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A trajetória do ministro Marco Aurélio Garcia

Por Marco Antonio L.

Da Carta Maior

'MAG': a ponte itinerante da América Latina

Saul Leblon

Quando quiser, e se um dia achar conveniente, o ministro Marco Aurélio Garcia - assessor internacional da Presidência da República desde o governo Lula - poderá escrever um dos livros mais interessantes destes tempos em que a América Latina deixou de ser o terreno baldio dos EUA. 

Garcia, ou simplesmente MAG, como é tratado pelos mais próximos, participou diretamente ou testemunhou todos - repita-se, todos - os principais episódios da construção inconclusa da nova agenda regional, destinada a devolver aos povos latino-americanos o comando de seu destino histórico e geopolítico. 

Ao lado de Samuel Pinheiro Guimarães e do ex-embaixador Celso Amorim, ele compôs o trio que definitivamente reposicionou a política externa brasileira no século 21. 

E o fez para bem longe daquilo que ficou conhecido como 'a diplomacia dos pés descalços'. 

Em 31 de janeiro de 2002, o então chanceler do governo FHC, Celso Lafer, submeteu-se ao humilhante ritual de tirar os sapatos no aeroporto de Miami. Uma imposição da segurança ianque, se quisesse ingressar no país.

Se essa condição um dia fosse imposta a MAG, o que aconteceria?

Alguma dúvida?

Nem 'eles', nem os seus assemelhados nativos, as tem.

Discreto sem nunca ser acanhado, MAG sabe a hora certa de ser contundente com os poderes e os poderosos que nutrem justificados temores em relação a ele. 

Professor aposentado do Departamento de História da Unicamp, esse gaucho que lecionou também em universidades de Paris e Santiago, ocupou a vice -presidência da UNE nos anos 60 e, coisa que poucos sabem, exerceu um mandato de vereador em Porto Alegre.

Em 2001, seu texto elegante e articulado, que mais tarde ordenaria dezenas de discursos internacionais do Presidente Lula, ajudaria a alavancar um site ainda em fraldas: Carta Maior, da qual foi um prestigiado colunista. 

Seu nome se tornou uma espécie de carimbo presente nos principais capítulos da luta política da esquerda brasileira nas últimas décadas. 

Ecumênico nesse campo, com bom trânsito entre as variadas correntes políticas, de suas convicções mais fundas apenas Lula costuma às vezes ironizar: ' Ele não diz nada, mas batizou o filho de Leon...'

MAG coordenou o Programa de Governo do Presidente Lula nas eleições de 1994, 1998 e 2006.

Exerceu a mesma coordenação sobre o Programa de Governo da Presidente Dilma Rousseff, na eleição de 2010.

Na luta pela reeleição de Lula, antecedida da tentativa de impeachment contra o presidente com base na 'denúncia' do chamado 'mensalão', foi ele quem comandou a campanha vitoriosa.

O cerco conservador era absoluto. 

Muitos dentro do próprio PT defendiam genuflexões à mídia.

Alguns, os mais afoitos, avocavam-se a prerrogativa de promover expedições 'pacificadoras' junto a donos de corporações que vergastavam o partido e o Presidente diuturnamente.

Traziam promessas de 'trégua' que nunca se confirmaram.

Ao contrário.

Reinava um clima de 'agora ou nunca'.

Insuficiente porém para dobrar a altivez política de MAG.

Em meio à beligerância ostensiva, às vésperas do primeiro turno, o então colunista de Veja, Diogo Mainardi, que dispensa apresentações, solicitou-lhe por e-mail uma entrevista exclusiva.

“Eu gostaria de entrevistá-lo por cerca de quatro minutos para um podcast da Veja. O assunto é a imprensa. Eu me comprometo a não cortar a entrevista,”, assegurava a solicitação que chegou à mesa de MAG.

A resposta, também por email, condensa a conhecida capacidade maguiana de associar mordacidade e contundente elegância:

“Sr. Diogo Mainardi, 

Há alguns anos – da data não me lembro – o senhor dedicou-me uma coluna com fortes críticas. Minha resposta não foi publicada pela Veja, mas sim, a sua resposta à minha resposta -- aliás, republicada em um de seus livros. Desde então decidi não falar com a sua revista. Seu sintomático compromisso em não cortar minhas declarações não é confiável. Meu infinito apreço pela liberdade de imprensa não vai ao ponto de conceder-lhe uma entrevista”.

Explica-se o, digamos, 'desconforto' dos meios & dos mainards com a presença constante e ativa desse espírito altivo nos circuitos que decidem a política externa brasileira, desde 2003.

Derrubá-lo daí foi sempre o troféu cobiçado pelo conservadorismo local e forâneo.

A trajetória de MAG diz muito sobre essa obsessão fracassada.

MAG era o Secretário de Relações Internacionais do PT, em 1990, quando foi criado o Foro de São Paulo.

Seu objetivo estratégico: promover a nucleação de todos os grupos de esquerda da América Latina e Caribe.

Para quê?

Para lançar as sementes de uma integração latinoamericana e caribenha oposta à agenda regional secularmente subordinada aos impérios.

Remonta daí a sua imbatível rede de relacionamento com lideranças e forças regionais que hoje estão no poder, exercem cargos relevantes na estrutura do Estado, ocupam cadeiras nos Legislativos, comandam partidos, dirigem organizações sociais.

Seu papel como ponte itinerante nesse diálogo agigantou-se no governo Lula, quando assumiu missões decisivas, em momentos graves e estratégicos da vida regional.

A maioria delas exitosas para decepção do conservadorismo que o mantém sob permanente suspicácia.

Os interlocutores da constelação de governos e lideranças progressistas da AL e Caribe sabem com quem estão falando quando o telefone toca e é MAG que chama. 

Perspicaz e fraterno, dono de um coração que rivaliza em generosidade com o tamanho de suas convicções, MAG coleciona amigos na grande pátria latinoamericana e caribenha que ajuda a delinear. 

Dos prováveis aos mais improváveis.

A um Humala de perfil algo endurecido, candidato ainda engomado pela farda militar, MAG surpreendeu um dia ao sugerir: 'O senhor deveria se fazer acompanhar sempre de sua esposa; ela é muito inteligente --e muito bonita'. 

De fato.

A carismática Nadine Heredia acabou se transformando em uma coadjuvante decisiva na renhida final das eleições peruanas de 2011, vencidas por Humala. 

Hoje sua figura é cada vez mais popular. Com índices de aprovação superiores aos do marido, seu protagonismo suscita especulações de uma candidatura em 2016, se obstáculos jurídicos forem superados.

A eventual ascensão dessa nova estrela regional não surpreenderá MAG. 

Como não o surpreendeu a do velho amigo Maduro, na Venezuela, bem como a de outras lideranças da grande constelação em cujos bastidores a sua presença sempre brilhou.

De volta de uma missão a Cuba, para onde fora enviado pela Presidenta Dilma em manifestação de alto zelo com a saúde do presidente Chávez, MAG submeteu-se a exames cardiológicos rotineiros no último sábado.

O cuidado preventivo diante da dura agenda de viagens que teria pela frente, antes e depois do Carnaval, desdobrou-se em uma cirurgia cardíaca.

MAG recebeu duas pontes de safena nesta 5ª feira. E passa bem.

Manifestações de toda a América Latina e Caribe evocam a sua rápida volta à estrada

Um caminho que ele conhece melhor que ninguém. 

