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A revolução cubana e seus mitos

Do blog Policult

Os dez mitos da Revolução Cubana

 
A revolução cubana foi um dos mais importantes acontecimentos no século XX, por ter despertado paixões, desilusões, ódios e enfim uma infinidade de sentimentos que somente quem acompanhou o processo revolucionário pode descrever. Na histografia oficial, a revolução cubana é apresentada como uma luta de jovens rebeldes guerrilheiros, liderados pelo advogado Fidel Castro contra a ditadura de Fulgencio Batista, aliado incondicional do governo do Estados Unidos que sustentava o Estado autoritário. Após anos de lutas, a guerrilha finalmente triunfou em janeiro de 1959 e dois anos depois, Cuba tornou-se o primeiro país latino-americano a se declarar socialista.


No entanto, a história oficial cubana é recheada de mitos sobre o processo que deu origem a revolução cubana, especialmente pelo fato de que a maior parte da histografia ter sido concentrada na guerrilha e nas suas lideranças Fidel Castro, Ernesto Che Guevara, Camilo Cienfuegos e entre outros. Raramente é abordado, outros sujeitos históricos, como o papel do movimento estudantil, o movimento operário como se eles não tivessem a mesma importância durante a revolução cubana.

Além de que, a revolução após ter sido concretizada tornou-se um mito na história da América Latina e um exemplo a ser seguido aos países latino-americanos na luta pela "libertação nacional" contra o domínio do imperialismo estadunidense. Muitos jovens latino-americanos nos anos 60 e 70 que viviam em países de regimes ditatoriais se inspiraram na guerra de guerrilhas cubano, sem saber totalmente o que se passou e o que se passava em Cuba durante aquela época.

Os antecedentes

Desde 1930, Cuba vivia intensas lutas de classes provocado pela crise econômica mundial que afetou a indústria açucareira e, que teve conseqüência a queda preço do açúcar. Geraldo Machado, o ditador naquela época, foi derrubado por uma greve geral, em 12 de agosto de 1933. Os protestos populares foram bastante violentos até a formação de um governo provisório com Carlos Manuel de Céspedes Quesada como presidente. No entanto, o governo provisório durou menos de um mês, Céspedes foi deposto pela mobilização dos estudantes universitários e um grupo de sargentos liderados por Fulgêncio Batista, que tomou o controle do exército.

Em meados dos anos 30, a situação em Cuba se normalizou, e Fulgêncio Batista adquiriu não apenas o comando do exército, mas também se elegeu presidente em 1940, com os votos diretos. Dois anos depois, entraram a fazer parte do governo forças políticas que antes eram inimigas, como os comunistas do PSP (Partido Socialista Popular), um deles, o stalinista Carlos Rafael Rodriguez, anos mais tarde, se tornaria o 3º homem da hierarquia cubana, logo após os irmãos Castro.

 

O ditador Fulgêncio Batista


Os anos 40 em Cuba ficaram marcados pela violência política e uma grande corrupção que afetaram a vida democrática em Cuba, especialmente no governo de Ramón Grau San Martín, aliado de Batista. A violência política se traduziu em uma guerra entre gangsters e segundo muitos historiadores, Fidel Castro estaria envolvido nessas atividades.

Carlos Prío Socarrás tornou-se presidente em 1948, com a missão de combater a corrupção e estabelecer a ordem social. O governo de Pría ficou marcado por estreitas relações com os Estados Unidos e de iniciar um tímido programa de reforma agrária para combater o "comunismo", mas não conseguiu cumprir as suas promessas e nem o seu mandato, pois foi deposto por um golpe militar realizado por Fulgêncio Batista em 10 de agosto de 1952. Iniciou-se aí a construção do mito de Fidel Castro Ruíz e outros mitos.

Primeiro mito:

A guerrilha como vanguarda na luta contra a ditadura de Batista


Não foi a guerrilha quem iniciou a guerra contra a ditadura Batista, e sim os protestos populares de diversos setores da sociedade cubana, em especial os estudantes.

Fidel Castro, dois anos antes de assaltar o quartel de Moncada em 26 de julho de 1953, era apenas um personagem inexpressível na vida política em Cuba, que estava vinculada a figura carismática de Eduardo Chibás do Partido Ortodoxo, conhecido por suas idéias nacionalistas e moralizantes.

O fracassado assalto do quartel Moncada 


O assalto ao quartel de Moncada não foi o estopim na luta contra Batista como muitos acreditam, foi muito mais uma ação isolada do que propriamente uma ação organizada. Tanto que a ação fracassou e foi facilmente reprimida de forma sangrenta pelo exército de Batista, e seu líder Fidel Castro, foi preso juntamente com seus companheiros da Ilha de Pinos. 

Fidel Castro foi salvo graças à interferência do arcebispo católico Monseñor Enrique Pérez Serantes, um dos bispos mais comprometidos com os problemas sociais em Cuba. Há uma versão de que o arcebispo de Havana, cumpriu ordens do Estado, em razão da esposa de Castro, ser filha de um político muito próximo a Batista.


Bispo de Havana salvou a pele de Fidel


Os protestos populares no ano seguinte foram tão intensos que Batista deu anistia aos revoltosos. Castro cumpriu apenas um ano e meio de prisão, em vez de quinze anos como foi imposto, e antes de partir para o exílio no México, tentou liderar um movimento estudantil na Universidade de Havana contra Batista, mas teve pouco sucesso. No México, Fidel se aliou com diversos grupos de oposição para elaborar estratégias para a derrubada do governo de Fulgêncio Batista. Enquanto em Cuba, na província de Oriente, Frank País um dos mais destacados membro do diretório M-26 de julho, liderou um ataque que incendiou o quartel policial de Santiago de Cuba. Um ataque bem planejado e que teve mais sucesso e repercussão do que o assalto ao quartel de Moncada. Embora tivesse fracassado na tentativa de conquistar a cidade, causando a morte de três membros do M-26, o diretório praticamente não perdeu armas.

 

Essa ação antecipou a chegada do Iate Granma que partiu do México no dia 24 de novembro de 1956 no rio Tuxpan com 82 expedicionários, nas quais apenas 12 sobreviveram. A expedição foi um desastre porque além de ter sido arriscada a viagem de muitas pessoas no iate, o movimento quase foi comprometido por esse ato. A ação foi facilmente desarticulada pelas forças repressoras, especialmente após o fracasso da tomada de Santiago de Cuba. No entanto, enquanto em Santiago de Cuba o número de baixas foi pequeno, no Iate Granma, a maioria dos seus integrantes morreu além de ter perdido armamentos.

 

Iate Granma, símbolo da revolução


Os doze foram salvos graças à organização do M-26 entre os camponeses e a guerra das milícias. A partir de então, começa a lenda e o mito da guerrilha, como a principal desencadeadora do processo revolucionário em Cuba e, em especial a figura de Fidel Castro. Desta forma, vários personagens que tiveram importância durante a revolução foram colocados em segundo plano e/ou desconsiderados, assim como as divergências entre os membros do diretório, especialmente em relação ao caudilhismo de Fidel Castro, as lutas operárias e camponesas e também de outras forças políticas. Desta forma, episódios importantes sobre o processo revolucionário como a entrada das mães de presos políticos em 1957, a greve geral de 9 de abril de 1958, o movimento estudantil e outros focos guerrilheiros, são colocados em segundo plano. Além disso, pouco é mencionado o fato de que o partido comunista cubano era aliado a Batista, e aderiu à revolução apenas em última hora que posteriormente ganharia força na contra-revolução stalinista de 1961, na qual Fidel pela primeira vez declarou em público que era “marxista-leninista”.

 

 

Segundo Mito

A negação de diversas concepções dentro do M-26 de julho


A histografia oficial aborda o M-26 como um movimento unido em torno da figura mística de Fidel Castro como se não houvesse diferenças entre as diversas lideranças como Frank País e René Latour. O M-26 é apresentado como um movimento homogêneo, mas ao contrário da versão oficial, era um movimento bastante heterogêneo, dentro do movimento existiam comunistas, anarquistas, socialistas anti-soviéticos e liberais radicais. O papel ideológico no M-16 era o que menos importava, pois todos tinham uma missão de combater a ditadura de Batista.

Frank País, um dos mais ativos revolucionários 


As diferenças ideológicas foram colocadas de lado durante a luta contra Batista, no entanto, o conflito adquiriu mais força a partir da divisão no movimento 26 de julho entre a Sierra (a Sierra Maestra) e os Llanos (a cidade). Enquanto na Sierra era organizada pelo Exército Rebelde, em que Fidel Castro era o líder, os Llanos eram formados por milícias organizadas como uma direção coletiva chamada Diretório Nacional do movimento 26 de julho.

O objetivo do diretório do M-26, representados por Carlos Franqui, Armando Hart, Faustino Perez, Mario Llerena, Enrique Oltusky era de diminuir os impulsos caudilhistas de Fidel Castro. Todavia, a intenção do diretório de tentar moldar Fidel Castro a se tornar uma liderança popular, e não um caudilho foi em vão. Castro assim como Che Guevara, não se importavam muito com o diretório nacional, e logo após a morte de Frank Pais, assassinado pela polícia política da ditadura, René Latour, conhecido com o codinome Daniel, assumiu o diretório nacional e teve sérios enfrentamentos especialmente com Fidel Castro.

Dois episódios foram fundamentais para o fracasso de Daniel e o fim da oposição do diretório do M-26: a assinatura do pacto de Miami, em setembro de 1957 e o fracasso da greve geral em abril de 1958. Foi o inicio do fim para uma geração de democratas que acreditaram na revolução humanística em Cuba. 


Terceiro Mito:


A anulação do papel dos trabalhadores urbano e rural e de outras forças políticas


 

A classe operária cubana era umas reivindicativas na América Latina a ponto de ter colocado umas da melhores legislações trabalhistas no mundo, independentemente da alternância entre ditadura e democracia. 

O sindicalismo em Cuba, assim como de muitos países latino-americanos, foi impulsionada por anarquistas que perderam a influência logo após a revolução bolchevique de 1917. No entanto, Cuba foi um dos países que mais desenvolveu não apenas o anarco-sindicalismo, mas também o movimento anarquista que influenciou muitos trabalhadores em greves-gerais.

O anarquismo em Cuba

Os comunistas stalinistas só começaram a ter força política, a partir do primeiro governo de Fulgêncio Batista, e nesse período, Batista com o apoio dos comunistas concedeu alguns benefícios aos sindicatos, com a intenção de amortecer os conflitos sociais. Embora não tivesse a hegemonia, os comunistas, assim como outras correntes políticas, desempenharam o papel de controlar o movimento operário. Dessa forma, boa parte dos sindicatos aliada aos comunistas apoiou o golpe de Batista em 1952. No entanto, o período ditatorial de Batista não foi forte o suficiente para impedir as mobilizações dos trabalhadores. Houve greves na indústria açucareira, a principal indústria do país e mobilizações dos trabalhadores rurais, que ao contrário dos trabalhadores urbanos, viviam em regime de escravidão, em função do baixo índice de sindicalização. 

