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A morte de Lula Côrtes

Morre o cantor Lula Côrtes
Redação do DIARIODEPERNAMBUCO.COM.BR
26/03/2011 | 02h32 | Morte

O cantor, compositor e poeta Lula Côrtes, um dos pioneiros em fundir o ritmo regional nordestino ao rock and roll, morreu na madrugada deste sábado aos 61 anos de idade. Ele sofria de um câncer na garganta e, segundo amigos, estava na praia de Maracaípe quando passou mal, sendo trazido por uma ambulância para o Hospital Barão de Lucena, onde já chegou sem vida. Ele exercia a função de assessor cultural da Prefeitura de Jaboatão. Sua última apresentação como músico aconteceu no Pátio de São Pedro, no domingo de Carnaval.

Nascido Luiz Augusto Martins Côrtes, Lula tem seu nome marcado na música popular brasileira por dois discos lançados na primeira metade da década de 1970, hoje lendas na internet pelo alto preço cobrados pelos vinis. Em 1972, ele gravou com o hoje cartunista Laílson o LP Satwa, pela Rozemblit. Em 1974, com Zé Ramalho, finalizou o álbum duplo Paêbiru - O Caminho da Montanha do Sol, mas a gravadora pernambucana, atingida por uma grande enchente, só conseguiu salvar poucas cópias, que se tornaram raridades. Ele ainda produziu e fez o desenho da capa de No Sub Reino dos Metazoários (de Marconi Notaro).

Os três trabalhos chegaram a liderar a lista de discos mais vendidos na categoria World Music  quando foram lançados em 2008 nos Estados Unidos por uma gravadora independente, a Time-Lag Records. O relançamento em CD de Paêbiru no Brasil fazia parte dos planos de Lula Côrtes, que destacou ao Diario: “Na verdade, o disco não é só meu e de Zé Ramalho, é de toda a galera do movimento underground nordestino da época. Na ficha do Paêbirú, aparecem muitos nomes, como Alceu Valença e Geraldo
Azevedo”, afirmou.

Côrtes ainda lançou os discos O Gosto Novo da Vida, Rosa de Sangue, A Mística do Dinheiro, O Pirata, Nordeste, Repente e Canção e Lula Cortes & Má Companhia. Somente este último teve distribuição direta em CD. Além de músico, Lula Côrtes lançou obras de prosa e poesia, como o audiobook O lobo e a lagoa e livros como Hábito ao vício, Rarucorp, Bom era meu irmão, ele morreu, eu não e Amor em preto e branco  e se dedicava atualmente às artes plásticas. Em reconhecimento ao seu trabalho literário, a União Brasileira dos Escritores de Pernambuco (UBE/PE) deu-lhe a carteira de sócio efetivo, retroagindo a ano de admissão a 1972, quando o multiartista lançou o Livro das Transformações.

Da sua experiência como assessor de Cultura da Prefeitura de Jaboatão, Lula extraiu matéria para pintar aquarelas retratando o cotidiano dos habitantes do município, seus aspectos ecológicos, o patrimônio material e imaterial da cidade. Sua meta era chegar a 365 peças. A primeira exposição, com 35 aquarelas, intitulada Fragmentos, foi aberta em setembro do ano passado.

O corpo do cantor, compositor, poeta e pintor Lula Côrtes deve ser velado na Câmara Municipal de Vereadores de Jaboatão dos Guararapes a partir das 10h deste sábado. O local e o horário do enterro ainda estão sendo definidos. O músico faleceu na madrugada deste sábado, cerca de uma hora depois de chegar ao Hospital Barão de Lucena, no bairro do Cordeiro, no Recife.

Lula Côrtes sofria de um câncer que começou na garganta há cinco anos, mas se espalhou por outros lugares do corpo. Ele tinha feito quiomio e radioterapia, mas de acordo com amigos próximos, continuava bebendo e fumava quase três carteiras de cigarro por dia. No mês de janeiro ele teve Hepatite C e, em seguida, erisipela, o que o deixou ainda mais fragilizado.

Ainda assim, o músico continuava trabalhando. Os últimos shows foram na semana passada - quinta, sexta e sábado - no Sesc Belenzinho, em São Paulo. Ele e Zé da Flauta fizeram participações especiais no show de Alceu Valença, relembrando a década de 1970.

