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Ambev na remoção de famílias no Rio

Denúncia:

"A Prefeitura do Rio de Janeiro está prestes a finalizar o processo de remoção de aproximadamente 60 famílias que vivem na comunidade vizinha do Sambódromo."

"Os moradores acusam a Ambev – maior cervejaria do país – de ser dona do projeto, conforme relata o integrante da Rede Contra a Violência, Maurício Campos."

“Embora seja apresentada como obra pública, ela será bancada na maior parte pela AMBEV, que é uma das empresas que mais lucram com o Carnaval oficial no Rio de Janeiro. Na prática, é uma obra privada que utiliza o poder público para pressionar as famílias e retirá-las ao menor custo possível."

"Para viabilizar a obra, a Ambev abriu mão de um prédio da cervejaria Brahma, tombado pelo patrimônio Histórico em 2002. Uma lei aprovada pela Assembléia Legislativa desfez o tombamento. No primeiro trimestre do ano, a AmBev apresentou um lucro líquido de mais de R$ 2 bi."

Da Rádioagência NP

Cervejaria Ambev tenta expulsar comunidade vizinha do Sambódromo

Sudeste | moradia

09/05/11

A Prefeitura do Rio de Janeiro está prestes a finalizar o processo de remoção de aproximadamente 60 famílias que vivem na comunidade vizinha do Sambódromo. A área será usada para a ampliação do espaço onde é realizado o desfile das escolas de samba. Os moradores acusam a Ambev – maior cervejaria do país – de ser dona do projeto, conforme relata o integrante da Rede Contra a Violência, Maurício Campos.

“Embora seja apresentada como obra pública, ela será bancada na maior parte pela AMBEV, que é uma das empresas que mais lucram com o Carnaval oficial no Rio de Janeiro. Na prática, é uma obra privada que utiliza o poder público para pressionar as famílias e retirá-las ao menor custo possível".

A Prefeitura alega que o espaço do Sambódromo deverá ser adaptado para receber competições dos Jogos Olímpicos de 2016. De acordo com Maurício, os moradores se recusam a deixar o local. A maioria será transferida para unidades habitacionais que ficam até 60 quilômetros distantes.

"Ali perto estava prevista a construção de um conjunto habitacional popular, com mais de 2,5 mil unidades. Mas há pouco tempo o Governo do estadão anunciou que voltou atrás, que houve uma valorização muito grande do terreno e o programa habitacional foi suspenso. Ao mesmo tempo, se investe contra comunidades que estão há muito tempo ali na área central, oferecendo como única alternativa a ida para lugares distantes".

Para viabilizar a obra, a Ambev abriu mão de um prédio da cervejaria Brahma, tombado pelo patrimônio Histórico em 2002. Uma lei aprovada pela Assembléia Legislativa desfez o tombamento. No primeiro trimestre do ano, a AmBev apresentou um lucro líquido de mais de R$ 2 bi.

De São Paulo, da Radioagência NP, Jorge Américo

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Stan,

A prática de desapropriações naquela área é antiga.

Porque vc acha que chamam o prédio da prefeitura de "Piranhão"??

Algumas músicas já atentavam para o fato :

"Vão acabar com a praça onze..."

"Na cidadenova também vou morar

 pois o carnaval também já foi pra lá

Eu sei que o progresso
O mangue vai fechar
Quem ornamentou
Foi Barão de Mauá
Até o metrô
Já vai passar por lá
Pois tudo que aqui chegar
Lá tem que chegar
Eu vou morar
Na beira do Mangue
Tudo está lá
Na beira do Mangue
Eu sei que vou ficar
Na beira do Mangue
De epapo pro ar
Na beira do Mangue"

Quem sabe um tsunami venha nos restituir a glória e transforme aquilo tudo em mangue de novo...

 

A princípio sou a favor da obra. A reclamação parece conversa fiada. Há  que se fazer uma limpeza no Rio e isto não significa que é perseguição a alguns. Parece propaganda de alguem que tem seu interesse prejudicado.

 

Quem não desconfia de si próprio não merece a confiança dos outros (ditado árabe).

O problema hc.coelho, é assistir hoje um repeteco de medidas das políticas de desfavelização implementadas no Rio durante as décadas de 60 e 70 que não chegaram a resolver o problema (vide Cidade de Deus por exemplo) e só o jogaram para a periferia da cidade.

