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As bruxas de Guaratuba

As bruxas de Guaratuba

Elas foram acusadas de matar um menino em um ritual. O caso, que teve o mais longo julgamento do País, pode sofrer uma reviravolta. ISTOÉ revela como as acusadas foram torturadas e as suspeitas de que não é da vítima o corpo encontradoAntonio Carlos Prado

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Ao longo de muito tempo, uma senhora que mora em Curitiba sentia uma torturante angústia nos momentos de lavar o rosto. Não conseguia molhá-lo por inteiro, muito menos enxaguá-lo. Umedecia então sob a torneira a ponta do dedo indicador da mão direita, levava-o à face, ia repetindo esse movimento e molhando a fronte ponto por ponto. Ela se chama Beatriz Abagge, tem 47 anos e é filha de Celina e Aldo Abagge, ex-prefeito da cidade de Guaratuba, no litoral paranaense. Por que Beatriz agia assim? Antes de responder a essa questão, vale registrar outro fato envolvendo ela própria e, agora, também a sua mãe.

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“A janela basculante da minha cela era soldada. As guardas achavam que eu
era bruxa, me transformaria numa nuvem de fumaça e fugiria através da grade”

Beatriz Abagge, ré

As celas da penitenciária feminina de Piraquara , cidade que se localiza no Paraná, têm uma janela basculante à frente da janela principal, que é gradeada. Em todas as celas nas quais Celina e Beatriz ficaram trancafiadas nessa cadeia, entre 1992 e 1995, tal basculante era soldado – ou “chumbado”, como diz a filha –, impedindo-se assim o seu movimento de abrir e fechar. As guardas temiam que as duas mulheres, caso o basculante pudesse ser aberto, se transformassem repentinamente em “uma nuvem quase invisível de fumaça e fugissem através de algum quadrado da grade de ferro deixando para trás um sufocante cheiro de enxofre”. As guardas acreditavam que elas eram “bruxas”, assim como nessa versão se fiava a maioria da população de Guaratuba, de Curitiba, do Paraná e de todo o País. A mídia nacional e boa parte da imprensa internacional se referiam à mãe e à filha como “dotadas de poderes de bruxaria”. Elas passaram a ser “As Bruxas de Guaratuba”. ISTOÉ esteve com Beatriz e Celina, que se encontram em liberdade, registrou com exclusividade como vivem e resgatou a sua história que já conta 19 anos. É aqui que se vai começar a responder o que levou Beatriz a não conseguir lavar o rosto como todo mundo lava e, também, o que fez com que ela e sua mãe acabassem presas na cadeia com grades protegidas contra fuga de “bruxas”. Esses dois episódios se fundem em um terrificante cenário de rapto e assassinato de criança, suposta magia negra, bárbaras torturas, rivalidade entre policiais e inimizades pessoais e políticas. E muito terror.

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VÍTIMA
O garotinho Evandro, aos 6 anos, quando foi
raptado no caminho entre a escola e a sua casa

O novo e derradeiro júri

Está marcado para a quinta-feira 28, em Curitiba, o segundo júri popular a que Beatriz Abagge será submetida – ela é acusada de, com a cumplicidade de sua mãe, ter assassinado em 1992 o garotinho Evandro Ramos Caetano, de 6 anos, um alegre menino loirinho que era conhecido e amado em toda Guaratuba. Pesa ainda contra Beatriz, segundo o processo, a acusação de o “crime ter sido praticado em um satânico ritual de magia negra”: Evandro teve o peito rasgado, retiraram-lhe o coração e as vísceras, amputaram-lhe mãos e pés, escalpelaram-no e vazaram seus olhos. No primeiro júri do “caso Evandro”, realizado em 1998, mãe e filha sentaram-se no banco dos réus e foram absolvidas – é o júri mais longo da história do Brasil com 34 dias de duração. Mais demorado que o de Gregório Fortunato, segurança do ex-presidente Getúlio Vargas, acusado do assassinato do major Rubens Vaz no atentado da rua Toneleros. Mais longo que o do coronel Ubiratam Guimarães, responsabilizado pelo “Massacre do Carandiru” em São Paulo – foram 111 mortos e seu julgamento levou dez dias. Também marcou para a história o júri de Beatriz e Celina o suicídio de um dos peritos, com um tiro na cabeça sobre o túmulo de seu pai, à véspera de ele depor. O Ministério Público recorreu da sentença de absolvição da filha e da mãe, e há cerca de um mês o STF decidiu por novo julgamento. A diferença é que, dessa vez, apenas Beatriz será julgada, já que Celina está com 72 anos e pela legislação brasileira a punibilidade cessa quando completada a sétima década de vida. “Fui absolvida e serei absolvida. Eu e minha mãe fomos falsamente acusadas”, diz Beatriz, estudante de direito em Curitiba – na semana passada fez provas de direito penal (“fui muitíssimo bem”), de direito processual penal (“fui muitíssimo mal”) e de direito civil (“fui bem demais, é fácil”). “Beatriz é uma aluna exemplar, aplicada e interessada”, diz o coordenador do curso, professor Álcio Figueiredo. Tanto ele como os alunos ficaram sabendo que a Beatriz Abagge estudante é a Beatriz Abagge que foi envolvida no caso Evandro com a chegada de ISTOÉ. “A minha reação e a de todos os alunos foi a mesma: respeito”, diz Figueiredo.

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“Sequestraram minha irmã pensando que ela era eu. Só descobriram o
erro quando outro acusado a chamou pelo nome de Beatriz e não de Sheila”

Sheila Abagge, psicóloga

Disputa política

Faz-se agora, aqui, uma viagem no tempo à pequena cidade litorânea de Guaratuba – 22 quilômetros de praias e um oceano de lendas e acontecimentos sombrios. Corria o ano de 1992, dia 6 de abril, e os moradores mais antigos se recordam que era “uma segunda-feira de garoa”. Caminhando sozinho pelos 100 metros que separavam – e ainda separam – a Escola Olga Silveira de sua casa, o garotinho Evandro desapareceu misteriosamente. Os seus pais, Maria e Ademir Caetano, mantinham a esperança de recuperá-lo com vida mas pressentiam o pior, até porque dois meses antes também desaparecera outro garoto, Leandro Bossi, nunca mais localizado. No sábado seguinte, 11 de abril, a polícia anunciou que o corpo de Evandro fora encontrado, sobrevoado por urubus e vilipendiado, em um matagal da cidade – próximo ao seu cadáver estava a chave de sua casa. Começou aí o martírio do luto da família. Começou paralelamente o calvário de Celina e Beatriz, respectivamente esposa e filha do prefeito Aldo Abagge, falecido em 1995 quando elas ainda estavam presas. “Sob forte escolta, porque nos julgavam perigosas assassinas, pudemos deixar a cadeia por algumas horas e visitamos o Aldo já muito doente no hospital. Falamos a ele que estávamos em liberdade para que morresse em paz”, diz Celina. A ex-primeira-dama, prima direta do cônsul da Síria no Paraná e em Santa Catarina, Abdo Dib Abage, cumpre atualmente a rotina de cuidar dos netos. Poderosa, tradicional e milionária que era, a família de origem síria e libanesa (tanto os que assinam seus nomes com dois ges quanto os que o fazem com um ge só) quebrou financeiramente e mora em uma casa cujo aluguel é pago por um genro de Celina que é desembargador. “Tudo que tínhamos foi gasto em honorários de advogados”, diz Beatriz, com a altivez dos que são acusados sem provas, empobrecem diante de tal vicissitude mas não abrem mão de seu “mais sólido patrimônio”: “A minha maior riqueza ninguém leva, a minha maior riqueza é a minha inocência e a inocência de minha mãe.”

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POLÍTICA
O ex-prefeito Aldo Abagge morreu em 1995 
achando que a esposa e a filha estavam em liberdade

Anunciada a localização do corpo de Evandro, ou do suposto corpo como se verá mais adiante, a polícia civil começou a investigar e a enfrentar obstáculos – um deles é que durante dois meses os laudos do IML e da perícia não lhe foram fornecidos, embora estivessem concluídos. Vai entrar em cena, nesse momento e sem competência legal para cuidar do homicídio, o então grupo de elite da Polícia Militar do Paraná. Por meio de depoimentos de policiais e ex-policiais que atuaram no caso, dados com exclusividade à ISTOÉ, hoje se comprova que alguns integrantes desse grupo da PM agiram como agiam os seviciadores da ditadura, à época recém-encerrada no Brasil. “Houve tortura. Pessoas das quais os policiais militares suspeitavam foram sequestradas, levadas sem mandado de prisão e torturadas”, diz o delegado e diretor do Departamento de Crimes contra o Patrimônio, Luiz Carlos Oliveira, um dos homens mais prestigiados da polícia no Paraná. Ele fala com a autoridade de quem investigava o desaparecimento de Leandro e cruzou com as investigações sobre a morte de Evandro. “Beatriz e Celina foram seviciadas até dizerem que mataram Evandro. Outro acusado, o pai de santo Osvaldo Marcineiro, não tinha mais costas de tanto levar porrada. As costas dele ficaram negras. Era um hematoma só. Eu vi.”

