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A Rússia e a China desafiam a NATO

Ami@s, segue artigo - recolhido aqui - de outro excelente articulista do "Asia Times Online" - que, como todos sabemos, abriga o "nosso" Pepe Escobar. Creio que ajudará na compreensão do jogo geoestratégico em curso no Oriente Médio.

 

A intervenção ocidental na Líbia poderia ser apenas a ponta do iceberg, e o que está em desenvolvimento poderá constituir uma geoestratégia orientada no sentido de perpetuar a dominação histórica do Ocidente sobre o Médio Oriente na era posterior à Guerra Fria. E interligado com este processo está o precedente extremamente preocupante de uma acção militar da NATO sem um mandato específico da ONU.

 

Esperava-se que as consultas do Ministro do Estrangeiros chinês Yang Jiechi em Moscovo, no decurso do fim-de-semana, preparassem a visita do presidente Hu Jintao à Rússia no próximo mês. Mas acontece que, afinal, se revestiram de um carácter de imensa importância para a segurança internacional.

Os continuados esforços russo-chineses para “coordenar” a sua posição sobre temas regionais e internacionais evoluíram para um nível qualitativamente novo no que diz respeito à situação em desenvolvimento no Médio Oriente.

A agência oficial de notícias russa utilizou uma expressão pouco usual –“estreita cooperação”- para caracterizar o novo modelo a que conduziu a sua coordenação de políticas regionais. Isto tenderá a colocar perante um forte desafio a agenda unilateralista do Ocidente no Médio Oriente.

A visita de Hu à Rússia tem lugar, em princípio, para assistir de 16 a 18 de Junho ao desenrolar do Fórum Económico Internacional, que o Kremlin está cuidadosamente a coreografar como um acontecimento anual no estilo de um “Davos da Rússia”. Ambos os países estão muito entusiasmados face à possibilidade de a visita de Hu constituir um momento crucial na cooperação energética entre China e Rússia.

O gigante russo da energia, Gasprom, espera bombear anualmente para a China 30.000 milhões de metros cúbicos de gás natural até 2015, e as negociações sobre os preços estão numa etapa avançada. Os funcionários chineses sustentam que as negociações, agora paradas, se concluíram com um acordo por ocasião da chegada de Hu à Rússia.
Naturalmente, quando a economia importante de mais rápido crescimento no mundo e o maior exportador de energia do mundo chegam a um acordo, o assunto tem maior alcance do que um acordo de cooperação bilateral. Haverá inquietação na Europa, que tem sido historicamente o principal mercado da Rússia para a exportação de energia, devido ao facto de que surja um “competidor” a Oriente e que o negócio energético do Ocidente com a Rússia possa ter a China como “sócio comanditário”. Esta mudança de paradigma potencia uma transferência das tensões Este-oeste acerca do Médio Oriente.

Posição idêntica

O Médio Oriente o Norte de África acabaram por ser o tema central das conversações em Moscovo de Yang com o seu anfitrião Sergei Lavrov. A Rússia e a China decidiram trabalhar juntas para enfrentar os problemas que decorrem da agitação no Médio Oriente e no Norte de África. Disse Lavrov: “Acordámos em coordenar as nossas iniciativas utilizando as capacidades de ambos os Estados com o fim de ajudar à estabilização mais rápida que for possível e à prevenção de mais consequências negativas imprevisíveis na zona”.
Lavrov disse que a Rússia e a China têm uma “posição idêntica” e que “qualquer nação deveria determinar o seu futuro de forma independente, sem interferência externa”. É presumível que os dois países tenham agora acordado uma posição comum de oposição a qualquer iniciativa da NATO no sentido de realizar uma operação terrestre na Líbia.

Até agora, a posição russa tem sido de que Moscovo não aceitará que o Conselho de Segurança da ONU atribua mandato à NATO para uma operação terrestre sem uma “posição claramente expressa” de aprovação desse mandato por parte da Liga Árabe e da União Africana (da qual a Líbia faz parte).

Existe, evidentemente, um “défice de confiança” neste caso, que se torna cada dia mais inultrapassável a menos que a NATO decida um cessar-fogo imediato na Líbia. Dito em poucas palavras, a Rússia já não confia em que os EUA e os seus aliados da NATO sejam transparentes acerca das suas intenções no que diz respeito à líbia e ao Médio Oriente. Há alguns dias Lavrov falou longamente sobre a Líbia em entrevista ao canal de televisão russo Tsentr. Exprimiu grande frustração face à ambiguidade e aos subterfúgios com que o Ocidente interpreta unilateralmente a Resolução 1973 da ONU, de modo a fazer praticamente tudo o que lhe apetece.

Nessa entrevista Lavrov revelou: “Chegam-nos relatórios acerca da preparação de uma operação terrestre [na Líbia] que sugerem que os planos correspondentes estão em desenvolvimento na NATO e na UE”. Deu a entender publicamente que Moscovo suspeita de que o plano dos EUA seria evitar a necessidade de um contacto com o Conselho de Segurança para obter mandato para operações terrestres da NATO na Líbia e, em vez disso, pressionar o secretário-geral da ONU Ban Ki-Moon no sentido de obter de que este “solicite” à aliança ocidental a disponibilização de escoltas para a missão humanitária da ONU, utilizando essa “solicitação” como cobertura para dar início a operações terrestres.

A posição pública da Rússia e da China impediria os funcionários do secretariado de Ban Ki-Moon de facilitarem sub-repticiamente, por portas travessas, uma operação terrestre da NATO. Ban visitou Moscovo recentemente e alguns relatos russos sugeriram que “levou uma descompostura” pela forma como dirige a organização mundial. Um perito comentador moscovita escreveu com contundente sarcasmo:
Há muitas maneiras de dizer politicamente a um convidado, por conta própria e por conta dos próprios parceiros internacionais: “Não estamos muito satisfeitos com o seu desempenho, estimado senhor Ban”. É usual que nem sequer sejam necessárias palavras nestes casos. É óbvio que o secretário-geral aprecia o romantismo revolucionário das guerras civis e que apoia os combatentes pela liberdade em geral. Em resultado disto, aparece com frequência ao lado dos arqui-liberais da Europa e dos EUA.

Todavia, o secretário-geral da ONU não deveria adoptar posições políticas extremas, e muito menos deveria alinhar com a minoria dos Estados membros da ONU no que diz respeito a este tema, como fez nos casos da Líbia e da Costa do Marfim. Não é para isso que foi eleito. A questão não reside em obrigar o senhor Ban a mudar de posição ou de convicções, mas em procurar que ajuste ligeiramente a sua visão no sentido de uma maior neutralidade.

Moscovo e Pequim parecem encarar o denominado Grupo de Contacto Líbia (formado por 22 países e seis organizações internacionais) com muitas reservas. Referindo-se à decisão de grupo, na sua reunião de Roma na 5ª feira passada, de disponibilizar de imediato um fundo temporário de 250 milhões de dólares como ajuda aos rebeldes líbios, Lavrov afirmou de forma cáustica que o grupo “intensifica os seus esforços no sentido de desempenhar um papel dirigente na definição da política da comunidade internacional em relação à Líbia”, e advertiu de que deveria evitar “tentar substituir-se ao Conselho de Segurança das Nações Unidas, ou tomar partido por uma das partes”.

Converteu-se em motivo de inquietação para Moscovo e Pequim que o grupo de contacto evolua gradualmente para um verdadeiro processo regional, marginalizando a ONU, com a finalidade de formatar o levantamento árabe em moldes que se ajustem às estratégias ocidentais. O grupo de Estados do Conselho de Cooperação do Golfo (e da Liga Árabe) que está presente no grupo de contacto permite que o Ocidente proclame que o processo constitui uma voz colectiva de opinião regional. (Ironicamente, a França convidou a Rússia a unir-se ao grupo de contacto).

Ponta do iceberg

Na conferência de imprensa com Yang em Moscovo na passada 6ª feira, Lavrov foi directo ao essencial: “O grupo de contacto estabeleceu-se por sua conta. E agora arroga-se a responsabilidade pela política da comunidade internacional em relação à Líbia. E não apenas em relação à Líbia, temos ouvido apelos a que este grupo decida o que fazer em outros Estados da região”. O que preocupa a Rússia no imediato é que o grupo de contacto poderia estar-se deslocando em direcção à Síria no sentido de realizar também nesse país uma mudança de regime.

A China tem sido até agora muito diplomática no que diz respeito ao tema da Líbia e tem deixado à Rússia o papel de por em respeito o gato ocidental, mas começa a tornar-se cada dia mais eloquente. Yang foi bastante directo na conferência de imprensa em Moscovo na sua crítica à intervenção ocidental na Líbia. Há apenas três semanas o Diário do Povo comentou que a guerra na Líbia estava em ponto morto; o regime de Muhamar Khadafi tinha mostrado a sua resistência e a oposição líbia foi sobrestimada pelo Ocidente. Comentou o jornal
“A guerra líbia converteu-se numa situação delicada para o Ocidente. Primeiro, o Ocidente não pode permitir-se a guerra, económica e estrategicamente… A guerra sai demasiado cara aos países europeus e aos EUA, que ainda não saíram completamente da crise económica. Quanto mais tempo dure a guerra, mais os países do Ocidente se verão em desvantagem.
“Segundo, o Ocidente vai deparar-se com muitos problemas militares e legais… Se o Ocidente prossegue o seu envolvimento será visto como tendo optado por uma das partes… No que diz respeito às operações militares, os países ocidentais vão ter que enviar forças terrestres para depor Khadafi… Isso vai muito para além do âmbito da autoridade das Nações Unidas, e é provável que repita os erros da Guerra no Iraque… Numa palavra, a solução militar para o problema da Líbia chegou ao limite e há que colocar a solução política na agenda.”
As conversações de Yang em Moscovo significam que Pequim já se deu conta que o Ocidente está determinado em aguentar, custe o que custar, a delicada situação, fazer com que se “tranquilize” seja a que preço for e depois consumir os resultados sem compartilhar com ninguém. Por conseguinte, parece haver uma revisão da posição chinesa e uma aproximação à da Rússia (a Rússia tem sido muito mais abertamente crítica em relação à intervenção ocidental na Líbia).

Moscovo poderia ter incentivado Pequim a perceber o que se avizinha. Mas o argumento decisivo parece ser o crescente sentimento de intranquilidade em relação ao que está em causa. A intervenção ocidental na Líbia poderia ser apenas a ponta do iceberg, e o que está em desenvolvimento poderá constituir uma geoestratégia orientada no sentido de perpetuar a dominação histórica do Ocidente sobre o Médio Oriente na era posterior à Guerra Fria. E interligado com este processo está o precedente extremamente preocupante de uma acção militar da NATO sem um mandato específico da ONU.

Desde então, Lavrov e Yang participaram em Astana numa conferência de ministros de Negócios Estrangeiros da Organização de Cooperação de Xangai (SCO) que negociará a agenda para uma cimeira do organismo regional a ter lugar na capital cazaque em 15 de Junho. A grande questão é se o acordo russo-chinês sobre “estreita cooperação” em relação aos temas do Médio Oriente e o Norte de África irá converter-se em posição comum da SCO. Parece que a probabilidade de que tal suceda é elevada.

O embaixador M. K. Bhadrakumar foi diplomata de carreira do Serviço Exterior da Índia. Exerceu funções na extinta União Soviética, Coreia do Sul, Sri Lanka, Alemanha, Afeganistão, Paquistão, Uzbequistão, Kuwait e Turquia

Fonte: http://www.atimes.com/atimes/Central_Asia/ME10Ag01.html

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Tua hora a de chegar cão. Por enquanto, relinche!!

Gates lamenta morte de civis no Afeganistão e diz que é cedo para mudar estratégia

CABUL, Afeganistão, 4 Jun 2011 (AFP) -O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Robert Gates, afirmou "lamentar profundamente" a morte de civis provocada pelas forças da Otan no Afeganistão, em uma entrevista coletiva concedida em Cabul.

Ao mesmo tempo, disse que é prematuro mudar a estratégia militar no Afeganistão, que para ele deve ser mantida até o fim de 2011.

"As operações da Otan, em alguns casos raros mas trágicos, mataram ou feriram acidentalmente civis, baixas que choramos e lamentamos profundamente", disse.

O presidente afegão, Hamid Karzai, fez no fim de maio uma "última advertência" às autoridades americanas após a morte de vários civis em um ataque da Otan.

Gates, que começou neste sábado sua última visita ao Afeganistão como secretário de Defesa, defendeu a manutenção da atual estratégia e a avaliação dos resultados no fim de 2011.

"Qualquer mudança antes desta data seria prematura", declarou.

Também afirmou que o início do processo de transição, previsto para julho e caracterizado pela transferência paulatina da responsabilidade da segurança às forças afegãs, não resultará em uma saída precipitada dos membros da coalizão internacional do Afeganistão.

"Apesar da possibilidade dos Estados Unidos e de nossos sócios da coalizão retirarem as tropas com o tempo, estamos comprometidos em uma aliança a longo prazo com o Afeganistão", completou.

"O governo afegão e as forças de segurança afegãs devem ter a vontade de assumir a iniciativa e mais responsabilidades para governar e defender seu território", disse Gates, para que a transferência das tarefas de segurança tenha êxito.

"Nosso compromisso é forte e duradouro, mas nosso compromisso não é infinito, nem no tempo nem nos recursos", advertiu o secretário de Defesa.

 

Premier internado na Arábia Saudita após ataque ao palácio presidencial

SANAA, Iêmen, 4 Jun 2011 (AFP) -O primeiro-ministro do Iêmen, Ali Mohamed Mujawar, foi transferido neste sábado para a Arábia Saudita para ser hospitalizado, depois de ter sido ferido no ataque de sexta-feira contra o palácio presidencial, ao mesmo tempo que prosseguiam os combates em Sanaa e Taez (sudoeste).

O presidente Ali Abdullah Saleh, levemente ferido na cabeça durante o ataque, segundo fontes oficiais, permanece internado no hospital militar da capital e sua condição é estável, sem provocar preocupações.

Além do primeiro-ministro, outras autoridades foram transferidas para a Arábia Saudita: o presidente da Câmara dos Deputados, Yahia al-Rai, o presidente do Conselho Consultivo, Abdel Aziz Abdel Ghani, e os vice-premieres Sadek Amin Abu Ras e Rashed Mohamed al Alimi.

De acordo com fontes do governo, a transferência foi motivada pelo fato dos hospitais sauditas serem mais bem equipados que os do Iêmen.

O presidente Saleh acusou os "filhos de Al-Ahmar" de responsabilidade pelo ataque, em referência ao xeque Sadek al-Ahmar e seus seguidores da influente tribo dos Hashed.

