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A mídia abaixo da média

Coluna Econômica - 14/09/11

Poucas vezes se viu um episódio coletivo de mídia tão nonsense quanto o da divulgação dos resultados do ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio).

Os resultados foram dentro do esperado: melhoria de 10 pontos na média geral. Em 2009 o ENEM estava em 500 pontos. A meta era chegar ao longo da década em 600 pontos – o que significaria melhorar 10 pontos por ano. Apesar do aumento de inscritos – de 828 mil para 1,011 milhão – chegou-se aos 10 pontos.

***

De repente, o noticiário online foi invadido por estranhas manchetes: a de que a maioria dos alunos do ENEM tinha ficado “abaixo da média”. O jornal O Globo foi fulminante: “Mais da metade dos estudantes ficou abaixo da média do Enem 2010”.  Na UOL, não se deixou por menos: “Enem "reprova" 63,64% das escolas”. Esse número equivale àquelas que ficaram abaixo da média.

***

Criou-se um samba do crioulo doido. Na maioria absoluta das estatísticas, a tendência é se ter uma maioria abaixo da média. Se todos melhoram, a média melhora, mas sempre continuará tendo uma parte abaixo da média e outra acima.

Suponha uma classe de 7 pessoas, com 3 notas 5, 2 notas 4 e uma nota 3. A média será 4,28. Logo, 43% (três alunos) estarão acima da média e 57% (4 alunos) abaixo da média. Suponha agora que a classe melhore e fique com 2 notas 10 e 5 notas 7. A média será 7,86. Mas 71% dos alunos estarão abaixo da meta contra 29% acima.

***

Na entrevista coletiva sobre o ENEM, praticamente todos os jornalistas insistiam na informação de que a maioria das notas tinha sido abaixo da média. O samba endoidou tanto que a presidente Dilma Rousseff chamou o Ministro Fernando Haddad ao Palácio, para saber que loucura era aquela.

O diálogo foi mais ou menos assim:

Dilma: Haddad, como é isso? Eles estão dando que há muitas escolas abaixo da média. Como surgiu essa confusão? Não sabem o que é a média em uma estatística?

Haddad – Presidente, o que posso fazer? Passei a tarde explicando para eles o conceito de média na estatística. Tentei explicar o que era uma distribuição estatística, que em geral forma uma curva, que a média (média aritmética de um conjunto de números) e a mediana (maior frequência de números na amostragem) são muito próximas, mas pareciam não entender. Cheguei a sugerir que ligassem para um matemático, um estatístico para se informarem, porque daqui a vinte, trinta, cinquenta anos, vão fazer a mesma conta (do percentual de notas abaixo da média) e vai dar a mesma coisa.

***

Foi em vão. Dilma encerrou a conversa dizendo que iriam especular que a convocação de Haddad ao Palácio teria sido para se explicar.

Chamou o líder do governo na Câmara, Cândido Vacarezza, presente à reunião, e pediu que desse uma entrevista informando que a presidente tinha ficado satisfeita com o resultado e manifestava sua preocupação com a confusão que a imprensa fizera com o conceito de média.

Pediu ainda que Vacarezza fizesse uma última tentativa de explicar o que era média aritmética.

Vacarezza explicou. Mas a confusão aumentou mais ainda.

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Excelente matéria.

Só pecou em uma coisinha: o conceito de mediana ficou errado. O que está escrito no texto é o conceito de moda (o valor mais frequente do conjunto de dados). Mediana é o valor que divide o conjunto no meio: metade abaixo, metade acima.

Mas, se o ministro quem falou isto, tudo bem! Eles deviam estar de cabeça quente com esta midia que fugiu das aulas de Estatística.

 

Sr. Nassif,

quando se diz, em educação, que uma turma ficou abaixo da "média", queremos dizer que ele ficou abaixo da "metade" dos pontos apresentados. 

Por exemplo: numa prova que vale entre 0 e 1000 pontos, a média é 500.

Portanto, podemos dizer que a maioria dos alunos ficou abaixo da "média" da prova.

Quem quiser entender de outra forma, que o faça. Mas essa é a explicação. 