Nos anos 50, as principais greves que tiveram importância na luta contra Batista foram: a greve dos trabalhadores bancários em 1955, organizada por José Maria de Oliveira, Reynol Gonzáles e Mariano Rodriguez; a greve geral de 1957, liderado por Frank Pais; e a greve geral de abril 1959, essa última deu inicio a consolidação do poder carismático de Fidel Castro. Todos elas não tiveram nenhum respaldo do PSP, o partido comunista cubano, pois eles eram aliados de Batista.


 

Além disso, deve ser destacado o papel dos anarquistas da Associação Libertária Cubana (ALC), que raramente é mencionada. A ALC participou na luta contra Batista, desde o primeiro governo e foi o primeiro grupo a alertar o perigo do autoritarismo de Fidel, três anos antes da consolidação da revolução.

 

Os camponeses foram fundamentais para o processo revolucionário, em razão de ser o setor mais desprotegido da sociedade cubana. Eram altamente explorados, especialmente no trabalho de cana-de-açúcar, e a maioria dos trabalhadores rurais não era sindicalizada. Todos os grupos políticos de oposição a Batista tinham como objetivo a reforma agrária para diminuir os conflitos sociais. 

Quarto mito:

Cuba era um país pobre e um bordel dos Estados Unidos


Cuba era a 5º nação do mundo de ingresso per capita na América Latina, o que existia era uma grande desonestidade administrativa, violência política entre diversos grupos e antes da revolução, a maior parte das empresas estava em mãos dos proprietários cubanos e não era um país que estava dominado pelos Estados Unidos.

Os Estados Unidos tinham atividades econômicas ilegais em Cuba que cresceram durante os anos 40 e principalmente nos anos 50, um período de grande crescimento econômico e industrial no país. Desta forma, criou a ilusão de que Cuba fosse o bordel dos ianques. De fato, existia grupos mafiosos aliados a Batista que tinham grande poder na ilha, mas o papel da máfia cubano-estadunidense era semelhante a Itália, ou seja, a sua influência era em decorrência da desmoralização das instituições.

 

Máfia cubano-estadunidense 

Ao contrário da lenda que retrata como típica república bananeira, Cuba tinha índices sócio-econômicos semelhantes aos países mais ricos da América Latina como Argentina, Chile, Uruguai, Costa Rica e não aos países mais pobres como Haiti, Bolívia, Paraguai. No entanto, havia grandes desigualdades entre a cidade e o campo, e uma forte repressão contra os trabalhadores. Durante os governos de Batista, tanto na era democrática quanto na era ditatorial, os comunistas participaram do poder político.

 

Quinto mito:

A libertação nacional

Gravura da revolução cubana


A tese de libertação nacional é um dos maiores mitos criados pela “esquerda” latino-americana, que se auto-intitula como marxista, progressista ou coisas do gênero. Para começar o mito do nacionalismo progressista teve origem com a expansão do capitalismo das nações desenvolvidas para os continentes asiático, africano e os países da América Latina. Essa expansão capitalista foi chamada de imperialismo.

Os primeiros autores que mencionaram a expressão imperialismo foram Rosa Luxemburgo e Wladimir Ilich Lênin. Para Luxemburgo, o imperialismo era a conseqüência da expansão do capital, no entanto, Lênin fez uma análise do imperialismo absolutamente questionável. 

 

Segundo Lênin, o imperialismo representava uma modificação do capitalismo em que ele denominou de “fase suprema do capitalismo”, em razão da fusão entre o capital industrial e o bancário, resultando no capitalismo financeiro. Desta forma, o capitalismo concorrencial se transformou em um capitalismo monopolístico que passou a controlar o processo de produção. 

 

Além disso, Lênin destacou que os países ricos imperialistas exploravam as populações dos países de economia atrasada, em que a classe operária dos países mais ricos se beneficiavam da exploração imperialista, através das reformas sociais e os salários mais altos, ou seja, por meio da transferência de renda, os salários mais altos do proletariado dos países avançados eram decorrentes do baixíssimo salário do proletariado dos países subdesenvolvidos.

 


Essa tese é completamente insensata em termos propriamente marxista, pois não se mede o nível de exploração em razão dos salários serem mais altos ou mais baixos, mas da referência à quantidade de mais-valor produzida em relação ao salário, ou seja, os trabalhadores dos países desenvolvidos são até mais explorados do que os países subdesenvolvidos, em razão da utilização mais massiva do uso da tecnologia nos locais de trabalho. 

 

A superexploração dos trabalhadores subdesenvolvidos e a transferência de riqueza não são usadas para o aumento de salários dos trabalhadores, mas como sabiamente afirmou Rosa Luxemburgo é a própria decorrência do capital. O capital não tem pátria.

 


Os argumentos de Lênin foram feitos para sustentar a revolução bolchevique de 1917, que se transformou a Rússia no primeiro país de capitalismo estatal do mundo, pois foi a primeira revolução antiimperialista do mundo. Inicialmente era uma revolução proletária em que surgiram os sovietes, os conselhos operários, organizações horizontais nascidas no processo da frágil revolução burguesa de fevereiro de 1917. No entanto, um golpe de estado praticado pelos burocratas do partido bolchevique, em que ficou conhecido como Revolução de Outubro, deu fim ao processo de uma autêntica revolução socialista que estava em desenvolvimento. O partido bolchevique utilizou os sovietes para a conquista do poder estatal.

W. Lênin, o ideologo do bolchevismo

O socialismo passou a ser confundido com estatismo e a luta de classes se transformou em luta entre países desenvolvidos contra países subdesenvolvidos. Essa deformação do marxismo, conhecida como “marxismo-leninismo” se ampliou em todas as partes do mundo, em razão do sucesso do partido bolchevique, que depois passou a ser chamado de partido comunista. O capitalismo de estado se expandiu graças às revoluções chinesa, cubana, vietnamita, entre outras e também a expansão do imperialismo soviético nos países do leste europeu após a segunda guerra mundial. 

A estratégia dos PCs (partidos comunistas) nos países subdesenvolvidos era de apoiar uma suposta “burguesia nacional” progressista na luta contra os imperialismos. Nos países latino-americanos, o enfoque era a luta contra o imperialismo dos Estados Unidos. Desta forma, os governos populistas como de Vargas, Perón e Cárdenas foram classificados por boa parte dos “marxistas” latino-americanos como um período progressista. Isto é, o nacionalismo ocupou o lugar do socialismo que passaram a se tornar sinônimo, ou melhor, dizendo o primeiro passo de “transição ao socialismo”.

Castro e Kruscev, as duas faces da burocracia


Durante os anos 60, essa estratégia anti-marxista foi por água a baixo, em decorrência das sucessivas ditaduras militares que se alastraram em quase todos os países latino-americanos. O imobilismo dos PCs ficou evidente e a juventude latino-americana inspirada na revolução cubana, tentou recriar a experiência cubana em formar diversos focos guerrilheiros para impulsionar a libertação nacional e consequentemente “implantar o socialismo”.
No entanto, logo após ter concretizada a “revolução”, Cuba tornou-se nada mais do que uma província satélite da União Soviética. O dominador não era o imperialismo ianque, mas o imperialismo soviético. Atualmente, são as redes hoteleiras estrangeiras que juntamente com o Estado controlam a economia. 

 


O mito do “nacionalismo libertador” é a ideologia das “esquerdas tradicionais” que contraria por completo a noção de socialismo.

Sexto mito:

A revolução 


Não houve a revolução em Cuba. O que realmente existiu foi uma luta contra a ditadura de Batista de diferentes grupos políticos que reuniam diversos segmentos da sociedade: liberais, católicos, socialistas, comunistas, anarquistas, que se rebelaran contra o regime ditatorial.

Para se ter uma ideia, Fidel assinou um pacto denominado Manifesto da Sierra Maestra, com diversas correntes políticas de realizar eleições livres, a partir da queda de Fulgêncio Batista. A resistência do ditador em não realizar uma abertura política para a transição democrática, fez com que essa luta adquirisse um caráter revolucionário.

Fidel e companheiros marcham em Havana


A oposição a Batista foi tão intensa que até mesma algumas frações da burguesia apoiaram a derrocada do regime, que contou com o apoio até mesmo dos Estados Unidos, que suspenderam a venda de armas para o estado cubano, em razão dos protestos de muitos cubanos exilados. As manifestações sociais como o protesto das mães de presos políticos, a greve geral de 1958, o surgimentos de diversas frentes guerrilheiras como em Villas comandadas por Guillermo Menoyo, na qual se uniu o movimento estudantil, além das instituições cívicas e profissionais, a Igreja católica se uniram no protesto geral que resultou na queda da ditadura de Fulgencio Batista, e até mesmo o partido comunista que estava aliado a Batista, passou para a oposição. O ditador tentou um trunfo de tentar realizar novas eleições, mas já era tarde. 

Os primeiros dias da revolução foram realizados diversos atos de apoio popular e uma festa generalizada que contagiou a nação. No entanto, a revolução não foi só festa. Durante o processo revolucionário três fatos merecem ser destacados para demonstrar de que houve mais uma contra-revolução do que uma revolução: 

 

1) repressão às oposições que surgiram dentro do processo revolucionário e que não estavam de acordo com a “infiltração comunista” no país, 

 

2) a violência indiscriminada contra qualquer cidadão que supostamente tivesse ligação ao regime de Batista, 

 

3) o fortalecimento dos membros do partido comunista que usufruíram da revolução.

 

Para o professor estadunidense Irving Louis Horowitz, especialista em militarismo cubano, a revolução cubana desde a sua origem é um regime militar, pois o caráter do sistema veio da guerra de guerrilhas. Os membros que lutaram nas guerrilhas não tinham uma formação classista, pois se trata de qualquer coisa menos de uma revolução proletária. 

 

O jornalista e escritor cubano Carlos Franqui vai além desta analise de Horowitz, destacando que a revolução cubana foi o militarismo do exército rebelde da Sierra Maestra que triunfou e não o movimento civil 26 de julho. Segundo Franqui, que tinha sido diretor do Jornal Revolución no inicio da revolução, relatou que os fuzilamentos em massas dos apoiadores e também dos supostos colaboradores de Batista, tiveram o apoio de mais de 90% da população.

Carlos Franqui à direita no meio está junto a Fidel Castro; À esquerda, a imagem de Franqui desapareceu sob ordens de Fidel


Dois episódios ilustram perfeitamente como o militarismo e a intolerância acompanharam o processo revolucionário como esses dois casos, a renúncia de Huber Matos e a morte misteriosa de Camilo Cienfuegos. Matos um dos mais importantes líderes revolucionários e comandante na cidade de Camaguey, escreveu uma carta privada a Fidel denunciando a infiltração comunista dentro da revolução. Confrontado com essa “oposição”, Castro viu nesse gesto um ato de traição, e ordenou sua prisão e ameaçou inclusive fuzilá-lo, mas teve a prudência de não criar um mártir dentro da oposição. Huber Matos ficou 20 anos na prisão até se exilar do país.

 

Huber Matos, importante personagem na revolução preso durante 20 anos


Camilo Cienfuegos, o mais popular entre os revolucionários, teve a missão de prender Huber Mattos, no entanto morreu em razões misteriosas em um acidente aéreo. As fontes mais confiáveis indicam que a morte de Cienfuegos, fora planejada pelos irmãos Castro desconfiados da sua popularidade e o seu espírito de iniciativa que poderiam levar no futuro um confronto na disputa pelo poder.