Como resposta, as tropas leais a Saleh bombardearam na sexta-feira a residência do xeque Hamid al-Ahmar, irmão de Sadek, cujos seguidores enfrentam o Exército há vários dias em batalhas violentas.

Dez pessoas morreram e 35 ficaram feridas nos bombardeios da Guarda Republicada à residência do xeque Hamid, um influente empresário e dirigente do partido islamita Al-Islah, e à residência de seu irmão Mizhij, assim como ao imóvel do general dissidente Ali Mohsen al-Ahmar.

O corpo de elite do Exército respondeu ao bombardeio de uma mesquita do palácio presidencial que feriu o presidente, assim como outras autoridades. Sete oficiais das forças de segurança morreram no ataque.

O xeque Hamid al-Ahmar rejeitou as acusações e afirmou que Saleh instigour o ataque ao palácio presidencial para provocar uma "guerra civil".

Após quatro meses de protestos populares violentamente reprimidos pelo regime de Saleh, que se nega a deixar o poder, a revolta adquiriu outra magnitude a partir de 23 de maio, com o início de duros combates em Sanaa entre forças leais ao presidente e partidários do influyente líder dos Hashed, que se uniu à oposição.

Neste sábado prosseguiam os combates em Al-Hasaba, bairro da zona norte de Sanaa, e em Taez, 270 quilômetros ao sudoeste da capital.

O comandante da 33ª Divisão Blindada, general Jebran Yahia al Hashedi, anunciou em Taez que aderiu à oposição pelas pressões recebidas de seus superiores para enviar oficiais para reprimir as manifestações em Taez.

 

Líbia, a invasão “privatizada”

O jornal inglês The Guardian  confirma o que a Al-Jazeera já havia informado: forças britânicas de solo estão ajudando os rebeldes e orientando os ataques com mísseis e bomba.

 Só que não são soldados “oficiais”. São mercenários, combatentes irregulares, contratados por sabe-se lá quem – sabe-se mesmo, né?.

 Diz o jornal que “ex-soldados da SAS – tropa de elite do exército inglês, especializadas em infiltração no território “inimigo”  e outros funcionários ocidentais de empresas de segurança privada estão ajudando a identificar os alvos da Otan no porto da cidade líbia de Misrata, cenário de intensos combates entre as forças do país, Muammar Gaddafi e rebeldes”

Veteranos das forças especiais estão passando os detalhes dos locais e os movimentos das forças de Khadafi ao Quartel do Tenente-General Charles Bouchard, o comandante  canadense das forças da Otan, disseram as fontes.As metas são, então, verificada por aviões espiões e aviões Predator – não tripulados – dos  EUA.  O ex-soldados estão lá com a bênção da Grã-Bretanha, França e outros países da Otan, que lhes forneceu os equipamentos de comunicação. Eles  fornecem informações para os pilotos de helicópteros de ataque britânicos e franceses.

A resolução da ONU sobre a Líbia proíbe, terminante e expressamente, o uso de forças militares de solo. Esqueceram, porém, que os exércitos, faz tempo, podem ser privatizados, a la Blackwater no iraque.

VIA: TIJOLAÇO

 

POR QUE A ONU NÃO AUTORIZA E A OTAN NÃO QUER ATACAR O IEMEN?

IEMEN ESTÁ EM VIRTUAL GUERRA CIVIL. MAS SEM OTAN…

“A imagem acima foi capturada de uma TV online do Iemen, às 17:34 da tarde de ontem (5ª feira). Ela mostra um dos edifícios em chamas, depois dos violentos confrontos entre manifestantes hostis ao presidente Ali Abdullah Saleh –há 33 anos no poder- e forças leais ao Governo, em Sanaa, capital do país. 

Aos opositores se juntaram forças das tribos de outras regiões do Iemen e os choques ao longo da noite mataram dezenas de pessoas. 

Um enviado dos EUA chegou à região para tentar impedir uma guerra civil. As batalhas campais em Sanaa, que começaram a partir dos protestos que ocorrem desde janeiro contra o governo de Saleh, já deixaram pelo menos 135 mortos nos últimos dez dias.

Mas, ao contrário do que aconteceu na Líbia, não há sequer uma reunião da ONU para tratar da questão, muito menos uma ordem de intervenção armada [da OTAN].

É que o Iemen é vizinho da Arábia Saudita, maior aliado americano no Oriente Médio, depois de Israel, e o governo de Saleh, ele próprio, fortemente pró-americano.

Dá para perceber que “missão humanitária” é mais ou menos definida pelo “lado” desse humanitarismo.”

VIA: Democracia & Política

FONTE: escrito por Brizola Neto em seu blog “Tijolaço"

http://www.tijolaco.com/iemen-esta-em-virtual-gerra-civil-mas-sem-otan/

Re: A Rússia e a China desafiam a NATO
Re: A Rússia e a China desafiam a NATO
 

EUA: Câmara pede que Obama justifique operações na Libia

WASHINGTON, EUA, 2 Jun 2011 (AFP) - O presidente da Câmara de Representantes do Congresso americano, John Boehner, apresentará uma resolução na sexta-feira pedindo ao presidente, Barack Obama, que explique sua decisão de intervir na Líbia, em meio às inquietudes no Congresso sobre as operações.

O texto da resolução, publicada na quinta-feira, pede que Obama explique ao Congresso por que não pediu a permissão da Câmara para envolver as forças americanas na missão liderada pela Otan.

Vários legisladores de ambos os partidos têm impugnado a continuação das operações militares na Líbia passando por cima da Resolução de Poderes de Guerra, que exige do presidente um prazo de 60 dias para solicitar a aprovação do Congresso para levar a cabo ações militares.

Esse prazo, que expirou no dia 20 de maio, tem sido sistematicamente ignorado por vários presidentes desde que a lei foi aprovada em 1973.

A resolução de Boehner também pede a Obama que especifique "os objetivos políticos e militares com respeito à Líbia", assim como os "os compromissos específicos dos Estados Unidos com as contínuas atividades da Otan com respeito à Líbia".

 

02 DE JUNHO DE 2011

Intervenção e desrespeito são ações calculadas contra Síria

A embaixada da Síria no Brasil divulgou nesta quinta-feira (2) uma nota sobre a atual situação política síria e a pressão que Estados Unidos e União Europeia fazem contra a nação árabe, com o objetivo de desestabilizar o país.

As sanções recentemente adotadas por Estados Unidos e seus aliados configuram-se como um "apoio velado à violência e ao vandalismo" que assola o país no momento, revelando mais uma vez a "mentalidade colonialista destes países, que sacrificam a estabilidade e a paz dos outros em função de seus interesses", diz a nota.

Leia abaixo a íntegra da nota, divulgada nesta quinta-feira pela embaixada síria no Brasil:

Situação atual na Síria

As sanções adotadas pelos Estados Unidos da América, em 29 de abril e da União Européia, em 23 de maio contra a Síria constituem uma intervenção nos assuntos internos da Síria e um desrespeito à soberania do país. 

Além disso, estas posições, incentivadas principalmente pelo Reino Unido e pela França sob a liderança dos Estados Unidos da América, configuram um apoio velado à violência e ao vandalismo e confirmam, mais uma vez, a mentalidade colonialista destes países, que sacrificam a estabilidade e a paz dos outros países em função de seus interesses e posicionam-se como um empecilho à todas as tentativas do Governo do Presidente Bashar Al Assad de solucionar a atual crise. 

Se estes países estivessem realmente interessados na solução da crise na Síria, eles interviriam de forma positiva, de modo a colaborar para o fim do caos e da violência no país e não bloqueando os bens do governo e dificultando as ações em prol de uma solução pacífica.

Quanto ao embasamento destas sanções na legalidade internacional, conforme alegado por estes países, não existe base legal para as sanções. Na verdade, são ações arbitrárias que seguem a lei do mais forte. 

São ações calculadas, em dólar ou em euro, dado que se destrói a infra-estrutura dos países que sofrem intervenções, para que, em seguida, as empresas americanas ou européias ou ambas lucrem com a dita reconstrução destes países, em troca de petróleo e outros recursos, além de manterem a presença e o controle sobre eles por muitos e muitos anos, ou seja, a manutenção da velha mentalidade colonialista.

Quanto à alegação de violação de direitos humanos, estes países, mais uma vez, usam a política de dois pesos e duas medidas, pois acusam o Governo da Síria de violar os direitos humanos, enquanto apóiam a barbárie israelense contra palestinos e sírios que vivem sob a ocupação israelense nos territórios ocupados. Mais uma prova clara das manobras lideradas pelos Estados Unidos da América para desestabilizar a Síria e fragilizá-la política e economicamente, para se tornar um alvo fácil diante das manobras expansionistas de Israel.

Desdobramentos da Crise:

Apesar de toda a campanha negativa promovida pelos meios de comunicação, em nível internacional, a veracidade das informações divulgadas tem sido questionada até entre estes meios.

Quanto à verdade dos fatos, o Governo da Síria tem se empenhado numa ampla mobilização em prol da manutenção da segurança e da estabilidade do país, tem promovido ações que visam o atendimento das reivindicações da população síria, além de dar fim ao estado de emergência no país.

Estas medidas, que serão relatadas a seguir, deveriam conter os ânimos, já que a maior parte das reivindicações foi atendida, mas não foi o que aconteceu. As forças de segurança da Síria logo perceberam que não se tratava de manifestações pacíficas, promovidas por civis, e sim manifestações incitadas por agentes infiltrados e armados que se aproveitaram da boa fé da população civil para instaurar o caos e a desordem no país. Fato que comprova esta constatação é que as manifestações começaram pela Província de Deraa, no extremo sul da Síria, e não na capital Damasco, como costumam ocorrer estes grandes movimentos que anseiam por mudanças.

Estes agentes infiltrados e que durante muito tempo contrabandearam armas através da fronteira sul do país, incitam uma população desarmada e destreinada e a colocam na linha de frente, durante os embates com o exército e as forças de segurança, para que sejam usados como escudos humanos, enquanto os verdadeiros autores deste caos mantêm-se por trás das cortinas, comandando uma campanha de desestabilização da Síria, de forma vil e cruel, sem levar em consideração as muitas vidas que tem se perdido neste embate.

O Governo da Síria tem promovido esforços junto à população para esclarecer os fatos e para preveni-la contra este tipo de agentes que tem como objetivo destruir um governo que sempre lutou pelos direitos de sua população, que sempre zelou pela segurança de seus cidadãos, que sempre buscou promover reformas e melhorias que visam o desenvolvimento social e econômico do país, garantindo à população Síria todos os benefícios a que o cidadão tem direito para viver com dignidade. Não obstante, o Governo promoveu uma reforma em seu Gabinete Ministerial, atendendo a mais uma reivindicação feita por manifestantes pacíficos e colocou o seu novo Governo à disposição do povo, para ouvir suas reivindicações e trabalhar em função de promover todas as melhorias necessárias, além de traçar novas metas para que o país mantenha-se em harmonia com os tempos modernos.

Mas apesar de toda a vontade política e de todas as ações adotadas até o presente momento, os atos de matança e vandalismo continuam se espalhando pelo país e o caos continua instalado, fato que deixa as autoridades perplexas e torna mais difícil a tarefa de extirpar este câncer que se instalou entre a população civil. Os meios de comunicação divulgam o número de mortos no país, porém não esclarece que grande parte destas vítimas são soldados do exército e das forças de segurança, ou seja, cidadãos sírios, pais de família e que estão ali trabalhando pela segurança de seu povo. Também não divulgam todas as ações positivas do governo e definem as medidas de segurança como medidas de repressão.

Mesmo com todos estes acontecimentos, o Governo e as forças de segurança da Síria tem procurado ver estas manifestações, pacíficas ou não, pela ótica do discernimento e da diferenciação entre atos pacíficos e atos de vandalismo. O Governo da Síria reconheceu, no primeiro momento, a legitimidade das reivindicações da população civil e tratou de atende-las, enviando autoridades governamentais para conversar com autoridades locais das províncias e levando ao Governo todos os pleitos, para que sejam analisados e atendidos.

Seguem as medidas adotadas pelo Governo do Presidente Bashar Al Assad, em atendimento às reivindicações da população síria:

- O Governo da Síria chegou ao mais alto grau de contenção ao lidar com os atos de violência ocorridos no país, ao longo das últimas semanas, como forma de evitar que civis inocentes fossem mortos, mas elementos criminosos e armados, que se infiltraram entre os manifestantes, seguiram matando inocentes e a atacando as sedes do governo e prédios públicos.

- O Governo da Síria adotou várias medidas para atender às reivindicações da população, dentre às quais, o fim do estado de emergência e o fim da Corte de Segurança do país, além de sancionar o novo decreto que prevê manifestações pacíficas, pela primeira vez na história do país. Mas, ao contrário do esperado, estes elementos, ao invés de retrocederem em suas manifestações, incitaram-nas mais ainda, além de criar um alvoroço na imprensa contra a Síria, jamais visto na região.

- Esta campanha contra a Síria coincidiu com a descoberta de informações que confirmam a existência de membros pertencentes à partes oficiais externas que financiam e incitam atos de destruição que tem na mira o povo e o governo da Síria. No ímpeto de defender a Síria e seus limites territoriais, as autoridades prenderam vários carregamentos de armas contrabandeados para o país, que tinham como objetivo estremecer a estabilidade e a segurança da Síria. Foi provado que estas armas foram enviadas por grupos religiosos extremistas para os seus agentes infiltrados no país, para matar os inocentes e para incendiar os prédios públicos e privados, de forma a instaurar o caos na Síria. E é natural que o governo agisse, imediatamente, para defender seus cidadãos que gozavam de estabilidade e segurança.

- Os órgãos de segurança localizaram em Deraa uma grande quantidade de armas avançadas e prendeu um grande número de membros de grupos extremistas.

- A Síria não tem necessidade de discutir sua situação interna no âmbito do Conselho de Segurança, porque está agido de forma a garantir e manter a segurança e a estabilidade de seus cidadãos e defende-los dos riscos de incitações e provocações.

- As autoridades sírias estranharam o empenho de alguns países membros do Conselho de Segurança em incluir um assunto interno da Síria na pauta de debates sobre a situação no Oriente Médio, pauta esta na qual está inserido o processo palestino, que configura a base dos debates sobre as negociações de paz árabes e israelenses e o estabelecimento do Estado Palestino conforme as referências internacionais conhecidas, e questionou o motivo da ausência desta empolgação durante décadas para acabar com a ocupação israelense das terras árabes ocupadas, desde junho de 1967. Mas para os sírios, a resposta está clara: É a política de um peso e duas medidas.

