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A moda na década de 70

Os ícones da moda nos anos 70

Conheça os ícones da moda dos anos 70


Elis Martini
Especial para o Terra

Quando se fala em anos 70, a maioria das pessoas pensa em batas, cabelos longos e calças bocas-de-sino. Porém, essa década foi muito mais rica. Seu início herdou a estética hippie dos anos 60 e presenciou o surgimento do glam rock e a ascensão do black power. Seu final viu o boom das discotecas e o estouro do punk e do new wave, que formariam as bases da década de oitenta. Confira agora quem ditou moda e comportamento nessa movimentada década.

1970-1976


O início da década de setenta foi uma continuação do pensamento e da estética hippie surgidos nos anos anteriores. As batas e os vestidos indianos, as calças boca-de-sino e todos os elementos que compunham o visual hippie se popularizaram cada vez mais, virando itens fashion. Apesar de grandes nomes desse movimento, como Janis Joplin e Jimi Hendrix, terem morrido justamente no ano de 1970, e Jim Morrison, em 1971, essas personalidades continuaram a inspirar jovens do mundo inteiro na maneira de se vestir e de se comportar. Outra grande influência foi banda de rock Led Zeppelin, que reinou soberana durante toda a década, misturando a estética hippie com o rock n’roll.

No Brasil, um dos grandes ícones da juventude foi Caetano Veloso, que, junto com seus companheiros do movimento tropicalista, mudou a maneira de se vestir e pensar de milhares de jovens brasileiros da época, mesmo sob o controle de uma forte ditadura militar.

O início dos anos 70 presenciou a explosão do movimento black power, que incitava os negros a aceitarem sua pele e seus cabelos do jeito que são naturalmente – daí surgiu o famoso penteado que leva o nome do movimento. Um dos ícones dessa mudança foi a ativista americana Angela Davis, que lutou pelo direito dos negros nos Estados Unidos, apesar de fortes perseguições. No Brasil, o penteado chegou através de Toni Tornado e de Tim Maia.

Foi uma febre tão grande que até quem não tinha o cabelo propício para fazer um ‘black power’ dava um jeito de encrespar. Assim, em meados da década de setenta, até Jô Soares, Marcos Paulo e os cantores Roberto e Erasmo Carlos desfilavam seus penteados black power.

Os anos 70 também presenciaram o surgimento do movimento glam rock. Em 1972, David Bowie lança o álbum Ziggy Stardust and The Spiders From Mars, que se tornou um marco do estilo. Nos seus shows, o cantor usava roupas brilhosas, cabelo vermelho e muita maquiagem, dando início a um movimento andrógeno que se espalharia pela Europa e pelos Estados Unidos. Outros grandes nomes do glam rock são Marc Bolan, líder da banda T-Rex, e o grupo New York Dolls.

Um dos maiores ícones da moda dos anos 70 foi a atriz americana Farrah Fawcett, que interpretava uma das panteras do famoso seriado de TV americano Charlie's Angels, conhecido no Brasil como As Panteras. Com seu cabelo loiro esvoaçante, sua pele bronzeada e seu largo sorriso, Farrah era o ideal de beleza que toda garota gostaria de atingir. Sua imagem representava saúde e juventude, dois fatores muito valorizados na época. 


1977-1979


Em 1977 foi lançado o filme Os Embalos de Sábado à Noite, fazendo explodir o movimento ¿discoteque¿ e lançando John Travolta ao estrelato. O conjunto de paletó e calça branca usado pelo ator em uma das cenas mais famosas do filme virou hit instantâneo. A regra na época era dançar até não poder mais, vestindo calças boca-de-sino e plataformas. No Brasil, a moda das discotecas tornou-se popular através da novela Dancin' Days, de 1978. Júlia, a personagem vivida pela atriz Sônia Braga, ditava as tendências das meias soquete usadas com sandália e das roupas metalizadas. 

O marco do final dos anos 70 foi o surgimento do movimento punk na Inglaterra, que tem em Sid Vicious, ex-baixista da banda Sex Pistols, seu maior ícone. Influenciados pela estética criada pela estilista Vivienne Westwood, os punks usavam e abusavam de alfinetes, tachas, jaquetas de couro e cabelos espetados. Seu lema era ¿no future¿ (sem futuro, em tradução literal) e sua música acelerada e violenta representava o descontentamento dos jovens ingleses da época. 

O movimento punk abriu o caminho para um outro tipo de música e de estilo, que apareceria no final dos anos 70 e dominaria quase que completamente os anos 80. Foi o movimento new wave, que surgiu nos Estados Unidos e juntou elementos do punk e do glam rock andrógeno. São características do visual new wave as cores cítricas, vibrantes e muito chamativas, os cabelos espetados e cheios de gel e o look andrógeno. Seus maiores ícones foram as bandas B-52's, Blondie, Talking Heads, e as cantoras Nina Hagen e Cyndi Lauper. A estética new wave abriria o caminho para a década de oitenta, influenciando fortemente a música e a moda desse período e fechando os anos 70 com chave de ouro. 

http://noticias.terra.com.br/interna/0,,OI3116987-EI11909,00.html

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propósito inicial deste mutirão era a Semana de Arte Moderna, no entanto terminamos indo além do modernismo. Que tal enviar este links para seus contatos, o mutirão continua,..


Luis Nassif:  A gênese do  Mutirão da Semana de Arte Moderna
http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/mutirao-da-semana-de-arte-moderna