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MEDO E DOR
Foto atual da sala que servia de gerência na serraria: nela,
Evandro teria sido morto em suposto ritual de magia negra

A engrenagem do horror que remete aos tempos dos porões do regime de exceção começou a funcionar, segundo diversos depoimentos, com a chegada de alguns PMs do grupo de elite. Mas como eles desembarcaram em Guaratuba? Por que Celina e Beatriz foram envolvidas? Sai-se agora momentaneamente do terreno policial e entra-se no campo político, mais especificamente no que se refere aos projetos do Conselho de Desenvolvimento do Litoral que tratava de estabelecer a “verticalização” (construção de prédios) na orla do Estado. O prefeito Aldo Abagge elaborara um plano de zoneamento que não vetava totalmente a “verticalização” nem a autorizava plenamente, ou seja, podia-se construir mas não nas regiões próximas às praias. Ele atraiu com isso pesadas rivalidades políticas, locais e estaduais, ao contrariar interesses financeiros daqueles que sonhavam em transformar Guaratuba em um canteiro de obras de altas edificações, como aconteceu com a vizinha Caiobá. Sem receber verbas do governo, Aldo se viu obrigado a majorar impostos e valores de contas para tratar o esgoto do município. Mais animosidades surgiram, algumas de ordem pessoal – politicamente o prefeito se tornou vulnerável por todos os ângulos. Recorreu ao seu protetor, o deputado Aníbal Curi, presidente da Assembleia Legislativa do Paraná, mas ele nada conseguiu junto ao Poder Executivo estadual.

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DITADURA
Casa na cidade de Guaratuba do ex-ditador do Paraguai 
Alfredo Stroessner: base de sevícia da polícia

Sequestro e tortura

Olhando-se novamente para o campo das investigações, ao Ministério Público foi então entregue uma relação de suspeitos com nomes de pais de santo e os de Celina Abagge e de sua outra filha, a psicóloga Sheila Abagge. A família era proprietária em Guaratuba de uma tradicional serraria (50 funcionários), hoje desativada e abandonada – em seus áureos tempos fornecia madeira para a fábrica de lápis Johann Faber. No dia 2 de julho de 1992, três meses após o desaparecimento de Evandro, os policiais do grupo de elite invadiram pela manhã a residência da família que ficava em frente à prefeitura sob a acusação de que Celina e Sheila teriam sequestrado Evandro e o matado na serraria – oferecendo seu sangue, coração e vísceras a Exu, uma das entidades da umbanda, cuja imagem se localizava à esquerda da porta principal da empresa. Quanto à residência, ela já não existe, foi demolida e apenas conservaram-se, numa altura mínima, parte dos muros originais, assim como preservaram-se os umbrais. No terreno funciona o estacionamento do supermercado Brasão.

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CEMITÉRIO
No túmulo (abaixo) de Evandro há fotos e brinquedos – 
e muitas dúvidas se o seu corpo de fato está nele sepultado

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Os policiais prenderam e transportaram em carros “chapas frias” Celina e Beatriz, achando que Beatriz era Sheila. Enquanto isso, Osvaldo Marcineiro e mais dois suspeitos já amargavam torturas na casa de veraneio em Guaratuba do ex-ditador do Paraguai Alfredo Stroessner, localizada e fotografada por ISTOÉ. Tanto em Curitiba quanto em Guaratuba, a questão de ter havido tortura é ponto pacífico. “O Ministério Público quer condenar a ré para jogar uma cortina de fumaça nas atrocidades cometidas”, diz o advogado Adel El Tasse. Beatriz foi violada sexualmente por cinco torturadores, tomou choques elétricos e padeceu de sessões de “afogamento” numa chácara – eis a explicação do motivo pelo qual ela não conseguiria durante anos lavar o rosto normalmente. “Desmaiei não sei quantas vezes durante a tortura, sangrei, urinei, evacuei. Foi estupro, choque e afogamento”, diz ela. E os torturadores só souberam que Beatriz era Beatriz, e não Sheila, quando levaram um ensanguentado Osvaldo Marcineiro à sua presença e ele a chamou pelo nome. Na mesma chácara, em outro quarto, Celina também era seviciada. Quando Beatriz não suportou mais o suplício, foi carregada para diante da mãe e implorou: “Diga tudo o que eles quiserem porque eu não aguento mais choque, não aguento mais estupros e afogamentos.” “Ela me suplicou para que eu falasse em um gravador tudo aquilo que os torturadores me ditavam”, diz Celina. Em fita cassete que compõe o processo, ouvem-se vozes ao fundo e há o constante ruído de ligar e desligar o aparelho. Mais: as respostas de Celina demonstram que alguém corrigia o que ela falava: “Com o que você matou?”, pergunta o torturador. “Com uma paulada”, responde Celina – e o gravador é desligado. Ligado novamente, ela corrige: “Com uma faca.” Desliga. Liga. Ela diz: “Não, com uma serra.” Ruído, e vem a complementação: “Serra da serraria.” “Uma investigação que começa errada só pode terminar errada”, diz o ex-policial e advogado João Ricardo Keppes de Noronha, que à época mandou apurar o que ocorrera. Dos “porões” da repressão em Guaratuba elas foram transportadas para diversos postos da Polícia Militar e finalmente à penitenciária de Piraquara – aquela onde soldavam o basculante para as “bruxas” não fugirem. Ao desembarcarem nela, cada uma das mulheres ficou trancafiada um mês em “solitárias”, nuas, sem direito a banho, sem um segundo de sol e privadas de alimentação adequada. Beatriz já começava a gargalhar sozinha a gargalhada das loucas, quando uma aranha a devolveu à sanidade. Olhando-a tecer sua teia em um canto da encardida e inóspita “solitária”, Beatriz lembrou-se de uma música de criança e voltaram-lhe as lembranças, memória e lucidez. Beatriz sabe a letra de cor: “A dona aranha subiu pela parede/veio a chuva forte e a derrubou/já passou a chuva e o sol já vem surgindo/e a dona aranha continua a subir.” Nessa cadeia Celina fazia doces a pedido da direção e numa dessas ocasiões foi escoltada a uma dependência para prepará-los. Passou por um local de onde se via bom pedaço de céu. Era noite. Noite bonita. Ela se maravilhou: “Olha a lua!” As guardas se jogaram imediatamente ao chão aos gritos de “cuidado com a bruxa!”, “a lua interfere na bruxa!”. Celina ficou atônita, as guardas se levantaram e a levaram correndo de volta à cela. Com janela “chumbada”, é claro.

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“Eu era e sou vizinho da família do menino morto
O crime paralisou por meses toda Guaratuba”

Wilson Henttralt, garçom

“O corpo sepultado não é de Evandro”

A tortura será um dos pontos centrais do novo júri. Acusado por diversos órgãos de comunicação e também pelas rés de ser o comandante da sevícia, o coronel da reserva Valdir Copetti Neves rompeu o seu silêncio de 19 anos e falou com exclusividade à ISTOÉ na praça de alimentação de um shopping em Curitiba. Como quem manda um recado de que cansou de ser solitariamente o vilão da história, ele declarou: “Por que perguntar de tortura e circunstâncias de prisão somente para mim? Por que não se pergunta também ao Ministério Público e à Polícia Federal que estavam na investigação?” Nas últimas duas décadas, o coronel nunca se deixou fotografar (há apenas uma imagem antiga dele na internet). Dessa vez, ainda como quem manda um recado, até fez pose para as fotos. Há, no entanto, mais “dinamite” pronta a explodir no caso das “bruxas”. ISTOÉ teve acesso a documentos da época do desaparecimento de Evandro e a depoimentos de autoridades de Curitiba e de pessoas do povo de Guaratuba que dão conta de que o corpo que está sepultado, no terceiro túmulo para quem pisa o Cemitério Central através de sua porta principal, muito provavelmente não é o de Evandro Caetano. O Ministério Público admite que não tem fato novo para esse segundo julgamento e acabou alimentando a tese de que Evandro não está ali enterrado: em 19 anos, por 18 vezes se pronunciou contrário à exumação, atitude que não tomaria se tivesse certeza de que se trata dos restos mortais do menino.

