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A reforma do Código Florestal, por Nusdeo

Por Paulo F.

Da NHK World

A reforma do Código Florestal do Brasil

As florestas tropicais do Brasil são as maiores do mundo. No entanto, procedimentos estão em andamento para flexibilizar o Código Florestal do Brasil, que restringe o desmatamento. O movimento está sendo criticado por cientístas e grupos ecológicos de várias partes do planeta. 

Hoje, entrevistamos a professora Ana Maria de Oliveira Nusdeo, especialista em direito ambiental da Universidade de São Paulo.

Perguntamos a ela quais os pontos positivos e negativos da mudança do código.

"Existem alguns méritos, porque o novo código florestal é uma lei maior. A principio, a vantagem não é devida somente ao tamanho, mas pelo fato de ele já ter incorporado muitas questões que, ao longo de todos esses anos, foram sendo diciplinadas por outras normas administrativas. Então, existe uma consolidação feita no projeto de lei. Eu acho que existem algumas questões que precisam ser realmente analisadas. São alguns casos específicos, de alguns setores agrícolas, que têm a sua atividade mais afetada pelas normas ambientais e talvez pudessem ter algum tratamento de excessão. Mas o grande demérito, isto é, o grande ponto negativo da lei foi que, ao invés de definirem essas situações particulares, foram criadas regras muito lenientes para todos os setores econômicos. Grandes proprietários estão querendo mais áreas para suas atividades, quando poderia haver uma nova mudança de técnicas para se obter maior produtividade por hectare, aumentando a produtividade sem precisar de mais áreas. Ou seja, fazer pressão sobre áreas florestais. Eu acho que a desvantagem é que talvez o país desista de investir em boas técnicas para aconselhar melhor a produção e a preservação nesses imóveis privados."

Perguntamos também qual a consciência que os brasileiros devem ter sobre esta questão.

"A Amazônia é uma reserva de carbono que tem influência no controle do clima no mundo inteiro. Por outro lado, ela é também um estoque de biodiversidade. Portanto, existe um interesse do restante do mundo na sua preservação. Acho que os brasileiros devem ter consciência de que existe aí, por trás da discussão, a recuperação de alguns, de muitos, na verdade, milhões hectares que deveriam ter sido preservados e que não estão sendo preservados. Existem alguns estudos que falam em 29 milhões de hectares, sobretudo, no caso das reservas legais. Isso sem contar os hectares das Áreas de Preservação Permanente (APP). E, no caso das APPs, esses hectares a serem recuperados são muito importantes porque são eles - essas matas filiares nas magens dos cursos das águas, nas encostas de morro - é que previnem que os rios não sejam assoreados, não sejam poluídos por agrotóxicos. É importante que os brasileiros saibam que essa anistia ao desmatamento, sobretudo as APPs, ocasionará prejuizos ecológicos. Vários estudos e muitos empresários enxergam aí a possibilidade de ganhos econômicos com a nossa biodiversidade, e mesmo essas atividades tradicionais de agricultura e pecuária podem ter a sua produtividade elevada, se houver mais aumento de investimento em pesquisas na aplicação de melhores técnicas. Muitas dessas técnicas já existem porque nós temos uma empresa pública de pesquisa agrícola, a Embrapa, que vem ao longo do tempo desenvolvendo técnicas de aumento de produtividade com sucesso. Então, um pouco mais de investimento na Embrapa, e mesmo pelos proprietários privados, pode levar a um cenário de aumento da produtividade, deixando ainda espaço para a recuperação de áreas."

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Alguns pequenos enganos devem ser corrigidos.

 - Existem grandes restrições ao desmatamento na Amazônia quando se permitem apenas o desmatamento de 20% das propriedades. O novo Código não é frouxo, pelo contrário é a maior restrição encontrada no mundo e no Brasil.

 - Os grandes proprietários não estão querendo desmatar mais áreas para aumentar a sua produção, porque:

Foi feito um pacto entre governo e CNA Conf. Nacional da Agricultura para desmatamento zero ainda no tempo do ministro Reinhold Stephanes.