Camilo Cienfuegos, morto misteriosamente

Após ter completado o processo revolucionário, tanto o movimento estudantil e o movimento operário foram forçados a defender a nova classe dominante que se apresentava como “socialista”. Ambos perderam a sua autonomia e tornaram-se porta-vozes do regime político. O episódio mais destacado do movimento estudantil durante o processo revolucionário foi a disputa eleitoral entre Rolando Cubelas, apoiado pelos irmãos Castro, e Pedro Boitel. As eleições indicavam que Boitel venceria em razão de sua grande popularidade, mas a cúpula partidária por meio de diversas artimanhas, elegeu Cubelas. Após a eleição de Cuberas, nas universidades, os burocratas do regime cobravam “a purificação ideológica” dos professores, que resultou na evasão de 80% do quadro docentes em 1960 e também dos estudantes, que resultou no fim da autonomia universitária. 

 

Este fato contribuiu para que muitos estudantes e professores partissem para o exílio e para oposição clandestina, uma vez que boa parte do movimento estudantil, além de ser anti-batistiana era também anticomunista, pois muitos militavam na Agrupação Católica de Universidade. Pedro Boitel foi preso no mesmo ano e em 1972 acabou morrendo, em decorrência de uma greve de fome. Rolando Cubelas que tinha sido o vencedor nas eleições contra Boitel tornou-se mais tarde oposicionista e foi preso em 1966.

Pedro Boitel, assassinado pelo regime cubano


O movimento sindical cubano, que era um dos mais ativos do mundo, teve o mesmo destino que o movimento estudantil. Como de costume, Fidel Castro pregou a unidade através de uma candidatura única para se contrapor ao perigo “contra-revolucionário” nos sindicatos. A Confederação de Trabalhadores Cubanos (CTC) encontrou resistência nas suas bases, mas foram incapazes de contrapor ao unitarismo. Foi a partir de então, que houve uma luta entre os unitaristas e os antiunitaristas, esses últimos classificados de contra-revolucionário. 

David Salvador, dirigente operário do M-26 e integrante da direção do movimento e muito popular, teve a missão de tentar unificar o movimento sindical, mas acabou sendo afastado e em seguida preso em 1961. Este foi o destino de muitos sindicalistas que lutaram pela autonomia sindical, a prisão e/ou o exílio. 

 

Revolução, governo, povo passaram a ser uma coisa só. Nesse caso, o papel dos sindicatos não era representar os interesses do trabalhador diante do estado empregador, mas transmitir ao povo a necessidade de agir conforme os propósitos da “revolução”, ou seja, da cúpula partidária.

 

A mensagem de Fidel e dos burocratas eram bastante claras “Dentro da Revolução tudo; contra a Revolução nada”. Isto é, não poderia surgir nenhuma organização autônoma fora aos desígnios do Partido.

Sétimo mito:


A democracia social e as conquistas sociais em Cuba


 

Em relação aos países subdesenvolvidos, Cuba já apresentava um dos melhores índices socioeconômicos na América Latina. Em 1958, antes da revolução, Cuba ocupava a 22° posição de 122 países analisados, em matéria sanitária. A taxa de mortalidade já era uma das baixas do continente e a alfabetização, especialmente nos centros urbanos chegava em 80%, semelhante aos países mais ricos do continente como Chile e a Costa Rica.

As estatísticas em si não mostram totalmente a realidade cubana antes da revolução, pois havia grandes diferenças entre o campo e a cidade e, as pesquisas da época não apresentavam as múltiplas complexidades que existem nos dias de hoje, mas indicavam que a situação social de Cuba se aproximava mais dos países mediterrâneos ao dos co-irmãos latino-americanos. As conquistas sociais não são “milagres do castrismo”.

 

Durante as décadas de 40 e 50, Cuba apresentou um grande crescimento econômico, assim como todos os demais países latino-americanos, que se beneficiaram com o desenvolvimento industrial do pós-guerra. A proximidade com os Estados Unidos e a degeneração política permitiu o crescimento de atividades ilegais na ilha que cada vez mais ganhava espaços.

Educação, um dos triunfos da burocracia partidária

A histografia tradicional transfere todos os méritos das conquistas sociais à revolução. De fato, a saúde e a educação foram ampliados, especialmente nas áreas rurais onde estavam concentrados os maiores problemas sociais do país. O programa de reforma agrária estava presente em todos os grupos oposicionistas que lutavam contra Batista, mas apenas os guerrilheiros aparecem como os responsáveis diretos pelos sucessos da revolução.

A argumentação que Cuba é uma “democracia social” em razão dos bons índices sociais e os serviços gratuitos, independentemente da ditadura de partido único não se sustenta. O suposto “igualitarismo” da revolução não se traduz de fato na realidade, pois em Cuba, assim como outros países que adotaram o planejamento centralizado no século XX, existe uma nítida separação de classes onde a burocracia que é a burguesia estatal usufrui de privilégios que não estão a serviço da população. 

Oitavo mito:

A maioria do exilados é composta por contra-revolucionários


 

Essa é a maior propaganda do regime castrista para se manter no poder. Como será possível que mais de 1,5 milhão de pessoas exiladas no exterior em um país de apenas 11 milhões possam ser consideradas contra-revolucionárias? Los “gusanos” (os vermes), os exilados cubanos como são considerados pelo castrismo, se constituem em sua maioria por trabalhadores urbanos e rurais que foram traídos pela “revolução”.

A primeira fase da revolução em 1959, a maior parte dos exilados foi composta pelas classes dominantes, no entanto, a partir da contra-revolução leninista, em 1961, e a consolidação do capitalismo estatal, a onda emigratória passou a ser composta majoritariamente por camponeses, operários, artistas, intelectuais, ou seja, o povo que apoiou e acabou se desiludindo com a “revolução”.

A existência da máfia cubano-estadunidense perto da ilha, em Miami, como a Alpha 66, e outros grupos criminosos que perderam o controle do comércio e suas propriedades em Cuba e, que pressionam o congresso americano para legalizar o embargo, é composta na realidade apenas por uma minoria dos ricos exilados, e que não tem nada a ver com a maioria da população exilada.

Os balseros desiludidos com a "revolução"


Os Estados Unidos têm realizado ataques a Cuba, não por principio “humanístico ou democrático”, mas por ter sido desafiado por um caudilho que se aproveitou dessa situação para solidificar o seu poder. Os grupos "contra-revolucionários" aproveitam muitas vezes do desencanto e do ódio dos recém exilados para realizar ataques à ilha que são atraídos para esses grupos, mas apenas é uma minoria. A maior parte dos grupos de oposição é composta por várias agremiações políticas que reúnem liberais, social-democratas, socialistas humanísticos e até mesmo os anarquistas, que já tiveram muita influência na classe trabalhadora. 

A fragmentação dessas oposições é a principal razão para o sucesso e a popularidade de Fidel Castro. A tentativa desses grupos de restabelecer a democracia representativa multipartidária em Cuba é interpretada pela maior parte da população cubana na ilha como um mecanismo de instaurar o capitalismo privado, em razão de que boa parte dessas oposições serem compostas por grupos conservadores e liberais. Esse é o principal triunfo de Fidel, juntamente com o estúpido e criminoso embargo estadunidense.

 

A grande maioria dos exilados é composta por pessoas comuns, e o exílio dos cubanos geralmente não aparece na histografia moderna. Basta mencionar o exílio de escritores que inicialmente apoiaram a revolução como Carlos Franqui, Guillermo Cabrera Infante, Virgilio Piñera, Reinaldo Arenas, Roberto Valero, Heberto Padilla e entre tantos outros intelectuais, artistas que foram forçados a se exilar. 

 


Os exilados cubanos são retratados como pessoas de caráter anti-social que não se adaptaram ao “modo de vida socialista” e possuem fascínio pelo capitalismo. Esta é a mais tragicômica conclusão que extraiem certos setores intelectuais que apóiam o castrismo. 

 

É necessário sempre destacar que a primeira onda migratória foi da burguesia local e dos apoiadores de Fulgencio Batista ocorrido nos primeiros anos da revolução. A segunda onda migratória foi dos desiludidos com o processo revolucionário, que provinham dos setores médios que apoiaram a revolução, mas que se afastaram dela totalmente. E por fim, as migrações dos setores populares que aumentaram consideravelmente a partir dos anos 80 e 90, o episódio mais destacado é o êxodo do Porto de Mariel em 1980.

Os marielitos fogem de Cuba


O êxodo de Mariel foi o episódio mais claro da demonstração da insatisfação popular contra o regime ditatorial. O movimento iniciou no dia 5 de abril de 1980, quando dez mil cubanos invadiram a embaixada do Peru, pedindo asilo diplomático com a intenção de sair do país. Diante deste fato, o governo cubano teve que atender o apelo popular e, abriu o Porto de Mariel para todos os cidadãos dispostos a abandonar o país. Entre 15 de abril e 31 de outubro de 1980, saíram de Cuba em torno de 125.000 pessoas, e a maioria delas se refugiaram na Flórida. 

O episódio de Mariel e tantos outros episódios comprovam a falácia “contra-revolucionária” pregada pelos dirigentes cubanos ao retratar os exilados como “gusanos”. A violência contra os marielitos foi tão intensa que até mesmo, uma das mais destacadas figuras da revolução, a dirigente cultural Haydée Santamaría, que participou do assalto do quartel Moncada, se suicidou, após assistir a fuga em massa dos compatriotas que não aguentavam mais a revolução.


Haydée Santamaría, histórica dirigente cubana, se suicidou após o êxodo de Mariel em 1980



Nono mito:

O embargo estadunidense como causador dos males de Cuba


O estúpido embargo praticado pelos Estados Unidos é a principal bandeira que Fidel e os burocratas do PCC utilizam para justificar a situação de pobreza da população cubana. Os dirigentes cubanos responsabilizam os Estados Unidos por ter prejudicado em bilhões de dólares a economia cubana. Boa parte que se autoproclamam de “esquerda” e que até não concordam com o autoritarismo do “comandante” caiu neste conto do vigário.


Os Estados Unidos, os eternos inimigos


A origem do embargo estadunidense ocorreu em razão do processo de nacionalização de empresas e propriedade estadunidenses, que em muitos casos tinham participação de capital cubano, durante o período revolucionário entre 1959 até 1961. Além disso, Fidel Castro com o auxílio do seu irmão Raul, que pertencia ao partido comunista local, e deu sustentação a ditadura de Batista, iniciaram uma aproximação com a União Soviética para dar apoio militar e logístico à revolução. O PSP, partido comunista cubano, deu apoio à revolução somente quando ela já estava concretizada, e ganhou espaços no aparelho do estado, em detrimento aos diversos grupos revolucionários, que em boa parte eram anti-soviéticos. 

Propaganda contra o embargo estadunidense a Cuba

A aproximação com a União Soviética e a falta de indenização das empresas estadunidenses motivaram o império a realizar o estúpido embargo contra Cuba. Indubitavelmente o embargo praticado pelos Estados Unidos é condenável e criminoso e que prejudicou a economia cubana; os ianques proibiram a qualquer empresa estrangeira que esteja associada ao Tio Sam de realizar negócios na ilha e, também realizou diversos atentados contra Fidel e a ilha. Isso existiu de fato, mas há o outro lado da moeda que os dirigentes cubanos e nem a “esquerda” latino-americana menciona.

