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Abralin divulga nota de repúdio

 

A Associação Brasileira de Linguística (Abralin) divulga nota de repúdio contra a cobertura tendenciosa da imprensa.

 

Língua e ignorância

 

 

Nas duas últimas semanas, o Brasil acompanhou uma discussão a respeito do livro didático  Por uma vida melhor, da coleção Viver, aprender, distribuída pelo Programa Nacional do Livro Didático do MEC. Diante de posicionamentos virulentos externados na mídia, alguns até histéricos, a ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE LINGUÍSTICA - ABRALIN - vê a necessidade de vir a público manifestar-se a respeito, no sentido de endossar o posicionamento dos linguistas, pouco ouvidos até o momento.

Curiosamente é de se estranhar esse procedimento, uma vez que seria de se esperar que estes fossem os primeiros a serem consultados em virtude da sua expertise. Para além disso, ainda, foram muito mal interpretados e mal lidos.

O fato que, inicialmente, chama a atenção foi que os críticos não tiveram sequer o cuidado de analisar o livro em questão mais atentamente. As críticas se pautaram sempre nas cinco ou seis linhas largamente citadas. Vale notar que o livro acata orientações dos PCN (Parâmetros Curriculares Nacionais) em relação à concepção de língua/linguagem, orientações que já estão em andamento há mais de uma década. Além disso, não somente este, mas outros livros didáticos englobam a discussão da variação linguística com o intuito de ressaltar o papel e a importância da norma culta no mundo letrado. Portanto, em nenhum momento houve ou há a defesa de que a norma culta não deva ser ensinada. Ao contrário, entende-se que esse é o papel da escola, garantir o domínio da norma culta para o acesso efetivo aos bens culturais, ou seja, garantir o pleno exercício da cidadania. Esta é a única razão que justifica a existência de uma disciplina que ensine língua portuguesa a falantes nativos de português.

A linguística se constituiu como ciência há mais de um século. Como qualquer outra ciência, não trabalha com a dicotomia certo/errado. Independentemente da inegável repercussão política que isso possa ter, esse é o posicionamento científico. Esse trabalho investigativo permitiu aos linguistas elaborar outras constatações que constituem hoje material essencial para a descrição e explicação de qualquer língua humana.

Uma dessas constatações é o fato de que as línguas mudam no tempo, independentemente do nível de letramento de seus falantes, do avanço econômico e tecnológico de seu povo, do poder mais ou menos repressivo das Instituições. As línguas mudam. Isso não significa que ficam melhores ou piores. Elas simplesmente mudam. Formas linguísticas podem perder ou ganhar prestígio, podem desaparecer, novas formas podem ser criadas. Isso sempre foi assim. Podemos ressaltar que muitos dos usos hoje tão cultuados pelos puristas originaram-se do modo de falar de uma forma alegadamente inferior do Latim: exemplificando, as formas "noscum" e "voscum", estigmatizadas por volta do século III, por fazerem parte do chamado "latim vulgar", originaram respectivamente as formas "conosco" e "convosco".

Outra constatação que merece destaque é o fato de que as línguas variam num mesmo tempo, ou seja, qualquer língua (qualquer uma!) apresenta variedades que são deflagradas por fatores já bastante estudados, como as diferenças geográficas, sociais, etárias, dentre muitas outras. Por manter um posicionamento científico, a linguística não faz juízos de valor acerca dessas variedades, simplesmente as descreve. No entanto, os linguistas, pela sua experiência como cidadãos, sabem e divulgam isso amplamente, já desde o final da década de sessenta do século passado, que essas variedades podem ter maior ou menor prestígio. O prestígio das formas linguísticas está sempre relacionado ao prestígio que têm seus falantes nos diferentes estratos sociais. Por esse motivo, sabe-se que o descon hecimento da norma de prestígio, ou norma culta, pode limitar a ascensão social. Essa constatação fundamenta o posicionamento da linguística sobre o ensino da língua materna.

