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A greve dos professores do ensino superior

De Carta Maior

Greve expõe problemas no processo de expansão do ensino superior

A greve deflagrada pelos professores do ensino superior, na semana passada, segue forte, com adesão rápida e crescente. Para o Comando Nacional de Greve do Andes-SN, a surpreendente mobilização se ancora no fato de que esta é uma greve atípica, centrada não na luta mais imediata da categoria por reajuste salarial, mas em questões conjunturais que afetam o conjunto da comunidade acadêmica.

Najla Passos

Brasília - A greve deflagrada pelo Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes-SN), na quinta (17) passada, segue forte, com adesão crescente. Já são 42 universidades paradas, além de dois institutos e de um centro de formação técnica. Duas outras instituições já oficializaram ingresso no movimento a partir da próxima segunda. Os servidores técnicos-administrativos discutem a adesão e assembleias estudantis representativas, em todo o país, referendam o processo. Cenário raro em tempos de desmobilização do movimento sindical. 

Para o professor da Universidade Federal do Rio Grande (UFRG), Billy Graeff, membro do Comando Nacional de Greve do Andes-SN, a surpreendente mobilização se ancora no fato de que esta é uma greve atípica, centrada não na luta mais imediata da categoria por reajuste salarial, mas em questões conjunturais que afetam o conjunto da comunidade acadêmica. E, consequentemente, o projeto de oferta de um ensino público de qualidade no país.

A pauta de reivindicações da categoria está centrada em dois pontos principais: a reestruturação da carreira docente, considerada pouco atraente e funcional há décadas, e a melhoria nas condições de trabalho. 

A primeira, segundo o Sindicato, já havia sido negociada com o governo, para ser implantada até o final de março deste ano, junto ao reajuste de 4%, acordado em 2010. O reajuste saiu, por meio de medida provisória enviada ao congresso pela presidenta Dilma Rousseff em 14 de maio, mas a reestruturação da carreira permaneceu pendente. “Nós estamos negociando desde agosto de 2010, mas o governo se mostra intransigente frente às nossas reivindicações”, justifica. 

A segunda decorre de uma insatisfação latente da categoria, compartilhada com estudantes e servidores técnicos-administrativos. “Os professores não suportam mais esses anos de expansão universitária irresponsável”, afirma o professor. Ele se refere ao programa de expansão universitária iniciado durante o governo Lula, o Reuni, mais efetivamente entre 2006 e 2008. Segundo o professor, aumentou-se o número de alunos matriculados nas universidades, sem a devida contrapartida em contratação de pessoal e ampliação da infraestrutura.

“Estamos preparando um dossiê da precarização para mostrar a verdadeira face do Reuni”, conta Billy. Conforme ele, os problemas são inúmeros, principalmente nos campi novos e nos cursos recém implantados. Faltam professores, laboratórios, bibliotecas, restaurantes universitários, casas do estudante e até banheiros. “Estamos levantando também a qualidade dos prédios recém construídos e os problemas ambientais decorrentes dessas obras. As denúncias são alarmantes”, antecipa. 

Em entrevista coletiva nesta quarta (23), o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, disse que todos os acordos firmados em 2011 com os professores universitários da rede federal foram cumpridos pelo governo. Segundo ele, a negociação referente à reestruturação da carreira é para 2013 e ainda está aberta. E acrescentou que há tempo até 31 agosto para enviar a proposta para a aprovação do orçamento no Congresso. “A greve faz parte da democracia, mas quando se faz um acordo e o governo cumpre, não consigo ver razões e necessidade de uma greve. Não há qualquer prejuízo material para os docentes”, esclareceu. 

O ministro acrescentou que uma paralisação, neste momento, não contribui para o esforço que o Brasil faz para desenvolver o ensino superior. “São 220 mil novas vagas, 14 universidades e 132 novos campi para dar suporte a esse 1 milhão de matrículas. Desde 2005, investimos R$ 8,4 bilhões na reestruturação da rede federal. Somente em 2012, o investimento é de R$ 1,4 bilhão. Temos 3.427 obras”, anunciou. 

Expectativas

No próximo dia 28, os professores realizam nova reunião com o governo para tentar solucionar o impasse. 

No dia 5/6, outras categorias de servidores públicos federais se juntam aos professores para realizar uma marcha à Brasília. Após o protesto, realizarão plenária unificada em que será discutida a possibilidade de paralisação de novas categorias, a partir de 11/6. 

Os servidores públicos defendem pautas específicas, mas também uma com eixos comuns, como a definição da data-base em 1° de maio; política salarial permanente com reposição inflacionária e reajuste linear em 22,08% (referente a soma da inflação de maio de 2010 e maio de 2012 e a variação do PIB neste mesmo período); e valorização do salário base e incorporação das gratificações.

Os servidores reivindicam, também, a retirada do Congresso dos projetos de lei e medidas provisórias que, conforme análise das categorias, ferem direitos conquistados pelos trabalhadores.

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"A greve deflagrada pelos professores do ensino superior, na semana passada, segue forte, com adesão rápida e crescente"

Me parece uma peça de ficção! Aqui, na federal fluminense, na asemblei de aprovação da greve havia 108 professores!!!