Desmatar é mau negócio. Um hectare de floresta produz 400 m³ de madeira. 400 x R$ 100,00 o m³ = R$ 40.000,00. O custo da derrubada e queimada de um hectare deve estar em torno de R$5.000,00. Gasta-se 5.000 para destruir 40.000. A conta não bate. Com prejuízo vamos produzir nesse mesmo hectare 10 arrobas ano de carne de vaca que equivale a R$1.000,00.

 - Produzir em áreas com inclinação superior a 20% é inviável economicamente, ou seja, o boi gasta de energia para subir e descer o mesmo que ganha com a alimentação que consome nessa área. A inclinação não permite o trabalho de máquinas. Não precisa proteger essas áreas porque já estão (economicamente) protegidas.

 - O Brasil dobrou a sua produtividade nos últimos 50 anos e está trabalhando duro nisso. O Brasil possui hoje a tecnologia mais avançada de agricultura do mundo. O problema é que enquanto as multinacionais investem bilhões em pesquisa nosso governo destina apenas milhões para pesquisas na EMBRAPA.

Ninguém quer desmatar APPs. O que o novo código pede é que as áreas de desmatamentos antigos, anteriores à lei que criou as APPs, sejam descriminalizadas isentas de multas aplicadas após a criação da lei. Os agricultores reivindicam é que nas áreas de recomposição obrigatórias possam ser plantadas espécies produtivas.

 - 95% do arroz que é o cereal mais produzido no mundo, é cultivado em várzeas. Sem matas ciliares.

 - A contaminação por agrotóxicos é feita pela penetração no solo de resíduos tóxicos que vão para o lençol freático e para as nascentes que formam os rios. As matas ciliares não fazem a menor diferença. A grande maioria dos nossos hectares cultivados recebem mais de uma tonelada de agroquímicos por ano, todos os anos. A contaminação do solo por agrotóxicos é feita pela agricultura e não pela falta de preservação das matas ciliares.

 - Hoje a carência maior é a de se divulgar as técnicas já desenvolvidas pela EMBRAPA para que os nossos produtores tenham acesso a elas e usufruam do aumento na produtividade que os resultados das pesquisas provocam.

 

Para aqueles que fundamentam suas posições em Ongs.

Grupo de Trabalho da SBPC e ABC repudia aprovação do novo Código Florestal

  

27/4/2012 - A expectativa do grupo de trabalho do Código Florestal, instituido pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e pela Academia Brasileira de Ciências (ABC) para analisar a proposta do novo Código, era de que o texto aprovado no Senado Federal fosse melhorado ou pelo menos aprovado na Câmara dos Deputados, o que não ocorreu. Pelo contrário, o resultado foi pior.

Mesmo no relatório aprovado no Senado mostramos pontos deficientes que precisariam  mudar. Exemplo: as Áreas de Preservação Permanentes (APPS) nas margens de cursos d´água deveriam ser integralmente restauradas e demarcadas a partir do nível mais alto do rio, e não de um nível regular como foi aprovado.

Enfatizamos que as comunidades tradicionais, agricultores familiares e ribeirinhos deveriam ter um tratamento diferenciado e não que houvesse uma generalização para todos os produtores agrícolas.

Continuamos sendo contrários a incluir APPs no computo das Reservas Legais (RLs). Nas recuperações de RLs o uso de espécies exóticas não deveria ser transformado em uso definitivo. Encaminhamos nossas sugestões para o Senado, mas não foram consideradas. Mesmo assim o texto do Senado era melhor que o aprovado no ano passado na Câmara dos Deputados.

Um projeto que vem sendo discutido há mais de 10 anos e que é tão importante para o país não poderia ser votado em forma de disputa de poder dentro do Congresso Nacional. Foi uma batalha entre partidos políticos e da bancada ruralista versus a bancada ambientalista. Venceu quem tinha maior número. Também se observa que mais de 100 deputados faltaram na votação. Existem justificativas ou esses deputados não queriam se comprometer perante suas bases eleitorais? No final, foi uma disputada na qual quem saiu perdendo foi o país como um todo.

