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A "revolução racional" no Brasil

Por Marco Antonio L.

Da Folha de S. Paulo

País fez 'revolução racional', diz economista

Professora do MIT morta no dia 15 enfatizou importância da Petrobras em entrevista concedida à Folha em fevereiro
Alice Amsden afirma que Brasil ainda é muito pobre e não pode imitar políticas de livre mercado para crescer 

  Steve Dunwell  
Alice Amsden, professora do MIT estudiosa do papel do Estado como indutor do desenvolvimento e que morreu aos 68
Alice Amsden, professora do MIT estudiosa do papel do Estado como indutor do desenvolvimento e que morreu aos 68

ELEONORA DE LUCENA
DE SÃO PAULO

Alice Amsden era uma das mais importantes economistas heterodoxas de hoje. Mergulhou no processo de industrialização asiático e destrinchou o papel do Estado como indutor do desenvolvimento.

Professora de economia política no Massachusetts Institute of Technology (MIT), ela morreu no dia 15, em Cambridge (EUA), aos 68 anos.

Um mês antes, deu esta entrevista à Folha. Nela, fez elogios ao desenvolvimento brasileiro, afirmando que o país realizou uma "revolução racional" e enfatizando a importância da Petrobras.

Sua avaliação era que o país, que tem "empresários de primeira linha", precisa ter um setor nacional forte -público e privado.

Seu livro mais importante é "A Ascensão do 'Resto', os Desafios ao Ocidente de Economias com Industrialização Tardia" (Unesp, 2009).

Folha - Como analisar o desenvolvimento brasileiro hoje?
Alice Amsden - Finalmente as coisas estão indo bem no Brasil, depois de 500 anos?
O que está indo certo até o ponto em que o modelo brasileiro está começando a ser copiado pelo México e pela África lusófona?
Os novos países produtores de petróleo da África estão copiando o "nacionalismo de recursos" da Petrobras, em que uma companhia de propriedade nacional, em vez de uma empresa internacional, é o centro de um negócio gigante de petróleo.

Quais foram as mudanças de longo prazo?
O Brasil parou de olhar na direção da teoria do mercado para buscar inspiração para as suas políticas.
Em vez de se dirigir para o beco sem saída das políticas universais -como o livre-comércio e as vantagens comparativas- e que eram supostamente boas para todos, começou a pensar com linhas dedutivas. Seu guia passou a ser as "experiências" de muitos países, não as teorias.

Como é esse novo modelo?
O Brasil incentiva indústrias não com base nas vantagens comparativas, mas com base no "conhecimento do negócio".
Se o conhecimento existe no Brasil, o governo pode avançar e apoiar uma nova indústria.

Por exemplo?
A construção naval. Parabéns ao Brasil por fazer uma revolução racional.

E a questão da inovação?
Está conectada com essa revolução. O Brasil começou inovando na fronteira mundial guiado pelo modelo de suas necessidades específicas (álcool, perfuração em águas profundas), não por um modelo, como no passado, que era baseado no que a ciência determinava como necessário a ser feito em pesquisa e desenvolvimento.

Como a sra. avalia o processo de privatização e as relações entre Estado e empresários?
O Brasil melhorou as relações entre o setor de negócios privado e os servidores públicos de alto nível. Agora, por causa da "privatização de veludo", os dois se complementam, em vez de cortar as gargantas uns dos outros.
O Brasil não fez uma privatização louca das joias da coroa, abrindo mão das melhores empresas públicas para executivos e engenheiros medíocres do exterior.

Qual o papel do setor privado no desenvolvimento?
Para ampliar o conteúdo nacional, a gestão pública pode assumir a liderança. Agora, por exemplo, a Petrobras está começando a usar navios de fornecedores nacionais e a Vale está se movendo na direção da produção de aço.

Como a sra. define o Brasil?
O Brasil é pró-capitalista, nacionalista e anti-imperialista. Com manobras inteligentes na OMC, mostrou uma forma brilhante de luta contra as tendências imperialistas do mundo desenvolvido.
Ficando mais rico, o Brasil não pode esquecer que é ainda um país muito pobre. Não pode imitar as políticas de livre mercado dos mais ricos e esperar se desenvolver.

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Comentários

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 As Emendas Inconstitucionais Ns. 6 e 9, recentemente aprovadas e que regulam as empresa de capital nacional e estrangeiro, esclarecendo que se fossem privatizadas hoje uma empresa pública ou sociedade de economia  mista os estrangeiros levariam o dinheiro aplicado em bolsa de valores para fora do País

 

 


Eduardo Ramos (domingo, 25/03/2012 às 09:31),


E talvez extremamente seja pouco. O mais incrível é esse pensamento surgir nos Estados Unidos. E é de se admirar ainda mais quando se verifica que este pensamento dela é olhado com viés do preconceito até aqui no Brasil.