- É impossível considerar todas as manifestações como pacíficas, porque se assim o fossem, não teriam resultado neste número de vítimas que incluíram membros do exército e da segurança e civis inocentes".

Mensagem do Embaixador:

O que a Síria está buscando, neste momento, é tempo. O tempo necessário para devolver ao país o clima de tranqüilidade e segurança. Tempo para que as reformas adotadas comecem a gerar seus frutos.

A Síria considera que a imposição de sanções ao governo e seus membros não contribuirá, de forma alguma, para o alcance de uma solução para o problema e sim o contrário, pois aumentará as dificuldades enfrentadas pelo país, no sentido de manter a cooperação com os outros países do mundo, no momento em que necessita entrelaçar todos os esforços, internos e externos, para recuperar a estabilidade na região.

Nenhum conflito na região levará, sob qualquer forma, a uma paz justa e duradoura no Oriente Médio.

A inclinação do Brasil em apoiar a campanha americana e européia contra a Síria não era esperada, principalmente por se tratar de um país amigo. Esperamos que o Brasil refaça suas contas e que apóie os esforços pela promoção das reformas na Síria, para que o país possa se erguer desta catástrofe e para que volte a desempenhar seu papel, em níveis nacional, regional e internacional, como um parceiro proativo na busca pela paz na região e no Oriente Médio, assim como ocorreu inúmeras vezes no passado.

O que a Síria espera dos países amigos é tempo e confiança em suas ações. A Síria nunca esquecerá os esforços do Brasil, nos últimos anos, para ter um papel ativo na região do Oriente Médio, pela busca da paz e para desempenhar o papel de mediador que goza de credibilidade, no momento em que todas as outras partes internacionais, imparciais e honestas, saíram de cena.

Embaixada da República Árabe da Síria 

Da redação

 

31 DE MAIO DE 2011

A Otan ataca outra vez e comete mais crimes de guerra

No último domingo, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), aliança militarista e belicista a serviço do imperialismo estadunidense e seus parceiros da União Europeia, desferiu um covarde ataque aéreo no Afeganistão, que resultou na morte de 14 civis, incluindo 12 crianças. É mais um entre muitos casos registrados recentemente da “guerra ao terrorismo” lançada por George W. Bush e continuada com todo empenho pelo atual ocupante da Casa Branca, Barack Obama. O ataque provocou grande revolta entre os afegãos e profunda consternação na opinião pública internacional, a tal ponto que o presidente títere do país veio a público caracterizar os agressores em termos contundentes.

A matança de civis no Afeganistão corresponde à mesma lógica do que a Otan está perpetrando no Norte da África.

Desde o dia 19 de março último, está em curso mais uma guerra do imperialismo norte-americano, de seus aliados da União Europeia e da Otan. É a primeira guerra da administração Obama, mas a terceira que tem que conduzir, porquanto herdou as guerras do Afeganistão e do Iraque.

Até o momento a aviação da Otan já descarregou mais de três mil bombardeios sobre a Líbia, atingindo alvos civis e até a residência do líder do país. Num desses ataques, um de seus filhos e três netos foram mortos. Claramente, a Otan quer assassinar o líder líbio.

Tal como todas as guerras recentes do imperialismo estadunidense e seus aliados contra outras nações, é uma guerra feita com falsos pretextos e conta com a cumplicidade de uma colossal e poderosa máquina de mentiras – os meios de comunicação, que preparam o terreno com a difusão de argumentos sobre a suposta violação dos direitos humanos, a perpetração de crimes contra a população civil e a desobediência a tratados internacionais.

Na verdade, os bombardeios na Líbia pela Otan fazem parte de uma estratégia global das potências imperialistas para reverter a seu favor os acontecimentos que têm abalado o mundo árabe e todo o Oriente Médio, a partir das vitoriosas rebeliões na Tunísia e no Egito.

A Otan é o principal mecanismo do processo de militarização atualmente em curso no mundo. Ao contrário de desaparecer, com o fim da guerra fria, como pareceria lógico, ou de diminuir, a chamada Aliança Atlântica expande-se, cresce e multiplica suas funções. Aumentam as regiões onde está presente, diversificam-se as ditas “parcerias para a paz” e “cooperação especial”. Intensificam-se as tratativas e pressões no campo diplomático, assim como a propaganda, para que a Otan seja considerada uma força em defesa da paz, com o beneplácito das Nações Unidas.

Desde que surgiu, em 1949, a Otan tem caráter agressivo e assim tem atuado. Foi o principal instrumento do imperialismo estadunidense e seus aliados europeus na luta contra os países socialistas e nas ações para impor o sistema neocolonialista em todo o mundo no período após a Segunda Grande Guerra. Atuou como “xerife” dos interesses imperialistas no mundo, ao lado de regimes ditatoriais sanguinários. Com o final da guerra fria, no início dos anos 1990, e a subsequente extinção do Pacto de Varsóvia, que os imperialistas utilizavam como pretexto para justificar a existência da Otan e propalar falsamente o caráter defensivo desta, as reuniões de cúpula da Otan passaram a debater sobre a adoção do chamado “novo conceito estratégico”.

As recentes cúpulas da Otan, principalmente a última, de novembro passado, em Lisboa, realizaram-se com a finalidade precípua de elaborar um novo conceito estratégico, o que efetivamente ocorreu, sinalizando para a exacerbação do caráter agressivo desta organização.
Já em novembro de 1991, na cimeira de Roma, o documento aprovado claramente buscava novos pretextos, a fim de atribuir à Otan um novo papel.

Esta nova concepção estratégica foi oficializada em plena guerra contra a Iugoslávia, na reunião de cúpula realizada em Washington, em abril de 1999. A chamada adaptação aos novos tempos se fez acompanhar de medidas para ampliar o raio de ação da Aliança, dotá-la de maior capacidade militar para empreender ações lesivas à soberania dos povos, inclusive fora do território da Aliança. 

A Otan expandiu-se geograficamente, criou a força de rápida intervenção, modernizou seu arsenal, multiplicou suas bases militares e intervém militarmente em todas as partes, onde comete crimes de lesa-humanidade. 

A Aliança Atlântica, com seu novo conceito estratégico, aperfeiçoou-se e capacitou-se ainda mais como uma máquina de opressão e guerra. 

Em todo o mundo é latente o sentimento dos povos de oposição aos planos de guerra do imperialismo. Tais planos devem ser denunciados, rechaçados e combatidos, através da intensa mobilização dos movimentos sociais, de solidariedade internacionalista e pela paz.

 

Líbia diz que bombardeios da Otan mataram 718 civis

31/05/2011

TRÍPOLI (Reuters) - Os bombardeios da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) na Líbia matou 718 civis, disse na terça-feira o porta-voz do governo líbio, Moussa Ibrahim.

Ele afirmou que os dados, até 26 de maio, mostraram ainda que 4.067 civis ficaram feridos, incluindo 433 gravemente.

A Otan negou que seus ataques tenham matado um grande número de civis, e repórteres estrangeiros em Trípoli não tinham evidências de que havia um grande número de vítimas civis.

Países da Otan estão intensificando a intervenção militar na Líbia para tentar romper um impasse que mantém o líder Muammar Gaddafi no poder, apesar da insurreição rebelde e de semanas de ataques aéreos. Gaddafi está no governo da Líbia há quatro décadas.

(Reportagem de Peter Graff)

 

Kadafi diz a presidente sul-africano que não está disposto a deixar a Líbia

Johanesburgo, 31 mai (EFE).- O coronel líbio, Muammar Kadafi, confirmou na segunda-feira ao presidente sul-africano, Jacob Zuma, que não está disposto a deixar a Líbia, mas que aceita um cessar-fogo e estabelecer negociações para pôr fim ao conflito que vive o país.

Em comunicado divulgado nesta terça-feira, a Presidência sul-africana ressalta que, na reunião mantida na segunda-feira em Trípoli entre Zuma e Kadafi, o líder líbio "reiterou seu acordo com um cessar-fogo e um diálogo entre o povo líbio para encontrar uma solução política ao conflito".

A postura de Kadafi, que há mais de um mês tinha aceitado negociar, mas não abandonar o poder, choca com a da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e dos rebeldes do Conselho Nacional Transitório (CNT), com sede em Benghazi, que exigem sua renúncia.

"(Kadafi) manifestou sua oposição aos bombardeios da Otan (sobre a Líbia), que acabaram com a vida a seu filho e seus netos e que continuam provocando destruição de propriedades e acabando com vidas", acrescenta o comunicado da Presidência da África do Sul.

Segundo a nota, o Kadafi "pediu o fim dos bombardeios para permitir um diálogo entre os líbios, mas ressaltou que não está disposto a deixar o país, apesar das dificuldades".

Zuma retornou nesta terça-feira a Pretória, depois de se reunir com Kadafi na Líbia, em nome da União Africana (UA), para negociar uma saída para o conflito no país.

"Os dois governantes mantiveram uma longa conversa na residência do líder líbio em Trípoli e o presidente Zuma fará um relatório sobre a visita ao chefe do Comitê Especial de Alta Categoria da UA para a Líbia, o presidente da Mauritânia, Mohammed Ould Abdel Aziz", diz a nota oficial.

No encontro, Zuma reiterou a Kadafi o plano de paz da UA, "especialmente a necessidade de um cessar-fogo de todas as partes para permitir que o diálogo político entre o povo líbio comece", acrescenta a nota.

Como no início de abril, Kadafi aceitou o "mapa do caminho" da UA, mas se negou a deixar o país, uma exigência feita pelos líderes rebeldes do CNT e pela Otan.

A nota explica que Zuma realizou sua viagem para ver "a destruição causada pelos bombardeios e o agravamento da crise humanitária" e acrescenta que lhe "preocupa a segurança pessoal do coronel Kadafi".

Zuma, que recentemente se reuniu com uma representação dos rebeldes em Pretória, pediu, segundo a nota, "a todos os líderes da Líbia que exerçam uma autoridade decisiva para encontrar uma solução ao conflito".

A UA se opôs à intervenção militar estrangeira na Líbia e assinalou que os bombardeios da Otan violam a resolução da ONU.

O Governo sul-africano também condenou a intervenção da Otan na Líbia e Zuma disse na segunda-feira à televisão oficial do país, a "SABC", em Trípoli, que os bombardeios tornam mais difícil levar adiante os planos da UA de fomentar o diálogo para solucionar o conflito.

 

Presidente afegão aumenta tensão na relação com Otan pela morte de civis

Cabul, 31 mai (EFE).- O presidente afegão, Hamid Karzai, fez nesta terça-feira críticas sem precedentes às forças da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) no Afeganistão, às quais avisou que serão consideradas "invasoras" se continuarem com bombardeios contra civis.

Em um discurso na televisão, Karzai advertiu com gestos irritados às forças internacionais que "se não interromperem os bombardeios contra as moradias de civis, sua presença no Afeganistão será considerada a de um invasor", e acrescentou que "a história mostra como reagem os afegãos contra os invasores".

Após visitar na segunda-feira a localidade sulina de Nawzad, onde um bombardeio da missão da Otan matou no sábado por engano 12 crianças e duas mulheres, Karzai referiu-se a necessidade de os ocidentais tratarem o Afeganistão "como um país aliado e não como um ocupado".

"O povo afegão não pode tolerar mais estes ataques as casas de civis. Se não for alcançada uma solução negociada, o Governo terá de tomar uma ação unilateral a respeito", declarou o presidente afegão, que não especificou que ações iria adotar seu Executivo.

A missão da Otan, a Força Internacional de Assistência à Segurança (Isaf), pediu desculpas na véspera pela morte de civis, mas nesta terça-feira afirmou que continuará com as operações aéreas noturnas, em contradição ao pedido de sábado de Karzai após saber do incidente de Nawzad.

Como informa a agência local "AIP", o porta-voz da missão internacional, o general alemão Josef Blotz, afirmou que as operações noturnas foram proveitosas e graças a elas foi possível conseguir grande parte dos sucessos da última década na luta contra a insurgência afegã.

"As ações noturnas ocorreram em coordenação com as forças de segurança afegãs, cujos membros sempre estão presentes durante essas operações, que seguirão executando em coordenação com as autoridades do país", precisou Blotz.

O presidente afegão pediu no sábado a seu Ministério da Defesa que coloque fim às operações "não coordenadas" da Isaf no Afeganistão e que assuma o controle das ações noturnas.

A crescente tensão entre a missão da Otan e as autoridades afegãs sobre as baixas civis chega após a morte nos últimos dias de 32 civis em dois bombardeios das forças internacionais no sul e o leste do Afeganistão.

Ao incidente do sábado em Nawzad, na conflituosa província de Helmand, é preciso acrescentar outro que na quinta-feira acabou, segundo fontes oficiais afegãs, com a vida de 18 civis na província oriental do Nuristão, região que semana passada foi palco de intensos combates após a tomada de vários distritos por parte dos talibãs.

A missão da Otan no país está investigando os dois incidentes. Karzai declarou que essa era sua "última" advertência às tropas internacionais.

Embora as organizações de direitos humanos atribuam aos talibãs as mortes de civis (ao menos, grande parte delas), as autoridades de Cabul, com o presidente afegão à frente, tacharam de "inaceitáveis" as vítimas civis em bombardeios internacionais.

Pelos dados da missão das Nações Unidas no Afeganistão (Unama), 2.777 civis morreram no ano passado pela violência, crescimento de 15% na comparação com 2009.

O relatório da Unama destaca que as ações dos talibãs, que em 2010 mataram 2.080 civis, cada vez são mais fatais à população civil, enquanto os 440 óbitos por causa de operações das forças internacionais representaram uma queda com relação a 2009.

No Afeganistão estão presentes 150 mil tropas estrangeiras, mas prevê que o número comece a cair com a retirada gradual das forças americanas, cujo início está previsto para julho, período que abrirá um panorama de incerteza no país em guerra.

Para Karzai, Otan será força de ocupação no caso de morte de mais civis

CABUL, 31 Mai 2011 (AFP) -A coalizão internacional da Otan pode se tornar uma "força de ocupação" se continuar matando civis durante suas operações no Afeganistão, advertiu o presidente Hamid Karzai.

"Se continuarem bombardeando as casas afegãs, apesar de o governo ter proibido, então sua presença não será mais considerada como a de uma força que trava uma guerra contra o terrorismo, e sim como a de uma força de ocupação", declarou o chefe Estado.

"E a história do Afeganistão mostra como os afegãos tratam as forças de ocupação", advertiu.

Os afegãos combateram vários invasores em sua história. No século XIX, o Exército britânico não conseguiu se impor complemente no país e em 1989, o Exército soviético - que entrou no país 10 anos antes para apoiar o regime comunista de Cabul - teve que deixar o país após uma violenta guerra contra uma resistência que jamais conseguiu derrotar.