 

Ninguém está questionando a validade dos números apresentados, o que se está discutindo aqui é a forma e o destaque como os números são transmitidos por essa mídia viciada, de forma tendenciosa e política, para induzir ao leitor leigo que houve uma piora nos números da educação, uma vez que pelo contrário, houve melhora na média dos alunos e isso com mais alunos participando, o que por si só estatisticamente falando é algo muito bom. 

 

O trabalho que o ministro Haddad vem fazendo à frente do MEC é muito bom e consistente. O crescimento na média do Enem 2010 é prova disso.

O problema é que o MEC é muito ruim de comunicação. Não falo aqui de mais verba para publicidade, mas alguém que assessore a comunicação do Ministro de forma mais estratégica.

Esse caso do Enem é fácil de resolver: ele precisa levar o debate para o lado técnico. É o caso do INEP publicar uma nota técnica com análise quantitativa dos resultados e convocar algum estatístico explicar isso numa entrevista coletiva.

 

"Esse caso do Enem é fácil de resolver: ele precisa levar o debate para o lado técnico. É o caso do INEP publicar uma nota técnica com análise quantitativa dos resultados e convocar algum estatístico explicar isso numa entrevista coletiva."

Se o MEC o fizer, é certo que a repercussão na mafiamidiatica será nula. Eles só "repercutem" o que corrobora seus pontos de vista...

vivemos um momento lamentável na midia mundial e nacional.

 

Agora fiquei confuso. Quem não sabe o que é mediana?

O jornalista Nassif, o ministro Haddad, a mídia brasileira, nossa presidenta ou todo mundo?

Deus nos ajude!

 

Mais  uma  deficiência  grave  da  "grande" imprensa:  a  miopia  de  conveniência.

_ Não  enxerga e não  ressalva  o  bom  desempenho  das  escolas  públicas  federais;

_ Não  enxerga,  não  divulga  a  luta  insana  do  dos  professores  e funcionários das  mesmas  escolas  por  melhores  salários, novas  admissões,  por  concurso,  e  melhores  condições  de trabalho;

_  Não  enxerga,  e  não  divulga,  nem  os  baixíssimos  salários  praticados  pelos  governos  estaduais, destacadamente  os  de  Minas e do  Rio  e  nem  a  luta  dos  mesmos com  pauta  semelhante  a dos  federais.

  Essa  miopia  é  de  conveniência  porque  essa  posição  da  mídia  confirma  seu  ideário  de  destruir a Educação  a Saúde públicas,  em continuidade  à "obra"  da  ditadura  militar,  que  apoiaram  com  desmedido  empenho...

_

 

Se os autores dessas reporcagens tivessem prestado o último exame do Enem, com certeza iriam puxar essa média para baixo...

 

Lembram do post de ontem expondo um quase desabafo do professor Beluzzo acerca da FARSA que se tornou o ambiente midiático? Pois eu não.

Dificuldades para lidar com  números, ignorância da Estatística? Não. Má fé, e direcionamento da opinião pública, ideologia; enfim, uma F A R S A!

No que se refere as organizações Globo, a mais portentosa do(a)s farsantes: tomamos café com farsa(Bom Dia(?)Brasil), almoçamos com farsa(Jornal do Meio-Dia), jantamos com farsa(Jornal Nacional) e vamos dormir com a farsa final(Jornal da Globo). Ou seja,  empanturramo-nos, à beira da indigestão, de tanta farsa. 

E se não bastasse, a "Globo Nius" passa 24 horas adivinhem fazendo o quê?

O Bom Dia(?) Brasil da Globo de hoje foi como uma espécie de CQD da tese do professor Beluzzo. Começou pela inflação dos serviços, segundo os âncoras e "ela" um perigo iminente e que nos levará ao inferno; passou pelos comentários dos BRIC salvando a Europa e os EUA, adentrou pelas estradas federais, e fechou com chave de ouro acerca das dificuldades de tirar passarpor nesses "tempos bicudos" para os brasileiros. O farsante de biquinho Alexandre Garcia deu mais ou menos a seguinte explicação para a revoada de brasileiros para o exterior. Nada a ver com a melhoria da renda, o crescimento do emprego, o ambiente macroeconômico; nada. Simplesmente eles passeiam porque aqui não temos estrutura para oferecer nada. 

