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A invasão do Congresso

Faltou alguém no julgamento de Carajás: as lideranças que insuflaram velhos, mulheres e crianças a avançar sobre a polícia -- conforme documentou, na época, uma repórter de uma afiliada da Globo no local -- enquanto mantinham-se protegidos, longe dos conflitos. Conseguiram os cadáveres sem correr riscos, nem criminais.

Seria importante que não ficassem de fora no julgamento desse ato de vandalismo que ocorreu na Câmara. Nem se pense apenas no líder presente, membro da Executiva do PT. Mas também nos que, de longe, ajudaram na montagem da baderna e, principalmente, outras lideranças que, com acesso à mídia, vêm se constituindo em insufladores de todo tipo de violência, a pretexto de reagir contra a violência do modelo econômico.

Dentre todos, nenhum tem sido mais irresponsável que dom Tomás Balduíno, da Pastoral da Terra. Defendeu e estimulou não apenas a invasão de terras, como a destruição de estações de pesquisa agronômica da Embrapa e, agora, a selvageria que assolou a Câmara. Pouco se lhe importa os riscos de vida, das vítimas e dos próprios agressores.

Dom Tomás é a prova viva de como foram felizes os legisladores que, no início da República, tornaram laico o Estado brasileiro. Que receba a eterna gratidão da Nação o parlamentar gaúcho Demétrio Ribeiro, autor da lei que Rui Barbosa quase desvirtuou, separando Estado e Igreja.

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O desafio de Lula

Não bastará expulsar o chefe da invasão do PT. Lula terá que dar demonstrações muito mais eloqüentes de que não compactua com os métodos adotados na invasão da Câmara.

Não dá mais para ficar em cima do muro. Numa ponta, pratica uma política monetário-fiscal selvagem; na outra, trata com condescendência atos de vandalismo. Se o objetivo for integrar e dar voz aos movimentos sociais, o primeiro passo é a condenação firme da baderna, com todos os instrumentos legais que, eventualmente, o Executivo venha a possuir. Inclusive para legitimar a ação das lideranças responsáveis.

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