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CERTEZA
O delegado Oliveira desafia: podem 
exumar o corpo, ele não é de Evandro

O túmulo é uma capela de tijolinhos com gavetas à sua esquerda. “Em qual delas está o Evandro?”, pergunta-se ao zelador do cemitério, Luiz Ferreira. De óculos escuros, fumando e negando-se terminantemente a ser fotografado, ele dispara: “Em qual gaveta? Se é que ele está aí. Quem disse que ele está aí?” O garçom Wilson Henttralt, 56 anos, que vive em Guaratuba e desde criança é vizinho da família de Evandro, também levanta dúvidas em relação ao fato de ser mesmo dele o corpo que a polícia atestou que era. “Esse crime paralisou a cidade e ainda hoje só se fala sobre ele. Houve muita confusão, acho que ninguém sabe ao certo se o corpo encontrado é o do garotinho”, diz Henttralt. “Certeza absoluta de que não é o corpo” quem tem é o delegado Oliveira: “Não é o cadáver de Evandro. Durante as investigações eu disse: pago do meu bolso as despesas de exumação. Ninguém quis me ouvir.” Três exames de DNA foram feitos na época e dois deram “inconclusivos”. O terceiro teste, com um dente de leite que a mãe de Evandro guardara em sua casa bem antes do desaparecimento do filho, constatou apenas o óbvio: que se tratava de um dente do menino. Até aí, nada. Não se estabeleceu nenhum vínculo entre esse dente de leite e o corpo. ISTOÉ revela o depoimento prestado à Justiça pelo professor de criminalística e perito criminal Arthur Conrado Drischel, que examinou local e cadáver: “O corpo não condizia com uma criança de 6 anos de idade, que no caso também não poderia condizer com a vítima Evandro Ramos que tinha 6 anos de idade (...) e todos os outros dados também não condiziam com a descrição de Evandro.” Mais: os peritos deixaram registrado o “desconhecimento da identidade da vítima”.

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“Por que apenas eu? Por que não perguntam sobre as prisões e tortura
para o Ministério Público e a Polícia Federal, que também investigavam?”

Coronel Neves

O delegado que ficou contra a pena de morte

Beatriz Abagge, que em breve deverá viver o derradeiro capítulo dessa história que cruzou o trágico destino de Evandro com o trágico destino de sua própria vida, foi execrada e apedrejada em praça pública, numa onda que se formou na qual as pessoas agiam dentro do conceito criado pela filósofa e cientista política Hannah Arendt em “Origens do Totalitarismo”, a partir de uma de sua reportagens para a revista americana “New Yorker”: “a solidão organizada das massas populares”. Beatriz ficou encarcerada com sua mãe por três anos e meio em Piraquara e por mais três anos em prisão domiciliar em Curitiba até o julgamento que a absolveu em 1998. Em liberdade, seu primeiro passeio com a mãe foi no Jardim Botânico, caminhada que refez com ISTOÉ. “Assim que entrei em casa, ainda em prisão domiciliar, detonei o cartão de crédito de meu irmão comprando uma porção de coisas pela televisão. Era o que eu queria fazer. Assim que conquistamos a nossa libertação, no primeiro júri, fomos passear no Jardim Botânico. Era isso também o que queríamos fazer”, diz ela. Medo de encarar novamente sete jurados? “Não tenho medo de mais nada, com certeza o pior na minha vida já veio, que foi a tortura. Nada do que virá poderá ser pior. Os tempos são outros, o estado democrático de direito está consolidado, o mundo dá voltas, as pessoas mudam.” Das voltas que o mundo dá, Beatriz é, na verdade, testemunha em carne e osso: hoje ela trabalha no próprio Poder Judiciário de Curitiba atuando no apoio e acompanhamento às medidas alternativas do Juizado Especial Criminal. Vai a Guaratuba sem medo, assim como foi no Carnaval de 1999, no ano seguinte à absolvição: aí reatou com seu namorado de antes da prisão, casou-se e com ele tem uma filha de dez anos (tem também um casal de gêmeos que adotara antes de ser presa e que já é maior de idade). Separou-se do marido, namorou um advogado 13 anos mais novo, estranhou a diferença de idade e prefere nesse momento ficar sozinha. Medo da solidão? “Não.” Me­do de nada? “Olha, tenho medo de engordar. Estou com 52 quilos para uma altura de 1,55 m. Mas de­voro chocolate e não vou fazer regime; chega a fome que passei na cadeia.” Quanto à outra parte da fala de Beatriz, a de que “as pessoas mudam”, aqui vão três exemplos.

O primeiro: Humberto Simões, morador de Guaratuba, é viúvo de Albertina Michelatti, que trabalhou na casa de Celina Abagge. Assim que o crime foi divulgado, Humberto e Albertina brigaram em casa e em público: ele acusava a mãe e a filha, ela as defendia. “Com o tempo fui vendo que houve muita trapalhada, mudei de opinião”, diz Humberto. O segundo exemplo trata de mudança na mão inversa: “Distanciando-me dos fatos, nesse instante eu as acho culpadas”, diz uma moradora que está há oito anos na cidade e não quis ser identificada. Finalmente, o terceiro exemplo envolve o delegado Oliveira, que era intransigente defensor da pena de morte. “Quando soube do crime pela televisão, eu gritei: pena de morte para essas duas ‘bruxas’. Pois bem, houve tanto erro da polícia nesse caso que hoje eu sou contra a pena de morte para qualquer ser humano.” Antes de partir de Guaratuba, na quarta-feira 6, justamente a data em que se completaram 19 anos do triste desaparecimento de Evandro, ISTOÉ foi à casa de sua família, a mesma em que ele morou. Seu pai, Ademir, nem chegou até o portão. O máximo que fez foi pôr o rosto na janela e, aos berros para que sua voz prevalecesse sobre os latidos do cachorro, limitou-se a dizer: “Não vou falar nada. Vai embora. Não tenho nada a dizer.”

O APOCALIPSE EM GUARATUBA

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Até 11 de abril de 1992, o sábado em que o corpo – ou o suposto corpo – de Evandro foi localizado em um matagal de Guaratuba, o assunto que sobrevivia na cidade entre os mais velhos que vivenciaram o fato e entre os mais jovens que dele ouviram falar dava conta de um acidente natural que na noite de 22 de setembro de 1968 colocou todos em desespero e em preces: uma parte do município foi “engolida pelas águas” e submergiu na baía de Guaratuba. Desesperadas, as pessoas buscavam abrigo na Igreja Matriz Nossa Senhora do Bom Sucesso, construída por escravos e inaugurada em 1771. Até hoje a igreja está lá, intacta com suas paredes de um metro de largura, que, segundo a lenda, guardam milhares de moedas de ouro. Pois bem, na “noite em que acreditamos que seria o apocalipse”, como diz a evangélica Maria das Graças, 73 anos, os moradores queriam se abrigar na igreja porque acreditavam que “estariam livres de seus pecados naquele juízo final”. A história tornou-se durante décadas a pesada recordação. Outra viria a ocupar seu lugar, no entanto, 24 anos depois – e até os dias atuais é a que mais resiste ao desgaste do tempo: o caso das “Bruxas de Guaratuba”.

Colaborou Monique de Oliveira

http://www.istoe.com.br/reportagens/133790_AS+BRUXAS+DE+GUARATUBA

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comentário

nunca tinha ouvido falar desse caso das Bruxas, mas vejo que foi uma confusao, e até hoje não se sabe o paradeiro do menino, de quem é o corpo e quem foi o culpado desse crime, é tudo uma confusão e as unicas que realmente sofreram foram a Celina e a Beatriz que foram horrivelmente torturadas e obrigadas a passar anos numa cadeia, sozinhas sem comida, e sem ver a luz do sol, por serem obrigadas a confessar um crime que nao cometeram. Guaratuba é uma cidade de aparencia tranquila, mas só quem é um antigo morador, sabe dos horrores que a policia causou nessa cidade.

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Engraçado, por que o Delegado Oliveira foi mandado para Foz do Iguaçu tempos depois do crime? Será que é por lá o grande sonho de consumo dos delegados corruptos do Paraná? E é claro que querem exumar o corpo novamente, pois têm certeza de que os restos mortais não são do menino. Afinal, quem garantirá e como provar que eles não trocaram o corpo?

Que vergonha tudo isso.

 

Pra mim esta história de  tortura e dificil de digerir, um exemplo em 1996 minha irma com 17 anos na epoca foi estuprada, amordacada, apedrejada e morta brutalmente, por 3 homens. O clamor da familia e da população na época por justiça, fez com que viesse da capital, um grupo de policiais especilizados para reforçar as investigações...um mes depois foram presos, confessaram o crime, aguardaram um ano pelo julgamento....e foram absolvidos. Alegando que foram torturados para confessar o crime. Ja que as provas eram circunstanciais. Na mesma epóca em que se encontravam presos ,meu irmão adolescente foi preso por roubo, e minha mae foi visita-lo e encontrou um dos acusados, na epoca era menor de idade tbm...e conversou com ele, ele confessou para minha mãe, nos mesmo detalhes que confessou a policia, chorou e pediu perdão. Porque ele faria isso? Segundo a opinião de detetives com anos de experiência, a primeira atitude de presos de "primeira viagem" é confessar os crimes, depois mais tarde guiados por seus advogados negam e alegam tortura. 

Meu irmão preso por roubo, tbm confessou o crime. E nós da familia sabiamos que ele estava envolvidos com pessoas capazes disso. Mas depois com ajuda de advogado, ele negou, disse que foi agredido na delegacia, e sabemos que isso não aconteceu.

