Coluna Econômica

A morte do economista Albert Hirschman, aos 97 anos, é simbólica. Ocorre em um momento em que o mundo procura alternativas de política econômica, tal e qual no final da Segunda Guerra.

Saía-se da era do confronto para o da colaboração, pelo menos até que a Guerra Fria se fizesse presente. A nova potência hegemônica, os Estados Unidos, ajudava na reconstrução da Europa, dos adversários derrotados e até da América Latina.

O tratado de Breton Woods forneceu as bases institucionais para esse novo desenho. De um lado, o FMI (Fundo Monetário Internacional) impedindo as guerras cambiais e amparando países com desequilíbrios nas contas externas. Do outro, o Banco Mundial apoiando com recursos o desenvolvimento dos países. Depois, um conjunto de instituições trabalhando a questão da pobreza, do analfabetismo.

Partia-se do princípio de que a colaboração mundial exigia isonomia econômica entre países.

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Os 30 anos que se seguiram constituíram o chamado período de ouro do capitalismo. Houve o desenvolvimento de inúmeros países atrasados, o fim dos impérios coloniais, políticas de combate à miséria e desenvolvimento de uma ciência nova, visando encontrar o caminho para suplantar o subdesenvolvimento.

Hirschman cumpre papel fundamental, inclusive nos estudos sobre o subdesenvolvimento na América do Sul. Foi enviado com uma equipe do Banco Mundial para analisar a Colômbia. Percebeu a grande escassez de quadros técnicos e de setores capazes de se constituírem em fatores dinâmicos da economia. Concluiu que o caminho era eleger aqueles de maior potencial, apoiá-los de maneira que pudessem ganhar padrões modernos, contaminando positivamente os demais setores.

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Seus estudos tiveram dois discípulos relevantes: Ignácio Rangel e Fernando Henrique Cardoso. O primeiro entendeu o momento e as circunstâncias e produziu estudos clássicos nos anos 60, defendendo o fortalecimento do setor financeiro brasileiro como o passo seguinte ao da substituição de importações.

O segundo, FHC, quando presidente, repetiu a fórmula em uma conjuntura totalmente diversa, onde já se tinha um país com estrutura industrial sofisticada, e não com a economia rudimentar da Colômbia dos anos 50.

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A financeirização da economia, que marcou o último ciclo global, pressuponha os Estados nacionais abrindo mão de suas políticas internas e se subordinando a uma coordenação global, nas mãos dos respectivos bancos centrais.

O novo modelo exigirá, de um lado, a volta da lógica dos Estados nacionais batalhando pela competitividade das suas economias. De outro, a colaboração. Mas como compatibilizar competição com colaboração?

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É aí que entra a discussão de uma nova ordem institucional, uma redefinição dos papéis dos bancos internacionais, das organizações multilaterais.

Depois, a definição de princípios que sejam comuns a todos os países: a ênfase às políticas de inclusão social, como fundamentais para o próprio aprimoramento do capitalismo; o apoio aos países em desenvolvimento; a preocupação com a sustentabilidade do planeta.

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Comentários

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Aqui que gostaria de situar:

A nova discussão de uma nova ordem institucional para um novo modelo econômico financeiro eh a definição de princípios comuns a todos os países e passa por redefinir inicialmente a moeda e o lastro. As causas sociais não podem ficar para depois na discussão!

O que poderia afetar diretamente a ciranda financeira diminuindo seu poder e distribuindo ao setor produtivo: Taxar maior aos lucros e ganhos!

Ai incluir: moeda, lastro e taxa financeira!

 

 Mas como compatibilizar competição com colaboração?

Coopetition ( cooperar e competir ) é um termo muito em voga hoje nas grandes corporações. 

Um exemplo prático, as montadoras coreanas. Primeiro cooperam entre si para criar a imagem de que "carro coreano é carro tecnologicamente de ponta" para depois competirem entre si pelos mesmos mercados.

Se vai funcionar entre nações, globalmente, não tenho a menor idéia.

 

Prender manifestante mascarado é fácil, quero ver é prender político ladrão que foi desmascarado.

 


Eu vejo a competição ser, fundamentalmente, entre o interesse público e o privado. Nos anos 70 do século passado, o poder privado (bancos, fundos de investimento etc) avançou sobre o poder público, forçando a liberalização dos controles bancários. Isto resultou numa enorme concentração de dinheiro e poder nesse setor, transferindo enorme quantidade de dinheiro do setor produtivo para o especulativo (além do dinheiro eletrônico, criado do nada), movimento esse favorecido pelos avanços tecnológicos (“engenharia financeira”, tecnologia da informática). A lógica de funcionamento desse setor é procurar aplicações no mundo todo, e, evidentemente, combater qualquer tentativa dos países imporem restrições à livre circulação desse capital especulativo. Isso concentrou enorme poder num setor privado e enorme concentração de renda, provocando a crise atual. Instituições multilaterais, como o FMI, BIS, Banco Mundial não conseguiram, ou não tiveram forças, para detectar e impedir a crise.