Independentemente da questão didático-pedagógica, a linguística demonstra que não há nenhum caos linguístico (há sempre regras reguladoras desses usos), que nenhuma língua já foi ou pode ser "corrompida" ou "assassinada", que nenhuma língua fica ameaçada quando faz empréstimos, etc. Independentemente da variedade que usa, qualquer falante fala segundo regras gramaticais estritas (a ampliação da noção de gramática também foi uma conquista científica). Os falantes do português brasileiro podem fazer o plural de "o livro" de duas maneiras: uma formal: os livros; outra informal: os livro. Mas certamente nunca se ouviu ninguém dizer "o livros". Assim também, de modo bastante generali zado, não se pronuncia mais o "r" final de verbos no infinitivo, mas não se deixa de pronunciar (não de forma generalizada, pelo menos) o "r" final de substantivos. Qualquer falante, culto ou não, pode dizer (e diz) "vou comprá" para "comprar", mas apenas algumas variedades diriam 'dô' para 'dor'. Estas últimas são estigmatizadas socialmente, porque remetem a falantes de baixa extração social ou de pouca escolaridade. No entanto, a variação da supressão do final do infinitivo é bastante corriqueira e não marcada socialmente. Demonstra-se, assim, que falamos obedecendo a regras. A escola precisa estar atenta a esse fato, porque precisa ensinar que, apesar de falarmos "vou comprá" precisamos escrever "vou comprar".  E a linguística ao descrever esses fenômenos ajuda a entender melhor o funcionamento das línguas o que deve repercutir no processo de ensino.

Por outro lado, entendemos que o ensino de língua materna não tem sido bem sucedido, mas isso não se deve às questões apontadas. Esse é um tópico que demandaria uma outra discussão muito mais profunda, que não cabe aqui.

Por fim, é importante esclarecer que o uso de formas linguísticas de menor prestígio não é indício de ignorância ou de qualquer outro atributo que queiramos impingir aos que falam desse ou daquele modo. A ignorância não está ligada às formas de falar ou ao nível de letramento. Aliás, pudemos comprovar isso por meio desse debate que se instaurou em relação ao ensino de língua e à variedade linguística.

Maria José Foltran
Presidente da Abralin/Gestão UFPR 2009-2011

 

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Mesmo sem ter visto/lido o livro publicado pelo MEC e apenas verificando comentários no jornal Estado de Minas - percebi o quanto há de grotesco nas afirmações dos leitores mineiros que, atendo-se a uma pequena frase, jogam um livro inteiro no lixo.  É talvez desconhecido o texto "Nóis mudemo" (F. Bogo): uma simples resposta dita 'errada' arrasa a vida  de um rapazola. Evita-se verificar o enviesamento da população que sofre as dezenas de dissabores na vida (mesmo falando 'erradamente') e busca-se olhar apenas o viés linguistico, como se, falando bem, conforme a elite quer, o povo certamente sairá da m em que se atolou, por culpa talvez da mesma elite que oprime o povo.  Seria necessário desalienar um pouco as madames e os senhores que falam bem a língua portuguesa, a fim de que verificassem o que realmente há de mazelas neste país.

 

O PLATÃO DAS UNIVERSIDADES PÚBLICAS ENTREVISTA DOCENTE CORRETOR DE REDAÇÃO

O senhor trabalha em universidade pública e participa corrigindo redações. O quê o senhor acha de ensinar errado?
- Veja bem. Nós só temos algo próximo de 5 mil vagas e precisamos, para haver alguma lucratividade, de uns 50 mil candidatos. Se todos tivessem um conhecimento médio em linguagem seria impossível corrigir tantas provas, exigindo uma quantidade imensa de pessoas quando queremos até que os ganhos disto sejam apenas para uma meia dúzia. E mesmo que o sistema pague um extra fabuloso, enquanto de cada 100 redações mais de 90% zerando logo na primeira frase, fica tudo maravilhoso.

Como o senhor também trabalha formando docente, você induz que esses ensinem tal qual indica a professora no seu livro?
- Com certeza!!! Até, como já mostrei, para que fique mais fácil ganharmos um extra sem muito esforço. Além disto, o que temos na rede pública são aluno sem a mínima condições de aprender nada e a única coisa a se fazer é ensinar o que esses já sabem.

