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A posição da presidência sobre Belo Monte

Da Agência Brasil

07/04 às 17h20 - Atualizada em 07/04 às 17h21

Governo não abre mão de Belo Monte, avisa Gilberto Carvalho

Luciana Lima

O ministro Gilberto Carvalho, da Secretaria-Geral da Presidência da República, disse hoje (7) que o governo não abre mão da construção da Usina Hidrelétrica Belo Monte. Após se encontrar com cerca de 450 mulheres do Movimento de Atingidos por Barragens (MAB), o ministro ponderou que outras reivindicações do grupo poderão ser objeto de diálogo com o governo, mas não Belo Monte. “Belo Monte não vai ter como atender”, disse o ministro, após o encontro que contou com a presença da presidenta Dilma Rousseff.

Entre as reivindicações do movimento, entregues á presidenta Dilma Rousseff, está a imediata suspensão da construção da usina. “Em relação à Belo Monte não dá para avançar, nós não vamos deixar de fazer [a usina]”, disse o ministro. “Dá para fazer Belo Monte de um jeito ou de outro. O papel deles [dos movimento sociais] é cobrar da gente que seja da forma mais humana, mais respeitadora possível, levando em conta todos os direitos dos atingidos, das culturas tradicionais. Essa é a parte do diálogo que dá para a gente fazer”, ponderou.

AconA construção da Usina Belo Monte é alvo de críticas da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) da Organização dos Estados Americanos (OEA). O organismo multilateral pediu a imediata suspensão do processo de licenciamento da usina.

O governo considerou descabida a posição da OEA, tomada em resposta a denúncias apresentadas por várias comunidades da Bacia do Rio Xingu, onde a hidrelétrica será construída. Em nota, o Itamaraty disse que as solicitações são”precipitadas e injustificáveis”.

O ministro disse que o governo pretende estar mais presente nas mesas de negociações entre empresários, trabalhadores e comunidade e adotará uma agenda de reunião de dois em dois meses para cada canteiro de obras. “As negociações com eles não podem ser feitas somente pelas empresas. O governo precisa estar mais presente. Naturalmente, quando se trata de indenizações, quando se trata de realocações, o Estado tem que estar mais presente”, disse o ministro.

“Antes das privatizações, os movimentos conseguiam negociar melhor. Depois disso, a vida deles ficou mais difícil porque as empresas não conseguem entender a lógica das famílias.”, disse.

O ministro também ponderou que as recentes revoltas em canteiros de obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), como os que ocorreram nas usinas Jirau e Santo Antônio, no Rio Madeira, serviram para demonstrar que o governo precisa prestar mais atenção ao que pode se repetir em relação à Belo Monte.

“O evento de Jirau e Santo Antônio está nos levando já a antecipar [o que pode ocorrer] em relação à Belo Monte, ter uma presença mais forte do Estado. É preciso antecipar cuidados com a saúde, com a segurança, com saneamento, para que o impacto da obra no local não seja tão pernicioso para as populações".

Belo Monte será a maior hidrelétrica totalmente brasileira, considerando que a Usina de Itaipu é binacional 9em sociedade com o Paraguai), e a terceira maior do mundo. A usina terá capacidade instalada de 11,2 mil megawatts de potência e reservatório de 516 quilômetros quadrados. Até o momento, o empreendimento tem apenas uma licença parcial do Ibama para instalar o canteiro de obras.

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10 comentário(s)