E a farsa é tão grande que, no limite, volta-se contra o farsante. Mesmo que este não sinta nem o queira. No final, o farsante conhecedor profundo de vinhos Renato Machado, deu um sorriso irônico e deixou escapar: "quem diria os países subdesenvolvidos(BRIC) ajudando os ricos". 

A raínha dos farsantes, "ELA", a insuperável, Miriam Leitão deve ter espumado de ódio. 

 

Nassif, que nossa grande imprensa é corrupta e mal intencionada, não se precisa mais de fatos ou provas. O que me deixa perplexo nessa altura do campeonato é a falta de reação de quem é atacado. Como no caso da Petrobras (que, surpresa, parou de ser cutucada) porque não temos blogs oficiais, os irritantes horários obrigatórios no rádio e tv (usados só para temas aguados e sonolentos) e, principalmente, comerciais mesmos, pagos como são tantos os milhões e milhões despejados pela CF, BB, Petrobras?  Se a grande mídia ataca de um lado, há meios e armas para contra atacar com a verdade do outro lado. Porquê isso não acontece?

 

Enquanto o blog procura mostrar e repercutir   as "falhas" da grande mídia, poderíamos aproveitar a ocasião e mostrar o quanto o Estado brasileiro precisa avançar em educação para que o país possa ser considerado socialmente um emergente. Essa discussão deveria ser uma "bandeira" da UNE e outras entidades estudantis ,ao se considerar que o futuro das novas gerações e da nação como um todo está ligado diretamente à qualidade do ensino.Esta segunda década do século seria a oportunidade de ouro para uma corrida de recuperação e preparação para um sprint vencedor. Com tal estratégia se consagraria a  verdadeira utopia do possível.

 

 eu comentário deveria estar no "Fora de pauta'. O amigo não é nenhum novato aqui, certo?

 

É que a imprensa ainda não aprendeu a entrar no Google e pesquisar.

Eu penso que a distribuição estatística para o resultado de uma prova deveria ser uma distribuição normal de Gauss, com 50% acima e 50% abaixo da média.

No entanto, esta distribuição normal não ocorre: sinal de que há algo distorcendo esta distribuição.

Vamos pensar um pouco. O que seria?

Alguma assimetria no ensino, claro.

Obviamente, se há dois tipos de escolas (as públicas e as privadas), a distribuição estatística do desempenho de todos os alunos submetidos à uma mesma prova não poderia ser uma distribuição normal padrão, com 50% da população acima da média e 50% da população abaixo da média.

Pensando em termos gráficos:

Imagine que a distribuição das notas dos alunos das escolas públicas seja uma distribuição normal de Gauss com média igual a 3 e desvio padrão igual a 2. (veja a figura abaixo e imagine que a média (mi) esteja em cima do 3 e que o desvio padrão (uma medida de quão aberta é a distribuição - quanto maior o desvio padrão, mais aberta é a curva, quanto menor, mais fechada).

Agora imagine que a distribuição das notas dos alunos das escolas privadas seja outra distribuição normal com média igual a 5 e desvio padrão igual a 1. (ou seja, teríamos uma curva mais fechada e à direita da curva dos alunos de escola pública).

Agora some mentalmente as duas curvas.

Obviamente teríamos como resultado das somas das duas distribuições uma distribuição com mais alunos abaixo do que acima da média.

Pensando nestes termos, obviamente que se o ENEM "reprova" 63,64% das escolas, a taxa de reprovação é baixa, pois o mínimo de escolas que seriam reprovadas, pensando nestes termos, seriam 50% das escolas.

Mas a imprensa não quer saber disto.

E é por isso que eu reprovo mais da metade das empresas da mídia.

 

 

PET - Programa de Erradicação dos Trolls. Não alimente os trolls no blog!