A página do Mutirão da Semana de Arte Modernahttp://www.advivo.com.br/mutirao/semana-de-arte-moderna Atualização - 5/2/2012Os 90 anos do movimento modernistahttp://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/os-90-anos-do-movimento-modernista Atualização - 6/2/2012Os 90 anos da Semana de Arte Modernahttp://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/os-90-anos-da-semana-de-arte-moderna  Atualização - 10/2/12Os 50 anos da morte do gênio Portinari http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/os-50-anos-da-morte-do-genio-portinari Atualização - 13/2/2012Mário de Andrade: O Movimento Modernistahttp://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/mario-de-andrade-o-movimento-modernista Atualização - 13/2/2012Cardápio modernista: Sopa de mecenas e sapo de sobremesahttp://www.advivo.com.br/blog/jose-carlos-lima/cardapio-modernista-sopa-de-mecenas-e-sapos-de-sobremesa  Atualização - 13/2/2012 Semana de 22: Exaltar o passado não é modernohttp://www.advivo.com.br/blog/jose-carlos-lima/semana-de-22-exaltar-o-passado-nao-e-moderno   Atualização - 13/2/12Anarquista Lúcida aponta modernismo em Monteiro Lobatohttp://www.spinrecusado.blogspot.com/2012/02/machistas-x-anarquista-lucida.html Atualização - 13/2/12 Monteiro Lobato: Um moderno anti-modernista?http://www.advivo.com.br/blog/jose-carlos-lima/monteiro-lobato-um-moderno-anti-modernista Atualização - 13/2/12De Paris, de Victor Brecheret para Mário de Andradehttp://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/noticias-de-paris Isso também:Antônio Cândido comenta o legado de Mário de Andradehttp://blogln.ning.com/profiles/blogs/antonio-candido-comenta-o Atualização - 14/2/12Sobre a polêmica Lobato x Modernistas o Nassif upou esta postagem que eu havia publicado no Brasilianas.OrgUpou ou publicou, tanto fazhttp://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/monteiro-lobato-e-os-modernistas Atualização -  14/2/2012Já tratamos bastante deste assunto, que tal mudarmos o discoVamos pular então para o concretismo que, como se sabe, foi substituido pelo neoconcretismo,  este porto no qual ancorou-se arte contemporânea.http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/os-81-anos-de-augusto-de-campos Atualização- 15/2/12Na sequência do moedernismo vieram o  concretismo, o neoconcretismo, a Tropicália, o Movimento de 68, reuni aqui alguns links Tropicália de Hélio Oiticicahttp://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/tropicalia-de-helio-oiticica  O Movimento de 68http://www.advivo.com.br/blog/jose-carlos-lima/o-movimento-de-68  Repressão Militar: O Dia que Qurou 21 Anoshttp://www.advivo.com.br/blog/jose-carlos-lima/o-dia-que-durou-21-anos Atualização - 16/2/12
Década de 70
A arte conceitual conceitual da década de 70http://www.advivo.com.br/blog/jose-carlos-lima/a-arte-conceitual-da-decada-de-70
A moda na década de 70
http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/a-moda-na-decada-de-70


Globo: Sandra Annenberg mostra destaques da Semana de Arte Moderna de 1922http://g1.globo.com/jornal-hoje/noticia/2012/02/sandra-annenberg-mostra-destaques-da-semana-de-arte-moderna-de-1922.html  Para finalizar, dois adendos: 1- Os recusados
A "quebra da normalidade" começou com o impressionismo (leia-se Salão dos Recusados), enfim, ao pegarmos o fio da meada desta quebra de paradigmas seria melhor não nos prendermos no que aconteceu em de Brasil, até mesmo porque o mundo passou a ser globalizado lá pelos idos de 1500, com as navegações portuguesas.Por isso reuni alguns links cujos textos remetem ao fim da "normalidade" na arte
"(...) O esgotamento da cultura de inspiração clássica em fins do século XIX, contemporânea da derrocada da nobreza européia e do esfacelamento das últimas monarquias, bem como do advento da civilização industrial e pós-industrial, que tornou a própria arte reproduzível, levou os artistas a proclamarem uma revolução estética que se inicia com a pintura impressionista e que deságua na pluralidade de tendências estéticas que marcou o século XX – os famosos ismos. Com isso, estabelece-se um novo conceito de arte moderna, entendida agora como a arte nascida das vanguardas do início do século XX, por oposição à arte praticada até o século XIX, chamada comumente de arte acadêmica, por ser aquela que se ensinava nas academias de belas-artes.(...)" http://www.aldobizzocchi.com.br/artigo14.asp
As vanguardas européias e os ismos contemporâneoshttp://www.colegioweb.com.br/literatura/as-vanguardas-europeias-e-os-ismos-contemporaneos.htmlO que é vanguarda?http://pt.wikipedia.org/wiki/Vanguarda Arte modernahttp://artemodernafavufg.blogspot.com/2010/02/arte-moderna.html O fim das vanguardashttp://www.iar.unicamp.br/dap/vanguarda/artigos_pdf/ricardo_fabrini.pdf Isso também Com o impressionismo, os "recusados"' marcam presença no cenário artísticohttp://www.spinrecusado.blogspot.com 2- A atualidade E a arte hoje? Depois de tudo isso que foi exposto, como está hoje? O que ocorreu do impressionismo até os anos 60/70 já sabemos. E daí para cá, como está?  A arte de nossos dias ou a arte hoje,,,.alguma coisa neste sentido.A arte brasileira, se estava atrás no tempo até a década de 20 do século passado, a partir da Semana de 22 começou a se atualizar, o que ocorreu de forma lenta, até mesmo porque o modernismo instalou-se aos poucos no país, indo até a década de 60.  Não somente a Semana de 22 como também a Bienal Internacional de SP foi importante para esta atualização do Brasil.  O certo é que hoje o Brasil não deixa a desejar em relação a outros países, não havendo a defasagem de outrora, sendo que o desafio do momento diz respeito à manutenção desta atualidade, o que está sendo feito para que a roda continue a girar, para que a arte feita por aqui não pare no tempo. O que precisamos? Educação de qualidade, que produza boas pesquisas? Incremento e disseminação de publicações? Eventos? Como as novas tecnologias podem ser usadas para o avanço? Poderíamos falar disso a partir de agora: Arte prá que mesmo,,...

A arte hojeVerdade, hoje a obra de um artista poderia muito bem se inserir numa das escolas tais como surrealismo, art pop, arte popular, academicismo, impressionismo, etc, sem que o artista seja filiado a um destes movimentos. Revival? Sim, pelo olhar do espectador, um retorno ao passado, uma releitura mas, do ponto de vista do artista nada disso e sim,  antes de tudo, apenas um meio a mais de expressão dentre tantos outros disponíveis por ai. Mãos à obra.P.S.- Quanto à liberdade de criação nem tanto, pois o artista hoje se esbarra em limitações tais como boicote por parte de grandes corporações caso realize alguma obra que a desagrade, falta de estrutura receptiva à arte nas cidades-estados mas, para quem quer produzir à margem de tudo isso, como disso, pense no Poder Curador de uma hipotética realidade,,..,...
O que é a arte hoje, ou melhor, o que, como, como, quando...
Últimas postagens sobre arte na comunidade de leitores Luis Nassif Online
Johan Jonsson (escultura)http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/as-esculturas-do-sueco-johan-jonssonVally Nomidou (escultura)http://www.advivo.com.br/blog/jose-carlos-lima/escultura-mulheres-e-meninas-de-vally-nomidou Alexandre Farto (arte pública)Cartola(música), Grant Simon Rogers(fotografia), Arte de anônimos em bueiros no Japão, Silvia Pelissero (aquarelas)http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/fotos-charges-e-tirinhas-368Cinema: A questão do dinheirohttp://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/o-glamour-da-liquidez
Um convite,,..participe do Mutirão do Pinheirinhohttp://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/construindo-o-conhecimento-sobre-pinheirinho 