Fantasma exorcizado
25/03/2003 - Marcelo Monteiro 

Catacumba antes da remoção em 1970Catacumba antes da remoção em 1970

Se hoje o tráfico de drogas, a violência policial e as balas perdidas tiram o sono dos moradores de favelas, até meados dos anos 70 o grande pesadelo nas comunidades era o fantasma das remoções. A idéia de deixar casa, amigos e ir morar a 30 quilômetros do Centro da cidade assustava. Principalmente para quem morava na Zona Sul, área nobre do Rio. "Foi difícil me acostumar com o subúrbio. Chorei muito na hora de ir embora", confessa Margarida Siqueira da Silva, ex-moradora da Favela da Catacumba, onde foi criada. Ela viu a comunidade ser demolida em 1970 para a construção de apartamentos de luxo na Lagoa Rodrigo de Freitas. "Todos os meus amigos moravam na Catacumba", lembra Margarida.

No auge da ditadura militar, o Governo Federal criou um órgão chamado Coordenação da Habitação de Interesse Social da Área Metropolitana do Grande Rio (Chisam), que tinha como objetivo principal acabar com todas as favelas da cidade num prazo máximo de dez anos. De 1968 até 75, cerca de 100 comunidades foram destruídas e mais de 150 mil pessoas removidas. 

Margarida (D) teve que deixar a CatacumbaMargarida (D) teve que deixar a Catacumba

“Houve pressão externa e também muita especulação imobiliária. Políticos e construtoras tinham interesse na 'desfavelização' da Zona Sul. A verdade é que foi uma questão de jogar o problema para longe. Todos os conjuntos habitacionais construídos nessa época depois se transformaram em guetos”, afirma o sociólogo José Artur Rios, Coordenador de Serviço Social do governo Carlos Lacerda e autor de um dos primeiros estudos sobre favelas, nos anos 60.

Essa política remocionista rende até hoje muita polêmica entre pesquisadores e ex-moradores das favelas atingidas. Alguns dos principais líderes comunitários teriam sido cooptados pelo governo para ajudar no processo de cadastramento e na logística das mudanças. “O Estado passou a criar mecanismos de coação, troca de favores. Algumas associações foram inclusive criadas pela própria Prefeitura para facilitar as remoções. Pobre nessa época não tinha direitos, basta lembrar que os analfabetos não votavam”, argumenta Marcelo Baumann Burgos, professor do Departamento de Ciências Sociais da PUC e autor do estudoDos Parques Proletários ao Favela-Bairro, publicado no livro Um Século de Favela, organizado pelos pesquisadores Alba Zaluar e Marcos Alvito. “Gostaria de saber mais sobre os líderes comunitários dessa época que foram desmobilizados. Muitos desapareceram. Os políticos acreditavam que as favelas eram focos de comunistas”.

Problema ou solução?

Segundo Burgos, houve coaçãoSegundo Burgos, houve coação

Um dos casos mais polêmicos foi a remoção, feita pelo Estado, da Favela da Praia do Pinto, que ocupou até 1968 um local nobre da Zona Sul carioca, ao lado do Clube do Flamengo, onde hoje existe o condomínio Selva de Pedra, no Leblon. A dona de casa Maria Rosa de Souza Noronha, ex-moradora da Praia do Pinto, deixou a comunidade uma semana antes do incêndio (de "causas ignoradas"), que destruiu centenas de barracos e apressou o término da operação de remoção. 

"Os moradores que ainda estavam lá disseram que o incêndio foi proposital. A Prefeitura queria que todos saíssem o mais rápido possível e muita gente perdeu tudo no incêndio”, revela Maria, que hoje vive num pequeno barraco na Favela Nova Holanda, no Complexo da Maré. Há relatos, inclusive, de que os moradores tentaram chamar os bombeiros e não foram atendidos. Resultado: dias depois, toda a favela estava abaixo.

Criada cinco anos antes do incêndio da Praia do Pinto, a Federação da Associação de Favelas do Estado da Guanabara (Fafeg) era, na época, o principal órgão de organização de comunidades pobres. Os principais líderes da Fafeg lutaram com unhas e dentes para evitar as remoções. Mas chegou um momento em que perceberam que não poderiam resistir à força dos militares. "Depois do Pasmado e do incêndio da Praia do Pinto, todas as outras remoções foram pacíficas. Nessa época a ditadura já estava estabelecida e os militares tinham muita força", esclarece Abdias José dos Santos, presidente do Conselho Deliberativo da Fafeg, que foi preso junto com toda diretoria da entidade dias antes do bota abaixo da Praia do Pinto.

 caso de remoção forçadaMorro do Pasmado: caso de remoção forçada

"Ficamos vinte dias presos no Dops. Foi uma maneira também de pressionar outras lideranças. Os militares criaram o terror. As remoções só terminaram porque o custo era altíssimo e houve um desgaste com a opinião pública", diz Abdias, que foi presidente da Associação de Moradores do São Carlos de 1965 a 68. Outro que ficou preso no Dops foi José Carlos, o Juca, Secretário Geral da Fafeg. Ele conta que a própria entidade já havia antecipado em seus congressos o fracasso das remoções. "Nós já havíamos desenvolvido estudos junto com sociólogos e arquitetos que previam a criação de um cinturão de pobreza ao redor da cidade. Ao contrário do que eles achavam, as remoções eram o problema, e não a solução", garante.