(Droubi, isso nao seria um erro estatistico entao?  Se ha duas linhas para alunos de escolas publicas e privadas, a media dos dois nao poderia ser uma so.  Tem que ser a media dos publicos e a media dos privados.  Ou nao?)

 

Ivan,

Não se trata de erro estatístico. As estatísticas apenas estão mostrando o que é o nosso sistema.

O problema é na análise das estatísticas.

Se você tem um sistema que é desigual no ensino, como o nosso, em que as pessoas que podem pagam por um ensino privado de mais qualidade, enquanto do outro lado existem as escolas públicas para aquelas pessoas que não podem pagar, ou seja, que são para a população de mais baixa renda, e não podemos ignorar como as verbas públicas para a educação são constantemente contingenciadas, pois a pressão que as classes médias e altas exercem sobre os governos não é sobre a educação, porque eles pagam escolas privadas para os seus filhos, a pressão deestas classes é sobre a segurança, sobre o trânsito, então, depois de considerado tudo isto, você não pode esperar que as estatísticas depois meçam algo normal, pois claramente o nosso modelo não é normal, a nossa sociedade não é normal.

O que eu estou dizendo é que, no meu ponto de vista, metade das escolas deveriam estar acima da média e metade abaixo da média, o que corresponderia à uma distribuição estatística normal, mas isto só aconteceria se a gente não tivesse tantas assimetrias assim no nosso ensino.

Agora o que é mais gozado é a maneira como a mídia noticia as coisas também.

Porque do ponto de vista estritamente formal, a grita da mídia seria até boa, se fosse pra criticar a educação pública do estado de São Paulo, né?

Mas eles distorcem tanto a notícia pra passar a mensagem:

(1) a culpa é do governo federal;

(2) de alguma maneira, a culpa de mais metade das escolas ficarem abaixo da média é do ENEM (?);

(3) O Hadad não pode ganhar a eleição pra prefeito de SP, porque a educação de SP vai mal;

(4) O Alckmin, o Serra, o Mário Covas, o FHC, o Chalita e o Kassab, e o sistema deles de ignorância continuada ninguém nem nenhuma política liberal paulista tem nada a ver com isto.

 

 

 

PET - Programa de Erradicação dos Trolls. Não alimente os trolls no blog!

Droubi, now eu understand!  (Eh que nobody me cutuca!)  Abracao!

 

(Pedi de joelhos pra minha filha filmar meu projetado video novo "Nobody me Cutuca" e ela nao filmou porque nao queria falar on camera!)

 

Droubi, desculpe, mas o Ivan matou UMA das INÚMERAS charadas. Se temos duas populações educacionais diferentes, e nem preciso de um gráfico para mostrar isto, quanto mais um teste estatístico, não posso apresentar um estudo somando as duas. Qualquer comparação teria que ser feita intra (dentro de cada um dos dois grupos) e entre (entre os dois grupos). Ao juntá-los no mesmo balaio, é sim um grave erro estatístico, mas quem é que está ligando?

Coisa pior é usar estes dados aí para QUALQUER análise estatística, pois é um exame de avaliação individual, puramente classificatório, ou seja, não foi feito para análises de grupos de alunos (no caso, as escolas) nem desempenho de Estados e Municípios brasileiros. Não há um plano amostral, não há uma equiparação com extratos, como classes sociais, renda per capta, tipo de escola etc., logo não se pode falar nada de representatividade. É um exame voluntário e com finalidade definida, no caso de ingresso em faculdade, logo já há um grande viés dos que não tentam pois não vão passar, não tentam pois já passaram etc

Além disso, a própria constituição dos itens da prova, que usa a TRI (Teoria de Resposta ao Item), que precisa antes de selecionar os itens saber para que eles serão usados, é focada na classificação de corte de topo, ou seja, para avaliar os melhores. Isto quer dizer que é uma avaliação que se preocupa em avaliar bem os melhores, perdendo a qualidade nos itens mais fracos. É como você ter uma câmera na mão e focar na estátua à sua frente, perdendo o foco da outra que está em outro plano, mas seu interesse declarado foi a da frente, então não adianta depois tentar ver se a outra estátua é bonita ou feia. Você fará isto a partir de uma imagem desfocada. Não é falha do exame não servir para avaliação, é que ele não foi feito para ser avaliação educacional, foi feito para ser exame. Só aí já mata a diferença...