Quem eles representam??? Isso é em torno de 3% do quadro permanente!

Acredito que os sindicatos tenham um papel importante na democracia. Mas hoje em dia, quem eles representam???

 

  Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior - ANDES-SN

 

 

Data: 25/05/2012

 

Governo suspende reunião com professores federais em greve prevista para 28/5

 

Dando uma clara demonstração de que não sabe lidar com a greve dos professores federais que a cada dia ganha mais força, o Ministério do Planejamento (MP) suspendeu a reunião agendada para segunda-feira (28).

 

O encontro foi suspenso no final da tarde desta sexta-feira (25), sem justificativas pelo secretário de Relações do Trabalho do MP (SRT/MP), Sérgio Mendonça (veja aqui a correspondência). Esta seria a primeira reunião dos representantes do governo com o ANDES-SN desde a deflagração da greve, em 17 de maio.

 

Para o Comando Nacional de Greve (CNG), o cancelamento demonstra o desrespeito do governo em relação aos prazos estabelecidos por seus próprios representantes. Isso evidencia também a ausência de proposta efetiva a ser apresentada aos professores para resolver o impasse da greve.

 

De acordo com nota divulgada pelo CNG, esse fato confirma o não andamento das negociações e o interesse do governo em desarticular o movimento da categoria em greve.

 

Mesmo com a suspensão do encontro, todas as atividades de mobilização estão mantidas para esta segunda-feira (28), inclusive o ato em frente ao Ministério do Planejamento, marcado para às 11h, horário previsto para a reunião.

 

O CNG aponta que as manifestações desta segunda (28) devem denunciar a falta de compromisso do governo com a negociação e o desrespeito com os docentes em greve. A expectativa é intensificar ainda mais a greve e ampliar as ações de mobilização.

 

Até o momento, 44 instituições federais de ensino estão com as atividades suspensas (veja quais). Este número irá subir para 48 na segunda-feira, com a adesão das Universidades Federais de Santa Maria (UFSM), Tocantins (UFT), Grande Dourados (UFGD) e do Campus Jataí da Federal de Goiás (UFG).

 

 

 

A greve dos professores do ensino superior

ferias!!!! eu vivi!

FERIAS!

 

"O ministro acrescentou que uma paralisação, neste momento, não contribui para o esforço que o Brasil faz para desenvolver o ensino superior."


Assim como um corte na barriga de um indivíduo visto por si só não contribui para uma boa saúde, porém, se ele for usado prá retirada de um tumor, talvez seja a salvação de sua vida!

O objetivo da greve é melhorar as condições de trabalho de quem ensina e devolver a dignidade dos  professores universitários federais que hoje sofrem forte assédio moral por parte de muitos coordenadores e reitores com cargos de confiança. 

Sem contar os concursos arranjados, (conheço 3 casos) em que professores que tiram o primeiro lugar não possuem os requisitos pedidos pela vaga, e mesmo assim são chamados para tomar posse, obrigado o segundo colocado a entrar na justiça para retomar o cargo o qual era seu por direito.

Conheço uma Universidade Federal em que os jornalistas da mesma foram proibidos de divulgar no jornalzinho e site da Universidade na aba de notícias, a informação de que foi criado o Sindicato dos Professores da mesma.

Absurdo total!

 

,E A GREVE É PELA REPOSIÇÃOSALARIAL IMEDIATA E SEM PROCRASTINAÇÃO  DOS 22% INFLACIONÁRIOS DEVIDOS  !. O RESTO É EMPULHAÇÃO DO GOVERNO EM DESQUALIFCAR A OBRIGAÇÃO DOS REAJUSTES SALARIAIS FRENTE AOS OUTROS PROBLEMAS  ACADÊMICOS , CERTAMENTE  AFEITOS AOS ÂMBITOS DECISÓRIOS DAS UNIV FEDERAIS .

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a relação entre titulação e progressão. “Antes o docente com titulação de doutor aprovado em concurso, por exemplo, iniciava a carreira de acordo com a sua titulação. Pela proposta do governo, a contagem será diferente e será dada uma gratificação. Isso precisa ser debatido melhor, pois assim o docente sai prejudicado”, argumenta o secretário da Andifes.

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Certamente uma situação" Mercadantiniana" .....

Em minha opinião , basta considerar a carreira como está , entretanto adicionando a mesma,  o novo  nível de Professor Senior ,com os subníveis 1,2,3,4 , entre os níveis já existentes  de Associado e Titular (nível de Titular só alcançado através de Concurso Público de Provas e Títulos ).E  que   a entrada na muita especial carreira do Magistério Superior possa ser em qualquer nível , dependendo da aprovação pelo Conselho Universitário da IFEs .

E A GREVE É PELA REPOSIÇÃOSALARIAL IMEDIATA E SEM PROCRASTINAÇÃO  DOS 22% INFLACIONÁRIOS DEVIDOS  !. O RESTO É EMPULHAÇÃO DO GOVERNO EM DESQUALIFCAR A OBRIGAÇÃO DOS REAJUSTES SALARIAIS FRENTE AOS OUTROS PROBLEMAS  ACADÊMICOS , CERTAMENTE  AFEITOS AOS ÂMBITOS DECISÓRIOS DAS UNIV FEDERAIS .