Página do Mutirão do Pinheirinhohttp://www.advivo.com.br/mutirao/o-caso-pinheirinho


Honduras, Pinheirinho....estes fatos escabrosos tem relação uns com outros, sem dúvida, esta obra de Munch sintetiza estes 3 últimos séculos de medo. Arte prá que mesmo,,.. http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/a-suspeita-sobre-o-incendio-no-presidio-de-honduras 

Dos recusados de ontem aos (?,...) de hoje: Em construção.
Arte prá que mesmo,...
Continua.... 

 

 Spin

O que é a arte hoje senão alguma coisa imprevisível e, o mais importante, livre das amarras dos ismos, movimentos e escolas de outrora, vou baixar uma postagem publicada logo acima, até mesmo porque poderia ser roupa também:

 

Os origamis de Joel CooperEnviado por luisnassif, qui, 16/02/2012 - 19:00

Por Vaas

Joel Cooper, mais conhecido por Origami Joel - http://joelcooper.wordpress.com/ 




(Via:  bemlegausblog)http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/os-origamis-de-joel-cooper

 

 

 Spin

SP sempre foi de direita, com raras excessões, SP tá pra lá de Bagdá, foi em SP que em Pinheirinho os seus moradores foram massacrados numa manhã de domingo. SP é o uó do borogodó:

De Celso Lungaretti, em seu blog

SÃO PAULO É O GRANDE FOCO DIREITISTA DO PAÍS

 Redatores do  Estadão  no tempo de Olavo Bilac (mão no queixo). As idéias continuam as mesmasSegundo o Instituto Verificador de Circulação, O Estado de S. Paulo é o jornal mais vendido na capital paulista, na Grande São Paulo e no Estado como um todo, enquanto aFolha de S. Paulo só o supera no interior paulista, mas mantém a liderança nacional por circular mais nos outros estados. Tais dados são perfeitamente coerentes com a realidade política paulista e paulistana.  O  Estadão  é o veículo de uma direita ideológica que remonta à aristocracia cafeeira. Conservador por excelência, foi peça importante na conspiração para a derrubada do presidente constitucional João Goulart.

Isto conflitava um pouco com o papel que o jornal desempenhou na ditadura getulista, quando esteve até sob intervenção. Então, depois de, segundo alegou, ter ajudado  a salvar o País da ameaça comunista, passou a pregar insistentemente a devolução do poder aos civis, uma vez que a  intervenção cirúrgica  já teria  saneado as instituiçõesDondocas do Cansei! em SP:
adesão mínima frustrou planos
Ou seja, as cassações de mandatos, a extinção arbitrária de partidos e entidades, os expurgos e mudanças impostas pela força, as prisões e torturas, tudo isso já teria limpado o terreno para a burguesia poder voltar a exibir sua face civilizada...

Ressalvas feitas, a resistência dos jornais do Grupo Estado à censura e ao terrorismo de estado merece respeito. Afora o trivial que todos destacam (as poesias de Camões que o  Estadão  colocava no espaço de trechos ou de notícias inteiras censuradas, bem como as receitas culinárias que tinham a mesma serventia no Jornal da Tarde), houve dois episódios em que seus diretores mostraram, inclusive, coragem pessoal:

  • quando mandaram os seguranças impedirem o DOI-Codi de invadir a redação para prender um jornalista, tendo o Mesquita de plantão dito a frase célebre de que "ele pode ser comunista lá fora, mas aqui dentro é meu funcionário" (depois, abrigou-o no próprio sítio);
  • quando, depois da morte de Vladimir Herzog, decidiram acompanhar os jornalistas da casa arrolados no mesmo inquérito sempre que chamados a depor no DOI-Codi, a fim de garantirem pessoalmente sua integridade física.

Mas, embora repudie os excessos no exercício do poder burguês, o Estadão é o jornal brasileiro mais afinado com a sua essência --ao contrário dos  comerciantes  da Folha de S. Paulo, cuja postura oscila oportunisticamente ao sabor dos ventos políticos, ora cedendo viaturas para o serviço sujo da repressão, ora ajudando os Golberys da vida a recambiarem o País para a civilização...  
A supremacia do   Estadão  em São Paulo é consistente com o fato de ser um Estado sob governos tucanos desde 1995; e na cidade de São Paulo, com o de ela, desde a redemocratização, haver tido várias gestões direitistas e somente duas, digamos, desalinhadas  (as de Luíza Erundina e Marta Suplicy).   
Também faz todo sentido que São Paulo esteja sendo o laboratório de testes das novas fórmulas golpistas, com a franca adoção de respostas policiais para os problemas sociais servindo para aferir a resistência que a fascistização provocará.    SP, 1964: marcha das famílias abastadas 
preparou o terreno para o golpe militar.
  
Ainda bem que a operação desastrada na cracolândia e a barbárie no Pinheirinho despertaram uma opinião pública que parecia anestesiada quando da invasão da USP por brucutus e da fixação de uma tropa de ocupação em pleno campus universitário (suprema heresia!). Mas, a cena paulista deve continuar sendo observada com muita atenção pelos verdadeiros democratas. Pois, qualquer atentado às instituições, para quebrar a continuidade de administrações petistas (bem toleradas pelos EUA e pelo grande capital, já que mantiveram seus privilégios, mas não pelas  viúvas da ditadura  e por alguns setores setores extremados da burguesia), começará, necessariamente, por São Paulo. Vale lembrar: foi em São Paulo que o Cansei! tentou organizar uma nova (mas frustrada...) Marcha da Família, com Deus, pela Liberdade. E é em São Paulo que a truculência policial volta a ser exercida exatamente como nos tempos da ditadura militar, por efetivos que até hoje cultivam descaradamente a nostalgia do arbítrio.