Um caminho que ainda não está pronto. 

Mas que sem dúvida está sendo construído. 

E que tem no acrônimo 'MAG' a marca de uma pavimentação de trechos históricos, até então considerados intransponíveis.

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Um grande patriota. Hoje longe das terras brasileiras posso perceber a obra que construiram homens como o MAG, o Lula, o Celso Amorim. Hoje vejo nos europeus um respeito pelos brasileiros que em outros tempos não existia. Obrigado MAG. Desejo-lhe uma boa e rápida recuperação.

 

Parafraseando o grande Chico, não queremos um pais que fale fino com os EUA e grosso com a Bolívia.Recupere rápido MAG, nós brasileiros precisamos de você no enfrentamento com o pig e seus seguidores.

Abraço fraterno.

 

Acho que a discussão sobre os sapatos perde feio para uma foto juntando vários lideres do mundo em que FHC está a frente e abaixo de Clinton que coloca as duas mãos no ombro do brasileiro.

Aquilo foi um retrato do que a discussão tenta esclarecer ... Procurem a foto, saiu em uma edição da Carta Capital. Ela encerra a discussão.

 

Conversas com  o Barão do Rio Branco? só se for num centro espírita Nonato (rs).

 

Lamento muitíssimo dizer senhor Araújo, mas o senhor afirmou que não passava de papo furado a tal história do tira-sapatos do senhor Lafer. O senhor tentava ridicularizar a todos que mencionavam este acontecimento o que motivou alguém (não lembro agora quem foi) a colocar aqui uma reportagem da Folha, se não me falha a memória a bronca do diplomata russo foi porque alguns outros representantes internacionais não tiveram que tirar seus sapatos. Bom, pelo menos o senhor reconheceu o acontecido, antes tarde do que nunca.

 

Pô, os comentários deste post estão repletos de baixaria. Até parece os do Noblat.

Acho que TODOS os que entraram nesta baixaria deveriam fazer uma reflexão, e subir o nível, se é que vocês conseguem!

 

Mundo enfrenta uma crise de liderança muito grande

Por Andréa Vieira - de Brasília ( março 2010 )

Faltam líderes que possam conduzir o processo de reordenamento da economia internacional e criar um novo modelo para a saída segura da crise econômica, afirma Marco Aurélio Garcia, assessor do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para assuntos internacionais. A Grande Depressão de 1929 foi enfrentada com medias corajosas, e mesmo assim desaguou na Segunda Guerra Mundial. Desde 2008, quando a crise iniciada nos Estados Unidos contaminou o Planeta, nada foi feito para a profunda reestruturação do sistema econômico e financeiro mundial. Sem esse rearranjo, com reformulação dos organismos internacionais, o mundo pode ser empurrado para a guerra. "Esse é um risco real", alerta.

Nesta entrevista à revista Desafios do Desenvolvimento, Garcia fala também da importância de fortalecer institucionalmente o Mercosul, defende a ampliação do multilateralismo e prevê que o mundo vai impor constrangimentos aos Estados Unidos por impedir um acordo para reduzir o aquecimento global

Desenvolvimento - Em palestra no Ipea, o senhor afirmou que instituições internacionais estão caducas. Gostaria que o senhor explicasse essa posição.

Garcia - Acho que tem três tipos de caducidade. Primeiro do ponto de vista dos pressupostos com os quais FMI e o Banco Mundial, mais particularmente o Fundo, trabalharam durante esses últimos anos. Eles foram muito lenientes no que diz respeito à desordem econômica internacional que estava se armando, estimulavam as ideias de desregulamentação, foram extremamente ortodoxos na cobrança de políticas austeras por parte dos países, sobretudo os pobres e emergentes, o que significou em grande medida que esses países se viram inviabilizados. E parece que algumas dessas questões persistem hoje. Se nós verificarmos os conselhos que foram dados, segundo o noticiário, pelo FMI para a Europa, agora nós vamos ver que uma das principais recomendações parece ser o corte de salários. Ora, a tendência em momentos de crise é impulsionar políticas heterodoxas, políticas anticíclicas! Então eu acho que esse problema que parecia superado depois da eleição do Dominique Strauss-Kahn para o FMI, ainda não está perfeitamente equacionado. O segundo aspecto está ligado à operacionalidade dessas entidades muito burocratizadas. O atraso na rodada de Doha é um caso típico, em circunstâncias que num determinado momento as coisas estavam praticamente para ser resolvidas. Na última hora, no final da gestão Bush nos EUA e no limiar de uma eleição na Índia, as negociações fracassaram. O terceiro aspecto, também mais ligado à direção, porém mais tangível, é a questão da representatividade. Salvo a OMC, onde cada país tem um voto, nas outras entidades nós temos uma distribuição muito perversa das organizações de poder que não corresponde mais à correlação de forças internacionais, que ainda é acompanhada de uma prática habitual, uma espécie de um condomínio Europa-EUA.

Desenvolvimento - É possível estruturar uma instituição multilateral realmente eficiente e representativa de todas as nações ou reorganizar as já existentes? Como seria?

Garcia - Eu acho que isso deve ser tentado. Se nós praticarmos de forma mais intensa uma concepção multilateral das organizações internacionais, isso é factível. Agora, se nós acharmos que o mundo tem que ser regido por um grupo restrito de potências, não vai ser possível. A grande verdade é que essa alternativa da hegemonia de um grupo pequeno de potências também conduz a um impasse. Acho que o exemplo mais claro disso foi a reunião de Copenhague, onde tudo ficou bloqueado em grande medida por causa da decisão dos Estados Unidos no que diz respeito às metas de controle de emissão (de gases). Isso fez com que a Europa retrocedesse naquilo que ela havia proposto e deixou os outros países olhando o céu. O grande problema, se não houver essa democratização das organizações internacionais, é uma paralisação das relações internacionais. Isso não é bom.

Desenvolvimento - A crise internacional expôs uma série de falhas do sistema financeiro mundial. Falou-se em regulação e fiscalização dos mercados, mas até agora nada foi feito. Por que isso é tão difícil?

Garcia - É difícil porque fere interesses nacionais importantes e porque nós hoje enfrentamos uma crise de liderança mundial muito grande. Lembramos que o antecedente que nós tivemos foi a crise de 1929. No que diz respeito aos Estados Unidos, ela começou a ser enfrentada num primeiro momento com medidas extremamente corajosas, muito mais radicais, mas a grande resolução da crise de 1929 foi a guerra. Então esse é um risco real. Quando os países se reuniram em 1944, em Bretton Woods, para tentar definir uma nova arquitetura financeira internacional, eles estavam fazendo uma autocrítica da sua inação no que diz respeito a evitar os desdobramentos da crise. Quer dizer, antes que a guerra tivesse ocorrido e, como causa dessa guerra, inclusive, nós tivemos a ascensão do fascismo na Itália, a ascensão do nacional-socialismo na Alemanha, de uma certa forma a guerra civil espanhola, o êxito e depois o fracasso da experiência da frente popular na França, enfim, uma série de fenômenos que, sem dúvida nenhuma, qualquer historiador vai localizar nas origens da Segunda Guerra Mundial.

Desenvolvimento - Caso nada seja feito nesse momento para estabelecer uma ordem econômica mais organizada e sustentável, o que pode acontecer?