 

 

A educação no Brasil estará lascada e ferrada, se depender dessa turma de damagogos do "Conlutas" do PSTU.

Estão mentido novamente, sem um pingo de vergonha na cara, quando falam sobre "valorização da carreira".

O governo Lula foi o que mais valorizou a carreira dos docente. O que mais investiu na educação e na infra-estrutura das universidades nesses últimos 50 anos.

O Reuni foi uma revolução a favor do pobre, do trabalhador.

Com o Reuni o pobre conseguiu entrar nas universidade públicas elitistas.

O que querem essa turma de malucos do PSTU? Esses "Comunistas de  Shopping Center"?

Que a universiade pública volte aos tempos do governo FHC/PSDB?

Esses babacas devem estar morrendo de saudades dos tempos de FHC e quadrilha.

 

Lula apagou o incêndio, isso sim! Repôs parte das nossas perdas, que já resurgiram nestes dois anos de congelamento salarial (esses 4% não tapam nem o buraco do dente!). Veja o link:

http://acertodecontas.blog.br/economia/professores-das-ifes-ganham-menos...

Outra coisa: ficar rotulando de radical do PSTU quem faz greve nas IFES é um reducionismo tolo e burro, como os milicos faziam na ditadura, chamando todos de "comunistas"! Eu, como muitos nas IFES, sempre votei no PT, mas estou bastante decepcionado com certas atitudes do governo Dilma, especialmente em relação ao funcionalismo público.

 

Prezado(a) Iza,

Não vou defender Conlutas, nem Andes, nem nada. Não sou sindicalista, nem quero ser. Também não vou dizer que o PSDB valorizaria a carreira docente das federais. Pelo contrário, provavelmente, não haveria negociação, não se cogitaria aumento. Ocorreria a greve e ninguém no governo se preocuparia com isso.

Acho que possivelmente você tem razão. O governo do Lula deve ter sido o que mais valorizou e criou condições para valorizar as federais. Votei na Dilma acreditando (e ainda acredito) que o governo dela pode (se houver vontade política) valorizar ainda mais, ou quase igual.

O governo atual negocia. Promete que educação é prioridade, que o estado é o melhor gerente, tenta comprovar com números. Dá aumento (abaixo da inflação, mas dá). Etc. Parece que está tudo bem, não parece? O perigo mora nos detalhes.

De que adianta negociar com alguém se você não está disposto a ceder? O governo negocia, mas passa meses negociando e a negociação não avança.

O governo dá um aumento, mas só lembra do aumento dois meses depois do prometido.

O governo apoia a criação de muitas vagas e muitos cursos nas federais.  Isso deveria ser bom, não é?

Porém, se você for olhar com atenção você vai descobrir que tem aluno se formando em curso de engenharia criado em condição tão precária que tem apenas dois ou três professores efetivos especialistas na área do curso, mais uns dois professores temporários (quando muito). Várias disciplinas práticas se tornaram teóricas, porque o curso foi criado sem (e continua sem) laboratórios.

Assim é fácil formar engenheiros e criar números. O difícil é criar engenheiros com competências básicas para colaborar com o desenvolvimento do país e acabar com essa estória da indústria dizer que não tem pessoal qualificado no Brasil.

 

Concordo que esta greve é necessária.

Entretando apenas um adendo: no passado, a grande imprensa nem falava sobre as greves nas Universidades. Lembro do que um professor no comando de greve em Brasília me contou: foram pedir a um grande jornal para publicar algo sobre a greve eles perguntaram quanto eles cobrariam. Acabar tem alguem que acredita que não existe PIG.

 

JC e-mail 4503, de 23 de Maio de 2012.  

6. O reajuste das bolsas e a valorização das pesquisas e dos pesquisadores no Brasil, artigo de Luana Bonone  Luana Bonone é presidente da Associação Nacional de Pós Graduandos (ANPG). Artigo enviado ao JC Email pela autora.

A Capes e o CNPq acabam de anunciar para o dia 1º de julho deste ano o tão esperado reajuste das bolsas de pesquisa no Brasil. Com o reajuste anunciado a bolsa de mestrado passará para R$ 1.350, a de doutorado para R$ 2.000, a de pós-doutorado vai a R$ 3.700 e a de iniciação científica a R$ 400. Segundo as duas agências de fomento um novo reajuste de valor ainda indefinido acontecerá em janeiro ou fevereiro de 2013.

 

O último reajuste no valor das bolsas de pesquisa aconteceu a quatro anos, em junho de 2008. Além de terem se desvalorizado em consequência da inflação acumulada no último período, as bolsas não acompanharam o desenvolvimento econômico objetivo do País nem a mudança subjetiva na compreensão de que a ciência, a tecnologia e a inovação são inerentes à soberania de qualquer país.

