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A vulnerabilidade social e a educação

Oi Nassif, olha só isso:

Vulnerabilidade social do território influencia aprendizagem dos alunos, aponta pesquisa 
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"Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela, tampouco, a sociedade muda." Paulo Freire

Abraços, Gustavo Cherubine.

Do Portam Cenpec

Educação em territórios de alta vulnerabilidade

Vulnerabilidade social do território influencia aprendizagem dos alunos, aponta pesquisa 

Estudo realizado na Zona Leste de São Paulo mostra que crianças com o mesmo nível sociocultural apresentam desempenhos escolares diferentes de acordo com a localização da escola que frequentam. 

O estudo Educação em territórios de alta vulnerabilidade social na metrópole, uma iniciativa da Fundação Tide Setubal em parceria com aFundação Itaú Social e o Unicef  e coordenação do Cenpec, constatou que, quanto maior a vulnerabilidade social do território, menor o nível da qualidade de ensino ofertado e menor a aprendizagem dos alunos, dinâmica denominada ‘Efeito do Território’.

Realizado entre 2009 e 2010, a pesquisa analisou dados das 61 escolas públicas da subprefeitura de São Miguel Paulista, na Zona Leste da capital, que atendem 88 mil alunos. Os dados mostram que quanto mais vulnerável o território, menor o resultado das escolas na avaliação do Ideb.

O objetivo da pesquisa foi averiguar o ‘Efeito do Território’ nas oportunidades educacionais oferecidas às crianças, adolescentes e jovens da periferia das metrópoles. “As metrópoles apresentam o seguinte paradoxo: ao mesmo tempo em que possuem grande riqueza econômica, social e cultural, apresentam indicadores educacionais abaixo das cidades de médio porte” explica a superintendente do Cenpec, Anna Helena Altenfelder.

Segundo Antonio Batista, coordenador de pesquisa do Cenpec, “esse aparente paradoxo é decorrente - segundo as investigações existentes sobre o tema - da forte segregação espacial que marca as áreas metropolitanas e que tende a isolar parcelas expressivas da população de oportunidades sociais, educacionais e culturais. A segregação e o isolamento espacial se tornam, assim, também uma segregação e um isolamento sociocultural e educacional”.

Para a coordenadora da Fundação Tide Setubal, Paula Galeano a pesquisa também tem mérito de apresentar, sob diversas óticas, os mecanismos que geram as desigualdades. "A Fundação atua em territórios vulneráveis onde percebemos a reprodução das desigualdades, pelo precário acesso da população aos bens e serviços que não estão distribuídos de forma justa na cidade. Nosso papel é o de integrar ações e políticas na tentativa de romper este ciclo e promover o desenvolvimento”, conclui.

O que mobilizou as instituições envolvidas a desenvolver este estudo foi a possibilidade de contribuir para o debate público sobre as políticas educacionais. “São necessárias políticas específicas para escolas em territórios de alta vulnerabilidade, sobretudo quando atendem alunos com baixos recursos culturais, visando garantir a equidade”, afirma a diretora da Fundação Itaú Social, Valéria Riccomini.

São duas as evidências que comprovam o impacto da vulnerabilidade do território onde se localiza a escola sobre as oportunidades educacionais oferecidas aos estudantes:

Primeira evidência 

O estudo constatou que, das 61 escolas pesquisadas, as localizadas em territórios de alta vulnerabilidade ficaram abaixo da média local do Ideb. Por outro lado, entre as que estão em regiões centrais, com mais recursos culturais, financeiros e sociais, quase todas estão acima da média do Ideb de São Miguel Paulista.

Primeira evidência

Segunda evidência

Outra evidência detectada é que alunos com o mesmo nível sociocultural têm desempenhos diferentes conforme o nível de vulnerabilidade do local onde se situa a escola. Foi observado que, dentre os alunos de quarta série com baixos níveis socioculturais que vivem em territórios de alta vulnerabilidade, 50% tiveram nível de proficiência abaixo do básico na Prova Brasil em Língua Portuguesa, em 2007. Este índice cai para 38% nas regiões mais centrais. Esta evidência expressa um princípio fundamental para a Educação que é de que todos os alunos podem aprender, desde que garantidas as condições para isto. 

