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A indústria da pornografia

Do Opera Mundi

27/07/2011 - 14:46 | Jaskiran Chohan | Washington

A pornografia e a indústria do sexo

Em suas raízes, a pornografia surge como uma revolta contra o puritanismo promovido pela direita e pela fé cristã. No entanto, este legado não é nada mais que história, pois hoje reforça a opressão sexual feminina em vez de desempenhar um papel de dissensão. A pornografia é parte da indústria do sexo, mas esse termo também inclui a prostituição, os clubes de striptease e o baile erótico. As duas últimas manifestações apresentam a face respeitável de um mundo baseado na coisificação do corpo da mulher, mas também mostram o vínculo mais destacado entre o sexo e o mercado.

É fato conhecido que a prostituição existia durante a época greco-romana e também na antiga Mesopotâmia. No entanto, em muitos aspectos, estas mulheres eram mais liberadas sexualmente, pois não sofriam a estigmatização social por ter filhos com vários homens, e também podiam buscar um companheiro, como por exemplo as mulheres astecas. O que deu início à mudança foi a introdução da propriedade privada e da ideia da família nuclear, como definiu muito bem o marxista Friedrich Engels. Ele explicou que nossas relações com o mercado definem as relações pessoais e sexuais.

Assim, a família nuclear e a necessidade de filhos legítimos eram motivadas pelo acúmulo da riqueza e pela competição que dominava o mercado. Isso não só confinava a mulher aos limites do lar, como também lhe atribuía papéis de dona de casa ou cuidadora, encarregada do trabalho reprodutivo.

Dessa forma, o prazer sexual era negado ao casal, e o sexo se firmava como função reprodutiva. Isso reforçou em grande medida a ideia de gozar do sexo fora do lar, habitualmente com prostitutas.

Alienação das emoções

Esse processo histórico tem muito a ver com o boom atual da indústria do sexo. De novo, as mudanças econômicas criaram uma indústria que oferece um acesso fácil à satisfação sexual. O desenvolvimento da tecnologia e o ritmo de vida que levamos nos transformaram em máquinas, completamente alienados de nossas próprias emoções, e a indústria do sexo respondeu a isso. Transformou o sexo e os desejos humanos em produtos vendáveis e apelos econômicos.

Não devemos esquecer que uma característica fundamental dos mercados é a de transformar as relações sociais. Estima-se que as receitas anuais da pornografia sejam maiores que as das indústrias do futebol americano, beisebol e basquete somadas. É tão rentável que, a cada ano, movimenta até sete bilhões de dólares, uma cifra que nem sequer inclui a prostituição.

A indústria do sexo não existe em sua própria bolha, e sim na rede do capitalismo global. No Estado espanhol, só duas em cada 100 trabalhadoras do sexo são autóctones, o que mostra claramente a influência das reestruturações econômicas encabeçadas pelo FMI, as quais agravaram a polarização e a pobreza mundial. Para muitas das imigrantes presas na indústria do sexo devido à falta de trabalho e de documentos, simplesmente não resta outra opção. Nesse aspecto, são fundamentais sindicatos e organizações que defendam os direitos das trabalhadoras do sexo, para evitar condições de trabalho ainda mais precárias.

Ao contrário do que dizem as pós-feministas, a indústria do sexo não é um exemplo da liberdade sexual da mulher, pois fortalece a superioridade masculina como parte do sistema capitalista que tenta dividir a classe trabalhadora sob falsos preceitos, como o das "raças" ou o do gênero.

O exemplo que ilustra isso mais claramente é o fato de que os clubes de baile erótico e striptease são freqüentados majoritariamente por banqueiros e homens de negócios do setor financeiro. Não surpreende que este setor continue sendo um dos mais sexistas, onde as mulheres ainda precisam enfrentar muita pressão na questão sexual.

Não se trata de entrar na discussão sobre a liberdade das mulheres de escolher se querem ingressar ou não nessa indústria, já que as próprias forças do mercado e a maneira como se forma a cultura põem em dúvida essas ideias de suposta liberdade. A maioria das mulheres sofre uma pressão diária para ter uma imagem coisificada que domina nossa cultura e apoia-se no mercado capitalista.

A única maneira de combater essa opressão é, além de uma luta feminista, uma luta anticapitalista. O sexismo não poderá ser erradicado enquanto o sistema que o produz continuar em vigor.

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É o mundo do padre hedonista, o padre hedonista do meu amigo Franco Átila:

 

O padre hedonista (o publicitário)

I

Você tem que comer todas meu irmão 
E gozar todas as vezes que comer 
Fazendo-a gozar e querer mais e mais
E você irmã 
Se não der pra todo mundo 
Ai de ti 
Se ao dar 
Você não gozar 
Não se lambuzar inteira 
Não uivar por todas as tuas bocas 
Oh my God!
Vai malhar irmã-o
Pra todo mundo querer foder sonhar gozar com este corpão sarado
E bronzeado
Ai de ti 
Se cada poro
Cada boca
Cada neurônio cada sinapse do teu corpo
Não (fazer) gozar 

II

Ai de ti se todos os dias da tua vida 
Se todas as horas do teu dia 
Se cada minuto e cada segundo não for de alegria 
Vá para o Hot Park e a Disneylândia 
Ligue a televisão no domingo e curta o jogo e o Gugu
Goze a cada gol e pegadinha 
No meio da multidão 
No show da Ivete todo mundo pulando
E bebendo e dançando e beijando na boca e explodindo de alegria
Vá ao shopping irmão e se empanturre de fast food e diversão
Com sobremesa de roupa nova e quinquilharias high tech 
Limpe a boca com cartão de crédito e fume um Hollywood (pra relaxar)
Ou um trago de maconha ou coca (cola ou pura)
Se viciar é só internar
Não é tão caro assim (e pode pagar no cartão)
Nada de angústia ou tristeza irmão
Mas se isto acontecer (acontece nas melhores famílias)
Consulte um médico e tome direitinho seu antidepressivo
Combinado com Lexotan (pra relaxar)

 

Nossa, já estudei a fundo durante muitos anos a psicologia e a cultura da família, do amor, do sexo - estas para entender minhas neuroses - , depois do casamento, da prostituição, e agora estou na pornografia. A história do casamento no Brasil estudei ainda dentro do projeto de iniciação científica da Fapesp, junto com o das relações de prostituição. E todas essas instituições, todas essas relações, foram muito mais fáceis de estudar do que a pornografia. Não é nada fácil tentar explicar, estudar, analisar ou concluir alguma coisa sobre a pornografia.