Obs.: na história de São Paulo também há capítulos edificantes, como a luta contra o despotismo em 1932, o movimento estudantil de 1968, as diretas-já e o fora Collor!. Mas, parecem ter sido episódios fugazes, meras exceções, enquanto o conservadorismo e o reacionarismo dão a tônica.http://naufrago-da-utopia.blogspot.com/2012/02/sao-paulo-e-o-grande-foco-direitista-do.html

 

Palavras de Gullar, na Folha, ao se referir a Cildo Meireles. "Existe uma tese da arte conceitual, da arte feita só por idéias. Isso não tem cabimento. Para refletir, preciso ler filosofia, não vou me ocupar do estilo de pintar do Cildo Meirelles para fazer isso. Ele é um excelente pintor, mas por que ele não pinta em vez de fazer o que está fazendo?" 

http://lucianotrigo.blogspot.com/2007/11/arte-contempornea-segundo-ferreira.html

Só para encerrar o mutirão, ao contrário do que pensa Gullar, não vejo que o artista tem a obrigação de produzir um objeto ao invés de se expressar enquanto indivíduo livre. Até imagino uma cidade-estado na qual a instância máxima é o Poder Curador, de curar, no lugar do Judiciário, de julgar. Quando ouço advogados nos balções do Forum pedindo certidões narrativas fico me perguntando se a tal certidão não poderia ser alguma coisa escrita por algum paciente em processo de cura, ou seja, tendo um médico como interlocutor ou receptor da sua criação que, como disse, não teria que ser necessariamente uma pintura ou um desenho, sendo isso (um quadro) apenas uma consequência, claro, dentro da demanda expressiva do habitante da cidade-estado. Daí pensar noutra coisa quando espero atendimento observando aquela infinidade de armários do Judiciário que,  repito, deveriam servir para guardar outros conteúdos que não contendas entre as pessoas, quem sabe o acerto do indivíduo com ele mesmo, isso antes de tudo, nos arquivos a  vida e não a morte, essa história é meio longa, tenho que sair agora, se der na telha continuo depois, fui

P.S.- Explico: Sou advogado, há quem me reconheça como artista mas não sei, sou tão bagunçado, minhas obras não sei onde se encontram. Poderiam estar nos armários da Justiça mas não estão. Preciso de uma máquina fotográfica, os armários da Justiça serão jogados fora: Tudo será digitalizado.Talvez a arte seja isso: Pura incerteza. Talvez Ferreira Gullar esteja certo. Não sei ao certo. Agora sei. Não preciso produzir várias obras para ser isso ou aquilo, uma apenas é suficiente: Um abraço,



 

 Spin

Arte Brasileira Anos 60 e 70, por Fazedor de Ventos, no blog "Arte Brasileira do Século XX"

http://artebrasileiraxx.blogspot.com/

Seguindo a tendência nacional “ referindo-se à busca de uma identidade brasileira através de cores, temáticas, como buscava o modernismo antropofágico iniciado nos anos 20”, vai assim aos poucos se enfraquecendo, enquanto aumenta o número de artistas abstratos. O resultado do crescimento da arte abstrata no Brasil foi marcante. Nos anos 50 vimos o movimento de arte concreto e neoconcreto que resultaram em uma linhagem artística madura.


De maneira geral, o concretismo/neoconcretismo, na arte, é a promessa da construção do novo. Prega uma linguagem universal, livre de contextos específicos, e livre de um excesso de subjetividade e emotividade. Libera a arte de questões externas e ela mesma, estabelecendo sua autonomia e suas necessidades formais e construtivas. É um fato histórico que o neoconcretismo foi o último movimento plástico de tendência construtiva no país e que, inevitavelmente, encerrou um ciclo,“sonho construtivo” brasileiro com estratégia cultural organizada.


Decorrente do contexto acima citado chegamos nos contornos dos anos 60/70. Depois do fim da Segunda Guerra Mundial, alguns artistas deixaram de lado a relação que se fazia entre arte e objeto estético concebido dentro de padrões acadêmicos pré-estabelecidos, se propuseram a desenvolver trabalhos em que o artista não mais operava dentro da necessidade de produção de objetos únicos e concebidos para realçar sua "genialidade” .


Nota-se então novas propostas nas obras do artista, em vez de continuar circunscrito ao universo do "belo", passa a operar em relação a outras demandas socioculturais. Isto foi mais importante do que seguir as preocupações estéticas, começa a surgir o imperativo de posicionar-se claramente em relação às diversas instâncias sociais, utilizaram objetos e procedimentos totalmente fora do universo artístico estabelecido.


Toda uma liberdade clamada pela obra de arte ganha novos contornos com a arte conceitual. Ali, materiais precários e muitas vezes efêmeros anunciam a possibilidade de a arte se desgarrar de aspectos mais objetuais, coisificados e particularmente mercadológicos, para exercer papéis sociais e políticos.


Atuando sob o regime militar, artistas criaram estratégias simbólicas e metafóricas para penetrar o cerco à liberdade de expressão, acusar a mercantilização da arte, apontar para a necessidade de interação pública/espectador, denunciar o aburguesamento social, comentar a evanescência da arte e a fragilidade da vida.


Os anos 60 e 70 foram anos agitados pelo processo de ditadura militar, o qual o Brasil passava. Havia muita perseguição qualquer manifestação artística era geralmente interpretada como subversão, Artur Barrio, Cildo Meirelis, pela sua ideologia aproveita para realizar um trabalho inédito.

Alguns artistas:

Artur Barrio :
( Porto, 1946) é um artista plástico português que vive no Rio de Janeiro desde 1955
Ingressou na Escola de Belas Artes em 1967 e foi um dos primeiros artistas a realizar gigantescas instalações com composições caóticas, onde misturava múltiplos elementos


Em 1969, começa a criar obras inusitadas como: trabalhos de grande impacto, realizados com materiais orgânicos como lixo, papel higiênico, detritos humanos e carne putrefata como as Trouxas carregadas de sangue com os quais realiza intervenções no espaço urbano.


Nos anos 70, ele espalhou trouxas ensangüentadas pelo Rio de Janeiro e por Belo Horizonte em uma ação clara contra a ditadura. Barrio nos prova, de forma sempre muito radical, que uma obra de arte pode renunciar ao mercado.


Seu trabalho foi realizado em Belo Horizonte, Minas Gerais, em 20 de abril de 1970. O local foi um rio/esgoto, colocação de 14 T.E, Parque Municipal.


Uma platéia de, aproximadamente 5.000 pessoas. este trabalho (colocação das T.E.no local) teve início pela manhã, sendo que as cenas registradas comentam visualmente o que aconteceu a partir das 15 horas com a participação popular e mais tarde com a intervenção em princípio da polícia e logo após do corpo de bombeiros.