 

Por um lado precisamos comemorar o aumento anunciado pelas agências de fomento do governo federal. É indubitável que tal aumento foi fruto da pressão feita pelos pós graduandos de todo o País que paralisaram programas, organizaram atos, conquistaram reitores, mobilizaram passeatas e enviaram cartas ao governo federal exigindo o aumento. Não foi mera casualidade o fato de o reajuste ter sido anunciado pelo professor Glaucius Oliva, presidente do CNPq, em pleno 23º Congresso Nacional de Pós Graduandos que realizamos no início deste mês de maio na Unifesp. Além disso, é uma sinalização importante das agências de fomento nacionais, à medida que tal verba não estava prevista no orçamento de 2012.

 

Por outro lado, devemos deixar claro que este aumento de apenas 10% ainda é insuficiente para a sexta maior economia do mundo que possui pretensões de se tornar referência mundial em ciência, tecnologia e inovação.

 

No último período a Associação Nacional de Pós Graduandos (ANPG) posicionou-se firmemente por um reajuste de 40% nas bolsas de pesquisa. O valor de 40% não surgiu como "um raio em dia de céu azul", mas sim fruto de muitos estudos e debates que levaram em consideração tanto a inflação acumulada quanto os aumentos em custo de vida gerados nestes últimos quatro anos. A proposta de aumento de 40% atende em especial a meta já indicada no Plano Nacional de Pós Graduandos (PNPG) de 2005-2010.

 

Já o PNPG 2011-2020 afirma que "para se manter a atratividade das bolsas nos parâmetros atuais, é recomendável que os valores sejam reajustados em cerca de 10% no mínimo a cada três anos". Em nossa opinião a palavra "recomendável" não expressa a consolidação de uma política pública de Estado. Além disso é importante ressaltar que um aumento de 10% a cada três anos tende a não suprir sequer a inflação, excluindo a possibilidade, portanto, de uma política de valorização das bolsas.

 

Acreditamos que este reajuste não pode ser refém de políticas econômicas e conjunturais de governo, mas sim estar inserido em um projeto maior, de política pública de Estado. Por isso convocamos todos os pós graduandos a ocuparem o Congresso Nacional em Brasília no mês de agosto para que o reajuste das bolsas alcance os 40%, pois nossa pauta principal deve ser em torno do orçamento 2013.

 

Como tem sido dito pela ANPG, em coro com outras entidades da sociedade civil, as medidas recentes de redução dos juros são de fundamental importância, mas é preciso mais ousadia e investimentos mais robustos em áreas como ciência e tecnologia, educação e outras também estratégicas ao desenvolvimento do Brasil. Nossa batalha em agosto, portanto, será para mobilizar o Congresso Nacional e o Poder Executivo em torno da nossa pauta, para que compreendam que se trata de uma pauta de todo o País.

 

Concepção que tem sido frequentemente reafirmada nos debates que realizamos na ANPG, é certo que a valorização da pesquisa e dos pesquisadores no Brasil com vistas ao desenvolvimento soberano e sustentável do País não se resume apenas ao reajuste das bolsas. Mas não há dúvidas de que aí está uma parte importante desta totalidade.

 

  Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior - ANDES-SN


Data: 24/05/2012

 

Falta de professores e de estrutura marcou o início do ano nas Federais*

No país que pretende assumir a liderança econômica entre os emergentes e que se vangloria de ser (por enquanto) a sexta economia mundial, aulas nas universidades federais têm sido suspensas por falta de professor e de infraestrutura. Levantamento feito pelo ANDES-SN mostra que o problema está presente em todas as regiões do país e atinge, principalmente, os cursos que foram criados nos últimos anos pelo Programa de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni).

No campus de Macaé (UFRJ), criado pelo Reuni, os alunos de Medicina estão em greve desde o dia 2 de abril devido às más condições do curso, que sofre com a falta de professores e de laboratórios e por não disponibilizar uma rede de hospitais onde os alunos possam ter aulas práticas (foto 1). A paralisação permanecia até o fechamento da edição. 

Os estudantes reivindicam a transferência para o curso de Medicina do Fundão (campus da UFRJ na capital fluminense). Em entrevista ao jornal da Associação dos Docentes da UFRJ (Adufrj – Seção Sindical), o diretor da Faculdade de Medicina da UFRJ, Roberto Medronho, adiantou que caso os problemas na Medicina em Macaé não sejam resolvidos devem ser suspensas as vagas no próximo Enem/Sisu. O curso começou a funcionar em 2009 e tem atualmente 159 alunos.

Em nota pública enviada para a comunidade acadêmica, os estudantes denunciaram, entre outros problemas, a falta de professores e de hospitais em Macaé que tenham médicos diaristas, o que impede a prática de residência médica. Também reclamam que um professor chega a atender 15 alunos nas aulas em ambiente hospitalar, um número três vezes maior que o recomendado. O laboratório usado nas aulas de anatomia é precarizado “sem cadáveres formolizados e contando com poucas peças plastinadas.” 

Outra reclamação é que disciplinas essenciais não foram ministradas. Para a professora titular do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da UFRJ e responsável pelo processo de seleção de preceptores em Macaé para o curso de Medicina local, Vera Halfoun, os baixos salários oferecidos aos professores têm impedido que os médicos queiram ensinar e, assim, consolidar o curso.