"O bombardeio de casas afegãs está proibido. Isto deve acabar, ou um dia teremos que adotar uma decisão unilateral para acabar com os ataques", ameaçou.

No domingo passado, Karzai fez uma "última advertência" às forças da Otan, sobretudo aos americanos, que constituem mais de dois terços da presença militar no país.

O presidente afegão pediu o fim das operações "unilaterais", depois da morte, segundo Cabul, de 14 civis, incluindo 10 crianças, em um ataque de helicópteros contra duas casas no sul do país.

A Otan respondeu que os ataques aéreos da Otan contra casas no Afeganistão são "necessários" e prosseguirão, em coordenação com as forças afegãs.

"Estes bombardeios são necessários, continuam sendo necessários", disse a porta-voz da Otan, Oana Lungescu, na sede da Aliança em Bruxelas.

"Acontecerão em coordenação com as forças afegãs", acrescentou, antes de afirmar que a Aliança fará o possível para que não aconteçam mais perdas de vidas inocentes.

A porta-voz lamentou as mortes de civis e destacou que a Otan e as autoridades afegãs abriram uma investigação após a morte dos 14 civis no sábado na província meridional de Helmand.

As mortes de civis são um assunto delicado no Afeganistão, onde 10 anos de presença militar estrangeira alimentam o ressentimento antiocidental.

Karzai diz que Otan 'não tem permissão' para atacar lares afegãos

31/05/2011 -  O presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, disse nesta terça-feira que as forças da Otan "não tem permissão" para atacar lares afegãos e correm o risco de ser vistas como "forças de ocupação" se civis continuarem morrendo por causa de suas operações.

"A Otan precisa entender que ataques aéreos em casas afegãs não são permitidos e que a população do Afeganistão não tolerará mais isso", disse ele.

"Se eles não cessarem os ataques a residências afegãs, sua presença no Afeganistão será considerada uma força de ocupação contra a vontade do povo afegão."
No final de semana, Karzai já havia dito estar dando o "último aviso" para a Otan, após um bombardeio da entidade ter matado 12 crianças e duas mulheres no sábado na província de Helmand (sul do país).

A Otan pediu desculpas pelas mortes nas operações do final de semana, mas disse que os bombardeios, que visam militantes da milícia Talebã, eram necessários e vão continuar em conjunto com forças afegãs.

O correspondente da BBC em Cabul Paul Wood afirma que as declarações sugerem um aumento das divergências entre Karzai e a Otan.

No entanto, Wood disse que não está claro o que Karzai irá fazer se as mortes de civis prosseguirem em operações da Otan contra o Talebã.

 

Itália enviará fundos para oposição líbia com dinheiro congelado de Kadafi

31/05/2011

BENGHAZI, 31 MAI (ANSA) - O ministro italiano das Relações Exteriores, Franco Frattini, prometeu ao Conselho Nacional de Transição (CNT) que ajudará a população de Benghazi com recursos de contas congeladas do ditador Muammar Kadafi.

O chanceler viajou hoje para o país norte-africano, onde se reuniu com o presidente do CNT, Mustafá Abdel Jalil, com quem assinou um memorando prometendo o envio de recursos pecuniários e de combustível.

"Temos na Itália contas importantes que foram congeladas depois das sanções ao regime de Kadafi. Falamos de milhares de milhões de euros que não são recursos do regime, mas do povo líbio, e estas contas congeladas podem representar a garantia para estas transferências", afirmou o diplomata, em coletiva de imprensa.

Estes fundos serão disponibilizados pela população líbia por meio do Conselho com linhas de crédito à população. Entre as contas congeladas estão as do fundo soberano líbio e de quatro entidades governamentais controladas por Kadafi.

"Tomamos o compromisso com a Eni [petrolífera estatal italiana] e a Unicredit de prover as necessidades da população líbia por meio do CNT com uma enorme quantidade de combustível e uma enorme soma de dinheiro, centenas de milhões de euros que são necessários para a população", acrescentou Frattini.

O italiano também aproveitou a viagem para inaugurar o consultado italiano em Benghazi, reafirmando que Kadafi "deve deixar o poder e o país".

A sede da diplomacia da Itália na cidade havia sido fechada em 2006, após um confronto entre manifestantes e policiais locais que deixou onze mortos. Os ativistas eram em sua maioria muçulmanos que protestavam contra as caricaturas do profeta Maomé publicadas naquele ano em um jornal conservador dinamarquês.

O congelamento de recursos do governo líbio e a decisão de reabrir um consulado por parte da Itália fizeram parte de uma série de medidas com relação ao país que saíram como deliberação de uma reunião extraordinária de chanceleres da União Europeia (UE) ocorrida em março. O encontro também indicou que os países europeus deveriam reconhecer oficialmente o CNT como interlocutor político do país.

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Presidente sírio decreta anistia geral que inclui presos políticos

31/05/2011

No Cairo (Egito) o presidente sírio, Bashar Assad, decretou nesta terça-feira uma anistia geral, incluindo os presos políticos, para os réus que cometeram crimes até agora, informou a rede de televisão estatal.

A emissora acrescentou que o indulto inclui membros da Irmandade Muçulmana, explica que a anistia consiste no perdão de metade da pena sempre e quando não haja uma denúncia feita por algum indivíduo.

Desde que explodiram os protestos políticos em meados de março o regime de Bashar Assad tratou de aplacá-los sem sucesso com a adoção de várias medidas.

Em 11 de maio, criou um comitê para elaborar uma minuta de uma nova lei eleitoral para a realização de eleições gerais.

Além disso, em 21 de abril, Assad aprovou o fim da Lei de Emergência, vigente desde 1963, a eliminação do Alto Tribunal da Segurança do Estado e apoiou uma nova lei que garante o direito de convocar protestos pacíficos.

Em meados de abril anunciou também um novo governo com o ex-titular de Agricultura Adel Safar como novo primeiro-ministro.

Mais de 1.000 manifestantes morreram desde o início dos protestos que ganharam força e estenderam-se por várias cidades do país.

 

Perguntas que são necessárias fazer em cada guerra

Desde 1945, os Estados Unidos já bombardearam algum país vinte e sete vezes. E, a cada vez, afirmaram que estes atos de guerra eram “justos” e “humanitários”. Hoje, dizem-nos que a guerra na Líbia é diferente das precedentes. O mesmo que foi dito da anterior. E da anterior. E de todas as outras vezes. Não estamos já na hora de pôr a preto e branco as perguntas que é preciso colocar em cada guerra para não deixar-se manipular?

Michael Collon já publicou vários livros sobre as estratégias da guerra dos EUA e da mídia nos conflitos precedentes, apresenta uma análise global do caso líbio, em três partes: I: Perguntas que é preciso colocar em cada guerra; II: Os verdadeiros objetivos dos EUA vão mais além do petróleo; III: Pistas para atuar. Publicamos, a seguir, a primeira parte deste ensaio:

27 vezes. Vinte e sete vezes os EUA bombardearam algum país, desde 1945. E cada vez tem-nos afirmado que estes atos de guerra eram “justos” e “humanitários”. Hoje, dizem-nos que esta guerra é diferente das precedentes. O mesmo que foi dito da anterior. E da anterior. E de cada vez. Não estamos já na hora de pôr a preto e branco as perguntas que é preciso colocar em cada guerra para não deixar-se manipular?

Há sempre dinheiro para a guerra?

No país mais poderosos do globo, 45 milhões de pessoas vivem na extrema pobreza. Nos EUA, escolas e serviços públicos estão ruindo porque o Estado “não tem dinheiro”. Na Europa, também acontece o mesmo, “não há dinheiro” para as pensões ou para a promoção do emprego.

Porém, quando a cobiça dos banqueiros desencadeia a crise financeira, então, em só uns dias, aparecem bilhões para os salvar. Isto permitiu aos banqueiros dos EUA repartirem no ano passado US$ 140 bilhões de lucros e bônus a seus acionistas e especuladores.

Também para a guerra parece fácil encontrar bilhões. Ora bem, são nossos impostos que pagam estas armas e estas destruições. É razoável converter em fumaça centenas de milhares de euros em cada míssil ou esbanjar cinquenta mil euros por hora de um porta-aviões? Ou será porque a guerra é um bom negócio para alguns? Ao mesmo tempo, uma criança morre de fome a cada cinco segundos e o número de pobres não cessa de aumentar no nosso planeta, apesar de tantas promessas.

Qual a diferença entre um líbio, um bareinita e um palestino? Presidentes, ministros, generais, todos juram solenemente que seu objetivo é unicamente salvar os líbios. Mas, ao mesmo tempo, o sultão do Barein esmaga os manifestantes desarmados, graças aos dois mil soldados sauditas enviados pelos EUA! Ao mesmo tempo, no Iêmen, as tropas do ditador Saleh, aliado dos EUA, matam 52 manifestantes com suas metralhadoras. Estes fatos ninguém os põe em dúvida, mas o ministro dos EUA para a guerra, Robert Gates, acabou de declarar: “Não acho que seja o meu papel intervir nos assuntos internos de Iêmen”.

Por que estes dois pesos e duas medidas? Por que Saleh acolhe docilmente a 5ª Frota dos EUA e diz sim a todo o que Washington ordenar? Por que o regime bárbaro da Arabia Saudita é cúmplice das multinacionais petrolíferas? Será que existem “bons ditadores” e “maus ditadores”? Como os EUA e a França podem pretender ser “humanitários”? Quando Israel matou dois mil civis nos bombardeios sobre Gaza, eles declararam uma zona de exclusão aérea? Não. Decretaram alguma sanção? Nenhuma.

Ainda pior, Solana, então responsável pelos Assuntos Exteriores da UE declarou em Jerusalém: “Israel é um membro da UE sem ser membro de suas instituições. Israel faz parte ativa de todos os programas de pesquisa e de tecnologia da Europa dos 27″. Acrescentando ainda: “Nenhum país fora do continente tem o mesmo tipo de relacionamentos que Israel com a União Européia”. Neste ponto, Solana tem razão: A Europa e seus fabricantes de armas colaboram estreitamente com Israel na fabricação de ‘drones’, mísseis e outros armamentos que semeiam a morte em Gaza.

Recordemos que Israel, que expulsou 700 mil palestinos das suas aldeias, em 1948, se recusa a devolver-lhe seus direitos e continua cometendo inumeráveis crimes de guerra. Sob esta ocupação, 20% da população palestina atual está ou passou pelas prisões israelenses. Mulheres grávidas foram obrigadas a darem à luz atadas ao leito e reenviadas imediatamente às suas celas com os bebês. Esses crimes são cometidos com a cumplicidade dos EUA e da UE.

A vida de um palestino ou de um barenita vale menos do que a de um líbio? Há árabes “bons” e árabes “maus”?

Para os que ainda acreditam na guerra humanitária…

Em um debate televisionado que tive com Louis Michel, ex-ministro belga dos Assuntos Exteriores e Comissário Europeu para a Cooperação e o Desenvolvimento, este me jurou, com a mão no peito, que esta guerra tinha como objetivo “pôr de acordo as consciências da Europa”. Era apoiado por Isabelle Durant, líder dos Verdes belgas e europeus. Dessa forma, os ecologistas (“peace and love”) viraram belicistas!

O problema é que a cada vez mais nos falam de guerra humanitária e que gente de esquerda como Durant se deixa enganar. Não fariam melhor em ler o que pensam os verdadeiros líderes dos EUA em vez de olharem e assistirem a TV? Escutem, por exemplo, a propósito dos bombardeios contra o Iraque, o célebre Alan Greenspan, durante muito tempo diretor da Reserva Federal dos EUA. Greenspan escreve em suas memórias: “Sinto-me triste quando vejo que é politicamente incorreto reconhecer o que todo mundo sabe: a guerra no Iraque foi exclusivamente pelo petróleo”. E acrescenta: “Os oficiais da Casa Branca responderam-me: ‘pois, efetivamente, infelizmente não podemos falar de petróleo’”.

A propósito dos bombardeios sobre a Iugoslávia escutem John Norris, diretor de Comunicações de Strobe Talbot que, nesse então, era vice-ministro dos EUA dos Assuntos Exteriores encarregado para os Bálcãs. Norris escreve em suas memórias: “O que melhor explica a guerra da OTAN é que a Iugoslávia se resistia às grandes tendências de reformas políticas e econômicas (quer dizer: negava-se a abrir mão do socialismo), e esse não era nosso compromisso com os albaneses do Kosovo”.

Escutem, a propósito dos bombardeios contra o Afeganistão, o que dizia o antigo ministro de Assuntos Exteriores, Henri Kissinger: “Há tendências, sustentadas pela China e pelo Japão, de criar uma zona de livre-câmbio na Ásia. Um bloco asiático hostil, que combine as nações mais povoadas do mundo com grandes recursos e alguns dos países industrializados mais importantes, seria incompatível com o interesse nacional americano. Por estas razões, a América deve manter a sua presença na Ásia…”

O que vinha a confirmar a estratégia avançada por Zbigniew Brzezinski, que foi responsável pela política exterior com Carter e é o inspirador de Obama: “Eurasia (Europa+Ásia) é o tabuleiro sobre o qual se desenvolve o combate pela primacia global. (?) A maneira como os EUA “manejam” a Eurasia é de uma importância crucial. O maior continente da superfície da terra é também seu eixo geopolítico. A potência que o controlar, controlará de fato duas das três grandes regiões mais desenvolvidas e mais produtivas: 75% da população mundial, a maior parte das riquezas físicas, sob a forma de empresas ou de jazidas de matérias-primas, 60% do total mundial”.

Nada aprendeu a esquerda das falsidades humanitárias transmitidas pela mídia nas guerras precedentes? Quando o próprio Obama falou, tampouco acreditaram nele? Neste mesmo 28 de março, Obama justificava assim a guerra da Líbia: “Conscientes dos riscos e das despesas da atividade militar, somos naturalmente reticentes a empregar a força para resolver os numerosos desafios do mundo. Mas quando os nossos interesses e valores estão em jogo, temos a responsabilidade de agir. Vistos os custos e riscos da intervenção, temos que calcular, a cada vez, nossos interesses ante a necessidade de uma ação. A América tem um grande interesse estratégico em impedir que Kadafi derrote a oposição”.

Não está claro? Então alguns vão e dizem: “Sim, é verdade, os EUA não reagem se não virem nisso o seu interesse. Mas ao menos, já que não pode intervir em todos os sítios, salvará àquela gente” Falso. Vamos demonstrar que são unicamente seus interesses os que procura defender. Não os valores. Em primeiro lugar, cada guerra dos EUA produz mais vítimas do que a anterior (um milhão no Iraque, diretas ou indiretas). A intervenção na Líbia, prepara-se para produzir mais…

Quem se nega a negociar?