Mas, como o senhor tem tanta certeza de que os seus alunos não serão também docente da rede privada?
- Quem quer isso vai estudando por fora e não espera, até porque já sabe que não terá. Além do mais, na rede privada tem quem exija e fique vigiando tudo que ele faz na sala de aula. Já na pública, é só fechar a porta e fazer o quiser e como quiser, sem que deva qualquer satisfação a seu ninguém. Bastando, obviamente, que tenha certas amizades e não se meta, fora elogiar, no que os demais estão fazendo.

O senhor não acha tudo isso uma perversidade contra o povo?
- Absolutamente não!! Isso sempre se fez e em todas as disciplinas e ninguém nunca disse nada. De fato, os que foram nomeados no tempo da ditadura, a qual expulsou e perseguiu docente indesejável, gente que até fugiu deixando os alunos sem aula, salvo raras, exceções o general escolheu para nomear sem concurso exatamente quem fosse capaz de promover tais coisas, já que queria evitar que, se rede pública fosse mediamente letrada, a guerra para ingressar na universidade publica, os excedentes, seria terrível. Posto que, pobre é bicho metido e o fato de não haver alojamento, comida, livro e haver campus de universidade pública que só para se deslocar entre blocos de aulas precisa ter carro, por isso a ditadura fez onde foi possível cidades universitárias, mesmo assim, nem todo deixa de persistir fazer curso em universidade pública.

 

 

Sarney critica livro que defende o “nós pega” em escolasEm coluna, senador chama de burrice a “teoria de falar errado” e diz que “o dever do MEC é defender a língua portuguesa”

 

http://ultimosegundo.ig.com.br/educacao/sarney+critica+livro+que+defende+o+nos+pega+em+escolas/n1596971132479.html

 

É muito fácil essa gente da academia ficar deitando falação à respeito do dito cujo livro porque êles não vão ter qualquer problema pessoal com isso. Ou seja, como qualquer um de nós que teve acesso a um ensino de português tradicional, sabemos diferenciar o que é norma culta ou não. A formalidade da língua existe e ponto final. As pessoas sofrem preconceito quando não falam ou não sabem a norma culta. O que se deve ensinar para incluir é dar valor, por exemplo, à literatura de cordel, com suas nuances e riqueza regionalista ou outro tipo de cultura e linguajar das várias regiões do País. Isso não é feito, eu não conheço escola que valorize essas diferenças culturais.Com a disseminação desse conhecimento ao lado do ensino da norma culta, aí sim as crianças serão incluídas e não se sentirão à margem da sociedade porque falam diferente.Não vejo contribuição efetiva num livro como esse que o MEC defende e não vejo igualmente nenhuma conspiração contra Lula, PT ou coisa que o valha.A educação no nosso país continua muito ruim, nosso IDH é uma porcaria e isso não tem contestação.

 

Como sabem que gente da oposção tem até milhares de conta de e-mail só para votar contra Lula....

 

Internautas são contra Lula receber na PB o título de professor

Fonte: http://www.fatospb.com.br//conteudo.php?id=10599

A equipe do Fatospb deu início há nove dias a uma enquete fazendo a seguinte pergunta aos internautas: O que você acha de Lula ganhar o título de professor Honoris Causa da UFPB? E deu as seguintes opções: Sou contra, sou a favor, tanto faz e não sei e o resultado foi o seguinte:

Dos votantes na enquete apenas 1,47% disseram não saber. Já 5,88% dos internautas acreditam tanto faz se o ex-presidente receber a maior homenagem que a Universidade Federal da Paraíba pode conceder a uma pessoa. Já 27,94% concordam que o ex-torneiro mecânico que conquistou o mais alto cargo executivo/político do país receba a homenagem.

Por outro lado a grande maioria, 64,71%, dos internautas são totalmente contra que o antecessor da primeira presidente mulher do país seja condecorado como professor Honoris Causa d a principal universidade paraibana.

O Fatospb dá início agora a outra enquete com o seguinte tema: Você concorda que a SPU acabe com o espetáculo do pôr do sol no Jacaré? Participe. Dê seu voto na coluna ao lado.