De acordo com a nota dos estudantes, um concurso para professor de Radiologia ficou aberto por seis meses sem que aparecesse um candidato. Os salários oferecidos, realmente, não são atrativos: caso um médico sem mestrado queira trabalhar como professor, ele vai receber R$ 1.536,46 por 20 horas semanais de trabalho. Valor seis vezes menor que o piso da categoria defendido pela Federação Nacional dos Médicos (Fenam), que é de R$ 9.813,00 para a mesma carga horária.

A dificuldade em fixar professores tem sobrecarregado os abnegados que continuam dando aulas na faculdade. “Dei aulas de bioquímica todos os dias, das 8h ao meio-dia, por absoluta falta de professores”, disse ao jornal da Adufrj – SSind. o professor Moisés Xavier. Sem condições de trabalhar, o coordenador e a vice-coordenadora do curso, professores Paulo Xavier e Ana Lúcia Abreu pediram exoneração da função no começo de abril.

Sem campo para estágio
A falta de estrutura não é uma realidade, apenas, da Faculdade de Medicina de Macaé. No campus de Cuité, da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) na Paraíba, os estudantes de Enfermagem também resolveram entrar em greve no início de março em protesto contra a péssima estrutura do curso, também criado no Reuni. Eles reclamam da insuficiência de professores, da falta de docentes para acompanhar os estágios e da indisponibilidade de locais para estagiarem.

“O curso foi criado sem que o município e a região dispusessem de hospitais onde os estudantes pudessem fazer a parte prática. Não há na redondeza, por exemplo, nenhuma unidade de terapia intensiva ou centro cirúrgico onde os alunos possam fazer estágio nessas áreas”, critica Antonio Lisboa, diretor-secretário da Associação dos Docentes da Universidade Federal de Campina Grande (Adufcg – Seção Sindical). 

Para Lisboa, é como se os enfermeiros formados no campus de Cuité não precisem ser capacitados na sua totalidade, mas apenas para atender aos casos mais simples. É a velha divisão, presente na universidade brasileira, de faculdades de primeira, segunda e terceira classe.

Os alunos voltaram para a sala de aula no dia 18 de março, mas continua a falta de campo para estágio. “Vários professores foram contratados recentemente como temporários, diminuindo esse problema, mas o Hospital de Cuité continua a não comportar estágios mais avançados na área de enfermagem”, constata a estudante Elida Regina Dantas.

A assessoria de imprensa da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) confirma a falta de campo de estágio não só em Cuité, mas em outros locais do sertão paraibano, como em Cajazeiras, onde funciona um curso de Medicina criado há pouco mais de três anos. A universidade tem feito convênios com hospitais públicos para tentar assegurar os estágios dos estudantes.

A UFCG também confirmou outra denúncia feita por Lisboa de que a fossa séptica do prédio de Odontologia de Patos, também criado recentemente pelo Reuni, apresentou problemas, o que estava impedindo a prática ambulatorial. A situação, no entanto, já foi resolvida, assegurou a assessoria.

Assim como na maioria, para não dizer em todas as universidades federais, a UFCG sofre com a falta de professores. Segundo Lisboa, em alguns cursos foi preciso juntar duas turmas em uma, para garantir que os alunos não ficassem sem aula nesse semestre. “O professor teve de assumir uma sala de aula com o dobro de alunos aconselhado e, ainda, em níveis diferentes de aprendizagem”, denunciou.

Faltam bibliotecas
Na Universidade Federal do Amazonas (UFAM), o diretor do Instituto de Ciências Humanas (ICHL), Nelson Noronha, em entrevista ao jornal da Associação dos Docentes da UFAM (Adua – Seção Sindical) no final do ano passado, argumentou que o Reuni criou vários cursos sem a contra-partida na contratação de professores e na estrutura. De 2008 até 2011, o número de cursos no ICHL subiu de 16 para 22, um aumento de 37%, mas o percentual não foi acompanhado na contratação de professores e na construção de salas de aula e laboratórios. A situação seria amenizada este ano, com a inauguração de mais um prédio para o ICHL, o que não ocorreu (foto 2 - situação do prédio na data prevista para entrega - junho/2011).

Se a situação no campus central da UFAM é difícil, nos campi avançados de Coari, Benjamin Constant, Parintins, Humaitá e Itacoatiara ela é ainda mais precária. “Com a expansão, foram criados cursos sem que fosse dada a mínima condição de funcionamento”, denuncia o 2º vice-presidente da Regional Norte I do ANDES-SN, Francisco Jacob Paiva. 

Em Benjamin Constant, estava previsto a construção de três prédios, mas só um foi entregue e mesmo este apresenta rachaduras na parede. Os campi também não tem bibliotecas.

Jacob Paiva argumenta que um dos grandes problemas na Amazônia é a falta de professores, já que são poucos os que se dispõem a trabalhar no interior da região Norte. “O acesso é muito difícil, geralmente de barco ou avião, e o custo de vida é muito alto, o que acaba desestimulando a docência nesses lugares”, afirmou. Quem fica para dar aulas, acaba sobrecarregado. De acordo com o professor da UFAM, Josenildo Santos de Souza, em Benjamim Constant são 63 professores para mais de 1 mil alunos.