Porque as torturas nao foram denunciadas na época. Elas não eram presas coitadas pobres, e ignorantes a ponto de se calar pra viver com tanta dor e sofrimento elas eram a mãe e filha do prefeito....

 

fui...

 

Bom, desde o famoso caso de Salem, no século XVIII, que não se houve falar em bruxaria. O caso é, isto sim, de assassinato bem qualificado.

Há muitos aspectos obscuros a envolver o caso. Entretanto, um dos testes de DNA confirmou 99,97 por cento de certeza que o cadáver encontrado era o da vítima. Então, não sei  o porquê da dúvida. Quando o cadáver está deteriorado, é comum se fazer diversas análises - a maioria não dá em nada - até se chegar a um resultado. Isto depende de se achar e conseguir analisar o DNA intacto (é muito fácil destruí-lo no processo químico que envolve o teste). A imprensa noticiou este fato para lançar dúvidas sobre os testes de DNA. Não há dúvidas, exceto sobre a formação de nossos jornalistas.

Sobre a tortura, é difícil saber quem diz a verdade. A nossa polícia notoriamente truculenta ou o advogado notoriamente mentiroso (parto do pressuposto grosseiro que tanto a polícia quanto os advogados seguem viciados padrões pavlovianos).

Algumas perguntas que poderiam ser feitas, uma vez que são importantes: caiu o número de desaparecimento de crianças na região após a prisão das rés? Caso a resposta seja sim, então trata-se de forte evidência de que pegaram os criminosos. Do contrário, talvez tenham errado o alvo. Esse levantamento, embora trabalhoso, poderia ser facilmente feito pela simples consulta estatística nos arquivos da época. Não é prova, claro, mas um bom indício que geralmente aponta se a investigação está no rumo certo.

Outro aspecto não levantado: houve outras vítimas com as mesmas marcas de violência naquela época? Caso afirmativo, então trata-se de um padrão típico de psicopatas, não bruxas. Ou, ao menos, bruxas psicopatas. eh eh.

No mais, acho este caso instigante para qualquer Sherloque amador como eu...

 

Momentos vergonhosos da história de nosso país, infelizmente, quase sempre, relacionados a falta de justiça; Bom, que o futuro nos reserve um tempo mais justo, onde a vida de um menino não valha a sua idade de cadeia pra um de seus assassinos... Porra, seis anos de cadeia pra isso. Pena de morte já pra crimes hediondos! E que se danem os direitos humanos! Nunca roubei, nunca matei, sou completamente honesto e justo, e me sinto sem direito algum.

E pra quem ainda tem dúvida de que ela é uma bruxa, só presta um pouquinho mais de atenção na segunda foto, essa esclarece todo o caso! hahahaha

 

Uma vergonha, sessões de esturpo,choque; isso tudo é tão aterrorizante quanto ao crime falado em questão!. VERGONHA TOTAL. Concerteza essa história toda é por causa de política, está na cara! Por parte da justiça ta tudo mal esplicado, sem desfecho credo. Nojo e indignação total ao ler esse caso.

 

vejam o link;   http://www.youtube.com/watch?v=jVffVlA2eGI

esse caso eh do além........

 

Realmente,parece que vc ta puxando sardinha para as acusadas,meu tem que dar a noticia sem pesar para nenhum lado,aponta os dois lados de igual para igual,materia longa demais,tinha que ser um pouco mais dissertativa.Eu vi essa materia hj na tv,peguei no final,procurei e a unica que achei foi essas.mais realmente foi chato ver o jeito que vc a conduziu.

 

  Fiquei sem fôlego... é sinistro

Sem comentários

 

É lamentável que o direcionamento seja sempre a situações de terror e bruxaria, quando a verdade é apenas por ganância eoconômico-financeira de construtoras e interesses maiores, que no momento que o prefeito postou-se contra construções de prédios na orla marítima da cidade (o que eu aprovaria também) imeditamente, criaram uma "vingança" direcionada à familia. Lamento também que hoje ainda existam pessoas que acreditam em "coisas" como religião, ritual, passado, coisas desse tipo, esquecendo-se que por dinheiro existem pessoas que são capazes de tudo. Teremos que reviver esse inferno novamente por conta de uma justiça jurássica e malemolente, quando tudo já deveria estar encerrado, e mesmo porque, os reais e verdadeiros culpados jameis serão localizados.  

 

E o passado dessa mulheres? O que elas faziam no passado, antes dos fatos acontecerem ?

Seriam mantenedoras de instituições de caridade já que se tratava da primeira dama daquele municipio ?

A qual religião pertenciam?

Qual o vinculo anterior dessas senhoras com os pai de santo que confessaram o ritual ?

 

e ... toda história tem dois lados ...

 

 

 

 
 

Nassif, não pretendo julgar ninguém, mas sem a palavra da promotoria pública, essa pseudo reportagem da revista IstoÉ não passa de uma descarada assessoria de imprensa.

 

Caro José....a promotoria já deu seu parecer no momento que em 18 pedidos p/ exumação do corpo se negou a concedê-lo....

 

Nossa! Parece com os textos que lia na faculdade , na cadeira de História Medieval. O judiciário brasileiro é certamente a nossa Inquisição.

 

Não sei o que é mais macabro se o assassinato do menino ou o tratamento dado pela "justiça" ao caso. A única verdade nisto tudo é o atrazo, a crendice e a certeza de que alguem lucrou,políticamente e/ou financeiramente, com o encaminhamento que foi dado. É o resumo da idade média. Fico imaginando se nos estados do sul acontecem destas coisas, e são considerados mais desenvolvido, o que não acontecia ou acontece ainda nos estados do norte/nordeste.

 

lembro muito desse caso. Extremamente revoltante.

Agora fica mais uma dúvida. De quem é o corpo que acharam então? Os danos sofridos por esta criança que está enterrada, como a amputação das mãos e tudo o mais, foi comprovado nos exames póstumos?

Se foram, o caso é ainda mais complicado, há mais vítimas ou não? Quem as atacou? Onde foi parar Evandro? 

Na época me recordo que comentavam de mais crianças localizadas pelos arredores da cidade.

Tristeza total.

 

E os caras que torturaram e estupraram? Nada?

Qtos ainda fazem isto?

 

Embora o Brasil se defina, constitucionalmente, como laico, o Ministério Público não consegue seguir essa determinação. Seja porque pressionado pela mídia, seja porque movido por fanatismo religioso, seja por puro desconhecimento ou irrespeito das leis, ou por qualquer outro motivo, o Ministério Público continua manipulando sentimentos religiosos, principalmente no júri.

Vejam o artigo reproduzido abaixo, extraído do sítido do Ministério Público do Estado do Ceará (http://www.pgj.ce.gov.br/servicos/artigos/artigos.asp?iCodigo=68). Atentem não apenas para os casos que são referidos, como para a linguagem empregada. Acho que não é necessário fazer qualquer outra consideração. O artigo se basta:

Ritual satânico no Tribunal do Júri

 

( * ) José Wilson Furtado

Em meados de setembro de 1997, um crime de homicídio qualificado, pela crueldade, abalaria as estrutura da sociedade de Fortaleza, e foi matéria de registro policial no Jornal Diário do Nordeste, pelo jornalista CIDRACK RATTS, contendo a seguinte manchete: APOSENTADA ASSASSINADA DUANTE UM RITUAL RELIGIOSO.

"A aposentada MARIA VERICIMO LEITÃO, de 66 anos, foi morta e teve uma parte do seu intestino arrancada durante um ritual religioso, no bairro da Bela Vista. Os responsáveis pelo ritual foram: o filho da vitima ANTONIO VERICIMO LEITÃO e sua esposa LUCILIA FERREIRA LIMA, que levara a infeliz sexsagenária, para residência do casal, onde aconteceu o homicídio". (DIÁRIO DO NORDESTE – CADERNO POLICIAL, EDIÇÃO DO DIA 27/09/97 – ARQUIVOS WILSON FURTADO).

Na cidade Belém de Pará, segundo matéria publicada pelo jornal liberal, 14 crianças foram mortas, pela prática da emasculação.

A policia Paraense indiciou a mulher de nome VALENTINA DE ANDRADE, integrante de uma seita de nome "LINEAMENTO UNIVERSAL SUPERIOR", onde na qualidade de cartomante, induzia as pobres vítima num ritual satânico.

Recentemente em Curitiba, a realização de um Júri atraiu a atenção de todo o País. No banco dos réus sentaram as mulheres Celina Abagge e sua Filha Beatriz Abagge, que ficaram conhecidas como as bruxas de Guaratuba. Elas foram denunciadas pelo Ministério Público curitibano, pela prática de homicídio qualificado com torpeza, por terem eliminado o menino Evandro Ramos Caetano durante um ritual de magia negra, em abril de 1992, em Guaratuba, litoral de Curitiba.