E embora seja leigo em economia, preciso me informar mais, pois até então a jovem senhora me era uma ilustre desconhecida.


Clever Mendes de Oliveira


BH, 25/03/2012

 

Tudo neste mundo é relativo, mas o que ela quis dizer com o "Brasil não pode esquecer que é ainda um país muito pobre"? o adjetivo "pobre" em questão aqui, já seria questinável, dado o fato do país já ter um dos maiores PIB do mundo, e ter deixado a Inglaterra comendo poeira, mas, ela vai além..."muito" pobre? ora, muito pobre é o Haiti, Etiópia, Mali, Gâmbia, Timor Lest etc. Quanto as suas outras afirmações, estou de pleno acordo.

 

"Just when I thought I was out... they pull me back in"

Socialmente ainda é muito pobre, que o digam os milhões de miseráveis que os há por aqui.A pop do Haiti é de aproximadamente 10 milhões de hab. Segundo o IBGE a pop de miseráveis do Brasil está em torno de 16 milhões , número mostrado pelo censo 2010.

 

 


PapaMideNite3 (domingo, 25/03/2012 às 09:54),


Aqui perto de Belo Horizonte depois de atravessar o Rio das Velhas em uma ponte para um só veículo, a cerca de 50 Km do centro de Belo Horizonte, você começa a se aproximar do Vale do Jequitinhonha. Ai você vai entender que é eufemismo dizer que o Brasil é muito pobre.


Clever Mendes de Oliveira


BH, 25/03/2012

 

Não confunda má distribuição da riqueza com pobreza de um país. Nos EUA existem bolsões de pobreza que, se não chegam ao nível do vale do Jequitinhonha, representam um contraste muito maior com a riqueza do país. Os EUA são sem dúvida o país mais rico do mundo, porém possem milhões de pobres, inclusive com uma parcela muito significativa sofrendo de desnutrição e em grande insegurança alimentar. Riqueza convivendo com a fome, perfeitamente dentro do script capitalista.

O Brasil é um país rico, com uma brutal injustiça social.

 

Em lavras largadas lagartas são larvas largas

 

 


Ruyacquaviva (domingo, 25/03/2012 às 11:20),


Se o câmbio do real estivesse próximo de 2 para 1 que é um patamar que ele provavelmente alcançará até talvez antes que o Banco Central Americano - o FED - eleve a taxa de juro naquele país, a renda per capita americana seria quase dez vezes superior a nossa renda per capita. Então a probreza lá seria bem menor do que a nossa se os Estados Unidos tivessem um índice de geni igual ao nosso. Infelilizmente nós temos uma das piores distribuição de renda do planeta. Assim, ao dizer que o Brasil é um país muito pobre ela está dando uma informação que já deveria ser do conhecimento de todos brasileiros. E essa é uma informação que constitui, sem dúvida, em um dos primeiros passos para poder solucionar um problema: conhecer o problema e reconhecê-lo como um problema.
Há brasileiros que não sabem que este é um país pobre. Esse, entretanto, não é a maior dificuldade que o Brasil enfrenta para poder implementar as políticas públicas necessárias a que possamos ultrapassar o limiar da pobreza. A maior dificuladade que o Brasil enfrenta e que tenho certeza que não é o seu caso, e por sorte também não é o caso do nosso governo, é saber que o Brasil é um país pobre e não reconhecer isso como um problema.


Clever Mendes de Oliveira


BH, 25/03/2012

 

O Brasil não fez uma privatização louca das joias da coroa, abrindo mão das melhores empresas públicas para executivos e engenheiros medíocres do exterior.

Ela não leu o livro A Priavataria Tucana, não sabe portanto que umas 200 estatais foram jogadas na privada depois de terem gasto mais de 80 bilhões de reais = dólares (1 real valia 1 dolar para facilitar a dilapidação do patrimônio público) para que alguém aceitasse ficar com as joias da coroa como Vale, Telebrás (incluindo a Embratel), sendo que a Petrobrás escapou por um tris, até o nome chegou a ser mudado para Petrobrax como forma dizer que, assim como a Vale, a Petrobrás também não vale.

 

 Spin

Ela deve ter se referido aos governos Lula e Dilma.

 

 será que a folha não acrescentou um não na frase , é bem possível  por que retirando esse não a frase fica perfeita.

 

 


José Carlos Lima (domingo, 25/03/2012 às 09:49),


Também achei exagerado a frase dela que você destacou e que eu reproduzo a seguir:


"O Brasil não fez uma privatização louca das joias da coroa, abrindo mão das melhores empresas públicas para executivos e engenheiros medíocres do exterior".


Considerei, entretanto, que ela disse isso mais se baseando no fato de a Vale e a Petrobras (E também dos grandes bancos públicos) serem administradas por brasileiros.