Outra crítica feita pelo diretor do ANDES-SN é quanto a dissociabilidade entre os cursos oferecidos e a realidade econômica da região. “Infelizmente, estamos formando nutricionistas, químicos, engenheiros de produção, farmacêuticos e outros profissionais nos campi do interior do estado, mas lá não há mercado de trabalho, o que acaba obrigando as pessoas a se deslocarem e provocando migração”, argumentou Jacob. Ele defende que deveriam ser oferecidos cursos mais apropriados à realidade econômica de cada local.

Para Lisboa, da Adufcg - SSind, os problemas de dissociação entre o mercado de trabalho local e os cursos criados têm sua origem no fato de o Reuni não ter sido discutido “nem pela comunidade acadêmica, muito menos pela população onde esses cursos foram instalados”, avalia.

Docentes comprometidos
No Paraná, os principais problemas estão no campus de Palotina, localizado a cerca de 600 km de Curitiba e ampliado recentemente pelo Reuni. A previsão era de que com o campus abrigaria cinco novos cursos, passando de 300 alunos em 2008 para 2.300 até o final de 2015.

No final do ano passado, a Associação dos Professores da Universidade Federal do Paraná (Apufpr - Seção Sindical) editou um jornal relatando a situação do campus. Foi constatado que estudantes, docentes e técnicos estavam sofrendo diversos problemas em relação à falta de estrutura física, material e de pessoal, devido aos recursos que ainda não chegaram. Entre os problemas estavam a carga horária elevada, laboratórios em banheiros e cancelamento de disciplina por falta de equipamentos básicos, entre outros (foto 3).

No início de março, diretores da Apufpr - SSind voltaram a Palotina e verificaram que tudo continuava como antes. “Conversei com professores em seus próprios locais de trabalho e constatei que são docentes totalmente comprometidos com a UFPR, mas que vêm enfrentando sérios problemas de estrutura física, como calor intenso, laboratórios improvisados e até paredes com rachaduras que colocam em risco servidores e estudantes”, contou o vice-presidente da Apufpr - SSind, Rodrigo Horochovski.

Na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, em Seropédica, professores e estudantes do Departamento de Geociência também reclamam da falta de estrutura. Em reunião no início de março, foi decretado o estado de mobilização permanente em decorrência das péssimas condições do local. A comunidade acadêmica quer reparos nos três prédios e mais a construção de outro anexo para abrigar 35 docentes e 300 alunos, que não contam com banheiro decente e com água encanada. O curso de Geografia está sem laboratórios e sem salas de aula apropriadas.

De acordo com a coordenadora do curso, professora Regina Cohen Barros, tudo o que eles receberam ultimamente foi um computador, um laptop e uma impressora. Professores também relataram nessa reunião, noticiada no jornal da Associação dos Docentes da UFR-RJ (Adur-RJ – Seção Sindical), que muitas vezes têm de terminar trabalhos em casa porque a internet da universidade cai constantemente. (foto 4)

No caso do Instituto de Ciências Humanas e Sociais da UFR-RJ, o semestre começou sem que as obras do prédio de aulas teóricas estivessem concluídas. Por pressão dos professores, foram colocados os ventiladores, mas ainda faltam reparos.

Para o chefe de Departamento de Geociências e vice-diretor do Instituto de Agronomia, professor Sérgio Brandolise Citroni, a UFR-RJ aderiu ao Reuni sem ter condições de levar adiante a empreita. “O resultado foi a criação de novos cursos sem a infraestrutura de aulas e várias obras intermináveis, com critérios mal definidos e equivocados”, avaliou. Uma análise que se aplica não só à UFR-RJ, mas a todas às obras do Reuni.

No Rio Grande do Sul, a situação também não é diferente. A Universidade Federal do Pampa (Unipampa), instituição multicampi criada em 2006 pelo governo Lula e que está presente em 10 municípios gaúchos, os estudantes do campus de Bagé, que é o maior, não têm residência estudantil, nem restaurante universitário, público ou particular. Alunos e professores que ficam no campus são obrigados a comer em tendas armadas pelos ambulantes que vendem comida no local. (foto 5)

Devido às condições precárias, é grande a rotatividade de professores que desistem de dar aulas na região. De acordo com pesquisa feita pela Seção Sindical do ANDES-SN na Unipampa (Sesunipampa), o índice de evasão de professores em Bagé é de 23,4% e em Caçapava do Sul é de 23,3%. No primeiro ano de instalação da Unipampa, em 2006, todos os professores que foram nomeados para Caçapava pediram exoneração.

No campus do município de Frederico Westphalen, que faz parte do Centro de Educação Superior Norte (Cesnors) da Universidade Federal de Santa Maria, o Reuni impôs a expansão, mas sem a necessária contrapartida na contratação de professores. O chefe do Departamento de Ciências Agronômicas e Ambientais desse campus, Clovis Orlando da Ros, disse que seria necessário ampliar o quadro de professores em um terço.

“A previsão inicial era de que seriam contratados 24 professores, mas hoje só trabalham 17”, denunciou, em entrevista ao jornalista Fritz Nunes, da Seção Sindical dos Docentes da UFSM (Sedufsm). Também faltam laboratórios para aulas práticas e salas de aula.