Desde o momento em que colocarem uma dúvida sobre a oportunidade desta guerra contra a Líbia, imediatamente serão culpados: “então recusam-se a salvar os líbios do massacre? Assunto mal proposto. Suponhamos que todo o que se nos tem contado fosse verdade. Em primeiro lugar, pode-se parar um massacre com outro massacre? Já sabemos que nossos exércitos ao bombardearem vão matar muitos civis inocentes. Inclusive se, como a cada guerra, os generais nos prometem que vai ser “limpa”; já estamos habituados a essa propaganda.

Em segundo lugar, há um meio bem mais singelo e eficaz de salvar vidas. Todos os países da América latina propuseram enviar imediatamente uma mediação presidida por Lula. A Liga Árabe e a União Africana apoiavam esta gestão e Kadafi tinha-a aceitado (propondo ele também que fossem enviados observadores internacionais para verificar o cessar-fogo). Mas os insurgentes líbios e os ocidentais recusaram esta mediação.

Por quê? “Porque Kadafi não é de confiar”, dizem. É possível. E os insurgentes e os seus protetores ocidentais são sempre de confiar? A propósito dos EUA, convém recordar como se comportaram em todas as guerras anteriores, cada vez que um cessar-fogo era possível. Em 1991, quando Bush pai atacou o Iraque, porque este invadia o Kuweit, Saddam Hussein propôs se retirar e que Israel se retirasse também dos territórios ilegalmente ocupados na Palestina. Mas os EUA e os países europeus recusaram seis propostas de negociação.

Em 1999, quando Clinton bombardeou a Jugoslávia, Milosevic aceitava as condições impostas em Rambouillet, mas os EUA e a OTAN acrescentaram uma, intencionadamente inaceitável: a ocupação total da Sérvia.

Em 2001, quando Bush filho atacou o Afeganistão, os talibãs propunham a entrega de Bin Laden a um tribunal internacional se eram apresentadas provas do seu envolvimento, mas Bush rejeitou a negociação.

Em 2003, quando Bush filho atacou o Iraque, sob o pretexto das armas de destruição em massa, Saddam Hussein propôs o envio de inspetores, mas Bush o recusou porque ele sabia que os inspetores não iam encontrar nada. Isto está confirmado na divulgação de um memorando de uma reunião entre o governo britânico e os líderes dos serviços secretos britânicos, em julho de 2002: “os líderes britânicos esperavam que o ultimato fosse redigido em termos inaceitáveis, de modo que Saddam Hussein o recusasse diretamente. Mas não estavam certos de que isso iria funcionar.

Então tinham um plano B: que os aviões que patrulhavam a “zona de exclusão aérea” lançassem muitíssimas mais bombas à espera de uma reação que desse a desculpa para uma ampla campanha de bombardeios. Então, antes de afirmar que “nós” dizemos sempre a verdade e que “eles” sempre mentem, asssim como que “nós” procuramos sempre uma solução pacífica e “eles” não querem se comprometer, teria que ser mais prudentes… Mais cedo ou mais tarde, a gente saberá o que se passou com as negociações nos bastidores e constatará, mais uma vez, que foi manipulada. Mas será muito tarde e os mortos já não os ressuscitaremos.

A Líbia é igual a Tunísia ou ao Egito?

Em sua excelente entrevista publicada há alguns dias por Investi’Action, Mohamed Hassan, professor de doutrina islâmica e especialista do Oriente Médio, colocava a verdadeira questão: “Líbia: levante popular, guerra civil ou agressão militar?” À luz de recentes investigações é possível responder: as três coisas. Uma revolta espontânea rapidamente recuperada e transformada em guerra civil (que já estava preparada), tudo servindo de pretexto para uma agressão militar. A qual, também, estava preparada. Nada em política cai do céu. Consigo explicar-me?

Na Tunísia e no Egito a revolta popular cresceu progressivamente em umas semanas, organizando-se pouco a pouco e unificando-se em reivindicações claras, o que permitiu derrotar os tiranos. Mas, quando analisamos a sucessão ultrarrápida dos acontecimentos em Benghazi, a gente fica intrigada. Em 15 de fevereiro houve manifestações de parentes de presos políticos da revolta de 2006.

Manifestação duramente reprimida como foi sempre na Líbia e nos demais países árabes. Dois dias escassos mais tarde, outra manifestação, desta vez os manifestantes saem armados e passam diretamente a uma escalada contra o regime de Kadafi. Em dois dias, incrivelmente, uma revolta popular se converte em guerra civil. Totalmente espontânea?

Para saber isso, é preciso examinar o que se oculta abaixo do impreciso vocábulo “oposição líbia”. Em minha opinião, quatro componentes com interesses muito diferentes : 1º Uma oposição democrática. 2º Dirigentes de Kadafi “regressados” do oeste. 3º Clãs líbios descontentes da partilha das riquezas. 4º Combatentes de tendência islâmica. Quem compõe esta “oposição líbia”?

Em toda esta rede é importante sabermos de que estamos a falar. E sobretudo, que fação é a aceite pelas grandes potências…

1º Oposição democrática. É legítimo ter reivindicações ante o regime de Kadafi, tão ditatorial e corrupto como os outros regimes árabes. Um povo tem o direito de querer substituir um regime autoritário por um sistema mais democrático. No entanto, estas reivindicações estão até hoje pouco organizadas e sem programa concreto. Temos, ainda, no estrangeiro, movimentos revolucionários líbios, igualmente dispersos, mas todos opostos à ingerência estrangeira. Por diversas razões que expomos mais adiante, não são estes elementos democráticos os que têm muito que dizer hoje, sob a bandeira dos EUA nem da França.

2º Dignatários “regressados”. Em Bengazhi, um “governo provisório” foi instaurado e está dirigido por Mustafá Abud Jalil. Este homem era, até 21 de fevereiro, ministro da Justiça de Kadafi. Dois meses antes, a Anistia Internacional tinha-o posto na lista dos mais horríveis responsáveis por violações de direitos humanos do norte da África. É este indivíduo o que, segundo as autoridades búlgaras, organizava as torturas de enfermeiras búlgaras e do médico palestino detidos durante longo tempo pelo regime.

Outro “homem forte” desta oposição é o general Abdul Faah Yunis, ex-ministro do Interior de Kadafi e antes chefe da polícia política. Compreende-se que Massimo Introvigne, representante da OSCE (Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa) para a luta contra o racismo, a xenofobia e a discriminação, estime que estes personagens “não são os ‘sinceros democratas’ dos discursos de Obama, mas foram dos piores instrumentos do regime de Kadafi, que aspiram a tirar o coronel para tomar seu lugar”.

3º Clãs descontentes. Como sublinhava Mohamed Hassan, a estrutura da Líbia continua sendo tribal. Durante o período colonial, sob o regime do rei Idriss, os clãs do Leste dominavam e aproveitavam-se das riquezas petrolíferas. Após a revolução de 1969, Kadafi apoiou-se nas tribos do oeste e o Leste viu-se desfavorecido. É lamentável; um poder democrático e justo deve zelar por eliminar as discriminações entre as regiões. Pode-se perguntar se as antigas potências coloniais não incitaram as tribos rebeldes para enfraquecer a unidade do país. Não seria a primeira vez. Hoje, França e os EUA apostam nos clãs do Leste para tomar o controle do país. Dividir para reinar, um velho dito clássico do colonialismo.

4° Elementos da Al-Qaeda. Cabogramas difundidos pelo Wikileaks advertem que o Leste da Líbia era, proporcionalmente, o primeiro exportador no mundo de “combatentes mártires” no Iraque. Relatórios do Pentágono descrevem um cenário “alarmante” acerca dos rebeldes líbios de Bengazhi e Derna. Derna, uma cidade de escassos 80.000 habitantes, seria a fonte principal de yihaidistas no Iraque. Da mesma forma, Vincent Cannistrar, antigo chefe da CIA na Líbia, assinala entre os rebeldes muitos “extremistas islâmicos capazes de criar problemas” e que “as possibilidades [são] muito altas de que os indivíduos mais perigosos possam ter uma influência, caso Kadafi cair”.

Evidentemente tudo isto se escrevia quando Kadafi era ainda um “amigo”. Mas isto mostra a ausência total de princípios no chefe dos EUA e dos seus aliados. Quando Kadafi reprimiu a revolta islamista de Bengazhi, em 2006, fez isso com as armas e o apoio de Ocidente. Uma vez, somos contra os combatentes do tipo Bin Laden, outra vez, utilizamo-los. Vamos lá ver como.

Entre estas diversas “oposições” qual prevalecerá? Pode ser este também um objetivo da intervenção militar de Washington, Paris e Londres: tentar que “os bons” ganhem? Os bons do ponto de vista deles, é claro. Mais tarde, vai utilizar-se a “ameaça islâmica” como pretexto para se instalarem de forma permanente. Em qualquer caso uma coisa é segura: o cenário libio é diferente dos cenários tunisino ou egípcio. Ali era “um povo unido contra um tirano”. Aqui estamos em uma guerra civil, com um Kadafi que conta com o apoio de uma parte da população. E nesta guerra civil o papel que jogaram os serviços secretos americanos e franceses já não é tão secreto…

Qual foi o papel dos serviços secretos?

Na realidade, o assunto líbio não começou em fevereiro em Benghazi, mas sim em Paris, em 21 de outubro de 2010. Segundo revelações do jornalista Franco Bechis (Libero, 24 de março), nesse dia, os serviços secretos franceses prepararam a revolta de Benghazi. Fizeram “voltar” (ou talvez já anteriormente) Nuri Mesmari, chefe do protocolo de Kadafi, praticamente seu braço direito. O único que entrava sem chamar na residência do líder líbio. Em uma viagem a Paris com toda sua família para uma cirurgia, Mesmari não se encontrou com nenhum médico, pelo conttrário, teve encontros com vários servidores públicos dos serviços secretos franceses e com próximos colaboradores de Sarkozy, segundo o boletim digital Magreb Confidential.

Em 16 de novembro, no hotel Concorde Lafayette, prepararia uma imponente delegação que devia viajar dois dias mais tarde a Benghazi. Oficialmente, tratava-se de responsáveis pelo ministério da Agricultura e de líderes das firmas France Export Céréales, France Agrimer, Louis Dreyfus, Glencore, Cargill e Conagra. Mas, segundo os serviços italianos, a delegação incluía também vários militares franceses camuflados como homens de negócios. Em Benghazi, encontraram-se com Abdallah Gehani, um coronel líbio ao que Mesmari lhes tinha apresentado como disposto a desertar.

Em meados de dezembro, Kadafi, desconfiando, enviou um emissário a Paris para tentar contactar com Mesmari. Mas este foi preso na França. Outros líbios vão de visita a Paris no dia 23 de dezembro e são eles que vão dirigir a revolta de Benghazi com as milícias do coronel Gehani. Ainda, Mesmari revelou inúmeros segredos da defesa líbia. De tudo isto resulta que a revolta no Leste não foi tão espontânea como nos foi dito. Mas isto não é tudo. Não só foram os franceses?

Quem dirige atualmente as operações militares do “Conselho Nacional Líbio” anti-Kadafi? Um homem justamente chegado dos EUA, em 14 de março, segundo Al-Jazzira. Apresentado como uma das duas “estrelas” da insurreição líbia, pelo jornal britânico de direita, Dail Mail, Khalifa Hifter é um antigo coronel do exército líbio exilado nos EUA. Foi um dos principais comandantes da Líbia até a desastrosa expedição ao Chade, no final dos 80; emigrou imediatamente para os EUA e viveu os últimos vinte anos na Virgínia. Sem nenhuma fonte de rendimentos conhecida, mas a muito pouca distância dos escritórios… da CIA. O mundo é um muito pequeno.

Como é que um militar líbio de alta patente pode entrar com toda a tranquilidade nos EUA, uns anos após o atentado terrorista de Lockerbie, pelo qual a Líbia foi condenada, e viver durante vinte anos, tranquilamente, ao lado da CIA? Por força teve que oferecer algo em troca.

Publicado em 2001, o livro Manipulations africaines (Manipulações africanas) de Pierre Péan, traça as conexões de Hifter com a CIA e a criação, com o apoio da mesma, da Frente Nacional de Libertação Líbia. A única façanha da tal frente será a organização, em 2007, nos EUA, de um “congresso nacional” financiado pelo National Endowment for Democracy, tradicionalmente o mediador da CIA para manter lubrificadas as organizações a serviço dos EUA.

Em março deste ano, em data não comunicada, o presidente Obama assinou uma ordem secreta que autoriza a CIA a empreender operações na Líbia, para derrocar Kadafi. O The Wall Street Journal, que informa disso, em 31 de março, acrescenta: “Os responsáveis pela CIA reconhecem ter estado ativos na Líbia desde fazia várias semanas, tal como outros serviços secretos ocidentais”.

Tudo isto já não é muito secreto, circula pela Internet faz algum tempo; o que é estranho é que a grande mídia não diga nem uma palavra. No entanto, conhecem-se muitos exemplos de “combatentes da liberdade” armados deste modo e financiados pela CIA. Por exemplo, nos anos 80, as milícias terroristas da ‘contra’, organizadas por Reagan para desestabilizarem a Nicarágua e derrocarem seu governo progressista. Nada se aprendeu da História? Esta “Esquerda” européia que aplaude os bombardeios não utiliza a Internet?

Terá que se estranhar de que os serviços secretos italianos “delatem” assim as façanhas dos seus colegas franceses e que estes “delatem” seus colegas americanos? Isso só é possível se acreditarmos em histórias bonitas sobre a amizade entre “aliados ocidentais” Já falaremos…

Nota do sugestor: Algo muito interessante no artigo é ver a citação de fatos e questionamentos que o editor do GeoPolítica Brasil já havia levantado em artigos nossos e defendido no seminário realizado na UCAM no dia 22 de março, onde o tema era: a Crise no Oriente Médio.

Fico muito feliz em ver que os argumentos que defendo em relação a existência de um tratamento diferente, ou seja, um peso e duas medidas, com relação a ONU e OTAN que capitaneados pelos EUA fazem vista grossa para enormes crimes cometidos por governos de sua aliança naquela região, enquanto na Líbia promovem uma ação ilegítima contra o governo líbio.