Na madrugada da terça para a quarta-feira, Côrtes passou mal e foi socorrida para uma UPA em Jaboatão, sendo liberado em seguida. Decidiu então, a convite de uma amiga, continuar o tratamento numa pousada em Maracaípe. "Na última quinta-feira ele teve uma melhora surpreendente, mas na sexta de manhã já amanheceu muito pior. Foi quando entrei em contato com amigos para trazê-lo ao Recife", contou o produtor e amigo, Lulinha. Lula Côrtes deixa seis filhos. O primeiro casamento foi com a cineasta Kátia Mesel.


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No LP Nordeste: Cordel, Repente e Canção Lula Côrtes está em apenas uma faixa, a 4 (Martelo Alagoano), ao lado de Zé Ramalho. Esse disco é a trilha sonora do documentário homônimo de Tânia Quaresma.

 

Dos inimigos: Temos medo ou revolta.

De quem nos ama: Temos todo coração.

Dos que se perdem: Temos pena ou remorso.

Dos que se encontram: Vemos a satisfação.

Dos que se negam: Vemos marcas no seu rosto.

De quem não ama: Como é triste o seu viver.

De quem não vê: Vejo a falta que ele sente, inutilmente, nós sentimos o seu sofrer.

Do acusado: Já se sente a solidão.

De quem não pensa: Vejo gestos tão confusos.

Dos que nos mentem: Nós sentimos o desprezo.

De quem se esconde... como é fraco o coração.

Dos que se negam:  Vemos marcas no seu rosto.

De quem não ama: Como é triste o seu viver.

De quem não vê: Vejo a falta que ele sente, inutilmente, nós sentimos o seu sofrer.

 

(Dos inimigos, Lula Côrte)

 

P.S. Diga em paz, meu nobre, hoje há de brilhar mais uma estrela no céu. O Beco do Barato, não é mais o mesmo, nunca mais o será!!

Re: A morte de Lula Côrtes
 

Paêbirú, creditado a Lula Cortês e Zé Ramalho, gravado entre os meses de outubro e dezembro de 1974, na gravadora Rozemblit, em Recife (PE). Com eles, estão Paulo Rafael, Robertinho de Recife, Geraldo Azevedo e Alceu Valença, entre outros. Na época, Lula Cortês tinha em seu currículo o álbum "Satwa" (1973), que trazia canções com título como "Alegro Piradíssimo", "Blues do Cachorro Louco" e "Valsa dos Cogumelos". Zé Ramalho, já tocando com Alceu Valença, tinha em sua bagagem a experiência de grupos de Jovem Guarda e beatlemania, como Os Quatro Loucos, o mais importante de todo o Nordeste.

Clássico do pós-tropicalismo, com (over)doses de psicodelia, o álbum trazia seus quatro lados dedicados aos elementos "água, terra, fogo e ar". Nesse clima, rolam canções como o medley "Trilha de Sumé/Culto à Terra/Bailado das Muscarias", com seus13 minutos de violas, flautas, baixão pesado, guitarras, rabecas, pianos, sopros, chocalhos e vocais "árabes", ou a curta e ultra-psicodélica "Raga dos Raios", com uma fuzz-guitar ensandecida. E, destaque do álbum, a obra-prima "Nas Paredes da Pedra Encantada, Os segredos Talhados Por Sumé" (regravada por Jorge Cabeleira, com participação de Zé Ramalho), com seu baixo sacado de Goin' Home dos Rolling Stones sustentando os mais pirados 7 minutos do que se pode chamar de psicodelia brasileira.

O disco por si só é uma lenda, mas ficou mais interessante ainda pelas situações que envolveram a sua gravação. A gravadora Rozenblit ficava na beira do rio Capiberibe, e o disco, depois de gravado, foi levado por uma das enchentes que assolavam a região. Conta a lenda que sobraram apenas umas trezentas cópias do disco, hoje nas mãos de poucos e felizardos colecionadores, muitas das quais no exterior, onde foram parar a preço de ouro. Contando com a co-produção do grupo multimídia Abrakadabra, o disco trazia um rico encarte, que também sucumbiu ao aguaceiro.

 

Baixar: http://www.mediafire.com/?idcnontlnz2

 

Lula Côrtes & Jarbas Mariz - Bom Shankar Bolenajh de 1988 ****

Para seus realizadores é um trabalho exclusivamente instrumental e guarda o intuito de acordar e realizar o significado da expressão "Bom Shankar Bolenath", pois consideram importante relembrarmos uns aos outros que somos divinos.

Esse propósito é o motivo central deste disco consagrado no sentido de alcançar o sagrado através da nossa música mais original.

O LP tem a participação especial de: Paulo Ricardo (RPM), Alberto Marsicano, e Oswaldinho do Acordeon