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A gestão pública segundo Carlos Matus

Por Augusto da Fonseca

Na minha modesta opinião, a partir de alguns anos de experiência , na administração pública há que ser eficiente(fazer certo as coisas) mas, principalmente, eficaz (fazer as coisas certas).

O principal teórico de governo, o chileno Carlos Matus, apontava isso com muita clareza e sua teoria "forjou" algumas centenas de dirigentes do PT e do movimento sindical e pouplar. Também gente do PSDB, PSB e PMDB. Um dos principais livros do Matus é Adeus, Senhor Presidente, que recomendo a todos e todas que querem se introduzir nesse mundo da teoria de governo.

Segundo Matus, a gestão pública tem que ser orientada pela política, tornando esta mais importante do que os processos, embora não se possa abandonar a idéia de eficiência, em todas as instituições humanas.

MMaMatus criou a idéia de Triângulo de Governo e da Gestão Estratégica de Governo, bem como um dos seus principais instrumentos operacionais que é o PES - Planejamento Estratégico Situacional.

Definir uma cesta de problemas a enfrentar no nível do dirigente máximo e construir fluxogramas desses problemas é fundamental para um governo eficaz. O Triângulo de Governo é um dos principais elementos norteadores dos passos a seguir.

A partir daí, definir Nós-críticos e Operações a desenvolver, realizando Análise de Atores relevantesAnálise de CenáriosAnálise de Surpresas e Trajetória política no encaminhamento do enfrentamento dos problemas, considerando as operações carga e as operações benefício, tendo como referência a acumulação permanente de força política.

Tudo isso tem que ser traduzido numa Agenda do Dirigente ligada a Unidade de Processamento Técnico-Político dos Problemas, que assessorará cotidianamente o dirigente.

Bem, ficaria falando por laudas e laudas mas penso que é melhor ler os livros do Matus, começando pelo Adeus Senhor Presidente e seguindo por: O Líder Sem Estado-MaiorEntrevista com Matus: o Método PESPolítica, Planejamento e GovernoTeoria do Jogo Social Estratégias Políticas: Chimpanzé, Maquiavel e Ghandi. Praticamente, todos disponíveis na Fundap (clique aqui)

Se vcs já leram ou pensam em ler Dror, achando que é o papa,da teoria de governo, penso que vale a pena aguardar um pouco e ler primeiro o Matus. Além de um sólido teórico, teve uma das mais profundas experiências de gestão política que é ter sido Ministro da Economia do Governo do Presidente Salvador Allende, de 1965 a 1970. Além disso, foi consultor de diversos governos federais, estaduais e municipais na América do Sul.

Espero ter contribuído para o debate e estou à disposição para intercâmbio de informações pelo email: augustodafonseca13@yahoo.com.br

***

Por Paulo de Tarso Corte

Também contribuindo com o debate e me colocando à disposição para outras contribuições, quero apenas reforçar a sintética e rica exposição de Augusto da Fonseca com duas observações:

1) Matus define, também, o que ele chama de triangulo de ferro das organizações, ou o princípio da subordinação da forma organizacional às práticas de trabalho. Isso, como o próprio Matus aponta, pode ser dito de outra forma: A organização real impõe à organização formal > Estruturas mentais, hábitos arraigados, cultura organizacional é que definem as práticas e os processos de trabalho e não as estruturas formais. N

Na administração pública, tem se como prática, a transformação das estruturas formais. Acredita-se que se alterando as estruturas se conseguirá resultados diferentes. Isso pode até funcionar por determinado tempo, mas a longo prazo se reestabelecem as velhas práticas.

Esse ponto é fundamental, porque nos mostra que a mudança de fato, entendida como a qualificação de fato, para que o governo seja eficiente, eficaz e efetivo, dependerá de duas variáveis força:

(I) a mudandça das estruturas mentais - qualificação e capacitação permanentes do quadro gestor;

(II) da construção de um sistema de responsabilidade. Sem um sistema de duro de monitoração e de cobrança de resultados não haverá nunca dentro de uma organização o foco no resultado.

A tragédia dos nossos sistemas políticos e administrativos começo na sua operação sob o critério de baixa responsabilização.

Para terminar, o outro grande ensinamento de Matus é que todos o ferramental das técnicas de governo ou do ele chama de ciências horizontais de nada vale se o governo não tiver direção. E direção aqui, não pode ser entendida apenas como quem dirige. Direção no sentido de governar para manter tudo como está, ou de governar para transformar a realidade em que vivemos.