Fonte: Carta Maior

VIA: PLANO BRASIL

Re: A Rússia e a China desafiam a NATO
 

O cinismo ocidental e Muamar Kaddafi

Por Leonid Ivashov

O que se passa na Líbia e ao redor dela mostra convincentemente que a comunidade internacional movimenta-se a uma reconstrução dos antigos métodos fascistas de conduzir os assuntos e processos internacionais, e isso de uma maneira sem precedentes e limites. Nunca na história da humanidade a idéia das normas dos direitos humanos se virou contra ela própria.  Apresentar bombardeios aniquiladores como ação humanitária é cinismo. Os antecedentes da história, a adoção e a aplicação da resolução 1973 do Conselho de Segurança da ONU, é alge e cúmulo do que pode ser entendido por cinismo. Em vez de garantir apoio à comunidade dos povos, o Conselho de Segurança (e já não é a primeira vez) sanciona o armamento de bandidos, redistribui propriedade nacional em favor de companhias e bancos ocidentais, aniquila a soberanidade de uma nação e bombardeia, num exercício de exterminação, o próprio povo que ele diz querer salvar de males piores.

A comunidade mundial tem o direito de na Assembléia Geral da ONU levantar a questão da legalidade ou criminalidade das ações do Conselho de Segurança. O levantamento dessas questões pode basear-se em:

1): O artigo 2 da Carta Magna da ONU diz: -“Nada dentro da presente Carta autoriza as Nações Unidas intervir em casos que estejam essencialmente dentro da jurisdição nacional de cada Estado, nada há que requeira os Membros das Nações Unidas a subjugar esses aspectos nacionais à ONU, baseando-se na presente Carta; mas esse princípio que não prejudique a aplicação ou enforcamento de medidas abaixo do capítulo VII”, o qual estabelece muito claramente que o Conselho de Segurança não tem absolutamente nenhum direito de nem mesmo falar de sanções contra a Líbia. Tudo o que o Conselho de Segurança poderia fazer sem ultrapassar os limites dos direitos autorizados seria sondar a possibilidade de intervir na situação criada pelos revoltosos na Líbia. Portanto, os membros do Conselho de Segurança que tomaram parte em preparar e passar a Resolução 1973 deveriam ser responsabilizados por excederem sua autoridade e isso onde havia finalidades criminosas. Em concordância com o fato deveriam enfrentar justiça em Corte Criminal internacional.

(2): Mesmo a extensão da ilegal Resolução 1973 é limitada à imposição de uma zona de trafego aéreo proibido, “no-fly zone”, o que de maneira alguma dá autorização a fazer a infra-estrutura civil do país, as forças armadas, ou grupos residenciais de Kadafi como alvo de ataque. A Resolução 1973 também não autoriza o apoiar militarmente a oposição armada da Líbia. Conseqüentemente, os atuais passos da OTAN, a justo título, merecem uma investigação criminal.

3): O Conselho de Segurança tem uma Comissão Militar própria, que é suposta de organizar as ações militares da ONU. Ela deveria analisar as situações em que a ONU tem intenção de intervir, planejar os aspectos técnicos da operação e sugerir a emissão de um mandato para uma eventual missão. Porque os Estados Unidos e a OTAN tomam a si mesmos o monopólio de interpretar realizar ou implementar a Resolução do Conselho de Segurança? Só isso já constitui um crime contra o Direito Internacional.

Nas ações do Conselho de Segurança e da OTAN manifesta-se uma finalidade criminosa contra os direitos humanos. O próprio Conselho de Segurança assim como a OTAN deveriam cair abaixo da jurisdição “Organização de Crimes Contra a Humanidade.” Cairia bem organizar um novo processo do tipo do processo de Nuremberg num futuro próximo. Seria muito possível e desejável.  Hitler e seu círculo começaram suas atividades no desassossego junto ao Tratado de Versailles, as quais foram seguidas nas agitações contra as normas dos direitos humanos e culminaram nos históricos crimes contra a humanidade. A lição deveria nos ter ensinado que atrás de cada pessoa morta, seja essa um soldado, um oficial, um elemento da oposição ou um cidadão qualquer do mundo, o culpado tem que se submeter à processo criminal e responder perante a ele.

Os americanos organizaram o processo contra S. Milosevic [Slobodan] e Saddam Hussein e a conseqüência foi à execução dos dois. O do segundo mencionado foi um ato aberto, o do primeiro, um ato às penumbras. Entretanto, em primeiro lugar não se apresentaram provas jurídicas convincentes quanto às alegações de culpa e em segundo lugar aquilo a que foram acusados nem de longe chega aos pés dos massivos crimes perpetuados pelos Estados Unidos e a OTAN.

Que é que se poderia acrescentar quanto a não envolvimentos em assuntos internos de outros países? Quanto à criminalidade da instigação à violência e resistência às autoridades poderíamos por ex. perguntar-nos como reagiriam as autoridades americanas se Kadafi assediasse os manifestantes em Visconsin, estado norte-americano onde não há muito tempo iam demonstrações massivas contra o governo, e através de seus representantes oficiais líbios oferece-se aos revoltosos financiamento e armas para serem usadas contra Washington.

De que é que Kadafi é acusado? De ter regido a Líbia por mais de 40 anos?   De ter usado de violência contra insurgentes armados, entre os quais se encontravam Al-Qaeda membros, alguns traidores agora contratados, assim como representantes da polícia secreta do bloco ocidental?  A autodenominada maior democracia do mundo- América, já há muito é governada, e isso de forma absoluta, por oligarquias do grande capital, muitos, verdadeiros mafiosos.

Quanto a isso se podia ler já no tempo de Kennedy, que foi assassinado conquanto tentando tirar da Reserva Federal (que se constitui por 12 bancos particulares da Wall Street) o direito do monopólio na impressão do dólar. Nessa ocasião ele também olhava em seu meio à procura de apoio para seu projeto para a construção de um sistema mínimo de controle das atividades dos bancos e comunidades bancárias.

Também podemos lembrar-nos aqui que mafiosos saqueiam e pilham não só outros povos, mas a sua própria sociedade e caso se queira levar o princípio da democracia ocidental sem limites a todos com mais de vários decênios de anos no poder, então é de urgência começar com as monarquias da Europa e Oriente Médio. Uma tal proposta iria provavelmente causar uma imensa confusão na Inglaterra. Na Jordânia uma proposta semelhante é só para esquecer, já para não se mencionar outras mais.

Em seu longo termo no poder Kadafi levou a nação à não dependência na esfera da politica-economia- e finanças, assim como trabalhou para colocar os recursos do país à favor de seus cidadãos, com a finalidade de desenvolvê-lo para bem de todos.

Hoje a Líbia é o país mais próspero do norte da África. No seu testamento, datado 5 de abril 2011, Moamar Kadafi fala sobre o porquê dos representantes dos interesses ocidentais quererem matá-lo:- “Eles compreendem que nosso país, independente e livre não está abaixo das rédeas coloniais, que a minha visão, a minha revolução foi e continua sendo clara para o meu povo. E eu lhes asseguro que vou lutar até meu ultimo suspiro para a nossa independência. Então nos ajudem todos que confiem no justo e na liberdade.”

Ve-se que a democracia liberal não tem por onde acusar o líder da Líbia pelo que ele fez para seu país, que tornou o mais próspero do continente africano, com excelente gratuito serviço de saúde, um sistema de grandes subvenções com muitos elementos gratuitos na área da habitação, alta segurança social, um elevado numero de cidadãos abastados ou vivendo confortavelmente. Pode-se dizer que a Europa ou os Estados Unidos supera essa abastança para a maioria dos seus cidadãos?

Falando dos seus oponentes internos Kadafi diz que “relacionando-se com americanos e visitantes de outros países eles podem falar que se precisa de “liberdade” e “democracia.” O que absolutamente não é compreendido é que estariam frente à lei da selva, onde todos são sujeitos aos mais fortes… Kadafi aponta para o fato que muitos ainda não compreenderam que na América não haveria serviço médico de qualidade que fosse gratuito, que não haveria hospitais que fossem gratuitos e que estivessem abertos para eles, que também não haveria educação que fosse gratuita, nem habitação que se pudesse conseguir sem muito dinheiro, assim como não haveria segurança social digna do nome” E continuando Kadafi apontou também para o fato que “fazia o que podia para seus irmãos africanos, que ele fazia pelos países da União Africana tudo que estava em seu poder para ajudar as pessoas compreenderem a idéia de uma verdadeira democracia onde, como em seu país, quem tinha o poder de governar era a organização popular.”

Acrescentou que na Líbia a democracia tinha se realizado com órgãos como os Conselhos e as Confederações onde os chefes das tribos e as pessoas podiam discutir e decidir as grandes decisões para o país. Por ex. ressaltou que todas as pessoas podiam tomar parte na discussão da realização do mais grandioso projeto no continente africano. Projeto esse que foi desenvolvido para dar à sociedade da Líbia água proveniente de lagos subterrâneo. Apesar da realidade do caráter do território do país e do calor do clima africano, na Líbia não há falta d água. Vias de transporte, portos, terminais, aeroportos são modernos e efetivos. Acrescentou que, no entanto para os Estados Unidos isso não seria visto como democracia porque o que gostariam de ver seria uma democracia à americana.

Democracia à americana sendo o imenso sistema capitalista, esse modelo fascista de governo de povos e processos, onde os mais ricos pegam todos os principais- internos e externos- postos de decisão e onde os presidentes e parlamentos são como marionetes, dando a impressão de que falam e agem pelo país, mas na realidade não tem esse poder real, porque o poder real está nas mãos de quem controla o dinheiro, ou em outras palavras no círculo da Wall Street.

O que é que Obama prometeu aos eleitores se não o acabar com as guerras? Mas, o presidente não pode conduzir o país contrariamente as decisões tomadas atrás das culissas. As decisões tomadas nas culissas determinam o caminho a ser tomado e essas decisões, elas sim vêem do poder real, dos que para começar agiram para que ele, Obama, se tornasse presidente e incondicionalmente e em primeiro lugar, defendesse os interesses deles mesmos. [Obama, assim como todos os outros antes dele, foi por assim dizer escolhido de antemão e, depois de provas de fogo, promovido ao posto.]

Por outras palavras quem manda é a coerção que controla o dinheiro. A divisa “o que é bom para a General Motors também é bom para a América” à já muito tempo cedeu lugar ao moto o que é bom para “Goldman Sachs” também é bom para a América.  É a crença que pensam adequadas, mas não se contentam em tê-la só para a América.  Estão determinados a forçá-la a toda humanidade. [A divisa “da General Motors” refere-se à economia baseada na produção industrial que hoje, por assim dizer, já não existe na América. A divisa “Goldman Sachs” refere-se à especulação financeira, que hoje é à base da economia americana, sendo o ex. maior do sistema de especulação financeira o que levou ao colapso de 2008.]

O que é com Kadafi que enraivece tanto a oligarquia financeira colonial-imperialista?  Em primeiro lugar a sua independência, assim como a da Líbia. Num mundo unipolar isso não poderia acontecer, e se acontece não poderia ser aceito, porque isso faria que a realidade já não seria unipolar, com um único centro de poder absoluto, ou seja, o colonial-imperialista.

Em segundo lugar está a realização e desenvolvimento da idéia socialista. Até mesmo a denominada “Dzjamaria,” o socialismo líbio, os oligarcas do mundo vêem como um perigo e uma idéia inaceitável, e esse perigo para eles é duplo. Toda a África do Norte e o Oriente Médio. Todo o mundo Islâmico parece estar à procura de um modelo para desenvolvimento e Líbia como um país Islâmico de grande prosperidade pode ser visto como um atraente e ótimo modelo a ser seguido. Principalmente se ela se mostrar à altura de vencer as admoestações do bloco colonial-imperialista na região. Daí se compreende todos os esforços e gastos para desacreditar e liquidar os resultados socialistas da Líbia.

Em terceiro lugar, o líder líbio no ano passado trabalhou muito ativamente na União Africana e entre os países pertencentes à OPEC (na sigla inglesa, os países produtores de petróleo) para persuadi-los a promover o “ouro-negro” ou o “dinheiro-ouro”. Uma forma de pagamentos e trocas em ouro por ouro. Por ex. ouro por petróleo.

Tudo isso leva o bloco colonial-imperialista à decisão de “democratizar” a Líbia. Sem nos aprofundarmos no assunto do padrão concreto da democracia nos países árabes, compreendemos que tudo isso leva ao modelo de “democratização” tipo ao do empregando no Iraque. Democratizar, quer dizer, liquidar a Líbia. Na arena mundial “a democratização” é para ser continuada com a Síria, Irã, com os escombros do Iraque, com o Paquistão, com a construção Curda, com o Yemem, na Caucásia e na Ásia Central. Todos na lista como potenciais alvos de “democratização.” E isso ainda não é tudo…

Tradução: Anna Malm

Leonid Ivashov, Presidente da Academia de Problemas Geopolíticos e Professor da Universidade de Moscou.

O original encontra-se em russo no site www.fondsk.ru A tradução aqui apresentada foi feita diretamente do original russo para o português.  O original foi publicado em 2011-04-25.  Nos pontos 1), 2) e 3), por se tratar de um texto jurídico dos estatutos da ONU, a tradução foi feita diretamente do texto inglês.

No Portal “Strategic Culture Foundation- [Fundação Estratégia e Cultura]- Online Journal- em www.strategic-culture.org encontra-se a tradução em inglês.

Fonte: Patria Latina

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Urânio empobrecido, uma estranha forma de proteger os civis líbios

Nas primeiras 24 horas de bombardeios a Libia, os aliados gastaram 100 milhões de libras esterlinas em munição dotada de ponta de urânio empobrecido. Trata-se de um resíduo do processo de enriquecimento de urânio que é utilizado nas armas e reatores nucleares, sendo uma substância muito valorizada no exército por sua capacidade para atravessar veículos blindados e edifícios. Esse urânio empobrecido pode causar danos renais, câncer de pulmão, câncer ósseo, problemas de pele, transtornos neurocognitivos, danos genéticos em bebês e síndromes de imunodeficiência, entre outras doenças.

“Os mísseis que levam pontas dotadas de urânio empobrecido se ajustam à perfeição à descrição de uma bomba suja…Eu diria que é a arma perfeita para assassinar um monte de gente”.
Marion Falk, especialista em física e química (aposentada), Laboratório Lawrence Livermore, Califórnia (EUA).

Nas primeiras vinte e quatro horas do ataque contra a Líbia, os B-2 dos EUA lançaram 45 bombas de 2 mil libras de peso cada uma (um pouco menos de uma tonelada). Estas enormes bombas, junto com os mísseis de cruzeiro lançados desde aviões e navios britânicos e franceses, continham ogivas de urânio empobrecido.

O DU (urânio empobrecido, na sigla em inglês) é um resíduo do processo de enriquecimento de urânio que é utilizado nas armas e reatores nucleares. Trata-se de uma substância muito pesada, 1,7 vezes mais densa que o chumbo, muito valorizada no exército por sua capacidade para atravessar veículos blindados e edifícios. Quando uma arma que leva uma ponta de urânio empobrecido golpeia um objeto sólido, como uma parte de um tanque, penetra através dele e depois explode formando uma nuvem quente de vapor. Esse vapor se transforma em um pó que desce ao solo e que é não só venenoso, mas também radioativo.