Primeiro, tem o contexto do casamento, e temos de lembrar que antes da pílula, nos anos 60, as relações sexuais fora do casamento tinham uma altíssima probalidade de acabar em gravidez, e isso de fato contrastava com o medo do patriarca familiar, não apenas pela sua "honra", mas principalmente pelas questões da herança, da transmissão de bens. E no Brasil isso tinha uma mediação intensa da moral católica, e ainda mais, da presença do padre no cotidiano familiar, mesmo, da Igreja quase como que um "poder moderador" dos casamentos. Isso ocorria mesmo na época do descobrimento e da colonização, com brigas homéricas entre a "esposa" e as "amantes".

Depois, o da repressão ou fruição sexual. Havia uma moralidade que tinha algum fundamento antes da pílula anticoncepcional. A gravidez precoce ou "imprevista" traz muitos problemas hoje, Imagine nas décadas e séculos passados. Também para as mulheres, ou meninas. E havia aquela moral católica rígida, mais o tabu da virgindade. Então o sexo era visto como pecaminoso, como algo que não devia ser experimentado, fora do casamento. Claro, nunca chegou a ser seguido assim, pela grande maioria das pessoas, mas era a moral aceita, que podia destruir reputações, pessoas e famílias, mesmo pessoas importantes.

Além disso, a fruição ou repressão sexual passou a fazer, depois dos anos 60, parte da "agenda libertária", na guerra fria da esquerda contra a direita, dos loucos contra os caretas, na luta de gerações, entre os jovens e os velhos, na revolução de costumes, entre virgindade, fidelidade e "amor livre". Enquanto isso, a (falsa) moral rígida e conservadora sustentava essa bandeira como luta de poder mesmo, como controle dos comportamentos. A liberdade sexual, a plena vida sexual, era proibida e está acabado. Somos "nós" que dizemos quando é que o sexo pode ser praticado e como é que ele pode ser concebido ou vivido. E ai daqueles que não seguirem o que "nós" e "nossas senhoras digníssimas esposas" estabelecermos...

Bem, a liberdade sexual veio, e muitas outras coisas mais, acho que até um certo exagero, não é mesmo? E depois veio a AIDS, e aí toda a liberdade sexual entrou em crise. Toda a idéia da repressão sexual voltou, de ser imoral e sujo praticar sexo fora dos padrões rígidos do casamento, ou pelo menos de uma relação semelhante, e por pessoas já maduras, de certa idade. Claro, mais uma vez a maioria das pessoas não respeitou isso. E houve exageros sim.

Esse quadro desenhado, o que dizer da pornografia? Primeiro, não há apenas uma pornografia, mas várias, não cabe aqui classificar. E vários usos da pornografia, também. Procurando fruição sexual, procurando conhecer o assunto (adolescentes), procurando o sexo "possível" (em algumas situações "diferenciadas"), ou estabelecendo com o sexo uma linguagem de mercado, de consumo. Neste caso, não há de fato uma fruição sexual, com toda a satisfação e envolvimento que o sexo real traria, mas a invasão que a pornografia faz, das imagens, dos atos, produz um efeito "compensador", uma espécie de "prêmio de consolação", disse Erich Fromm, comprada como produto, em vez da experiência sexual plena. E, neste extremo "simbólico", a pornografia é mais uma forma de exclusão, de repressão sexual, de não acesso a uma parte da vida, que pode ter causas culturais, econômicas e, sobretudo, políticas. O sexo como linguagem de poder, contra a qual se rebela sempre a fruição de qualquer modo, mesmo a velha "libertinagem", a velha "sacanagem", a obscenidade e a safadeza.

Pessoalmente, e teoricamente, sou mais adepto de Wilhelm Reich. Sexo para todos. Quanto mais sexo, melhor. Sexo não é mau, nem é sujo, é bom. Desse jeito, daquele jeito, como dizer qual a melhor forma de viver a sexualidade, para cada um, a cada momento de sua vida? Isso sim seria falsa moralidade. Se há limites, pontos de equilíbrio, abusos? Sim, claro, há, de montão. Mas também acredito que ainda conhecemos muito pouco sobre a sexualidade, e muito desses problemas vêm da repressão, não da fruição. Também há cuidados a tomar? Outros valores envolvidos, principalmente sentimentos? Sim, mas tudo isso precisa ser vivido e não reprimido, dentro dos limites que cada deve encontrar, de forma orientada e consciente, por si ou por pessoas mais próximas que possam dar uma orientação básica, mínima.

O post cuida de alguns dos aspectos de alguns dos casos envolvendo a pornografia hoje. Mas se  abrirmos a Internet veremos que há uma gama muito maior de situações, e nem sempre a mulher está em condição indigna ou desvantajosa. Acho que antes era mais machista e agora pode tanto ser mais quanto ser menos machista, depende, caso a caso.