Durante 30 anos, a União Soviética investiu em média por ano, 6 bilhões de dólares na ilha, e a maior parte da receita foi usada para fins militares, ao ponto de Cuba ter se transformado o terceiro exército do continente americano, atrás dos Estados Unidos e Brasil. Isso com uma população de apenas 10 milhões de habitantes. A justificativa como sempre era a defesa contra o imperialismo norte-americano.

O militarismo em Cuba é tão acentuado que 1 em cada 27 habitantes pertencem aos quadros militares do partido, que estão subdimensionadas nos comitês de defesa revolução, uma espécie de big brother local, ou seja, órgãos de espionagem sobre a população para combater qualquer prática oposicionista, ou como eles dizem “contra-revolucionária”.


 

Para se ter uma ideia, Cuba recebeu apenas de subsídios da União Soviética, um valor cinco vezes maior do que o Plano Marshall, o plano econômico que recuperou as economias européias destruídas pela segunda guerra mundial. Além disso, a burocracia cubana, destinou parte do subsídio em aventuras bélicas na África (Angola, Moçambique, Etiópia), na América Latina (as guerrilhas), na Ásia, e que resultou na maioria dos casos em fracasso.

O CDR, orgão de espionagem do regime cubano


 

A ideia simplista de que o imperialismo estadunidense é o responsável pela situação em Cuba, além de ser falsa, demonstra o total desproposito de setores que ainda apóiam o capitalismo de estado e a ditadura de partido único do caudilho Fidel Castro. Cuba tem relações comerciais com todos os países, a exceção dos Estados Unidos, e o embargo é amplamente contornado pelo comércio com todos esses países. Muitos produtos que chegam dos Estados Unidos a Cuba provêm de países terceiros que mantêm relações comerciais com o império e, atualmente os estadunidenses são os maiores fornecedores de alimento para a ilha. Outro fato que merece ser destacado é que Cuba pertence aos quadros da OMC (Organização Mundial do Comércio) e pode manter relações comerciais com qualquer país. 

O embargo dos Estados Unidos já foi rejeitado pela maioria dos países. Das 192 nações, 184 votaram contra o embargo. 

 
 

O regime cubano responsabiliza diretamente o embargo, para esconder as mazelas do capitalismo estatal, ou como diria Marx, o capitalismo comunal que não tem força para ser competitivo com as economias de capitalismo privado. A centralização da economia por meio do estado, a destruição de pequenas propriedades e a inibição da iniciativa individual, isso sem contar com os desastrosos planos econômicos, baseados no voluntarismo e nos trabalhos forçados são os principais responsáveis pela situação do país.

O embargo dos Estados Unidos contra Cuba, em vez de enfraquecer o poder de Fidel, fez apenas aumentar. Não é à toa que o caudilho por mais autoritário que seja, é amado como uma liderança carismática por boa parte da população da ilha. Caso o embargo não existisse, poucas pessoas apoiariam Cuba e Castro.


Décimo mito:

O socialismo

 

O mito dos mitos é a propaganda de que em Cuba existe ou existiu socialismo. Socialismo não existe e nunca existiu em lugar nenhum no mundo na sociedade moderna. O que existiu nos países ditos “socialistas reais” foi nada mais que um capitalismo de estado, em que a burocracia partidária dos partidos comunistas, de inspiração bolchevique, se converteu em uma burguesia de estado, mudando apenas a forma de capitalismo. Para os incautos estatistas nada melhor do que essa avaliação de Friederich Engels:

 

“Não se pense porém que as forças produtivas percam sua função de capital ao se transformarem em sociedades anônimas ou em propriedade do Estado. No que se refere às primeiras não é preciso que prove essa alternativa. Por seu lado, o Estado moderno é uma organização que a sociedade burguesa se associa para defender o regime capitalista contra os ataques quer dos trabalhadores, quer dos capitais isolados.

 

O Estado moderno, qualquer que seja sua forma, é uma máquina essencialmente capitalista, é o capitalista coletivo real. E quanto mais forças produtivas coloque sob sua tutela mais se transformará em capitalista coletivo ideal em capitalista coletivo real.”

 

(Engels F. Anti-during) 

 
 

Por meio desta análise Engels mostra que é impossível a utilização do Estado para alcançar o socialismo, pois como já dizia Marx, todo Estado é um aparelho de dominação de classe, independentemente do nome que lhe é dado burguês, liberal, socialista, operário ou coisas deste tipo.

Cuba apresenta todas as características de uma sociedade capitalista estatal, em que a burocracia tornou-se burguesia de estado.


 

1) Os meios de produção pertencem a uma classe minoritária dominada pela burocracia do partido comunista.

 


2) Os trabalhadores estão separados dos meios de produção, ou seja, existe trabalho assalariado, portanto há a produção de mais-valia, ou seja, o trabalhador produz excedente que é apropriada pela burocracia estatal que investe em indústria pesada e na indústria bélica e um forte aparelho de propaganda para enquadrar o trabalhador.

 


3) A propriedade jurídica é coletiva (estado), mas a propriedade real é privada. No capitalismo individual predomina a propriedade privada individual, no capitalismo de estado predomina uma propriedade de uma classe que a gera coletivamente através do estado por meio da burocracia.

 


4) A existência de um controle estatal sobre as forças produtivas dirigida por uma burocracia é uma relação de classe, portanto uma relação de dominação. “o estado é aparelho da classe dominante”.


5) A estatização não elimina a lei do valor, lei que determina a sociedade capitalista. Enquanto no capitalismo privado, a lei do valor se aplica no mercado, no capitalismo de estado, a lei do valor se aplica no jogo de planos. Não é à toa que o capitalismo privado se denomina como economia de mercado, o capitalismo de estado é chamado de economia planificada.
 

6) As relações de produção e consequentemente as relações sociais em Cuba são as mesmas do que qualquer país capitalista privado.

 

7) A repressão e a “propaganda ideológica revolucionária” são elementos mais eficientes para reproduzir essa dominação. As prisões, os hospitais psiquiátricos e os trabalhos forçados são comuns. A superestimação do “inimigo externo” como é o caso do imperialismo é outro ingrediente nesse tipo de regime para justificar e legitimar a sua dominação.

 

8) Há um sistema monetário idêntico ao capitalismo privado, portanto existe inflação. Todos os produtos, mesmo os de bens de produção são transacionados em mercado, no entanto este é controlado pelo estado que restringe a livre iniciativa, destruindo qualquer possibilidade de associação de livres produtores como é a essência do socialismo. Em razão do controle estatal na economia, desenvolveu-se ao longo dos anos “o mercado negro” em razão do planejamento centralizado.

 
 

9) Neste regime reina a mais feroz ditadura do capital por meio do estado em sua expressão mais decadente que é camuflado pelos programas sociais como a reforma agrária e urbana, a promoção da educação, da saúde, do investimento em esporte e erradicação da miséria. Todos estes programas são típicos da sociedade burguesa. A erradicação da miséria, no entanto significa a socialização da pobreza, ou seja, um nivelamento social muito baixo. Os sindicatos são controlados pelo estado.

 

10) A ideia de que a burocracia (a vanguarda) enraízada no poder irá deixá-lo por livre e espontânea vontade dos seus dirigentes após ter cumprido a sua “fase educadora” após a luta contra o imperialismo é simplesmente inimaginável. Somente quem acredita em Papai Noel pode acreditar em tamanho absurdo.

Marx contra o capitalismo de estado em Cuba


Marx por ele mesmo


Para finalizar é importante consultar o filosofo alemão Karl Marx, em desmistificar este tipo de sociedade que ele nunca defendeu, e esclarecer que antes mesmo do surgimento do capitalismo estatal (comunal), Marx havia esboçado uma crítica no livro Manuscritos Econômicos e Filosóficos ao que ele classificou de “comunismo grosseiro”. Eis os trechos

O comunismo é a expressão positiva da eliminação da propriedade privada e, antes de tudo a propriedade privada universal. [...] O comunismo é: 1) na sua primeira configuração apenas a generalização e o comprimento da referida relação; como tal manifesta-se numa dupla configuração: o domínio material surge-lhe tão amplo que ele procura destruir tudo o que mostra incapaz de ser possuído por todos como propriedade privada; desejar eliminar o talento etc., pela força. A posse física imediata, aparece-lhe como única finalidade da vida e existência. O papel do trabalhador não é eliminado, mas estende-se a todos os homens; [...] semelhante comunismo – a medida que nega todas as instâncias a personalidade do homem – constitui apenas a expressão lógica da propriedade privada que esta é negativa. [...] O comunismo grosseiro é apenas o ponto culminante da inveja e do nivelamento com base no mínimo pré-concebido. Que a eliminação da propriedade privada só em pequena medida representa uma legítima apropriação, prova-se pela negação abstrata de todo o mundo do cultivo e da civilização, pelo retorno à antinatural [IV] simplicidade do individuo pobre e carente, que não só ultrapassou, mas nem sequer atingiu ainda a propriedade privada.


 

A comunidade é apenas a comunidade do trabalho e da igualdade do salário, que o capital comunal, a comunidade como capitalista universal recompensa. Os dois aspectos da relação se erguem a uma suposta universalidade; o trabalho como a condição em que cada um se encontra situado e o capital como a universidade e o poder reconhecidos da comunidade.

 

[Marx, Karl. Manuscritos Econômicos-Filosóficos. Ed. Martin Claret, ppg 135-136]

 
 

Através desses trechos, é possível mostrar que Marx, embora em seu tempo não pudesse prever o surgimento capitalismo de estado e a burocracia como classe social, colocou esboços do que seria o pseudo-comunismo; o comunismo grosseiro, que não passa de uma comunidade do trabalho e da igualdade do trabalho em que o capital universal (o estado) recompensa e o papel do trabalhador não é eliminado, e que está de acordo com as teorias da burocracia.

Em Cuba, assim como qualquer sociedade capitalista, há a exaltação do trabalho alienado e, nesse caso, os trabalhadores escravizados pelo estado-patrão são praticamente obrigados a defender a “pátria socialista” e cumprir as metas que a burocracia lhes impõe. Um bom exemplo disso, foi o episódio das 10 milhões de toneladas de safra de cana-de-açúcar, nos fins dos anos 60, meta em que a burocracia estatal tentou impor aos trabalhadores, para dar um passo a industrialização e tirar a economia do caos. O resultado foi um fracasso generalizado que arruinou a economia cubana. A ideologia voluntarista encarnada na figura Ernesto Che Guevara, defensora do “homem novo” guiado apenas pela “consciência revolucionária” foi uma das tantas ideologias produzidas pela burocracia partidária cubana para esconder a dominação sobre os trabalhadores. O próprio Che é um personagem transformado em mito, chegando ao absurdo de gerar um fanatismo e uma adesão acrítica de seus seguidores que se consideram “de esquerda” que mal conhece a revolução cubana.