Para o artista carne foi um elemento de protesto e manifestação de idéias e ideais,



..
Artur Barrio
...Situação ...Ossos ...Sacos ...Ossos1970



Cildo Meireles:


Outro artista foi Cildo Meireles é um artista conceitual com uma reputação internacional, que cria os objetos e as instalações que acoplam diretamente o visor em uma experiência sensorial completa, questionando, entre outros temas, o regime militar brasileiro (1964 - 1984) e a dependência do país na economia global. Cildo Meireles


As escritas nas garrafas dizem: Cildo Meireles Inserções em Circuitos Ideológicos - Projeto Coca-Cola, 1971.

Os objetos e instalações atmosféricas de Cildo Meireles, do final da década de 1960. O artista sempre lançou mão de objetos do cotidiano fabricados, eletrônicos para criar seus trabalhos. Uma coluna feita de rádios que funcionam, ou garrafas, móveis, decorações etc.


Cildo Meireles, Inserções em circuitos ideológicos Projeto Cédula, 1970.
Carimbo sobre papel moeda com a pergunta “Quem matou Herzog?”

Outra obra foi desvio ao vermelho, uma instalação que reproduziu um ambiente de uma casa. Abaixo um foco da obra. Sobre a obra diz Cildo: "Gosto de pensar a arte em termos que não estão limitados ao visual".


Parte da Instalação "Desvio ao vermelho" de Cildo Meireles, parte da exposição do artista brasileiro no Museu de Arte Contemporânea de Barcelona (Macba), Espanha

Antônio Henrique Amaral:


Um tributo a Herzog


Antônio Henrique do Amaral foi um dos artistas que se preocupou em levar para sua obra o tema do assassinato de Herzog nas prisões militares. Dentro do quadro das obras que denunciavam a tortura, Amaral retoma de forma agressiva a representação da violência militar na série de quatro obras.


Vamos pensar duas dessas obras A morte no sábado – tributo a Wladimir Herzog, de 1975 e Ainda a morte no sábado, de 1976.Na tela A morte no sábado – tributo a Valdimir Herzog (fig. 58), sobre um fundo negro, como que um corpo manchado por pancadas, aparece em cores vermelhas, amarelas e brancas, uma espécie de representação das vísceras sendo perfuradas por quatro garfos.


Aqui Amaral retoma a oposição entre formas orgânicas e metálicas num jogo de violência que é acentuada pelo fundo escuro. Como sugere o título, estamos diante da morte de um personagem da história da repressão política do período militar: Wladimir Herzog. Embora tenha sido dado por suicida, fica claro nesta tela a intenção de denunciar a causa da morte de Herzog como resultado das torturas que sofreu nos porões de uma prisão militar.


Como numa espécie de “troféu da repressão, garfos erguem o corpo reduzido a um monte de carne ensangüentada”. É visível a tentativa do artista em mostrar que o que está sendo perfurado é um corpo. Peles se abrem para fora, depois de rasgadas; veias surgem em meio ao amontoado de gorduras e tripas. A tonalidade vermelha predomina, nos fazendo imaginar órgãos sujos de sangue. O contraste, produzido pelo encontro do metal com a carne, reforça a violência da cena. Numa espécie de grande zoom podemos ver de perto o estrago que se produz. Numa espécie de alegoria sobre a morte de Herzog, revela-se,afinal, a causa de sua morte: a tortura.

Em outra obra, da mesma série, denominada Ainda a Morte no Sábado, de 1976, Amaral explicita, mais uma vez, o contraste entre metais e vísceras. Dessa vez, introduzindo um novo elemento que acompanha e ajuda o garfo a perfurar a carne: uma espécie de “coroa de Cristo” – mais um dos instrumentos de tortura usados durante o regime militar. Esse instrumento era colocado sobre a cabeça da vítima e fortemente pressionado, produzindo ferimentos e dores de cabeça terríveis – o objetivo era obter confissões forças e delações.


Na tela o contraste se acentua com o fundo vermelho, também característica de corpos machucados por espancamentos, e vísceras e instrumentos metálicos claros. Gorduras brancas abundam ao lado de vísceras,
sendo todas ultrapassadas de alguma forma pelos instrumentos metálicos.


Novamente Amaral faz uso do recurso de aproximar ao máximo o acontecimento,num zoom que privilegia a violência dos metais contra a carne desfigurada.


O título da tela faz referência a um dos dias da semana: sábado. É o dia da prisão de Herzog e de sua provável morte. É um dado que unido à representação das vísceras procura denunciar o assassinato de Vladimir Herzog.


Em depoimento de 1986, Antônio Henrique Amaral deixa claro sua
intenção de denúncia política na criação das obras que surgiram logo após o golpe militar: “Meu trabalho tornou-se francamente descritivo a partir do golpe militar de 64 (...) Eu acho que todo trabalho de arte tem uma relação política, a atividade artística é uma atividade política. No meu caso, eu fiquei francamente explícito. Eu fiz questão de me tornar quase panfletário. (...) principalmente na série das gravuras dos militares.


Referência

CAVALCANTI, Jardel Dias. Artes Plásticas: Vanguarda e Participação Política (Brasil anos 60 e 70). Campinas: 2005. (Tese de Doutorado – Unicamp).


Webgrafia

http://pt.wikipedia.org/wiki/Cildo_Meireles acessado em 05/06/2009.


http://www.muvi.advant.com.br/artistas/a/artur_barrio/ossos.htm



 

 Spin

Temos poucas publicações, seja em livros ou online, sobre estas décadas da cultura nacional, o autor da postagem omitiu que em 1972 surgiu no Brasil um conjunto chamado Secos & Molhados.Este texto foi publicado no Jornal do Objetivo, em setembro de 1974.O sucesso meteórico do Secos e Molhados

Não foi um sucesso qualquer. Foi um sucesso como nunca antes se vira, rápido, incrivelmente rápido, fulminante. Quanto é que seria possível imaginar, mesmo usando muita imaginação, que um conjunto há até pouco tempo desconhecido conseguiria bater o imbatível Roberto Carlos, até mesmo no mês de dezembro, o mês do lançamento anual do disco do então senhor e rei?

Foi realmente um sucesso grande demais. Tão grande que conseguiu mudar a vida de João Ricardo. E conseguiu, por isso, acabar com Secos e Molhados, exatamente – ironia – na triunfal semana do lançamento de seu segundo disco (em 1974, época em que este texto foi escrito).

