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A volta do boêmio Nelson Gonçalves

Nassif:

Sobre a trajetória ímpar de Nelson Gonçalves, o maior cantor brasileiro de todos os tempos.

A verdade de Nelson Gonçalves

Biografia sobre o cantor revela personagem tão surpreendente quanto o mito criado por ele próprio             

 www.samba-choro.com.br/ 

JOAQUIM FERREIRA DOS SANTOS- jornalista, escritor e crítico musical.

Em 09 de janeiro de 2002

 Na biografia 'A revolta do boêmio', escrita por Marco Aurélio Barroso, o cantor Nelson Gonçalves é descrito como um homem despreparado para as responsabilidades da vida: cavalos no Jóquei, cocaína e estupro Você já leu isso em algum lugar: Nelson Gonçalves bateu o recorde mundial com suas 2 mil gravações, o que lhe rendeu numa viagem a Nova York um encontro com Frank Sinatra. Antes, porém, foi lutador de boxe e cafetão na Lapa. Madame Satã, o homossexual malandro da Lapa dos 40, serviu de testemunha numa surra que Nelson deu em Miguelzinho Camisa Preta, a única no currículo deste terror da Saúde. 

Mais tarde, nos anos 60, trancado numa casa para se curar do vício da cocaína, Nelson era alimentado com comida passada por debaixo da porta.

Você já leu todas essas informações em muitas reportagens e algumas estão no filme Nelson Gonçalves, recentemente lançado em DVD, que conta a vida do cantor e tem Alexandre Borges no papel principal.

Pois saiba agora: tudo mentira.

1. Nelson gravou 869 músicas. Até Chico Alves superou este número.

2. Jamais viu Sinatra pela frente.

3. Fez algumas aulas, e olhe lá, de boxe.

4. Nunca teve mulher na zona. Foi explorado pelas mulheres.

5. Nunca bateu em Miguelzinho Camisa Preta, porque esse personagem não existiu. Existiu Miguelzinho e existiu Camisa Preta. Invenção de Madame Satã.

6. Livrou-se das drogas num processo tradicional que vai diminuindo as doses.

''O Nelson inventou um personagem que cabia muito bem nas necessidades da imprensa, era um típico caso de me engana que eu gosto para os dois lados'', diz o escritor Marco Aurélio Barroso, que está lançando A revolta do boêmio - A vida de Nelson Gonçalves com todas essas informações e muitos outros desmentidos. Não, Nelson também não dormiu nas pedras do Flamengo nem foi nocauteado por Eder Jofre. O livro custa R$ 40 e pode ser comprado pela internet, no endereço arevoltadoboemio@bol.com.br.

Solucinhos maneirosos - É um daqueles raros casos nacionais de biografia não autorizada. Nelson foi deixando filhos e mulheres pelo caminho, sem ajudá-los em nada além do que não fosse cobrado ao vivo por algum representante da Justiça - e isso tudo está no livro, uma biografia sem panos quentes, segundo o autor. ''O Nelson não desprezava filhos e ex-mulheres por maldade, mas porque era um despreparado para as responsabilidades da vida'', afirma.

Não pagava pensões aos filhos. Bateu em todas as mulheres. Marco Aurélio não conta isso só porque sempre foi fã de Orlando Silva. Mas em nome da verdade. No final do livro relaciona a discografia completa do cantor, mas antes, verificando os métodos que ele utilizava para recolher canções, muitas vezes em pagamento de drogas ou amizades, é crítico: haja qualidade numa discografia assim!

Nelson Gonçalves, gaúcho, criado em São Paulo por pais analfabetos, tinha o nome de batismo de Antônio Gonçalves e não Antônio Gonçalves Nobre como está no filme que acabou de passar nos cinemas. Gravou pela primeira vez, em 1941, um samba de Ataulfo Alves, e atravessou toda a década de 40 na aba de Orlando Silva, a quem imitava descaradamente no timbre aveludado e até nos solucinhos maneirosos. Orlando, depois de uma aparição espetacular em 1935, começou a definhar artisticamente em 1942 - e aí Nelson colou junto. Filme, livro e todos os pesquisadores concordam: de 1952, quando começou a gravar Adelino Moreira e o destino levou Chico Alves, até 1957, quando caiu de nariz nas drogas, Nelson Gonçalves, já com sonoridade própria, foi o maior cantor do Brasil.