Che Guevara, personagem que se transformou em mito


No inicio da revolução, Cuba era vista pelo mundo como farol de esperança da humanidade, em especial na América Latina, na luta contra o imperialismo estadunidense. O que se passou em Cuba durante os últimos cinqüenta anos foi a instauração de um regime ditatorial, igualmente aos que tiveram nos países do Leste Europeu subordinada à União Soviética e, um enorme vazio para os cubanos que tentaram realizar uma revolução humanística, mas que no fim colheu um fruto amargo que é difícil de engolir. 

Referências Bibliográficas:

 

Livros e artigo

 

DOLGOFF, Sam. A revolução cubana. Madrid, Campo abierto, 1978

 

FRANQUI, Carlos. Retrato de Família com Fidel. São Paulo, Record, 1981

 

HILB, Claudia. Silêncio Cuba. São Paulo. Paz e Terra, 2010

 

MARX, Karl. Manuscritos Econômicos-Filosóficos. São Paulo, Martin Claret, 2001

 

MOTTA, Fernando C. Prestes. O que é burocracia?. São Paulo, Brasiliense, 1985

 

TEIXEIRA, Rafael S. O mito da autoridade infalível. Espaço acadêmico, 2009

 

TRAGTENBERG, Maurício. Reflexões sobre o socialismo. São Paulo, Moderna, 1986

 


Documentários

 


JIMENEZ, Leal Orlando. La otra Cuba. Madrid, RAI, 1985. (Excelente)

 

LÓPEZ Y GUERRA, Humberto. Cuba del humanismo al Comunismo. USA, 1989.

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+35 comentários

Apenas um comentarista (o Cardoso) se deteve em criticar o texto, os demais preferiram atacar o autor do post (o Aliança Liberal).


O artigo traz informações muito interessantes sobre as divisões no interior do M-26, sobre o movimento anarquista em Cuba, sobre a questão do Capitalismo de Estado, sobre o nível de desenvolvimento de Cuba pré-revolução, etc e etc.


Obviamente, todas estas informações e visões podem ser criticadas ou contestadas, mas a maior parte dos comentaristas preferiu a saída fácil: é um texto "contra-revolucionário", contra Cuba revolucioário, e por isto não merece ser lido.


Façam-me o favor, tenham um mínimo de honestidade intelectual.

 

Eu ficaria comovido, cortaria meus cabelos e me cobriria de saco e cinzas se, em primeiro lugar, não houvesse o abismo óbvio entre intenção e gesto.  Se as fontes apresentadas pelo autor fossem fossem isentas e como você gosta, íntelectualmente honestas, também me envergonharia. Na verdade, se fossem honestas eu já ficaria triste. E for fim, se eu desconhece o histórico dos motivos e das intenções deste perfil chamado Aliança Liberal eu também me sentiria seguro em ignorar a autoria e comoverriame com seu emocionante apelo. Como nenhuma das três condções foram minimamente satisfeitas, reafirmo o que disse: mítico texto! 

 

Leider Lincoln

Faça o que eu falo, mas não o que faço...

O meu comentário atacou as obviedades do texto, a sua desnecessidade por apresentar fatos que são tangíveis a todos os fatos e eventos da História, mas que nem sempre são apresentados da forma mais detalhada possível, até porque:

01- Nem toda instância se dedica e exige rigor acadêmico;

02- A luta política em Cuba, dada suas especificidades, apresenta uma demanda própria de criar a derrubar seus mitos, como qualquer outro país.

03- O texto não se dedica a acrescentar mais fatos ao que se conhece, mas usá-los para retirar o peso histórico daquilo que já é reconhecido e legitimado historicamente, embora todos os dados apresentador sejam periféricos e redundantes...Ou seja, não há fato novo que revise o que se conhece.

Então, não é verdade que só um comentarista atacou o texto, e não apenas o AL. Eu, a meu modo e minha escolha, ataco o texto, e quando for o caso(neste caso) ataco também o boboca do texto...Isto chama-se luta política.

E pelo horário de seu comentário, o meu já estava no ar, mas eu não acredito em sua desonestidade...deve ser "visão seletiva"...eu entendo.

 

O destino é um acaso com mania de grandeza, por Fred 04

Obviedade é dizer que a luta política de cada país cria processos e demandas específicas de cada país.


De fato, é óbvio também, que a história se faz construindo mitos. Mas o pensamento crítico, o historiográfico sobretudo, procura desconstruir estes mitos, revelando novos fatos ou dando novas interpretações para aqueles que já são conhecidos.


Mas parece que você tem receio de que a crítica histórica "tire a legitimidade" da revolução.


De fato, a crítica histórica ao desconstruir mitos fornece elementos para se questionar tal "legitimidade", que não é um dado absoluto, imutável. O poder procura legitimar-se (por meio de políticas sociais, por meio da força, por meio da ideologia, etc), a crítica, o saber, se faz questionando tudo, para o bem ou para o mal.


Mas vejamos algumas questões sugeridas pelo post (faltou mencionar o autor do texto) que merecem aprofundamento:


- As dissidências no seio da revolução. Uma história da revolução cubana deve necessariamente historicizar tais divergências, de 1959 até os dias de hoje.


- O papel do Partido Comunista como intermediário entre Fidel e os soviéticos.


- O nível de desenvolvimento econômico e social de Cuba no período anterior á Revolução.


- O real peso da ajuda fincanceira soviética.


- A questão crucial do chamado Capitalismo de Estado. O socialismo real, construído no século XX, foi na verdade um processo de Estatização. Socialismo virou sinônimo de propriedade e controle estatais, socialismo virou sinônimo de Estado. Há que se ler Lukacs, Mandel, Metzaros, dentre outros.


- E outras mais, como esta relevantíssima (e para mim, nova) informação sobre a força do anarquismo em Cuba.


Enfim, vc de modo algum discutiu8 com texto, apenas o desqualificou.


 


PS> quanto a atacar o autor do post - filho de Lyndo Jonhson, boboca, lacaio, etc - não creio que vc deva se orgulhar disto, não é bonito ofender ninguém, muito menos quem, como o Aliança Liberal é, pelo que tenho visto, sempre educado, civilizado.

 

Muito bom seu artigo, parceiro AL. Aproveito para comunicar que os dolares já foram depositados em sua c/c. Titio Sam agradeçe seu empenho.

 

O tal de "liberal" dos  conservadores  do blog ( não vou dizer reaças para não mitificar nada) é o mais


"fraquinho" fica estranho contra-argumentar.Não é despotencialização clássica não, pelo contrário, mas


com "cabeções" fica mais divertido, ainda mais se forem do Millenium ,que quando perdidos nas réplicas  ou tréplicas  "babam" de ódio no teclado.

 

Que sono. Acho que deve ser o fim do Horário de Verão.

 

 

Olá pessoal,

Meu TG conclusivo do curso de História este ano, será sobre as distorções que a mídia brasileira faz a respeito de Cuba.  Por exemplo: Se perguntarmos para a maioria dos brasileiros, que são massificados por nossa grande mídia, o que elas sabem sobre "Cuba" (e eu já fiz isto), ficamos boquiabertos dos dados que ouvimos. Até sobre coisas óbvias, como "a educação em Cuba", dizem que lá o analfabetismo é muito alto.

Não sou daqueles que amam tanto o regime socialista implantado em Cuba,  que chegam a negar as mazelas que por lá se instalaram, mas, não aceito notícias fabricadas apenas para desconstruir as políticas públicas que lá foram implantadas. 

Primeiro o autor diz que o embargo “prejudicou a economia cubana”:

 

 “Indubitavelmente o embargo praticado pelos Estados Unidos é condenável e criminoso e que prejudicou a economia cubana; os ianques proibiram a qualquer empresa estrangeira que esteja associada ao Tio Sam de realizar negócios na ilha...”

 

Depois, o autor do texto fala que:

 

“A ideia simplista de que o imperialismo estadunidense é o responsável pela situação em Cuba, além de ser falsa, demonstra o total desproposito de setores que ainda apoiam o capitalismo de estado e a ditadura de partido único do caudilho Fidel Castro.”

 

Garimpando na web, encontrei isto nas “páginas” da Globo:

 

“Após o fim da União Soviética, em 1991, os EUA se preocuparam em afirmar e ampliar o embargo com o objetivo de forçar uma transição para o livre-mercado e a democracia na ilha de Fidel. Para isso, em outubro de 1992, o Congresso aprovou a Lei Torricelli, que ampliava o embargo e permitia ao presidente americano punir países que prestassem assistência a Cuba.

 

Mais tarde, em 1996, outra lei de reforço foi aprovada, a Helms-Burton, que tornou possível processar empresas nacionais e estrangeiras que tivessem relações comerciais com Cuba – algo que contraria as regras do direito internacional. “

Fonte:http://g1.globo.com/Sites/Especiais/Noticias/0,,MUL1085726-16107,00-BRIGA+ENTRE+EUA+E+CUBA+JA+DURA+ANOS.html

 

Em seu último relatório sobre o impacto do embargo, Havana assinalou que o bloqueio dos Estados Unidos é o "principal obstáculo para o desenvolvimento" da ilha. Segundo o governo de Raúl Castro, o embargo causa prejuízos de US$ 975 bilhões a Cuba desde que foi imposto, em 1962.

 

Fonte: http://revistaepoca.globo.com/Mundo/noticia/2011/10/pela-20-vez-onu-pede-suspensao-do-embargo-dos-eua-sobre-cuba.html

 

Tudo bem, vai que o tal “relatório cubano” para a ONU superestimou o valor e quem sabe o prejuízo foi apenas a metade de 975 bilhões de dólares. Mesmo assim... é muito dinheiro para uma pequena nação. Aliás... para qualquer nação.

 

A autor ainda afirma que:

 

“Cuba tem relações comerciais com todos os países, a exceção dos Estados Unidos, e o embargo é amplamente contornado pelo comércio com todos esses países.”

Mas... será que as nações ou as empresas estrangeiras – que não vendem alimentos -  assim, qualquer uma, será que se arriscam a fazer “bons negócios”  com Cuba, mesmo elas sabendo das “penalidades” norte-americanas as quais estão sujeitas?  Compensa mesmo arriscar perder negócios com os EUA e ganhar o mercado cubano?

 

Lendo tantas opiniões discordantes entre si, fui aos meus alfarrábios.

 

“Uma das primeiras medidas sociais empreendidas  pelo governo revolucionário foi a erradicação do analfabetismo.  Ao longo de 1961, declarado ano da educação,  mais de 700.000 cubanos aprenderam a ler e a escrever (nota minha: Cuba tinha 8,5 milhões e habitantes).  Nos anos seguintes, o analfabetismo foi erradicado e aumentou incessantemente o número de estudantes universitários, que chegou a ser três vezes superior aos do tempo de Fulgencio Batista. A assistência médica tornou-se completamente gratuita, o que fez reduzir-se significativamente  o índice de mortalidade no país.  O Ministério da Saúde, passou a obrigar os médicos a trabalharem pelo menos dois anos nas zonas rurais depois da formatura. Antes da revolução, a terra cubana pertencia a empresas latifundiárias nacionais e estrangeiras. A reforma agraria extinguiu o latifúndio e instalou cooperativas e estabelecimentos agropecuários estatais. Por sua vez, a lei de reforma urbana tornou possível a muitas famílias possuírem casa própria pagando ao Estado baixas mensalidades durante o período de cinco a vinte anos. Corrupção, jogo e prostituição, comuns antes da revolução,  foram objetos de uma forte campanha de erradicação , acompanhadas de severas medidas policiais, que procuraram impedir, entre outras coisas, o desenvolvimento de um mercado negro, para comerciar com muitos dos bens que escassearam sob as severas medidas de política econômicas adotadas.  Grandes investimentos públicos eliminaram  o alto índice de desemprego e verificou-se o equilíbrio entre o dinheiro em circulação e os bens disponíveis, pelo que foram racionados muitos dos bens de consumo.”