A aprovação da liberação de crédito para quem desmatou irregularmente, Estados passarem a decidir sobre autorização de exploração agrícola em APPs, faixas de APPs medidas a partir do leito regular, apicuns e salgados não serem considerados áreas de preservação permanente (APPs), anistia para quem desmatou irregularmente, entre outros,  são exemplos de pontos polêmicos que irão ser reavaliados pela Presidente Dilma, pelo menos é o que se espera.

http://www.sbpcnet.org.br/site/codigoflorestal/aprovacao.php

 

Alguem concordaria em ter que reconstituir 20% da área que ocupam, casa ou apartamento, terrenos urbanos, contratar um topógrafo para mapear, georeferenciar e fazer uma averbação na sua escritura em cartório e então replantar com espécies nativas da sua região e zelar pela integridade dessa recomposição? Tudo por sua conta? Desocupar as áreas ribeirinhas, de declividade acentuada e os topos de morros ? 

O governo quer criar obrigações caras e dificultosas para os agricultores em benefício do bem  comum por conta deles agricultores. Isto deve ser uma obrigação do estado custeada por ele.

 

Para aqueles que fundamentam suas posições em Ongs:

Perguntas Frequentes, O Código Florestal e a Ciência, respondidas ...

 

www.sbpcnet.org.br/site/arquivos/perguntas_e_respostas.pdf

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Perguntas Frequentes, O Código Florestal e a Ciência, respondidas pela. SBPC e ABC. ➢ A SBPC e a ABC são contra a votação imediata do Código. Florestal?

Grupo de Trabalho da SBPC e ABC repudia aprovação do novo ...

 

www.sbpcnet.org.br/site/codigoflorestal/aprovacao.php

27/4/2012 - A expectativa do grupo de trabalho do Código Florestal, instituido pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e pela Academia ...


 

http://rogerpielkejr.blogspot.com.br/2010/07/deep-into-amazonian-mud.html http://www.sciencedaily.com/releases/2010/03/100311175039.htm http://www.telegraph.co.uk/comment/columnists/christopherbooker/7883372/Amazongate-At-last-we-reach-the-source.html


Telegraph.co.uk 

Amazongate: Finalmente chegamos à fonteAs tentativas do IPCC para esconder a verdade sobre suas alegações exageradas sobre o desmatamento da Amazônia ter terminado em derrota, diz Christopher Booker.Chegamos a fonte de AmazongateFogo na Amazônia, ao que parece, não era um "relatório" ou um artigo científico, mas, como o WWF reconhece agora, um texto publicado pelo IPAM ... em seu site em 1999  Christopher Booker

18:36 BST 10 de julho de 2010

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Na semana passada, após seis meses de evasões, ocultações, negações e retrações, uma história que tem preocupado esta coluna sobre e fora desde janeiro chegou a uma conclusão surpreendente.Acontece que uma das declarações mais amplamente divulgados no relatório de 2007 do Painel Intergovernamental da ONU sobre Mudança do Clima - uma afirmação em que dezenas de bilhões de dólares poderia pendurar - não foi baseada em peer-reviewed da ciência, como repetidamente afirmado, mas originado exclusivamente de propaganda anônimo publicado no site de um pequeno grupo de defesa ambiental brasileira.

As ramificações deste trecho descoberta em muitas direções. Primeiro, ele parece mostrar que o IPCC - cujos relatórios os governos contam para justificar a apresentação da humanidade com o maior projeto da história - tem sido em violação grave das suas próprias regras.

Em segundo lugar, levanta pontos de interrogação pesadas sobre a credibilidade do grupo do mundo pressão mais rica e poderosa ambiental, o WWF, creditado pelo IPCC como a fonte de sua afirmação não suportado.

E terceiro, focaliza a atenção mais uma vez em um esquema bizarro, apoiada pela ONU e promovido pelo Banco Mundial, através do qual o WWF foi na esperança de participar dos lucros estimados em US $ 60 bilhões, pagos por empresas em todo o mundo desenvolvido.