Mas, se a prova fosse um exame feito para compor uma avaliação, ainda assim teria que cuidar de vários pontos, como plano amostral, compensação de dados ausentes, classes, viéses etc., o que não está sendo feito nem discutido, nem na mídia nem na esfera responsável.

Desculpe deixar algumas lacunas na explicação, mas são pontos onde não posso entrar.

Abs.

 

Marvin,

Considero que você tem razão em alguns pontos, mas não totalmente.

Por exemplo, eu não sei exatamente qual a principal razão de ser do ENEM, mas ele, pelo menos à princípio não era planejado para ser um exame classificatório para seleção dos melhores.

Não, pelo contrário. O ENEM foi criado para avaliar o ensino médio. Depois alguns vestibulares começaram a utilizar a nota do ENEM como uma parte da nota do vestibular (não sei exatamente como), juntamente com a própria prova deles. Depois pararam ede utilizar as notas do ENEM de novo, com os problemas das gráficas do ENEM.

Pode-se argumentar, como você fez, se o exame está sendo bem projetado ou não para ser um exame de avaliação do ensino médio, mas não dizer que ele é um exame para selecionar os melhores e não pode ser utilizado para avaliar o ensino médio.

Sinceramente não tenho informações se o MEC avalia os alunos por classes, etc., como você bem mencionou, mas acho que isto seria uma ótima idéia.

 

PET - Programa de Erradicação dos Trolls. Não alimente os trolls no blog!

Perdao, Marvin, mas a teoria mencionada eh pura espionagem, credo!

http://en.wikipedia.org/wiki/Item_response_theory

Nao vou ter tempo de explicar a razao.  (eh o texto em ingles, nao consigo ler texto tecnico ou juridico em portugues, nao entendo nada)

 

Droubi, parabéns pelo comentário. Acho que você foi ao ponto fulcral da questão. A deformação da curva para a esquerda se dá, principalmente, em virtude das assimetrias entre a qualidade do ensino ministrado na escolas particulares (em menor número) e nas escolas públicas (em maior número).   Vale ressaltar que a deformação da curva por si só não nos dá uma visão do "nivel absoluto" da qualidade de  ensino, mas sim do "nível relativo" dessa qualidade, ou, em outras palavras, como uma escola se situa em relação a outra. Duas curvas com formato idêntico, mas com médias diferentes, 4 e 8 por exemplo, representam realidades quanto à qualidade de ensino completamente distintas, muito embora as escolas se situem umas em relação às outras da mesma forma . O ideal é que, no futuro, possamos ter médias cadas vez maiores e desvio padrão(dispersão em torno da média)cada vez menor, ou seja, igualdade de oportunidades e qualidade de ensino para todos.

 

Se fizer a média da mídia, por ex:

Blog do Sr. Nassif=10 e os quatro grandes veículos da midiona com zero cada, dará dois.

Eles estão muiiito abaixo da média.

 

 

Analfabetismo funcional mediatico exposto ao mundo inteiro...

 

Nassif:

Nenhuma surpresa.

Este é mais um dos milhares de exemplos sobre o mal que o horror à matemática causa à maioria dos brasileiros.

Recentemente, quando da divulgação do sofrível nível das notas de matemática obtidas pelos alunos do ensino fundamental e médio, mais um dos tais exemplos, outro o entendimento, realmente dramático, das pessoas em relação ao noticiário sobre o corte de 0,5% da Selic

Caso a população não fosse tão analfabeta em relação à matemática, nenhum jornal ou canal de televisão ousaria destacar uma matéria como esta, mas, como conhecem perfeitamente a limitação do seu público, eles arremessam prá cima de todos a aberração com total segurança quanto à ausência de maiores críticas; infelizmente, média, para a maioria, é aquela xícara de café e leite que combina com pão com manteiga na padaria pela manhã.