O menino Evandro tinha apenas sete anos quando foi encontrado morto em um matagal onde teria acontecido o ritual macabro. Os executores do mefistofélico crime retiraram os órgãos e os pés da inocente vítima. As famigeradas mulheres confessaram o crime e a população ficou revoltada porque na época, Celina era a mulher do então Prefeito de Guaratuba, Aldo Abagge. Revoltada, a população tentou depredar o prédio da Prefeitura, sendo frenada pelos aguazis da ordem pública.

Satanás tem induzido diversas pessoas à prática da magia negra e os resultados são horripilantes. O programa "Cidade Alerta", da Rede Record, mostrou uma reportagem de Ribeirão Preto, onde a dona de casa Daguimar da Silva, de 27 anos, foi condenada pela morte de sua filha Daniela, durante um ritual de magia negra. Em 1994, a cidade de Belém viveu dias difíceis com a mulher de nome Valentina de Andrade, conhecida pela Polícia com o epíteto de "Monstro de Altamira", responsável, pois, pela morte de várias crianças em ritual de magia negra.

A Bíblia Sagrada encara a magia negra como obra da carne. Diz a Palavra de Deus, em Gálatas, cap. vs. 19: "porque as obras da carne são manifestas as quais são: prostituição, impureza, lascívia, idolatria, inimizades, porfias, emulações, iras, pelejas e coisas semelhantes". É evidente que nos rituais de magia negra o principal artífice dessa festa é Satanás e só existe um caminho para livrar-se dele, resistindo ao mal, pois, "sujeitai-vos, portanto, a Deus, mas resisti ao diabo e ele fugirá de ti." (Tiago, 4.7). (Tribuna do Ceará, 16/04/98).

A magia "negra", segundo se diz, consiste em feitiços, em maldições especiais e no "mau-olhado", que causam dano aos inimigos da pessoa. A magia "branca", por outro lado, segundo dizem os que a praticam, produz bons resultados por quebrar os feitiços e cancelar as maldições. Entre alguns povos antigos, a magia "negra" era proibida sob pena de morte. A Bíblia, porém, vai um passo além e proíbe toda forma de magia espírita. (Le 19:26; De 18:9-14). O praticante dela, pelo uso de fórmulas mágicas, supostamente obtidas por conhecimento e sabedoria sobrenaturais, procura influenciar pessoas e alterar eventos futuros. Neste respeito, a magia difere da adivinhação, a qual apenas tenta descobrir eventos futuros, em vez de influir neles ou mudá-los.

Grande parte do conceito sobre a feitiçaria mágica baseia-se na crença de que espíritos maus podem ser induzidos a abandonar a pessoa ou a entrar nela, de que podem ser enganados e logrados, e ser capturados ou presos num pedaço de madeira ou numa imagem de barro. Por exemplo, afirma-se que, por se criarem trilhas mágicas de mel ou de outras coisas deliciosas, os demônios podem ser conduzidos à vontade pelo mágico.

Todas essas noções, naturalmente, deram margem a uma astuciosa classe de sacerdotes-magos, que exerciam grande poder sobre a vida das pessoas, extorquindo enormes pagamentos daqueles sob a sua influência, com o pretexto de possuírem poderes sobrenaturais, superiores aos dos demônios. As pessoas criam que esses feiticeiros profissionais podiam invocar os demônios para lhes obedecerem, mas que os demônios não tinham nenhum poder sobre os feiticeiros.

Tais práticas espíritas, chamadas de ciências, foram desenvolvidas e usadas pelos antigos caldeus de Babilônia. Isaías, do oitavo século AEC, diz-nos que a Babilônia dos seus dias estava repleta de todo tipo de feitiçaria. (Is 47:12-15) Mais de um século depois, nos dias de Daniel, os sacerdotes-magos ainda faziam parte da corte babilônica. (Da 1:20; 2:2, 10, 27; 4:7; 5:11) A expressão "sacerdotes-magos" é uma tradução literal e explícita do termo hebraico.

Os babilônios tinham muito medo dos deficientes físicos, chamados de feiticeiros e de bruxos, na crença de que eram manipuladores da magia "negra". Os sacerdotes, por outro lado, supostamente eram mestres da magia "branca". As pessoas acreditavam que os mesmos feitiços que curavam o doente quando proferidos por um sacerdote os matariam se proferidos por um bruxo ou feiticeiro.

À medida que as pessoas se espalharam ao redor da Terra, devido à confusão das línguas em Babel, é possível que tenham levado consigo algumas noções sobre tais artes mágicas (Gên 11:8, 9). Hoje em dia, milhões de pessoas praticam a magia de mantra, isto é, a mística fórmula, hino ou oração de feitiços do hinduísmo popular. Sacerdotes-magos, bruxos, curandeiros e feiticeiros de todo tipo podem ser encontrados no mundo todo, assim como acontecia entre os egípcios do século 18 AEC, nos dias de José (Gên 41:8, 24). Mais de dois séculos depois de José ter sido vendido como escravo, os sacerdotes-magos do Egito aparentemente duplicaram até certo ponto os primeiros dois milagres realizados por Moisés (Êx 7:11, 22; 8:7). Mas foram impotentes quando se tratou de produzir borrachudos, tendo de admitir que era o "dedo de Deus". Foram igualmente incapazes de impedir ser afligidos pela praga dos furúnculos (Êx 8:18, 19; 9:11).

CONDENADAS PELA BÍBLIA.

A Bíblia é singularmente diferente dos escritos de outros povos antigos no sentido de que todas as suas referências a poderes sobrenaturais e artes mágicas são condenatórias. Em parte alguma recomenda a magia "branca" para quebrar feitiços da magia "negra". Em vez disso, ela exorta à fé, à oração e à confiança em Jeová como proteção contra invisíveis "forças espirituais iníquas" e todas as atividades relacionadas com tais, inclusive influências mágicas (Ef 6:11-18). Nos Salmos, os justos oram para ser libertos do mal; Jesus ensinou-nos a orar para sermos livrados "do iníquo" (Mt 6:13). O Talmude e o Alcorão, por outro lado, dão margem à superstição e ao medo. O livro apócrifo de Tobias contém passagens absurdas de feitiçaria mágica (Tobias 6:5, 8, 9, 19; 8:2, 3; 11:8-15; 12:3); veja APÓCRIFOS (Tobias [Tobit]).

Portanto, a nação de Israel, neste respeito, era dessemelhante das suas contemporâneas, e, para que continuasse assim, Jeová deu ao seu povo algumas leis bem explícitas a respeito daqueles que estavam familiarizados com poderes ocultos. "Não deves preservar viva a feitiçeira." (Êx 22:18); "Não deveis praticar a magia."; "Quanto ao homem ou à mulher em quem se mostre haver um espírito mediúnico ou um espírito de predição, sem falta devem ser mortos." (Le 19:26; 20:27). "Não se deve achar em ti, algum praticante de magia ou quem procure presságios, ou um feiticeiro, ou alguém que prenda outros com encantamento, ou alguém que vá consultar um médium espírita." (De 18:10-14).

Ao profeta de Jeová Deus declarou também que Ele deceparia todos os que se empenhassem em feitiçaria (Miq 5:12). Certas pessoas, tais como Saul, Jezabel e Manassés, que abandonaram a Jeová e se voltaram para um ou outro tipo de feitiçaria, são exemplos do passado que não devem ser imitados (1Sa 28:7; 2Rs 9:22; 2Cr 33:1, 2, 6).

As Escrituras Gregas Cristãs também falam sobre a prevalência de feiticeiros em todo o Império Romano nos dias de Jesus e dos apóstolos. Na ilha de Chipre havia um chamado Barjesus, a quem Paulo denunciou como "cheio de toda sorte de fraude e de toda sorte de vilania, ... filho do Diabo" (At 13:6-11). Havia outros, porém, tais como Simão, de Samaria, que renunciaram às suas práticas de magia e adotaram o cristianismo (At 8:5, 9-13). Em certa ocasião, em Éfeso, "um número considerável dos que haviam praticado artes mágicas trouxeram os seus livros e os queimaram diante de todos. E calcularam os preços deles e acharam que valiam cinqüenta mil moedas de prata [se eram denários": US$37.200]" (At 19:18, 19). O apóstolo Paulo, ao escrever aos da Galácia, incluiu o ocultismo espírita entre "as obras da carne", avisando que "os que praticam tais coisas não herdarão o reino de Deus" (Gál 5:19-21). Excluídos deste glorioso Reino estarão todos os que persistirem nessas práticas babilônicas (Re 21:8; 22:15). Todos eles serão destruídos junto com Babilônia, a Grande, tão notória por desencaminhar as nações com as suas feitiçarias (Re 18:23).