Zona Oeste era um vazio

Pelo menos cinco grandes comunidades da Zona Sul e da Grande Tijuca foram destruídas nos anos 60 e início dos 70: além da Praia do Pinto (no Leblon), as favelas da Catacumba (na Lagoa), Macedo Sobrinho (no Humaitá), Pasmado (em Copacabana) e Esqueleto (na Tijuca) (leia a matéria “Três Casos”). Juntas, elas abrigavam cerca de 40 mil pessoas. Grande parte dos moradores removidos foram transferidos para conjuntos habitacionais recém construídos na Zona Oeste. “A Cidade de Deus era muito isolada, não tinha infra-estrutura nenhuma para receber os moradores removidos”, admite Artur Rios.

Os moradores achavam estar fazendo bom negócio ao ser transferidos para apartamentos no subúrbio. “Eles só se deram conta da realidade quando chegavam lá. A Zona Oeste era um vazio”, confirma Marcelo Baumann. A longa distância do Centro da cidade, a precariedade dos transportes e a infra-estrutura ainda em fase de instalação, causou grande descontentamento entre os removidos. Anos depois, alguns venderam suas casas e voltaram a morar em favelas da Zona Sul.

Famílias removidas do Esqueleto, em 1965Famílias removidas do Esqueleto, em 1965

O processo de remoção imaginado pela Chisam começava com uma carta oficial informando em quanto tempo os moradores deveriam deixar suas casas. Depois disso, as associações comunitárias ficavam responsáveis por fazer os cadastros e listar as possíveis opções de novas moradias. Os moradores então eram convidados a visitar os conjuntos habitacionais. Semanas depois, a Prefeitura disponibilizava caminhões para as mudanças. "Dei sorte porque consegui a casa que queria. Outros amigos foram morar longe, em apartamentos pequenos. Muitos se endividaram para pagar as prestações”, revela Antônio Garcia, outro ex-morador da Praia do Pinto. “Cheguei a ver um apartamento na Cidade de Deus mas não gostei. Era muito longe do meu trabalho e todo o sistema de infra-estrutura não estava pronto”.

O ex-líder comunitário da Favela da Catacumba, Adetrudes Justino de Souza, o Seu Souza, revela que ele próprio ajudou no processo de cadastramento. Mesmo assim, foi contra os métodos usados pelo Estado. “Por um lado foi bom porque a gente passou a ter um apartamento nosso, com documento de propriedade. Mas discordo de como o processo foi conduzido. Foi tudo muito rápido, as pessoas deveriam ter sido preparadas. Mas não tinha como escapar: Se não fosse o Lacerda, alguém faria isso depois. Eles queriam embelezar a Lagoa”, afirma.

Favela como “aberração”

O problema das comunidades pobres como incômodo social começou a ser percebido somente nos anos 40, portanto, quase meio século após a instalação da primeira favela, no Morro da Providência, no Centro. Nessa época, as favelas eram vistas como uma “aberração” urbana e ainda não constavam dos mapas oficiais da cidade. Antes disso, elas eram simplesmente ignoradas, vistas como foco de marginalidade e falta de higiene. O Código de Obras do Rio, de 1937, por exemplo, já propunha a eliminação completa das comunidades carentes e a criação de parques proletários - entre 1941 e 1943, foram construídos três parques, na Gávea, Leblon e Caju.

Anos depois, seus moradores também seriam expulsos pela especulação imobiliária. “É importante destacar que a descoberta da favela pela sociedade civil não nasceu de uma preocupação com a qualidade de vida de seus moradores, e sim do incômodo que eles causavam à classe média”, argumenta Marcelo Baumann. Daí para frente, o Estado passou a propor soluções cada vez mais autoritárias e também excludentes. Assim, nasceram as políticas de remoção e o plano de desfavelização da Zona Sul nos anos 60.