Mesmo que Marco Aurélio Barroso desmonte a lenda de que a cantora Betty White tenha botado fogo às vestes e se suicidado por amor a Nelson (ela na verdade morreu num acidente doméstico com álcool). Mesmo que não seja espanhola, mas cubana a vedete namorada Nina Montez, e mesmo que o cantor não tenha tentado matá-la a facadas como diz a lenda, mas com balas de revólver como quer o livro - uma biografia de Nelson sempre terá histórias incríveis para contar. Entre 1959 e 1964, manteve oito cavalos no Jóquei Clube, que correram 138 provas e venceram... 6. Nelson participava de jogos de dados viciados - era ele quem levava os dados.

Prótese peniana - A biografia de Marco Aurélio, premiada pela Biblioteca Nacional, vai às minúcias no registro de todos esses qüiproquós e, num estilo romanceado, passa com rapidez do palco auditório da Rádio Nacional para a delegacia de Copacabana, onde agora o cantor dá nova entrada por tentar jogar da janela uma de suas namoradas, Maria Luíza. Há dezenas de personagens famosos vistos não exatamente da mesma maneira que apareciam na Revista do Rádio. O compositor Jorge de Castro, parceiro de Wilson Batista na clássica Dolores Sierra, tem registrado seu verdadeiro papel na música popular brasileira - era agiota, vulgo Judeu Negro, e saía dele o dinheiro para que Wilson e Nelson comprassem cocaína.

As letras de verbo forte do português Adelino Moreira - A volta do boêmio, Meu vício é você, Mariposa, Doidivana - ajudaram a cimentar o perfil de um machão com um lado luminoso (18 filmes, 60 milhões de discos vendidos segundo o filme, 26 milhões pelo livro) e outro pavorosamente sombrio (uma de suas idas à delegacia foi por causa do estupro de uma fã). Em 1966, Nelson, preso por tráfico de cocaína, cruza com o cascateiro-mor da imprensa nacional, David Nasser - que se encarrega de misturar ainda mais o pó do que é verdade e do que é mentira em volta desse boêmio.

''Nelson foi um homem em eterna busca do equilíbrio e por incrível que pareça só conseguia isso com as drogas, o jogo e a troca constante de mulheres'', observa Marco Aurélio, que encerra a biografia com a morte do cantor, de infarto do miocárdio, aos 78 anos, em 18 de abril de 1998. Tinha oito filhos e uma prótese peniana em constante estado de ereção, com que gostava de assustar os amigos ao abraçá-los. Antes do ponto final, Marco Aurélio destruiu uma última lenda. Nelson não era gago. Era o contrário. Taquilálico. Falava rápido demais. 

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Nelson Gonçalves então fazia o que muitos artistas fraquinhos fazem hoje: gostam de mentir acerca de si mesmos, sendo esse "gostar" uma Grande Arte. Um mito ao cristalizar-se torna-se difícil desfazer-se especialmente se ele é talentoso - e Nelson o era e é (por sua arte). Então... É até possível imaginar mentiras que o Divo Gonçalves pregou - e essas mentiras é que o tornam delicioso como personagem, como celebridade de um tempo passado, como mito e ícone - um ser (sendo) impagável, inesquecível. Boa a idéia do pesquisador (e professor) em propor desmentir os discursos advindos do Mito (e dos seus propagadores como diretores de gravadoras, empresários, fãs clubes etc.), apesar de soar sem sem devolução - fala-se a verdade, comenta-se sobre ela, mas se prefere as ilusões que nos mantém acordados na fantasia que demandamos sempre (cumpre assim um dos papéis dos artistas). Quando a mentira é a que se deseja (do interno), vá e a progague.

 

Nelson Gonçalves foi o maior de todos. E me impressiona a ignorância desse pessoal que comenta aqui. Nelso reuniu todos os maiores predicados para ser o maior cantor brasileiro de todos os tempos. E, sua vida, tão aventuresca (e muito similar a de Johnny Cash, por exemplo).  E essa biografia, eu tive a oportunidade de checar com a própria filha, Marilene, é um farsa. E é mesmo. Investiguei a fundo a vida doi Metralha para dois grande perfis publicados em revistas como Rolling Stone e Aplauso e não resta dúvida: nada supera as façanhas de toda sorte cometidas pro Nelson. A sanguineidade, além de sua voz de ouro, é algo que falta hoje em dia. Muito por conta desses cantores pós-bossanovistas chatos para um caralho que dominam o "jeito de cantar" atual. Aquela batidinha bossanovinha xoxa...Nada que se compare ao acento dark de "Negue". A personalidade do Nelson também faz falata nesse cenário de cantores movidos a bonomia e paumolescvência de suas vozes, na maioria, de maricas. Pensem bem antes de querer descontruir um mito da estatura do Nelson Gonçalves: isso denota tanto ignorância quanto prfovinciainismo - esse cacoete de sempre torcer o nariz pra tudo que realmente é bem sucedido. Nelson  foi ao inferno e voltou. Mitos se descontrói mitos dessa envergadura; mitos assim, na verdade, devem ser ser alimentados eternamente.