Um míssil com urânio empobrecido quando impacta algo sólido queima a 10.000°C. Quando alcança um objetivo, 30% dele fragmentam-se em pequenos projéteis. Os 70% restantes se evaporam em três óxidos altamente tóxicos, incluído o óxido de urânio. Este pó negro permanece suspenso no ar, e dependendo do vento e das condições atmosféricas pode viajar a grandes distâncias. Se vocês pensam que Iraque e Líbia estão muito distantes, lembrem-se que a radiação de Chernobyl chegou até Gales.

É muito fácil inalar partículas de menos de 5 micra de diâmetro, que podem permanecer nos pulmões ou em outros órgãos durante anos. Esse urânio empobrecido inalado pode causar danos renais, câncer de pulmão, câncer ósseo, problemas de pele, transtornos neurocognitivos, danos genéticos, síndromes de imunodeficiência e estranhas enfermidades renais e intestinais. As mulheres grávidas expostas ao urânio empobrecido podem dar à luz a bebês com deformações genéticas. Uma vez que o pó se vaporiza, não cabe esperar que o problema desapareça. Como emissor de partículas alfa, o DU tem uma vida média de 4,5 milhões de anos.

No ataque da operação “choque e pavor” contra o Iraque foram lançadas, somente sobre Bagdá, 1.500 bombas e mísseis. Seymour Hersh afirmou que só o terceiro comando de aviação dos Marines dos EUA lançou mais de “quinhentas mil toneladas de munição”. E tudo isso carregava pontas de urânio empobrecido.

A Al Jazeera informou que as forças invasoras estadunidenses dispararam 200 toneladas de material radioativo contra edifícios, casas, ruas e jardins de Bagdá. Um jornalista do Christian Science Monitor levou um contador Geiger até zonas da cidade que sofreram uma dura chuva de artilharia das tropas dos EUA. Encontrou níveis de radiação entre 1.000 e 1.900 vezes acima do normal em zonas residenciais. Com uma população de 26 milhões de habitantes, isso significa que os EUA lançaram uma bomba de uma tonelada para cada 52 cidadãos iraquianos, ou seja, uns 20 quilos de explosivos por pessoa.

William Hague, Secretário de Estado de Assuntos Exteriores britânico, disse que estávamos indo a Líbia “para proteger os civis e as zonas habitadas por civis”. Vocês não têm que olhar muito longe para ver a quem e o que está se “protegendo”.

Nas primeiras 24 horas, os aliados gastaram 100 milhões de libras esterlinas em munição dotada de ponta de urânio empobrecido. Um informe sobre controle de armamento realizado na União Europeia afirmava que seus estados membros concederam, em 2009, licenças para a venda de armas e sistemas de armamento a Líbia no valor de 333.357 milhões de euros. A Inglaterra concedeu licenças às indústrias bélicas para a venda de armas a Líbia no valor de 24,7 milhões de euros e o coronel Kadafi pagou também para que a SAS (sigla em inglês do Serviço Especial Aéreo) para treinar sua 32ª Brigada.

Eu aposto que nos próximos 4,5 milhões de anos, William Hague não irá de férias ao Norte da África.

Fonte: Carta Maior

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Re: A Rússia e a China desafiam a NATO
 

 

28 DE MAIO DE 2011

Imperialismo e anti-imperialismo em conflito

Os dois fatos mais salientes no plano internacional durante a semana (23 a 28 de maio) – a reunião de cúpula do G8, realizada em Deauville, França, e a Conferência Ministerial do Movimento dos Países Não Alinhados, em Bali, Indonésia – são ilustrativos de um dos principais conflitos no mundo contemporâneo: aquele que opõe, de um lado, os países ricos, as potências imperialistas, e de outro, os países e povos em luta para defender sua soberania e em busca do desenvolvimento econômico e social.

Na reunião de Deauville, sobressaiu o protagonismo do presidente estadunidense Barack Obama, que se vai tornando uma figura folclórica, e do francês, o caricato e histriônico Nicolás Sarkozy, um tipo que, na galeria dos chefes de Estado da França, passará à história como um personagem menor, bem menor que Luís Napoleão, o Pequeno.

Obama e Sarkozy, confrontados com o desgaste de suas imagens e vendo erodir sua base eleitoral, recorreram a jogadas no plano internacional para colher efeitos domésticos. O presidente dos Estados Unidos mandou assassinar Osama Bin Laden e apresentou a notícia, mas não o cadáver, como um troféu de caça. Sarkozy, o Menor, começou a reagir à falência de seu projeto brandindo a bandeira do chauvinismo agressivo, apresentando-se como o campeão da guerra contra a Líbia. Agora esfrega as mãos diante da desgraça do seu rival Dominique Strauss-Khan. 

A reunião do G8 serviu para as potências imperialistas buscarem um consenso em torno de temas econômicos e políticos. 

Em ambiente de crise, onde objetivamente manifestam-se as contradições interimperialistas, o consenso é cada vez mais difícil, pois a lógica prevalecente é a do salve-se quem puder. O único fator de unidade ali é a ofensiva contra os direitos dos trabalhadores, os interesses dos povos, a independência dos países oprimidos e os atentados contra o direito internacional e a paz. 

“Concordamos em seguir na ação para melhorar a sustentabilidade das finanças públicas, fortalecer a recuperação e fomentar o emprego, reduzir riscos assegurar um crescimento sólido e balanceado, incluindo reformas estruturais”, pontuou o documento das grandes potências. Mas na conjuntura econômica global contemporânea, é impossível chegar a algum acordo sobre os temas capitais da crise econômico-financeira, como a busca de uma “nova arquitetura”, a “regulação” e o enfrentamento do complexo problema das moedas, do desenvolvimento desigual e do comércio internacional, na ausência de um dos principais atores da economia global, a China, e mesmo dos demais países chamados emergentes, que se reúnem com os do G8 no grupo recentemente constituído, o G20. 

Nesse sentido, a reunião do belo e luxuoso balneário da Normandia, tem muito efeito propagandístico e quase nenhum resultado concreto.

Onde a cúpula do G8 revela seu verdadeiro caráter é nas proclamações e medidas relacionadas com as políticas intervencionistas e belicistas das potências ali representadas.

Os presidentes Barack Obama (Estados Unidos) e Nicolás Sarkozy (França) lançaram duras críticas a Muamar Kadafi e advetiram que levarão a cabo sua saída do poder. As ações criminosas da Otan dão a entender que os agressores não querem apenas derrubar o líder líbio, mas assassiná-lo. A Síria, país que se opõe aos planos neocolonialistas dos Estados Unidos e Israel no Oriente Médio, também entrou na alça de mira do G8, sob ameaças de sanções e, segundo o roteiro já traçado, também de ataque militar. 

Além de sinalizar o incremento das ações militares da Otan no Norte da África, as potências reunidas em Deauville decidiram comprar a transição no Egito e na Tunísia, por US$ 20 bilhões. Não se deve esquecer que no último discurso sobre o Oriente Médio, o chefe da Casa Branca deixou claro que os EUA atuarão junto aos governos mas também a indivíduos, organizações, grupos de interesse que se alinhem com as suas posições. Crescerá, assim, a infiltração e a ação de agentes financiados. A soma de US$ 20 bilhões poderá elevar-se a US$ 40 bilhões, segundo os porta-vozes do G8 anunciaram.

Mais a leste, em Bali, Indonésia, reuniram-se os países não alinhados. Pediram a suspensão dos bombardeios na Líbia, defenderam a posição de princípio pela destruição das armas nucleares, clamaram pelo fim do bloqueio a Cuba, denunciaram a situação dos mais de 8 mil presos políticos palestinos em Israel, demandaram a paz no Oriente Médio e apoiaram a luta pela criação do Estado palestino, criticaram os desequilíbrios no mundo e reivindicaram a constituição de uma nova ordem política e econômica internacional, cuja prioridade seja o desenvolvimento econômico-social, a defesa da soberania e autodeterminação e a paz. 

Que contraste! Trata-se de uma das mais importantes contradições de nossa época, a que opõe o sistema imperialista aos povos e nações em busca de sua verdadeira independência. Nesse conflito revela-se que o anti-imperialismo é um dos mais importantes fatores revolucionários da presente época.

http://www.vermelho.org.br/editorial.php?id_editorial=912&id_secao=16

 

Re: A Rússia e a China desafiam a NATO
 

 

 

Ainda bem que "eles" pediram desculpas...

Otan se desculpa pela morte de civis no Afeganistão

Investigação é aberta para apurar bombardeios que mataram 14 civis no sábado, na província de Helmand, e 18 na quinta-feira, no Nuristão

 A Otan se desculpou nesta segunda-feira pela morte de civis em um bombardeio aéreo no sábado na província de Helmand, no sul do Afeganistão. "Em nome da coalizão ofereço nossas sinceras desculpas aos familiares e amigos dos mortos", escreve John Toolan, comandante-em-chefe da Força Internacional de Assistência à Segurança (Isaf), a missão da Otan no Afeganistão.

O comunicado pede desculpas pela morte de 9 civis, mas autoridades afegãs afirmam que no incidente morreram 14.

Segundo o relato das forças da Isaf, uma patrulha da coalizão foi atacada por cinco insurgentes no distrito de Nawzad, na província de Helmand. Um soldado americano morreu. "Posteriormente, os cinco insurgentes continuaram atacando de uma casa próxima, e por isso as tropas da Otan solicitaram ajuda área", indica o relatório. "Infelizmente, após o ataque se descobriu que o lugar onde os insurgentes estavam entrincheirados era na realidade a casa de civis inocentes", diz o comunicado.

A Otan confirmou neste domingo ter aberto a investigação para apurar o ataque de sábado e outro realizado na quinta-feira, na província oriental do Nuristão, que matou 85 rebeldes, 20 policiais e 18 civis.

As mortes de civis são um dos principais pontos de atrito entre o governo afegão e as tropas internacionais, cerca de 150.000 soldados. Em 2010, 2.777 civis morreram vítimas da violência, segundo dados da missão das Nações Unidas.

As organizações de direitos humanos atribuem aos talibãs a maioria das mortes, mas as autoridades afegãs, com o presidente Hamid Karzai à frente, consideram ao mesmo tempo "inaceitáveis" as vítimas civis em bombardeios da Isaf.

EFE

 

 

 

30 de mayo de 2011

Processarão Sarkozy por crimes contra humanidade na Líbia

Paris, 30 mai (Prensa Latina) Dois célebres advogados franceses projetam processar nos tribunais o presidente da República Nicolas Sarkozy por crimes contra a humanidade na Líbia, segundo publicaram hoje aqui vários meios da imprensa. De acordo com as informações, um representante da justiça líbia declarou em Trípoli que os juristas Roland Dumas e Jacques Verges manifestaram a vontade de querelar o presidente, em nome das vítimas dos bombardeios da OTAN.

Dumas, ex-ministro de Exteriores socialista, assinalou que estava estupefato ao constatar que a missão da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), orientada a proteger os civis estava encaminhada a matá-los, reproduziram os jornais.

O advogado denunciou uma agressão brutal contra um país soberano e acrescentou que estava disposto a defender o líder líbio Muamar Kadafi em caso de ser julgado pelo Tribunal Penal Internacional.

Os diários agregaram que Barras chamou de assassinos os países da Aliança Atlântica.

Vamos romper a parede de silêncio, declarou.

FONTE: PRENSA LATINA

Re: A Rússia e a China desafiam a NATO
 

Se estão tão preocupados, por que não vetaram a resolução? Na pior das hipóteses, não dariam a legitimidade para a operação? Erro de avaliação? Agora, correm atrás do prejuízo!

Há um outro fator a ser levado em conta! Para a China, o precedente da Líbia não é só quanto a intervir no Oriente Médio. É legitimar a intervenção na África! Que tal a derrubada de governos e regimes que negociem recursos estratégicos, preferencialmente, com a China?

 

E aí dona OTAN, vão bombardear China e Rússia?

O papel de Obama e líderes europeus na Líbia é patético, eles tomaram partido dos rebeldes, o que dá o direito de russos e chineses venderem armamentos as forças de Kadafi.

É a primeira vez na história que milícias são consideradas civis. Mesmo que os rebeldes tomem o poder, não será um governo estável, a Líbia pode virar uma Somália.

A OTAN sabe que uma invasão terrestre seria pior que no Iraque, Kadafi tem muito mais apoio popular que Saddam Hussein tinha. Basta ver a crise migratória que se instala na Europa, muitos migrantes africanos preferiam trabalhar na Líbia, atrás dos bons salários fora da realidade africana ao invés de migrar para a Europa.

 

resposta da OTAN!

QUE MEDA!!!!

 

 

"A verdade é a melhor camuflagem. Ninguém acredita nela." MAX FRICH

Tapa na cara...

 

EU postei isso ontem, mas...

Rússia efetua disparo de teste bem-sucedido de míssil estratégico Sineva

20/05/2011

MOSCOU, 20 Mai 2011 (AFP) -O Exército russo efetuou com sucesso nesta sexta-feira um disparo de teste de um míssil balístico estratégico Sineva de um submarino no Ártico, anunciou um porta-voz do Ministério da Defesa, citado pela agência RIA Novosti.

"O disparo foi efetuado em submersão no Mar de Barents (noroeste) a partir do submarino nuclear Ekaterinburgo. Na hora prevista, a carga do míssil chegou ao polígono de Kura, em Kamtchatka", no Extremo Oriente russo, explicou o porta-voz, Igor Konachenkov.

O Sineva R-29RMU é um míssil intercontinental capaz de transportar até 10 ogivas nucleares, os planos atuais é a construção de cerca de 100 mísseis desse tipo.

Eu postei mais aqui http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/fora-de-pauta-351?page=2 sex, 20/05/2011 - 17:50

E o “azulzinho iuminado” foi pro céu...

POSTO NOVAMENTE UM VÍDEO MOSTRANDO O BARULHO DO BICHO, ASSUSTA.

O OCIDENTE BRINCA COM FOGO, A LÍBIA NÃO ESTÁ SÓ.

 

     Parece que o missil em questão é o SS-N-30 Bulava, cujo teste final, de acordo com os russos, seria feito no inverno passado (hemsfério norte) e postergado, o Bulava é a versão disparada de submarinos do Topol-M, uma evolução do Sineva, cujos primeiros modelos foram desenvolvidos na década de 80 e tornarm-se operacionais nos Subs classe Delta na década de 90, juntamente como nos Typhonns ( submarinos que foram aposentados devido aos custos extremamente elevados, no inicio do século). O Bulava SS-N-30 está sendo conjugado ao sistema de armas estratégicas da Russia, e o submarino a ele dedicado é a Classe Borei (1 em teste e 4 propostos) e substituirão a classe Delta.