"Amazongate", recorda-se, foi um dos erupção de escândalos que abalaram a autoridade do IPCC inverno passado, quando foi revelado que muitas das declarações mais alarmistas em seu relatório de 2007 não se originou de peer-reviewed da ciência, mas de artigos escritos por grupos de pressão ambientais. Um que despertou controvérsia em particular era um aviso de que a mudança climática estava colocando em risco até 40 por cento da floresta amazônica. Capítulo 13 do Grupo de Trabalho do IPCC relatório do Grupo II em "impactos climáticos" especificamente afirmou que "até 40 por cento das florestas amazônicas poderiam reagir drasticamente até mesmo a uma ligeira redução na precipitação". Ela passou a dizer que isto causaria caos nos sistemas climáticos locais que a floresta pode, rapidamente, voltar a savana.

A única fonte citada para esta reivindicação foi a Revisão Global de Incêndios Florestais, um artigo escrito para a WWF e da União Internacional para Conservação da Natureza em 2000, o autor de que foi um ativista ambiental e jornalista freelance. Este, por sua vez apareceu para citar um artigo publicado em 1999 por uma equipe liderada pelo Dr. Daniel Nepstad, "cientista" com um outro grupo de defesa intimamente ligada ao WWF, o Centro de Pesquisa Woods Hole.No entanto, o papel Nepstad era principalmente preocupado não com a mudança climática, mas com o impacto da exploração madeireira e incêndios.

Quando isso criou uma tempestade em janeiro passado, o WWF rapidamente emitiu um "esclarecimento", afirmando que seu próprio papel "não diz que 40 por cento da floresta amazônica está em risco da mudança climática". Mas chegou a dizer que a verdadeira fonte da reclamação citada pelo IPCC foi um documento, Fogo na Amazônia, publicado pelo "respeitado Instituto de Pesquiza Ambiental da Amazônia (IPAM)". Chefiada por Nepstad, IPAM é um grupo de defesa brasileiro, também intimamente ligado com o Woods Hole Research Center.

O documento citado pela WWF, que descreveu mais tarde, após um inquérito interno, como um "relatório", revelou-se extremamente difíceis de rastrear. Desde então, tanto a WWF eo Dr. Nepstad citaram outros papéis no apoio do seu pedido - mas nenhum deles forneceu qualquer apoio para a reivindicação específica sobre o impacto das mudanças climáticas feitas pelo IPCC.

Só agora, depois que eu era capaz de enfrentá-los com a evidência de um arquivo internet, tem o WWF finalmente admitiu a origem precisa de afirmação muito citada do IPCC. Fogo na Amazônia, ao que parece, não era um "relatório" ou um artigo científico, mas, como o WWF reconhece agora, um "texto publicado pelo IPAM ... em seu site em 1999". Era apenas uma nota breve, anônima e não referenciado na exposição da floresta para os riscos de incêndio, publicado em Fevereiro de 1999 e levado para baixo, quatro anos depois. Aqui, finalmente, é a única fonte para a declaração mais tarde publicado pelo IPCC.

O original dizia: ". Provavelmente 30-40 por cento das florestas da Amazônia brasileira são sensíveis a pequenas reduções na quantidade de chuva" Isso foi até sensacionalistas na redação final do relatório do IPCC, a afirmar que "até 40 por cento das florestas amazônicas poderiam reagir drasticamente até mesmo a uma ligeira redução na precipitação ". "Amazônia Brasileira" - apenas cerca de metade da área de floresta tropical total - foi alterado para incluir toda a floresta. A palavra "sensível" foi alterado para "reagir drasticamente". E a nota IPAM original tinha feito nenhuma menção de mudança climática.

Para começar, isso parece justificar uma queixa formal à IPCC que estava agindo em violação das suas próprias regras. Anexo 2 do seu regulamento interno estabelece que o material não-revisados devem ser apenas citados quando foi submetido a apreciação crítica rigorosa e que "cada equipe capítulo deve rever a qualidade ea validade de cada fonte antes, incluindo os resultados da fonte em um relatório do IPCC ".