 

HÁ CONTROVÉRSIAS

Camisa Preta, depois,  viria a ter como "enteada" uma belíssima morena jambo, que me fazia subir e descer aquela larga ladeira da Saúde, três vezes por semana, embora, ainda, muito jovem.

O dia que Camisa Preta teria levado a surra, estava literalmente bêbado. O que Madame Satã não contou, porque não viu, foi o dia da desforra. Bem, eu, também, é claro, não vi, mas, a fonte da história foi a melhor possível.

O irmão mais velho, dela, só a primeira vez, me esperou, com ela, antes de subir. Às 22 horas desceu comigo. Era uma moça de família. O motivo, creio eu, foi mostrar às inúmeras "turminhas" das esquinas da ladeira, que eu deveria ser respeitado. Ah, sim: o corpulento irmão, tinha um Mercury vermelho conversível e usava grossas pulseiras de ouro e o, de praxe, cordão com a imagem de São Jorge. Jamais ouvi qualquer comentário, ao passar pelos grupos (com um friozinho na barriga, é natural - era época das navalhas).

 

Ou eu encontro um caminho ou eu o faço! Philip Sidney.

Sem dúvida, uma grande voz ( embora fosse gago), mas com uma vida complicada. Até que merecia um filme, ou uma mini série sobre sua vida.  Mas não foi nem o maior, nem o melhor cantor do Brasil, em minha opinião. Ficaria, com muita boa vontade entre os dez melhores.

 

Caros Anarquista, Marcia e Paulo Sanito:

“O maior cantor brasileiro de todos os tempos” é a minha opinião, só isso.

Marcia, Nelson Gonçalves não era fácil fora do palco, e a biografia de Marco Aurélio Barros só faz confirmar isto. Você, que o diga, já que tiveste esta experiência intolerável com o cantor;

Um abraço a todos

 

Sem dúvida, uma grande voz ( embora fosse gago), mas com uma vida complicada. Até que merecia um filme, ou uma mini série sobre sua vida.  Mas não foi nem o maior, nem o melhor cantor do Brasil, em minha opinião. Ficaria, com muita boa vontade entre os dez melhores.

 

Para conhecer o Nelson em todas as suas fases, um bom caminho é a caixa com 3 CDs, reunindo 71 gravações remasterizadas, gravadas originalmente para a RCA Victor entre 1941 e 1990. Grande cantor, mesmo na fase do vício: http://300discos.wordpress.com/2010/05/07/fs21-nelson-goncalves-o-mito-1995/ .

 

Ele era um tarado.

 

Nos  anos 80 fui com meus pais  assití-lo numa churrascaria em Salvador,  quando fui ao toalette esse cantor me assediou descaradamente, pelo que  eu e meus pais tivemos que nos retirar  constrangidos pelo  comportamento de Nelson.

 

Nelson Gonçalves , de origem popular gravou e cantou para o povo coisas que o povo gostava e  assim são as coisas do povo. Putas , vicios, brigas , box e capoeiras são coisas digamos populares.Lembro das eleições de 1986 .Estava em Juiz de Fora  e o Nelson estava no palanque  se não me engano pelo PDT do brizola, um mito que falava como a gente falava mas quando cantava ah! cantava o que a gente cantava e queria ouvir.

 

Criticos e historiadores na maioria das vezes não entendem nada de povo ou popular.

 

 

Nelson canta Noel. Muito legal, apesar (ou por causa) desse orgãozinho de churrascaria!

Agora, mais legal era Orlando Silva, o grande modelo de Nelson Gonçalves.

 

Acho "Nelson canta Noel" um grande disco, até hoje. Quando levava injeção de repertório, respondia bem. 

 

 

   Eu gosto muito da voz e do repertório de Nelson Gonçalves.

     Mas escrever isto é demais: "" o maior cantor brasileiro de todos os tempos.""

      Coloca-lo num honroso quarto lugar como maior cantor brasileiro,tá bom pra caramba.

       Quem seriam os 3 primeiros?

       Com a palavra os leitores.

 

Willian Wack e o Cala Boca na Dilma.

http://g1.globo.com/videos/jornal-da-globo/v/quebra-do-sigilo-fiscal-domina-dia-politico-no-brasil/1325943/#/Edi%C3%A7%C3%B5es/20100826/page/1

Quando a Dilma começar a falar... escute bem!