 

 

Quinta-feira, Maio 19, 2011Agora nóis vai enricá. ::::::: ACREDITE SE QUISER ::::::A Profa. Amanda Gurgel recebe R$ 930,00 por mês para lecionar.
A Profa. Helena Ramos recebeu R$ 700.000,00 pelo livro "Por uma Vida Melhor".
A ONG Ação Educativa recebeu R$ 5.000.000,00 pelos direitos do livro.
..........E ainda o povo brasileiro tem a petulância de achar que é esperto.Acredito que se algum pesquisador fizer um estudo comportamental do povo brasileiro certamente vai encontrar algum desvio de caráter.O Brasil é o país que tem a maior população de idiotas do universo!!!

 

http://o-mascate.blogspot.com/2011/05/agora-nois-vai-enrica.html

 

 

 

O que é para o PIG a literatura de cordel ?

 

 

 

Só vira polêmica porque se dá crédito à Globo, ao Estadão, à Folha. Antes de sair por aí dizendo asneiras,os apresentadores e colunistas  deveriam consultar os linguistas, pois só eles podem falar com propriedade, uma vez que estudaram os fenômenos da linguagem.

 

O pior foi ver e ouvir o Sérgio Nogueira no Bom dia (?) Brasil concordando com o texto envenenado do Alexandre Garcia.

 

Como Lula falou: deixe a imprensa livre, a população pune!!!!

 

Meus erros preferidos Autor: 

As crianças erram. Porque são humanas. Mais humanas do que nós, adultos adulterados. Odiamos errar. Queremos a perfeição. E por isso deixamos de aprender com a mesma rapidez com que aprendíamos na infância. Mas os erros revelam verdades. Especialmente os lingüísticos.

Uma criança outro dia me perguntou se existe mesmo o tal de abdominável homem das neves. Ouviu algo a respeito num programa de TV sobre o Himalaia. Será abdominável o monstro porque faz abdominais deitado na neve?

Dias desses, uma menina aqui em São Paulo viu dentro de uma estação do metrô uma sala de vidro. Trata-se de um posto tira-dúvidas. Qualquer passante com dificuldades em português e matemática pode entrar e, gratuitamente, receber uma breve aula particular sobre fatoração ou análise sintática, raiz quadrada ou ortografia. Ao ler o cartaz com os dizeres "Tire aqui suas dúvidas de português e matemática", a criança disse ao pai:

— Ah, então é daqui que as pessoas vêm tirar suas dúvidas! Pai, deixa eu pegar uma pra mim!

O erro nos ajuda a acertar com esmero. Um erro não é mero equívoco. Erra redondamente quem menospreza o poder criativo do erro.

Uma professora me contou que, no início de sua carreira, faz mais de 30 anos, tinha em sala de aula um aluno que falava "truxe" em vez de "trouxe". O menino vivia trazendo coisas: "Professora, eu truxe o lanche! Professora, eu truxe o caderno! Professora, eu truxe a lição de casa!"

A professora repetia, com um sorriso bondoso, que era errado dizer "truxe". Que o certo era "trouxe". Que a gramática é que estava certa. O aluno também sorria, ouvia, mas não entendia a correção. Fazia expressão de "caixa d’água", indecifrável. E continuava trazendo coisas: "Professora, eu truxe um bilhete da minha mãe! Professora, eu truxe uma flor para a senhora!" 

Até que um dia, com a paciência esgotada, quando mais uma vez o "truxe" se fez, a professora exigiu que o menino escrevesse no caderno quinhentas vezes: "eu trouxe", "eu trouxe", "eu trouxe"... E que trouxesse o exercício-castigo no dia seguinte, sem falta!

E o menino não faltou. Lá estava ele, diante da professora. O olhar tranquilo, a alegria do dever cumprido, as quinhentas linhas devidamente alinhadas. Um começo de bolha no dedo, por escrever com força e realizar a tarefa:

— Professora, aqui está. Eu truxe os trouxe!