Comentários

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Ola,
Bom, na minha posição quanto técnica ambiental e ser humano sou contra a construção da usina de Belo Monte, pois trará muitos "pontos" negativos para comunidades indígenas e para o próprio Brasil e poucos benefícios ao quais não "compensará" a construção dessa grande "barragem". Dentre aos "malefícios" temos:
Aumento da população e da ocupação desordenada do solo (que poderá ocasionar mais comunidades "favelas"). Perda de atividade produtiva na área rural, (ocasionando desemprego e miséria a maior parte dos habitantes) Perda de vegetação e de ambientes naturais com mudanças na fauna, causada pela instalação da infraestrutura de apoio e obras principais (até extinção de espécies). Mudanças no escoamento e na qualidade da água nos igarapés do trecho do reservatório dos canais, com mudanças nos peixes; Alterações nas condições de acesso pelo Rio Xingu das comunidades Indígenas. Perda de fonte de renda e sustento para as populações indígenas; Danos ao patrimônio arqueológico; Interrupção temporária do escoamento da água no canal da margem esquerda do Xingu, no trecho entre a barragem principal e o núcleo de referência rural São Pedro durante 7 meses.
Como nós humanos não temos a mesma linha de raciocínio não espero que todos concordem comigo. Pois vivemos em um país “onde se tem” a livre expressão.

 

 

Olá,

 

não sei qual a previsão do crescimento da demanda por energia no país, para pela atenção dada a Usina de Belo Monte, parece que só está se tomando essa medida para termos energia suficiente no futuro.

 

Não existe nenhum projeto de Eficiência Energética?

Perdemos uma porcentagem alta da energia produzida nas nossas linhas de transmissão e nas infra-estruturas das cidades, que são precárias.

 

Alguém tem alguma referência?

Tenho em casa uma referência que, se não me engano, é dedicado a questão energética no Brasil. Se encontra, compartilho aqui

 

Seria o caso de perguntar para a sociedade se em substituição a Belo Monte, seria aceita a construção de 8 reatores 1.350 MW similares a de Angra III. A vazão do Xingu acredito seria suficiente para o processo de refrigeração exigida em uma concentração de 8 reatores na mesma área.

 

O papel deles [dos movimento sociais] é cobrar da gente que seja da forma mais humana, mais respeitadora possível, levando em conta todos os direitos dos atingidos, das culturas tradicionais] Respeitar as culturas tradicionais implica em não inundar nenhum  cemitério das comunidades indígenas e isso ele não pode cumprir.

 

“Em relação à Belo Monte não dá para avançar, nós não vamos deixar de fazer [a usina]”

 

Música para os meus ouvidos, banana pra OEA. Lindo. Esse país, de vez em quando, sisma em me fazer orgulhoso. Pena que não é sempre...

 

Também acho isso. Foi um soco no estômago da OEA e ongs safadas que atuam na amazonia.

Fiquei orgolhoso do que vi. Parabéns pela firmeza do governo e da PresindentA.

Viva o Brasil!

 

Vai começar o besteirol alucinado do discurso inspirado na extrema direita e no PIG sobre as terríveis conspirações das ONGs e seus tentáculos com a CIA para manter o Brasil terceiro mundista...

As comunidades locais tentaram o diálogo com o governo e com o consórico, mas não conseguiram tudo o que queriam nas medidas mitigadoras da obra nem de compensações socioambientais do impactos que sofrerão diretamente. Articularam-se com ONGs legítimas e usaram um canal legítimo para protestar na OEA.

Por conta disto conseguiram reabrir o diálogo com o governo para os ajustes necessários no projeto.

Parabéns às comunidades, às ONGs e à democracia.

E vamos em frente com a obra.

 

Viver é afinar um instrumento...

Amigo, o diálogo deles inicia-se por NÃO QUERER a usina construida.

 

Não existe diálogo. Eles não querem a construção, e isso são outros 500. Já foi amplamente discutido pela nossa sociedade durante anos.

 

Athos, se a prefeitura quiser construir um cadeião no seu bairro ou uma usina de compostagem de lixo, vc tb ia dizer NÃO. E ambos exemplos são coisas essenciais para toda a sociedade.

Então, vamos empurrar na sua goela abaixo e vc vai protestar e usar TODOS os artifícios legítimos que vc tem a sua disposição.

Sejamos coerentes, ok?

Abs.

 

Viver é afinar um instrumento...

Sim, há muitos anos. Em todos eles, a não contrução foi vencedora, com o apoio dos que hoje querem empurrar a construção goela abaixo dos que usaram para se eleger.