O que é preciso, agora, é o interesse público recuperar a capacidade de controlar o poder do capital especulativo. O que está sendo muito difícil, vide a dificuldade de impor restrições aos bancos. Talvez a preocupação com a sustentabilidade do planeta ajude nessa empreitada.

 

Enquanto a nova ordem mundial não chega, o Canadá assim se prepara:


 dez 2012
Política social, na sua mais simples e mais ativa expressão, é a articulação de idéias para uma mudança positiva na realidade das pessoas com base em fortes princípios e a melhor evidência disponível. A política social é uma coisa boa e é historicamente um ponto forte dos governos.
Portanto, é extremamente interessante que o governo federal que o  Canadá tem agora parece querer sair de seu protagonismo na política social. Eles estão conseguindo este objetivo de cinco formas:
* Através de cortes de pessoal e fechamento de vagas nos departamentos do governo, como Recursos Humanos e Desenvolvimento Profissional do Canadá (HRSDC), que fazem política social;
* Ao declarar que grandes aspectos da política social, como a redução da pobreza são de responsabilidade de outros (ou seja, das províncias)
* Ao ter certeza de que instituições filantrópicas não conduzem uma política social que podem ter fins políticos
* Ao cortar ou eliminar o financiamento de entidades públicas e privadas que se envolvem em política social, e
* Eliminação de pessoal, corte de pesquisas, e restrição à informação produzida pelo  censo que fornece aos canadenses a evidência para a implantação e realização de uma boa política social.
É quase impossível entender por que qualquer governo abandonaria a política social. Alguns imaginam que a política social é inconveniente para a agenda dirigida pela política (ou seja, não me confunda com os fatos) ...


Source:
Open Policy
- John Stapleton's website
http://openpolicyontario.com/


traducao livre, feita com a ajuda do google

 

A nova ordem mundial - a base da Internet - multiplica a associação do poder: O Socialismo dos Bancos.

Cada desenvolvimento da sociedade corresponde a uma forma de avanço virtual que governa todas as fases que as relações sociais não são. Os bancos compram titulos públicos na criação da moeda física, e oferecem transferências eletrônicas definidas entre si. - É uma república da abstração monetária, com o conteúdo civil do valor econômico passivo, para a supressão do Estado.

 

Uma ideia ou intuição dita de modo próprio pode servir de via de acesso em direção a percepção metafísica do ser e o quanto no universo ele é capaz de constituir por si mesmo para tal transcendência existencial.

Por enquanto , o que há é a nova desordem mundial...

 

 O que desencadeou as guerras foi a economia cambaleante, capitalismo sofrido que causava fome.

 Há um cenário propicio para uma III grande guerra, só precisando dos EUA  e uma Europa de 4 rastejante.

 P.S. O comunismo se alastrou na Ásia e em seguida na Europa de maneira pacifica, apenas por adesão, sem força de rifles  nem canhão até chegar no Afeganistão. Mas aí é coisa de capitalista SAFADO não é mesmo?

 Lula sabia o que estava fazendo ao criar seu Instituto. Agora o a coisa é diferente, até Hollande está percebendo, mas daí a sair do mantra das invasões? É outro historia.

 

   Para uma injustiça durar basta apenas que os bons fiquem calados

- Lula e Chávez serão os políticos mais influentes da novíssima ordem mundial, a direita não quer aceitar a realidade, os dois mudaram o mundo.

- Chávez se elegeu em 1998 (auge da globalização neoliberal) e Lula veio 4 anos depois como presidente do mais importante país latino, até incluiría Putin nessa lista de influentes apesar das diferenças (Putin é mais a direita, manteve o capitalismo na Rússia mas resgatou algumas políticas soviéticas).

- Hollande percebeu a mudança e a China também (ao iniciar uma nova política de crescimento próxima ao modelo distribuitivo sul-americano).

- Reagan e Thatcher foram os mais influentes no início dos anos 80 quando iniciaram a política neoliberal inspirada na experiência de Pinochet no Chile e o modelo econômico japonês ou asiático de produtividade.

- Lenin inspirou direta ou indiretamente Stálin, Hitler, Roosevelt, De Gaulle e o populismo latino-americano.

 

Você é apenas ignorante?

 

Rebolla. Da para entender a sua pergunta apenas olhando a figura do seu avatar.

Ao invés da patada você poderia colocar o seu pensamento.

Talvez seja porque não tenha algum.

 

O comunismo se alastrou na Ásia e em seguida na Europa de maneira pacifica, apenas por adesão, sem força de rifles  nem canhão até chegar no Afeganistão.

Tenho pena dos alunos dela. Só for professora de história então...

 

Nenhum tipo de poder que rompe com o atual poder é de forma pacífica , sempre há ruptura. O pensamento comunista ter se alastrado de forma pacifica é uma coisa a ditatura socialista ter subido ao poder em economias cambaleantes é outra.

 

Tou com ela.  Voce eh so ignorante ou eh feio tambem?