Garcia - O mundo pode se transformar num grande paiol de pólvora. E quando há um paiol de pólvora, qualquer fósforo produz uma explosão.

Desenvolvimento - O senhor fala em guerra mesmo?

Garcia - Por que não? Não quero ser catastrofista, mas eu acho que essa é uma das razões pelas quais, talvez, todos os esforços de neutralização dos pontos de tensão internacional são de fundamental importância.

Desenvolvimento - Isso justifica a preocupação em aumentar a defesa do Brasil?

Garcia - Eu não diria aumentar, mas adequá-la. Nós estávamos com um sistema de defesa que não correspondia mais às necessidades do País, entende? Nós precisamos ter adequação. Nós não precisamos ter forças armadas para desfile militar. Nós precisamos ter forças armadas para proteger o País. Acho que esse tema, grosso modo, está sendo colocado em quase todos os países da América Latina. Então, por essa razão, eu não vejo que a América Latina, em particular a América do Sul, seja uma região que possa ser capitulada como uma região de tensão internacional. Mas há outras regiões com focos de tensão que todos os dias estão se manifestando. O crescimento da economia chinesa será acompanhado ou não de uma estratégia de consolidação da China como potência militar? Não sei. É bem possível. As tensões que estão se produzindo agora entre China e Estados Unidos em função do refortalecimento dos armamentos de Taiwan? Há regiões de enorme tensão no mundo hoje como Paquistão, Afeganistão, Palestina...

Desenvolvimento - Voltando a falar da economia mundial, ao que tudo indica, o Brasil adotou as medidas corretas para mitigar os efeitos da crise, tanto que foi um dos primeiros países a sair dela. No cenário financeiro internacional pós-crise, a imagem do Brasil mudou?

Garcia - Eu acho que já vinha mudando anteriormente. Quando a crise eclodiu, o Brasil foi consultado imediatamente sobre que tipo de instância deveria ser criado. Eu lembro que eu estava com o presidente Lula quando o presidente Bush telefonou para ele e disse: "eu preciso fazer uma reunião aqui em Washington para organizar uma resposta à crise. Quem você acha que nós devemos convidar?" Ele nos consultou. Foi quando o presidente (Lula) disse: "eu acho que deveria ser o G 20 financeiro". Portanto, nesse momento, a imagem do Brasil já era fortalecida.

Desenvolvimento - Em que proporção a crise na Europa preocupa o Brasil?

Garcia - Olha, isso preocupa o Brasil por várias razões. Primeiro lugar porque isso afeta o equilíbrio da economia internacional como um todo. Se há uma retração da economia europeia, isso, sem dúvida nenhuma, afetará o conjunto da economia mundial. Os chineses serão afetados porque a China tem no espaço europeu um de seus mercados importantes.

Desenvolvimento - Falando em China, o que o Brasil pode fazer para melhorar o comércio com a China, tendo em vista que essa relação comercial acaba sendo desfavorável ao Brasil, que exporta apenas commodities para o gigantesco mercado chinês?

Garcia - Primeiramente, eu acho que nós não devemos ter vergonha de exportar commodities. O ruim é quando a gente não exporta nada. O problema brasileiro é que nós estamos fazendo, nos últimos anos, uma certa reconversão da economia brasileira, fazendo com que o processo de industrialização seja um processo não só de crescimento quantitativo, mas de sofisticação qualitativa. Isso implica agregar mais valor. E é claro que no caso da China, salvo em alguns nichos muito particulares, nós vamos enfrentar dificuldades em aumentar nossas exportações por uma razão muito simples: a China realiza aquilo que nós também realizamos em escalas muitas vezes superiores: eles produzem automóveis, eletrodomésticos e eletrônicos em escala muito maior do que a nossa. Nós temos algumas formas de entrada na China da indústria de alto valor agregado como é o caso da nossa indústria aeronáutica. Mas a produção agrícola, por exemplo, é um trunfo extraordinário que o Brasil tem. Não quero dizer com isso que não vamos melhorar nossa indústria, que não vamos adotar uma política industrial mais agressiva, que não vamos enfrentar a questão da inovação tecnológica, que é fundamental.

Desenvolvimento - O Brasil, que já liderava a missão de paz no Haiti, está tendo uma atuação muito efetiva na ajuda ao país depois da tragédia causada pelo terremoto. Que efeitos essa atuação produzirá para o Brasil no cenário internacional?

Garcia - Nós estamos fazendo isso, em primeiro lugar, porque nós incorporamos a solidariedade como valor a ser defendido na nossa política externa. Da mesma forma que nós buscamos a defesa da paz, defesa dos direitos humanos, relações internacionais menos assimétricas, menos desequilibradas, temos também como um dos valores a solidariedade. O Haiti é um país com o qual nós temos grande afinidade, é um país de população negra, como é o caso do Brasil.

Desenvolvimento - Por que é tão importante para o Brasil ter um assento permanente no conselho?

Garcia - Por uma razão muito simples: nesse conselho é que se resolvem as questões da segurança global. Nós não estávamos discutindo no começo que o mundo pode correr um risco de uma conflagração regional ou mais global, seja pela incapacidade dos governos se porem de acordo, seja pelo progresso abusivo de uma situação conflitiva? Quem coopera nessas circunstâncias? Só pode ser o Conselho de Segurança. Nós, inclusive, temos uma visão hoje crítica ao funcionamento das Nações Unidas. Nós achamos que as Nações Unidas deveriam assumir concretamente a condição de organismo regulador da paz mundial.

Desenvolvimento - Por que isso não acontece?

Garcia - Isso não está acontecendo porque as Nações Unidas foram enfraquecidas, porque durante um certo período predominou uma orientação estritamente unilateralista da política norte-americana. Então nós precisamos de organismos mais legitimados. Em muitas das crises mundiais recentes, o Conselho de Segurança ficou sobrepassado. O caso do Iraque é um caso claro. Ele não apoiou a invasão, mas saiu debilitado porque a invasão se deu sem a opinião dele. Nós precisamos de um conselho de segurança mais amplo, mais representativo. Vai ser rápido? Não, não vai. Até que caia a ficha de alguns países que o mundo não é mais propriedade exclusiva deles, vai levar algum tempo.

Desenvolvimento - É fato que o Brasil está se aproximando cada vez mais e ganhando respeito das grandes economias. Por outro lado, há a sensação de que o Brasil está se distanciando da América Latina. Não está?

Garcia - O Brasil não está alheio. Nós temos instâncias de participação. A primeira instância que é o Mercosul, que atravessa, a meu juízo, dificuldades hoje, não tantas quanto se diz. Acho que nós deveríamos pensar seriamente no fortalecimento institucional do Mercosul. Não há possibilidade de um processo de integração avançar se nós não temos instituições fortes. As instituições hoje de Montevidéu são muito frágeis, muito pequenas. Depois nós temos uma outra instância de intervenção sul-americana que é a Unasul. Eu diria que hoje, talvez, nós estejamos avançando com o ritmo que se impõe. O processo de integração energética, a constituição do Banco do Sul, que está decidida mas ainda tem uma certa tardança na implementação, os processos de integração física, tudo isso tem sido muito mais resultado de ações unilaterais, bilaterais, às vezes trilaterais, do que efetivamente uma política. Então há uma crise de governança tanto do Mercosul quanto da Unasul que é preciso resolver. Agora eu não acho que nós temos nos afastado da região. Pelo contrário. Nós temos uma relação muito solidária. 