Família da Rocinha chega à Cidade de Deus em 1971Família da Rocinha chega à Cidade de Deus em 1971

Durante seus quatro anos de mandato, entre 1960 e 64, o governador Carlos Lacerda defendeu uma reformulação completa da política habitacional no Estado do Rio. Seu objetivo era levar os pobres para a periferia, nos mesmos moldes do que acontecia nas principais cidades da Europa e Estados Unidos. Foi durante seu governo que foram construídas a Vila Kennedy, em Senador Camará, a Vila Aliança, em Bangu, e a Vila Esperança, em Vigário Geral, além da Cidade de Deus, em Jacarepaguá, que sozinha recebeu moradores de 63 favelas extintas. A criação dos conjuntos habitacionais fazia parte do Plano de Habitação Popular, amplamente financiado pelo governo americano através da Aliança para o Progresso.

Os governos que sucederam Lacerda, já durante o período militar, não se decidiram entre a política de remoção ou de urbanização das favelas. E acabaram trabalhando com as duas perspectivas. Um dos poucos projetos sérios nessa fase foi o da Companhia de Desenvolvimento de Comunidades (Codesco), que realizou a urbanização das favelas de Brás de Pina e Morro União. Meses depois, no entanto, foi criada a Chisam, que tratava os morros como espaço urbano “deformado” e pregava a eliminação completa das favelas. A justificativa oficial era a “recuperação econômica, moral, social e higiênica das famílias faveladas”. O então prefeito Negrão de Lima não esboçou qualquer reação. “Os militares não respeitavam ninguém, o tratamento não ia ser diferente com os favelados”, esclarece Marcelo Baumann.

Segundo relatório oficial da Fundação Leão XIII, de 1968, as favelas eram “uma aglomeração irregular de subproletários sem capacitação profissional, baixos padrões de vida, anlfabetismo, messianismo, promiscuidade, alcoolismo... refúgio para elementos criminosos e marginais, foco de parasitas e doenças contagiosas”.

Símbolos de resistência

Por volta de 1975, a febre das remoções foi aos poucos perdendo força e a política de desfavelização da Zona Sul se esvaziando. A verba usada para destruir as comunidades carentes estava cada vez mais escassa e os recursos do Banco Nacional de Habitação (BNH), extinto em 1986, passaram a ser destinados para a construção de apartamentos para a classe média.

Quase dez anos após a criação da Chisam, cerca de 130 mil ex-favelados haviam sido removidos para conjuntos habitacionais nos subúrbios. Mesmo assim, ainda existiam pelo menos 52 favelas em bairros tipicamente ocupados pela classe média.

Os sobreviventes da política de desfavelização da Zona Sul só conseguiram se manter nos seus barracos devido à forte mobilização das associações de moradores. “As favelas do Cantagalo, Rocinha e Pavãozinho são verdadeiros símbolos de resistência. Os líderes comunitários tiveram uma participação muito importante, assim como também a igreja e os intelectuais”, afirma Marcelo Baumann.

O sociólogo Artur Rios lembra que o Favela-Bairro dos anos 90 foi um grande avanço em relação às políticas habitacionais da década de 60. Mas, segundo ele, os políticos continuam longe de compreender o problema das favelas. “As comunidades carentes não podem ser vistas como algo ilegal, provisório. Hoje em dia eu defendo uma secretaria específica para as favelas. Falta um plano diretor, devemos ter políticas específicas. O grande desafio é ver a favela integrada à cidade”, resume.

http://www.favelatemmemoria.com.br/publique/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?from_info_index=21&infoid=8&sid=7

 

S[o critica quem não sabe que aquelas "residências" eram do século XIX e de condições sub-humanas... Com toda certeza os removidos viverão agora com um mínimo de dignidade, que jamais teriam naquelas residências...

 

Em tempo: é muito populismo insistir em manter famílias em condições sub-humanas de vida e posar de "grande protetor"...

 

Esta obra é para a ampliação do sambódromo, irão fazer novas arquibancadas, parece que vai haver um acréscimo de 20mil novos lugares, é claro que deve ser destinado aos gringos.

Os pobres ? Que se danem para lá, que vão procurar outros lugares, oh raça !!!

RJ, tudo pelo social

 

Estou de saco cheio por tudo que vem acontecendo no país, e nós democratas, não fazemos nada.

Eu inclusive. Parece que estamos todos anestesiados, que fomos dopados. Mas essa lombra vai passar e vamos acordar.

Eu creio !!!

gAS

Para viabilizar a obra, a Ambev abriu mão de um prédio da cervejaria Brahma, tombado pelo patrimônio Histórico em 2002. Uma lei aprovada pela Assembléia Legislativa desfez o tombamento

E pode??

 

Era um decreto de tombamento municipal. O prédio foi destombado pela câmara.