 

Fonte: Barsa, 1998, Vol.5, verbete: Cuba.

 

 

Desde criança eu tenho uma mania que sempre me causou um grande dissabor: se começo a assistir um filme, ou ler um livro, vou até o fim, mesmo que já no início fique claro que se trata de um lixo. Cansei de ficar sozinho na sala de cinema, pois todos os demais haviam se aborrecido e desistido da projeção.

Felizmente, com o passar do tempo e a chegada da idade avançada, das vistas que já requerem óculos para enxergar as legendas ou as letrinhas, vai dando um certo cansaço, e acabo dormindo sentado com um livro nas mãos, ou com a TV ligada.

Agradeço à natureza por haver me concedido esse privilégio. Não fosse assim, eu estaria até agora lendo essa trapizonga, em vez de ter parado no momento em que afirma que Fidel era um personagem inexpressível, e que o assalto ao quartel Moncada foi algo irrelevante para a revolução cubana.

Vou voltar ao meu scotch e ao Albinone, que são infinitamente melhores do que ler essas lorotas.

 

Sanzio, se não me engano, você já mencionou por aqui mesmo, no blog, que leu um livro INTEIRO do AA. Donde só posso concluir que você envelheceu muito rapidamente...

"Vou voltar ao meu scotch e ao Albinone"

Antes tarde do que nunca: Tim tim! Saboreie com moderação (ou não).

 

 

Pô, Vânia, isso não é coisa que se espalhe. Mas é verdade, confesso. Só que isso não é vantagem nenhuma. Primeiro, porque o livreco tem só umas 50 páginas. Segundo, isso foi numa época em que eu sentia prazer em bater no fascistinha, e ele sentia prazer em apanhar. Hoje eu perdi o tesão. Embora ele continue gostando de apanhar, hoje já tem mais de dez para dar conta do recado.

 

Caro Nassif

Ai, ai, por favor, meus sais.

Saudações

 

O A.L. contando a historia da revolução cubana é o mesmo que o lobo mau contar a estória de chapeuzinho vermelho...

 

alexandre toledo

chapeuzinho vermelho

Era uma vez uma jovem chamada Chapéuzinho Vermelho que vivia à beira de uma floresta com grande biodiversidade mas cheia de espécies em perigo de extinção. Ela vivia com sua provedora de sustento, antigamente conhecida como “mãe”, embora o uso desse termo não implique que ela seria menos que uma cidadã se tal relacionamento biológico não existisse.

Nem tampouco há intenção de denegrir o igual valor das famílias não-tradicionais, embora nos desculpemos adiantadamente se porventura causarmos essa impressão.

Um dia sua provedora de sustento pediu à Chapéuzinho que levasse uma cesta de alimentos orgânicos livres de produtos animais e água mineral à sua vovózinha.

“Mas mãe, se eu fizer isso não estarei tirando o sustento dos trabalhadores sindicalizados que têm lutado há anos pelo direito de carregar todas as encomendas entre os habitantes da floresta?”

A provedora de Chapéuzinho garantiu a ela que havia preenchido o “Formulário de Missões Compassivas Especiais” e obtido a autorização do presidente do sindicato.

“- Mas mãe, você não está me oprimindo ao me mandar fazer isso?”

A provedora de Chapéuzinho explicou que era impossível uma mulher oprimir a outra, já que todas as mulheres serão igualmente oprimidas até que todas sejam livres da dominação masculina.

“Mas mãe, então por que não manda meu irmão carregar a cesta, já que ele é um opressor, e devia aprender como é ser oprimido?”

A provedora explicou que seu irmão estava participando de uma passeata pelos direitos dos animais, e que, ademais, aquilo não era tarefa estereotipadamente feminina, mas um ato de inclusão que promoveria o sentido de comunidade.

“Mas eu não estarei então oprimindo a vovózinha ao implicar que ela está doente e portanto incapaz de autogestão independente?”

A provedora de Chapéuzinho explicou que sua vovó não estava doente ou incapacitada, embora isso não implique que essas condições sejam inferiores ao que é conhecido como “saudável”.

Assim, Chapéuzinho partiu segura de que a idéia de entregar a cesta à sua vó era certa e que ela não fazia parte do capitalismo opressor excludente.

Muitas pessoas acreditam que a floresta é um lugar perigoso, mas Chapéuzinho sabia que isso era um medo irracional baseado no preconceito da sociedade patriarcal que considera o mundo natural como recurso a ser explorado, e portanto os predadores naturais seriam uma competição intolerável.

Já outras pessoas evitavam a floresta por medo dos assaltos, mas Chapéuzinho sabia que em uma sociedade verdadeiramente liberta das classes sociais, todas as pessoas marginalizadas poderiam ser aceitas e seu estilo de vida ser considerado como válido.

No meio do caminho para a casa da vovózinha, Chapéuzinho viu um lenhador e saiu da estrada para examinar algumas flores quando foi surpreendida pelo Lobo tido como  Mau pelas elites, que perguntou-lhe o que havia na cesta.

A professora de Chapéuzinho havia lhe advertido que não falasse com estranhos, mas Chapéuzinho tinha consciência social e havia decidido assumir controle de sua sexualidade, então ela respondeu ao Lobo que estava levando guloseimas para sua avó.

O Lobo respondeu “Minha querida, é perigoso para uma menina andar sozinha nessa floresta.”

Chapéuzinho disse:

-”Eu considero seu comentário sexista extremamente ofensivo, mas eu ignorarei devido ao seu status tradicional de excluído da sociedade que lhe causou estresse ao ponto de desenvolver uma visão de mundo alternativa e completamente válida. Agora, dê-me licença que eu vou seguir o meu caminho” e voltou à estrada em direção à casa da vovózinha.

Obedecendo ao arcaico pensamento ocidental decadente, o Lobo tomou um atalho que ele conhecia para chegar à casa da vovózinha antes de Chapéuzinho. Ele afirmou sua natureza de predador ao invadir a casa e engolir a vovózinha.

Então, livre das inibições causadas pelas noções tradicionais de gênero devido à sua militância entre os GLBT, ele vestiu a roupa da vovózinha e deitou na cama se escondendo debaixo das cobertas.

Chapéuzinho chegou e ofereceu à vovózinha: “Vovózinha, eu trouxe algumas guloseimas livres de crueldade animal para saudá-la no seu papel de sábia matriarca.”

O Lobo pediu “Chegue mais perto, minha criança, para que eu possa vê-la melhor.”

Chapéuzinho disse “Minh@ Deus@ do Céu! Vovó, que grandes olhos você tem. E que enorme e fino nariz você tem.”

O Lobo respondeu “Eu poderia ter feito uma cirurgia plástica mas eu não cedi às opressão estética da elite branca, minha filha.”

“E vovó, que dentes grandes e afiados você tem!”

O Lobo, que não aguentou mais aqueles insultos de especiesimo, e numa reação completamente justificada pela sua exclusão social, pulou da cama, agarrou a Chapéuzinho e abriu tanto sua bocarra que ela pode ver sua vovózinha espremida no estômago do Lobo.

“Peraí! Você está esquecendo algo!” disse Chapéuzinho bravamente.

“Você tem que pedir permissão antes de avançar para um nível mais profundo de intimidade!”

O Lobo, surpreso com aquela demanda, hesitou. No mesmo momento, o lenhador invade a casa com um machado na mão gritando “Renda-se!”

“E o que você pensa que está fazendo?” disse Chapéuzinho ao lenhador. “Se eu deixá-lo me ajudar, vou expressar falta de confiança em minhas habilidades, o que vai me levar à baixa estima.”

“Sua última chance, cidadã! Liberte essa espécie em perigo de extinção! Isso é uma operação do IBAMA!” gritou o lenhador. Quando a Chapéuzinho recuou surpresa, o lenhador reagiu cortando sua cabeça com uma machadada.

“Ainda bem que você chegou à tempo,” disse o Lobo. “Aquela opressora homofóbica e sua vó me atraíram para cá. Eu pensei que ia ser sacrificado pelo preconceito de espécie.”

“Não. Eu sou a verdadeira vítima aqui.” disse o lenhador. “Eu tenho tentado lidar com a minha infância na miséria e isso só fez aumentar meu trauma.” Então o Lobo se casou com o Lenhador na igreja com as bênçãos da CNBB e foram felizes para sempre.

Copiado do livro “Politically Correct Bedtime Stories: Modern Tales for for Our Life Times” do James Finn Garner.

http://homemculto.com/tag/chapeuzinho-vermelho/

 

"Sou reacionário. Minha reação é contra tudo que não presta." Nelson Rodrigues.

E como seria esta estória no adorável mundo capitalista e liberal, e nem sempre politicamente correto?

Não seria:

A mãe morrera no parto, destroçada em algum parto sem pré-natal em alguam pocilga destinada aos pobres, eufemisticamente chamados de Hospitais públicos, ou na linguagem técnica, "Facilidades gerenciais de saúde coletiva de baixo custo para austeridade fiscal".

Chapeuzinho seria uma menina-quenga traficada para algum país-paraíso tropical de turismo sexual, também conhcecidos como "centro corporativos de mitigação de danos e sequelas provenientes da ação de alta performance de CEO".

Lobo: Não estaria na floresta, porque não haveria floresta, totalmente devastada pelo "desenvolvimento sustentável, dentro dos planos quinquenais de agroexportação de commodities". Foi recrutado como headhunter de uma transnacional.

Vovozinha: morreu quando não pode mais comprar remédios, porque a política nacional de contenção e otimização de recursos previdenciários e contingenciamento orçamentários para solidificação das variáveis macro, considerou que a velhinha de veria viver com 1/3 do que vivia antes.

Lenhaddor: Profissão extinta pelo mercado...Não se adaptou e nem conseguiu níveis de empregabilidade compatíveis com o mercado.

Virou agenciador de meninas-quengas, como chapuzinho. Ou na linguagem técnica: Arranjo produtivo pessoal intermediário de ferramentas de entretenimento para a cadeia turística e outros serviços.

 

Ah, e o AL...?

Ele continua na função de emissor de conceitos favoráveis a estruturação dos processos de concentração global privada de lucros e na diluição social de prejuízos, ou em termos chulos:

Lambe-botas do capitalismo ladrão de Wall Street.

 

O destino é um acaso com mania de grandeza, por Fred 04

kkkkkk... .Genial!!

 

A letra e intenção foram reconhecidamente "contras". Mas a melodia é muito bonita. Com Luís Aguille.