Fosse um governo amigo e a notícia a respeito do resultado do ENEM seria divulgada corretamente, isto é, na televisão com quadros de fácil entendimento explicados por um especialista sem aspas, e no jornal a mesma coisa, ou seja, tudo depende do interesse político do setor.

Imagino que os jovens, diante da nova realidade do país, voltem a se interessar pela formação profissional voltada para a área técnica, já que os cursos de engenharia, arquitetura, informática (este, um pouco menos), etc..., foram bastante desprezados nos últimos vinte anos, período em que a rapaziada optou majoritariamente pelas áreas de comunicação, jornalismo, direito, humanas, em resumo, todas aquelas que dispensam números.  

 

Um aluno do Colégio São Bento do RJ (primeiro lugar no ENEM) paga, por mês, o dobro do piso nacional de remuneração dos professores das redes públicas de ensino. Os professores em MG estão em greve há dois meses por esse piso. No Rio, a situação é semelhante. Nenhum professor poderia da rede pública pagar essa mensalidade para que seu filho estudasse ali. Isso diz tudo a respeito das diferenças. O que vem depois é consequência. Os alunos do São BEnto têm aulas em tempo integral. Brizola foi massacrado pela mídia quando criou os CIEPs. Haddad se conforma com seu fracasso como ministro da educação, que apenas finaliza a obra de Paulo Renato. Ele não lutou para a derrubada do veto de FHC ao valor mínimo de 7% do PIB para o financiamento do primeiro PNE. Ele não lutou contra a DRU atingindo os recursos da educação. ELe não lutou para que se regulamentasse os investimentos dos estados e municípios em educação, impedindo que desvios, como em MG, continuassem a ocorrer. E, agora, ele mesmo parece não entender que a parca melhora as notas no ENEM se deve mais ao aumento das notas das escolas privadas que a uma melhoria de notas das escolas públicas. POr fim, as escolas federais, de maneira geral, pioraram. Esse é o primeiro resultado da expansão sem garantia de qualidade feita em sua gestão. Tristemente, continuaremos nesse caminho.

 
 

está aquela coisa do copo meio cheio ou meio vazio. 

Dureza é ter que ler estas coisas todo dia. 

Por outro lado, o que que houve no prêmio "Comunique-se"? Ouvi que Sardenberg e Leitão ganharam. Puxa vida, eles são vistos como bons por quem? Deste jeito, acabo desconfiado quando alguém diz que ganhou tal prêmio.

 

 Apenas a demonstração cabal de que a classe jornalística é composta majoritariamente por analfabetos e tra´paceiros(salvo raras excessões)

 Eu diria, sem nenhuma base cientìfica*, que são dez por cento de tarpaceiros e noventa por cento de idiotas.

 * Antes que me julguem leviano esclareço que as coisas do PIG não se analisam pela ciência mas pelo cheiro mesmo.

 

 

Nesta cruzada anti-lulopetista a rádio CBN jogou na lama inúmeros profissionais que até pouco tempo tinham uma reputação de excelência na área jornalística .

Vejam a que nível chegou o Artur Xexeu e o Heitor Cony . Cliquem e ouçam (até o final) :

http://cbn.globoradio.globo.com/comentaristas/cony,-xexeo-viviane-mose/CONY-XEXEO-VIVIANE-MOSE.htm#.TnCZ9jYfg8k.hotmail

VERGONHA !!  LIXO !!  NOJEIRA !!

 

" A injustiça que se faz a um, é uma ameaça que se faz a todos." - Barão de Montesquieu

 

O que me impressiona é a capacidade de fazer análises e tirar conclusões aparentemente coerentes sem terem acesso as informações e dados! Nada mais é que chutômetro travestido de intelectualidade! Aos incautos soa até bem, para os que pensam é um soco no estômago!

 

 

"...Foi em vão. Dilma encerrou a conversa dizendo que iriam especular que a convocação de Haddad ao Palácio teria sido para se explicar.

Chamou o líder do governo na Câmara, Cândido Vacarezza, presente à reunião, e pediu que desse uma entrevista informando que a presidente tinha ficado satisfeita com o resultado e manifestava sua preocupação com a confusão que a imprensa fizera com o conceito de média....."

