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A greve nas hidrelétricas em construção

De O Globo

Hidrelétricas paradas: 43 mil trabalhadores de braços cruzados

Greve nas usinas do PAC leva a atraso na entrega das obras

Danilo Fariello
Geralda Doca

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BRASÍLIA e RIO — Quatro importantes obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) na área de energia estão paralisadas, com 43 mil trabalhadores de braços cruzados, colocando em risco os cronogramas de execução dos empreendimentos. Nas hidrelétricas do Rio Madeira, em Porto Velho (RO), o clima era de tensão nesta quinta-feira, com a presença de policiais militares armados com balas de borracha. A greve, que já dura 22 dias em Jirau e oito em Santo Antônio, estendeu-se para o canteiro de Belo Monte, onde três mil funcionários, de um total de sete mil, pararam por melhores condições de trabalho. Em São Félix do Xingu (PA), onde ficam as obras de Belo Monte, um operador de motosserra morreu durante o trabalho na quarta-feira à tarde, o que estimulou a adesão à greve, na avaliação do governo federal. Outra hidrelétrica do PAC, no Rio Teles Pires, fronteira entre Pará e Mato Grosso, teve sua licença de instalação suspensa pela Justiça nesta semana, e o cronograma interrompido.

As greves são motivadas, principalmente, por pedidos de aumento salarial e de melhores condições de trabalho. Os valores dos quatro empreendimentos chegam a quase R$ 60 bilhões.

— Fomos pegos de surpresa com os PMs nos canteiros de obra. Participamos de uma comissão tripartite na quarta-feira e ninguém falou nada — disse Enélcio Pereira, diretor do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria da Construção Civil de Rondônia (Sticcero), sobre Jirau e Santo Antônio.

— A presença da PM no canteiro é preocupante, só acirra os ânimos. A saída é a negociação, mas as empresas se recusam a negociar com trabalhadores parados, e eles não querem voltar sem proposta — disse Claudio da Silva Gomes, presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores da Construção Civil e da Madeira (Conticom).

Segundo os sindicalistas, havia cerca de 150 PMs nos canteiros em cada usina ontem. Eles estavam prontos para um confronto, com balas de borracha e gás lacrimogêneo. Entre os policiais, há contingente da Força Nacional de Segurança Pública. No ano passado, uma agitação tomou conta do canteiro de Jirau, com atos de vandalismo.

Governo criará comissão tripartite

Em Porto Velho, nesta quitna-feira pela manhã, 97% dos trabalhadores da obra de Santo Antônio decidiram, pacificamente, retomar as atividades, segundo nota do consórcio construtor. De acordo com os sindicalistas, os empregadores haviam decidido abonar os dias parados. No entanto, um tumulto causado pelos demais funcionários teve de ser contido pela polícia, disse o consórcio. Na hora do almoço, um trabalhador atirou uma pedra em um policial. “Houve confronto e mesmo contando com o apoio da Força Policial, o consórcio foi obrigado a evacuar a obra para preservar a integridade física dos demais trabalhadores e de suas instalações”, disse o consórcio em nota.

Em Jirau, a situação foi também conturbada, mas sem violência. A Camargo Corrêa, responsável pela obra, afirmou que, pela manhã, uma minoria de grevistas impediu os profissionais de retomar os trabalhos — segundo a Conticom, foram duas mil pessoas. Em nota, a Camargo Corrêa afirma que “não ocorreram atos de violência contra trabalhadores nem houve registro de danos materiais às instalações e equipamentos”. O sindicato conseguiu dispersar o movimento, mas a obra permaneceu parada, disse a Conticom.

Jirau e Santo Antônio já consideram reavaliar seus prazos de entrega das obras. O consórcio Energia Sustentável do Brasil, responsável por Jirau, previa o início das operações para o segundo semestre deste ano. Em nota, o Santo Antônio Energia reconheceu que está “avaliando eventuais impactos” da greve. A hidrelétrica deveria entrar em operação no fim de abril. Nesta quinta-feira, estava marcada uma audiência de conciliação entre as partes no Tribunal Regional do Trabalho (TRT), mas a reunião, que trataria de Jirau e Santo Antônio, foi adiada para amanhã.

Segundo o movimento Xingu Vivo, a morte do trabalhador em Belo Monte não tem relação direta com a greve, mas o clima ficou pesado e os trabalhadores usaram o ocorrido para cruzar os braços e protestar contra cláusulas “não atendidas” do acordo coletivo de 2011. Também estariam revoltados com o desconto no contracheque de auxílio concedido aos operários instalados na cidade. A empresa estaria levando esses empregados aos canteiros e, por isso, retirando o adicional. Outra reivindicação é a redução do prazo de seis para três meses para que possam visitar as famílias.