"Quer dizer, antes que a guerra tivesse ocorrido e, como causa dessa guerra, inclusive, nós tivemos a ascensão do fascismo na Itália, a ascensão do nacional-socialismo na Alemanha, de uma certa forma a guerra civil espanhola, o êxito e depois o fracasso da experiência da frente popular na França, enfim, uma série de fenômenos que, sem dúvida nenhuma, qualquer historiador vai localizar nas origens da Segunda Guerra Mundial"

 


Desenvolvimento
 - O bloco corre o risco de acabar?

Garcia - Em primeiro lugar não vai acabar porque, entre outras coisas, do ponto de vista econômico, a integração da região produz resultados muito fortes. Do ponto de vista político, a presença, a intervenção de forças regionais em crises políticas internas, a meu juízo, só se justifica quando essas crises se transformam em crises agudas. Eu vou dar dois exemplos. Quando houve um forte processo de desestabilização na Venezuela em 2002/2003, foi criado aquele grupo de amigos da Venezuela, que ajudou muitíssimo e conduziu o processo de estabilização do país. Quando a Bolívia esteve à beira de uma guerra civil, a Unasul fez aquela reunião em Santiago do Chile e interveio no sentido de respaldar o governo.

Desenvolvimento - A expansão de bases norte-americanas na América Latina foi criticada pelo governo brasileiro. As relações entre Brasil e EUA ficaram abaladas por essa razão?

Garcia - Não. Acho negativa a existência de bases norte-americanas na região. É algo que cria tensões aqui. Isso nós dissemos de forma muito franca, muito clara ao presidente Uribe quando ele esteve aqui, depois em reunião na Argentina. Nós gostaríamos que os problemas da região fossem resolvidos no âmbito da região. No caso da Colômbia, um país que vive uma situação de crise interna pela existência das Farc e outras guerrilhas, nós não temos condições de participar de um esforço militar lá. Mas nós sim, temos condições de participar, já deixamos claro isso, num esforço de paz. Tudo que nós pudermos fazer para lograr a paz lá, nós faremos.

Desenvolvimento - Como ficam outros países da região?

Garcia - Eu tenho a impressão de que outros países se sintam incomodados. E nós mesmos, inclusive a partir da leitura de alguns documentos oficiais, ficamos preocupados. Há documentos oficiais dos Estados Unidos que falam das bases como tendo a possibilidade de uma projeção militar no resto do continente. Isso nos inquieta.

Desenvolvimento - Mudando de região. Além de muitas críticas, que benefício o Brasil teve com a visita do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad?

Garcia - Você poderia me perguntar por que nós recebemos o Shimon Peres e outros...

Desenvolvimento - Eu ia chegar lá.

Garcia - Primeiro lugar porque nós temos relações muito amplas, com muitos países. O Brasil ampliou consideravelmente as suas embaixadas pelo mundo e o mundo ampliou consideravelmente as suas embaixadas aqui. Segundo lugar, tanto o Irã quanto Israel, quanto a Palestina, são regiões que eu incluiria nessas regiões problemáticas do mundo. Quando nós começamos o governo, com a ameaça do desencadeamento da guerra no Iraque, não se tinha a ideia do que poderia acontecer. Como o Saddam Hussein era muito falastrão e ameaçava mundos e fundos, uma hipótese de trabalho que nós operamos aqui foi de que uma guerra desse tipo pudesse implicar ameaças das mais variadas. Desencadeamento de terror mundial... Criou-se aqui um trabalho na Presidência que estudava todas essas hipóteses e, inclusive, as medidas que deveriam ser adotadas. Eu tenho absoluta certeza de que o agravamento do conflito na Palestina ou o eventual desencadeamento de uma situação mais grave com o Irã seria algo de consequências terríveis.

Desenvolvimento - Realmente vale a pena o Brasil se aproximar de uma questão tão complexa e tumultuada como são as relações existentes no Oriente Médio? Não é um desgaste inútil?

Garcia - Não. Pelo contrário. Eu acho que um desgaste seria não participar. Dizer que essa é uma situação que não nos interessa... Não nos interessa até o dia em que isso nos cair em cima. E se nós queremos ser, como se diz, um global player, se nós queremos abandonar o eterno complexo de vira-lata, de ficar preocupados só com o nosso mundinho, nós temos que ter uma atenção para isso. Eu acho engraçado o seguinte: esses mesmos setores que criticam que nós estamos discutindo com o Ahmadinejad ou que estamos recebendo o presidente Mahmoud Abbas (Palestina), ou o presidente Shimon Peres (Israel), este em geral menos criticado, são aqueles que dizem: "vocês ficaram indiferentes ao genocídio na África e em tal país". Nós não ficamos indiferentes. Nós votamos medidas nos fóruns internacionais. Eu estou convencido de que se não se chegar a uma solução da crise do Irã, nós corremos um grave risco para a paz mundial. Essa não é só a minha opinião. Essa é a opinião de grandes dirigentes mundiais com os quais eu tive a oportunidade de estar.

Desenvolvimento - Como o senhor avalia a posição dos Estados Unidos?

Garcia - Eu tenho certeza de uma coisa: ajudar não está ajudando porque essas coisas estão se alastrando há muito tempo. E o que é interessante observar é o seguinte: é justo, do ponto de vista de uma ordem internacional que nós queremos multilateral, que um país se ocupe de resolver todas crises do mundo? Que esteja presente em Honduras, no Paquistão, no Afeganistão, no Iêmen, na Palestina, no extremo oriente... É justo isso? Ou a melhor coisa é efetivamente criar um espaço de negociação mais plural? Nós não estamos pedindo isso para nós. A nossa presença tem esse sentido de incorporar outros, tem o sentido de fortalecer o multilateralismo.

Desenvolvimento - O presidente Lula sempre defendeu mais ajuda e aproximação com a África, mas quem acabou assumindo esse papel foi a China, que está investindo de fato no continente. Como fica o Brasil agora?

Garcia - Mas nós não estamos competindo com a China na África. A China está fazendo o que considera mais adequado. Eu sei que muitos países não gostam desse tipo de presença. Não gostam, por exemplo, que uma represa que está sendo construída pela China seja construída por cinco mil operários chineses que ficam em barcos ao largo e que vão sendo transportados todos os dias. Nós não fazemos isso. As obras que as empresas brasileiras estão construindo no continente africano são obras construídas mais de 95% por africanos. Nós estamos criando empregos na África. E também nós não temos necessidades que a China tem. A China vai buscar petróleo na África. Nós não precisamos buscar petróleo fora do Brasil. Mas até temos explorações em Angola, na Nigéria, e em outros lugares. A China vai buscar minérios. Nós não precisamos buscar minérios lá. Nós temos minérios.

Desenvolvimento - Na reunião de cúpula de Copenhague, os países não chegaram a nenhum acordo sobre as questões climáticas. Qual a probabilidade de o próximo encontro ser bem sucedido?