Não deu outra !

A partir de 5:50 o Artur Xexeu expeliu neste áudio tudo, absolutamente tudo, ao contrário do que ocorreu no encontro Dilma e Haddad .

Não dá pessoal, isto não é APENAS inabilidade com a matemática, isto é falta de vergonha na cara (pra não dizer uma coisa impublicável) .

 

 

" A injustiça que se faz a um, é uma ameaça que se faz a todos." - Barão de Montesquieu

 

O ministro Fernando Haddad é candidato a candidato a prefeito de SÃO PAULO pelo PT.

Conforme a NAMARIA NEWs o psdb pagou 9.000.000,00 para o grupo folha, abril, globo, estadão.

E vocês ainda querem que essa mídia elogie trabalho do ministro HADDAD?

 

O ministro Fernando Haddad é candidato a candidato a prefeito de SÃO PAULO pelo PT.

Conforme a NAMARIA NEWs o psdb pagou 9.000.000,00 para o grupo folha, abril, globo, estadão.

E vocês ainda querem que essa mídia elogie trabalho do ministro HADDAD?

 

Ronald... Você matou a charada com uma classe e uma concisao de dar gosto!

 
 

Sendo chato...Uma pequena correção.

Mediana é o valor que separa duas metades de um conjunto ordenado de dados. Se eu tenho o número de observações n, então a mediana seria o número na posição (n/2) para um conjunto par e (n+1)/2 para um conjunto ímpar.

O valor de maior frequência em um conjunto de observações é a moda. 

Numa distribuição normal (com os dois lados iguais) a média, a mediana e a moda são o mesmo valor.

No caso do ENEM, quase certamente a distribuição das notas vai ter uma moda menor que a mediana e uma mediana menor que a média..(não conheço os dados, tou só chutando)

Mas...Claro que isso simplesmente não importa...Não é papel da imprensalona esclarecer a população. Porque se eles tivessem compromisso com a clareza e a pluralidade de opiniões, teriam que dizer que a subida de 10 pontos na nota é um ótimo resultado, dentro da meta estabelecida, e um início promissor para um programa de melhoria da qualidade da educação básica pública no Brasil...

Tudo que importa é detonar os resultados do ministério da Educação, e por tabela, do ministro Haddad, potencial candidato a Prefeito de São Paulo...

Não há nenhum compromisso com os números....Se tivessem fariam como eu...Pesquisariam no Google e descobririam uma tese da Unicamp discutindo (seriamente)  a distribuição estatística das notas do enem....

http://www.athena.biblioteca.unesp.br/exlibris/bd/brc/33004137063P6/2003/bortolotti_gmf_me_rcla.pdf

Claro que os brilhantes repórteres ou editores descobridores de que 60% dos alunos tem uma nota inferior à média em uma distribuição com cauda maior à esquerda já são fortes candidatos à medalha Fields...kkkkkkkkkkk

 

Seu "chute" tá muito bom. Deve, sim, ser uma distribuição ASSIMÉTRICA À DIREITA, onde a Moda é menor que a Mediana que é menor que a Média.

Veja os dados do ENEM 2009 ( http://prafalardecoisas.wordpress.com/2010/07/20/enem-2009-alguns-graficos-e-analises/ ). Essa distribuição aconteçe para o total verificado e principalmente nas escolas públicas (municipais e estaduais). Mas concordo com a mídia que diz que o ensino está muito ruim, nem ela consegue entender o conceito de média, que é matemática elementar. E todos passaram no vestibular (não sei como!).