Por outro lado, não magoa ninguém, não é verdade? Desde que certos limites não sejam desrespeitados. E a imensa variedade, a enorme quantidade, mostra que muita gente e amadora mesmo, ou "não está nem aí". Faz porque está a fim ou porque precisa de uma graninha eventual. Há milhares de pessoas comuns e que não são profissionais do sexo produzindo material pornográfico.

Porém, mesmo nesses casos "libertários", ou "moderninhos", da pornografia na Internet, há pontos que deverao ser verificados pelos "experimentadores" ou "pretendentes": bons autores, psicólogos clínicos, sexólogos, e outros autores que li, sustentam a tese de que nada pode substituir a experiência real. Talvez isso seja o mais importante. Não perder a noção dos limites, dos valores humanos e a diferença entre a fantasia e a realidade, entre o sexo em seu êxtase real amoroso, na vida, nos romances, e a pornografia. Aí, coitadinha, vira um prêmio de consolação para quem está no momento desconsolado, ou um pequeno "estímulo", não passará disso. Bom, problemas maiores virão se os limites forem ultrapassados, mas aí não acho que a culpa seja só da pornografia, mas de vários outros fatores combinados.

O problema não é a pornografia, é o estado em que se encontra o mundo em que vivemos, a nossa sociedade, e o estado em que as nossas vidas se encontram. De qualquer forma, o preconceito e a falsa moralidade não ajudam, e isso misturado com os desvios comportamentais e as experiências degradantes, aí realmente a coisa pode ficar feia, muito feia, como na pedofilia, na prostituição infantil, nas perversões sexuais extremas e nas neuras em que isso tudo pode desembocar.

 

Sendo um texto de esquerda ou não, eu não gostei do texto. A começar por eu constatar que não são apenas as mulheres que trabalham se expondo na pornografia, pois o número de homens que nela trabalham é igual, ao contrário da prostituição onde a maioria feminina é arrasadora. Também não gosto de misturar pornografia e prostituição enquanto gênero ou prática social, mesmo sabendo que muitos que trabalham numa área trabalha na outra. Os limites entre liberação sexual, que é uma evolução moderna, e principalmente favorecendo a mulher ao dar igualdade e responsabilidade sobre o próprio corpo, e sexismo exacerbado são tênues. É difícil a visualização do que é imposto e o que é consentido, e não tem nada a ver patrulhar o desejo sexual alheio e suas motivações psíquicas com a desculpa de libertar a mulher do capitalismo. Inclusive no texto fica parecendo que tudo começou no capitalismo, sob uma prerrogativa masculina de mercado, quando na realidade não só a prostituição, mas também a pornografia são muito mais antigas, antes só não haviam filminhos.

Bom talvez eu tenha lido tudo errado...

Um abraço. 

 

"[...]Devia era, logo de manhã, passar um sonho pelo rosto. É isso que impede o tempo e atrasa a ruga.[...]" - Mia Couto

Segundo o texto a pornografia é subproduto do capitalismo, é um mercado que busca o lucro. Mas o que vemos é que a pornografia rompe com valores cirstãos e com a mesma moral burguesa que o Engels genialmente definiu. Ela sai da periferia e ocupa um papel que se ajusta as necessidades da sociedade capitalista, que é a satisfação rápida e direcionada. Talvez daí o espanto das classes tradicionais, pois ela é um subproduto do capitalismo que cresceu e se tornou um monstro para as mentes "limpas" e fiéis aos bons costumes.

Por outro lado, sofre os ataques desses mesmos setores conservadores pois veja o caso da justiça americana contra o mestre do gênero John "Buttman" Stagliano (que adora o Brasil!) que o criminaliza pela divulgação de vídeos em emails. Lá, encabeçada por ele, foi lançada uma campanha "Defend You Porn". Que é o direito de vc ter o seu prazer. Se a sociedade limita nesse direito, abre precedente para o obscurantismo moral que está sendo o grande perdedor dessa época resurgir.

 

"Essas figuras do Paradoxo são inumeras; elas tem seu operador lógico: é a expressão: "na realidade": o strip-tease não é uma solicitação erótica: na realidade ele dessexualiza a Mulher, etc."

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"X. me dizia: "Pode-se imaginar a menor frustração nos libertinos de Sade? E no entanto: seu poder inédito, sua prodigiosa liberdade são ainda fracos com relação à minha própria fantasmática. Não que eu deseje acrescentar a menor prática à lista aparentemente exaustiva de seus gozos, mas porque a única liberdade com que eu posso sonhar, eles não a têm: a de poder gozar instantaneamente de quem me cruza e é por mim desejado. É verdade, acrescentava ele, que esse fantasma é vulgar: não serei eu, potencialmente, o indivíduo sádico das notícias populares, o tarado sexual que "pula" sobre as transeuntes na rua? Em Sade, pelo contrário, nada lembra jamais a mediocridade do discurso jornalístico."

Roland Barthes por roland barthes, tradução de leyla perrone-moisés, 1975.

 

"Ganhe as profundezas, a ironia não desce até lá" Rilke. "A ironia é o pudor da humanidade" Renard. "A ironia é a mais alta forma de sinceridade" Vila-Matas.

Alguns filmes são horríveis e retratam a mulher sim como se fosse um objeto. Sujeitos como Max Hardcore foram até em cana, lá nos Estados Unidos, por se meterem nesse tipo de encrenca. Max tratava as mulheres nos filmes como verdadeiras bonecas, a serem usadas violentamente pelo homem. Pegou pesado, coisas abomináveis aconteciam em cena, inclusive com escatologia e outras agressões. Mesmo com o consentimento das atrizes, não era algo exatamente agradável de ver.