O curso de Nutrição do campus de Palmeira das Missões, que faz parte do Cesnors da UFSM também sofre com poucos professores. A coordenadora do curso, professora Loiva Beatriz Dallepiane, diz que a previsão inicial era de que 18 docentes seriam lotados no curso, mas hoje trabalham apenas sete professores para atender 135 alunos. De acordo com relatos feitos por dirigentes sindicais na última reunião do setor das Instituições Federais de Ensino Superior (Ifes), também estão faltando professores nas universidades federais de Lavras e do Amapá.

A falta de docentes e de condições de trabalho nas universidades federais é denunciada, inclusive, pela Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes). Em reunião com a diretoria do ANDES-SN, em março deste ano, o presidente da entidade, reitor da Universidade Federal de Ouro Preto, João Luiz Martins, disse que muitas universidades tiveram de cancelar a entrada de estudantes por falta de professores. “O problema ainda está localizado em alguns lugares, mas já é um reflexo da situação geral”, reclamou o reitor.

A expansão sem qualidade trazida pelo Reuni vem sendo denunciada pelo ANDES-SN desde a edição do decreto presidencial 6.096/07, que criou o programa. O Sindicato Nacional defende o aumento do número de vagas, mas desde que acompanhado da melhoria da infraestrutura (salas de aula, laboratórios e bibliotecas) e da contratação de professores, respeitando-se a autonomia universitária.

*matéria publicada na edição de abril/2012 do InformANDES impresso. As informações relativas às paralisações se referem ao período de publicação original do texto.

Com colaboração e fotos da Adur-rj, Adufrj, Sedufsm, Adua e Apufpr.

 

Fonte: ANDES-SN

 

1. Nunca é demais lembrar: Mercadante Oliva e Mantega estão ministros, mas são professores. A velha assertiva de Eduardo Portela (que o levou à renúncia do cargo de Ministro da Educação em meio a uma greve, semelhante a essa, no início dos anos 80) continua válida para esses senhores, hoje na Casa Grande do poder.

2. Mercadante Oliva esteve na segunda diretoria do ANDES-SN, que tomou posse em 09/06/1982 e esteve na direção até 21/06/1984. Era 2º Vice-Presidente. O presidente era Luiz Pingueli Rosa. No primeiro semestre de 1984, ainda em sua direção, iniciou-se a greve contra a transformação das universidades autarquicas em fundações. A ministra da Educação era Esther de Figueiredo Ferraz, que havia sucedido o Gen Rubens Ludwig, que, por sua vez, havia sucedido Eduardo Portela. A greve, de 84 dias, foi vitoriosa, e ocorreu em meio ao processo de luta pelas eleições diretas para a presidência (ementa Dante de Oliveira) e início das articulações que levariam à derrota da ditadura no Colégio Eleitoral. Ele não era professor de universidade federal, mas, sim, da PUC-SP, instituição à qual continua ligado como professor (licenciado). Também é professor da UNICAMP (licenciado). 

3. A atual negociação se inicia em 2011 e se arrasta até agosto desse ano, quando ANDES-SN e Governo fazem acordo para a negociação de novo quadro de carreira para os docentes das instituições federais de ensino. O acordo previa que até dezembro daquele ano as propostas fossem apresentadas e até 31 de março de 2012 a negociação seria fechada, com o envio da nova proposta de carreira ao Congresso. Além disso, previa o reajuste de 4% nos vencimentos e a incorporação, ao vencimento básico, de uma gratificação paga em separado. Esse reajuste seria válido a partir de janeiro de 2012. 

4. O governo não cumpriu o acordo: a incorporação da gratificação foi feita, mas o reajuste foi feito somente na parcela básica do vencimento. Mais importante, a negociação da nova carreira não aconteceu. Em meio a isso, a constatação, pelos docentes, do óbvio: seus salários são os mais achatados entre as 52 carreiras de servidores do executivo, para o mesmo grau de titulação e dedicação. Agentes da Polícia Rodoviária Federal (escolaridade de nível médio) recebem, como iniciais, salários superiores ao de docentes com doutorado e dedicação exclusiva à universidade. 

5. A única saída para esse quador é a greve. Mas será que o governo se importa com o fato de milhares estudantes estarem sem aulas? A greve começou em 17/05; o secretário de ensino superior do MEC se propôs a receber o Comando Nacional de Greve (CNG) ontem, dia 23/05, e foi desautorizado pelo Ministro Mercadante Oliva. O CNG só será recebido pelo MPOG em 28/05, sem qualquer certeza que lguam proposta que possa por fim à greve seja apresentada pelo Governo. 

6. Como disse alguém: a greve seria desnecessária se o Governo negociasse e agisse de forma honesta com os docentes. Nada disso ocorreu e está ocorrendo. 

7. Mercadante Oliva nos faz lembrar, com estes atos, das ações de outro professor da UNICAMP como ministro, inclusive, seu colega do Instituto de Economia da UNICAMP, Paulo Renato de Sousa. Falta agora o corte de salários. 

8. Dá vergonha de ter votado nestas pessoas durante várias eleições. 

 

Como docente de universidade federal e como cidadão que preza a verdade, assino embaixo deste seu comentário brilhante! É o PT traindo uma classe que sempre votou nele...