Se deveria ou não ter sido destombado é uma questão mais técnica, cujos argumentos desconheço. O que posso dizer é que no Rio há muito edifício com tombamento municipal que não possui justificativa histórica. Às vezes, diante da possibilidade de especulação imobiliária, as autoridades cariocas tombam prédios, tais como vários no Leblon. Não se trata de preservar bens históricos, nesse caso, mas sim de impedir a descaracterização do bairro.

 

Estava demorando para acontecer algo assim...

Primeiro foi a desocupação por razões de "interesse público" movida pelas prefeituras (como já foi comentado aqui anteriormente), desocupações que são pagas com "precatórios" que JAMAIS serão pagos se o dono do terreno não tiver... "bons relacionamentos" com políticos graúdos.

Agora é o mesmo golpe mas solicitado por empresas privadas, que como não podem forçar as pessoas à sair então usam quem têm "poder" para tal, a prefeitura.

Moradores da comunidade, defendam com unhas e dentes o seu canto, na bala se for preciso.

 

A notícia acima é um tanto parcial. A construção da expansão do sambódromo é parte do compromisso da cidade com o COI, e a AmBev entrou na história porque havia no local um antigo prédio da Brahmma. Foi devido a esse prédio que o projeto inicial do Sambódromo não foi implantada, o que agora será. O acordo da prefeitura com a AmBev é que esta arcará com as despesas em troca da construção de um novo prédio, onde haverá um hotel. Esse novo prédio também fazia parte do projeto inicial.

http://oglobo.globo.com/rio/mat/2010/12/14/sambodromo-tera-mais-17-8-mil...

O problema levantado por esse post é inevitável. Por anos os governos estadual e municipal fizeram vista grossa à invasão de terrenos públicos e invasão de imóveis desocupados, o que contribuiu para o clima de abandono do Rio. Agora que o governo começa a atacar essa questões, as desapropriações surgem. Qualquer desapropriação é traumática e sempre haverá reclamações. Não se trata apenas de famílias pobres ou invasores que estão sendo desapropriados. A construção do Transcarioca já  desapropriou um Habib's, posto de gasolina e várias lojas comerciais. em Campinho. A construção da Transolímpica deverá desapropriar um condomínio de luxo em Jacarepaguá.

A remoção em si não é a questão, e nem pode ser vista pelo viés ideológico. O que deve ser a questão é o valor cabido das desapropriações.

 

Mas remover para um local que fica 60Km de distância?

 

Também é preciso colocar nessa equação de injustiça social e necessidade de urbanização da cidade o fato de que, frequentemente, ações da prefeitura em prol de moradias sociais são obstadas por moradores do entorno do local onde as moradias serão construídas.

Lembro-me de que há alguns anos a prefeitura do Rio (gestão César Maia) quis construir uma COHAB num terreno de Guadalupe, perto da casa de minha ex-sogra. Segundo esta, a população da região fez um abaixo-assinado e conseguiu mobilizar até o padre da paróquia local contra a construção, o que acabou fazendo a prefeitura desistir da empreitada. Hoje, lá se ergue um supermercado...

 

A rigor, as famílias não estão sendo removidas para essas áreas distantes. O problema é que no momento os apartamentos destinados a habitação popular que já estão construídos são esses. As famílias têm a opção de escolher entre aluguel social ou transferência para um desses apartamentos. Se forem donas do imóvel, têm ainda direito a indenização.

Não sei se você é carioca. Se não for, pode não atentar para o problema como um todo. Talvez a distância dê a entender que se trata de uma política de 'higienização' social. O Rio não possui muitos terrenos de grande porte, de posse do governo estadual e municipal, onde moradias sociais possam ser construídas. Há alguns na Zona Portuária e no Morro da Providência que serão usados para construções desse gênero. Há outros em São Cristóvão e o da Frei Caneca. A prefeitura está construindo um novo bairro, numa área que estava abandonada, perto da estação do metrô Triagem. Algumas famílias de novas áreas que serão desapropriadas poderão se instalar nessas novas moradias. Infelizmente, não há lugar para todas nos bairros próximos.