Outro produtor pornográfico, o Rocco Sifredi, é conhecidamente misógino, pega pesado com as mulheres, dá tapas na cara delas, e glorifica o homem bombado e bissexual nas suas cenas, que se embrenha com outros machos usando apenas a mulher como um acessório, um detalhe, um objeto a ser usado e descartado. Isso se reflete nos próprios enquadramentos desse diretor, que pega, quando muito, apenas a penetração, deixando a mulher de lado e valorizando a violência do homem. Não se aprecia, nessas cenas, a beleza do corpo feminino, e de seu poder natural de sedução e encantamento.

Mas o problema na indústria pornográfica não se refere só a eles. Há, no geral, no chamado "mainstream" do mundo pornô, uma estrutura de filmagem e roteirização que é a que segue: oral, penetração vaginal, penetração anal, oral de novo, e o chamado "money shot", que é onde o homem finaliza sua ejaculação sobre o rosto da mulher, que deglute como se fosse um doce. Nessas cenas, o homem mostra seu poder por sobre a mulher, que não tem o direito de ter um orgasmo, mas apenas de servir de "anteparo" para a ejaculação masculina. As cenas são filmadas de modo a apenas se enfatizar a penetração: o corpo da mulher não é mostrado, nem a sua sensualidade ou beleza. Seios, nádegas, tudo são apenas meros "features" para a estimulação sexual masculina, não atributos próprios da mulher.

Há luz no fim do túnel, no entanto. Alguns produtores, principalmente do mercado lésbico, sabem valorizar a beleza da mulher, aproveitar o seu potencial, e revelar um verdadeiro retrato de como a sexualidade feminina pode ser encantadora. O sexo era pra ser belo. Como arte, e até como entretenimento, deveria ser aproveitado dessa forma: uma fonte de beleza, além de prazer. A sexualidade humana é uma das coisas mais fascinantes e encantadores que existem, é apenasu ma pena que, por um lado, esteja cercada de moralismo cerceador, e por outro, de produtores pornográficos em tese liberais, mas que apenas reproduzem as relações sociais de dominação masculina sob a forma de encenação sexual, com todo o seu simbolismo (homem por cima, money shot, e assim por diante). Em algumas produções, a mulher não é apenas uma "penetração móvel", ela é um ser íntegro que, através do seu tom de voz, do seu gestual, e de até, em alguns casos mais raros, de elementos do roteiro, consegue seduzir, provocar excitação, estimular. As coisas se dão lentalmente, os beijos são calorosos, ao mesmo tempo carinhosos e cheios de tesão, ao contrário do que preconiza a noção machista moderna, de que o sexo cheio de tesão é o sexo agressivo, cheio de vigor "macho", uma estupidez sem tamanho.

Com o advento da internet, muita coisa no mercado pornô mudou, e uma certa liberdade foi adquirida e vem sendo explorada. É uma pena que, raramente, essa liberação (com valorização da mulher e de sua feminilidade) emerge ao mainstream. Talvez, com muita boa vontade, possa-se elogiar a grande produtora Bangbros, que faz filmes com alta valorização do corpo feminino, tanto nos takes de filmagem como nas fotografias, mas que, de resto, segue o mesmo velho clichê pornográfico. De resto, para os que se interessam pelo gênero, o sexo vem sendo retratado das mais diversas formas por produtores independentes, e outras produtoras menores, e isso pode ser algo positivo, desde que feito com um mínimo de critério, e por que não, originalidade.

 

Boas considerações Fernando. Nas entrevistas com as atrizes em making off's de filmes, inclusive os do genêro gonzo, esses que pelo roteiro (se é que pode ser chamado de roteiro) mais hard, o papel da mulher é subjugado face ao interesse simples e direto da produção, vemos que muitas delas tem uma consciência crítica do que estão fazendo e no pornô americano é muito forte o caratér de seriedade e profissionalismo da atuação. Para elas e para os diretores é um trabalho como outro qualquer.

Existe a grande divisão entre os filmes "com história" e os do genêro gonzo (mainstream) e estes últimos são direcionados a libido masculina mas não são feitos todos da maneira utlizando a mulher como objeto. Os filmes das diretoras e atrizes Belladonna e Joana Angel são dedicados a ambos os gêneros sem contar histórias, por exemplo, mas valorizam o desejo feminino. A produtora Elegant Angel tb tem produções nesse sentido, o foco é o prazer da mulher.

Agora pela internet, essas produções com as da BangBros não são o que vc disse. Pelo contrário, a desvalorização da mulher é evidente. São filmagens com o caráter mas bruto e caseiro (até mais que o gonzo de estúdio) e não me venha dizer que observar cenas usando as atrizes dentro de uma van é valorizar seu corpo. 

No mainstream, os interesses são diversos e destinam-se a todos os segmentos e tipos de prazeres.

 