Gabriel Perissé é Doutor em Educação pela USP e escritor

Website: http://www.perisse.com.br/

 

“Instrui-vos, porque precisamos de vossa inteligência. Agitai-vos, porque precisamos de vosso entusiasmo. Organizai-vos, porque carecemos de toda vossa força.” Revista Lórdine Nuovo

Deve ser por coisas como esta que Seduc/MG tem apoiado pesquisa que até tira sangue de estudante supondo que não aprende coisas como quanto é 1+1 por te nascido com alguma doença genética.

 

SEM HABILIDADE COM NÚMEROSJunia Oliveira, O Estado de Minas, 08/06/2010  

 http://wwo.uai.com.br/EM/html/sessao_18/2010/06/08/interna_noticia,id_sessao=18&id_noticia=141062/interna_noticia.shtml  

Consta em                                         

 http://www.exkola.com.br/scripts/noticia.php?id=34579041 

 http://blog.opovo.com.br/educacao/sem-habilidade-com-numeros/  

 

http://isaude.net/z9h8, europsicologia e genética decrifram causas e

consequências da discalculia,  Saúde Pública

 

 

 

Maravilha, Paulo. Não há vergonha nenhuma em não dominar determinado assunto, basta perguntar. Dúvida é bom porque joga a gente pra frente.

Belo texto, muito obrigado.

 

é comum observarmos apêgo às leis, normas, modêlos, manuais etc de pessoas incompetentes ou numa situação em que sintam-se incompetentes. é o caso muito corriqueiro do chefe recem promovido que cai de para quedas no meio do vuco vuco e, boiando,  apela para as regras, horários, disciplina etc... até que consiga parar de boiar e adquirir um certo domínio. esse modelo é uma obra de arte que nasce para substituir o que rola até hoje por pura inércia e que na verdade é o responsável por tanta gente falando e escrevendo indevidamente. e como conhecemos muito mais gente falando errado e pensando certo do que o contrário, o assunto nem deveria ter chegado nessas proporções! e só chegou por obra dos que acreditam que falam e escrevem perfeitamente mostrando o tão pouco pensam certo.

 

Que triste final de carreira para Clóvis Rossi, com seus dois metros de submissão, tendo que lamber as botas do Dr. Otavinho a todo instante. E eu que já cheguei a achar este farsante um jornalista de verdade...

 

A única coisa, é assim mesmo, "coisa" que esses despreparados da midia querem é agradar aos seus patrões. Perder tempo em ler Clovis Rossi ou Merval Pereira é, como já disse, perda de tempo. Esses caras querem é criar confusão para justificar, mais uma vez, outra "crise" política no governo. É muita falta do que fazer! É incrível como esse pessoal só pensa em criar confusão, isto bem próximo do fim de semana, quase sempre. Que falta fazo saber mais profundo e mais honesto. 

 

Um vagabundo qualquer da Folha, Estadão, Veja ou Rede Globo joga no noticiário uma bobagem dessas com um único intuito, o de denegrir Lula, e a coisa vira... "polêmica". O mundo jornalístico brasileiro é uma lástima, em todos os sentidos...

 

"vagabundo qualquer da Folha, Estadão, Veja ou Rede Globo":

E sao vagabundos MESMO, Marcia.  O que nao falta eh espiao no Brasil.

EH TODO MUNDO ESPIAO, GENTE.

 

Só vira "polêmica" porque as pessoas são tolas e levianas. É monstruosa a facilidade com que pessoas pretensamente cultas jogaram o livro na fogueira sem sequer se darem ao trabalho de conhecê-lo. Este episódio serviu também para desmascarar os eruditos de fachada, entre os quais alguns escritores e professores universitários: o que falou mais alto para esses foi a vaidade de classe. Ciência não é fama ou título acadêmico, é senso de justiça e amor pela verdade. É nessas horas que aparece quem é quem.

 

Estais parecendo ingrato. Tais fazem o serviço sujo para que coisas, como ingressar em univerdidade pública,  fique mais fácil para uma certa pacela da população que pode paga algum pré-vestibular, por exemplo,  quicá foi o seu caso.

 

Perfeito.