 

Se não votasse neles, hoje provavelmente não existiria mais unoversidades públicas e seriamos professores com titulação necessário apenas na hora de reconhecimento de curso, descartáveis depois. Quanto ao direito de greve? Serra, Alkmiaz e outros PSDBistas provavelmente jogariam a cavalaria em cima de nos, como se faz na USP em São Paulo. Reclamar e reinvidicar é do nosso direito como nos ensinou Lula em 1979 quando fundou a CUT. Agora dizer asneira de ter se arrependido de ter votado no PT é idiotice! Muito provavelmente voces como eu entraram na carreira acadêmica graças ao Lula, na expansão do ensino público superior ou só estão ainda graças a não privatização, desejo de FHC e seu finado ministro Paulo Renato!

 

Apoio a greve dos professores, todavia o momento é inoportuno. Fazer greve faltando 40 dias para o final do primeiro semestre? Vários alunos, como eu, que colariam grau até agosto poderão ser severamente prejudicados. No meu caso, corro o risco de deixar de assumir o cargo de Analista Administrativo na Justiça do Trabalho devido à greve. É muito triste alcançar o segundo lugar num concurso concorridíssimo e se ver prejudicado pelo impasse entre governo e professores.

 

Prezados,

Não entendo como o governo deixou as coisas chegarem ao ponto de uma greve.

Acho que os sindicatos foram flexíveis até demais. Nos últimos anos a inflação média foi de 5% e, mesmo assim, após dois anos sem aumento, foi acordado e aceito um aumento de 4% para março desse ano. O que evidencia que não é apenas uma questão salarial. No entanto, esse aumento só veio via medida provisória quando a greve já era quase inevitável.

Acho que isso foi o estopim da greve, agravado pelos outros problemas. Que problemas?

É verdade que o Reuni aumentou os recursos de várias universidades (aliás, sempre foi opção aderir ao Reuni, só que as universidades que não aderissem ficariam na miséria), porém, não foi proporcional aos custos e demandas.

Eu vi várias universidades criando cursos de engenharia. Aparentemente, fazendo a parte delas, planejando e criando novos cursos. Porém, não basta criar cursos de engenharia. É preciso contratar professores e comprar laboratórios. Posso dizer que estou prestes a ver muitos estudantes, que ingressaram em muitas dessas novas engenharias, concluir cursos que possuem apenas dois ou três professores engenheiros dedicados ao curso e dois ou três (quando muito) laboratórios específicos para seus cursos.

Isso é bem diferente da minha realidade de graduação. Fiz curso de engenharia em departamento com mais de 15 professores e mais de 10 laboratórios específicos. Ainda assim, naquela época, diziam que o nosso curso não era tão bom, "pois não tinha nem mestrado", "não era um ITA". Ou seja, se o meu curso não foi "tão bom", fico triste em ver que vários de meus estudantes vão se formar em cursos que não são "tão ruins".

 

 

Eles, o governo, vão fazer como fizeram e continuam fazendo nos níveis municipais e estaduais onde são executivo: intransigir e usar a máquina para desqualificar o movimento.

“A greve faz parte da democracia, mas quando se faz um acordo e o governo cumpre, não consigo ver razões e necessidade de uma greve. Não há qualquer prejuízo material para os docentes”


O PT é uma ideologia quantitativista. 

Não há no páis uma legenda que pense o crescimento do país do ponto de vista da qualidade, ainda que se possa considerar que Lula - e apenas ele - trabalhou além do quantitativismo, ao melhorar o poder de compra de uma significativa parcela da população. I.é, pensou as duas coisas.

Mas o pensamento político educacional do PT e cia continua vinculado ao quantitativismo, e mais cedo ou mais tarde isso iria estourar tb a nível federal.

Aqui, na UFMG, são muitas vezes salas de mais de cem alunos e a terceirização para doutorandos que não têm a mínima condição para o relacionamento professor/aluno.

Ainda que a distância entre a qualidade com que trabalham os professores federais e os das esferas municipais e estaduais seja astronômica, acostuma-se ao conforto. 

 

Concordo, Josaphat. E pior, não existe uma política educacional no Brasil por parte de nenhum grupo político. E eu falo do ensino da base até o ensino superior. Só se fala em matrículas, não se fala em reestruturar a carreira dos docentes, em prover de infraestrutura os estabelecimentos educacionais e nem de reavaliar os currículos dos cursos. Aumentaram os dias letivos no ensino fundamental e médio; mas, e daí? Isso por si só não adianta nada. Não é porque o aluno está sentado em sala de aula que ele necessariamente vai aprender mais, não é o conteúdo que importa (e esse é um dos principais defeitos da nossa educação, esse foco conteudista), o aluno não lembra das coisas com o tempo, mas sim aprender a pesquisar algo, se aprofundar, criar novos conhecimentos...E isso é muito fraco aqui, inclusive nas universidades...

 

A questão é pura e simplesmente a reestruturação da carreira docente, no que estamos (tb sou professor) com a razão de lutar.


Quanto à expansão, no geral ela é extremamente positiva, salvo uma ou outra falha.


Se houver um Reuni 2, todo mundo vai querer novamente, exceto os que sempre se posicionam contra o governo - qualquer governo.