Não entendi o texto. Sei que o autor é contra alguma coisa, porém não sei exatamente o que. A pornografia? A prostituição? A "coisificação do corpo da mulher"? Contra tudo isso? Alguns comentaristas já ressaltaram certos aspectos, como a saudável necessidade de sexo, a pornografia vista como arte e a existência de prostituição também dos homens e dos intergêneros, não somente das mulheres, aspectos importantíssimos que não foram analisados no texto. Quanto à prostituição, suponho que ela jamais acabará, ainda que seja exterminada a tal "indústria do sexo", pois individualmente sempre existirão aqueles que gostam da atividade (e por que não?) ou dos que, sem outra alternativa, o farão como fonte de subsistência. A pornografia, entendida como a iconografia do sexo, tampouco. Quanto à afirmação do texto de que "os clubes de baile erótico e striptease são freqüentados majoritariamente por banqueiros e homens de negócios do setor financeiro" é um fato, a meu ver, carece de qualquer amparo na realidade. A maioria das prostitutas presta serviços às classes pobre e média. Nem poderia ser diferente ou elas morreriam de fome, já que o percentual de "banqueiros e homens de negócios do setor financeiro" em relação à população total é, de fato, quase insignificante. Na Índia, por exemplo, as prostitutas, em geral paupérrimas, trabalham por um ou dois dólares por sessão de sexo. Duvido que seus clientes sejam banqueiros. Vi num documentário, que muitas prostitutas gostam da profissão e não a largariam nem mesmo se tivessem alguma opção para ganhar a mesma coisa. Acho que há uma certa arrogância em analisarmos os outros segundo nossos próprios valores. E daí se alguém quer se prostituir? Desde que ninguém o esteja forçando a isso. Claro que se pode alegar, como fez o texto, que isso é uma liberdade falsa, premida pelas necessidades da vida. Ora, as necessidades da vida fazem parte da vida e constituem um elemento de sopesamento de nossas decisões como todos os demais. Quer dizer que a liberdade verdadeira seria abster-se da prostituição e morrer de fome? Muito estóico mas pouco prático. Em relação à "coisificação do corpo da mulher", é a meu ver um fato humano e imorredouro. Desde as pinturas rupestres que o ser humano (em geral do gênero masculino) gosta de imortalizar o corpo da mulher, cada um segundo a sua época. Essa pictografia acaba por destacar a conformação plástica tida por ideal naquele momento histórico, pressionando os demais elementos da sociedade a nele se enquadrarem. Hoje as mulheres querem ser magras, ontem já pretenderam possuir as formas da supergordinha Vênus de Willendorf ou as das "cheinhas" das telas de Boticelli. Hoje gostamos de ser cheirosos, mas Bonaparte, a uma semana de Paris, já enviou carta à Josefina suplicando-lhe que não tomasse banho. Hoje as mulheres sofrem nas cirurgias plásticas, ontem desmaivam na pressão dos corpetes. Enfim, essa "coisificação", longe de estar aqui querendo justificar, não é moderna. Creio que o ideal não é a supressão dessas, digamos, anomalias. O ideal é que a sociedade humana forneça, a cada indivíduo, a possibilidade de livremente poder a elas aderir, ou não, seja pela ausência das carências financeiras que nos empurram a elas, seja pela existência de uma sólida formação cultural que nos faça capazes de criticamente avaliar se determinado comportamento ou esterótipo, imposto pela mídia, deve ou não ser reproduzido.

 

Bom,nada mais horrendo do que homens incapazes de sentir empatia pelo sofrimento feminino vindo defender esta exploração absurda criada pelo machismo.Típico egocentrismo machista,aprova de que a luta feminista tem que ser menos compreensiva com tais senhores...E nós mulherss,como ficamos? vc gostaria que uma parente sua tivesse seu corpo disponível para ser abusado por qu8alquer um do jeito que este qualquer um bem entender? e o que dizer do tráfico de meninas e mulheres,vai dizer que todas elas adoram ser tratadas como mercadorias sexuais?

A voz das mulheres é sempre silenciadas,toda esta "manifestação saudável de sexualidade masculina " foi sempre ás custas da nossa opressão e degradação e sobretudo do nosso silêncio.Nada mais somos do que corpos.

 

Matou a pau, meu caro. Infelizmente, pouquíssimos irão corroborar sua opinião, uma vez que denota profundo conhecimento da natureza humana no tempo e no espaço, não se limitando a enaltecer o homem utópico, franksteiniano (no sentido de homem construído), perfeito, amante do bom do belo e do justo.

 

agora eu entendo a razão de os estados unidos serem um país tão religioso, eles só atingiram o topo do mundo por um milagre divino! porque no que dependesse do direcionamento dos 'intelectuais' que eles tem, não teriam chegado a lugar nenhum.

a analise já começa mal, dizendo que pornografia é uma resposta ao puritanismo. ora, pornografia remonta a época das cavernas quando os homens das gavernas pintavam cenas eroticas nas paredes e se masturbavam vendo elas... e é pra isso que serve a pornografia, pra excitar, ela não faz parte de nenhum movimento de constatação.

outro erro grotesco é tratar pornografia como se fosse prostituição. a internet tá cheia de videos de sexo caseiros que os casais gravam e jogam na rede pra serem vistos. isso é exibicionismo puro, ninguém ganha um centavo por eles. é condenavel? na minha opinião, não... se eles querem ser vistos e há quem queira ve-los e não estão fazendo nada de mal, pra que implicar?

mesmo a industria pornografica, ela só atende a uma demanda. tem quem se dispõe a fazer sexo por dinheiro, tem que se dispõe a assistir, ela só torna possivel essa interação. assim como faz a industria fonografica, a cinematografica, a televisiva, levando ao publico o que ele quer ver mediante pagamento.

se no primeiro caso o que motiva as pessoas a transar diante das cameras é vaidade, no segundo é o dinheiro. e o que motiva as pessoas a assistirem, em ambos, é o desejo. assim concluo que a unica alienação existente no que envolve a pornografia é a sofrida pelo autor desse artigo esdruxulo.

 

Acho que há uma tarefa a ser feita antes da luta anticapitalista e que é a luta pela igualdade econômica dos gêneros. Quanto mais as condições econômicas entre os gêneros forem iguais, ainda que dentro do sistema capitalista, menos atrativas se tornarão a pornografia e a prostituição como atividades profissionais. Ou, dizendo de outra forma, quanto mais a mulher for vista como um igual pelo homem, menos passível de coisificação ela será. Ainda assim, acho difícil, para não dizer impossível, que a prostituição e a pornografia deixem de existir pois há componentes psíquicos muito fortes a envolver quem escolhe, digamos, esses caminhos.

 

O que você defende não pode ser "uma tarefa antes da luta anticapitalista", mas uma luta realizada em conjunto com a luta anticapitalista. É uma coisa determinando a outra.

