso social, tal qual se bebe socialmente.

 

Parece-me que 'canalha' ficou muito bom para essa figura.

 

Calma, gente

Achei bom o artigo, posso não concordar integralmente com ele, mas o autor não é o único a levantar a questão da substituição dos traficantes pelas milícias.

 

 

Achar todo muito acha e quem está, no momento, na crista da onda dos "achismos" são dos sociólogos. Paciência.

Com erros e acertos. É inegável que estão criadas as condições para começar a organizar o crime no Rio de Janeiro. E organizá-lo não quer dizer eliminá-lo. A sociedade não está preparada para isto. A organização do crime significa descontaminar a estrutura criminosa dentro do sistema carioca que envolve em mesmo estado de grandesa no legislativo, executivo, judiciário, meio empresarial, mídia etc.

É piada achar que o morro controla ou é um símbolo de organização criminosa. É muito primária sua organização. Esta fase do governo de invadir a favela é a parte mais fácil de combater o crime do tráfico. O combate às milícias a estrutura corrupta do estado é a parte amarga do trabalho, porque ela não se combate com bange bangue.

 

Mas quem faria esse combate às milícias? O mercado? O estado? Ora, mas estes entes são os problemas; como pode a solução passar por eles? O autor não faz qualquer sugestão prática, isso não é com ele. O Eduardo Soares sim, ele tem propostas concretas, aponta caminhos. Outros sociólogos também. Mas uma coisa é ser sociólogo. Outra é ser ociólogo.

 

Não concordo com o exposto mas penso que é possivel ter verdades no texto que não nos agrade.

 

Quer dizer que tudo é uma armação para derrubar o pobre do Comando Vermelho? E quando cair a Rocinha (dominada pela ADA) o nobre sociólogo vai dizer o que? Ah, essa foi só para enganar!

Cada sociólogo que me aparece.

Esse tá parecendo um porta voz do Comando Vermelho lambendo as feridas.

 

Segundo esse cara, os problemas da sociedade brasileira chamam-se mercado e estado. Isso simplifica tudo! Basta a sociedade brasileira abolir o estado e o mercado, e a maldade no coração dos homens, para que tudo se resolva. Como não pensamos nisso antes????? Alô galera: esse negócio de gente armada circulando aos montes pelo Rio de Janeiro, matando e morrendo aos milhares todo ano, é porque existem mercado e estado! Heureka! Então fiquem sabendo, enquanto houver mercado e estado, e maldade no coração dos homens, não adianta fazer p... nenhuma, exceto análises sociológicas desse estilo.

Francamente, pior que a canalhice, só a candura irresponsável desses que se consideram eruditos e  não têm o menor compromisso com a realidade!

 

"A mídia nos faz crer – sobretudo a Rede Globo está empenhada nisso – que há uma luta entre o bem e o mal. O bem é a segurança pública e a polícia do Rio de Janeiro e o mal são os traficantes que estão sendo combatidos. Na verdade, isso é uma falácia. Não existe essa realidade. O que existe é essa reorganização da estrutura do crime":

Traduzindo:  as milicias estao se posicionando pra lucrar com a liberacao da maconha, nao sao 100% negras --portanto merecem mais que quem fornece os cadaveres-- e elas venderam os traficantes.

 

ECHELON saiu da internet. ECHELON agora esta no seu proprio computador.

Nassif,

Para entender o tráfico do Rio de Janeiro, tem uma matéria interessante: http://bogdopaulinho.blogspot.com/2009/05/reflexos-do-trafico-de-drogas-na.html

O TRÁFICO DE DROGAS NA ECONOMIA MUNDIAL

 

Vale a pensa ler, pois de fato, O BURACO É MUITO....MUITO MAIS EMBAIXO.

 

A análise do sociólogo é meramente política. Para ser veiculada no ex-blog do César Maia e do PSOL. Apenas isso. 

 

Muito pouco objetivo e óbivio os raciocínios. Sobretudo separar acabar tráfico com retomar territórios.

 

a UPP é marketing ? farsa ? Ele já foi numa favela com UPP e falou isso ?

 

Sociólogo gosta de livro, não de pesquisa de campo.

 

Fico pensando o que este pessoal estuda tanto em sociologia. Critica a atitude das forças de segurança do Rio de Janiero. Pelo comentário dese "sociológo" o Comando vermelho está sendo usado , coitadinhos, por essas forças do demonio , Polícia, Forças armadas e sociedade do RJ, para destruir os pobres coitados do CV e favorecer o terceiro comando e as milícias. Peça oa capitão Nascimento que junte-se a esse Senhor para nos salvar.

 

A muito tempo não leio tanta besteira agrupada.

 

Contra-argumentos q é bom, nenhum né Marcos Jamel?

Ah, Há do verbo haver leva H, Ok 'cumpadi'

 

O Sr. Antonio Orlando esqueceu de avisar que as teses do sociólogo José Cláudio Alves sobre a questão do Rio de Janeiro foram desmontadas no próprio blog do Azenha pelos seus comentaristas. O jornalismo do Azenha é ótimo, mas as teses do sociólogo são péssimas (tô começando a sentir alergia quando leio a palavra sociólogo).