É claro que ela não teria condições de avaliar que o governo fez um mau negócio vendendo a Vale a preço vil em nome de uma possível maior eficiência do mercado, sem ter em mãos o valor de venda da empresa no contexto da época em que foi vendido.


O grande recado dela foi relegar a um segundo plano a importância da eficiência em um país mais que muito pobre, mas extremamente pobre (O Maranhão, por exemplo, é mais que extremamente pobre). Em países assim, se se dá valor ao dinamismo do capitalismo, a eficiência pode ser colocada em segundo plano. Ela é quem deveria ser mencionada na discussão que houve em 2010 aqui no blog de Luis Nassif junto ao post "O debate sobre a capitalização da Petrobras" de sexta-feira, 08/10/2010 às 17:10, trazendo o debate entre Paulo Cezar e Andre Araujo. O endereço do post é:


http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/o-debate-sobre-a-capitalizacao-da-petrobras


Ela serviria como um grande subsídio para mostrar que o lucro não é o principal valor que deve guiar a condução de uma empresa estatal em um pais de dimensões continentais de grande disparidade de renda tanto socialmente como espacialmente.


Clever Mendes de Oliveira


BH, 25/03/2012

 

 

José Carlos Lima (domingo, 25/03/2012 às 09:49),

Nesse meu comentário de domingo, 25/03/2012 às 10:55 para você, não especifiquei de que eu estava tratando em duas passagem.

Antes corrijo o trecho a seguir transcrito já com a correção realizada na última palavra da frase:

“sem ter em mãos o valor de venda da empresa no contexto da época em que foi vendida”.

E agora faço os acréscimos necessários para deixa menos obscuro sobre o que eu falava no que eu escrevi. Na primeira página eu acrescento: “países extremamente pobres” e a frase fica assim:

“Em países assim, isto é, países extremamente pobres, se se dá valor ao dinamismo do capitalismo, a eficiência pode ser colocada em segundo plano”.

E na seqüência, na frase que se inicia com “Ela é que deveria ser mencionada” eu me referia à eficiência. Assim, fazendo o acréscimo complementar, a frase fica:

"Ela – a eficiência – é que deveria ser mencionada na discussão que houve em 2010 aqui no blog de Luis Nassif junto ao post "O debate sobre a capitalização da Petrobras" de sexta-feira, 08/10/2010 às 17:10, trazendo o debate entre Paulo Cezar e Andre Araujo”.

Bem, penso que era só isso, mesmo.

Clever Mendes de Oliveira

BH, 25/03/2012

 

Extremamente lúcida!

 

Mas feia de doer, um banho de salão no Brasil faria milagres.

 

    Comentário pavoroso e de extremo mal gosto, uma vez que a pessoa objeto da ira deste energúmeno está morta. Típico de blogs de extrema direita e de gente descerebrada, agressiva e sem compostura!

 

Osvaldo Ferreira

Ta na cara que AA- quer provocar uma avalanche de comentários contestando essa sua rídicula manifestação, com isso atingira o objetivo maior de um trollador que é desviar o assunto do post para diminuir o debate em torno do que realmente interessa, e o que interessa nesse caso é que essa senhora "feia" porém com inquestionaveis credenciais didaticamente desdiz tudo o que nosso glorioso comentarista Estadounidense vomita constantemente aqui no blog, como não pode contestar os argumentos tenta reduzir esse espaço ao nivel de um BBB, a alegada "feiura" da entrevistada é diretamente proporcional a obtusidade do pensamente Araujiano.

 

Srªs Senadoras e Srs. Senadores, a Transparência Internacional divulgou, nesta terça-feira, a classificação anual dos países mais corruptos do mundo, e a situação do Brasil, sob o império do “lulismo”, só piorou. Demóstenes Torres 08/10/2003

Caramba! ainda encontro essas pérolas. Magnifíco comentário, um primor

AA, hoje você superou todas as nossas expectativas nesse domingo ensolarado,

parabéns!

 

Não é de se estranhar vermos o infame A.A. abordando um assunto pelo seu lado mais irrelevante e grotescamente estúpido, somente para bater ponto em sua função de desdenhar de qualquer coisa positiva em relação ao Brasil, para fazer proselitismo político de baixo nível.

Na verdade é um comportamento típico desse troll, tão típico quanto lamentável.

 

Em lavras largadas lagartas são larvas largas

 

Pois é, Ruy... Não se deve esperar outra coisa deste "elemento".

Ignore-o. Não perdes nada.

 

Primeiro, o direitopata "se esqueceu" que essa senhora morreu no último dia 15, como está na reportagem... É um Jênio!!!

Segundo, o nosso caro Nassif tem esse costume de se aproximar de gente muito muito ruim, como o agora desafeto José Serra...

Pô Nassif, seleciona melhor seus colegas, esse André Araújo é RUIM demais!!!