É o que dizem os outros dois componentes do agora extinto grupo, Ney Matogrosso e Gérson Conrad.

Ney:

- Faz muito tempo que Secos e Molhados virou máquina de ganhar dinheiro. O trabalho que começamos a desenvolver agora está em último lugar na relação das prioridades. O que importa é quanto cada sorriso, cada entrevista, cada letra, cada música pode render em cruzeiros. E mais nada.

Gerson:

- O sucesso do grupo, principalmente o financeiro, em vez de incentivá-lo à criação, fechou suas portas para os compositores brasileiros. Afinal, é muito mais rendoso e de sucesso garantido inventar musiquinhas para textos de poetas famosos. Ele (João Ricardo) preferiu fazer parceria com Julio Cortazar, Oswald de Andrade e Fernando Pessoa. Foi graças a essa fórmula que, no primeiro LP, ele ganhou uma incalculável fortuna em direitos autorais. Com as músicas do novo disco, ele certamente vai ficar rico.

Fala-se que João Ricardo se recusou a gravar uma música feita por Caetano Veloso para Secos e Molhados. E outra feita por Luiz Melodia – compositor vigoroso, inventivo, aclamado pelos críticos mas de pouco ibope.

(Claro, não que seja negativo musicar poemas de Cortazar, Oswald de Andrade e Fernando Pessoa, e fazer ouvir Poesia do Oiapoque ao Chuí, do Rio Grande à Patagônia. Não que seja negativo. É simplesmente mais garantido, mais cômodo, mais seguro – e muito mais rendoso – do que fazer ouvir coisa nova, desconhecida e feita – principal defeito – por outras pessoas).

Secos e Molhados deu muito dinheiro. Quando o grupo surgiu, os lucros eram repartidos entre os integrantes do conjunto, mais o então empresário, Moracy Do Val. Marcelo Frias, baterista, o quarto integrante do conjunto (lembra-se de que na capa do primeiro LP eram quatro cabeças?), deixou o grupo por divergências quanto à sua orientação. Passou a acompanhar os outros três, ao fundo, sem fazer parte do conjunto. (Depois foi inteiramente abandonado; não participou de nenhuma das faixas do segundo LP).

Os lucros, então, passaram a ser repartidos entre quatro. Até que Moracy Do Val foi afastado, acusado de má administração. A firma que controlava os interesses do grupo, a SPPR, foi dissolvida, e em seu lugar surgiu uma nova, a S e M Produções. Essa nova firma tem um único dono: João Ricardo. Segundo Gérson Conrad contou ao Jornal da Tarde, João Ricardo teria proposto que Ney e ele, Gérson, participassem da firma como empregados.

Ainda segundo Gérson, a maior parte do que Secos e Molhados conseguiu em um ano de sucesso está em nome de João Ricardo e seu pai, João Apolinário, crítico teatral, poeta e autor da maior parte das letras do segundo disco do conjunto.

Ney Matogrosso e Gérson Conrad abandonaram o conjunto. Gérson pretende voltar para a Faculdade de Arquitetura (e diz que nunca deveria ter saído dela). Quando Ney deixou o maior fenômeno comercial da música brasileira, tinha apenas cem cruzeiros.

Fica João Ricardo, dono do nome Secos e Molhados.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Foi João Ricardo, com sua formação literária – muito mais literária do que musical, segundo ele mesmo admite – que forjou o grupo. Tanto que, às vezes, quando falava sobre Secos e Molhados, dizia eu, em vez de nós.

Foi ele que criou o nome Secos e Molhados, “um nome que não determina coisa alguma, que se abre para todos os gêneros”. Foi ele que, em 1971, descobriu Ney Matogrosso, ex-funcionário de um hospital em Brasília, ex-artesão que vendia suas pequenas obras na Praça da República, ex-ator de peças infantis, ex-cantor de coral. Foi ele que convidou Gérson Conrad, seu amigo de adolescência e vizinho do bairro Bela Vista, para participar do grupo.

Foi ele que deu a linha dos textos cantados pelo grupo. Foi ele que escolheu os poemas que seriam musicados, que compôs 12 das 13 músicas do primeiro disco e 12 das 13 do segundo.

Mas o que é Secos e Molhados, o conjunto que vendeu 800 mil cópias do LP de lançamento (para que sirva de comparação, Roberto Carlos, o maior vendedor de discos do país, vende cerca de 500 mil cópias de cada LP que grava), que lotou o Maracanãzinho, que lotou o teatro Treze de Maio durante 70 apresentações, que fez 6 mil pessoas disputarem os 700 lugares do Teatro Teresa Raquel no seu primeiro dia de apresentação no Rio, que gravou programas para a televisão mexicana, que vendeu discos pela América Latina afora, que absolutamente encantou a toda-poderosa Rede Globo de Televisão, que fez milhares de pessoas cantarem os versos cheios de insinuações de “O Vira”, que dominou as paradas de sucesso durante seis meses, sem parar?

Secos e Molhados é, antes de mais nada – antes mesmo que a linha fácil e comunicativa das composições dos dois LPs – a voz e a presença dos dois LPs – a voz e a presença da estrela Ney Matogrosso. É a voz de Ney – rara, “estranha”, belíssima voz de contra-tenor – que fica no ouvido, e marca o som do grupo. Nos shows, é a presença de Ney – esguia, vibrante, segura, com movimentos de uma cobra – que fica nos olhos, e marca a imagem do grupo.

E a base do som de Secos e Molhados é, antes de mais nada, a música de Gérson Conrad, um estudante de Arquitetura com formação musical clássica.

João Ricardo era a cabeça do grupo. Mas, sem as mãos, o rosto e a voz de Ney e de Gérson, para que serve a cabeça de João Ricardo, o dono do nome Secos e Molhados?

(Seria como, digamos, um conjunto chamado Beatles, formado por John Lennon e três pessoas que não Paul, George e Ringo.)

Quem mais perde com a morte de Secos e Molhados – mesmo que surja um novo conjunto com esse nome – certamente não é Júlio Cortazar, nem o nome de um Fernando Pessoa ou de um Oswald de Andrade.