O mefistofélico ato de magia negra sofrido pelo menino Evandro, foi matéria discutida em manchete nacional:

"Mãe e filha julgadas há 34 dias. Celina e Beatriz Abagge são acusadas de matar menino. Curitiba - O julgamento de Celina e Beatriz Abagge, acusadas pela morte do menino Evandro Ramos Caetano em um ritual de magia negra, em Guaratuba, no litoral do Paraná, deve terminar na madrugada deste domingo. Os trabalhos começaram dia 23 de março e completam hoje 34 dias. O debate entre os advogados de defesa e a promotoria está previsto para a tarde, no Tribunal do Júri, em São José dos Pinhais, região metropolitana de Curitiba.

Evandro desapareceu em Guaratuba, no litoral do Paraná, no dia 6 de abril de 1992, quando tinha 7 anos. O corpo, bastante mutilado e sem alguns órgãos internos, foi encontrado num matagal cinco dias depois. Segundo a denúncia, o menino teria sido morto em um ritual de magia negra numa serraria de Aldo Abagge, então prefeito de Guaratuba.

A mulher do prefeito, Celina, e sua filha Beatriz foram detidas pela polícia, acusadas de terem participado do crime. Também foram presos o contador Airton Bardelli dos Santos, os pais-de-santo Osvaldo Marcineiro e Vicente de Paula, o artesão Davi dos Santos e o comerciante Francisco Sérgio Cristofolini. A polícia conseguiu a confissão das duas mulheres, que narraram com detalhes o crime."

DEFESA

A defesa das duas mulheres vai tentar provar que a confissão foi sob tortura. Além disso, também pretendem mostrar aos jurados que não há certeza de que o corpo encontrado seja o do menino desaparecido. "Não há uma prova de autoria concreta, ainda que se acredite seja do Evandro o cadáver", afirmou o advogado Antonio Figueiredo Bastos.

A acusação vai se basear principalmente no depoimento de uma das testemunhas, que disse ter visto a criança dentro do carro das rés no dia do desaparecimento. O processo tem 78 volumes e mais de 16 mil páginas. "O conjunto dos indícios é fortíssimo", afirmou o assistente da promotoria, João dos Santos Gomes Filho. Os outros acusados devem ter seus julgamentos marcados para o próximo mês. (Jornal, da Globo, Arquivos Wilson).

 

 

CASOS SIMILARES

Mais um acusado da morte de Elizete senta no banco dos réus.

O Tribunal do Júri Popular (TJP), sob a presidência do Juiz Eduardo Field, reuniu-se no interior da Câmara Municipal de Assu, ocasião em que julgou mais um acusado de participação no rapto seguido de tortura e morte da menina Elizete Moura Lemos, 10, crime ocorrido no dia 10 de novembro de 1996, na localidade de Arapuá, em Ipanguaçu.

No julgamento do motorista, o Tribunal popular do júri,condenou o homicida Jofre Pinto Fernandes Francisco Heleno Felipe, a 18 anos de prisão, pela morte de Elizete, numa decisão que foi manchete especial do programa "Linha Direta", da Rede Globo, apresentado às quintas-feiras.

Conforme consta no processo, Jofre Pinto Fernandes teria usado um Monza de cor vinho, de sua propriedade, para, junto com o restante da quadrilha, levar a menor Elizete Moura Lemos da localidade de Arapuá, onde ela morava, para o rio Pataxó, local do crime. Elizete Moura Lemos foi raptada no dia 10 de novembro de 1996 e o corpo foi encontrado no dia 13 do mesmo mês boiando nas águas do rio Pataxó.

A crueldade praticada pelo(s) assassino(s) de Elizete Moura Lemos deixou a população do Vale do Açu revoltada, que se mobilizou em protestos, missas e passeadas, pedindo rigor na apuração do caso. As autoridades policiais nomearam o delegado Geraldo Luiz de Albuquerque para apurar o caso em caráter especial. Em dezembro de 1998, Geraldo Luiz prendeu os sete suspeitos.

Geraldo Luiz disse em seu relatório policial que a menor Elizete Moura Lemos foi sacrificada num ritual de magia-negra pelos sete acusados detidos. Durante o julgamento de Heleno de Gelon, semana passada, Geraldo Luiz afirmou que obteve depoimentos testemunhais de Heleno de Gelon confessando participação no crime e revelando os nomes dos demais envolvidos.

Os acusados Luzialba Pinto Fernandes, Fifi, Kátia Fernandes, Carlúzia e Wallace Cristiano confessaram em depoimentos prestados à Polícia na frente de promotores, policiais e delegados em Natal participação no crime. Depois participaram da reconstituição do assassinato presidida pelo delegado Geraldo Luiz no local onde a menor foi assassinada, na localidade de Arapuá, em Ipanguaçu.

Quando foram apresentados à imprensa na PAMN, em Mossoró, se disseram inocentes. Mostraram marcas de torturas nas pernas, na boca, nas costas, no estômago e nas partes íntimas. Afirmaram que só confessaram o crime em Natal porque haviam passado a madrugada anterior ao depoimento sendo torturados pelo delegado Geraldo Luiz de Albuquerque com choques elétricos, socos e pontapés..

Jofre Pinto Fernandes disse que não foi interrogado pelo delegado Geraldo Luiz em Natal. Afirmou que não teve chances de provar sua inocência. "Eu tenho várias testemunhas que eu estava com minha família no Arraial Hotel, em Assu, no horário do rapto da menor. Quanto ao Monza vinho que o delegado Geraldo Luiz afirma que eu usei no crime, eu também tenho provas de que comprei ele um ano e meio depois de o crime ter ocorrido. Essa investigação não teve seriedade", disse Jofre Pinto.

O presidente do TJP, juiz Eduardo Field, solicitou reforço policial para garantir a seqüência dos trabalhos na Câmara Municipal durante o julgamento de Jofre Pinto. Funcionarão na acusação os promotores Cláudio Alexandre Onofre, de Pendências, e Luiz Eduardo Marinho Costa, de São Gonçalo do Amarante, que já conhecem bem o processo. Na defesa, funcionaram os advogados Marcos José Marinho, José Wellington Diógenes e José Luiz.

 

O JÚRI DA MÃE DE SANTO

Quando atuávamos na 3ª Vara do Júri, tendo como presidente daquele Juízo o inesquecível Magistrado Celso Girão, nos deparamos com um caso típico de "magia negra", envolvendo como denunciado a mulher conhecida como Francisca Martins da Silva de agnome Sônia.

Ficou apurado dos autos que, no dia 3 de outubro de 1990 uma pobre mulher de nome Catarina Lima de Sena, depois de desiludida da vida e passar por uma intensa depressão, rejeitada pelo marido e por todos, procurou a casa de uma cartomante, ou seja, um dublê de babalorichá e mãe de santo, que a aconselhou que depois de uma sessão de um "banho de limpeza" e descarrego com ervas e perfumes toda a vida malsinada da infeliz vítima seria apagada.

Como se encontrava com a vida deprimida a destitosa mulher Catarina Lima de Sena compareceu ao terreiro de macumba da astuta mãe de santo Francisca Martins da Silva e depois de uma sessão de "benzeduras e passes" foi induzida a ensopar-se com dois litros de álcool e depois com o corpo molhado bailar como uma verdadeira "pomba gira" ao redor do lucifênico altar.

Como o demônio só sabe roubar, matar e destruir (João, cap.10, ver.10), Catarina Lima de Sena foi presa fácil nas mãos do inimigo de nossas vidas.

No ziguezazear da nefasta dança, a desaventurada mulher perdera o equilíbrio indo cair dentro de um círculo de velas acesas, tornando-se em tempo célere uma inusitada tocha humana. Levada às pressas ao nozocômio mais próximo, não resistira aos ferimentos recebidos na derme vindo a falecer.

O auto de exame de corpo de delito cadavérico, prova da materialidade da "delicta facta permanentes", laborado pelos esculápios do IML, atestaram que se tratava de um caso de morte real por desequilíbrio hidroeletrolítico em decorrência de 90% da área corporal afetada por queimaduras do 2º grau.

No que tange ao quesito 4, qual o meio da produção da morte responderam; lesões produzidas por fogo.

As testemunhas arroladas e ouvidas quer na fase policial ou judicial afirmaram de forma enfática que no dia do trágico evento realizava-se no terreiro de D. Francisca Martins um banho de limpeza com várias velas coloridas do tipo chamado 7 dias.

Arrolou-se ainda que uma das incidências da vítima ter procurado um terreiro de macumba é porque descobriu que o seu marido era homossexual visto de tê-lo flagrado em relações ectotópicas com vários homens.

Em sua peça de alegações finais, laborada pelo brioso e competente advogado Vasco Damasceno Weyne, estrela luminar do Ministério Público alencarino, ponderou aquele causídico pela impronúncia (CPP art. 409), alegando que os autos não revelavam nenhum indício de autoria e sob a ótica etiológica ponderou que tudo não passava de um lamentável acidente ou quem sabe suicídio e nunca homicídio conforme a narrativa trazida na exordial libelália acusatória, argumentos que não receberam guarida pelo nobre Juiz presidente do júri que fundamentou o seu "decisium" monocrático na égide da figura do dolo eventual.