 

A história do Enem me lembrou esse trecho de um artigo que saiu na Le Monde Diplomatique sobre a confusão dos livros didáticos:

"Outro ponto nebuloso do noticiário dizia respeito a essa modalidade de ensino, a EJA, antes chamada supletivo. A assessoria de imprensa da Ação Educativa deparou com perguntas como “onde consigo o telefone desse EJA?”, de uma repórter de um grande jornal, ou “como pode um adulto estudar no ensino fundamental?”, de um produtor de uma grande emissora. A confusão também ficou evidente nas reportagens televisivas, que mostravam salas de crianças para ilustrar seus VTs, ou na boca de comentaristas, que esbravejaram por causa desse “crime contra as crianças de nosso Brasil”.

http://diplomatique.uol.com.br/artigo.php?id=975

 

O pessoal que faz graduação em Direito, eu sei, não é lá muito bom em Matemática. Mas parece que a "thurma" do Jornalismo (e das editoriais dos jornalões) vai pelo mesmo caminho. Oh!, metade da amostra fica abaixo da média. É piada pronta pra portugues nenhum botar defeito. Enfim, essa é uma das certezas estatísticas. Disseram o óbvio ululante. Aliás, quantos desses que "criticam" as escolas e o ENEM conseguiriam ficar acima da média? Vai aí um desafio pros PIGnolentos. Será que eles conseguiriam uma nota acima de 5? E não tem decoreba não, é prova pra "pensar por si só", fazer associações. Isso só comprova a verdade que nosso ensino era muito ruim mesmo. Ah, e não vale obter a prova antes na gráfica da "Faia" de Sumpaulo.

 

Nesse caso, eu não culpo a má vontade da mídia. É má formação mesmo. Eles não sabem desenhar um zero com um compasso.

 

Discordo, não acho que seja burrice ou má formação. É má-fé mesmo, na veia. E você foi muito polido com essa imagem de desenhar um zero com o compasso. Eu diria, se fosse o caso, que não sabem fazer um Ó com a bunda.

 

Caro Sanzio, acho que podemos separar os jornalistas do pig em dois grupos.

O dos que são burros porque são. Esses seriam os "burros orgânicos". E o dos que são burros de propósito. Estes seriam os "burros artificiais, ou transgênicos", os que você chama de mau-intencionados

Há quem consiga ser os dois, o Merval, por exemplo

 

Juliano Santos

Correto Alcides. É burrice mesmo. O ENEM existe desde 1998, e mesmo assim a midia ainda "não entendeu" como ele funciona ... E são tão obtusos que jogam contra os interesses do setor privado, que eles tanto enaltecem. Não interessa ao setor privado o ranking de escolas por que isso é perigoso e duvidoso em um exame amostral e com limitações estatisticas como o ENEM. Mas a midia quer sangue, e lança o "páreo" de escolas, gerando desconforto e uma guerra entre eles. Ora, isso não é bom para os negócios ...  

 

Estatística e conometria são duas disciplinas do curso de economia, que dão sustentação aos economistas nas análises. Os profissionais de analise econômica do PIG, que penso que eles devem ter um mínimo de conhecimento dessas disciplinas, não podem negar esses conhecimentos. 

 

Aqui uma idéia para a Band, RedeTV, ou mesmo Record:

na hora do jornal nacional (com mínusculas), passar o seriado do Homer Simpson! E usando um slogan do tipo: "O outro casal com as mesmas notícias com mais humor"

Acho que vou preferir o casal amarelo, pois poderei melhorar o meu humor...

 

Mas a BAND fez o mesmo ontem. Com a mesma carga de fel. Pra nao falar do impostometro. Saudacoes

 

veja a manchete:

"ex-DIRETOR DA FOLHA afirma que a imprensa NUNCA foi tão nonsense quanto hoje"

..olha, concordo com todo teu raciocínio, mas estes teus superlativos vou te dizer, estes continuam (tal qual os meus cabelos) continuam os mesmos.

..superlativos do tipo "..Poucas vezes se viu um episódio.."

Fala verdade, esta tua "indignação" é mais pq vc vê com simpatia o trabalho do Haddad não é não ? ..então, que mal há nisso ?  ..pra mim, nenhum

No mais, tenho certeza que você já deve ter visto cada coisa  ..cada coisa  ..e aposto que a GRANDE MAIORIA você se sentiria até constrangido em nos contar, não é?

re re re  abrá

 

Então quer dizer que a mídia não passou no exame do ENEM, teve nota abaixo da média necessária. Parece que vem sendo reprovada desde o descobrimento do Brasil.

 

A mídia assimilou a tática Hommer Simpson do JN que eles imaginam que dá certo...