 

burra pestilens ignorantia

 

Eu não exaltaria um economista cujas idéias serviram para Ignácio Rangel e FHC desenvolverem a famigerada "Teoria da Dependência", uma teoria que defendia que o lugar do Terceiro Mundo era permanecer subordinado aos centros do capitalismo mundial, teoria, aliás FHC aplicou perfeitamente no Brasil dos anos 90. Isso me lembra outra coisa: FHC mandou esquecer suas "escrituras", muito antes pelo contrário, devemos lembra-los porque ali está o programa de governo do PSDB.

 

Amigo,

Ignácio Rangel não tem nenhuma relação com a Teoria da Dependencia

Ignácio Rangel interpreta o desenvolvimento brasileiro pela teoria dos ciclos, vá estudar

 

O amigo tem razão, num ato falho confundi o Ignácio Rangel com o Teotônio dos Santos, mas isso não invalida o resto do comentário.

 

"A morte do economista Albert Hirschman, aos 97 anos, é simbólica. Ocorre em um momento em que o mundo procura alternativas de política econômica, tal e qual no final da Segunda Guerra":

Com um "Projeto 50 Centavos" na vida real.  O que vai acontecer eh que certas sociedades vao inventar seu proprio dinheiro inatacavel, sem amarras bancarias e sem os imundos juros bancarios.

Tem que haver dinheiro real PRIMEIRO.  O dinheiro ficticio que os bancos usam esta sendo usado tambem pra sabotar continentes inteiros.  Nao vai continuar e nao pode continuar a existir.

Quanto a "compatibilizar competicao com colaboracao", foi pra isso que roubo de propriedade intelectual foi "descoberto" e legalizado.  E eu nem sabia que tava "competindo" com alguem!

Se depender de mim nao vai haver "colaboracao" nao.  Muito menos gratis.

 

http://www.sonoticiashttp://www.tribunadaimprensa.com.br/?p=6379 .com.br/opiniao/2/100677/divida-interna-perigo-a-vista

        

            Nassif, os dois links acima foram colocados em um post de amigo meu do Facebook, que sempre acha uma forma de responder aos meus.  Anti-Lula e anti-PT raivoso.  Fui às matérias, trata-se de jornais e blog do Mato Grosso, se não me engano.  Não sei nada sobre os mesmos, uma vez que nunca os tinha visitado.

            Gostaria que você escrevesse ou enviasse algo sobre isto.  Também a quebradeira nos municípios depois das eleições deste ano.  Em minha cidade, Varginha-MG, após 12 anos de gestões petistas, o atual prefeito foi derrotado por grupos políticos antigos, cujos maiores fiadores foram o deputado Dilzon Melo (PTB-MG) e o governador Antonio Anastasia.  

                 Após as eleições foram destituídos diversos cargos comissionados, secretários, o prefeito deixou de conceder o tickt alimentação, conquista do 1º ano do governo petista e várias outras medidas de contenção de gastos foram tomadas, o que causou ainda maiores danos à sua imagem e à do Partido.

            Seria bom avaliar o que houve.  Tem algo a ver com a distribuição da renda para os municípios?   Municípios e estados da federação estão mesmo arrochados, como ouvi o governador Anastasia dizer no dia 21 de abril, em solenidade em Ouro Preto-MG?  Ou é gastança desenfreada mesmo?

                   Os governos petistas aqui em Varginha representaram grande avanço, em que pese suas contradições.

           Uma cidade ultra-conservadora, berço de antigos barões do café, numa região ultra-conservadora (você conhece bem a região), eleger governo petista em outubro de 2000 foi um marco histórico, derrotando antigos grupos do poder local que, ao fim, estavam todos juntos, inclusive com remanescentes do PMDB local, que mudaram de partido, mas não de atitudes políticas.

                    O governo sai super mal avalidado, porém, nunca um prefeito em Varginha foi tão fustigado quanto o de Eduardo Corujinha.  

                

    

                 

 

Dulcinéa

O problema...? É que no caminho tem uma pedra. Mas, oremus!

 

"Ocorre em um momento em que o mundo procura alternativas de política econômica, tal e qual no final da Segunda Guerra."

Data venia, discordo muito:

Ao final da 2.a Guerra havia uma potência claramente dominante (EUA) que no limite fazia prevalecer seus pontos de vista. P.ex a proposta de Keynes/Inglaterra em Bretton Woods foi derrotada pela americana.

Hj embora haja candidatos a dominantes (p.ex. China) reclama-se da "falta de líderes" (ou seja falta  projeto claro e hegemonia para negociá-lo. As reuniões multilaterais se intensificam na mesma proporção da falta de resultados; as instituições "não funcionam"; o que tem de grupo G-qquer coisa correndo por fora ...

 

István Mészáros no Roda Viva

 

Espero que você tenha ao menos assistido ao que postou...

 

..."O novo modelo exigirá, de um lado, a volta da lógica dos Estados nacionais batalhando pela competitividade das suas economias. De outro, a colaboração. Mas como compatibilizar competição com colaboração?"...

Experimentando o que ainda não foi tentado.

Da trilogia da Revolução Francesa Liberdade, Igualdade e Fraternidade,

Falta se tentar apenas a Fraternidade.

Aí, talvez, se tornasse possível a "competição com colaboração".