Na realidade, o principal prejudicado parece ser o comércio. O comércio estava se dando tão bem com Secos e Molhados; vendia muito mais discos dele do que de Agnaldo Timóteo, Ray Connif, Frank Pourcel e todas essas coisas que dão muito dinheiro. Para o lançamento do segundo disco do conjunto, foi preparada uma campanha promocional como há muito não via (uma campanha que o primeiro disco, o LP de lançamento de um conjunto desconhecido, evidentemente não mereceu). Nos jornais, os anúncios mostravam a contagem regressiva: faltam 8 dias para o lançamento do novo disco de Secos e Molhados, faltam 7, faltam … Milhões de brasileiros veriam no domingo seguinte ao lançamento um tape do conjunto apresentando músicas do disco novo, no programa de horário nobre no dia nobre da emissora recordista de audiência no país. No cinema, filmes publicitários alertariam os consumidores sobre a boa nova.

Seria uma festa de cruzeiros. Afinal, antes mesmo de ir para as lojas, 300 mil cópias já haviam sido encomendadas. As temporadas de Secos e Molhados pelas grandes cidade do país fariam mais gente comprar disco, e ainda mais gente, quem sabe até alcançar o número mágico, lindo, inédito no país, de um milhão de cópias.

De repente tudo acabou. O disco venderá bem, claro – mas não tanto quanto poderia vender se o conjunto continuasse vivo.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

(Pobre Continental. Ela é a gravadora brasileira que mais grava gente nova, desconhecida. Gravou, por exemplo, o primeiro – e até agora único – LP do importantíssimo Walter Franco, provavelmente o principal músico novo do país. Claro que o disco vendeu pouquíssimo. Assim como venderam pouquíssimos outros discos de compositores e cantores novos lançados pela gravadora. Secos e Molhados era a mina de ouro da empresa, um conjunto que compensava – financeiramente – as experiências com muitos outros grupos ou compositores novos. E a mina secou.)

Entre os grandes perdedores por causa do final do conjunto está certamente João Ricardo – como também João Apolinário, que trocara a crítica teatral pelo mais rendoso ofício de compor junto com o filho e empresariar o conjunto-fenômeno.

Gérson Conrad, de volta à Arquitetura, não parece muito prejudicado. Na semana de lançamento do segundo disco, depois de tomar a decisão de deixar o conjunto, ele dizia estar contente por voltar à escola que abandonara.

Quanto a Ney, esse dizia ao Jornal da Tarde:

- Agora estou de novo no lugar de onde o João Ricardo me tirou: na sarjeta. Graças a Deus. Mas tenho dormido e até sonhado, o que não me acontecia há um ano.

Sarjeta, naturalmente, é pouco mais que uma expressão literária. Não deverá demorar muito o lançamento de um disco de Ney Matogrosso, um cantor de voz clara e bela, que todos conhecem – provavelmente com músicas de gente importante como Milton Nascimento, Caetano Veloso e sabe-se lá quem mais.

E quanto à música brasileira, que é o que mais interessa, a perda realmente não é grande.

Não que o primeiro disco de Secos e Molhados seja ruim, nem que o segundo disco seja ruim. As falhas do primeiro – as falhas técnicas, de produção e gravação – foram corrigidas. O disco é bem feito e bem acabado. Não há nenhuma música ruim; são todas agradáveis, bonitas, bem executadas e maravilhosamente bem cantadas. Duas ou três são na verdade emocionantes, como “Tercer Mundo”, que João Ricardo fez para o poema de Cortazar, “O doce e o amargo” e “Preto Velho”, também de João Ricardo.

Mas o importante é que esse segundo disco mostrava a rota que o conjunto seguiria, se não tivesse sido desfeito. Pelo que o primeiro disco mostrou, e agora esse novo, é fácil perceber que Secos e Molhados não estava de forma alguma interessado em criar, inovar, inventar, mudar, crescer – como um Caetano, um Gil, um Chico Buarque, um Milton Nascimento.

Embora tanto João Ricardo quanto Gérson admitissem a influência dos Beatles, e embora o ex-empresário Moracy Do Val pretendesse fazer filmes com Secos e Molhados, criar uma etiqueta própria, como a Apple, e – quem sabe? – até conquistar o mundo, o conjunto na verdade não aprendeu a lição decisiva. Não entendeu a distância que vai de “I wanna hold your hand” a Abbey Road.

E, em vez de criar, o conjunto havia decidido – como mostra o seu segundo disco – repetir. Criado o som Secos e Molhados, ele se repetiria infinitamente, por discos e mais discos, sempre igual, sempre igual, até a saturação que parece não chegar nunca – está aí Ray Connif que não deixa ninguém mentir. Repetir – isso é certo, está provado – é garantido, é seguro, vende disco antes de o disco chegar às lojas, dá dinheiro. Só a música sai perdendo.

A historinha por trás do texto

Este texto foi publicado no Jornal do Objetivo, em setembro de 1974. Era o jornal laboratório da Faculdade de Comunicação do Objetivo, ou Instituto Unificado Paulista, hoje Unip, a universidade criada por João Carlos Di Gênio.

O texto sobre o Secos e Molhados saiu na última página da edição de setembro de 1974 – o jornal tinha 16 páginas!

Fiz três textos para o Jornal do Objetivo; além deste aí, escrevi uma matéria sobre Gonzaguinha e uma sobre a renúncia de Richard Nixon, historiando o escândalo Watergate. Este último, não sei por que cargas d’água, não guardei. Uma pena.

Sim, mas o que eu fazia em 1974 na Faculdade de Comunicação do Objetivo?

Pois é. A história é longa; não interessa a ninguém, mas gosto dela.

Em 1970, meu terceiro ano em São Paulo, fiz o cursinho pré-vestibular do Objetivo – cursinho extensivo, o ano inteiro. Começou num prédio pequeno na Liberdade, depois se mudou para o predião da Gazeta, no número 900 da Avenida Paulista. Em julho comecei a trabalhar no Jornal da Tarde; em janeiro de 1971, passei no vestibular da USP e entrei para a ECA, a Escola de Comunicações e Artes. A turma da ECA que fez o básico de 1971 era extraordinária; dali saíram grandes nomes do jornalismo, uns 30 caras muito mais brilhantes e importantes do que eu seria na profissão. Mas o curso era teórico demais, os professores eram teóricos demais; eu era dos poucos que já trabalhavam em jornal. Na metade do segundo ano, já trabalhando como copydesk, à noite, com aula de manhã, desisti. Achei que conseguiria o registro de jornalista por já estar trabalhando.