Podemos conseguir avanços na luta pela igualdade de gêneros, mas sem a luta maior e mais fundamental não avançamos muito.

Podemos conseguir, em condições muito especiais (como na Rússia cesarista), um vitória na luta anticapitalista, mas repito o que li do Lenine, com citação livre: Nenhuma sociedade pode ser considerada livre se houver algum tipo de discriminação contra a mulher. Mesmo que se tenha chegado a etapa anticapitalista (no caso citado por Lenine era a etapa Socialista mesmo.)

XXX   XXX   XXX

Sobre a luta anticapitalista: é necessário um norte em cada luta isolada. Penso que esse norte é dado pela luta anticapitalista. Bem podia ser a luta por uma sociedade libertária... A partir do filósofo Domenico Losurdo tenho cá minhas dúvidas se o proprio Marx (e Engels) sabia distinguir o objetivo final com nitidez -- aparece um ranço anarquista em Marx (e Engels)...

 

"Seja realista: exija o impossível"

engraçado que a maior fonte de material pornografico vem da asia, principalmente a pornografia infantil, e o nobre autor fala da fé cristã! 

 

"A verdade é a melhor camuflagem. Ninguém acredita nela." MAX FRICH

Análise superficial, com fecho equivocado iniciado com a arriscada expressão "A única maneira (...)".

Evidente que a sociedade de consumo e a mídia fomentam a coisificação do corpo humano. Mas daí creditar a prostituição (profissão antiga sim) ao capitalismo é forçar demais a barra. Só para se ter uma idéia, em Cuba a prostituição é viva (não na dimensão em que deseja a mídia brasileira, mas ela existe por lá). E então!? Como ficamos?

Há outros fatores a se considerar, como o culto ao corpo típico da (nossa) caliente cultura românica. Enfim, isto renderia uma tese...  

 

A prostituição desapareceu de Cuba após a consolidação da revolução e só retornou após o fim da URSS, o isolamento de Cuba e a necessidade da promoção do turismo como fonte de divisas para sustentar as importações do mundo capitalista em condições extremamente desfavoráveis e com o bloqueio estadunidense.

As medidas do "período especial" criaram sérias distorções, o retorno da desigualdade e a busca dos valorizados dólares. A prostituição entra nesse nicho.

O problema com a prostituição e a indústria pornográfica não é a prática do sexo fora das relações amorosas. É a objetificação e mercantilização do outr@, uma das variantes da alienação.

Espera-se que, em uma sociedade que supere a moralidade hipócrita da burguesia, se for do alvitre d@s parceir@s, se possa fazer sexo consensual pela simples satisfação mútua, sem compromissos ou obrigação de estabilidade, mas sem a mediação monetária, sem que isso implique na condenação social.

 

O argumento "em Cuba há prostituição" está errado neste ponto: em uma sociedade que ainda está construindo os alicerces do Socialismo, sendo este a transição para o Comunismo, em tal sociedade os problemas do capitalismo permanecem, principalmente o que for discriminação, principalmente de gênero. Cuba não é uma sociedade Comunista (e por princípio nem pode ser), nem mesmo uma sociedade Socialista consolidada (ainda está nos começos)... vai mostrar prostituição não apenas de per si, mas como herança capitalista.

(Não vou divagar se a pornografia se estende a uma sociedade Comunista...)

 

"Seja realista: exija o impossível"

Devia ter parado de ler quando me deparei com isso aqui:

"É fato conhecido que a prostituição existia durante a época greco-romana e também na antiga Mesopotâmia. No entanto, em muitos aspectos, estas mulheres eram mais liberadas sexualmente, pois não sofriam a estigmatização social por ter filhos com vários homens,"

O (A) autor(a) quer me fazer acreditar que as prostitutas das sociedades do Império Romano, do Egito Antigo ou mesmo de Israel dos tempos bíblicos não sofriam preconceito? Ah, vá!

Mas não parei, e desperdicei 5 minutos do meu dia com um texto sofrível:

"Ao contrário do que dizem as pós-feministas, a indústria do sexo não é um exemplo da liberdade sexual da mulher, pois fortalece a superioridade masculina como parte do sistema capitalista que tenta dividir a classe trabalhadora sob falsos preceitos, como o das "raças" ou o do gênero."

O parágrafo acima nem sentido faz, e esse foi o tiro de misericórdia:

"O exemplo que ilustra isso mais claramente é o fato de que os clubes de baile erótico e striptease são freqüentados majoritariamente por banqueiros e homens de negócios do setor financeiro."

Será que quem escreveu o texto fez um mínimo de pesquisa? Porque, onde são mais comuns e difundidos (nos EUA), quem frequenta clubes de strip é, majoritariamente, a classe trabalhadora pobre.

O que, aliás, vale também para o Brasil, pois para cada "Café Photo" ou "Fazendinha" existem mil puteiros/casas de strip bem mais humildes frequentadas pelas classes C, D e E.

Belo lixo.

 

Em relação à Mesopotâmia, com a palavra, Heródoto e Estrabão:

http://hvir.no-ip.info/blogs/blog_1/index.php/archives/9

E na Fenícia:

http://hvir.no-ip.info/blogs/blog_1/index.php/archives/10

Já em Cartago:

http://hvir.no-ip.info/blogs/blog_1/index.php/archives/11

Como eram sociedades de classe e com supremacismo masculino, não se pode negar a objetificação da mulher lá também.

No entanto, como se vê, não havia a hipocrisia da junção capitalismo-cristianismo, que, ao mesmo tempo que usa os corpos das mulheres como objeto de prazer sexual e de mercadoria, lhes devota desprezo e preconceito. Nos casos acima referidos, a prostituição era tida como sagrada (até mesmo como manifestação de piedade religiosa) e praticada inclusive pelas mulheres das classes dominantes.