Na semana passada eu colocá-lo com o IPCC, que deve, pelo menos, reconhecer essa flagrante violação das suas regras e retirar a passagem, como fez no inverno passado, quando foi revelado que não tinha nenhuma base científica para afirmar que as geleiras do Himalaia podem desaparecer até 2035. Até agora não tive resposta.

Nem WWF nem Woods Hole vir bem dessa história. Na tentativa de justificar a sua parte na declaração do IPCC, eles citaram outros estudos que afirmam apoiá-lo - mas nenhum, até agora, foi honesto o suficiente para admitir que ela foi baseada em uma alegação infundada site.

Este episódio curioso pode também apontar para uma outra razão pela qual WWF e Woods Hole ter sido tão ativa nos últimos anos para promover a preocupação com o perigo do aquecimento global para a floresta amazônica. Como eu revelei aqui em 20 de março, eles têm sido intimamente ligado em apoio de um esquema conhecido como REDD (Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação das Florestas Tropicais). Seu objetivo é transformar o CO2 em árvores da floresta em "créditos de carbono", vendáveis no mercado mundial para permitir que as empresas a continuar a emissão de CO2. Apoiada por 80 milhões dólares do Banco Mundial, WWF, Woods Hole e do Ipam são parceiros de um consórcio, apoiado pelo governo brasileiro, para proteger e gerenciar uma vasta área de floresta na região do Tumucumaque, em troca de que eles teriam o direito para vender seus créditos de carbono.Em 2007 o Dr. Nepstad publicou uma fórmula que permitiria que o carbono contido na floresta inteira para ser avaliada em US $ 60 bilhões.

Embora o esquema de REDD foi aprovado, em princípio, a ONU de dezembro em Copenhague conferência, dois senões subsistem graves.Primeiro, ele tem ainda de ser aprovado em detalhe (embora eles ainda esperam conseguir isso em Cancun no final deste ano). Em segundo lugar, o Senado dos EUA ainda não aprovou a sua tampa e conta comercial, o que abriria um mercado lucrativo para todos os envolvidos no comércio de carbono, tais como aqueles com uma participação no REDD.

Finalmente, podemos lembrar, outro jornal publicou recentemente uma "correção" de destaque para o seu relatório anterior sobre Amazongate - aceitar que "a declaração do IPCC da Amazônia é apoiada por evidência científica revista por pares" e que este foi "com base em pesquisa do IPAM respeitado que dizia respeito ao impacto da mudança climática ". Uma vez que nenhuma destas declarações parece ser verdade, talvez possamos esperar uma retração da retração?

Igualmente infeliz pode ser todos os entusiastas do aquecimento global que tomaram esse recuo como uma licença para cantar descaradamente sobre aqueles de nós que, em janeiro passado, ajudou a expor Amazongate como uma grande falha do sistema IPCC. O IPCC, que em coro, tinha sido totalmente inocentado, os céticos da mudança climática foram totalmente derrotados. Hoje, temo eu, são eles que foram derrotados e nós, que foram justificados.

 

A carta a seguir - tão somente adaptada por Barbosa Melo - foi escrita por Luciano Pizzatto que é engenheiro florestal, especialista em direito sócio ambiental e empresário, diretor de Parque Nacionais e Reservas do IBDF-IBAMA 88-89, detentor do primeiro Prêmio Nacional de Ecologia.

 

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Prezado Luis, quanto tempo.

Eu sou o Zé, teu colega de ginásio noturno, que chegava atrasado, porque o transporte escolar do sítio sempre atrasava, lembra né? O Zé do sapato sujo? Tinha professor e colega que nunca entenderam que eu tinha de andar a pé mais de meia légua para pegar o caminhão por isso o sapato sujava.