      Todos os misseis estratégicos, tanto russos como americanos, podem levar 8 a 12 ogivas, mas em virtude dos acordos START, estão limitados a 4 ogivas - com um limite somado de até 600 Kt (ás 4).

       Os Topol (ICBM) baseados em terra foram aprovados e estarão operacionais em numero de 100 unidades, em sua maioria móveis independente de silos - e os Bulava foram encomendados em um numero de aproximadamente 100.

        Dados mais especificos podem ser obtidos no Programa do Estado Russo para Armamentos 2006 - 2015 (GPV -2015), que estabelece a aquisição de 66 TOPOL-M e 34 SS-N-30 Bulava, mas foi remodelado com a inclusão dos 5 subs Borei, e aumentado o financiamento para as forças estratégicas (bombardeiros,misseis e submarinos) em mais de 6 bilhões de rublos.

 

junior50

Junior50 o míssil testado foi o Sineva não o Bulava. E o vídeo postado é de um SINEVA e o bicho assusta mesmo e a função dele é dissuadir pirata.

Você coloca em questão a postagem e ainda vem com um “parece”...

O teste futuro do Bulava é para deixar a Hillary, vulgo Madama Satã, de cabelo em pé e as orelhas limpas, aquela Bruxa.

Junior50, por favor, o Topol, o Bulava e o Sineva formam o trio do Vlad. 

Sineva R-29RMU Rússia testa míssil nuclear com EUA em meio a polêmica

21 de maio de 2011

http://www.heraldsun.com.au/news/breaking-news/russia-tests-icbm-amid-row-with-us/story-e6frf7jx-1226060049882

ICBMs da Rússia "Sineva" testada com sucesso

27 de abril de 2011

http://english.ruvr.ru/2011/04/27/49531886.html

Ministério da Defesa russo pode transmitir ao vivo o lançamento de mísseis Bulava

07/05/2011

http://rianovosti.com/mlitary_news/20110507/163905480.html

 

     A esqueci: De conformidade com os tratados START e o Protocolo de Transferencia de Tecnologia de Misseis, qualquer teste com arma estratégica deve ser previamente comunicado, em aberto, visando dirimir qualquer possibilidade de ataque surpresa e propiciar aos demais signatarios, caso desejem e possuam meios próprios (satélites) verificarem a realidade do exercicio.

 

junior50

 Enquanto diplomatas, jornalistas e academicos discutem em tertulias euro-asiáticas o futuro de povos e nações, elaborando copiosos artigos, livros de consulta "imperdiveis", deixando-os a eles e seus editores cada vez mais ricos, e algumas pessoas pelo mundo afora continuam a crer em propostas conjuntas de chineses e russos, sempre para o bem-estar da humanidade, claramente sem segundas ou terceiras intenções. O pessoal da prática se mexe, na cara dura:

    Emirados Arabes Unidos (CCG) criam exército privado

    Erick Prince, criador em 1997 da Blackwater, a maior organização paramilitar (mercenária) do mundo, que devido a investigações feitas pelo congresso americano e pressões de alguns setores do pentagono, abandonou em 2009 o posto de CEO da Blackwater, que inclusive mudou de nome, agora é conhecida como Xe Corporation, mudou-se de mala, cuia e armas para os Emirados Arabes Unidos, assinando com os prosperos emires um contrato visando a formação de uma força militar, acredita-se que de até 1000 homens, não mulçumanos, experientes em conflitos externos e internos, com habilidades de treinar outros combatentes, veteranos de operações militares "exogenas" , que serão financiados, armados e baseados nos Emirados, cabendo ao Sr. Prince o recrutamento e pagamento desta força de elite privada, já sabe-se de alguns veteranos da Colombia, Africa do Sul, Ingleses, Australianos e outros contratados.

      Para que? Os EAU e os paises do CCG, alem da Arabia Saudita, detem forças militares próprias bem abastecidas e treinadas, mas não podem agir contra revoltas internas, pega mal para os Sheiks e Emires matar mulçumanos, é contra o Corão (mas matam, as vezes), ou o que se mais comenta no ramo é que estes mercenários-corsários, poderiam auxiliar os insurgentes libios, com sua expertise, garantindo para os paises do Golfo o controle militar desta revolta libia e de possiveis futuras revoltas na região (siria,libano,iemem,sudão) - isto no plano externo, o transporte garantido por "voos humanitários" através das grandes cias. aereas dos paises do golfo (Saudia,Emirates etc.).

       Enquanto discutimos, a terceirização e até a quarterização chegam para ficar no negócio das guerras e revoluções, mas não nos preocupemos, as reuniões da ONU, UNASUL, OEA, Liga Arabe, União Africana, serão proficuas, interessantes e um manancial de documentos históricos, bem elaborados, em até 4 linguas, que não serviram para nada, mas que diplomata perderia um coquetel e jantares tão educados e finos, repletos de iguarias, lindas recepcionistas, nas cosmopolitas Paris, Nova York, ou na exótica Astana.

 

junior50

Pois, é os PIRATAS da OTAN deveriam ler a Carta Capital... Ontem mesmo o magnífico ex-Chanceler Celso Amorim questionou: Quem matou o facínora??

http://www.cartacapital.com.br/internacional/quem-matou-o-facinora

Te amo Vlad (acho lindo teus "zói" azul), te amo Jiabao, te amo Muammar Al-Gaddafi. Eu amo quem me ama, eu odeio PIRATAS.

Líbia: Toda a verdade

Uma semana depois do Dia de Fúria, quando nesta coluna perguntei quem ou o quê estava por trás da "revolta" contra o Coronel Muammar Gathafi, as primeiras respostas começam a aparecer ... e interessantes elas são.

A "revolta" na Líbia pareceu um pouco estranho desde o início. Enquanto na Tunísia e no Egipto os movimentos estavam concentrados nas cidades capitais, na Líbia o epicentro se focou na região leste, nas terras tribais da Cirenaica. Estranho...?

Cirenaica é anfitrião de um grupo extremamente complexo de povos e tribos, uma realidade étnica tão facilmente explorada em outras regiões árabes por forças exteriores. Em torno da segunda maior cidade da Líbia, e capital da Cirenaica, Benghazi, residem os tribos Arafah, Darsa, Abaydat, Barasa, Abiid, Awaqir, Fawakhir, Zuwayah, Mugharbah, Majabrah, Awajilah e Minifah.

Por isso a primeira pergunta é: Por quê a "revolta" líbia não começou na capital, Tripoli, e por quê a mídia comprada nunca relatou nada sobre Benghazi e a região Leste...que tem sido o epicentro de tensões étnicas e separatismo?

Pergunta dois é porquê houve uma falta de informação sobre os programas sociais de Coronel Kadhafi?

Os programas sociais do Coronel Muammar Gathafi na Líbia são muito maiores do que os aplicados nos países vizinhos. Infra-estruturas modernas surgiram nos últimos anos que visam atrair investimento e trazer riqueza acrescentada e desenvolvimento sustentável para os cidadãos da Líbia; o programa Gathafi de alfabetização forneceu a educação universal gratuita e desde que ele assumiu o poder em 1969, a expectativa de vida dos cidadãos da Líbia aumentou 20 anos, enquanto a mortalidade infantil diminuiu drasticamente.

Gathafi representa o controle dos recursos da Líbia por líbios e para líbios. Quando ele chegou ao poder dez por cento da população sabia ler e escrever. Hoje, é cerca de 90 por cento a taxa de alfabetização. As mulheres, hoje, têm direitos e podem ir à escola e conseguir um emprego. A qualidade de vida é de cerca de 100 vezes maior do que existia sob o domínio do rei Idris I.

Pergunta três é de onde vieram os cartazes EnoughGaddafi.com e por que o webmaster desta "organização" está listado na Movements.org como o "Twitter" a ser seguido e a pergunta número quatro é qual o papel do Departamento de Estado dos EUA relativamente ao Movements.org. A resposta a esta pergunta é que ajudou a lançar o movimento em 2008.

Pergunta cinco é o que fazem a Frente Nacional de Salvação da Líbia (NFSL) e a Conferência Nacional para a Oposição da Líbia (NCLO). A resposta é a coordenação de actos de terrorismo.

Pergunta seis é o que está fazendo a OTAN concentrada ao largo da costa líbia?

Pergunta sete é por quê o site da agência de notícias, JANA, do Governo líbio, tenha ficado offline por três dias: http://www.jananews.ly e quem ou o quê está por trás desta aparente ato de terrorismo cibernético. Esta é uma tentativa deliberada de manipular a notícia por aqueles que tentam obter informações e tentar moldar a opinião pública ao seu favor. Aqueles que tentam forjar um caminho independente, como a Al Jazeera, logo são assimilados, o que é facil ver.

Pergunta oito é quem estava por trás do boato que o Coronel Gathafi havia fugido do país, enquanto ele estava o tempo todo em Tripoli.

Pergunta número nove se baseia no que aconteceu com o embaixador da Líbia em Washington, aparentemente impedido de participar numa discussão na ONU; esta foi realizada por um assessor, cuidadosamente preparado, que tomou seu lugar e deu uma versão dos eventos que o embaixador negou mais tarde.

O tempo dirá o que acontece a seguir, mas uma coisa é clara: há forças das trevas operando na Líbia e não são líbias...

Timothy Bancroft-Hinchey

Pravda.Ru

http://port.pravda.ru/russa/26-02-2011/31317-libia_russia-0/

A verdade da Líbia não fala pela boca da mídia venal

http://www.outroladodanoticia.com.br/inicial/9222-a-verdade-da-libia-nao-fala-pela-boca-da-midia-venal.html

Kadafi: prioridade será sempre Rússia, China e Índia

http://www.outroladodanoticia.com.br/inicial/10025-kadafi-prioridade-sera-sempre-russia-china-e-india.html

O problema não é Kadafi, é a China seu burro!

http://jornaldedebates.uol.com.br/debate/crise-na-libia-pode-afetar-economia-mundial/artigo/problema-nao-kadafi-china-seu-burro/15484

Kadhafi oferece petróleo à Rússia, China e Índia

http://economico.sapo.pt/noticias/kadhafi-oferece-petroleo-a-russia-china-e-india_113292.html

Putin: "Quem deu a OTAN o direito de matar Kadhafi? Quem deu as forças da coalizão na Líbia o direito de eliminar Kadafi?"

Essa é a pergunta que Vladimir Putin tem perguntado, durante uma visita oficial à Dinamarca i a Suécia. O primeiro-ministro russo também disse que a Otan é eficaz se juntar a um dos lados beligerantes no conflito. O primeiro-ministro russo repudiou as ações dos EUA/Otan para assassinar o líder líbio durante visita. “Falou-se de zona de exclusão aérea, mas não cessam os bombardeios dos palácios... Primeiro diziam que NÃO desejavam a morte de Kadafi e agora dizem que SIM.

Re: A Rússia e a China desafiam a NATO
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Re: A Rússia e a China desafiam a NATO
Re: A Rússia e a China desafiam a NATO
 

Lamento, esqueci a foto principal.

Re: A Rússia e a China desafiam a NATO
 

Vai encarar?

 

Hey You !

 

vestido vermelho

ordem unida

ah! botas

- eu me rendo!

são lindas de se ver

lindas de morrer...

 

"Ganhe as profundezas, a ironia não desce até lá" Rilke. "A ironia é o pudor da humanidade" Renard. "A ironia é a mais alta forma de sinceridade" Vila-Matas.

Oi pessoal, ultimamente venho percebendo que parte dos textos traduzidos foram produzidos pelo "Coletivo de Tradutores Vila Vudu". No entanto não encontro site/blog nenhum com esse nome só várias postagens fazendo referência.

Vocês têm idéia de como posso encontrar o site ou blog deles? Ou tb se tratam dos novos Stanley Burburinho? hehe

 

Vila Vudu é um grupo de jornalistas comandados por uma criatura que nasceu no BraSil.

"Vila Vudu" era uma pobre viúva que estava sendo ameaçada pelo Mossad. Daí, esconder o nome original.

Se você não sabe quem é o Mossad, o Mossad sabe quem é você. O Mossad são os jagunços de Bibi.

 

A Rússia e a China e dois gallegos arretados desafiam a NATO


 

"Ganhe as profundezas, a ironia não desce até lá" Rilke. "A ironia é o pudor da humanidade" Renard. "A ironia é a mais alta forma de sinceridade" Vila-Matas.

Não sei se é para rir ou para chorar. Se for para rir, com certeza, é a piada mais engraçada do ano.

Muito bom, muito bom mesmo!!!

 

CARAL*O!!! O que foi isso cara...

 

A Arrogância leva a burrice... Assim como uma frota e atacar um "farol" que não queria se desviar mais para o sul, os EUA estão sempre fazendo coisas deste tipo...

 

Nada acontecerá de "perigoso para o mundo em termos de enfrentamento atômico". O assunto se resolverá no TAPETÃO, que irá redefinir o tamanho do quintal de cada um dos três gigantes.

Eles sabem que suas bombas atômicas são inúteis: O PRIMEIRO QUE APERTAR O BOTÃO ESTARÁ OPTANDO PELO FIM DA HUMANIDADE NO PLANETA TERRA, COM O REVIDE DOS SUBMARINOS. 

Restarão os microorganismos nos confins das geleiras, que voltarão a crescer com o resfriamento total do planeta, em poucos meses. E, talvez, como dizem, as baratas. Ah, sim; por umas semanas mais, os astronautas em órbita.

 

Hey You !

"O assunto se resolverá no TAPETÃO, que irá redefinir o tamanho do quintal de cada um dos três gigantes."

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Não sei como se resolverá, más a Líbia certamente faz parte de planos maiores e já previamente traçados, pelos EUA/OTAN ,quanto ao tamanho do seu quintal.

Já em 2007, o General Wesley Clark fez uma declaração onde divulgou uma lista de países que são considerados alvos dos EUA:

Iraque (este já foi), Síria, Líbano (talvez já tenha sido quando Israel o invadiu da ultima vez), Líbia (em andamento), Somália, Sudão e Irãn.

Vídeo com entrevista do  General Wesley Clark, em 2007:

http://www.youtube.com/watch?v=SXS3vW47mOE

 

Na euforia da queda da URSS, o EUA achou que podia tudo e  grandes planos foram feitos.  Más raramente tudo sai como o planejado e as dificuldades  ( inclusive a crise de 2008...) são maiores do que o esperado.