 

 A prefeitura do Rio instalou a política da desapropriação. O motivo, seja por conta da Copa do Mundo, seja pelas Olimpíadas, seja pelas catástrofes do ano passado até hoje e mesmo a serviço de grupos privados, existe uma massa de pessoas que estão por aí, totalmente desamparadas. A promessa do aluguel social, se restringe a algumas pessoas (para efeitos de propaganda), que mesmo assim habitam "casas" precárias e de difícil acesso. São despejadas com ordem judicial, para dar legalidade, mas não moralidade a essas pessoas. Não houve e não há quaisquer discussão prévia sobre como deslocar essa massa de pessoas (não me refiro a discussão de gabinete, e sim com esses moradores). Muitas delas tem seus negócios nessas comunidades, que acabam de perder a própria fonte de renda. Conheço pessoas que moram na região do Largo do Tanque, por onde vai passar a Transcarioca, que não sofreram com esse rolo compressor, e que abrigam pessoas da região que não tem para aonde ir. Sem exagero, o impacto na vida dessas pessoas não difere muito dos sobreviventes do Morro do Bumba. É esse o ganho SOCIAL na vida do carioca?

do Fazendo Media

Moradores de Madureira fazem protesto contra remoções por causa da Transcarioca

Por Eduardo Sá, 07.02.2011

Remoções realizadas para a obra da Transcarioca ao redor da favela do Campinho, em Madureira, na zona norte. Foto: Eduardo Sá/Fazendo Media.

Mais um dos grandes projetos urbanos previsto para a realização da Copa do Mundo e das Olimpíadas no Rio de Janeiro vai remover moradores de comunidades de baixa renda de suas moradias. Esse é o caso da favela Largo do Campinho, em Madureira, zona norte do Rio, que está no traçado da Transcarioca, via que vai ligar a Barra da Tijuca ao aeroporto internacional Tom Jobim. As obras, que estão avaliadas R$ 1,3 bilhão custeado pelo Governo Federal, começam neste mês e devem ser entregues pela prefeitura antes da Copa de 2014.

A secretaria municipal de Obras informou que os 39 quilômetros de extensão vão reduzir em mais de 60% o tempo gasto no trajeto, que terá ao todo 45 estações do BRT, ônibus que circulará em faixa exclusiva. No Largo do Campinho, que fica em movimentado entroncamento das avenidas Intendente Magalhães e Cândido Benício e as ruas Ernani Cardoso e Domingos Lopes, será construído um mergulhão para o corredor expresso.

Cerca de 50 moradores fizeram um protesto na última quarta-feira (02/02) nas ruas em frente à comunidade, com faixas e cartazes afirmando que estão sendo removidos arbitrariamente de seus imóveis. Além da comunidade do Campinho existem também no local as do Fubá e Divino, cujo complexo fica atrás de dez prédios que o prefeito Eduardo Paes resolveu destombar para realizar o projeto. Os imóveis fazem parte do entorno do Forte Nossa Senhora da Glória do Campinho, uma das primeiras fortificações construída no século XIX para proteger a antiga Estrada Real de Santa Cruz.

Os moradores foram às ruas protestar contra as remoções. Foto: Eduardo Sá/Fazendo Media.

Agentes da prefeitura foram com um caminhão para fazer a mudança dos moradores. Essas pessoas estão indo para conjuntos habitacionais em Cosmos, na zona oeste, que fica a mais de 1 hora do Campinho, contemplados no Programa Minha Casa Minha Vida. Aproximadamente 20 das 60 famílias já toparam sair da comunidade. Muitos moradores relataram que a secretaria municipal de Habitação foi no meio do ano passado ao local para tirar fotos, pegar documentos e medir os imóveis, e prometeu a indenização das casas. Em novembro começaram as pressões para remoção: sem cadastrar nem consultar ninguém, disseram os moradores.

Nesse mesmo período o subprefeito da região fez uma reunião com os moradores, na qual havia prometido, também segundo os moradores, a quitação da casa que eles fossem reassentados. No contrato, que os reassentados se queixam de ser só assinado em Cosmos já com as mudanças, consta que os moradores têm que pagar R$ 50,00 por mês. Muitos ainda criticam que em caso de inadimplência de três meses eles podem ser retirados do apartamento, e no Campinho muitos moradores recebem bolsa família e sequer têm uma fonte de renda.

A secretaria municipal de Habitação, por sua vez, informou que “essas famílias estão sendo reassentadas para a execução de uma obra de grande interesse público e que terá impacto direto na melhoria da qualidade de vida dos cariocas”.

“Os imóveis de sala, dois quartos, banheiro, cozinha e área de serviço ficam em condomínio na Avenida Cesário de Melo, uma região já dotada de meios de transporte e que ficará ainda mais bem servida com a implantação dos novos corredores de transporte público via BRTs (Bus Rapid Transit). As famílias que serão reassentadas para a construção da Transcarioca não terão que pagar nada pelos imóveis”, destacou a secretaria, por meio de sua assessoria de comunicação.

Luciana França, de 24 anos, é uma das moradoras que está resistindo. Ela acabou o ensino médio e é manicure, mora com o pai, que está no Campinho há 32 anos e tem uma loja que faz placas e faixas ao lado de sua casa. Segundo ela, muitos moradores vão perder o comércio e essa desapropriação está sendo feita de maneira ilegal.