Se não lembrou ainda eu te ajudo. Lembra do Zé Cochilo... hehehe, era eu. Quando eu descia do caminhão de volta pra casa, já era onze e meia da noite, e com a caminhada até em casa, quando eu ia dormi já era mais de meia-noite. De madrugada o pai precisava de ajuda pra tirar leite das vacas. Por isso eu só vivia com sono. Do Zé Cochilo você lembra, né Luis?

Pois é. Estou pensando em mudar para viver aí na cidade que nem vocês. Não que seja ruim o sítio, aqui é bom. Muito mato, passarinho, ar puro... Só que acho que estou estragando muito a tua vida e a de teus amigos aí da cidade. Tô vendo todo mundo falar que nós da agricultura familiar estamos destruindo o meio ambiente.

Veja só. O sítio de pai, que agora é meu (não te contei, ele morreu e tive que parar de estudar) fica só a uma hora de distância da cidade. Todos os matutos daqui já têm luz em casa, mas eu continuo sem ter porque não se pode fincar os postes por dentro de uma tal de APPA que criaram aqui na vizinhança.

Minha água é de um poço que meu avô cavou há muitos anos, uma maravilha, mas um homem do governo veio aqui e falou que tenho que fazer uma outorga da água e pagar uma taxa de uso, porque a água vai se acabar. Se ele falou deve ser verdade, né Luis?

Pra ajudar com as vacas de leite (o pai se foi, né?) contratei Juca, filho de um vizinho muito pobre aqui do lado. Carteira assinada, salário mínimo, tudo direitinho como o contador mandou. Ele morava aqui com nós num quarto dos fundos de casa. Comia com a gente, que nem da família. Mas vieram umas pessoas aqui, do sindicato e da Delegacia do Trabalho, elas falaram que se o Juca fosse tirar leite das vacas às 5 horas tinha que receber hora extra noturna, e que não podia trabalhar nem sábado nem domingo, mas as vacas daqui não sabem os dias da semana aí não param de fazer leite. Ô, bichos aí da cidade sabem se guiar pelo calendário?

Essas pessoas ainda foram ver o quarto de Juca, e disseram que o beliche tava 2 cm menor do que devia. Nossa! Eu não sei como encumpridar uma cama, só comprando outra né Luis? O candeeiro eles disseram que não podia acender no quarto, que tem que ser luz elétrica, que eu tenho que ter um gerador pra ter luz boa no quarto do Juca.

Disseram ainda que a comida que a gente fazia e comia juntos tinha que fazer parte do salário dele. Bom Luis, tive que pedir ao Juca pra voltar pra casa, desempregado, mas muito bem protegido pelos sindicatos, pelo fiscais e pelas leis. Mas eu acho que não deu muito certo. Semana passada me disseram que ele foi preso na cidade porque botou umas frutas no bolso no supermercado. Levaram ele pra delegacia, bateram nele e não apareceu nem sindicato nem fiscal do trabalho para acudi-lo.

Depois que o Juca saiu eu e Marina (lembra dela, né? casei) tiramos o leite às 5 e meia, aí eu levo o leite de carroça até a beira da estrada onde o carro da cooperativa pega todo dia, isso se não chover. Se chover, perco o leite e dou aos porcos, ou melhor, eu dava, hoje eu jogo fora.

Os porcos eu não tenho mais, pois veio outro homem e disse que a distância do chiqueiro para o riacho não podia ser só 20 metros. Disse que eu tinha que derrubar tudo e só fazer chiqueiro depois dos 30 metros de distância do rio, e ainda tinha que fazer umas coisas pra proteger o rio, um tal de digestor. Achei que ele tava certo e disse que ia fazer, mas só que eu sozinho ia demorar uns trinta dia pra fazer, mesmo assim ele ainda me multou, e pra poder pagar eu tive que vender os porcos as madeiras e as telhas do chiqueiro, fiquei só com as vacas. O promotor disse que desta vez, por esse crime, ele não ai mandar me prender, mas me obrigou a dar 6 cestas básicas pro orfanato da cidade.
Ô Luis, aí quando vocês sujam o rio também pagam multa grande?