Garcia - Eu diria que obviamente os Estados Unidos terão uma responsabilidade muito grande nisso, porque, sendo o país responsável pelo maior número de emissões, cabe a ele chegar com metas concretas. As metas que os Estados Unidos estabeleceram até agora são ridículas. Elas tiveram reflexo também no próprio comportamento da União Europeia, como já mencionei. A União Europeia tinha metas mais ambiciosas, mas como viu que os Estados Unidos estavam na retranca, de certa maneira diminuiu as metas dela, encolheu a proposta. Eu acho que se todo mundo subir a sua missão no que diz respeito à redução, nós teremos efetivamente mais possibilidade de chegar a um acordo. Inclusive a própria China ficou evidente que tem flexibilidade nesse particular. Parece que o único país que não tem flexibilidade são os Estados Unidos. 


 


"Mas nós não estamos competindo com a China na África.
A China está fazendo o que considera mais adequado.
Eu sei que muitos países não gostam desse tipo de 
presença. Não gostam, por exemplo, que uma
represa que está sendo construída pela China 
seja construída por cinco mil operários
chineses que ficam em barcos"


Desenvolvimento - Mas os Estados Unidos nunca tiveram essa flexibilidade. O que faz o mundo acreditar que possa vir a ter?

Garcia - Bom, o problema é o seguinte: haverá, em um determinado momento, um constrangimento internacional muito forte sobre os Estados Unidos.

Desenvolvimento - Esperar que isso ocorra para só então começar a pensar nas questões climáticas e ambientais não pode ficar tarde demais?

Garcia - Pode ficar tarde para a humanidade, mas isso não exime os países de tomarem as suas iniciativas e com isso criar um constrangimento político e moral muito forte, que foi o que o Brasil fez. O Brasil fixou exigências, transformou-as em lei, e chegou lá com a agenda mais radical de todas. Nós vamos aplicar isso? Vamos. Se os outros não aplicarem, bom, paciência. Mau para a humanidade. A nossa parte nós estamos fazendo

Desenvolvimento - O que falta para o Brasil deixar de ser a eterna potência emergente, o eterno país do futuro que nunca chega, para se tornar de fato uma potência mundial?

Garcia - Em primeiro lugar eu não gosto muito da expressão potência mundial. Acho que o Brasil deixou de ser o eterno país do futuro, acho que o futuro chegou, um pouco. O futuro é uma construção. Nós estamos emergindo e vamos continuar a emergir. Há outros países que já são desenvolvidos que estão imergindo, estão afundando. O grande problema que nós temos aqui é o seguinte: nós começamos, a meu juízo, a enfrentar a questão chave que o País tinha que, de uma certa forma, abriu espaço para resolver as demais, que era questão social. Por que nós éramos o eterno país do futuro? Porque nós éramos um país rico e profundamente desigual. E essa desigualdade não era simplesmente de renda. Era uma desigualdade de gênero, étnica, era uma desigualdade que se dava em termos regionais, em termos educacionais, assimetrias culturais e etc. Nós começamos a resolver de forma importante a desigualdade social em termos de renda. E nós demos alguns passos importantes para resolver os temas das desigualdades regionais. Agora, isso é um processo que toma muito tempo e que dificilmente se cristaliza, porque esses 22 milhões que, segundo se diz, entraram para a classe média, eles não vão se contentar com os benefícios dessa suposta condição de classe média. Eles vão querer mais. É normal que assim seja. O País hoje tem mobilidade social. As pessoas não querem mais só entrar na universidade, elas querem entrar numa universidade de qualidade, elas querem uma escola secundária de qualidade, uma escola técnica de qualidade.

Desenvolvimento - O próximo passo não seria o combate à corrupção?

Garcia - Eu acho que o combate à corrupção aumentou e muito. Se a corrupção aparece mais hoje é porque mais tem sido combatida. Se você fizer um levantamento das iniciativas da Controladoria Geral da União e da Polícia Federal você vai ver o volume. Agora, eu quero sempre fazer uma diferença. Uma coisa é o combate à corrupção. Outra coisa é uma certa leitura que se faz desse combate hoje em dia, que eu acho que tem como função, não sei se explícita, em alguns casos sim, que é desacreditar a política. Há um esforço muito grande de desacreditar a política, que passa a ser uma área ardida, os políticos são as piores pessoas que existem no mundo...

Desenvolvimento - De quem é esse esforço? Garcia - Você encontra na imprensa.

Desenvolvimento - Mas veja o que acontece com o governo do Distrito Federal, por exemplo, e tantos outros casos espalhados pelo País. O senhor não acha que esse esforço vem dos próprios políticos?

Garcia - O volume que esses temas ocupam no noticiário e a abordagem deles denotam concretamente uma incriminação da política como atividade humana. E ela é muitas vezes substituída por uma ideia de que ao invés da política nós devemos privilegiar a gestão. Uma gestão do tipo tecnocrática, apolítica e etc. Eu me preocupo muito com isso. Esse é um fenômeno mundial: uma tentativa de desacreditar a atividade política mundialmente. Claro que a corrupção tem que ser considerada como um problema grave, porque é antirrepublicana, tem que ser combatida. Mas que ela venha a ocupar um lugar que não ocupou nunca o tema da desigualdade social? Eu nunca vi nas manchetes dos jornais temas da desigualdade social, os temas da nossa dependência econômica, os temas da fragilidade da nossa soberania nacional, os temas da violência no campo, enfim, uma quantidade de outras questões que não têm a mesma incidência que os temas da corrupção têm. Acho que muitas vezes o risco é de que você, ao jogar a água suja do banho, jogue a criança também. Eu tenho a impressão de que hoje em dia, se você tomar as pesquisas, você vai ver que uma das instituições mais desacreditadas do País é o Parlamento. Por quê? Com isso você obscurece totalmente a função de dezenas, centenas de parlamentares que estão lá trabalhando. Qual a avaliação que se faz do funcionamento do Parlamento? É se os deputados estão lá. Eu não sou parlamentar nem quero ser, mas acho que há uma enorme incompreensão. Ou então quando se fala dos salários dos funcionários. Os salários que nós ganhamos no serviço público brasileiro são absolutamente ridículos se comparados com os salários daqueles que escrevem sobre os nossos salários e que não são assalariados. Encontraram formas muito claras de ludibriar os impostos criando essas microempresas e coisas desse tipo. Eu acho que o jornalista tem que ganhar muito bem mesmo. Agora, não me venha falar dos nossos salários porque eles não são compatíveis com o tipo de trabalho que nós fazemos. 

 

 

arquivo na íntegraLeia o arquivo na íntegra>>

 

http://desafios2.ipea.gov.br/003/00301009.jsp?ttCD_CHAVE=13916

 

Demarchi

Temos Lula como líder internacional mas a trinca Gurgel-pig-Barbosa quer interditá-lo

 

Conheci o brilhante Marco Aurélio em uma entrevista com a  sra. Leitão, acho que no início de 2003 e portanto do governo Lula,  sobre a então crise da Venezuela , tentativa de golpe chamado de redemocratização pelo PIG e de cara fiquei fã: chamou a da. Leitão de mentirosa , não com todas as letras mas, com todo o significado. A madame fervia e espumava e o homem não recuava. Acho que nunca mais foi convidado para entrar ao vivo. A vingança foi a publicidade do top top gravada por alguns destemidos "jornalistas" que  cumpriram exemplarmente a tarefa de sabujos da globo. Saúde Marco Aurélio!

 

Vida longa ao MAG!

Curiosa a história da esposa de Humala! Lembrei-me de Beth Lobo, intelectual e militante de primeira, que tão cedo deixou de estar ao lado de Marco Aurélio Garcia. Lembrei-me também da figura dele, com triste olhar, nos corredores da UNICAMP, tão logo se soube da morte de Beth.