Mas em 1973 o Departamento Pessoal começou a pressionar pelo diploma, exigido pela lei da ditadura que regularizou a profissão de jornalista. O Objetivo tinha aberto a faculdade, os professores eram excelentes, os melhores da praça (vários tinham me dado aula no cursinho, e eu os admirava muito, como admiro até hoje), e então fiz meu segundo vestibular e comecei meu segundo curso de Comunicações.

Nem me lembro direito – acho que fiz até metade do segundo ano. Aí o saco estourou e desisti de novo.

Anos mais tarde, acho que em 1977, ou 1978 – de novo pressionado pelo DP, que era pressionado pelo Ministério do Trabalho –  fiz Cásper Líbero, no mesmo grande prédio sempre inacabado do Gazeta na Paulista. Quando estava no meio do segundo ano, saiu meu registro definitivo de jornalista profissional, e casquei fora do meu terceiro curso de Comunicações.

Não sou feliz portador de diploma universitário.

http://50anosdetextos.com.br/1974/o-sucesso-meteorico-do-secos-e-molhados/

 

 Quando era criança, usei todos os vestidos coloridos, floridos e acenturados da minha mãe, que ficavam no fundo do armario, herança dos anos 70. Colocava sandalias altas, passava perfume, batom, pegava uma bolsa e começava a conversar com espelhos, bonecas, amigos imaginarios, às vezes as amiguihas reais. Acho que devo a essas brincadeiras, o lado bem feminino que tenho, pois até hoje adoro vestidos e tenho alguns, com esse estilo retrô 70. 

 Dessa época também, gosto de ver as fotos da familia. Meu pai com bigode,  camisa apertada no peito, calça boca de sino, rs, e sua super moto e minha mãe atras. Ah, que delicia vê-los jovens e felizes. Acho que por isso, tenho essa nostalgia de meus pais e meus avos bem jovens. Guardo um carinho muito especial dessa década, na qual nasci.

 

Moda é o reflexo de uma sociedade.

Na decáda de 70 a moda, nas roupas, no vestuário, era bastante diversificada, o reflete uma geração que tinha o "pensamento" mais diversificado.

Nos tempos atuais, mesmo com o crescimento industrial o que poderia denotar maiores opções, pode ser observado uma forma única de vestir, de corte de cabelo, etc, demonstrando uma sociedade de "pensamento único".

 

 

Aproveitando, vê se vê algum jovemsem tatuagem. Raríssimo.

 

Foi muito interessante reconstituirmos esta trajetória da cultura brasileira, uma linha do tempo iniciada  com o mutirão sobre o modernismo século passado.

Como diria o insuspeito André Araújo, ficou para trás, lá pelo pelo começo do século passado, o tempo em que uma parte da elite estudava e gostava de arte, o que provocou,  por exemplo,  a Semana de 22. 

"(...) houve uma deterioração extraordinaria da vida cultural em São Paulo a soi disant elite economica de hoje, os noveaux riches da sucata, não tem um só livro em casa, podem ter 100 marcas de whisky mas não tem um livro, revista na mesa Caras e Contigo e olhe lá, se falarmos em Mario de Andrade vão pensar que é um locutor de futebol.

A São Paulo da Semana modernista, do grupo Santa Helena, do TBC, da Vera Cruz, do Museu do Ipiranga, de Tarsila, de Monteiro Lobato, essa São Paulo ficou para trás. Hoje é a São Paulo dos shoppings e das agencias de automoveis importados da Av.Europa. E é isso ai e nada mais. (..)" 

Assis, bom comentário. A ditadura do pensamento, através de uma espécie sutil de censura,  limita a liberdade expressão de classes marginalizadas, ninguém quer sair por aí sendo o que se é, pois isso implica em ser espancado ou morto nas ruas ou ser abordado a toda hora pela polícia, se for negro então. Há sim uma padronização, uma forçação de barra no sentido da anulação do indivíduo em prol da massificação de um padrão determinado pelos meios de comunicação. Estas figuras abaixo,  parecem ser uma pessoa só mas não é o caso, são personagens de um reality show de mulheres ricas, socialites de SP, que transmitem para o restante do Brasil esta ideologia bestializadora. Enfim, nós nos deitamos com Mário de Andrade e acordamos com Silas Malafaia. Triste fim. 

http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/mario-de-andrade-o-movimento-modernista





http://dafnesouzasampaio.blogspot.com/2012/02/horror-horror.html

 

 Spin

Já não se fazem elites como antigamente,

"(...) a história cultural tem sido marcada desde sempre por essa divisão entre a cultura da elite, considerada, aliás, por muito tempo como a única forma possível de cultura, e a cultura do povo, na verdade vista pela aristocracia dominante como a não-cultura, isto é, como a ausência completa de civilização.(...)"

http://www.aldobizzocchi.com.br/artigo14.asp

 

 Spin

Perdão pela ignorância, mas tem alguma senhora Blaya, Araújo ou Rebolla entre as esfusiantes madames que aparecem no vídeo? :o))

 
 

Durante um festival de música popular no Rio de Janeiro o "revolucionário" Toni Tornado bagunçou a cabeça dos militares interpretando BR-3. No final, punhos cerrados para cima cantando “a gente morre na BR-3”. Quando abaixou o braço já estava algemado. Dali foi levado direto para o aeroporto e despachado para o exílio nos Estados Unidos. Ao retornar do exílio foi obrigado a abandonar a música, passando a atuar como ator coadjuvante na TV. 

Vídeos:

1- Tony Tornado, hoje, em encontro com Dom Salvador, 40 anos depois

2- Sou Negro, por Tony Tornado

3- Ficha Youtube, por Leia Reis Bertaglia:

 BR3-compositores:Antonio Adolfo e Tiberio Gaspar

Antônio Viana Gomes(Tony Checker-Tony Tornado),defendeu esta canção em 1970 no V Festival Internacional da Canção, vencendo a fase Nacional(ao som de muita vaia,e protestos;mas defendeu a música com muita propriedade, em grande estilo,fantástico Tony.

VIDEO SEM FINALIDADE LUCRATIVA, 
apenas como um Sinal de Alerta de quem perdeu a Avó e o Pai(36anos) de seus filhos em 1994,numa rodovia parecida com esta, porque alguém do lado de lá decidiu ingerir álcool em demasia, vindo a colidir frontalmente tirando-lhes o direito à vida(Léia Reis)

 

 Spin

A moda mais liiiinda!

 

Priscila maria presotto

Puxa vida....tudo isso??  Como a gente esquece das coisas.......