“Na lei orgânica do município, a 429, fala que toda família removida tem que ser reassentada próxima. Isso não está sendo cumprido, porque a nossa comunidade vai ser reassentada em Cosmos, que são 18 estações de onde a gente mora. É mais de uma hora de viagem. Pessoas já perderam o emprego, crianças perdendo o ano letivo, pessoas de idade que vão perder tratamento no posto médico, e outras que estão desempregadas não vão poder pagar as contas que tem nesse apartamento. A gente não tem acesso ao contrato, não pode levar o advogado nem a defensoria pública. Eu não vou sair, só saio daqui quando eu for prévia e justamente indenizada ou reassentada próxima”, disse.

A moradora também destaca que o seu direito de possuidora tem que ser respeitado, pois ela não pegou o imóvel por meio de força.

“Eu cheguei num imóvel que foi abandonado pelo dono e não foi requerido em nenhum momento pela prefeitura, só agora. Eu sou obrigada a votar, mas não tenho o direito de escolher aonde viver? Se esse apartamento da Caixa vai ser financiado, eu tenho o direito de escolher aonde é que eu vou viver, eu vou pagar. Está errado, tinha que me dar de graça, porque esse aqui eu não pago nada e a lei diz que é meu”, concluiu.

Caminhão da prefeitura na porta do Campinho para fazer a mudança dos moradores que optaram ir para Cosmos. Foto: Eduardo Sá/Fazendo Media.

Muitos moradores se queixam da pressão e chantagem da prefeitura. Existem muitas crianças, entre elas algumas especiais, e idosos na comunidade. O abalo psicológico dos moradores é visível, inclusive pessoas idosas foram internadas. Uma casa foi demolida, deixando casas ao lado em risco. Em caso de pessoas que têm animais, os bichos terão de ser sacrificados ou abandonados, pois não podem ser levados para o conjunto habitacional. Várias famílias sobrevivem vendendo água e mercadorias nos sinais de trânsito das redondezas, e a informação obtida pelos moradores é de que aqueles que têm um estabelecimento comercial não terão o seu imóvel indenizado pela prefeitura.

A assessoria de comunicação do subprefeito respónsável pela região, André Santos, afirmou que é feito sempre um cadastramento das famílias pela Secretaria de Assistência Social, antes que haja qualquer remoção.

“Neste cadastramento é determinado um proprietário por imóvel. Uma vez determinado quem é o proprietário, este vai receber o aluguel social ou vai ser diretamente removido, dependendo da situação. As pessoas reassentadas nos conjuntos habitacionais pagam uma quantia simbólica de 50 reais mensalmente. E a prefeitura, junto com outros órgãos, faz de tudo para minimizar esta mudança. Por exemplo: tenta facilitar a questão do transporte, tenta colocar os filhos estudando em boas escolas mais próximas do conjunto habitacional. Enfim, estas são medidas para dar qualidade de vida para essas pessoas, que agora vão ter uma casa em um condomínio que tem toda a segurança necessária”, declarou a subprefeitura da zona norte.

A defesa dos moradores

Os prédios históricos na entrada da comunidade do Campinho, na zona norte do Rio. Foto: Eduardo Sá/Fazendo Media.

A defensoria pública do Estado do Rio de Janeiro foi acionada pelos moradores em novembro de 2010 para instruí-los. De acordo com Marília Farias, defensora do Núcleo Terras e Habitação, o município ajuizou essas ações de desapropriação contra os proprietários só que muitos deles desapareceram há décadas. Ela também observou que falta diálogo e transparência nesse processo de reassentamento, pois as pessoas não têm acesso aos contratos que só podem ser lidos após o morador aceitar a proposta de ir para Cosmos.

“Eles abandonaram os imóveis, que foram aos poucos sendo ocupados por essas famílias que têm a posse há mais de 30 anos. A gente entende que esses possuidores fazem jus à indenização tal qual o proprietário do registro faria. A postura do município é simplesmente varrer as pessoas das comunidades e mandar para o mais longe possível”, explica Marília.

A defensora também ressaltou que a oferta da prefeitura para Cosmos não atende às necessidades das pessoas, porque elas moram no local há muito tempo, as crianças estão matriculadas nas escolas da região, e os empregos das pessoas são em localidades próximas, então a desestruturação da vida dessas famílias vai ser muito grande com essa oferta.

Contrato apresentado pelos moradores que já estão em Cosmos, na zona oeste da cidade. Foto: Eduardo Sá/Fazendo Media.