 

Bom restabelecimento para o Ministro Marco Aurélio Garcia, junto com toda admiração e respeito que sempre tive por ele !!!!! 

 

Desejo muita força ao MAG. Porque sei que para muitos dos ultrapassados e derrotados ser subserviente é a única forma de ter alguma importãncia no cenário internacional. O Brasil mudou este jogo sim. E é lamentável que os copiões e mediões não consigam compreender, admitir ou debater este pequeno detalhe com mais qualidade, precisão e senso estratégico. Quem conhece as histórias de MAG desde os anos 60 só pode ter profundo respeito e muita admiração por esta grande personagem. 

 

Marco Aurélio Garcia: “A política externa não é um bibelô na vitrine do governo”

publicado em 24/03/2010

 Fonte Agência Carta Maior em 24/03/2010

Segundo o Assessor Especial da Presidência da República para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia, a política externa do governo Lula é um elemento constitutivo de um projeto de desenvolvimento nacional. "No mundo multipolar que se está constituindo, nós queremos aparecer sozinhos ou na excelente companhia dos países vizinhos? Nesse mundo que está em modificação, nós queremos ter uma relação forte com os países da África, da Ásia e do mundo árabe ou nós queremos ficar presos às nossas velhas fidelidades com os EUA e a Europa?” - questiona Garcia.

Maurício Thuswohl

RIO DE JANEIRO – Durante o debate realizado na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) para o lançamento do livro “Brasil, entre o passado e o futuro” (Ed. Boitempo e Ed. Fundação Perseu Abramo), o assessor especial da Presidência da República para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia, defendeu a política externa levada a cabo pelo governo Lula nesses últimos anos: “Nossa política externa não é simplesmente um elemento decorativo ou um bibelô na vitrine do governo, mas é um elemento consubstancial em nosso projeto de desenvolvimento nacional”, disse.

Garcia defendeu que o Brasil assuma cada vez mais seu papel de protagonista nas grandes questões internacionais: “A política externa atual tem a capacidade de suscitar questões que estavam antes encobertas por alguns interesses e colocar em discussão temas que são fundamentais para o futuro da humanidade e para o futuro do Brasil em particular”.

O assessor de Lula citou como exemplo a política de integração sul-americana e fez uma provocação aos críticos do governo: “É importante ou não ter essa política? Ou nós queremos ser uma ilha de prosperidade em meio a um oceano de desigualdades? Esse é um tema fundamental. No mundo multipolar que se está constituindo, nós queremos aparecer sozinhos ou na excelente companhia dos países vizinhos? Nesse mundo que está em modificação, nós queremos ter uma relação forte com os países da África, da Ásia e do mundo árabe ou nós queremos ficar presos às nossas velhas fidelidades com os EUA e a Europa?”, questionou.

A busca desse fortalecimento com os países do Sul, segundo Garcia, não significa uma ruptura com os países desenvolvidos: “Sempre tivemos excelente relação com o governo dos EUA e continuamos tendo. Tivemos essa boa relação mesmo quando, nos primeiros dias do governo Lula, o Brasil assumiu uma posição de repúdio à Guerra do Iraque. É importante que tenhamos uma presença na discussão dos grandes temas da humanidade, como os que sacodem o mundo em torno de décadas de impasse na Palestina. Esse é um impasse que tem a capacidade de espraiar-se para o resto do mundo, alimentando pólos de inquietação e de fundamentalismo. Por isso, estamos presentes nessa discussão com independência, autonomia e realismo”, disse.

Estabilidade econômica 

A estabilidade econômica do Brasil, na opinião de Marco Aurélio Garcia, fortalece a posição do país junto aos interlocutores internacionais: “Depois de mais de duas décadas de estancamento da economia brasileira, nós passamos a ter um crescimento constante. Sem dúvida ainda é insuficiente, mas antes nós lutávamos contra aqueles que diziam que o Brasil não podia crescer mais do que 3%, pois nossa estrutura não agüentaria. Claro que não agüentaria, porque durante duas ou três décadas nós nos preparamos cuidadosamente para ser um pequeno país, um país tacanho”.

Segundo Garcia, “o crescimento era uma ameaça” para a elite dirigente brasileira: “Na imprensa de alguns anos atrás, uma palavra banida era desenvolvimento. No atual governo, crescemos com distribuição de renda, com equilíbrio macroeconômico e com redução da vulnerabilidade externa. Se observarmos a história das seis últimas décadas no Brasil, vamos constatar que tivemos períodos de extraordinário crescimento da economia, mas isso quase sempre se deu com a manutenção da desigualdade social e com aumento da vulnerabilidade externa e macroeconômica”.

Prestígio internacional 

A diplomacia brasileira, disse Garcia, goza de um inédito prestígio internacional: “Houve momentos da história do país em que tivemos uma política externa com visibilidade, mas foram momentos fugazes ou truncados, em tempos de política externa independente, com San Tiago Dantas e Afonso Arinos. Dois chanceleres, diga-se de passagem, que eram ligados a partidos, um ao PTB e outro à UDN. Essa história de que chanceler não pode ser ligado a partido político é novidade, e eu incluo aí o Celso Lafer, que também foi filiado ao PSDB e chegou a ser tesoureiro da campanha do Fernando Henrique. Tudo bem, isso virou nota de pé de página”, brincou.

A nova política externa brasileira, segundo Garcia, beneficia-se dessa tradição progressista do Itamaraty: “Obviamente que a política externa está demarcada em uma política de Estado, mas também traz características próprias ao momento atual. Não é uma forma simplesmente de projetar o Brasil no mundo, mas também de projetar o mundo no Brasil”.

http://www.fpabramo.org.br/artigos-e-boletins/artigos/marco-aurelio-garcia-%E2%80%9C-politica-externa-nao-e-um-bibelo-na-vitrine-do-gov

 

Demarchi

Ué senhor Araújo, agora o senhor reconhece que o senhor Lafer tirou os sapatos nos EUA? não era o senhor que escreveu uma vez que toda essa história era conversa fiada, até alguém mostrar uma reportagem da FSP em que afirmava que o diplomata russo também teve que tirar seus sapatos.

 

http://www.projetobr.com.br/blog/luisnassif/o-soft-power-da-diplomacia-b...

Meu caro, eu JAMAIS disse que não tirou sapatos, eu disse que todos TEM QUE TIRAR, seja tucano ou petista, russo, japonês ou angolano, que tira quando embarca e não quando chega, mas aqui o nivel de INTELECÇÃO é baixissimo, para entender alguma coisa precisa pentear muito cabelo.

 

"Tem???" Não seja tão cretino, seu entreguista! Tem "uma cebola"! Ele tirou os sapatos porque sofre da síndrome de vira latas! Só mesmo um ministro tucano fez e faria novamente isso. No governo Lula/Dilma o buraco é (muito) mais embaixo. Pare de ser tão cretino...

 

Não adianta voce explicar, André Araújo. É patológico. 

Pessoas como essa aí são meros produtos disso aqui:

http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=Wqlg3Z3ilWs 

 

Marco Aurélio Garcia, desejo pronto restabelecimento. Quero vê-lo logo fazendo top, top, top para nossa mídia PiG.