 

Ó paí, ó

Querem transformar o “ó paí, ó” num “olhe para isso, olhe”

por Charles Carmo, em O Recôncavo

Negar o dinamismo da língua é mais fácil que aplaudir o MEC. Este PIGuinho…

Pronominais

Dê-me um cigarro
Diz a gramática
Do professor e do aluno
E do mulato sabido
Mas o bom negro e o bom branco
Da Nação Brasileira
Dizem todos os dias
Deixa disso camarada
Me dá um cigarro

Oswald de Andrade 

 O PIG e o PIGuinho baiano estão buscando crises. Fabricando crises, para ser mais exato.

A onda agora é negar o dinamismo da língua e querer transformar o “ó paí, ó” num “olhe para isso, olhe”, gramaticalmente perfeito, mas que não expressa o sentido real do que se pretendia falar, como num filme mal legendado.

O PIGuinho quer acabar com o “ó paí, ó” para atingir o MEC.

Para o PIGuinho, o Manuel Bandeira é uma besta e o Oswald de Andrade, uma anta.

 

http://assisprocura.blogspot.com/

http://assisprocura.blogspot.com/

 

Historinha real. Tenho uma amiga que trabalha com adoçao internacional de crianças mais velhas, que ninguém aqui quer adotar. O candidato a pai de um desses meninos perguntou a ela o que queria dizer "alá" em Português, que o menino vivia falando. Ela disse que era o nome do deus muçulmano, mas estranhou. Saiu com eles. Toda hora o garoto apontava algo para o pai, e dizia: a lá...

 
 

Nota da Alab (Associação de Linguística Aplicada do Brasil) sobre a polêmica do livro didático:

 

Polêmica em relação a erros gramaticais em livro didático de Língua Portuguesa revela incompreensão da imprensa e população sobre a atuação do estudioso da linguagem

A divulgação da lista de obras aprovadas pelo Programa Nacional de Livros Didáticos (PNLD) para o ensino da língua portuguesa na Educação de Jovens e Adultos (EJA) provocou verdadeira celeuma na imprensa e comunidade acadêmica sobre a aprovação de obras com “erros” de língua portuguesa.

Frases como “Nós pega o peixe”, “os menino pega o peixe”, “Mas eu posso falar os livro” e outras que transgridem a norma culta, publicadas no livro Por uma Vida Melhor, aprovado pelo PNLD e distribuído em escolas da rede pública pelo MEC, causaram a indignação de jornalistas, professores de língua portuguesa e membros da Academia Brasileira de Letras.

O grande incômodo, relacionado ao fato do livro relativizar o uso da norma culta, substituindo a concepção de “certo e errado” por “adequado e inadequado”, retrata a incompreensão da imprensa e população em relação ao escopo de atuação de pesquisadores que se ocupam em compreender e analisar os usos situados da linguagem.

A polêmica em torno deste relativismo, assim como a interpretação deturpada de pesquisas na área da linguagem, não é nova. Em novembro de 2001, na reportagem de capa da Revista Veja, intitulada “Falar e escrever bem, eis a questão”, Pasquale Cipro Neto dirigiu-se ofensivamente a pesquisadores da área de linguagem que defendem a integração de outras variedades no ensino de língua portuguesa como uma corrente relativista e esquerdistas de meia pataca, idealizadores de “tudo o que é popular – inclusive a ignorância, como se ela fosse atributo, e não problema, do "povo" (Fonte, Veja Online, consultada em 20.05.2011).

Mais de uma década após a publicação dos PCN e da instituição do PNLD de Língua Portuguesa, ambos frutos das pesquisas destes estudiosos relativistas, a imprensa e população continua a interpretar de forma deturpada a proposta de ensino defendida nas diretrizes curriculares e transpostas didaticamente nas coleções aprovadas no PNLD.

Tal deturpação ressalta um problema sério de leitura, muito provavelmente decorrente da prática cristalizada historicamente de se ensinar a gramática pela gramática, de forma abstrata e não situada. Pois, ao situar e inscrever as frases incorretas responsáveis por tanto desconforto no contexto concreto em que foram enunciadas, fica clara a intenção da autora de mostrar que precisamos adequar a linguagem ao contexto e optar pela variante mais adequada à situação de comunicação, preceito básico para participação nas diversas práticas letradas em que nos engajamos no mundo social.