Agora pela água do meu poço eu até posso pagar, mas tô preocupado com a água do rio. Aqui agora o rio todo deve ser como o rio da capital, todo protegido, com mata ciliar dos dois lados. As vacas agora não podem chegar no rio pra não sujar, nem fazer erosão. Tudo vai ficar limpinho como os rios ai da cidade. A pocilga já acabou, as vacas não podem chegar perto. Só que alguma coisa tá errada, quando vou na capital nem vejo mata ciliar, nem rio limpo. Só vejo água fedida e lixo boiando pra todo lado.

Mas não é o povo da cidade que suja o rio, né Luis? Quem será? Aqui no mato agora quem sujar tem multa grande, e dá até prisão. Cortar árvore então, Nossa Senhora!. Tinha uma árvore grande ao lado de casa que murchou e tava morrendo, então resolvi derrubá-la para aproveitar a madeira antes dela cair por cima da casa.

Fui no escritório daqui pedir autorização, como não tinha ninguém, fui no Ibama da capital, preenchi uns papéis e voltei para esperar o fiscal vim fazer um laudo, para ver se depois podia autorizar. Passaram 8 meses e ninguém apareceu pra fazer o tal laudo ai eu vi que o pau ia cair em cima da casa e derrubei. Pronto! No outro dia chegou o fiscal e me multou. Já recebi uma intimação do Promotor porque virei criminoso reincidente. Primeiro foi os porcos, e agora foi o pau. Acho que desta vez vou ficar preso.

Tô preocupado Luis, pois no rádio deu que a nova lei vai dá multa de 500 a 20 mil reais por hectare e por dia. Calculei que se eu for multado eu perco o sítio numa semana. Então é melhor vender, e ir morar onde todo mundo cuida da ecologia. Vou para a cidade, ai tem luz, carro, comida, rio limpo. Olha, não quero fazer nada errado, só falei dessas coisas porque tenho certeza que a lei é pra todos.

Eu vou morar aí com vocês, Luis. Mais fique tranqüilo, vou usar o dinheiro da venda do sítio primeiro pra comprar essa tal de geladeira. Aqui no sitio eu tenho que pegar tudo na roça. Primeiro a gente planta, cultiva, limpa e só depois colhe pra levar pra casa. Aí é bom que vocês e só abrir a geladeira que tem tudo. Nem dá trabalho, nem planta, nem cuida de galinha, nem porco, nem vaca é só abri a geladeira que a comida tá lá, prontinha, fresquinha, sem precisá de nós, os criminosos aqui da roça.

Até mais Luis.

Ah, desculpe Luis, não pude mandar a carta com papel reciclado pois não existe por aqui, mas me aguarde até eu vender o sítio.


 

(Todos os fatos e situações de multas e exigências são baseados em dados verdadeiros. A sátira não visa atenuar responsabilidades, mas alertar o quanto o tratamento ambiental é desigual e discricionário entre o meio rural e o meio urbano.)


 

O problema da floresta amazônica é o valor da madeira, com lei ou sem lei vai ter desmatamentos irregulares (já tem legislação para isto). A lei já tá aí, o problema é a impunidade. 

APPS (engodo) - é medida pela largura do rio, não tem parametro adequado, os rios não possuem medida de largura fixa, gerando muita confusão. Em relação a declividade (45°) é a mesma coisa, se vc olhar para um determinado morro, vai perceber que a declividade varia ponto a ponto.  E 90% da população não sabe o que é 45° de declive.

Quem já possui APPS e RL, o governo tem que promover incentivos financeiras para a preservação. Ex: isenção do ICMS, PIS, Cofins, ITR, redução de juros bancários, redução de tarifas de contratação de empregados, pagamentos por serviços ambientais, etc...

Quem não tem, deixa como está, e quem tem recebe por isto.  

Agora, não consigo enxergar, na prática, um produtor da região do Sul de Minas ter que aniquilar a lavoura de café centenária para recompor APP ou RL.

É a velha técnica do cobre a cabeça e descobre os pés. 