Levada ao tribunal do júri o Ministério Público fora representado pelo Promotor de Justiça, Dr. José Wilson Furtado que reforçou de sua tribuna a incidência do dolo eventual na condução do tipo repressivo infringido pela acusada Francisca Martins da Silva de agnome D. Sônia.

Ocorre, porém, que os trabalhos foram dirigidos por outro magistrado no caso o Juiz Dr. José Mário dos Martins Coêlho que englobou na elaboração dos quesitos a tipicidade do fato, tese que sequer fora aventada pelo Defensor da apelada o brilhante advogado Dr. Francisco Simão, e em conseqüência deste deslize do nobre magistrado o julgamento tornara-se esdrúxulo com total defeituação na formulação de quesitos, que ensejou no recurso do Ministério Público nos termos seguintes:

 

RECURSO DO MINISTÉRIO PÚBLICO

Comarca de Fortaleza

Assunto: Razões de Apelação do Ministério Público

 

Recorrida: Francisca Martins da Silva de Pseudônimo "Sônia"

 

 

AUGUSTA CÂMARA DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO CEARÁ

 

 

PRELIMINARMENTE

Em sua peça de contra-razões, diz o órgão do Ministério Público, "in fine" assinado, com supedâneo nas disposições ínsitas do art. 600 do Código de Processo Penal, nos autos da ação penal pública incondicionada, que o "jus puniendi" move contra FRANCISCA MARTINS DA SILVA, de pseudônimo, Sônia, o seguinte:

Como se vislumbra da exordial libelária, prefaciante da ação penal pública incondicionada, da lavra de um dos mais diligentes agentes do parquet alencarino, Dr. Benjamim Pacheco, no dia 03 de outubro de 1990, a apelada em referência, aproveitando-se da sua condição de mãe de santo, contribuiu na morte da infeliz vítima Catarina Lima de Sena, através de manobras de sortilégios, levou a inditosa criatura a ensopar-se com litros de álcool, para depois bailar ante o altar existente, de um pequeno altar satânico.

Como se apurou dos fólios inquisitoriais, a infeliz vítima vivia deprimida e induzida em erro acreditou que a apelada na qualidade de cartomante, fosse a solução de todos os seus problemas. Como pessoa incauta, e dominada por satanás, a infeliz vítima, foi atendendo aos ensinamentos lucifênicos de Dona Sônia, inclusive na administração do famigerado banho de limpeza, o que levaria ao fatídico epílogo, quando morreu em conseqüência das queimaduras advindas do círculo de velas, existentes na tradicional sessão de magia negra.

A infeliz vítima Catarina Lima de Sena, deprimida como estava e não se reforçando na Palavra de Deus, procurou um terreiro de macumba da Apelada, que sob a fachada de cartomante, realizava rituais macabros em sua própria residência, cujo ritual chegava a atrapalhar até ao sossego dos vizinhos, com alaridos e cantos diferentes até pela madrugada.

Como se sabe, o nosso criador do universo, que tudo vê, fez o homem perfeito, porém o diabo, a quem o Senhor Jesus associa como ladrão (João 10:10), mata, rouba e destrói a criatura, quando esta sem forças para resistir, não está em harmonia com o seu criador, e procurando outros caminhos, procura evidentemente a sua derrota. É preciso, na hora da angústia e depressão saber escolher a porta onde bater, caso contrário, estaremos na estalagem de nosso inimigo, através de manobras escusas, contribuirá com a nossa morte.

"Entrai pela porta estreita; larga é a porta, e espaçoso, o caminho que conduz para a perdição, e são muitos os que entram por ela." (Mateus, 7.13)

"Quando o espírito imundo saí do homem, anda por lugares áridos procurando repouso, porém, não encontra. Por isso diz: Voltarei para minha casa donde saí. E, tendo voltado, a encontra vazia, varrida e ornamentada. Então vai e leva consigo outros sete espíritos, piores do que ele, e, entrando, habitam ali; e o último estado daquele homem torna-se pior do que o primeiro. Assim também acontecerá a esta geração perversa." (Mateus, 12.43-45)

Segundo informa Edir Macedo, em seu festejado livro "Orixás, caboclos & guia – deuses ou demônios":

"Muitas pessoas ficam espantadas ao consultarem um médium ou cartomante e verificam que muito embora não tivessem o menor conhecimento com tal criatura, ela lhes revela até os mínimos detalhes de suas vidas." (obra citada, pág.61)

O engodo reside na fragilidade das pessoas, que totalmente emocionadas, transformam-se em verdadeiras marionetes, nas mãos dos antonomásticos amantes da quiromancia, que, de modo vulpino, mudam apenas as qualificações: cartomantes, macumbeiros, feiticeiros, babalorixás, curandeiros, benzedeiros etc. Enfim, trabalham com culto de macumba e os efeitos destes trabalhos, deixam suas vítimas dependentes do demônio. Com Catarina Lima de Sena, não aconteceria o contrário. A vítima, conforme informações de sua própria irmã, no caso a testemunha Hulda Lima de Sena, ambas viajaram para a cidade de Itaiçaba, e como forma de paranóia, a vítima gozou nada da viagem, pois estava preocupada com o trabalho na casa de Dona Sônia;

"que a viagem à Itaiçaba foi feita à noite do dia 02/10/1990, e Catarina, a vítima, convenceu a declarante que deveriam voltar cedo e voltar a Fortaleza no primeiro transporte, pois à tarde teria que realizar um ‘trabalho’ na residência de Dona Sônia, que ficou esclarecido que aqueles dois litros de álcool que Catarina deixara na casa da declarante seria para um trabalho, que durante o tempo em que estiveram em Itaiçaba, Catarina mostrava-se preocupada com o retorno à Fortaleza, em virtude do compromisso assumido por Dona Sônia." (Fls. 16)

EM JUÍZO

"Que viajou com Catarina, a vítima, para Itaiçaba, a fim de votar, retornaram e como era dia de banho Catarina apanhou o álcool que havia deixado em sua casa e foi sozinha à casa de Dona Sônia; que na casa de Dona Sônia, no quarta encontrava-se uma mesa, uma vela de sete dias e muitas imagens de santos e caboclos."

De forma melíflua, pode-se afirmar, que a casa de Dona Sônia, onde a infeliz vítima Catarina Lima de Sena freqüentou naquele lamentável dia três de outubro de 1990, foi o palco que contribuiu para a sua morte, através dos atos da apelada, que, pelo menos poderia ter evitado a catástrofe, assumindo-se assim o risco na consumação do evento delitógeno, como oportunamente, reforçaremos a presente ilação.

A imprensa nacional tem mostrado que nos últimos anos, os rituais de macumba têm levado inocentes vítimas à morte e seus artífices são condenados às duras penas.

Em Ribeirão Preto, a dona de casa, Daguimar da Silva, de 27 anos, foi condenada pelo Tribunal do Júri Bandeirante em sessão plenária do dia 22/03/1995, responsável pela morte de sua filha Daniela. A menina de sete anos morreu devido aos maus tratos durante um ritual de macumba, realizado em sua própria casa, passando por uma sessão de rezas e benzeduras, com velas acesas para espantar os maus espíritos.O Ministério Público denunciou a genitora da infeliz criança, pela prática de homicídio qualificado pela crueldade (Estado de São Paulo, 22/março/1995).

Em Curitiba, os Desembargadores do Tribunal de Justiça do Paraná negaram, por unanimidade, provimento a um recurso dos advogados de defesa dos sete acusados de matar, num ritual de magia negra, o menino Evandro Ramos Caetano, de 6 anos de idade, em abril de 1992, em Guaratuba, litoral do Paraná (Estado de São Paulo, 15/02/1995).

Em Belém do Pará, o jornal "O Liberal" publicou:

"A prisão de dois médicos, um policial militar e um rapaz de família tradicional da cidade pode esclarecer definitivamente os casos de seqüestro, morte e emasculação (castração) que vitimaram 14 crianças desde 1987, em Altamira, no Pará. A Polícia do Estado está à procura de Valentina de Andrade, líder da seita Lineamento Universal Superior, com sede no Paraná, suspeita de ter relacionamento com os crimes. Segundo a polícia, Valentina de Andrade era uma cartomante envolvida com a prática de rituais satânicos em Guaratuba." (O Liberal, 02/janeiro/1994).

Recentemente, deu entrada junto à 2ª Vara do Júri, um processo que abalou as pilastras da sociedade alencarina, onde um filho, depois de um ritual de macumba, retirou o intestino da vítima pela vagina.

 

RELIGIOSO:

"A aposentada Maria Veríssimo Leitão, de 66 anos, foi morta e teve uma parte de seu intestino arrancada durante um ritual religioso no Bairro da Bela Vista. Os responsáveis pelo ritual foram o filho da vítima Antônio Veríssimo Leitão e sua esposa Lucília Ferreira Lima, que levaram a senhora para a residência do casal, onde aconteceu o homicídio." (Diário do Nordeste, 27/setembro/1997).