Cumprimento a todos pelo esforço e pelo debate

Paulo de Tarso Corte

ptarso@usp.br

 

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10 comentário(s)

Comentários

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Matus é o cara! Estudar planejamento com ele é sensacional, é companhia mais do que desejada dos meus queridos e cruéis nerônios. Vou começar a fazer gestão pública pela faculdade IESB em Brasília que é uma das melhores faculdades do centro oeste onde possui uma mega estrutura e profissionais capacitados. A gestão pública merece todo o aparato educacional para a maximização da máquina pública brasileira.

 

Grande abraço.

 

Também percebi o engano nas datas.

De resto, vou ler o autor.

 

tão importante quanto Matus foi o argentino Mario Testa.

 

ambos estão nos alicerces do Sistema Único de Saúde. 

 

 

em tempo: José Serra foi aluno de ambos (e pelo visto não aprendeu nada...)

 

Lucas,

Fale mais sobre Mario Testa.

Serra pode ter sido aluno dele, mas nunca aprendeu o método PES porque só foi concebido mais tarde, no final da vida de Matus.

Ele, inclusive, vivia numa corrida contra o tempo, porque sabia a doença que tinha.

 

Tenho visto em varios lugares a mesma informacao errada: CArlos Matus foi ministro de Allende entre 1965 e 1970. Impossivel, Allende nao era presidente nessa época. Melhor corrigir.

 

Só não entendi o que se quis dizer com ele ter sido "ministro da economia do governo Salvador Allende, de 1965 a 1970", pois, se não me engano, o governo Salvador Allende foi de 1970 a 1973. Estão erradas as datas ou o governante?

 

Também contribuindo com o debate e me colocando à disposição para outras contribuições, quero apenas reforçar a sintética e rica exposição de Augusto da Fonseca com duas observações:

1) Matus define, também, o que ele chama de triangulo de ferro das organizações, ou o princípio da subordinação da forma organizacional às práticas de trabalho. Isso, como o próprio Matus aponta, pode ser dito de outra forma: A organização real impõe à organização formal > Estruturas mentais, hábitos arraigados, cultura organizacional é que definem as práticas e os processos de trabalho e não as estruturas formais. N

Na administração pública, tem se como prática, a transformação das estruturas formais. Acredita-se que se alterando as estruturas se conseguirá resultados diferentes. Isso pode até funcionar por determinado tempo, mas a longo prazo se reestabelecem as velhas práticas.

Esse ponto é fundamental, porque nos mostra que a mudança de fato, entendida como a qualificação de fato, para que o governo seja eficiente, eficaz e efetivo, dependerá de duas variáveis força:

(I) a mudandça das estruturas mentais - qualificação e capacitação permanentes do quadro gestor;

(II) da construção de um sistema de responsabilidade. Sem um sistema de duro de monitoração e de cobrança de resultados não haverá nunca dentro de uma organização o foco no resultado.

A tragédia dos nossos sistemas políticos e administrativos começo na sua operação sob o critério de baixa responsabilização.

Para terminar, o outro grande ensinamento de Matus é que todos o ferramental das técnicas de governo ou do ele chama de ciências horizontais de nada vale se o governo não tiver direção. E direção aqui, não pode ser entendida apenas como quem dirige. Direção no sentido de governar para manter tudo como está, ou de governar para transformar a realidade em que vivemos.

Cumprimento a todos pelo esforço e pelo debate

Paulo de Tarso Corte

ptarso@usp.br

 

Que alegria ver este post sobre o Matus! Precisamos aprender com ele que governar exige ciência e arte, e não apenas a segunda.

Valeu, Augusto da Fonseca.

 

Grande lembrança, Augusto!

Matus é o maior eletricista da gestão sem choques.

Além de tudo que você sublinhou, eu lembraria da "capacidade de governo".

E ele passou pelo governo de São Paulo na gestão Covas, tentou montar um escola de governantes e ninguém quis ouvir. Porque ninguém quis admitir a própria incapacidade de governar.

Lembra dos guarda-pontes, os sentinelas que controlam as portas do castelo do Rei? São eles que controlam a informação e, portanto, as decisões do Rei. Foram eles que não deixaram Matus passar pela ponte levadiça!

 

Com a ressalva de que Matus sempre fez uma distinção bem clara entre governo e administração pública, ou entre governabilidade (enquanto capacidade de governo) e gestão.

Um se refere ao comando político e ao planejamento de curto e longo prazos e o outro à execução. Um é a cabeça, o outro os braços e pernas.