Assim, ao contrário de contribuir para uma agenda partidária de manutenção da ignorância, acusação levianamente imputada ao livro e ao PNLD (e, portanto, aos estudiosos da linguagem), os “erros” em questão, se interpretados contextualizadamente e explorados de forma interessante em sala de aula, contribuem para o desenvolvimento da consciência linguística, mostrando que apesar de todas as variantes serem aceitáveis, o domínio da norma culta é fundamental para efetiva participação nas diversas atividades sociais de mais prestígio.

Se, portanto, situarmos a linguagem, não há razão para polêmica ou desconforto e a crítica daqueles preocupados em garantir o ensino da norma culta torna-se absolutamente nula, sem sentido. O niilismo desta crítica está claramente estampado no enunciado de Pasquale, citado naquela reportagem de uma década: "Ninguém defende que o sujeito comece a usar o português castiço para discutir futebol com os amigos no bar", irrita-se Pasquale. "Falar bem significa ser poliglota dentro da própria língua. Saber utilizar o registro apropriado em qualquer situação. É preciso dar a todos a chance de conhecer a norma culta, pois é ela que vai contar nas situações decisivas, como uma entrevista para um novo trabalho". (Fonte, Veja Online, consultada em 20.05.2011)

A relativização veementemente criticada parece, por fim, ter sido tomada como verdade no interior do mesmo enunciado.

Dez anos depois vemos em livros didáticos a possibilidade de formar poliglotas na língua materna. Isso é, sem dúvida, um progresso. Resta ainda melhorar as leituras da população sobre os estudos situados da linguagem.

Neste sentido, a Associação de Linguística Aplicada do Brasil, expressa seu repudio a atitude autoritária e uníssona de vários veículos da imprensa em relação à concepção deturpada de “erro” e convida seus membros a se posicionarem nestes veículos de forma mais efetiva e veemente sobre questões relacionadas a ensino de línguas e políticas linguísticas, construindo leituras mais situadas, persuasivas e plurilíngues.

Indicamos abaixo o link para a notícia citada de 2001, assim como outros artigos e vídeos com o posicionamento de estudiosos da linguagem acerca da polêmica com os livros didáticos de LM.

Reportagem capa de Veja, novembro de 2001.

http://veja.abril.com.br/071101/p_104a.html

Nota da Ação Educativa

http://www.acaoeducativa.org.br/portal/index.php?option=com_content&task=view&id=2604&Itemid=2

Vídeo na ZHDigital (Entrevista com Prof. Pedro Garcez, UFRGS  e Profa. Lúcia Piccoli, Unisinos
http://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default.jsp?uf=1&local=1&section=Geral&newsID=a3315386.xml

 Artigo do Prof. Marcos Bagno, UNB

http://marcosbagno.com.br/site/?page_id=745

 Artigo do Prof. Sírio Possenti, Unicamp

http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI5137669-EI8425,00-Aceitam+tudo.html (Sírio Possenti)

Paula Tatianne Carréra Szundy

Presidente da ALAB,  biênio UFRJ 2009-2011

 

Joaquim Neiva - Direto da Capital Secreta do Mundo

Na rede Globobo, são comuns, em dias de jogos de futebol, aparecerem cartazes do tipo: "filma nóis galvão"; hoje mesmo, na transmissão do jogo Criciúma X Guarani, pela tv Bandeirantes, estava lá um cartaz: "filma nóis", que os comentaristas do PIG fazem questão de divulgar, sem a preocupação de dizerem que a escrita está inadequada, ou errada, como quando destilam seus venenos contra o livro do MEC. Também não ouvi o Boris Gari Casoy dizer: "isso é uma vergonha"; e certamente estes cartazes podem causar muito mais confusão nas cabecinhas dos telespectadores/torcedores, por serem apresentados de forma massificada, para milhões de pessoas em todo o Brasil, sem o devido esclarecimento sobre a norma "culta" na forma de escrever. Dois pesos e duas medidas, característica do Pig. Tenho dito.