Nunca podré morirme mi corazón no lo tengo aquí
Allí me está esperando me está aguardando 
que vuelva allí
Cuando salí de Cuba dejé mi vida dejé mi amor
Cuando salí de Cuba dejé enterrado mi corazón

Late y sigue latiendo porque mi tierra vida le da
pero llegará el día en que mi mano lo encontrará
Cuando salí de Cuba dejé mi vida dejé mi amor
Cuando salí de Cuba dejé enterrado mi corazón

Una triste tormenta te está azotando sin descansar
pero el sol de tus hijos pronto la calma 
te hará alcanzar
Cuando salí de Cuba dejé mi vida dejé mi amor
Cuando salí de Cuba dejé enterrado mi corazón

 

Se você pode sonhar, você pode fazer. Walt Disney

A mítica revolução cubana só tem uma coisa de mítica: o fato de ter enfrentado e resistido, com coragem e destemor, as investidas norte-americanas contra o processo revolucionário cubano.

Os EUA nunca estiveram dispostos (muito menos em tempos de Guerra Fria contra a antiga URSS e o bloco socialista) a aceitar a independência econômica e diplomática de nenhuma Nação sob sua órbita. Com a pequena ilha caribenha não seria diferente. E foi essa arrogância norte-americana, muito ao gosto da Doutrina Monroe e do "big stick", que empurrou  Cuba para os braços dos soviéticos.

Os norte-americanos até hoje não engolem o fato de que essa pequena ilha tenha ousado se rebelar contra as ordens do grande império do Ocidente que eles acham que são. E isso está muito claro nessas cinco décadas de bloqueio econômico que os EUA fazem questão de impor a Cuba.

Independente dos descaminhos autoritários dos irmãos Castro não dá pra negar o fato de que Cuba desenvolveu políticas nas áreas de Saúde e Educação que são modelo para o mundo (universalizando o atendimento público de Saúde e erradicando o analfabetismo). Outra verdade inqustionável  nessa quedade braço ideológica e pela "liberdade" é que de democracia e respeito aos direitos humanos os norte-americanos também entendem muito pouco, pois mantem justamente em Cuba um grande simbolo de violência e desrespeito a esses direitos: o Base Militar de Guantánamo, onde supostos inimigos de Estado dos EUA são barbaramente torturados e se encontram encarcerados ao arrepio das leis internacionais.

 

Os mitos forjados em torno da revolução cubana nada mais são do que produtos da industria cultural que como sabemos não quer formar conhecimento e sim alienar.

"A intenção da indústria cultural não é promover um conhecimento, porque conhecer levanta questionamentos, rompe paradigmas e necessita de novas respostas. Esse sistema incorpora nos participantes uma nova necessidade: a “necessidade do consumo”, geradora de mercadorias próprias para a venda e vinda do capitalismo e desta forma é possível representar e incentivar o produto ao invés do conhecimento."Wiki -industria cultural.




 

"Sou reacionário. Minha reação é contra tudo que não presta." Nelson Rodrigues.

Muito bem feito o texto, porém:

Porque os EUA mantém o embargo econômico?

Porque os EUA financiaram e promoveram as ditaduras latinas?

Porque o Haiti existe?

Muito argumento pra tolo. O ódio esta em cada palavra deste texto, porém é muito bem arquitetado.

Sociologia Californiana. 

 

Porque os EUA mantém o embargo econômico?decisão soberana de um país que alega ter prejuizos devido a nacionalização de empresas.

Porque os EUA financiaram e promoveram as ditaduras latinas?No contexto politica da guerra fria conter o avanço do comunismo no mundo.

Porque o Haiti existe?creio que a fricção da placa sulamericana contra a placa do caribe formaram as ilhas do caribe.

Muito argumento pra tolo. O ódio esta em cada palavra deste texto, porém é muito bem arquitetado.

Sociologia Californiana. 

 

"Sou reacionário. Minha reação é contra tudo que não presta." Nelson Rodrigues.

Não sei bem porquê, mas cada vez que aparece um texto com mais de 10 linhas da AL, eu desisto na quinta linha.

Creio que a concatenação de idéias do pessoal desse instituto não leva em conta a lógica que o comum dos mortais usa: uma linguagem direta, correta e clara.

Precisaram de páginas e páginas para apresentar o que já é de domínio público há décadas. E tudo isso aproveitando a deixa pela presença dessa moçoila que adora viajar pelo mundo, sabe-se lá às custas de quem, só para falar mal do seu país...

É dose!!!

 

 

O texto é de um esquerdista.

 

"Sou reacionário. Minha reação é contra tudo que não presta." Nelson Rodrigues.

E voces precisam usar um texto de um "esquerdista" atrapalhado para expor as idéias de voces?

Quanta incompetência!!!

 

Os netos do Lindon Johnson aqui do blog descobriram a pólvora, (re)inventaram a roda e colocaram o ovo em pé...

Qual é o movimento político da natureza de uma revolução carregada de simbolismos, dramas e tentativas de sufocamento, invasões, sabotagens de todo tipo, um bloqueio de 5 décadas, e uma ferrenha disputa no campo ideológico, que chegou ao limite da crise dos mísseis, que não vai erigir seus mitos?

Ninguém duvida nem questiona que uma parte das versões publicadas e contadas pela tradição oral da esquerda, e de militantes revolucionários em Cuba estarão recheadas de hiperbolização do papel dos Castro e de Che. Do romantismo revolucionário, da propagação da cultura socialista.

Será a propaganda política um dom capitalista por natureza, um monopólio?

Churchill disse mesmo todas as frases célebres? Patton, de fato, esbofeteou o recruta? Hitler tinha sangue judeu?

Estes supostos dez mitos têm tanta relevância quanto responder a estas perguntas...

Se Cuba é tecnicamente socialista? Santo deus, isto importa? Importa que ela é percebida como tal, e se percebe como tal, e que dentro desta percepção construiu um legado de erros graves, mas de acertos importantes, que nenhuma país capitalista, por mais poderoso que seja conseguiu: educar seu povo, tratar seu povo(e pessoas de outros povos) em níveis de excelência que os faz exportar médicos.

Se havia outras manifestações políticas disputando e ampliando o espectro das forças que contestavam o regime ditatorial de Batista?

Mas isto é lógico, só há revoluções com condições históricas para tanto..."revoluções" estuprando a história e sem povo só no Brasil, Chile, Argentina, Paraguai, Bolívia e recentemente, Honduras e Paraguai, de novo...Venezuela, quase...

Se Fidel, Raul e Che capitalizaram as ações e olhares? Claro, mas isto não foi uma escolha só deles...Foi antes uma escolha de seus algozes, do seu povo e da realidade...

Será qual o motivo de não haver mitos revolucionários do nosso 64? Alguém discute ou lembra Médici, Costa e Silva, Castelo, Golbery?

Você usaria uma camiseta com a cara de Armando Falcão?

Cabo Anselmo?

Bournier do Para-Sar, que queria mandar o gasômetro do Rio de Janeiro pelos ares, para imitar Hilter e o incêndio do Reischtag?

O texto trazido pelo AL, como uma "grande novidade" é uma revisão histórica necessária em alguns pontos, e irrelevante e canhestra em outros, mas não mudará nada a visão que as pessoas têm sobre CUba, revoluções, direita e esquerda.

Uma grande e enorme baboseira, e pouco importa quem escreveu, se de "esquerda" ou de direita...masturbação histórica, e só...

 

O destino é um acaso com mania de grandeza, por Fred 04

O texto postado pelo AL é muito bom na verdade, e não merece esse tipo de desqualificação, que a meu ver está muito fraca, por uma série de motivos:

- o fato de os vencedores (sejam de esquerda, sejam de direita) tentarem erigir mitos ao redor de suas revoluções significa que não podemos questioná-los ? O recente filme Lincoln, feito pelo Spielberg (mais "chapa-branca", impossível), mostra, entre outras coisas, que o presidente subornou congressistas para conseguir aprovar a escravidão. Um filme que contasse história similar sobre os "mitos" da revolução de 1959 poderia ser rodado e exibido em Cuba ?

- não importa se Cuba é tecnicamente socialista ou não. O que importa é que o sistema possui uma elite ligada à burocracia do partido e a imensa maioria da população vivendo em condições de igualdade, porém tendo que lidar com uma série de ineficiências (racionamentos, mercado negro ...). Esse é o preço que tem que ser pago pelo "estado de bem-estar social" à moda cubana ?

- os países nórdicos, a Suíça, o Japão, a Alemanha e a França (em menor escala) ... todos esses países são essencialmente capitalistas (com maior ou menor intervenção estatal) e conseguiram erradicar a miséria e prover educação e saúde de qualidade a seus habitantes. De onde você tirou que só Cuba conseguiu alcançar esse objetivo?

- quem disse que a revolução de 1964 não teve apoio popular ? O que foi a marcha dos 100 mil ? Ou a classe média não é "povo" ? A verdade é que, analisando friamente, a maior parte da população brasileira provavelmente não tinha opinião formada quanto à revolução. Se o governo do Jango tivesse mais apoio popular, a revolução simplesmente não teria acontecido. Por outro lado, exatamente graças à redemocratização do país que foi possível exorcizar o período da ditadura e não há ninguém usando camisetas do Médici - apesar que convenhamos que ia ser difícil achar uma foto em que ele estivesse tão fotogênico como a do Guevara :-p. Ninguém sabe se, após a queda do governo atual de Cuba (e isso é uma questão de tempo), não ocorrerá uma revisão histórica como a que houve quando o Kruschev substituiu o Stalin.

- eu vejo uma certa dissonância cognitiva quando os comentaristas (aparentemente de esquerda) dizem que o problema de Cuba é o embargo dos EUA. Quer dizer que eles sonham com o dia em que Havana tenha um McDonald's em cada esquina e turistas americanos enchendo os hotéis? Quem sabe Havana não se torna um destino para a "spring break" dos adolescentes dos EUA, já que o México está perigoso demais ... é esse o sonho do pessoal que tanto idolatra a "revolução socialista" ? Para quem acha que Cuba vai ser diferente e não vai "sucumbir ao imperialismo econômico-cultural" americano, sugiro uma visita ao leste europeu ...

O fato é que a "glamourização" da revolução cubana é um fato que precisa ser combatido, mas parece que essa narrativa de Davi (Cuba) x Golias (EUA) é irresistível demais para não ser adotada, muitas vezes sem ressalvas, pela esquerda latinoamericana.

 

Bom, vamos por partes, como diria Jack, o estripador:

No meu comentário, se você consegue ler e interpretar o que lê, está bem claro: Não questiono o texto por suas implicações históricas, pois sou um burro, mas não sou doido. Aprendi que para derrubar as fontes e citações, devo fazer o mesmo. 

Não me interessa fazê-lo, e não porque não ache o tema relevante, mas porque o texto não trouxe nada que mereça minha atenção para subsidiar minha posição política neste embate aqui no blog.

O que eu disse, a coloco em caixa alta para você conseguir ler(deve ser miopia "seletiva") é: NÃO HÁ NADA MAIS QUE OBVIEDADES NO TEXTO, QUE NÃO MUDARÃO A FORMA COMO CUBA É PERCEBIDA, NEM PELA ESQUERDA, NEM PELA DIREITA, E MUITO MENOS POR SI MESMA!