ERRO DE QUESITAÇÃO:

Em que pese, o brilhantismo e o incomensurável capedal jurídico do probo Magistrado José Mário dos Martins Coelho, entende o Ministério Público, que o primeiro quesito fora elaborado de forma complexa, envolvendo num só instante, os conceitos de autoria, materialidade e tipicidade, contribuindo, de forma indireta, que os Juízes de fato, diante de tais proposições, ficassem titubeados, voltando por maioria de votos, em favor da atipicidade, aliás, tese que sequer foi aventada pelo defensor da apelada.

É sabido por todos nós, que o Conselho de Sentença, tantas vezes criticado, é composto por pessoas leigas, e às vezes, sem nenhum conhecimento jurídico, daí a norma imperativa das leis, que a formulação dos quesitos seja amoldada àquela cultura popular.

Leciona Adriano Marrey, em sua festejada obra "Teoria e prática do Júri":

"dada a condição dos jurados, Juízes de fato, leigos em matéria jurídica, cumpre ao Juiz formular os quesitos tal como se determina no art. 484, Inciso IV do Código de Processo Penal (...) em proposições simples e bem distintas, de modo que cada uma delas possa ser respondida com suficiente clareza." (MARREY, Adriano. Teoria e prática do júri. 6.ed., São Paulo, Editora Revista dos Tribunais, loc. cit., pág.339).

QUESITO DÚBIO:

"A ré Francisca Martins da Silva, "Sônia", no dia 03 de outubro de 1990, no interior do imóvel situado na Rua Perdigão de Oliveira, 483, Parangaba, nesta Capital, a pretexto de aplicação de ‘banho de limpeza’, induziu a vítima Catarina Lima de Sena a encharcar-se com álcool, provocando conseqüentemente queimaduras de que dão conta o auto de exame cadavérico de fls? (Grifos nossos)

Como se vê, o quesito de nº, que induziu aos jurados em erro, traduz a ação física do crime de induzimento ao suicídio, perfilhado no arquétipo semântico do Art. 122 do Código Penal Brasileiro, que preleciona, "verbis": "Induzir ou instigar a alguém a suicidar-se ou prestar-lhe auxílio que o faça".

É sabido das lições prolegomenais de Direito Penal Substantivo, que induzir, verbo transitivo indireto, usado pelo probo Magistrado, quando da elaboração do quesito primeiro, traduziu a idéia de outro tipo penal objetivo.

O veridictum popular, em conseqüência do erro de quesitação, absolvendo a apelada, surpreendeu inclusive à defesa, que em tribuna, pugnara pela tese do homicídio culposo, pela incidência da imprudência, como se lê, do quesito quatro, "verbis": "A ré Francisca Martins da Silva agiu culposamente, a título de imprudência? (Grifos nossos)

Lamentavelmente, "data vênia", o erro traduzido na formulação do quesito primeiro, foi um presente dos deuses, visto que a negativa de autoria, jamais fora aventada pelo brilhante paladino, Dr. Hamilton Simão, que deixou o plenário sem entender nada do que assistira. No entanto, como vencedor, naquele inusitado júri, e educado, que o é, preferiu ficar calado.

 

Affon

Justiça Brasileira é a maior VERGONHA NACIONAL.

 

 

Que seja feita a exumação do cadáver sepultado e toda a verdade venha a público.

 

história trágica e triste  ..SE ASSIM, que os criminosos legalizados paguem pelo que fizeram  ..inclusive indenizando COM OS SEUS próprios bens esta família (valendo pra mídia, empreiteiros etc, e seus diretores que eventualmente insuflaram e ganharam com o "escândalo")

..mas gostaria de chamar a atenção a 3 fatos recorrentes em outros processos tb

1o - um crime de 1992 que ainda não teve desfecho? ..melhor o MP se dar um tiro no queixo

2o- não é o caso desta senhora, mas é triste ver que nosso país é uma republiqueta de brinquedo mesmo  ..vaganunda, de 5a categoria ..pois veja, basta vc ser um CANALHA a vida inteira, ou fugir da justiça (Pimenta neves, Maluf etc)  pra vc chegar aos 70 e clamar por santuário  ..francamente  ..pau neles  ..ou vai entregar pra deus tb ?

3o como é difícil pra nós admitirmos que a nossa democracia é inconsequente e burocrática, CORRUPTA ao extremo,  como é difícil pra nós admitirmos que NÒS somos um povo CRUEL ainda  ..um que pra "se safar" de qualquer auto-crítica, ainda apela pra fantamas comparativos já esquecidos, como o tal "período de tortura do militarismo" cirtado no desto (pergunto,: que que ele tem a ver  com o KIKO?) 

..GENTE, francamente, a nossa democracia tortura TODO santo dia na periferia, e é com ela que devemos nos preocupar, e é por ela que devemos nos envergonhar  ..o pior doente é o que não se reconhece e se nega do tratamento.

 

Não adianta tergiversar...

 

As duas ditaduras do século XX no Brasil (Estado Novo e Golpe Militar) tem muita responsabilidade na triste sina atual do povo brasileiro. Infelizmente nossa polícia, ou melhor dizendo, uma parte da nossa polícia continua agindo com truculência brutal, como se estivéssemos nos tempos da Inquisição Medieval ou como nos tempos do Estado Novo e da ditadura de 64. E no caso em questão, o fato das torturas terem sido praticadas na casa de veraneiro de Alfredo Stroessner não diz nada aos "avestruzes" de plantão?

 

Enquanto esse país não julgar os golpistas, assassinos, sequestradores, torturadores e ocultadores de cadáveres da ignominiosa ditadura militar, seremos obrigados a conviver com esses tristes "fantasmas" que teimam em poluir nosso dia a dia.

 

Enquanto esse país continuar com essa política criminosa de soterrar para todo o sempre os documentos do Estado Nacional Brasileiro (nem os documentos da Guerra do Paraguai estão disponíveis!), continuaremos a conviver com essas ignomínias.

 

O Brasil ainda é um país muito pouco civilizado, é um país que esconde sua sujeira histórica para debaixo do tapete, que omite de seus cidadãos a verdadeira história política e social brasileira, é um país onde a hipocrisia e o cinismo beiram as raias do absurdo. E tudo isso alimentado, e bem alimentado, por uma mídia presa a seus interesses comerciais e ao seu passado sombrio de apoio explícito e implícito a regimes arbitrários.

 

Porque precisamos ter policiais militares para lidar com casos do cotidiano de uma população civil? Militar tem que estar na caserna, treinando para defender o país de alguma agressão estrangeira! Chega de treinamento militar para policiais que fazem, ou deveriam fazer a segurança pública dos cidadãos desse país...

 

Comissão da Verdade Já!!! Fim do Sigilo sobre os Documetos da República Federativa do Brasil!!! Fim da Polícia Militar!!!

 

 

 

 

Diogo Costa

claro que discordo PRONTAMENTE de fazermos neste estágio de nossa vida uma caça as bruxas  ..há muito o que se fazer, e isto esta LONGE de ser a minha prioridade

..sinceramente, eu  rogo todo dia em  um rosário pra que ele abençoe e ajude a purificar a cabeça das nossas "Marias indignadas", daquelas que com seus terços não param de destilar seus ódios e venenos, fucando vingança todo dia para o solo brasileiro  ..chega !!!

...diferente, evidente, de podermos (devermos) perfeitamente expor de todos os exageros e culpas, de AMBOS os lados, afim e extraírmos e estudarmos seus erros. para compremdê-los e jamais repetir dos mesmos

AGORA  ..agora migô, falar que a violência e o descaso da nossa sociedade/JUSTIÇA tem a ver com ditadura?! ..tá, então eu fumei mesmo como disse o colega, ou cheirei pó de telha de amianto

então tá assim...

Se hoje há morte no transito, depois de 30 anos, então culpe a ditadura!

se ainda temos empresários ordinários e funcionários públicos vagabundos, se ambos mais os civis são corruptos, culpe a ditadura!

Se a saúde não funciona, as escolas não deslancham, se as estradas estão precárias,  PARADAS, grite ditadura!

se a violência aumenta, as mortes batem recorde, a justiça é lenta, então? então a quem culpar? a dita, dura claro

ahh, mas se o país não engrena, se os passivos avolumam, se as enchentes ainda inundam, se as casas se aterram com pessoas dentro, se ainda mesmo com incentivos ainda mantemos MILHÕES inativos sem esperança, claro, ela é a culpa, a linha dura..

Se as Instituições são uma palhaçada, se a democracia é de brinquedo, se a participação inexiste e a proporção ninguém calcula,  se elegemos titirica, maluf, popó ou bolssonaro, então brinde, um brinde a ditadura

..francamente

BRASIL = democracia + burocracia = durocracia  ..uma sociedade que empacou e ninguém sabe como desatolar ainda


 

 

 

Muito loko esse cara. Fumou cigarrinho de orégano? 

 

Não consegui terminar a leitura. Muita vergonha do ser humano.