Segunda evidência

A pesquisa também procurou identificar os mecanismos e processos que produzem o 'Efeito de Território'. Foram encontrados cinco mecanismos que afetam as escolas em territórios de alta vulnerabilidade: 1) isolamento da escola em relação a outros equipamentos públicos no território; 2) baixa oferta de Educação Infantil e creches no entorno; 3) escolas com tendência a concentrar alunos com baixos recursos socioculturais; 4) desvantagem em relação a outras escolas na concorrência por bons profissionais; 5) modelo escolar vigente inadequado às necessidades dos alunos que estudam nestas escolas com alta vulnerabilidade. "O modelo escolar que organiza o funcionamento das escolas exige um repertório que os alunos com baixos recursos não possuem. A escola precisa estar preparada para atender o aluno real" explica o pesquisador do Cenpec e coordenador da pesquisa, Maurício Érnica.

Segundo a diretora da Fundação Itaú Social, Valéria Riccomini, o resultado da pesquisa indica que é necessário e urgente desenvolver políticas públicas específicas para escolas que estejam localizadas em regiões de alta vulnerabilidade social. "Ao concluir que crianças com o mesmo nível sociocultural têm desempenhos diferentes, o estudo mostra que o território influencia de forma significativa as oportunidades de aprendizagem. Por isso, as políticas precisam considerar as desigualdades e as especificidades de cada comunidade", afirma. 

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eleoneia (não verificado)

OLa me chamo elioneia sou

OLa me chamo elioneia sou estudante de pedagogia e estou escrevendo o meu artigo

preciso saber se a vulnerabilidade social ela te alguma relação com a educação e alfabetização

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+9 comentários

Pois é, Josaphat e Ivan , acabei perdendo-me na jogada, era para ser apenas um desabafo, valeu o toque J.  

Josaphat, embora tua questão seja direcionada ao Ivan, permita-me fazer um comentário:

 penso que mudanças sociais, no Brasil, não  devem e nem podem ser apontadas como  responsabilidade do professor e da escola somente, pois sozinhos já não dão conta  de um triste/antigo/longo histórico de desigualdade. Claro, como você bem falou, que um dos “discursos” da escola “é para criar no espírito dos alunos alguma coisa que os faça, um dia, desagregar e destruir essa sociedade desagregadora e destruidora”, o problema é que essa “fala”, para inúmeros alunos não “cola mais”, eles não conseguem enxergar perspectivas, o “excesso de realidade” não permite.    Enfim, muitos professores pedem ajuda, gritam por socorro, mas esse grito parece ser inaudível, incompreensível... isto não significa,porém, que tenham desistido...

P.S.:  Ressalto que estou me referindo a escolas de locais extremamente carentes. Lugares em que a miséria e a violência imperam. Ressalto também que vejo algumas tentativas do governo federal em modificar este quadro, o problema é que demorou muito, foram anos de absoluto descaso... Bem, não vou me estender mais, o assunto é bastante complexo.

 

Silvia R. Andrade

Sou professora e trabalho em território de alta vulnerabilidade e discordo de alguns pontos, aliás, já considerei o início do texto um tanto equivocado.

“O estudo Educação em territórios de alta vulnerabilidade social na metrópole, uma iniciativa da Fundação Tide Setubal em parceria com a Fundação Itaú Social e o Unicef  e coordenação do Cenpec, constatou que, quanto maior a vulnerabilidade social do território, menor o nível da qualidade de ensino ofertado e menor a aprendizagem dos alunos, dinâmica denominada ‘Efeito do Território’”.

 “Menor o nível da qualidade de ensino ofertado”. Com licença, ofertado por quem (????). Professores são professores, independente de território de trabalho, localização de escola. O trabalho muitas vezes é diferenciado, segundo o contexto do aluno, até mesmo para tornar o ensino mais agradável  e de melhor entendimento para o discente, e isto não significa que há um menor nível da qualidade no  ensino.  Agora, se falarmos dos recursos quase inexistentes nas escolas públicas que podem, e muito, afetar a qualidade da aprendizagem, daí sim... Conheço muitos professores que compram materiais  com dinheiro do seu próprio bolso, pedem ajuda para instituições para poder proporcionar passeios, saídas culturais... investindo nos seus alunos, acreditando neles, fazendo o que o estado deveria fazer e nunca ou quase nunca faz...  

 

“Realizado entre 2009 e 2010, a pesquisa analisou dados das 61 escolas públicas da subprefeitura de São Miguel Paulista, na Zona Leste da capital, que atendem 88 mil alunos. Os dados mostram que quanto mais vulnerável o território, menor o resultado das escolas na avaliação do Ideb.