Agora vamos os seu comentário. Vamos a autópsia, antes que comece a feder:

O texto postado pelo AL é muito bom na verdade, e não merece esse tipo de desqualificação, que a meu ver está muito fraca, por uma série de motivos:

Resposta: Gosto e c..., cada um com o seu. Agora, quem decide o quê ou não desqualificar quando escrevo sou eu. Se gosta do texto do AL, ótimo, não o desqualifique...mas não me impeça de fazer o que eu acho certo, ok?

Até porque, se eu não fizesse, não haveria debate...Se bem que para ler o que você escreveu, da próxima eu penso duas vezes antes de escrever...

- o fato de os vencedores (sejam de esquerda, sejam de direita) tentarem erigir mitos ao redor de suas revoluções significa que não podemos questioná-los ? O recente filme Lincoln, feito pelo Spielberg (mais "chapa-branca", impossível), mostra, entre outras coisas, que o presidente subornou congressistas para conseguir aprovar a escravidão. Um filme que contasse história similar sobre os "mitos" da revolução de 1959 poderia ser rodado e exibido em Cuba ?

Resposta: Bom, não falo por hipóteses. Produza, filme e edite um filme com este conetúdo e tente exibí-lo lá.

Esta seria uma resposta cretina para uma argumentação cretina como a sua!

Então, em respeito aos leitores(e não a você) vou melhorar: Você tem notícia que os fatos sobre Lincoln foram divulgados dentro de seu contexto histórico, ou seja, em 1865 como o US president era visto?

Havia este tipo de informação disponível? Pois é, creio que não. E olha que falamos da "maior" democracia ocidental, nos estertores de seu nascimento, à fórceps, com os mitos fundadores bem frescos.

Ou seja: valeu o mito. Agora, com tempo e afastamento histórico, vem a verdade, ou parte dela.

É assim que funciona, fiote...e em Cuba, boa parte dos personagens principais ainda estão aí...

Um presidente brasileiro, pai-porcina(foi sem nunca ter sido), teve seu mito e "seu filho" preservados durante anos...e você vem me falar de mitos em um contexto permanentemente conflituoso como Cuba, acuada e encurralada pela maior máquina de guerra e propaganda do planeta?

Você quer que lá, com este contexto e conjuntura, as coisas funcionem melhor que aqui, ou nos EEUU, onde arrotamos "liberdade"?

- não importa se Cuba é tecnicamente socialista ou não. O que importa é que o sistema possui uma elite ligada à burocracia do partido e a imensa maioria da população vivendo em condições de igualdade, porém tendo que lidar com uma série de ineficiências (racionamentos, mercado negro ...). Esse é o preço que tem que ser pago pelo "estado de bem-estar social" à moda cubana ?

Resposta: pergunte aos cubanos...isto não é problema meu...Se os cubanos estiverem insatisfeitos com seu regime, lutem e façam como em 1959..."cojones" para tanto já mostraram que têm...Mas eu sou capaz de apostar que Cuba está melhor, incluindo seu suposto colapso econômico, que todos os países vizinhos e similares...eu nem vou citar o Haiti, que é covardia...

É um grave problema lidar com racionamentos e mercado negro...tanto quanto deve ser lidar com a opulência acessível a apenas alguns...É só ir na Zona Sul de SP, ou no interior do Congo para ver as maravilhas do capitalismo...Pode ir também em Barcelona, com suas lixeiras lacradas para evitar os homens-vira-latas(que fuçam o lixo em busca de comida).

- os países nórdicos, a Suíça, o Japão, a Alemanha e a França (em menor escala) ... todos esses países são essencialmente capitalistas (com maior ou menor intervenção estatal) e conseguiram erradicar a miséria e prover educação e saúde de qualidade a seus habitantes. De onde você tirou que só Cuba conseguiu alcançar esse objetivo?

Resposta: França? uauauaua...Alemanha...? santo deus...Suíça e Japão eu não conheço, mas os exemplos são horríveis: um país lavanderia e outro país montado pelos EEUU, depois das bombas, para conter os avanços chineses e de outros riscos geopolíticos na guerra fria...

Noruega, Dinamarca, etc, com seu regime tributário e suas politicas de Estado talvez fosse consideradas mais socialistas que Cuba, rsrs...

Cuba foi trucidada pelo embargo por 50 anos...comparar as chances de dinamismo econômico de um país nesta condição, como os demais, é de uma canastrice sem par..

E ainda assim, Cuba serve de exemplo em políticas públicas de Estado: saúde, educação, segurança, suprimento das necessidadaes básicas...

No seu mundo maravilhoso capitalista, os presidentes dos países pobres ou países ricos vão aos hospitais pagos, com diárias a peso de Abu Dabi...

Cuba trata presidentes de outros países...Salva vidas, desde o mais pobre até o mais poderoso... 

- quem disse que a revolução de 1964 não teve apoio popular ? O que foi a marcha dos 100 mil ? Ou a classe média não é "povo" ? A verdade é que, analisando friamente, a maior parte da população brasileira provavelmente não tinha opinião formada quanto à revolução. Se o governo do Jango tivesse mais apoio popular, a revolução simplesmente não teria acontecido. Por outro lado, exatamente graças à redemocratização do país que foi possível exorcizar o período da ditadura e não há ninguém usando camisetas do Médici - apesar que convenhamos que ia ser difícil achar uma foto em que ele estivesse tão fotogênico como a do Guevara :-p. Ninguém sabe se, após a queda do governo atual de Cuba (e isso é uma questão de tempo), não ocorrerá uma revisão histórica como a que houve quando o Kruschev substituiu o Stalin.

Resposta: Apoio popular em 64? 100 mil? Classe média, povo? Sei...sei...o problema é que ela não se considera e nem se apresenta como tal...Aí você vai ter que rever sua tese de "povo" para classe média...

Em 64, bobocas como você não marcharam para ampliar os direitos e reformas que melhorassem a vida do "povo", como uma vanguarda revolucionária, mas sim como uma ponta de lança de um movimento de reação a estas reformas e derrubada de privilégios, que vinham sendo feitas dentro das regras constiotucionais em vigor(lei, eleição, congreso aberto, imprensa em funcionamento, etc)...

Bom, eu te recomendo ver um curta-metragem, eu não me lembro o nome, que tem a fala da senhora que mobilizou a marcha. Era um desagravo contra Nossa Senhora Aparecida, que havia sido citada ou ofendida em algum discurso ou embate comum na época...A ultra direita, a canalha da UDN e seus comparsas, contrabandearam a tese de que se tratava de uma marcha contra o governo...colou(viu? é o que importa...o mito)...Sobre sua tese de apoio popular e golpes eu vou apenas rir, e lamentar...O problema de Jango foi não saber(ou querer) articular tal base social de apoio e arrastar o país para um conflito sangrento...Um limite do projeto político que ele representava, como herdeiro de Vargas...

- eu vejo uma certa dissonância cognitiva quando os comentaristas (aparentemente de esquerda) dizem que o problema de Cuba é o embargo dos EUA. Quer dizer que eles sonham com o dia em que Havana tenha um McDonald's em cada esquina e turistas americanos enchendo os hotéis? Quem sabe Havana não se torna um destino para a "spring break" dos adolescentes dos EUA, já que o México está perigoso demais ... é esse o sonho do pessoal que tanto idolatra a "revolução socialista" ? Para quem acha que Cuba vai ser diferente e não vai "sucumbir ao imperialismo econômico-cultural" americano, sugiro uma visita ao leste europeu ...

Resposta: midiota...quem tem retardo cognitivo é você...Só entende troca comercial ou relação soberana entre países sob o viés da dominação cultural ou submissão aos símbolos(olha aí os mitos) do dominador...

O embargo não diz respeito a lanchonetes ou outras quiquilharias aludidas por você...muito menos a abertura do embargo tornará as empresas estadunidenses mais ou menos bem-vindas na ilha...

Este embargo impede que empresas de todo mundo comercializem com Cuba, caso queiram ter os EEUU com clientes também...Qualquer boboca com dois neurônios, como você, sabe o tamanho do estrago que tais restrições causam na cadeia econômica de um país...

O fato é que a "glamourização" da revolução cubana é um fato que precisa ser combatido, mas parece que essa narrativa de Davi (Cuba) x Golias (EUA) é irresistível demais para não ser adotada, muitas vezes sem ressalvas, pela esquerda latinoamericana.

Resposta: A revolução Cubana deve sempre se exaltada em seus avanços...O que foi e está sendo feito lá não é pouco...O que está errado deve ser combatido...Mas não por cretinos que não têm outra intenção senão usar os equívocos como justificativa para destruir tudo que foi feito, e aí sim, comer um sanduíche temperados com a indignidade e exploração reservados ao, até hoje, orgulhoso povo de Cuba.

 

O destino é um acaso com mania de grandeza, por Fred 04

Muita informação interessante organizada de  forma tendenciosa tentando não parecer. Sim não gosto da forma como as pessoas não tem liberdade em Cuba e sim acho que eles precisam melhorar. É muito tempo sobre a influência de um imaginário só. Agora seu texto é muito desenhado, falta organicidade.

 

alexandre A. moreira

"a história oficial cubana é recheada de mitos sobre o processo que deu origem a revolução cubana".  Alguém conhece alguma história oficial que não seja assim? História oficial é isso, história oficial.  A história oficial dos Estados Unidos não é cheia de mitos? A história oficial do Brasil conta que o FH estabilizou a economia, quando qualquer um sabe que ele estabilizou a moeda (ainda que a tenha desvalorizado e quebrado o país, depois de ganhar a segunda eleição) e deixou o país no caos econômico. E o autor do texto nos revela, como uma bomba, que os "antecedentes" da revolução começam em 1930?  e antes disso, será que a história oficial não escondeu a guerra Hispano-americana e o afundamento criminoso do USS Maine? Puxa, que texto pretensioso. Na verdade, o autor tá precisando é ler mais e melhor...

 

Bom, já posso concluir que Fidel Castro não existe, é apenas uma criação virtual do inconsciente coletivo da esquerda latina?

 

- A população em geral não sabe o que está acontecendo, e nem mesmo sabe que não sabe (Noam Chomsky)

Alan, Che também é produto  da nossa imaginação...rs

 

Mas da realidade da Revolução Cubana...

Até parece que o AL tinha ações dos cassinos em Habana em 1958...

 

JASDeSouza Belo Horizonte - MG

Outro mito que voce poderia citar é que Deus criou o homem  (existe?).

Velhas ladainhas de fontes suspeitas , não que Cuba seja  um exemplo de perfeição

( que sobrevive sob um bloqueio em nome da liberdade)mas esse tipo de argumentação

estereotipada ainda  mais usando o termo "mito" nos dias de hoje é de doer.Enfim a

quem diga e sustente que haviam senhores de escravos " gente boa ", vai saber...... fonte

é fonte.

 

Por falar em fontes, tentem assistir os documentários ou lr os livros indicados como  donte; se não vomitar no quinto minutoda atividade, cuide dos pâncreas porque provavelmente coração e cérebro  foram pro saco...

 

Leider Lincoln

De mitos este texto entende...

 

Leider Lincoln