 

 

Testemunho: Estava eu na liderança do governo no Senado trabalhando como sempre trabalhei até as 21 horas, quando no meio da tarde Marco Aurélio Garcia, José Dirceu e Aloizio Mercadante entraram no gabinete da assessoria da liderança e foram para uma sala nos fundos. Ouvíamos José Dirceu aos gritos, dizendo: "Vocês vão me abandonar?". Fecha o pano.

 

Ivanisa Teitelroit Martins

"Em 31 de janeiro de 2002, o então chanceler do governo FHC, Celso Lafer, submeteu-se ao humilhante ritual de tirar os sapatos no aeroporto de Miami. Uma imposição da segurança ianque, se quisesse ingressar no país."

E o que dizer dos petistas e membros do governo que foram BARRADOS, DENTRO DO BRASIL, durante a visita do Obama? 


Na Folha

Por Natuza Nery e Patrícia Campos Mello:
"
O forte aparato de segurança do presidente Barack Obama constrangeu alguns ministros brasileiros. Segundo o relato de um desses ministros, as exigências para a entrada dos visitantes ao evento do mandatário americano com empresários dos dois países causou mal-estar entre as autoridades brasileiras.

Conforme o relato obtido pela Folha, cinco ministros de Dilma Rousseff teriam reclamado do esquema de segurança a que foram submetidos: Guido Mantega (Fazenda), Fernando Pimentel (Desenvolvimento, Indústria e Comércio), Aloizio Mercadante (Ciência e Tecnologia), Alexandre Tombini (Banco Central) e Edison Lobão (Minas e Energia).

Eles foram escoltados por agentes americanos em um ônibus até o local do evento e revistados na entrada. Outro ministro informou que alguns deles entraram no local do encontro porque não podiam recuar e saíram logo em seguida sem participar da solenidade.

O ministro Fernando Pimentel afirmou por meio de sua assessoria que deixou o local porque fora chamado pela presidente Dilma Rousseff. Um dos ministros contou que o esquema fez com que se sentissem como “colegiais” ou suspeitos tentando entrar nos Estados Unidos."


XXX

 
Texto hipocrita, para louvar um desmiolado, um celerado.

 

Essa imbecilidade continua apesar de só eu ter inserido uns 100 comentarios sobre esse tema.

1.Não se TIRA SAPATO PARA ENTRAR NOS EUA e em nenhum lugar do mundo. Em alguns paises a revista de segurança nos aeroportos exigem retirada de sapatos PARA EMBARCAR e não chegando.

2.O Ministro Lafer, assim como outros chanceleres, inclusive da Russia, tirou os sapatos para EMBARCAR em um voo no aeroporto de Washington. Se fosse um ministro petista tiraria da mesmissima forma ou não embarcaria, não iria adiantar fazir piti e nem barraco, a segurança dos aeroportos não é do Departamento de Estado, é de um orgão independente, a TSA-Transport Safety Authority.

3.Essa irritante revista em aeroportos é universal, não é uma OFENSA, nos EUA não há a cultura da ""carteirada"", todos são iguais e se submetem, não tem a figura do ""importante"", ninguem é importante, é uma sociedade deomocratica, de regras.

 

 

Aqui continua o festival de cretinices! Se o cara é diplomata não tem que tirar porra nenhuma, a não ser que seja do governo entreguista tucano!

 

Absolutamente nada a ver. A inspeção de Raio X para embarque em voos é considerada pelos americanos como medida de proteção ao passageiro, não é uma questão de status e sim de segurança, como quando uma comitiva vai visitar um estaleiro e todos precisam colocar capacetes, a Presidente Dilma tambem coloca capacete, para proteção dela, não é uma questão de etiqueta e ninguem reclama.

Segundo, há regras especificas para tratamento de DIPLOMATS em aeroportos americanos,

já publiquei aqui esse Regulamento. Se for visita oficial há um Protocolo Especial, caso contrario o diplomata não tem tratamento diferenciado de qualquer outro passageiro. Um Ministro de Relações Exteriores faz em quatro anos umas 20 visitas a Washington, apenas UMA é oficial, quando vem com o Presidente, as demais são de trabalho e portanto de rotina, não tem Protocolo Especial. Chegam e saem de Washington todos os dias 200 a 300 diplomatas, não tem nem condição de ter tratamento VIP para cada um.

Porque aqui acham que diplomatas petistas tem regalias especiais em um pais estrangeiro? Com base em que? Tem duas situações, ou se submete a revista ou não viaja. Todos os que entram no avião, até os tripulantes, são revistados. Se alguem não quiser não viaja, os guardas nem querem saber quem é e eles não estão submetidos ao Departamento de Estado.

 

Acorda!!! Autoridades brasileiras petistas inclusive (claro) tiveram que ser revistadas DENTRO DO BRASIL, no teatro municipal do Rio, quando Obama esteve lá! Acorda!

 

Mas este tal de Ledour não queria outro dia se naturalizar yankee top, top?

 

MAG é maravilhoso para quem curte a diplomacia bolivariana do Brasil parceirizado com paises em busca do socialismo no Seculo XXI. Para quem acha que o Brasil deve se inserir no clube dos grandes paises

se associando ao bloco que comanda a ordem global, a diplomacia de MAG é um desastre absoluto.

Portanto não se trata da pessoa do professor, que é um homem extremamene culto, agradavel e sofisticado e sim das posições ideologicas que ele representa.

 
Re: A trajetória do ministro Marco Aurélio Garcia
 

André, parece que o Leandro Fortes publicou o texto abaixo no Facebook tinha você em mente...

 

NEM DESCALÇO, NEM DE JOELHOS

Toda essa movimentação de corvos e abutres em torno da saúde de Marco Aurélio Garcia, inclusive a denúncia (!) da Folha de S.Paulo dando conta de que ele foi operado com recursos dos SUS, esconde um recalque dolorido em relação ao assessor internacional da Presidência da República.

Garcia, chamado de MAG pelos amigos (dele, eu não o conheço), é um dos principais articuladores do Foro de São Paulo, o movimento contra-hegemônico das esquerdas latinoamericanas à política de submissão da região aos interesses dos Estados Unidos e das corporações capitalistas do Velho Mundo.

Nos anos 1990, foi a iniciativa de Marco Aurélio Garcia que alimentou nosso sentimento de soberania e autodeterminação quando tudo o mais era ditado pelo Consenso de Washington e pelo FMI, cartilhas às quais o governo brasileiro, da ditadura militar aos anos FHC, seguiu como um cordeirinho adestrado.

Eleito Luiz Inácio Lula da Silva, coube a Garcia, ao lado dos embaixadores Celso Amorim e Samuel Pinheiro Guimarães, reorientar a diplomacia brasileira de modo a tirar o Brasil, uma imensa nação potencialmente rica e poderosa, de sua condição subalterna e levá-lá a um protagonismo inédito e, de certa forma, pertubador dentro da ordem mundial.

Ao fazer isso, Garcia fez o mundo lembrar o ponto de degradação a que tínhamos chegado: em 2002, o embaixador Celso Lafer, ministro das Relações Exteriores, chanceler do Brasil no segundo governo FHC, foi obrigado a tirar os sapatos no aeroporto de Miami, por ordem de um zelador da alfândega dos EUA.

Ao invés de dar meia volta e fazer uma reclamação formal à Casa Branca, Lafer botou o pezinho para fora e o rabo entre as pernas. Foi o auge da política dos pés deslcaços e da diplomacia de joelhos.