“Estamos tentando, em termos jurídicos, incluir essas famílias no pólo passivo dessas ações de desapropriação, porque elas são dirigidas apenas aos proprietários. Estamos tentando fazer essa inclusão justamente para batalhar por essas indenizações ou o reassentamento em local próximo, que é o que nos parece mais justo”, disse.

Ela ainda explicou que a prioridade no assentamento próximo se deve ao fato de a tabela, da época da gestão Cesar Maia, estipular valores muito baixos para a indenização. E os moradores que preferem ir para Cosmos estão sendo orientados, de modo a ter ciência de que estão indo com um ônus a pagar pela moradia, que só ao final de 10 anos se tornará sua propriedade.

“Então na verdade ele está deixando um imóvel que ele conseguiu construir na vida inteira, levando até 10 anos para conseguir levantar esses tetos, e não vai ter condição de pagar. Aqui na comunidade do Largo do Campinho muitas famílias são miseráveis, estão realmente abaixo da linha da pobreza, e não vão ter condições de arcar com esse ônus de morar longe, sem emprego, e com esse custo mensal. O que a prefeitura tem praticado é um sem número de arbitrariedades, tudo em prol dos mega eventos”, concluiu.

ainda em:

http://www.fazendomedia.com/prefeitura-promove-desapropriacao-em-madurei...

http://www.fazendomedia.com/moradores-de-comunidades-fazem-protestos-con...

http://www.fazendomedia.com/pau-e-circo-copa-olimpiadas-movimentos-socia...

 

Não é só em Madureira, no morro da Providência também.

 

Só quem não conhece o que está ocorrendo no RJ pode falar essas besteiras. É óbvio que em uma revolução urbana igual a que o RJ está passando sempre teremos problemas com algumas famílias. É impossível reordenar as coisas sem que haja problema nenhum. Nós vivemos em uma democracia e essas pessoas, caso não estejam a serviço de nenhum político do tipo Garotinho, podem e devem reclamar e buscar seus direitos, agora, imaginar que não fosse ocorrer nada desse tipo é a mais pura viagem. É impressionante como o RJ é sempre mais cobrado, esse tipo de vídeo não é feito em nenhum outro lugar. SP comete as maiores barbaridades contra sua população carente ( em torno de 2,5 milhões de favelados) e ninguem fala nada, principalmente os meios de comunicação sediados lá. A mídia paulista joga sempre com os interesses das classes abastadas paulistanas. Pela leitura de jornais e revistas parece até que não existe gente miserável vivendo em SP.

 

"Os moradores acusam a Ambev – maior cervejaria do país..."

Eu fico sem entender nada. Desde quando a AMBEV é a maior cervejaria do BraSil??? Eu, inocente, pensava que era a Bélgica a proprietária...

Usam NO$$A água... Usam NO$$A energia... Usam NO$$A mão-de-obra...

A Copa do Mundo no BraZil vai ser patrocinada pela BRAHMA????

 

Faltou falar que ali é um dos lugares mais perigosos do Rio.

A Mineira(CV) em frente a Coroa(3º Comando) e atrás o Querosene(CVJ). Todas as facções criminosas estão presentes na área.

 

Tem que dar uma limpada mesmo!

 

Acontece que não é uma favela que querem remover, mas casas humildes. Área plana, bastante valorizada. Fica entre o prédio do jornal O Globo, Prefeitura do Rio e Correios. A tla área não tem nada a ver com Olimpíadas nem Copa de 2014, mas tem a ver com os interesses da Ambev.

 

 

Dito isso, considero um verdadeiro absurdo.

Com um favelasso para todo lado e vai remover justamente a parte que não é favela. Injustificável!

 

E você acha que todas as 60 famílias são de criminosos?

 

obra tem que ser feita

remocao nao pode ser expulsao

construcao moradia melhor e na regiao, moradores nao podem pagar uma necessidade da cidade sozinhos

 

aposto que os "socialistas" não virão comentar ...afinal são só 60 familias ..

 

Voce çaberia dizer com serteza o que o PT e socialistas tem a ver com o assunto?

A Ambev eh tucana ate a alma e foi criada por eles.  Aonde tucanos entram eles destroem tudo.  Explique sua afirmacao porque eu expliquei a minha.  Çua vez.

 

Calam Ivan! Você sempre é comedido! Você discorda da realização da olimpíada no Rio ou de qualquer olimpíada? Fiquei meio boiando.

 

(K, com dinheiro publico, todas.  Que desaparecam.)

 

com serteza, com apoio do pt...

 

O Brasil ja tem cadelas de luxo o suficiente.  Vai sumindo, olimpiadas.

VAI SUMINDO DAI AGORA E JA.

 

Basta o consumidor dar um basta.