Diante de greves e tumultos, o governo corre para pôr em prática o compromisso assumido pelas empreiteiras Andrade Gutierrez, Odebrecht e Camargo Corrêa de melhorar as condições de trabalho, respectivamente, em Belo Monte, Santo Antônio e Jirau. O compromisso foi assinado com a presidente Dilma em 1 de março entre 12 empresas e centrais sindicais.

Na segunda-feira, será publicada uma portaria assinada pelo ministro Gilberto Carvalho, da Secretaria Geral da Presidência, instalando a Comissão Permanente Tripartite, com 30 pessoas, entre representantes do governo, dos trabalhadores e das empresas. A primeira reunião será na terça-feira.

As paralisações, porém, não chegam a preocupar o mercado, que conta com sobra de energia para atender ao crescimento do consumo até 2016. Além disso, projetos desse porte já contam com uma “gordura” em seus cronogramas. A diretora de Gestão de Risco e Regulação da Trade Energy, Regina Pimentel, destaca que o cenário indica sobra de quatro mil megawatts (MW) médios até 2014.

— Não há preocupações com esses eventuais atrasos.

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O velho esquema das empreiteiras de forçar o governo aos tais aditivos de contrato. Espreme o peão, e este, de barriga mucha e cabeça cheia de manipulação reage(um paiol pronto pra explodir, fácil, fácil); decreta a greve, atrasa tudo, e se arrastando como um mendigo o governo vai lá pedir pelo amor de Deus que  resolva. Claro, tendo que oferecer polpudos aditivos nos contratos que podem elevar e muito os respectivos custos das obras... mas só dá ladrão!!!

 

"cabeça cheia de manipulação"?

 

Exemplos de imprensa lulista: Conversa Afiada, Brasil de Fato, Carta Maior, Carta Capital, Luis Nassif Online. Mas, cuidado! Caso fale isso, seu IP pode ser banido. 

É assim no capitalismo: avançar a qualquer custo, se há impedimentos, bombas de borracha e cassetetes para cima dos trabalhadores. Nesse caso, os cassetetes vêm do governo "popular" do PT.

 

Exemplos de imprensa lulista: Conversa Afiada, Brasil de Fato, Carta Maior, Carta Capital, Luis Nassif Online. Mas, cuidado! Caso fale isso, seu IP pode ser banido. 

Nossa !

Voces estão com tanta saudade da ditadura?

 

Mas há quem diga que está tudo às mil maravilhas. Estou vendo as maravilhas. Realmente para os grandes está uma maravilha.

Já para as piabinhas...

 

"o mundo é um saco de merda se rasgando. não posso salvá-lo."

 

Trabalhadores em greve por melhores condições de trabalho não é, na atualidade, problema do Partido dos Trabalhadores. Este tem assuntos mais sérios a tratar, como a permissão para bebidas alcóolicas na Copa, o FUNPRESP (quem será o principal dirigente? Aposto que será do PT e ligado ao CBN), a eleição de Haddad, etc. 

O povo, bom, como diria aquele sincero general-ditador, querem distância do cheiro de povo.

 

As responsáveis pela Usina do Rio Madeira: Madeira Energias S/A - MESA, composto das seguintes empresas, com suas respectivas cotas de participação na construção e exploração da obra: FURNAS (39%), Odebrecht Investimentos (17,6%), Andrade Gutierrez Participações (12,4%), Cemig (10%), Construtora Norberto Odebrecht (1%) e Fundo de Investimentos e Participações Amazônia Energia (20%).

As responsáveis pela Usina hidroelétrica do Jirau:

Consórcio "ESBR - Energia Sustentável do Brasil", formado pelas empresas Suez Energy (50.1%),[2] Eletrosul (20%), Chesf (20%) e Camargo Corrêa (9,9%).[3] 

As responsáveis pela Usina do Santo Antônio:

Consórcio Madeira Energia, liderado pela Odebrecht e por Furnas.

As responsáveis pela Usina do Belo Monte:

O grupo é liderado pela Eletronorte, com 20%, que foi responsável pelos estudos técnicos e ambientais da usina[3]. A estatal Chesf possuía fatia de 49,98% do consórcio[4], mas foi obrigada a ceder 14,99% para a Eletrobras, sua controladora, e participação para a Eletronorte.

As responsáveis pela Usina do Teles Pires Barragens:

Neoenergia Investimentos S/A (Neoinvest) é uma empresa controlada pelo grupo espanhol Iberdrola e por fundos de pensão ligados ao Banco do Brasil e à Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil (Previ).