Espera-se que, em uma sociedade liberada da exploração do ser humano por outro ser humano e do irracionalismo religioso, se for da vontade d@s parceir@s, o sexo seja praticado pelo simples prazer, sem hipocrisias, condenações ou obrigações de laços duradouros, mas igualmente livre do que Marx chamou de "chicote da fome" (a necessidade dos destituídos dos meios de produção de se alugarem no mercado para sobreviverem, seja este aluguel em um bordel, no chão de uma fábrica ou em um escritório: não é que, para sermos bem objetivos, a prostituição seja mais aviltante que outras formas de trabalho assalariado; na verdade, é o contrário - o trabalho assalariado capitalista é, de certa maneira, uma forma de prostituição). Naturalmente, para quem quiser condicionar o sexo a relações duradouras, a mesma liberdade seria garantida.

A questão crucial não é, como alguns comentaristas insinuaram, um moralismo encoberto, que condena o sexo praticado livremente. A questão é, pelo contrário, de lutar para que não seja necessário fazer sexo com quem não se queira ou em relação a quem não se sinta atração física, tesão, somente porque se necessita da contraprestação financeira (seja esta contraprestação para suprir as necessidades mais básicas - caso do baixo meretrício, seja para sustentar um padrão de vida consumista, que a mídia burguesa e o marketing impõem às pessoas como ideal para que "sejamos alguém" - caso da prostituição de luxo e indústria pornográfica).

E não esqueçamos daquela outra forma de prostituição capitalista, tomada em alta conta: a da busca do bom partido, do casamento que traz vantagens materiais, que se vê muito no caso de celebridades, modelos, jogadores de futebol.

 

Boas colocações Morales!

 

"Será que quem escreveu o texto fez um mínimo de pesquisa? Porque, onde são mais comuns e difundidos (nos EUA), quem frequenta clubes de strip é, majoritariamente, a classe trabalhadora pobre":

Nao fale besteira, cara.  Voce acha que dancarina gogo danca pra pobre?  Pra gorgeta de um dolar?  Que elas ganham mil dolares por semana, no minimo, ganhando gorgetas de um dolar?

Credo!

Coincidentalmente, tava olhando minhas fotos antigas antes de ontem, e la estou eu com um "frequentador de gogo bar" no restaurante do rink de patinacao do Rockefeller center em 1980, ele tinha convidado uma turminha pra ir la, na conta dele.  Mais tarde fomos ao "Mamma Mia", igualmente por conta dele.  (O Mamma Mia nao existe ha decadas mas era famosissimo aa epoca.)  Em fevereiro de 80 tambem tinhamos ido, eu, minha irma, minha prima, e outra pessoa que nao me recordo imediatamente, a uma festa de carnaval "brasileira" em New Jersey, ele pagando tudo.  Ele era (surpresa!) milionario tambem, e a mulherada que lidasse com ele tinha que lidar com oferta de apartamento montado.

Outra foto mostrava uma amiga de infancia que saiu de NY ha uns 35 anos (e do Brasil ha mais de 40) e nunca mais voltou, ta no "estado dela" (nao vou dizer) ate hoje:  ela nao soube lidar com essas "ofertas" e um dia recebeu de "presente" um apartamento montado, carissimo, na Terceira Avenida e 50's, e fez a besteira de recusar, de dizer que nao tava interessada.  So que o homem era mafioso, e lhe disse que se jamais ela aparecesse novamente ele a mataria.  Ela nunca mais voltou a NY.

Outro conhecido, igualmente milionario, era apaixonado por "X", que voltou ao noivo no Brasil e deixou o milionario de coracao partido.  Ele morreu ha alguns anos atraz e ela ha mais de 10 anos.

Repito:  voce acha que dancarina gogo danca pra pobre?

Acorda, ne?

 

ECHELON saiu da internet. ECHELON agora esta no seu proprio computador.

Com toda a certeza há um grande segmento da indústria pornô que discorda desse  texto ou até mesmo está dando de ombros com o fato das mulheres deixarem a mesma: O melhor salário dentro da indústria é pago ao homem que faz pornô gay.  A HBO apresentou um excelente documentário que trata do assunto, ficando as mulheres que fazem pornô hetero e homo com o segundo lugar.  Então a indústria que só vive de filmes pornô gay, não se sentirá em nada prejudicada com a ausência feminina.  Somente nós machões de plantão que ficamos sem opção........

 

Texto péssimo, que não sobrevive nem a uma análise superficial. Trata a pornografia como se só existisse a coisificação do corpo feminino, sendo que a pornografia masculina, gay, ocupa espaços cada vez maiores.  Trata uma forma de manifestação erótica extrema como ato político, desconsidera vários aspectos, confunde pornografia com prostituição como bem lembrou o colega em um comentário aí acima e usa argumentos pseudo-científicos para justificar um puritanismo, este sim, aviltante contra as liberdades femininas.

Podíamos ter ficado sem ele.

 

 

Então,para o senhor nossa exploração sxeual é liberdade?Aliás,para muitops homens pseudo-feministas,é uma luberdade que assiste toidas nós mulheres,não é emsmo? liberdade de se resumir a um corpo desfrutável...

 

Rede Globo e o BBB...tudo a ver.

 

O sexismo soh acaba quando acabarem os hormonios....o resto eh conversa pra noruegues ouvir.

 

Surge uma canditata do partido republicano,mais forte que Sarah Palin,com nome parecido com a esposa do presidente Obama, que tem como bandeira ser contra a pornografia.

Já temos o prefeito de NY que proibiu o tabaco até em ceu aberto.Temos tbm um inexpressivo deputado que quer por quer proibir a prostituição.E agora essa sra. quer proibir a pornografia.