 

Nassif, e se essa moda pegar em SP?

A SABESP quebra, e da velha e superada CIA, construiríamos a nova empresa de saneamento para o povo paulista.

Precisamos de uma mobilização para as nossas águas semelhante a que acontece para as nossas florestas.

Se tivéssemos acesso às informações, conhecimento e organização política, uma sabesp dessas que temos aqui em SP não existiria.

Todo poder aos Pescadores do Rio Vermelho!

Pau na sabesp de lá, a sanear, que tal como a empresa daqui, permite (ou joga) esgoto nos rios!

Gustavo Cherubine.

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidiano/43606-pescadores-vao-pedir-indenizacao-por-poluicao-em-rio.shtml
São Paulo, sexta-feira, 18 de maio de 2012
ESGOTO
Pescadores vão pedir indenização por poluição em rio
DE RONDONÓPOLIS - A Polícia Civil confirmou ontem a mortandade de peixes no rio Vermelho, em Rondonópolis (MT).
A sujeira, lançada pelo Sanear (serviço municipal de saneamento), alcançou o rio São Lourenço, na entrada do Pantanal. Segundo a polícia,não há dúvida sobre os danos ambientais e socioeconômicos causados pelo esgoto.
A associação de pescadores da região entrou com uma ação na Justiça para pedir indenização do Sanear e informou o Ministério da Pesca sobre o desastre. Dois diretores do Sanear foram exonerados e o prefeito teve o mandato cassado. A Secretaria de Estado de Meio Ambiente faz análises no rio.

 

 

Gustavo Cherubine

A questão não é de área, mas de responsabilidade na produção conforme:

"Na safra de 2006/2007, a região Sul respondeu por volta de 57 mt, o Centro-Oeste 41,5 mt, o Sudeste 16,1 mt, o Nordeste 11,9 mt e o Norte 3,5 mt.

SAFRA 2006/ 2007 POR REGIÃO
MILHÕES DE TONELADAS

REGIÃO               PRODUÇÃO      %

SUL                           57,0          43,8

CENTRO-OESTE        41,5           31,9

SUDESTE                  16,1           12,4

NORDESTE                11,9            9,2

NORTE                        3,5             2,7

TOTAL                     130,0           100

Para dar uma idéia, na época, o Paraná representando apenas 3% do território nacional mas, com uma agricultura mais madura, produzia 25% de todos os grãos do país.

Com todo o país plantado com uma agricultura madura, as colheitas anuais deveriam ser superiores a....

"http://www.economiabr.com.br/Eco/Eco_exportacao_agro.htm


                    


 

Cuidado.  Porque o argumento sobre Limites de Produtividade vem de pensadores neoliberais. 

 

Qual atividade produtiva, comercial, industrial e serviços possue índices de produtividade?

A isenção de índices obrigatórios de produtividade mínima para todas as outras atividades que existem deve ser atribuida a qual linha de pensamento?

 

Caro Antônio Augusto.

Você já viu empresa ser fechada por causa da baixa produtividade...ela fecha por causa do prejuízo, que possui outros fatores relacionados.

Várias empresas brasileiras e estrangeiras dão férias coletivas aos funcionários.

Este pensamento é arcaico, ultrapassado. Na UE o governo paga para os agricultores reduzirem sua produtividade ou até parar a produção.

 

O Brasil é o país de maior área disponibilizada para a agricultura no mundo.

Já é o segundo maior produtor de alimentos do mundo, e estudos indicam que em breve se tornará o maior.

"De acordo com a ONU, o Brasil deveria o maior produtor de alimentos e energia renovável do mundo até 2012. Pode demorar um pouco mais, mas a ponta será inevitável.

Tanto é assim que, em 2008, passou a ser o terceiro maior exportador mundial. Em 2011, o Brasil já é o segundo maior fornecedor no mercado internacional de alimentos, mas, segundo as projeções, se aproximará cada vez mais dos Estados Unidos, que detém a liderança.
"

http://www.economiabr.com.br/Eco/Eco_exportacao_agro.htm