 Olha, as pessoas estão muito, muito distantes da realidade (ou fazem que estão). É fácil pra quem teoriza, tem é que conviver. O que esperam de crianças que têm histórico de desnutrição, que  muitas vezes a merenda escolar é sua refeição do dia; crianças que tem seqüelas devido o uso de drogas dos pais; crianças que são adultos porque assumem responsabilidades como cuidar de irmãos, da casa;crianças que sofrem abuso; crianças que não têm calçados e roupas; futuros adultos que sequer concluirão o ensino médio, pois são obrigados a defender a grana do dia a dia, vão ser pedreiros, faxineiras ( o que é muito digno); outros optam por trabalhar no tráfico, morrendo aos 17, 18 anos; meninas são mães aos 12, 13 anos ... Poxa, poderia escrever aqui inúmeras situações que vivencio, porque trabalho neste meio. Pra quem não percebeu, a escola SOZINHA não vai resolver um problema que não é só da EDUCAÇÃO, é principalmente SOCIAL. A grande gratificação é saber que, apesar de todo esse contexto de miséria, ALGUNS jovens conseguem concluir o ensino médio e ingressar numa faculdade.

“Segundo a diretora da Fundação Itaú Social, Valéria Riccomini, o resultado da pesquisa indica que é necessário e urgente desenvolver políticas públicas específicas para escolas que estejam localizadas em regiões de alta vulnerabilidade social. "Ao concluir que crianças com o mesmo nível sociocultural têm desempenhos diferentes, o estudo mostra que o território influencia de forma significativa as oportunidades de aprendizagem. Por isso, as políticas precisam considerar as desigualdades e as especificidades de cada comunidade", afirma.” 

Sinto muito, mas não é só isso... Não se trata de desenvolver políticas públicas específicas para escolas e sim para o meio, para a família do aluno, proporcionar emprego, vida digna  e mais um “catatau” de coisas. Enquanto isso não for feito, pouca coisa mudará... 

 

Silvia R. Andrade

"Professores são professores, independente de território de trabalho, localização de escola":

NAO eh os professores, Silvia.  Eh o background dos alunos.  Ninguem quer imersao de 5 horas diarias em irrealidade pra sair porta afora da escola e descobrir que nao tem sociedade e que esta passando fome.

Em tempo:  o mehor aluno da minha 5 serie era preto.  Ele tinha as notas mais altas e devia ter uns 14 anos, se muito.  Um dia ele desapareceu da escola para todo o sempre:  ele nao tinha 10 cruzeiros mensais para pagar uma escola publica.  Nem sequer um dos professores tinha qualquer coisa a ver com uma sociedade desagregadora, destruidora, porque eles somente tinham que dar aulas.

Se isso nao eh vulnerabilidade social, eu nao sei o que mais seria.

 

ECHELON saiu da internet. ECHELON agora esta no seu proprio computador.

Eu não sei se entendi o que vc quis dizer, Ivan, mas se a escola não serve para criar no espírito dos alunos alguma coisa que os faça, um dia, desagregar e destruir essa "sociedade desagregadora e destruidora", então para que serve a escola?

Para mim é uma das principais ferramentas de manutenção da mesma "sociedade desagregadora e destruidora".

 

Legal professora!

Aqui no LN, são muito importantes, quando se fala em educação, os depoimentos de quem a vive no dia-a-dia. Há muito ignorância sobre o que se passa nas escolas. E são MUITAS escolas!

O nosso depoimento é importante, ainda que cometamos erros de interpretação, e ainda que esses erros sejam apropriados por pessoas mal intencionadas.

Há sempre muitos interessados em um mundo melhor.

À medida que, se tudo continuar no bom caminho, as condições econômicas das pessoas forem melhorando - estou falando do Brasil, em especial - será que a sociedade se detenha e se interesse mais por discutir e debater a educação.

Para que serve ela, afinal? Nós somos especialistas em quê?

 

Nossa, agora sim, descobriram a roda!

 

@Ivan Moraes: "Nossa!  Alguem fale isso pros mineiros que sairam daquele horror de estado entao!"

Horror de estado!? C vem cá ver que nóis ó nocê, viu (tanto partidários ou não do Aecim 2014).

 

Creio que nem precisasse de pesquisa deste nível para chegar a esta conclusão, mas espero que haja mais sinergia dos investimentos sociais e em educação para que esta situação se reverta. 

 

Ah, entao quem tem esperanca no futuro porque nao esta cercado de miseria e de portas fechadas tem mais chance de aprendizado?

Nossa!  Alguem fale isso pros mineiros que sairam daquele horror de estado entao!

Nossa!  Vai ser a surpresa do seculo!  Ja pensou?

 

ECHELON saiu da internet. ECHELON agora esta no seu proprio computador.