Então, essas pessoas que, hoje, sem um argumento melhor, ficam pateticamente perguntando se Marco Aurélio Garcia ao menos entrou na fila do SUS, estão, na verdade, naquela empreitada envergonhada, pessoal e impublicável dos que torciam secretamente pelo avanço dos tumores que um dia atormentaram a vida e o futuro político de Lula e Dilma Rousseff.

Sem voto, sem popularidade e despidos de humanidade, jogam todas as fichas no câncer - ou na fraqueza do coração - alheio.

 

Perfeito, Walter 22!

 

Maria Olimpia

De forma alguma a frase preferida por MAG se aplica a você, André. Mas a sua insistência em bater em teclas tipo "diplomacia bolivariana de países em busca do socialismo do século XXI" é lamentável. Eu poderia perfeitamente reescrever esse conceito com palavras como "diplomacia altaneira de países em busca do resgate de sua soberania e da justiça social para seus povos."

Um abraço.

 

Para alguns, melhor é ser colônia, em todos os sentidos, para sempre.

 

interlocutor!!!!!!!se néscios discutem pessoas,concluo. ledour e o andré araujo são néscios com dor de cotovelo,como diz pha,esse nunca dantes

 

comecinho dos anos 80, eu mt jovem, junto com outros colegas, trouxemos a santos p conversar sobre história do movimento estudantil, marco aurélio garcia. na época, ele fazia mtas dobradinhas com o grande sociólogo, já falecido, infelizmente, eder sader. formou junto com vários outros intelectuais do pt no período, um movimento q se chamava de "os autonomistas". produziram vários textos interessantes. infelizmente perdi td isso. escrevia p o "em tempo". o jornal chegava precariamente e eu corria p a livraria caiçara, na av ana costa, p garantir meu exemplar.

 

Não precisa ser especialista no assunto para saber que a diplomacia brasileira mudou, da água para o vinho, depois da posse do Presidente Lula.

O povo brasileiro agradece. 

 

Naturalmente que vc deve achar o Barão do Rio Branco um péssimo diplomata.

 

 

André, vc podia nos contar um pouco das suas conversas com o Barão? Deve ser uma interessante narrativa.Conta, vai . . .

 

Espero que lance um livro , como sugerido , lançando luz sobre esse capítulo obscuro da formação do FORO DE SP , dos quais FARC colombiana e MIR chileno são integrantes. O mesmo MIR envolvido nos sequestros de Abilio Diniz e Washington Olivetto.


E a assistência prestada por LULA, casal Suplicy e o advogado Greenhalg aos bandidos enquanto estavam na cadeia !

 

Prezado Fabio

O secuestro do publicista não foi realizado por integrantes do MIR, e sem por ex integrantes da FPMR, (Frente Patriotica Manuel Rodrigues), dois movimentos de origem totalmente diferentes e antagonicos na politica Chilena.

 

 

Celso Lafer é um daqueles diplomatas favoritos na prateleira do W.Waak na Globo News: especialista em falar mal da diplomacia atual, com autoridade e conhecimento do causa. Grande Celso Lafer

 

Kid Prado

Ah, ah, ah, o Ministro Celso Lafer dando entrevista de camiseta? Como aqui tem humorista.

Não sabem nada de coisa nenhuma.

 

 

Ninguém é mais humorista que Vc, AA! Nem mais cretino, infelizmente um cretino fundamental (sorry, Nelson!), afinal se não existisses de quem riríamos? Kakakakakaka...hehehehehehe...rsrsrsrsrs...

 
Re: A trajetória do ministro Marco Aurélio Garcia
 

hahahahahaha......o que é uma camiseta para um homem que teve que tirar os sapatos.....hahahahaha....na frente de todos??   kakakakakaka.....realmente o senhor, dos piadistas, é o mais engraçado!!!  

 

Esse ano vai dar Dilma na cabeça!!

Ledour, Ledour!

Lendo Augusto Nunes... Veja...

Você só poderia estar completamente dissociado da realidade.

Provavelmente deve ter saudades dos tempos da "diplomacia dos pés descalços".

 

Buenavida

Eu leio todo mundo, de A a Z, mas se você se contentar só com Paulo Henrique Amorim, fique a vontade meu brother...

 

Discordância veemente do André: 5, 4, 3…

 

Pois o Mag deu aula de anatomia e ensinou ao Brasil a ter dignidade e  não  curvar a coluna frente aos poderosos, gesto tão obsequioso  dos antigos governos e considerado uma afronta por certos articulistas. Vida Longa a esse ilustre brasileiro.

 

De fato, o Brasil só se tornou um Pais importante a partir de 2003, antes nem existia como pais, não é mesmo? O Itamaraty então era fraquissimo nas Conferencias de Havana e do Rio de Janeiro em 1941 e 1942 e na fundação da ONU em San Francisco ninguem nunca tinha ouvido falar do Brasil, pois não é?

Antes o Brasil era um paiseco desimportante, inclusive na Conferencia de Haia em 1909 quando brilhou Rui Barbosa e nas grandes demarches do Governo Jk quando por iniciativa do Brasil foi criada a Aliança para o Progresso e o Banco Interamericano de Desenvolvimento. Nem sei porque a biblioteca diplomatica brasileira é tão grande, só de memorias de embaixadores são 110, as de Heitor Lira tem dois volumes, mais de 1.000 pagina, só a Editora da Universidade de Brasilia tem duas coleções de obras sobre a diplomacia brasileira desde a Independencia, temos autores especialiados em diplomacia como Amado Cervo, Fernando de Mello Barreto, Moniz Bandeira,  Guilhon de Albuquerque.

Tampouco, nessa visão bolivariana, tem qualquer importancia vultos diplomaticos como Roberto Campos, Walther Moreira Salles, Oswaldo Aranha, Azeredo da Silveira, Saraiva Guerreiro, Mauricio Nabuco, Afranio de Mello Franco, Carlos Alves de Souza, Hugo Gouthier,  Nascimento e Silva, Nogueira Batista, Pires do Rio,  Afonso Arinos, Allberto Costa e Silva,  Sergio  Correa da Costa,  Italo Zappa, Raul Fernandes, Neves da Fontoura,  Mario Gibson Barbosza,  Roberto Abdenur,  Dias Carneiro, Correia do Lago.

O que preside o processo do desconhecimento absoluto do que é a fabulosa historia do Brasil diplomatico tem um nome simpes: é a IGNORANCIA de pessoas que não tem o mais remota noção do que é o Brasil, de suas origens e trajetoria como Pais.

 

Caro AA, todo seu esforço legítimo em defender a bela tradição da diplomacia brasileira, cai por terra quando você assume um "ideologismo" reducionista, que acusa nos outros.

Esqueça essa história de "bolivarianismo". É possível assumir uma postura mais auto-determinante em relação ao poderio do grande império do norte, sem as bravatas do Chávez.

A despeito da importância e competência da diplomacia brasileira não ter surgido em 2003, é fato que o Brasil se insere nesse movimento que os países da AL vem fazendo em relação aos EUA.

Ainda aguardo você admitir que o Brasil tem se postado de uma maneira independente, como diz o Lula, "respeitando e exigindo respeito", sem partir para confrontações desnecessárias com o Tio Sam

 

Juliano Santos

Vida longa !