Sei não,mas do jeito que vai,a punição pros mastubadares será uns duzentos pais nossos, 500 ave-marias e uns trocentos salve-rainha( uma única reza demora uma hora.Multiplique por 400)

Parece que essa nova nomenclatura não se aplica aOS padres e quetais.Principalmentes aos tarados da Austria e E U A.

E o que dizer que o maior números de fetos do mundo,estão ao redor de mosteiros de freiras?

Haja oraçao!!!!!!!

ps:Cuidado com as espinhas no rosto.A inquisição católica está de olho.

 

Pois nem me fale em Sarah Palin pois tem uma párodia pornô da HUSTLER do mestre Larry Flint com uma atriz  que a interpreta que é oh..  rss

 

Nassif, esse artigo me levou a um tema paralelo que tenho observado desde o final dos anos 80. As gerações dessa época em diante passaram, em sua grande maioria, a serem educadas sexualmente pela indústria pornográfica mais escrachada. Tudo começou com o vide-cassete e desaguou no paraíso da internet. É bobagem imaginar instrumentos de controle eficazes contra a curiosidade dos jovens. Será que esquecemos tão rápido como é fomos? Só que, em nossa época, era uma dificuldade e os "santinhos" do Zéfiro, perto do que temos hoje na rede, eram santinhos mesmo. Há poucos dias Belo Horizonte se espantou com uma festa organizada numa mansão de um bairro de classe média voltada para adolescentes em que as palavras de ordem eram: bebida e sexo. A mídia e muita gente descobriu horrorizada que essas festas são super comuns há algum tempo por aqui e em várias outras cidades. Na minha opinião, tudo isso é o reflexo de milhões de jovens se educando com a barra pesada a que têm acesso com facilidade por vários meios. É um tema para alguns especialista sérios opinarem e estudarem com mais profundidade.

 

Por outro lado a mulher também ganha com isso, pois podemos trazer a discussão para os outros meios, além da indústria pronográfia propriamente dita, como o sexo virtual, onde a satisfação sexual é obtida graças ao apelo da sensualidade e da imaginação utilizando as feramentas que a internet dispõem. Estou falando do ponto hedonista,  (voyerista) é claro, mas pode ser uma resposta frente ao moralismo burguês que a sociedade impõe as mulheres. É uma forma de resistência, de liberação do prazer feminino e não pode ser visto somente como cerceado pelo poder masculino e da coisificação desse prazer.

 

Questão interessante que vc tocou, pois a pornografia pode ter, além do especto da diversão, do alívio  e do prazer utilizado como válvula de escape, o aspecto educativo. Se imaginarmos que a educação sexual e a iniciação do jovens das décadas anteriores a de 90 se davam pelo modo natural (prostitutas, namoradas, atc.) e a masturbação costumeira, a indústria pornográfica hoje evoluída das mídias para a internet absorve boa parte do apetite sexual ,especialmente dos homens, tornando o sexo menos necessário e obrigatório nas relações amorosas.  O sexismo e a materialização da mulher é corrente sim na pornografia, utilizando o apelo masculino da observação para  encher o bolso e não deixa de ser um problema. Mas gera uma forma paralela de satisfação sexual que pode tornar o homem menos machista e mais evoluído pois o foco nas relações amorosas agora passa a ser a questão sentimental e não o apetite sexual da espécie somente.

 

Eita. Até que enfim alguém vem corroborar a idéia de que o feminismo nada mais é do que outro nome dado aos esquerdistas que querem apenas derrubar o monstro capitalista. Na hora em que ele for ao chão, as companheiras deixarão de ser escravas do mercado/patrão/igreja... (pode preencher com opressor da moda), para se tornar apenas uma "coisa" que sirva aos interesses do estado-patrão.

 

"A única maneira de combater essa opressão é, além de uma luta feminista, uma luta anticapitalista."

A citação é do texto do post.

Bem ou mal o articulista fala da luta especificamente feminista entrelaçada com a luta mais fundamental. Não fala de um esperar (ou conseguir) a derrubada do sistema para esperar, apenas esperar, a queda da opressão sobre as mulheres.

A sequência poderia ser dada pelo velho careca (Lenine, o marxista russo): Não haverá liberdade em uma sociedade enquanto não acabar toda e qualquer opressão ou discriminação da mulher (citação livre). Mesmo que tal sociedade se diga "Socialista".

Dito de outra forma a luta anticapitalista necessita da luta feminista como algo essencial (e mais que evidente) para se afirmar.

 

"Seja realista: exija o impossível"

Não me agradou o conjunto do texto, mas não vem ao caso. Só comento a questão da luta contra a opressão. Saber da ligação entre pornografia e prostituição com a Opressão... deixo a discussão...

 

"Seja realista: exija o impossível"

Que texto ruim!

Confunde pornografia com prostituição. Pornografia pode ser também arte e principalmente entretenimento. E do bom...

E não menciona a Internt, revolução que também atinge a pornografia pela facilidade de disseminação de imagens e videos.

Por fim, é contraditório com o que todos dizem sobre o declínio econômico da pornografia, provocado também pela Internet que desintegrou a indústria de videos eróticos.

 

Esse declínio econômico é visível sim na indústria pornográfica, mas ela como qualquer outra atividade de mercado  assimila as perdas e cria novos campos e fontes, veja o caso do VOD e o streaming de vídeos pagos que concorrem com a pirataria na internet, por exemplo.

 

 

"... A única maneira de combater essa opressão é, além de uma luta feminista, uma luta anticapitalista. O sexismo não poderá ser erradicado enquanto o sistema que o produz continuar em vigor.  "

É, parece que o norueguês voador tinha razão ao inserir o feminismo no rol dos seus inimigos.

Não que eu concorde com ele, mas que ele foi coerente, foi.

 

Excelente análise!